Nesse filme a gente tem uma história maravilhosa, que daria para ser explorada de diversas maneiras e com um potencial enorme para uma narrativa criativa, mas vemos que toda a produção e direção preferiram seguir algo mais conservador e dentro do quadrado, o que prejudica o potencial do filme. A fotógrafa Lee Miller foi uma pessoa de feitos extraordinários, e o filme não soube contar e aproveitar isso.
Algumas vezes me pego pensando: o cinema consegue romper a barreira cultural? Se o filme é realmente bom, ele vai romper a barreira cultural e conversar com o telespectador de alguma forma? Eu acredito que sim, e foi algo que não aconteceu comigo e esse filme. Como já disse abaixo, esse filme é um filme extremamente imerso na cultura norte-americana, feito por norte-americanos e para norte-americanos, com uma linguagem norte-americana. Para entendermos e captarmos bem o filme, teríamos que visualizar foda a história e grandeza do programa de TV Saturday Live Night para os Estados Unidos durante os últimos anos e como ele contribuiu para a formação cultural desse país e desses cidadãos americanos, então acredito que esse filme tem um telespectador específico. Mesmo assim, o filme não consegue criar uma conexão com o telespectador que assiste o filme sem ter um conhecimento prévio, não prende a atenção sequer do telespectador que conhece a história do programa e do seu impacto, como eu. Acredito que o filme tem um problema de ritmo. O filme aposta em um cast de atores pesado que não consegue suprir o roteiro fraco, que se rende à uma homenagem caxias a todo momento. A ambientação e o trabalho das câmeras são pontos positivos, que corroboram para o clima de tensão e caos do filme.
A dualidade da ânsia de ser, saber, possuir esse mundo inteiro nas palmas das mãos, mas ao mesmo tempo o gosto amargo da solidão que isso traz para alguém. Ele era demais, né? Nosso chef beatnik.
Olivia Colman conseguiu entregar um personagem tão antipático que eu não conseguia sentir empatia alguma por ela, e acredito que é intencional mesmo: mães sempre são romantizadas, isso vem da nossa cultura cristã e católica, desde Maria: assim que pariu Jesus, virou santa. Essa visão que temos de que mães não erram, são perfeitas, santas, amam suas crias mais do que a si mesmas e engolem tudo é o causador principal do sofrimento psíquico e remorsos que vemos afetar as personagens aqui. Mulheres que não se deram bem com a maternidade tentando se encontrar novamente, e se perdoar, acima de tudo. E no meio disso tem a família mafiosa, um país estrangeiro, falta de comunicação e muitas projeções que só Freud explica, rs. O nível de ansiedade vai crescendo durante o filme e no final eu já tava me contorcendo com aquela cena da Colman e Johnson no quarto do hotel. As atuações são ótimas, acredito que o filme poderia ser menos longo, uma meia hora a menos. Fora isso, Olivia Colman papa Oscar 2022 de novo, hein, tô na torcida
antes de tudo, esse filme é uma homenagem ao cinema francês e ao jornalismo por si só. Quem for assisti-lo, tem que ter isso em mente. Eu gostei muito desse estilo mais experimental nesse filme do Wes, e acredito que com essa obra ele atingiu o pico da sua técnica, e quis mostrar isso pro espectador, porque cara, cada segundo desse filme deslumbra os olhos de quem vê. Ele é muito bonito mesmo. Em questão de direção artística, acredito que seja o melhor filme de 2021. Por outro lado, o excesso de personagem prejudicou a narrativa e ritmo. Muito personagem que transpassava uma vibe de figurante de luxo, como a Elisabeth Moss e Dafoe. Por ser tanto personagem pra desenvolver, nenhum artista conseguiu expressar teu talento totalmente, acabou podando um pouco. Acredito que ele apostou nesse elenco como um puta chamariz, (e deu certo), mas perdeu um pouco a mão, atores incríveis com papéis tão pequenos que pqp, viu. Um ponto um pouco negativo: Não é um filme que qualquer pessoa entenderia com facilidade. A linguagem é difícil, o jeito que a história é contada é erudito, é cult demais (chega até a dar arrepio de tão cult), rsss o que é uma droga, se a gente para pra pensar que o cinema é um direto de todos. É uma grandeza enorme no elenco e na direção artística, impecável, mas infelizmente ficou faltando na parte do roteiro.
QUE FILME SENSACIONAL. Cara, como que esse filme não tá sendo mais comentado? O ritmo vai crescendo e faltando uma hora pra ele acabar mostra pro que realmente veio: uma crítica ao patriarcado recheada de suspense, ação e agonia. Agonia é a palavra que descreve essa última hora de filme. As cenas finais de luta são incríveis. Eu fiquei deslumbrada. Jodie Comer é uma ótima atriz, nota-se desde Killing Eve onde mostrou seu potencial como a psicopata Vilanelle, mas aqui ela provou toda sua desenvoltura e talento para o cinema, um papel tão expressivo e difícil. Scott deveria ter investido mais na divulgação dessa obra, porque é algo muito bom.
