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Data de lançamento
20 Out. 2010Duração
Todos os anos, Max, dono de um restaurante de sucesso, e Véro, sua esposa convidam um grupo de amigos para a sua bela casa de praia para comemorar o aniversário de Antoine e começar com as férias. Mas, este ano, antes de todos deixarem Paris, seu amigo Ludo é ferido em um grave acidente, o que desencadeia uma série dramática de reações e respostas emocionais. Apesar desse evento traumático, eles decidem continuar a sua tradição de ir à praia juntos nas férias. Seus relacionamentos, convicções, sentimento de culpa e amizade são duramente testados. Eles são finalmente obrigados a revelar até as mentiras que vem contando uns aos outros.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Uma deliciosa e refrescante experiência agridoce! Me fez querer sair por aí com menos roupa e mais epiderme, mesmo com todas as disfuncionalidades expostas.
À primeira vista, Little White Lies pode até parecer apenas alternar cenários para manter o ritmo: a casa de praia como ponto de encontro, o barco como passeio, a praia como lazer. Mas, assistindo ao filme, fui percebendo como essa circulação entre espaços vai criando um padrão emocional muito claro. A narrativa retorna o tempo todo aos mesmos lugares — a casa lotada, a mesa de jantar, o barco, a areia — ambientes pensados para descanso e prazer que, pouco a pouco, viram territórios de tensão. E é justamente aí que o humor entra com força: ele nasce do constrangimento, dos silêncios mal resolvidos e das pequenas explosões de irritação (François Cluzet está simplesmente magnífico) que viram piada antes de virar conflito aberto. O riso alivia e refresca a cena, mas também evidencia o quanto esses personagens estão presos uns aos outros e às próprias mentiras.
Uma das melhores cenas do filme foi aquela em que o Max (François Cluzet), totalmente desnorteado depois da confissão do amigo, sai da mesa e, em vez de pedir um Jack Daniels ou algo do tipo, tenta mandar o funcionário do restaurante “resolver” algo sem explicar o quê. Ordens confusas, frases soltas, o funcionário absolutamente perdido… até que outro agente do local chega e informa que o amigo deixou um cheque. A cara do Max é impagável; acho que revi esse diálogo todo umas cinco vezes sem parar de rir kkkkkkkk
A masculinidade que o filme retrata me parece em colapso não por excesso de fragilidade, mas pelo medo dela. Não é falta de amor, é falta de vocabulário emocional. Esses homens sentem, e sentem muito, mas não sabem o que fazer com isso. Falam demais, gesticulam, brigam, transformam afeto em posse, tristeza em raiva e culpa em silêncio. Nomear o que sentem parece sempre o último recurso, quando já pode ser tarde demais.
Aos poucos, fica claro que a mentira no filme deixa de ser um gesto individual e passa a funcionar como um acordo coletivo. Não é apenas alguém mentindo para alguém, mas um pacto implícito entre todos: ninguém pergunta demais, ninguém escuta até o fim, ninguém diz em voz alta aquilo que já sabe. Essa suspensão compartilhada da verdade beneficia o grupo no curto prazo, pois mantém a convivência possível, mas cobra um preço emocional alto.
Em contraste, as mulheres operam num registro que me soa mais lúcido. Não porque sejam moralmente superiores, mas porque lidam melhor com a ambiguidade dos afetos. Elas sofrem, erram, mentem também, mas conseguem escutar o próprio desconforto. Percebem antes o que está quebrado, mesmo quando escolhem não agir. O filme não as idealiza, mas as posiciona como um termômetro emocional da história.
No fim das contas, Little White Lies não é só sobre amizade ou pequenas (algumas nem tanto) mentiras, mas sobre essa insistência adulta em preservar versões confortáveis de si mesmo. E como, muitas vezes, as mentiras mais cruéis não são as ditas, mas as mantidas em silêncio coletivo. Um silêncio que evita o conflito imediato, mas também impede qualquer transformação. Aqui, não há catarse: há aceitação. Uma forma de autopreservação que acaba sendo, ao mesmo tempo, autodestrutiva.
P.S.: Estou explorando mais o cinema francês, se tiver sugestões, agradecerei!
Começei a assistir esse filme em 2014 e sempre fiquei de continuar a assitir. Mas com o tempo me esqueci o nome do filme, mas ele ficou na minha cabeça, quando dois anos atrás, graças à IA eu encontrei o nome do filme e começou minha caçada pessoal para encontra-lo. Enfim encontrei pra vender original em DVD no app laranjinha. E consegui finalizar finalmente esse filme, depois de quase 11 anos que começei a assistir ele na TV. O filme é excelente, os atores performam muito bem, a história é bem desenvolvida. E agora o filme vai ficar pra sempre na minha coleção. Senhoras e Senhores, ISSO É CINEMA. Uma mágia capaz de tocar o coração, fazer rir, chorar, divertir, alegrar. Que te faz pensar, que te faz viver. Trazendo uma moral do filme, não tragam a futilidade a mesa, pois ela é alimentada pelo tempo, e tempo, MEUS AMIGOS, é o que menos temos e é deverás ESCASSO! Forte abraço.
08/11/23
Pela segunda vez eu assisto esse filme!
E sempre melhora cada vez que assisto
Choro sempre e muito no final
Que historia cotidiana linda de assistir, que fotografia maravilhosa, que diálogos reflexivos e que trilha sonora perfeita. Temos aqui uma das obras mais bonitas que já assisti do cinema francês. Vale a pena cada minuto!