uma proposta boa trabalhada de forma errada em tantos níveis que eu não consigo nem elaborar direito. quando um filme escolhe falar de um milhão de temas delicados, como é o caso, PRECISA ter responsabilidade pra não reforçar estereótipos.
(além do mais, o desenrolar da narrativa em si também é super aleatório. do desfecho, nem se fala)
eu amo os diálogos dessa trilogia. amo os momentos em que dá vontade de pausar o filme e conversar com a pessoa ao lado sobre aqueles assuntos que eles estão discutindo. nesse filme em específico, amo a fala do avô, sentado à mesa durante o almoço, sobre o relacionamento com a falecida esposa. e, em todos os filmes, amo a Celine (ouso dizer, inclusive, que é uma das minhas personagens preferidas do cinema). mas o desfecho de Antes da Meia-Noite me incomodou de um jeito que eu não consigo deixar passar batido.
em um primeiro momento, adorei ver como a passagem de tempo e a rotina transformou o casal, tornando a relação mais real, palpável, acessível. não foi a discussão deles e a desconstrução do ideal de relacionamento "conto de fadas" que me chateou (ao contrário, essa é a parte boa da coisa toda). o problema foi como a ~DR~ se encerrou: de um jeito mais romantizado do que nunca, onde se supõe que a traição, as ofensas trocadas e os problemas reais podem ser deixados de lado quando alguém simplesmente te diz "You're just like the little girls and everybody else. You wanna live inside some fairy tale. I'm just trying to make things better. I tell you I love you unconditionally, I tell you you're beautiful..I tell you that your ass looks great when you're 80. I'm trying to make you laugh. (...) And if you think I'm just some dog who's gonna keep coming back, you're wrong. But if you want true love, then this is it. This is real life. It's not perfect, but it's real. And if you can't see it, then you're blind, all right, and I give up.". pra mim, isso é problemático pra caralho. porque eu penso em quantos caras lançam mão de discursos similares pra mascarar cagadas. e penso em quanta gente já disse "tá, ok", depois de ouvir algo do tipo. sei lá, incomodou. acho que teria sido mais honesto, com a história e com a gente, se eles simplesmente tivessem terminado. :~
como não mostrar o rosto dos personagens que surgem enquanto Julia está com a faixa nos olhos, ou trechos de cenas sob o ponto de vista de Julia, com a visão embaçada e tal.
Entretém e te deixa agoniado com uma ou outra cena (ainda mais pra quem tem algum problema de visão, como eu), mas alguns pontos do roteiro me incomodaram, como:
- O fato de Julia querer ficar na casa da irmã (recém morta, por sinal na tal casa) logo após ~descobrir~ que essa mesma irmã tinha um caso com seu marido. Foi conveniente pro momento, mas é a decisão mais nonsense que ela poderia ter tomado. - O surgimento meio repentino do vizinho e sua filha Lia na história. Me parece injusto que Lia tenha "caído do céu" assim, já que foi essa a personagem essencial pra abrir os olhos - quase que literalmente - de Julia quanto a identidade do assassino. Parece que foi tipo ~ah como é que a gente vai fazer isso acontecer? vamo inventar uns personagem aqui pra cumprir esse papel e tal~. Não desceu muito bem. - As questões que ficaram em aberto, como o motivo que levou o assassino a começar com os crimes e tudo mais. A história dele foi bem pouco explorada, dificultando a empatia pelo personagem. Sendo ele a principal incógnita do filme, acho que merecia mais atenção. Nem que fosse com uma cena curta antes da cena final, onde a polícia explica pra Julia (e pro espectador) sobre as motivações dele.
Isso não desmerece o filme como um todo, só que rolou uma frustração de leve, como geralmente acaba acontecendo com filmes do gênero.
não consegui definir esse filme com uma palavra só. não é de todo triste, nem de todo feliz. é meio a vida, né? em algum momento pode ocorrer que: "ok, qual é a propabilidade dessas coincidências realmente acontecerem?", mas isso não diminui a trama se não for levado tão ao pé da letra. quantas coincidências menores porém igualmente significativas não devem acontecer com a gente tantas vezes, e passam despercebidas? se colocadas em outra escala, as casualidades do filme despertam uma reflexão bem válida.
