"Desejo Humano", filme de corno clássico do mundo noir. Dirigido pelo grande Fritz Lang, o longa conta um bunda lê lê, que Glenn Ford acabou se metendo.
Na trama Jeff Warren, volta da Guerra da Coréia, tem uma beleza em casa chamada Ellen Simmons (Diane DeLaire), mas se deixa levar pelas artimanhas de Vicki (Gloria Grahame), deixando-se seduzir, e se envolvendo num crime de Cidade Alerta - Anos 50.
Vicki é casada com Carl Buckley (Broderick Crawford), homem com idade pra ser avô da bichinha, que depois de perder a cabeça no trampo de trem, ele acaba sendo demitido. Porém, sabendo que sua esposa meio que teve um rala e rola com o chefão, ele obriga sua mulher a falar com ele. Mas é a Gloria Grahame, que está ali senhoras e senhores...
Com os chifres batendo em todos os vagões da ferrovia, Carl monta um esquema pra matar o chefe, usando a esposa como isca. E nessa que entra na história o pobre Jeff, que acaba surpreendendo Vicki, onde eles acabam se envolvendo, brincando de locomotiva e túnel, com eu te amo, vamo em bora, coisa e tal.
Mas a coisa fica muito estranha, quando essa prova de amor vem junto com as palavras mágicas: "Mata meu marido, você não me ama?" coiiiiisa assim. Não demora, você já percebe o que a personagem da Glorinha quer, e acaba ficando intrigado com o que ex soldado e agora maquinista vai fazer.
O cara balança, Gloria Grahame com aqueles sutiã com dois cortador de picador de gelo, hipnotiza. Não tem jeito, ela fala com aquela boquinha fazendo bico, soltando aquela voz de coitadinha, enquanto a gente olha pra blusa dela. É um apelação do capeta. Eu fico imaginando o infeliz do personagem do Glenn Ford, ex soldado, peão de trem, sem Pix, com a cabeça cheia de whisky e cenas de guerra, com um satanás desse atentando o cara.
Fritz Lang envolve a gente com uma trama, que a principio parecia ser um filme de corno noir, mas depois amarra a gente com ações e escolhas, sempre envoltas em mistérios e desejos, com verdade amargas, mentiras fáceis, cheio de dramas e paixões, onde você não sabe pra que lado as coisas vão, porque o titulo já desenha "Desejo Humano".
O final tem uma revelação braba do passado de Vicky, esses passados que as pessoas querem esquecer, mas que por maldade do destino, acaba batendo na porta de novo. O desfecho é brabo!
Grande atuação do Glenn Ford, que tem o sorriso preso no rosto igual ao Ryan Gosling, e a Gloria Grahame, que só falta furar os olhos da gente...
Embora as metáforas envolvendo o trem e as emoções dos personagens sejam mais evidentes no original, este remake traz uma história inovadora e mais envolvente, mantendo a tensão emocional e explorando temas de desejo e ciúmes em um ambiente industrial.
Relendo um comentário antigo, fiquei chocado com a minha própria indulgência em relação à hipocrisia discursiva do filme: o revi após também rever a versão original do Renoir (que é uma obra-prima!) e fiquei extremamente decepcionado com o reducionismo tramático deste filme, com a nojeira manifesta naquele desfecho, com a nojosidade associada, mais uma vez, ao personagem do Glenn Ford. Senti-me extremamente condoído pelo que acontece à personagem da Gloria Grahame. Que crueldade subjustificada pelo machismo do período! Gosto da direção, gosto de algumas soluções de câmera, gosto dos jogos fotográficos, mas sou uma pessoa, não consigo ficar inane em relação aos maus tratos contra as mulheres (sendo bastante caricatas as coadjuvantes que se orgulham de serem "bonitas, e não inteligentes"), em relação à pieguice oportunista do companheirismo entre machos. Dormi encantando ontem, após a ambigüidade e solidariedade de Jean Renoir ao personagem concebido pelo Émile Zola, mas este roteiro chega a ser vexatório, em seu pendor moralista cooptado pelas determinações ideológicas da conjuntura hollywoodiana. Estou com muita raiva do filme, mas não a ponto de declarar que ele é ruim. Infelizmente ou não, possui o requinte produtivo associado ao realizador. Mas despertou em mim péssimos sentimentos: quanta ignomínia convertida em vitimismo masculino, urgh! (WPC>)
"Desejo Humano", filme de corno clássico do mundo noir. Dirigido pelo grande Fritz Lang, o longa conta um bunda lê lê, que Glenn Ford acabou se metendo.
