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Durante o carnaval de 1943 na Bahia, Vadinho (José Wilker), um mulherengo e jogador inveterado, morre repentinamente e sua mulher, Dona Flor (Sônia Braga), fica inconsolável, pois apesar dele ter vários defeitos era um excelente amante. Mas após algum tempo ela se casa com Teodoro Madureira (Mauro Mendonça), um farmacêutico que é exatamente o oposto do primeiro marido. Ela passa a ter uma vida estável e tranqüila, mas tediosa e, de tanto "chamar" pelo primeiro marido, ele um dia aparece nu na sua cama.
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A história Dona Flor e Seus Dois Maridos criada pelo Jorge Amado em 1966, fez tanto sucesso que eu encontrei duas adaptações para o cinema nacional de 1976 e 2017, uma minissérie de 1998 da Rede Globo, uma apresentação em teatro de 2008 e uma versão gringa de 1982 chamada Meu Adorável Fantasma. Não preciso dizer que prefiro pegar o livro na estante e ler ou reler a história. Sim eu tenho o hábito de reler um livro que gosto sempre que desejo, mas com tantas versões para Dona Flor e Seus Dois Maridos, Talvez eu deixei passar alguma que não conheço, a adaptação de 1976 é a minha favorita. Assim que termino a leitura de uma história e sei que contém uma adaptação, eu gosto de assistir e expressar minha opinião. Então decidi assistir novamente a versão de 1976, pois simplesmente adoro o José Wilker interpretando Vadinho.
A história Dona Flor e Seus Dois Maridos é muito conhecida por causa das adaptações, mas prefiro oferecer o livro como dica, pois é uma experiência única. Posso dizer que o filme é bem fiel ao livro, porém resumida. Mostrou a história no cenário da década de 1940, na cidade de Salvador, na Bahia e como a vida de Vadinho era desregrada e repleta de manifestações de desordens no matrimônio. Apesar dos defeitos incorrigíveis de Vadinho e a solidão constante, no instante em que Dona Flor se deparou com a falta de Vadinho e a dor da perda, os sentimentos de luto foram sinceros. Tanto que o luto por Vadinho fez relembrar seu casamento desde o início. A vida de Dona Flor não era fácil, vendo Vadinho sair todos os dias com os amigos para jogar e beber, e quase sempre chegado em casa bêbado na manhã seguinte.
Apesar de não ser um marido exemplar, Vadinho era um ótimo amante para Dona Flor. Com o tempo, ela foi deixando o sofrimento de lado, até que tirou o luto completamente e vai retomou a sua rotina. Ao lado do Dr. Teodoro, Flor teve a chance de vivenciar um casamento verdadeiro e respeitável, contudo sente-se agoniada. Tendo novamente Vadinho, em forma de fantasma, Dona Flor tornou-se uma mulher completa. Fico imaginando como foi abordagem do tema na ocasião que o livro e o filme foram lançados, porque a sociedade olhava os desejos da mulher com outros olhos conservadores. A sensualidade, a liberdade sexual feminina e os demais temas citados na obra de Jorge Amado deve ter provocado algumas polêmicas na ocasião.
Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça esbanjam talentos dado vida aos personagens e estão em perfeita sintonia. Quando a história de Dona Flor e Seus Dois Maridos é mencionada, sempre aparece o rosto deste trio de atores na minha mente. Sonia Braga consegue mostrar toda a delicadeza de Dona Flor, Mauro Mendonça mostrando claramente o rosto de um homem sério e respeitável. Enquanto José Wilker... Proporcionou várias cenas icônicas, no momento que Vadinho retornou em forma de fantasma na vida de Dona Flor e transformou Vadinho num dos personagens de grande sucesso do cinema nacional. O personagem caiu como uma luva para ele e até peço desculpas ao Marcelo Farias e Edson Celulari que interpretaram Vadinho nas outras adaptações, mas o Vadinho parece que foi criado para José Wilker.
Enfim, Dona Flor e Seus Dois Maridos de 1976 é ótimo. Considero um dos maiores filmes brasileiros, mas vale relembrar que é uma história com cenas de nudez e conteúdo sexual, então aconselho que seja para maiores de 18 anos. Caso não tenha problema nenhum com as cenas quentes, assista. Porém aconselho que conheça a versão literária escrita pelo Jorge Amado.
Felicidade não tem história, com uma vida feliz não se faz romance.
Entre as dez maiores bilheterias de todos os tempos no Brasil tem algumas comédias da Globo filmes, alguns filmes religiosos, e também dois filmes com a Sônia Braga que exploram o desejo das personagens que ela interpreta, cada um à sua maneira.
Gosto muito de como a Dona Flor possui muitos desejos, que são mostrados basicamente na segunda metade de filme, principalmente logo após a morte do Valdinho. Ela não se contenta com a vida amorosa que leva com o Teodoro e isso descamba pra história de que a perfeição é inimiga do tesão. Até a música é bem usada aqui, quando vemos que, enquanto o Teodoro toca algo mais erudito (e chato à beça), o que agradava o Valdinho era cantar junto a seus bêbados "Noite cheia de estrelas". As cenas mostram por si mesmas o que traz Dona Flor mais pra perto.
É legal também ver no cinema brasileiro dos anos 70 como as cores eram usadas com muito vigor. Desde os filmes do Zé do Caixão até as comédias era tudo muito colorido, quase que como um brinquedo novo sendo usado à exaustão.
Tudo isso pra falar do tal desejo da protagonista, sobre como ela gosta de maneira contraditória de dois homens, preferindo um aspecto em cada um. Muito massa.
Acho que vale uma dobradinha desse com A dama do lotação.
Obra-prima absoluta, filme visualmente belíssimo e divertidíssimo, com diálogos super engraçados.
Florípides é a típica mulher de malandro, só é feliz apanhando!
E excelente atuação, da grande, Sônia Braga.
Assistindo em 12/09/25.
Eu entendo você, Dona Flor.