é fácil (apesar de meio doloroso) se colocar no lugar dos personagens. os mocinhos são imperfeitos, e dá uma agonia daquelas boas pensar sobre como poderia ter terminado diferente se eles tivessem feito outras escolhas.
o final corta o coração, lindamente, e o seu amargor equilibra a doçura do início. filmes com finais não-felizes são necessários também.
acho que gostar ou não desse filme depende bastante do teu estado de espírito no momento em que assiste. ele te propõe uma entrega até certo ponto, e o resto vai depender do quanto tu te identifica com as várias questões que o roteiro aponta. e pessoalmente, acho que escolhi o dia/momento certo pra assistir, porque me rendeu alguns insights interessantes.
a trilha sonora linda, as boas atuações, o ritmo despretensioso e a leveza com que o filme se desenrola, pra mim, superam os clichês (que, sim, estão ali também). gosto muito da forma como o Zach Braff equilibra a comédia e o drama.
Mesmo quem nunca assistiu ao filme, certamente já ouviu (e até já cantarolou) a música tema e conhece a sequência na qual ela aparece. Foi lançado em 1952, porém seu frescor o torna absolutamente atemporal.
A performance de “Make ‘em Laugh”, com o ator Donald O’ Connor – um dos maiores destaques do filme, com uma atuação impecável -, fala justamente sobre “fazer rir”, criando um paralelo com o objetivo do próprio longa.
Diante do brilhantismo das interpretações em “Cantando na Chuva”, torna-se impossível não refletir sobre a atuação no cinema contemporâneo. Em 1952, ainda era recente o surgimento dos filmes falados, portanto os atores ainda tinham a preocupação de comunicar também através da linguagem corporal e das expressões faciais. Hoje, em comparação à época em que o filme foi gravado, exige-se bem menos dos atores. E, ainda assim, parece que muitos não conseguem cumprir a função de interpretar de forma convincente e envolver o espectador. Em “Cantando na Chuva”, os atores não somente atuam, como também cantam e dançam com perfeição. Poucas vezes podemos ver atores tão entrosados e demonstrando o empenho que Gene Kelly, Donald O’ Connor e Debbie Reynolds demonstraram.
Algo que pode passar despercebido ao assistir “Cantando na Chuva” é o caráter crítico do filme. Camufladas pelo humor, diversas cenas fazem críticas a determinadas situações envolvendo o cinema. Isso ocorre
já no início do filme, quando os atores atravessam o tapete vermelho e podemos ver a atriz ninfeta e o novo marido rico, ou a outra atriz com o casamento que, “surpreendentemente”, já dura longos dois meses. Tudo narrado por uma repórter, evidentemente mais interessada na vida pessoal dos atores do que em seus méritos profissionais.
Outra cena memorável ao quesito “crítica” em “Cantando na Chuva”,
é quando Don acaba dentro do carro de Kathy por acidente, e, durante a conversa dos dois, Kathy menciona que “se você viu um filme, viu todos”, se referindo ao fato de os filmes serem “todos iguais”. Sem mencionar uma das cenas finais do filme, onde Lina (interpretada por Jean Hagen) é desmascarada em frente ao público, e todos descobrem que sua linda voz é, na verdade, dublada por Kathy.
Portanto, apesar de todo o humor e leveza, de forma por vezes sutil e por vezes ácida, a crítica à ditadura aos padrões hollywoodianos (onde ser bonita e influente é mais importante que ter talento, por exemplo) está presente. Além de ser um filme que fala sobre filmes, é um filme que critica filmes.