Eu estou muito decepcionada com o ritmo e transições de cena do filme, cenas tão mal encaixadas e cortadas que parecem estar ofendendo a inteligência de quem vê. O filme é tão longo e arrastado que após o segundo ato não há nada muito novo para contar a quem assiste, ele fica dando voltas e voltas entre si, através de cenas extremamente desnecessárias. É um filme que poderia ser cortado uma hora dele e ainda sim não iria afetar o seu desenvolvimento, pois é muito repetitivo MESMO. E o pior é que não se aprofunda em nada, em nenhum personagem além de Patrizia, sendo assim impossível quase de criar empatia por qualquer personagem do filme. Scott poderia ter abusado de toda a excentricidade do mundo da moda enquanto contava a história, fazer algo camp, algo que fosse menos preso e amarrado, algo mais irreverente e COLORIDO. Eu sabia que ele não era a melhor escolha para um filme assim, mas a sua direção me deixou muito brochada. Nitidamente Lady Gaga melhorou sua atuação e ela foi o ponto alto do filme inteiro, não tem como negar, mas ainda temos uma atriz um pouco crua, com um talento sim, mas com muita sede e pressa de chegar ao pote. Algumas cenas ficaram um pouco caricatas até. O que falta pra Gaga é tempo e estudo, pois ela tem um potencial muito grande. Ainda mais em cenas com Al Pacino e Driver, ela ficava um pouco ofuscada por suas atuações. O único personagem que eu consegui sentir empatia foi o personagem do grande Al Pacino, consegue dar rosto e personalidade. Não achei a atuação de Leto ruim, como muitos estão falando, e Hayek nem sei o que tá fazendo no meio do filme, figurante de luxo. Enfim, não é um filme digno de Oscar, não, mas a gente sabe que hoje em dia o Oscar virou puro jabá e politicagem, provavelmente vai ser indicado e ganhar algo, inclusive melhor atriz. É um filme longo e esquecível.
Polêmico. Essa é a palavra pra descrever o filme. Mais ainda: nos saboreia com a dúvida, mesmo quando tudo nos aponta para a certeza de que Benedetta é uma fraude, a obra consegue infligir no telespectador a dúvida. Obras que exploram o imaginário religioso e nossas fantasias sempre são ricas em detalhes e prendem nossa atenção, e nada melhor que Paul Verhoeven para abordar esse tema.
Como comentaram aqui embaixo, eu estou com uma leve impressão, pelo trailer, que esse filme ou vai ser muito bom, ou muito ruim. E eu acredito que a história, na mão e direção de Scott, vai virar alto muito brega, como já aparenta no trailer. Não consegui gostar, me transpareceu como algo muito grandioso para algo meio medíocre, um enredo não ajuda muito
Eu consigo entender o valor e importância desse filme para uma geração e para o cinema, mas não consegui gostar, talvez por cair um pouco no clichê e se desenvolver de uma forma previsível. A atuação de Ilan Mitchell-Smith tá um pouco sofrida também, se destoa do resto do elenco, como Michael Hall.
A solidão feminina de uma forma poética, onde a psicanálise se funde às emoções e os padecimentos de uma mulher mais velha num mundo que exalta a juventude como fonte vital de vida.
Eu ainda não sei o que pensar sobre esse filme. Eu, como uma mulher, sinto que a mensagem do filme, de pouco em pouco, vai se perdendo e degradando durante o longa. É um roteiro repleto de buracos, e com um "plot" que deixa a esperar. Filmes com essa temática sempre segue esse mesmo caminho em Hollywood: roteiros diferentes, com finais diferentes, mas a mensagem sempre se deturpa. Coisas tão simples que poderiam ter sido exploradas ao invés de outras cenas que não acrescentam nada para o filme, como a própria personagem Nina (eu entendo que o anonimato dela contribua para a mensagem que o filme quer trazer, mas pesaram a mão demais, não consegui me envolver com a personagem como deveria ter rolado). E fala sério, 2021 e ainda temos essa visão de um assunto tão fodido como esse ser retratado assim.
[/spoiler] Sinceramente, a Cassie ser morta no final, mesmo querendo ou não, deixa um gosto de vingança, vitória, após quase duas horas de um filme que mostra o sofrimento de uma mulher na sociedade e as marcas que isso a deixa. Porra, mano, que ideia distorcida de vingança é essa, quem que saiu como vencedor? Prisão nem se compara a morte, sentenças que foram dadas aos personagens. Eu entendo que o final é necessário para afirmar que após qualquer coisa, assediador sairá em melhores circunstâncias que a vítima, mas quando um filme se compromete a trazer essa temática, com um começo bom, um meio que deixa a desejar e um final apressado e mal feito. E talvez o maior absurdo cometido no roteiro que o compromete: Só porquê ela achou que encontrou um "homem diferente e doce", ela iria agir sobre um trauma desse tamanho que afetou a vida inteira dela de outra forma? A vida da mulher literalmente era trabalhar e ir em bares para matar estupradores e abusadores. Só por causa de um boy ela esqueceria tudo? Sério? Isso deixa a impressão deturpada, como os filmes dos anos 50: que toda mulher com atitude e mínima personalidade precisa de um amor salvador, e se vindo de um homem, melhor ainda. Não estou dizendo que amor e carinho não ajuda uma pessoa nessas situações a caminhar, mas o jeito que é colocado no filme e a própria premissa da personagem e suas características fortes se perdem. E a partir daí que tudo começa a degringolar. Não é assim que você representa uma vingança. Não é assim que uma vingança é feita. Sabemos que todas (ou pelo menos a maioria) as mulheres que foram abusadas e têm conhecidas que passaram pelo mesmo tem uma vontadezinha de matar seu abusador e qualquer outro dentro de uma sociedade misógina, mas NÃO É ASSIM QUE ESSA MENSAGEM É PASSADAAAA. No final das contas, Cassie fica como a descompensada, e ainda morta. Vira estatística. Mais uma. Como Nina. E aí, valeu tudo aquilo MESMO? Grande merda as mensagens programas e cartas no final, puta que pariu, realmente o pessoal teve um sentimento de vingança/justiça cumprida apenas com aquilo? Se tu se compromete a fazer um filme sobre abuso e vingança, que seja bem feito, no mínimo, e nos dê um pouco de alívio e do sentimento da própria vingança sendo feita em si. A gente quer a morte desses desgraçados sim, mas acima de tudo, a gente quer uma sociedade melhor PARA ESSAS MESMAS MULHERES DESTRUÍDAS POR ABUSOS E HOMENS NOJENTOS, E UMA JUSTIÇA DIGNA PARA ELAS. Uma sociedade em que essa mesma mulher possa se inserir novamente e tentar viver do melhor possível que consiga, com todos os amparos imagináveis e inimagináveis, onde seu abusador se foda dos piores jeitos possíveis, e ela esteja ao mínimo VIVA olhando tudo isso acontecer. Eu sei que o filme quer mostrar necessariamente isso, uma sociedade extremamente doente e violenta para as mulheres, que vão se foder de qualquer maneira e nunca terão a justiça sendo feita de fato. Mas caralho, mano, não é assim que a banda toca não.
