Dirigido por
Data de lançamento
17 Junho 1994Duração
Vindo de Vermont tarde da noite, o editor de livros Will Randall ao retornar para casa atropela um lobo. Quando sai do carro para ver se o animal morreu, acaba sendo mordido. Deste instante em diante começa a se transformar em um lobo. Paralelamente sua vida particular e profissional é afetada, pois é traído por sua mulher e está prestes em ser despedido. Além disto Laura Alden, a bela filha de Raymond Alden, futuro comprador da editora; se apaixona por Randall, sem imaginar que o homem que ela ama está se transformando em uma fera capaz de atos animalescos.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Lobo é aquele tipo de filme que, para mim, ganha muitos pontos justamente por ter a cara dos anos 90. A fotografia, a estética e toda a atmosfera deixam muito evidente a época em que foi feito, e eu vejo isso como uma qualidade, não como um defeito. Eu gosto muito desse estilo noventista e acho que ele dá ao filme uma identidade própria.
Também gostei bastante da abordagem da história de lobisomem, que foge um pouco do que Hollywood costumava fazer com o tema. Jack Nicholson está fantástico no papel e consegue carregar o filme com seu carisma e sua presença. Michelle Pfeiffer também está muito bem como coadjuvante, trazendo bastante química para a história.
O filme tem bons momentos, prende a atenção e funciona muito bem como entretenimento. Não é uma grande obra-prima dos anos 90 e certamente não vai revolucionar o gênero, mas é uma produção interessante, com personalidade e que vale a sessão.
Cada época toma a história do Lobisomem e conta a sua versão relevante dela para a "questão" de sua época: a mais recente, pessoalmente, achei uma banalidade vazia e incoerente sobre "masculinidade tóxica". Aqui, trinta anos atrás, quando haviam mais adultos criando cinema, temos uma fábula sobre o ambiente corporativo americano na virada da globalização (que agora precisa ser celebrada pelo "bom gosto" ao custo de ser acusado de "extrema direita") e a história de um homem com identidade sendo "deixado de lado" pela sua idade e, especialmente "identidade" (que tornaria-se, hoje sabemos, a principal commodity do capital global: as minorias foram finalmente tornadas humanas e a elas cedidas civilidade na nossa era na medida em que se tornam mercadorias da Netflix para as pessoas "se identificarem" e "serem representadas") revertendo ao "estado animal" para manter seu lugar ao Sol do capital americano. O fato de o filme abraçar a breguice, a cafonice e o overacting do gênero do horror ao mesmo tempo que quer dizer algo, eleva muito essa obra, aos meus olhos.
16.12.1999
É intrigante como Jack Nicholson atua e fala de uma maneira que realmente lembra algum tipo de predador, mesmo em sua forma humana e profissional. Talvez o lobo aqui seja uma analogia ao lado selvagem e reprimido do homem moderno.
É um filme exótico que foge da fórmula tradicional do lobisomem que nos acostumamos. A criatura que vemos é uma mistura de fera e executivo, lutando na "selva capitalista" do seu escritório. Esta pode ser vista como uma metáfora criativa para servir de base para uma releitura moderna do clássico lobisomem.
Um fato curioso é que em nenhum momento fica esclarecido quando Laura foi contaminada pelo Will para se transformar no final. Há uma teoria entre os fãs de que Laura foi na verdade o lobo que mordeu Will em Vermont no começo do filme.
Outro aspecto que também merece destaque são os efeitos especiais práticos e de maquiagem tanto na transformação do lobisomem quanto das lutas acrobáticas, que na época devem ter agradado na época.
Por fim esta foi uma tentativa meio desajeitada de unir drama romântico e terror usando a figura mítica do lobisomem. No geral a experiência pode não ter funcionando tão bem, mas ainda é um filme interessante que desperta a nostalgia dos thrillers da década de 90. Além de contar com atuações marcantes de dois ícones do cinema.
Curiosidade: Um dos policiais que tenta prender Will no zoológico foi interpretado por David Schwimmer, que poucos meses depois se tornaria um astro mundial após a estreia de Friends no mesmo ano de 1994.