A capacidade de tocar, envolver, emocionar, e principalmente, de alegrar o receptor é de longe o mais impressionante no filme. Representa, em sua potência máxima, o poder que o cinema tem de provocar sensações em quem assiste. Em “Cantando na Chuva”, o desafio é não sentir vontade de sair cantando e dançando por aí. Aprendemos que, com Gene Kelly, não tem tempo ruim. Mesmo chovendo.
Tem duas coisas me incomodando nessa temporada: A falta de aproveitamento de alguns personagens (de quase todos, na verdade). As vezes acho que a série devia se chamar "Hanna". E a falta de continuidade da trama. O único jeito é encarar os episódios como isolados, porque dificilmente eles retomam de onde a história parou no anterior. O que é uma pena, porque já houveram várias oportunidades perdidas de desenvolver melhor algumas coisas. A série continua tendo pontos positivos, o que me faz seguir gostando dela. Mas a falta de profundidade do roteiro tem chamado cada vez mais minha atenção.
Filme lindo. A atuação de Joaquin Phoenix está impecável, e descobri que ele fica ótimo de óculos, bigode e camisas/cardigans cor salmão, haha. A fotografia e a trilha sonora com Arcade Fire são lindas. Mas nada se compara a voz rouca e absurdamente sexy de Scarlett Johansson, mostrando que, pra quem ainda tinha dúvidas, ela é uma ótima atriz (afinal, não deve ser fácil conseguir "vender" um personagem sem qualquer artifício visual).
O roteiro de Spike Jonze, à primeira vista, me lembra muito um episódio de Black Mirror. Mas depois percebo que Jonze conseguiu ir muito além, mostrando como hoje as pessoas estão solitárias, trocando com facilidade cada vez maior qualquer interação social pela comodidade de se comunicar através de uma tela. Jonze levanta questões sobre relacionamentos, sobre a fuga do "real" pelo "virtual" e sobre situações onde qualquer um pode facilmente se colocar no lugar de um dos personagens em algum momento.
Por fim, realmente me assusta o fato de a trama se passar no futuro, e ao mesmo tempo, conseguir traçar analogias tão próximas da nossa realidade, tão palpáveis. Por mais que a gente não tenha um sistema operacional como a Samantha pra se apaixonar, existem equivalentes. Com certeza é um filme pra se assistir mais de uma vez.
Fico triste pelo cancelamento dessa série, ainda mais porque essa temporada termina de um jeito que deixa claro que o autor não imaginava que iria acabar por aí.
Não sei exatamente o que deu errado na época em que ela foi lançada, mas admito que, pra quem não trabalha com publicidade e propaganda, não deve ser tão legal mesmo. Até porque a maioria das situações se passa no ambiente da agência, enquanto os dramas pessoais dos personagens ficam em segundo plano. Assim a série não se esforça pra se aproximar de todos os públicos, atingindo somente quem está envolvido no segmento. Provavelmente é por isso que Mad Men funciona, porque os dilemas profissionais ficam só de background.
Enfim, não deixa de ser uma pena. Fico curiosa pra saber o qe teria acontecido com o Conner e o Mason.
Pra mim, o Niko é a representação perfeita de uma geração entediada. Não é como se ele não pensasse no futuro, ele simplesmente não conseguia achar algo que prendesse seu interesse por muito tempo.
Fiquei intercalando sorrisos e olhos marejados enquanto assistia. A atmosfera intimista trazida pelos depoimentos fazia parecer que tu já conhecia aquelas pessoas. E deu muita vontade de conhecê-las realmente, de saber mais sobre a história delas, de virar amigo e convidar pra um café. 18 minutos é muito pouco.
Acho que todo mundo que assiste se identifica com a Frances em algum momento (ou em quase todos).
A forma como o filme expõe os laços de amizade foi o que eu achei mais sensacional, e cruelmente honesta. É um tapa na cara, ensinando que, de fato, ninguém pertence à ninguém. Nem mesmo os amigos. Mas isso não impede de ter conexões verdadeiras com as pessoas.
Só depois que fiquei pensando um pouco sobre o filme, eu percebi que
no final, a cena da troca de olhares entre a Frances e a Sophie é exatamente o que a Frances descreveu nessa cena aqui: http://www.youtube.com/watch?v=WlfD8gF2jzE. Isso foi genial.