Eu tô bem decepcionada, tudo poderia ter seguido padrões diferentes e ser um soco no estômago, por diversas razões, mas é apenas um soco de tão pesado que é e nada mais. Fennel é uma ótima roteirista. Todas as séries que ela participou da criação são inteligentes e prendem o espectador, mas porra, nesse filme coisas tão básicas foram perdidas que eu tô pensando o que rolou ali.
Ps: eu amei a Laverne Cox no cast <3 aliás, que cast ótimo, com atuações incríveis, isso não dá pra negar. Já a trilha sonora, deixa bastante a desejar, credo.
[/spoiler] Acima de tudo, a obra se refere mais a condição humana do que à religião, até aonde podemos chegar? Rose mostra para a gente que esse limite é inexistente. Maud é uma jovem solitária, vazia e cheia de remorsos, uma combinação que vai consumindo sua mente como vermes. O filme vai se aprofundando na personagem, como se estivesse nos afundando em cada camada das feridas provocadas em sua pele pálida e mórbida. Num ato doentio de fuga, em Deus repousam todas as respostas para sua existência sem sentido: os sentimentos e ações que a rodeiam têm uma ligação direta com sua fé. Amanda representa o pecado em contraste com a realidade, ambas coisas que Maud despreza. Uma artista de sucesso, moderna, apegada a sua imagem e suas glórias passadas quando saudável, Amanda agora é uma mulher moribunda, de prazeres julgados como mundanos por Maud, que acredita ter sido designada à missão de salvar Amanda de sua doença, tanto física como espiritual. Podemos perceber um pico de sensualidade na atmosfera do filme sobre a relação da ex-dançarina com Maud, algo que reverbera na própria enfermeira: quando consegue aproximar Amanda de sua fé, observamos reações parecidas a um orgasmo, algo que nem em relações sexuais Maud alcança: é uma sensação inalcançável quando está na presença de Amanda e Jesus ao mesmo tempo. Quando faz algo que julga como prejuízo perante a salvação de Amanda, Maud se machuca, um tanto como sádico e de auto indulgência, estaria ela fazendo um sacrifício para a salvação do próximo tal qual como Cristo sofrendo na cruz por seus filhos? Na solidão e doença de Amanda a jovem encontra conforto e protagonismo, algo inexistente em sua vida, o que impulsiona Maud e suas ações. O retrato do vazio em sua vida é importante no entendimento da personagem, refletido quando Maud está sem emprego - logo, sem sua grande missão a qual esperava tanto para guiar sua existência, num desequilíbrio emocional. Em momentos que questiona sua fé, se encontra desassistida numa situação deprimente, rodeada por pessoas em uma bar, ao mesmo tempo que não tem habilidade social alguma, ou alguém para de fato poder se comunicar, sendo ignorada e lembrada de sua miséria existencial, que se torna algo catártico, o auge de sua alienação perante a religião, sua finalidade como um ser vivo e sua própria psicose, nos levando ao final e suas representações. Acredito que a Amanda representava desde o começo uma luta interna de Maud com a dualidade de seus sentimentos e sua religião, por isso sua morte pelas mãos da jovem como uma besta demoníaca, o maior inimigo de Maud. Eu sinto que se eu fosse falar de tudo e de uma forma profunda, esse textinho daria quase uma tese acadêmica rs pois tem MUITA coisa e detalhes para serem abordados, ao mesmo tempo que falta informação sobre o passado das personagens principais. É um filme extremamente rico, tanto em seu conteúdo quanto em sua produção técnica. Jennifer Ehle nos dá um show de atuação, toda cena sua eu ficava hipnotizada. E Morfydd Clark se revela como uma atriz do caralhoo. Acredito que os conhecimentos sobre religião influencia em muitos pontos de como assistir a obra.
