Eu continuo achando muito difícil falar sobre um filme. A sensação continua sendo a de estar estragando a obra. Mas paradoxalmente sou jogada a precisar levar adiante. Como quando uma coisa é demais dentro da gente e precisamos de alguma maneira que isso se derrame mais e mais. O que a gente frui, o que a gente sente: essa matéria líquida que precisa seguir além de nós. O esforço é o de ser minimamente uma ponte. Ponte-palavra. Palavra que beira, ainda, tudo o que realmente pode uma palavra. Então agora eu consigo dizer apenas que é um filme muito delicado sobre gentileza, afeto, abertura, paciência, aceitação, conexão. É um filme sobre uma coragem para o que nem sabemos que existe. E que um bichinho e que qualquer coisa, na sua luz própria, no seu tempo próprio, podem ser tão importantes quanto é importante a gente poder respirar. Que tudo que dói e floresce em cada mundo, de algum modo dói e se desdobra também em nós, na nossa pele de viver. Estamos todos perdidos e iluminados dessa coisa que chamamos vida e lentamente as existências vão conseguindo se encostar. Precisa uma calma própria da noite, precisamos ter corpos de ver.
Filme lindo e muito delicado. Para assistir e se derramar.
Documentários como esse, que tratam da vida humana, precisariam de sensibilidade, delicadeza, silêncios. No entanto, a biografia, ao contrário, tem um ritmo péssimo, aceleradíssimo, mal conseguimos sentir o que nos é apresentado. :((
Documentário com as experimentações intensas da artista plutoniana Marina Abramović por lugares e experiências ritualísticas. Pra quem deseja se banhar de poesia, entrega e espanto.
Um filme despretensioso como uma tarde comum de quarta-feira. Não sabemos o que nos move, não vemos tudo que nos acontece, apenas sentimos um cheiro e uma alegria. E então sabemos que por ali vale mais a pena a existência, que por ali é mais interessante a vida.
O acaso que nos rodeia não é assim tão ao acaso: há forças que nos movem e essas forças se nutrem de algo. Essas forças se nutrem de algo...
A questão toda é: como você nutre os seus caminhos? Como você fareja esses caminhos? Quais práticas, lugares e conexões você precisa cultivar, acessar, insistir, para que sua alma sinta esse cheiro bom?
O filme nos lembra sobre a existência de tudo aquilo que é nutritivo ao nosso ser, mas nos lembra também que quase sempre nada disso é dado, que não é fácil sermos assim tão esquecidos, mas que é sempre belo - e que é preciso caminhar, caminhar, caminhar: até sentir o cheiro.
Adorei o resumo que o Artur fez. É exatamente isso o que ela diz e sem qualquer estética - trata-se de uma palestra motivacional. Ponto. Detestei a câmera filmando as expressões eufóricas da platéia (cafona) e a voz da Brené é bem desagradável.
Uma metralhadora de frases sobre a vida, mas pouca margem para duração nas cenas e nas palavras. Tudo muito veloz. Poucos silêncios num filme que poderia ser bem interessante acabam por torná-lo pretensioso e superficial.
Um filme que escancara a tortura psicológica e emocional que é estarmos inseridos numa sociedade adoecida, impotente, moralizante. É um filme que consegue ultrapassar a questão de gênero e vai além, tratando sobre podermos existir enquanto multiplicidades poéticas e afetivas que somos. Tapa na cara de muitos psicólogos formadores de sujeitos, inclusive. Sensível e ácido na dose certa.
Cinema não se faz apenas com uma trilha sonora incrível. Totalmente sem consistência narrativa, atores fracos (exceção para a Marisa Orth) e coitado do cavalo. Acabei o filme com ódio pelo tempo desperdiçado.
Atuação sofrível de Paulo Miklos acaba trazendo uma total falta de consistência e nuances aos personagens. Estraga o que o filme poderia ser. Uma pena.