Através de um roteiro foda pra caralho, a série fala sobre o que é "real" e "virtual", e faz refletir sobre como essas duas coisas se confundem ultimamente. Ela mostra o que pra mim pode vir a ser um futuro bem próximo - exceto o primeiro episódio da primeira temporada, e o último da segunda, que explora mídias e redes sociais já bastante realistas -, tecnologicamente assustador e caracterizado pela falta de noção (ainda maior) das pessoas.
Acho que a série não tem mais episódios simplesmente porque não precisa ter. Só com três eps por temporada, ela já causa um mindfuck gigante.
Eu poderia falar da trilha sonora, linda; ou da atuação adorável da Mélanie Laurent; ou do cachorrinho que rouba a cena sempre que aparece; mas tudo isso parece quase pequeno perto da notável sutileza da história. Esse é um filme sobre a vida, sobre amor, e sobre frustração. Sobre o que a gente decide esconder do mundo por conveniência. Sobre fazer escolhas. Sobre aceitar as escolhas dos outros. E sobre deixar as pessoas irem embora.
A melhor temporada de todas. A mais madura, a mais adulta, a que trouxe os problemas mais sérios (como o câncer), e os melhores episódios. Até a trilha sonora foi a melhor. Adorei o r&b francês que tocou nos episódios da Carrie em Paris. Comecei a assistir a série achando que não iria gostar, que não tinha nada a ver comigo. Mas é impossível não se identificar com alguma das quatro, em algum momento. Toda mulher é um pouco Carrie, um pouco Miranda, um pouco Samantha, e um pouco Charlotte. E eu adorei descobrir isso. Com certeza a série terminou no momento certo, no auge. Alguns seriados ótimos se perdem justamente pela falta de timing.
Pra mim os diretores mais incríveis são aqueles que possuem uma obra linear, onde os filmes são bem característicos, do tipo que tu assiste sem saber de quem é a direção, mas acaba reconhecendo porque tem "a cara" do diretor. O Wes Anderson é assim. Adoro a maneira como me identifico com os filmes dele, em especial com The Royal Tenenbaums. Os personagens disfuncionais, problemáticos... assistir o fracasso deles é quase uma licença inconsciente pra ser mal-sucedida num mundo que te pressiona a ser genial o tempo todo.
Depois de assistir Laurence Anyways, me sinto ansiosa pelos próximos filmes do Dolan. Gostei muito de Eu Matei Minha Mãe e Amores Imaginários, mas esse trouxe (finalmente) um roteiro com certo nível de maturidade do qual senti falta nos outros dois trabalhos do diretor/roteirista. A trilha sonora, a fotografia, os ângulos; são sempre incríveis. Mas os personagens dos outros filmes me pareceram pouco profundos. Em Laurence Anyways percebi que ele explorou isso melhor (a temática mais complexa possivelmente ajudou nesse ponto). Como diretor, Xavier Dolan já tem o meu respeito. Como roteirista, ainda não tenho certeza.
filme foda. não consegui parar de pensar que, se as pessoas que cruzaram o caminho dele não fossem tão cretinas e irritantes (como nós normalmente somos), por coisas tão pequenas, ele provavelmente não teria sido tão cruel com elas.
O filme teve alguns pontos positivos, como a fotografia linda, a Nathalia Dill (também linda), e a ideia do roteiro. Não vi nada de errado com o final, não entendo essa necessidade de um final desenhado e explicadinho. Achei que ficou tudo bem óbvio, na verdade.
Mas podia ter ficado sem mostrar acidentalmente o tapa sexo na hora do sexo oral da Érika e da Lara. Assim como o áudio, que em três cenas INTEIRAS ficou abafado pelo barulho do mar ou pela música ao fundo. Coisa de amador, seu Marcos Prado.