Talvez eu estava esperando demais pelo casting do filme. Mas o filme é morno. E não porque não tem muito diálogo no filme, temos provas de obras maravilhosos produzidos na década de 20-30, o velho cinema mudo. Em Ammonite tudo acontece como um relâmpago, tudo bem, que seja pela construção dos personagens e em como a personagem de Kate é fechada e ferida etc e conhece uma mulher que partilha de sentimentos parecidos, mas a obra ficou uma hora apenas naquele empasse e não passou aquele desenrolar gostoso de se ver na química. Não funcionou. A personagem da Saiorse não desenrola muito além daquilo que é visto no começo do filme, e simplesmente dá um rompante no final. A construção da relação entre ambas, principalmente em parte da Charlotte, foi muito apressado. Simplesmente por ser um filme intimista, tudo isso deveria ter soado de uma forma mais natural, tal como o mar e o vento que quase são personagem principais na trama. Eu não senti o enlace no não dito, o oco, aquele algo que fica no ar e que apenas elas teriam (parafraseando Francis Ha, puta merda) As personagens demonstram expressões tão apáticas porque entendemos como as personalidades delas são, mas é quase o o fuckin filme inteiro isso. O grande clímax é o final, para mim, não teve uma construção gradativa para chegar a tal. É sobre essência. As cenas de sexo são realmente muito fiéis ao que acontece numa relação entre duas mulheres cis lésbicas. É emocionante ver essa representação tão certeira, finalmente. Talvez o filme não tenha funcionado tanto para mim, porque felizmente já caminhamos e temos filmes lésbicos que conseguem repassar o desejo, desfecho e alma toda a ser entregue a sua parceira apenas pelo olhar. E esses filmes, marcam. Ammonite é um pouco esquecível mas me marcou também, mas apenas pelo lado técnico e a delicadeza mostra na relação de duas minas. E claro, uma produção e direção, desde arte até som, impecáveis. Tantos enquadramentos lindos.
Estou me formando na área da educação, e infelizmente demorei anos para descobrir essa obra prima. Assisti ontem, e podemos ver como a estrutura escolar é importante na vida de todos os alunos, pessoas em formação, - a escola e o docente são instituições formadoras de sonhos, vidas, vontades - transformadoras em suas artes, matérias, são o meio que puxa o aluno a caminhar sozinho sobre seu senso crítico e sua lógica, para tornarem-se cidadãos presentes e de opiniões firmes, com repertório, que tenha gosto de ler um livro e entendê-lo; esta dá vida para estes discentes em suas melhores e mais excêntricas formas. A escola mais para o sudeste onde oferecia música afrô e o aluno se fazendo presente na atividade, isso também é educativo, isso também é docência, faz parte da vivência, do mundo dele, aproximando seu meio com a escola, e estando na escola, está longe da rua. A educação têm diversas formas, e em todas elas podemos tirar ensinamentos, assim como a linguagem também têm diversas formas de comunicação. Na sua maestria, a escola é catártica, salvando muitos alunos de suas dores, suas emoções, seus sentimentos, suas vozes não ditas, como a menina se assumindo entrelinhas à professora -uma das partes mais lindas, na minha opinião, onde a professora lidou de uma forma calma e rendeu uma conversa não agressiva onde poderia ter acontecido entre os outros adolescentes e desconstruída com os outros alunos que estavam ali- isso através de poemas e poesias expressando o mais profundo de seus sentimentos inspirado naquela aula daquele autor. O professor está ali muitas vezes como um confidente, uma segunda pessoa quem o aluno pode se abrir, já que não se tem psicólogo nas escolas naquela época e nem no momento atual, enquanto não tem materiais para conseguir dar uma aula de qualidade, não tem um salário digno para pagar sequer uma terapia mais de uma vez no MÊS, com toda a sobrecarga em seus ombros e ainda sim com seu papel essencial no sistema escolar ali presente. Em muitos depoimentos no conselho do ano letivo das professoras, podemos ver o retrato do sistema educacional falido, sem esperanças com o que se fazer de fato com o aluno, sem saídas. E estas mesmas professoras depoem mostrando o esforço que é a jornada profissional, e suas preocupações com os alunos ali presentes, como passar o melhor conteúdo para engrandecer o intelecto para um discente que está imerso num ambiente de violência e hostilidade. Mais uma vez, a escola é um escape às mazelas desses adolescentes marginalizados e os envolvem num projeto de melhoria social, ainda que obsoleto pelo pouco caso do governo. É revoltante como o governo não dá a mínima aos professores e às escolas mais flageladas ainda, como no nordeste, onde a aluna recita o poema intertextual lindíssimo, tanta beleza nas suas palavras, tanto potencial, e escolas feias, marrons, fechadas, claustrofóbicas. Logo após ver esse documentário, me reparo com uma notícia do Presidente Jair Messias sobre os professores nessa pandemia de COVID: "Bolsonaro, O presidente criticou sindicatos de professores no Brasil, que, em sua opinião, seriam de pessoas de esquerda. Disse ainda que eles teriam interesse em colaborar com que os estudantes não aprendam ou se instruam, sem comprovar essas alegações". Pois é, meus caros, é extremamente horrível ver que ainda estamos num cenário pior ainda, com um presidente onde trata-nos como "lunáticos" e a educação como pouca coisa.
Como Ganhar Milhões Antes Que a Avó Morra
4.3 133 Assista Agoraesse filme bate diferente para quem já perdeu alguma vózinha.
Anora
3.4 1,1K Assista AgoraCADÊ O LINK
ALGUÉM ME PASSA O LINK
Lee
3.5 71 Assista AgoraNesse filme a gente tem uma história maravilhosa, que daria para ser explorada de diversas maneiras e com um potencial enorme para uma narrativa criativa, mas vemos que toda a produção e direção preferiram seguir algo mais conservador e dentro do quadrado, o que prejudica o potencial do filme.
A fotógrafa Lee Miller foi uma pessoa de feitos extraordinários, e o filme não soube contar e aproveitar isso.
Saturday Night: A Noite Que Mudou a Comédia
3.3 38 Assista AgoraAlgumas vezes me pego pensando: o cinema consegue romper a barreira cultural?