A história é bonita, uma pena que não souberam contá-la em formato de filme. Uma experiência de vida que poderia ser transmitida com toda uma intensidade e um foco sobre as novas forças que emergem dos abismos que enfrentamos na vida, mas o filme opta pelo caminho do nhenhenhê e acaba por não dizer nada. É um filme atolado e sem vibração.
Um filme interessante cuja proposta (aos meus olhos) pode ser lida como uma alegoria para essa sociedade em que vivemos: temerosa-inibidora-castradora das intensidades que nos atravessam a despeito de tudo. Um filme que, querendo ou não, bota o dedo na ferida e retrata a palidez de uma produção social que nivela, que pretende colocar o que somos dentro de caixas estáticas, rótulos e espaços asfixiantes.
Uma fotografia que comunica muito, que afeta com sua brancura estourada — luz demais é do que padecemos. Mas que luz é essa? É a luz que ofusca nossa capacidade própria e autônoma de ver, sentir e pensar a vida.
Professor Polvo
4.2 388 Assista AgoraPara se derramar
Eu continuo achando muito difícil falar sobre um filme. A sensação continua sendo a de estar estragando a obra. Mas paradoxalmente sou jogada a precisar levar adiante. Como quando uma coisa é demais dentro da gente e precisamos de alguma maneira que isso se derrame mais e mais. O que a gente frui, o que a gente sente: essa matéria líquida que precisa seguir além de nós. O esforço é o de ser minimamente uma ponte. Ponte-palavra. Palavra que beira, ainda, tudo o que realmente pode uma palavra. Então agora eu consigo dizer apenas que é um filme muito delicado sobre gentileza, afeto, abertura, paciência, aceitação, conexão. É um filme sobre uma coragem para o que nem sabemos que existe. E que um bichinho e que qualquer coisa, na sua luz própria, no seu tempo próprio, podem ser tão importantes quanto é importante a gente poder respirar. Que tudo que dói e floresce em cada mundo, de algum modo dói e se desdobra também em nós, na nossa pele de viver. Estamos todos perdidos e iluminados dessa coisa que chamamos vida e lentamente as existências vão conseguindo se encostar. Precisa uma calma própria da noite, precisamos ter corpos de ver.
Filme lindo e muito delicado. Para assistir e se derramar.
Robin's Wish
3.9 16 Assista AgoraDocumentários como esse, que tratam da vida humana, precisariam de sensibilidade, delicadeza, silêncios. No entanto, a biografia, ao contrário, tem um ritmo péssimo, aceleradíssimo, mal conseguimos sentir o que nos é apresentado. :((
O Dilema das Redes
4.0 596 Assista AgoraFilme importantíssimo para os tempos que vivemos hoje.
Um Lugar Silencioso
4.0 3,0K Assista AgoraÉ um filme que pode render analogias até bem interessantes, mas tecnicamente péssimo e afetivamente pobre.
Tarja Branca - A Revolução que Faltava
4.3 123Esse filme é uma celebração.
Espaço Além - Marina Abramović e o Brasil
4.3 129Documentário com as experimentações intensas da artista plutoniana Marina Abramović por lugares e experiências ritualísticas. Pra quem deseja se banhar de poesia, entrega e espanto.
Coragem
4.2 1Um filme despretensioso como uma tarde comum de quarta-feira. Não sabemos o que nos move, não vemos tudo que nos acontece, apenas sentimos um cheiro e uma alegria. E então sabemos que por ali vale mais a pena a existência, que por ali é mais interessante a vida.
O acaso que nos rodeia não é assim tão ao acaso: há forças que nos movem e essas forças se nutrem de algo. Essas forças se nutrem de algo...
A questão toda é: como você nutre os seus caminhos? Como você fareja esses caminhos? Quais práticas, lugares e conexões você precisa cultivar, acessar, insistir, para que sua alma sinta esse cheiro bom?
O filme nos lembra sobre a existência de tudo aquilo que é nutritivo ao nosso ser, mas nos lembra também que quase sempre nada disso é dado, que não é fácil sermos assim tão esquecidos, mas que é sempre belo - e que é preciso caminhar, caminhar, caminhar: até sentir o cheiro.