Fiquei muito tempo querendo assistir e por fim, acho que não dá pra usar o filme pra julgar a trama criada por Stephen King. Acabaram sendo duas coisas com "climas" totalmente diferentes. O livro tem umas histórias muito boas das crianças com o Pennywise que o filme não mencionou. É claro que alguma coisa ia acabar ficando de fora, já que o livro tem, sei lá, umas 700 páginas... só achei que algumas cenas poderiam ter sido mais assustadoras (mesmo com a pouca tecnologia da época), pelo conteúdo que o livro disponibiliza, sabe? E a interpretação dos atores adultos não me convenceu. No mais, as crianças e o ator que interpreta Pennywise foram ótimos, e a primeira parte do filme é várias vezes melhor que a segunda.
Gostos e Cores
2.5 85 Assista Agorauma proposta boa trabalhada de forma errada em tantos níveis que eu não consigo nem elaborar direito.
quando um filme escolhe falar de um milhão de temas delicados, como é o caso, PRECISA ter responsabilidade pra não reforçar estereótipos.
(além do mais, o desenrolar da narrativa em si também é super aleatório. do desfecho, nem se fala)
Antes da Meia-Noite
4.1 1,5K Assista Agoraeu amo os diálogos dessa trilogia. amo os momentos em que dá vontade de pausar o filme e conversar com a pessoa ao lado sobre aqueles assuntos que eles estão discutindo. nesse filme em específico, amo a fala do avô, sentado à mesa durante o almoço, sobre o relacionamento com a falecida esposa. e, em todos os filmes, amo a Celine (ouso dizer, inclusive, que é uma das minhas personagens preferidas do cinema).
mas o desfecho de Antes da Meia-Noite me incomodou de um jeito que eu não consigo deixar passar batido.
em um primeiro momento, adorei ver como a passagem de tempo e a rotina transformou o casal, tornando a relação mais real, palpável, acessível. não foi a discussão deles e a desconstrução do ideal de relacionamento "conto de fadas" que me chateou (ao contrário, essa é a parte boa da coisa toda). o problema foi como a ~DR~ se encerrou: de um jeito mais romantizado do que nunca, onde se supõe que a traição, as ofensas trocadas e os problemas reais podem ser deixados de lado quando alguém simplesmente te diz "You're just like the little girls and everybody else. You wanna live inside some fairy tale. I'm just trying to make things better. I tell you I love you unconditionally, I tell you you're beautiful..I tell you that your ass looks great
when you're 80. I'm trying to make you laugh. (...) And if you think I'm just some dog who's gonna keep coming back, you're wrong. But if you want true love, then this is it. This is real life. It's not perfect, but it's real. And if you can't see it, then you're blind, all right, and I give up.".
pra mim, isso é problemático pra caralho. porque eu penso em quantos caras lançam mão de discursos similares pra mascarar cagadas. e penso em quanta gente já disse "tá, ok", depois de ouvir algo do tipo. sei lá, incomodou. acho que teria sido mais honesto, com a história e com a gente, se eles simplesmente tivessem terminado. :~
Os Olhos de Júlia
3.6 830 Assista AgoraSuspense ok, com ótimas atuações, estética bacana, e recursos realmente interessantes pra incitar o espectador a se colocar no lugar da protagonista,
como não mostrar o rosto dos personagens que surgem enquanto Julia está com a faixa nos olhos, ou trechos de cenas sob o ponto de vista de Julia, com a visão embaçada e tal.
- O fato de Julia querer ficar na casa da irmã (recém morta, por sinal na tal casa) logo após ~descobrir~ que essa mesma irmã tinha um caso com seu marido. Foi conveniente pro momento, mas é a decisão mais nonsense que ela poderia ter tomado.
- O surgimento meio repentino do vizinho e sua filha Lia na história. Me parece injusto que Lia tenha "caído do céu" assim, já que foi essa a personagem essencial pra abrir os olhos - quase que literalmente - de Julia quanto a identidade do assassino. Parece que foi tipo ~ah como é que a gente vai fazer isso acontecer? vamo inventar uns personagem aqui pra cumprir esse papel e tal~. Não desceu muito bem.