Se o filme é realmente bom, ele vai romper a barreira cultural e conversar com o telespectador de alguma forma? Eu acredito que sim, e foi algo que não aconteceu comigo e esse filme.
Como já disse abaixo, esse filme é um filme extremamente imerso na cultura norte-americana, feito por norte-americanos e para norte-americanos, com uma linguagem norte-americana. Para entendermos e captarmos bem o filme, teríamos que visualizar foda a história e grandeza do programa de TV Saturday Live Night para os Estados Unidos durante os últimos anos e como ele contribuiu para a formação cultural desse país e desses cidadãos americanos, então acredito que esse filme tem um telespectador específico.
Mesmo assim, o filme não consegue criar uma conexão com o telespectador que assiste o filme sem ter um conhecimento prévio, não prende a atenção sequer do telespectador que conhece a história do programa e do seu impacto, como eu. Acredito que o filme tem um problema de ritmo. O filme aposta em um cast de atores pesado que não consegue suprir o roteiro fraco, que se rende à uma homenagem caxias a todo momento.
A ambientação e o trabalho das câmeras são pontos positivos, que corroboram para o clima de tensão e caos do filme.
Todo Tempo Que Temos
3.4 171 Assista AgoraO filme mais esquecível que eu vi nesses últimos tempos.
Roadrunner: Um filme sobre Anthony Bourdain
4.0 17A dualidade da ânsia de ser, saber, possuir esse mundo inteiro nas palmas das mãos, mas ao mesmo tempo o gosto amargo da solidão que isso traz para alguém.
Ele era demais, né?
Nosso chef beatnik.
Macunaíma
3.3 287E viva ao Modernismo!
♥️
A Filha Perdida
3.6 581Olivia Colman conseguiu entregar um personagem tão antipático que eu não conseguia sentir empatia alguma por ela, e acredito que é intencional mesmo: mães sempre são romantizadas, isso vem da nossa cultura cristã e católica, desde Maria: assim que pariu Jesus, virou santa.
Essa visão que temos de que mães não erram, são perfeitas, santas, amam suas crias mais do que a si mesmas e engolem tudo é o causador principal do sofrimento psíquico e remorsos que vemos afetar as personagens aqui. Mulheres que não se deram bem com a maternidade tentando se encontrar novamente, e se perdoar, acima de tudo.
E no meio disso tem a família mafiosa, um país estrangeiro, falta de comunicação e muitas projeções que só Freud explica, rs.
O nível de ansiedade vai crescendo durante o filme e no final eu já tava me contorcendo com aquela cena da Colman e Johnson no quarto do hotel.
As atuações são ótimas, acredito que o filme poderia ser menos longo, uma meia hora a menos.
Fora isso, Olivia Colman papa Oscar 2022 de novo, hein, tô na torcida
A Crônica Francesa
3.5 290 Assista Agoraantes de tudo, esse filme é uma homenagem ao cinema francês e ao jornalismo por si só. Quem for assisti-lo, tem que ter isso em mente.
Eu gostei muito desse estilo mais experimental nesse filme do Wes, e acredito que com essa obra ele atingiu o pico da sua técnica, e quis mostrar isso pro espectador, porque cara, cada segundo desse filme deslumbra os olhos de quem vê. Ele é muito bonito mesmo. Em questão de direção artística, acredito que seja o melhor filme de 2021.
Por outro lado, o excesso de personagem prejudicou a narrativa e ritmo. Muito personagem que transpassava uma vibe de figurante de luxo, como a Elisabeth Moss e Dafoe. Por ser tanto personagem pra desenvolver, nenhum artista conseguiu expressar teu talento totalmente, acabou podando um pouco.
Acredito que ele apostou nesse elenco como um puta chamariz, (e deu certo), mas perdeu um pouco a mão, atores incríveis com papéis tão pequenos que pqp, viu.
Um ponto um pouco negativo: Não é um filme que qualquer pessoa entenderia com facilidade. A linguagem é difícil, o jeito que a história é contada é erudito, é cult demais (chega até a dar arrepio de tão cult), rsss o que é uma droga, se a gente para pra pensar que o cinema é um direto de todos.
É uma grandeza enorme no elenco e na direção artística, impecável, mas infelizmente ficou faltando na parte do roteiro.
O Último Duelo
3.9 352QUE FILME SENSACIONAL.
Cara, como que esse filme não tá sendo mais comentado?
O ritmo vai crescendo e faltando uma hora pra ele acabar mostra pro que realmente veio: uma crítica ao patriarcado recheada de suspense, ação e agonia.
Agonia é a palavra que descreve essa última hora de filme. As cenas finais de luta são incríveis. Eu fiquei deslumbrada.
Jodie Comer é uma ótima atriz, nota-se desde Killing Eve onde mostrou seu potencial como a psicopata Vilanelle, mas aqui ela provou toda sua desenvoltura e talento para o cinema, um papel tão expressivo e difícil.
Scott deveria ter investido mais na divulgação dessa obra, porque é algo muito bom.
Como Nossos Pais
3.8 454smells like feminismo liberal branco em sua maior essência rs
Casa Gucci
3.2 731 Assista AgoraEu estou muito decepcionada com o ritmo e transições de cena do filme, cenas tão mal encaixadas e cortadas que parecem estar ofendendo a inteligência de quem vê.
O filme é tão longo e arrastado que após o segundo ato não há nada muito novo para contar a quem assiste, ele fica dando voltas e voltas entre si, através de cenas extremamente desnecessárias. É um filme que poderia ser cortado uma hora dele e ainda sim não iria afetar o seu desenvolvimento, pois é muito repetitivo MESMO. E o pior é que não se aprofunda em nada, em nenhum personagem além de Patrizia, sendo assim impossível quase de criar empatia por qualquer personagem do filme.