Na trama Jeff Warren, volta da Guerra da Coréia, tem uma beleza em casa chamada Ellen Simmons (Diane DeLaire), mas se deixa levar pelas artimanhas de Vicki (Gloria Grahame), deixando-se seduzir, e se envolvendo num crime de Cidade Alerta - Anos 50.
Vicki é casada com Carl Buckley (Broderick Crawford), homem com idade pra ser avô da bichinha, que depois de perder a cabeça no trampo de trem, ele acaba sendo demitido. Porém, sabendo que sua esposa meio que teve um rala e rola com o chefão, ele obriga sua mulher a falar com ele. Mas é a Gloria Grahame, que está ali senhoras e senhores...
Com os chifres batendo em todos os vagões da ferrovia, Carl monta um esquema pra matar o chefe, usando a esposa como isca. E nessa que entra na história o pobre Jeff, que acaba surpreendendo Vicki, onde eles acabam se envolvendo, brincando de locomotiva e túnel, com eu te amo, vamo em bora, coisa e tal.
Mas a coisa fica muito estranha, quando essa prova de amor vem junto com as palavras mágicas: "Mata meu marido, você não me ama?" coiiiiisa assim. Não demora, você já percebe o que a personagem da Glorinha quer, e acaba ficando intrigado com o que ex soldado e agora maquinista vai fazer.
O cara balança, Gloria Grahame com aqueles sutiã com dois cortador de picador de gelo, hipnotiza. Não tem jeito, ela fala com aquela boquinha fazendo bico, soltando aquela voz de coitadinha, enquanto a gente olha pra blusa dela. É um apelação do capeta. Eu fico imaginando o infeliz do personagem do Glenn Ford, ex soldado, peão de trem, sem Pix, com a cabeça cheia de whisky e cenas de guerra, com um satanás desse atentando o cara.
Fritz Lang envolve a gente com uma trama, que a principio parecia ser um filme de corno noir, mas depois amarra a gente com ações e escolhas, sempre envoltas em mistérios e desejos, com verdade amargas, mentiras fáceis, cheio de dramas e paixões, onde você não sabe pra que lado as coisas vão, porque o titulo já desenha "Desejo Humano".
O final tem uma revelação braba do passado de Vicky, esses passados que as pessoas querem esquecer, mas que por maldade do destino, acaba batendo na porta de novo. O desfecho é brabo!
Grande atuação do Glenn Ford, que tem o sorriso preso no rosto igual ao Ryan Gosling, e a Gloria Grahame, que só falta furar os olhos da gente...
clássico noir.
Human Desire é um bom filme e um bom remake.
Embora as metáforas envolvendo o trem e as emoções dos personagens sejam mais evidentes no original, este remake traz uma história inovadora e mais envolvente, mantendo a tensão emocional e explorando temas de desejo e ciúmes em um ambiente industrial.
Relendo um comentário antigo, fiquei chocado com a minha própria indulgência em relação à hipocrisia discursiva do filme: o revi após também rever a versão original do Renoir (que é uma obra-prima!) e fiquei extremamente decepcionado com o reducionismo tramático deste filme, com a nojeira manifesta naquele desfecho, com a nojosidade associada, mais uma vez, ao personagem do Glenn Ford. Senti-me extremamente condoído pelo que acontece à personagem da Gloria Grahame. Que crueldade subjustificada pelo machismo do período! Gosto da direção, gosto de algumas soluções de câmera, gosto dos jogos fotográficos, mas sou uma pessoa, não consigo ficar inane em relação aos maus tratos contra as mulheres (sendo bastante caricatas as coadjuvantes que se orgulham de serem "bonitas, e não inteligentes"), em relação à pieguice oportunista do companheirismo entre machos. Dormi encantando ontem, após a ambigüidade e solidariedade de Jean Renoir ao personagem concebido pelo Émile Zola, mas este roteiro chega a ser vexatório, em seu pendor moralista cooptado pelas determinações ideológicas da conjuntura hollywoodiana. Estou com muita raiva do filme, mas não a ponto de declarar que ele é ruim. Infelizmente ou não, possui o requinte produtivo associado ao realizador. Mas despertou em mim péssimos sentimentos: quanta ignomínia convertida em vitimismo masculino, urgh! (WPC>)
Ótimo suspense com ótimas atuações. Fiquei presa até o fim pra saber o desfecho!
Recomendo para fãs de noir!
Demorei 3 dias pra ver.
Visto em 22/12/23