- As questões que ficaram em aberto, como o motivo que levou o assassino a começar com os crimes e tudo mais. A história dele foi bem pouco explorada, dificultando a empatia pelo personagem. Sendo ele a principal incógnita do filme, acho que merecia mais atenção. Nem que fosse com uma cena curta antes da cena final, onde a polícia explica pra Julia (e pro espectador) sobre as motivações dele.
Isso não desmerece o filme como um todo, só que rolou uma frustração de leve, como geralmente acaba acontecendo com filmes do gênero.
Os Amantes do Círculo Polar
4.2 156não consegui definir esse filme com uma palavra só. não é de todo triste, nem de todo feliz. é meio a vida, né? em algum momento pode ocorrer que: "ok, qual é a propabilidade dessas coincidências realmente acontecerem?", mas isso não diminui a trama se não for levado tão ao pé da letra. quantas coincidências menores porém igualmente significativas não devem acontecer com a gente tantas vezes, e passam despercebidas? se colocadas em outra escala, as casualidades do filme despertam uma reflexão bem válida.
é fácil (apesar de meio doloroso) se colocar no lugar dos personagens. os mocinhos são imperfeitos, e dá uma agonia daquelas boas pensar sobre como poderia ter terminado diferente se eles tivessem feito outras escolhas.
o final corta o coração, lindamente, e o seu amargor equilibra a doçura do início. filmes com finais não-felizes são necessários também.
O Universo No Olhar
4.2 1,3KMORTA com essa cena pós-créditos que eu tinha deixado passar da primeira vez que assisti.
Lições Em Família
3.5 116acho que gostar ou não desse filme depende bastante do teu estado de espírito no momento em que assiste. ele te propõe uma entrega até certo ponto, e o resto vai depender do quanto tu te identifica com as várias questões que o roteiro aponta. e pessoalmente, acho que escolhi o dia/momento certo pra assistir, porque me rendeu alguns insights interessantes.
a trilha sonora linda, as boas atuações, o ritmo despretensioso e a leveza com que o filme se desenrola, pra mim, superam os clichês (que, sim, estão ali também). gosto muito da forma como o Zach Braff equilibra a comédia e o drama.
a história sobre guardar todas as lentes de contato já usadas na vida foi genial.
Cantando na Chuva
4.4 1,1K Assista AgoraMesmo quem nunca assistiu ao filme, certamente já ouviu (e até já cantarolou) a música tema e conhece a sequência na qual ela aparece. Foi lançado em 1952, porém seu frescor o torna absolutamente atemporal.
A performance de “Make ‘em Laugh”, com o ator Donald O’ Connor – um dos maiores destaques do filme, com uma atuação impecável -, fala justamente sobre “fazer rir”, criando um paralelo com o objetivo do próprio longa.
Diante do brilhantismo das interpretações em “Cantando na Chuva”, torna-se impossível não refletir sobre a atuação no cinema contemporâneo. Em 1952, ainda era recente o surgimento dos filmes falados, portanto os atores ainda tinham a preocupação de comunicar também através da linguagem corporal e das expressões faciais. Hoje, em comparação à época em que o filme foi gravado, exige-se bem menos dos atores. E, ainda assim, parece que muitos não conseguem cumprir a função de interpretar de forma convincente e envolver o espectador. Em “Cantando na Chuva”, os atores não somente atuam, como também cantam e dançam com perfeição. Poucas vezes podemos ver atores tão entrosados e demonstrando o empenho que Gene Kelly, Donald O’ Connor e Debbie Reynolds demonstraram.
Algo que pode passar despercebido ao assistir “Cantando na Chuva” é o caráter crítico do filme. Camufladas pelo humor, diversas cenas fazem críticas a determinadas situações envolvendo o cinema. Isso ocorre
já no início do filme, quando os atores atravessam o tapete vermelho e podemos ver a atriz ninfeta e o novo marido rico, ou a outra atriz com o casamento que, “surpreendentemente”, já dura longos dois meses. Tudo narrado por uma repórter, evidentemente mais interessada na vida pessoal dos atores do que em seus méritos profissionais.