Scott poderia ter abusado de toda a excentricidade do mundo da moda enquanto contava a história, fazer algo camp, algo que fosse menos preso e amarrado, algo mais irreverente e COLORIDO. Eu sabia que ele não era a melhor escolha para um filme assim, mas a sua direção me deixou muito brochada.
Nitidamente Lady Gaga melhorou sua atuação e ela foi o ponto alto do filme inteiro, não tem como negar, mas ainda temos uma atriz um pouco crua, com um talento sim, mas com muita sede e pressa de chegar ao pote. Algumas cenas ficaram um pouco caricatas até. O que falta pra Gaga é tempo e estudo, pois ela tem um potencial muito grande. Ainda mais em cenas com Al Pacino e Driver, ela ficava um pouco ofuscada por suas atuações.
O único personagem que eu consegui sentir empatia foi o personagem do grande Al Pacino, consegue dar rosto e personalidade.
Não achei a atuação de Leto ruim, como muitos estão falando, e Hayek nem sei o que tá fazendo no meio do filme, figurante de luxo.
Enfim, não é um filme digno de Oscar, não, mas a gente sabe que hoje em dia o Oscar virou puro jabá e politicagem, provavelmente vai ser indicado e ganhar algo, inclusive melhor atriz.
É um filme longo e esquecível.
Titane
3.5 433 Assista Agoracaralho que porra foi essa que eu acabei de ver?
Benedetta
3.5 211 Assista AgoraPolêmico. Essa é a palavra pra descrever o filme.
Mais ainda: nos saboreia com a dúvida, mesmo quando tudo nos aponta para a certeza de que Benedetta é uma fraude, a obra consegue infligir no telespectador a dúvida.
Obras que exploram o imaginário religioso e nossas fantasias sempre são ricas em detalhes e prendem nossa atenção, e nada melhor que Paul Verhoeven para abordar esse tema.
Casa Gucci
3.2 731 Assista AgoraComo comentaram aqui embaixo, eu estou com uma leve impressão, pelo trailer, que esse filme ou vai ser muito bom, ou muito ruim. E eu acredito que a história, na mão e direção de Scott, vai virar alto muito brega, como já aparenta no trailer.
Não consegui gostar, me transpareceu como algo muito grandioso para algo meio medíocre, um enredo não ajuda muito
Mulher Nota 1000
3.3 282 Assista AgoraEu consigo entender o valor e importância desse filme para uma geração e para o cinema, mas não consegui gostar, talvez por cair um pouco no clichê e se desenvolver de uma forma previsível. A atuação de Ilan Mitchell-Smith tá um pouco sofrida também, se destoa do resto do elenco, como Michael Hall.
Quem Você Pensa Que Sou
3.9 112 Assista AgoraA solidão feminina de uma forma poética, onde a psicanálise se funde às emoções e os padecimentos de uma mulher mais velha num mundo que exalta a juventude como fonte vital de vida.
Até as Vaqueiras Ficam Tristes
2.6 37que viagem
Bela Vingança
3.8 1,3K Assista AgoraEu ainda não sei o que pensar sobre esse filme.
Eu, como uma mulher, sinto que a mensagem do filme, de pouco em pouco, vai se perdendo e degradando durante o longa. É um roteiro repleto de buracos, e com um "plot" que deixa a esperar.
Filmes com essa temática sempre segue esse mesmo caminho em Hollywood: roteiros diferentes, com finais diferentes, mas a mensagem sempre se deturpa.
Coisas tão simples que poderiam ter sido exploradas ao invés de outras cenas que não acrescentam nada para o filme, como a própria personagem Nina (eu entendo que o anonimato dela contribua para a mensagem que o filme quer trazer, mas pesaram a mão demais, não consegui me envolver com a personagem como deveria ter rolado).
E fala sério, 2021 e ainda temos essa visão de um assunto tão fodido como esse ser retratado assim.
[/spoiler]
Sinceramente, a Cassie ser morta no final, mesmo querendo ou não, deixa um gosto de vingança, vitória, após quase duas horas de um filme que mostra o sofrimento de uma mulher na sociedade e as marcas que isso a deixa. Porra, mano, que ideia distorcida de vingança é essa, quem que saiu como vencedor? Prisão nem se compara a morte, sentenças que foram dadas aos personagens. Eu entendo que o final é necessário para afirmar que após qualquer coisa, assediador sairá em melhores circunstâncias que a vítima, mas quando um filme se compromete a trazer essa temática, com um começo bom, um meio que deixa a desejar e um final apressado e mal feito.
E talvez o maior absurdo cometido no roteiro que o compromete: Só porquê ela achou que encontrou um "homem diferente e doce", ela iria agir sobre um trauma desse tamanho que afetou a vida inteira dela de outra forma? A vida da mulher literalmente era trabalhar e ir em bares para matar estupradores e abusadores. Só por causa de um boy ela esqueceria tudo? Sério?
Isso deixa a impressão deturpada, como os filmes dos anos 50: que toda mulher com atitude e mínima personalidade precisa de um amor salvador, e se vindo de um homem, melhor ainda. Não estou dizendo que amor e carinho não ajuda uma pessoa nessas situações a caminhar, mas o jeito que é colocado no filme e a própria premissa da personagem e suas características fortes se perdem.
E a partir daí que tudo começa a degringolar.