Pariah
4.0 138Da força que surge das fendas...
Brené Brown: The Call to Courage
4.3 21Adorei o resumo que o Artur fez. É exatamente isso o que ela diz e sem qualquer estética - trata-se de uma palestra motivacional. Ponto. Detestei a câmera filmando as expressões eufóricas da platéia (cafona) e a voz da Brené é bem desagradável.
Trem Noturno para Lisboa
3.6 259 Assista AgoraUma metralhadora de frases sobre a vida, mas pouca margem para duração nas cenas e nas palavras. Tudo muito veloz. Poucos silêncios num filme que poderia ser bem interessante acabam por torná-lo pretensioso e superficial.
Minha Obra-Prima
3.8 69 Assista AgoraProvocativo, espirituoso, com um humor na dose certa. A química entre os atores é incrível!
A Travessia
3.6 616 Assista AgoraPura vertigem.
O Mau Exemplo de Cameron Post
3.4 329 Assista AgoraUm filme que escancara a tortura psicológica e emocional que é estarmos inseridos numa sociedade adoecida, impotente, moralizante. É um filme que consegue ultrapassar a questão de gênero e vai além, tratando sobre podermos existir enquanto multiplicidades poéticas e afetivas que somos. Tapa na cara de muitos psicólogos formadores de sujeitos, inclusive. Sensível e ácido na dose certa.
Benzinho
3.9 350Um filme encantador, e ainda com a presença potentíssima da Karine Telles.
Café com Canela
4.1 165Tinha tudo pra ser um filme extremamente poético, mas os tropeços técnicos (principalmente de ritmo e algumas atuações) atrapalharam a fluidez.
Gloria Bell
3.4 118 Assista AgoraTem uma cena que vale pelo filme todo. Julianne Moore, incrível como sempre, consegue o tom exato da pulsação e suas nuances.
Durval Discos
3.7 358Cinema não se faz apenas com uma trilha sonora incrível. Totalmente sem consistência narrativa, atores fracos (exceção para a Marisa Orth) e coitado do cavalo. Acabei o filme com ódio pelo tempo desperdiçado.
Hannah Gadsby: Nanette
4.6 207 Assista AgoraUma obra-prima do humor e da sensibilidade.
É Proibido Fumar
3.1 257Atuação sofrível de Paulo Miklos acaba trazendo uma total falta de consistência e nuances aos personagens. Estraga o que o filme poderia ser. Uma pena.
Okja
4.0 1,3K Assista AgoraDevastador. Fica doendo por dias. Catártico: abre nossa sensibilidade a tudo que respira.
Através do Fogo
3.4 12 Assista AgoraA história é bonita, uma pena que não souberam contá-la em formato de filme. Uma experiência de vida que poderia ser transmitida com toda uma intensidade e um foco sobre as novas forças que emergem dos abismos que enfrentamos na vida, mas o filme opta pelo caminho do nhenhenhê e acaba por não dizer nada. É um filme atolado e sem vibração.
Pequena Grande Vida
2.7 449 Assista AgoraLixo.
Quando Te Conheci
3.3 470 Assista AgoraAsfixiante como a sociedade em que vivemos
Um filme interessante cuja proposta (aos meus olhos) pode ser lida como uma alegoria para essa sociedade em que vivemos: temerosa-inibidora-castradora das intensidades que nos atravessam a despeito de tudo. Um filme que, querendo ou não, bota o dedo na ferida e retrata a palidez de uma produção social que nivela, que pretende colocar o que somos dentro de caixas estáticas, rótulos e espaços asfixiantes.
Uma fotografia que comunica muito, que afeta com sua brancura estourada — luz demais é do que padecemos. Mas que luz é essa? É a luz que ofusca nossa capacidade própria e autônoma de ver, sentir e pensar a vida.
Então pra mim esse filme é um grito.
Ícaro
4.0 128 Assista AgoraChatérrimo!