"Josué,
Faz muito tempo que eu não mando uma carta pra alguém. Agora eu to mandando essa carta pra você. Você tem razão: seu pai ainda vai aparecer e com certeza, ele é tudo aquilo que você diz que ele é.
Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira. Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante.
Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos. Você merece muito, muito mais do que eu tenho pra te dar. No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isso porque tenho medo, que um dia, você também me esqueça.
Tenho saudade do meu pai.
Tenho saudade de tudo.
Dora"
(Central do Brasil)
cada episódio me deixava num estado de tensão absurda, literalmente sem ar. nem me lembro da última vez que senti isso com outra obra de ficção. a carga emotiva dessa série é muito pesada.
nos confrontar como parte desse mundo que em pleno século XXI glorifica a masculinidade tóxica e rotula a afetividade e a sensibilidade masculina como fraquezas é urgente. que referências de masculinidade positiva os meninos e jovens de hoje em dia estão recebendo da família, da escola, das redes sociais, da sociedade?
o que é ser um homem? como ser forte e ao mesmo aceitar as fragilidades que tornam o homem verdadeiramente humano?
EDIT: recomendo muito o documentário "O Silêncio dos Homens" (2019). tem completo no youtube.