Não é assim que você representa uma vingança. Não é assim que uma vingança é feita. Sabemos que todas (ou pelo menos a maioria) as mulheres que foram abusadas e têm conhecidas que passaram pelo mesmo tem uma vontadezinha de matar seu abusador e qualquer outro dentro de uma sociedade misógina, mas NÃO É ASSIM QUE ESSA MENSAGEM É PASSADAAAA.
No final das contas, Cassie fica como a descompensada, e ainda morta. Vira estatística. Mais uma. Como Nina. E aí, valeu tudo aquilo MESMO? Grande merda as mensagens programas e cartas no final, puta que pariu, realmente o pessoal teve um sentimento de vingança/justiça cumprida apenas com aquilo?
Se tu se compromete a fazer um filme sobre abuso e vingança, que seja bem feito, no mínimo, e nos dê um pouco de alívio e do sentimento da própria vingança sendo feita em si.
A gente quer a morte desses desgraçados sim, mas acima de tudo, a gente quer uma sociedade melhor PARA ESSAS MESMAS MULHERES DESTRUÍDAS POR ABUSOS E HOMENS NOJENTOS, E UMA JUSTIÇA DIGNA PARA ELAS. Uma sociedade em que essa mesma mulher possa se inserir novamente e tentar viver do melhor possível que consiga, com todos os amparos imagináveis e inimagináveis, onde seu abusador se foda dos piores jeitos possíveis, e ela esteja ao mínimo VIVA olhando tudo isso acontecer.
Eu sei que o filme quer mostrar necessariamente isso, uma sociedade extremamente doente e violenta para as mulheres, que vão se foder de qualquer maneira e nunca terão a justiça sendo feita de fato. Mas caralho, mano, não é assim que a banda toca não.
Eu tô bem decepcionada, tudo poderia ter seguido padrões diferentes e ser um soco no estômago, por diversas razões, mas é apenas um soco de tão pesado que é e nada mais.
Fennel é uma ótima roteirista. Todas as séries que ela participou da criação são inteligentes e prendem o espectador, mas porra, nesse filme coisas tão básicas foram perdidas que eu tô pensando o que rolou ali.
Ps: eu amei a Laverne Cox no cast <3 aliás, que cast ótimo, com atuações incríveis, isso não dá pra negar. Já a trilha sonora, deixa bastante a desejar, credo.
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Wolfwalkers
4.3 238 Assista AgoraTrilha sonora impecável. Eu tô muito apaixonada ❤️
Santa Maud
3.5 356 Assista Agora[/spoiler]
Acima de tudo, a obra se refere mais a condição humana do que à religião, até aonde podemos chegar? Rose mostra para a gente que esse limite é inexistente.
Maud é uma jovem solitária, vazia e cheia de remorsos, uma combinação que vai consumindo sua mente como vermes.
O filme vai se aprofundando na personagem, como se estivesse nos afundando em cada camada das feridas provocadas em sua pele pálida e mórbida. Num ato doentio de fuga, em Deus repousam todas as respostas para sua existência sem sentido: os sentimentos e ações que a rodeiam têm uma ligação direta com sua fé.
Amanda representa o pecado em contraste com a realidade, ambas coisas que Maud despreza. Uma artista de sucesso, moderna, apegada a sua imagem e suas glórias passadas quando saudável, Amanda agora é uma mulher moribunda, de prazeres julgados como mundanos por Maud, que acredita ter sido designada à missão de salvar Amanda de sua doença, tanto física como espiritual.
Podemos perceber um pico de sensualidade na atmosfera do filme sobre a relação da ex-dançarina com Maud, algo que reverbera na própria enfermeira: quando consegue aproximar Amanda de sua fé, observamos reações parecidas a um orgasmo, algo que nem em relações sexuais Maud alcança: é uma sensação inalcançável quando está na presença de Amanda e Jesus ao mesmo tempo. Quando faz algo que julga como prejuízo perante a salvação de Amanda, Maud se machuca, um tanto como sádico e de auto indulgência, estaria ela fazendo um sacrifício para a salvação do próximo tal qual como Cristo sofrendo na cruz por seus filhos?
Na solidão e doença de Amanda a jovem encontra conforto e protagonismo, algo inexistente em sua vida, o que impulsiona Maud e suas ações.
O retrato do vazio em sua vida é importante no entendimento da personagem, refletido quando Maud está sem emprego - logo, sem sua grande missão a qual esperava tanto para guiar sua existência, num desequilíbrio emocional. Em momentos que questiona sua fé, se encontra desassistida numa situação deprimente, rodeada por pessoas em uma bar, ao mesmo tempo que não tem habilidade social alguma, ou alguém para de fato poder se comunicar, sendo ignorada e lembrada de sua miséria existencial, que se torna algo catártico, o auge de sua alienação perante a religião, sua finalidade como um ser vivo e sua própria psicose, nos levando ao final e suas representações. Acredito que a Amanda representava desde o começo uma luta interna de Maud com a dualidade de seus sentimentos e sua religião, por isso sua morte pelas mãos da jovem como uma besta demoníaca, o maior inimigo de Maud.
Eu sinto que se eu fosse falar de tudo e de uma forma profunda, esse textinho daria quase uma tese acadêmica rs pois tem MUITA coisa e detalhes para serem abordados, ao mesmo tempo que falta informação sobre o passado das personagens principais.
É um filme extremamente rico, tanto em seu conteúdo quanto em sua produção técnica. Jennifer Ehle nos dá um show de atuação, toda cena sua eu ficava hipnotizada. E Morfydd Clark se revela como uma atriz do caralhoo.
Acredito que os conhecimentos sobre religião influencia em muitos pontos de como assistir a obra.
[spoiler]
Ammonite
3.6 254 Assista AgoraTalvez eu estava esperando demais pelo casting do filme. Mas o filme é morno. E não porque não tem muito diálogo no filme, temos provas de obras maravilhosos produzidos na década de 20-30, o velho cinema mudo. Em Ammonite tudo acontece como um relâmpago, tudo bem, que seja pela construção dos personagens e em como a personagem de Kate é fechada e ferida etc e conhece uma mulher que partilha de sentimentos parecidos, mas a obra ficou uma hora apenas naquele empasse e não passou aquele desenrolar gostoso de se ver na química. Não funcionou. A personagem da Saiorse não desenrola muito além daquilo que é visto no começo do filme, e simplesmente dá um rompante no final. A construção da relação entre ambas, principalmente em parte da Charlotte, foi muito apressado. Simplesmente por ser um filme intimista, tudo isso deveria ter soado de uma forma mais natural, tal como o mar e o vento que quase são personagem principais na trama. Eu não senti o enlace no não dito, o oco, aquele algo que fica no ar e que apenas elas teriam (parafraseando Francis Ha, puta merda) As personagens demonstram expressões tão apáticas porque entendemos como as personalidades delas são, mas é quase o o fuckin filme inteiro isso. O grande clímax é o final, para mim, não teve uma construção gradativa para chegar a tal. É sobre essência.
As cenas de sexo são realmente muito fiéis ao que acontece numa relação entre duas mulheres cis lésbicas. É emocionante ver essa representação tão certeira, finalmente.
Talvez o filme não tenha funcionado tanto para mim, porque felizmente já caminhamos e temos filmes lésbicos que conseguem repassar o desejo, desfecho e alma toda a ser entregue a sua parceira apenas pelo olhar. E esses filmes, marcam. Ammonite é um pouco esquecível mas me marcou também, mas apenas pelo lado técnico e a delicadeza mostra na relação de duas minas. E claro, uma produção e direção, desde arte até som, impecáveis. Tantos enquadramentos lindos.
Ninotchka
4.1 117 Assista AgoraGarbo e teus quartos de hotéis...
Pro Dia Nascer Feliz
4.3 257Estou me formando na área da educação, e infelizmente demorei anos para descobrir essa obra prima. Assisti ontem, e podemos ver como a estrutura escolar é importante na vida de todos os alunos, pessoas em formação, - a escola e o docente são instituições formadoras de sonhos, vidas, vontades - transformadoras em suas artes, matérias, são o meio que puxa o aluno a caminhar sozinho sobre seu senso crítico e sua lógica, para tornarem-se cidadãos presentes e de opiniões firmes, com repertório, que tenha gosto de ler um livro e entendê-lo; esta dá vida para estes discentes em suas melhores e mais excêntricas formas. A escola mais para o sudeste onde oferecia música afrô e o aluno se fazendo presente na atividade, isso também é educativo, isso também é docência, faz parte da vivência, do mundo dele, aproximando seu meio com a escola, e estando na escola, está longe da rua. A educação têm diversas formas, e em todas elas podemos tirar ensinamentos, assim como a linguagem também têm diversas formas de comunicação. Na sua maestria, a escola é catártica, salvando muitos alunos de suas dores, suas emoções, seus sentimentos, suas vozes não ditas, como a menina se assumindo entrelinhas à professora -uma das partes mais lindas, na minha opinião, onde a professora lidou de uma forma calma e rendeu uma conversa não agressiva onde poderia ter acontecido entre os outros adolescentes e desconstruída com os outros alunos que estavam ali- isso através de poemas e poesias expressando o mais profundo de seus sentimentos inspirado naquela aula daquele autor. O professor está ali muitas vezes como um confidente, uma segunda pessoa quem o aluno pode se abrir, já que não se tem psicólogo nas escolas naquela época e nem no momento atual, enquanto não tem materiais para conseguir dar uma aula de qualidade, não tem um salário digno para pagar sequer uma terapia mais de uma vez no MÊS, com toda a sobrecarga em seus ombros e ainda sim com seu papel essencial no sistema escolar ali presente. Em muitos depoimentos no conselho do ano letivo das professoras, podemos ver o retrato do sistema educacional falido, sem esperanças com o que se fazer de fato com o aluno, sem saídas. E estas mesmas professoras depoem mostrando o esforço que é a jornada profissional, e suas preocupações com os alunos ali presentes, como passar o melhor conteúdo para engrandecer o intelecto para um discente que está imerso num ambiente de violência e hostilidade. Mais uma vez, a escola é um escape às mazelas desses adolescentes marginalizados e os envolvem num projeto de melhoria social, ainda que obsoleto pelo pouco caso do governo. É revoltante como o governo não dá a mínima aos professores e às escolas mais flageladas ainda, como no nordeste, onde a aluna recita o poema intertextual lindíssimo, tanta beleza nas suas palavras, tanto potencial, e escolas feias, marrons, fechadas, claustrofóbicas. Logo após ver esse documentário, me reparo com uma notícia do Presidente Jair Messias sobre os professores nessa pandemia de COVID: "Bolsonaro, O presidente criticou sindicatos de professores no Brasil, que, em sua opinião, seriam de pessoas de esquerda. Disse ainda que eles teriam interesse em colaborar com que os estudantes não aprendam ou se instruam, sem comprovar essas alegações".
Pois é, meus caros, é extremamente horrível ver que ainda estamos num cenário pior ainda, com um presidente onde trata-nos como "lunáticos" e a educação como pouca coisa.