Outra cena memorável ao quesito “crítica” em “Cantando na Chuva”,
é quando Don acaba dentro do carro de Kathy por acidente, e, durante a conversa dos dois, Kathy menciona que “se você viu um filme, viu todos”, se referindo ao fato de os filmes serem “todos iguais”. Sem mencionar uma das cenas finais do filme, onde Lina (interpretada por Jean Hagen) é desmascarada em frente ao público, e todos descobrem que sua linda voz é, na verdade, dublada por Kathy.
Portanto, apesar de todo o humor e leveza, de forma por vezes sutil e por vezes ácida, a crítica à ditadura aos padrões hollywoodianos (onde ser bonita e influente é mais importante que ter talento, por exemplo) está presente. Além de ser um filme que fala sobre filmes, é um filme que critica filmes.
A capacidade de tocar, envolver, emocionar, e principalmente, de alegrar o receptor é de longe o mais impressionante no filme. Representa, em sua potência máxima, o poder que o cinema tem de provocar sensações em quem assiste. Em “Cantando na Chuva”, o desafio é não sentir vontade de sair cantando e dançando por aí. Aprendemos que, com Gene Kelly, não tem tempo ruim. Mesmo chovendo.
Girls (3ª Temporada)
4.1 185Tem duas coisas me incomodando nessa temporada:
A falta de aproveitamento de alguns personagens (de quase todos, na verdade). As vezes acho que a série devia se chamar "Hanna".
E a falta de continuidade da trama. O único jeito é encarar os episódios como isolados, porque dificilmente eles retomam de onde a história parou no anterior. O que é uma pena, porque já houveram várias oportunidades perdidas de desenvolver melhor algumas coisas.
A série continua tendo pontos positivos, o que me faz seguir gostando dela. Mas a falta de profundidade do roteiro tem chamado cada vez mais minha atenção.
Ela
4.2 5,8K Assista AgoraFilme lindo. A atuação de Joaquin Phoenix está impecável, e descobri que ele fica ótimo de óculos, bigode e camisas/cardigans cor salmão, haha. A fotografia e a trilha sonora com Arcade Fire são lindas. Mas nada se compara a voz rouca e absurdamente sexy de Scarlett Johansson, mostrando que, pra quem ainda tinha dúvidas, ela é uma ótima atriz (afinal, não deve ser fácil conseguir "vender" um personagem sem qualquer artifício visual).
O roteiro de Spike Jonze, à primeira vista, me lembra muito um episódio de Black Mirror. Mas depois percebo que Jonze conseguiu ir muito além, mostrando como hoje as pessoas estão solitárias, trocando com facilidade cada vez maior qualquer interação social pela comodidade de se comunicar através de uma tela. Jonze levanta questões sobre relacionamentos, sobre a fuga do "real" pelo "virtual" e sobre situações onde qualquer um pode facilmente se colocar no lugar de um dos personagens em algum momento.
Por fim, realmente me assusta o fato de a trama se passar no futuro, e ao mesmo tempo, conseguir traçar analogias tão próximas da nossa realidade, tão palpáveis. Por mais que a gente não tenha um sistema operacional como a Samantha pra se apaixonar, existem equivalentes. Com certeza é um filme pra se assistir mais de uma vez.
Trust Me
4.1 5Fico triste pelo cancelamento dessa série, ainda mais porque essa temporada termina de um jeito que deixa claro que o autor não imaginava que iria acabar por aí.
Não sei exatamente o que deu errado na época em que ela foi lançada, mas admito que, pra quem não trabalha com publicidade e propaganda, não deve ser tão legal mesmo. Até porque a maioria das situações se passa no ambiente da agência, enquanto os dramas pessoais dos personagens ficam em segundo plano. Assim a série não se esforça pra se aproximar de todos os públicos, atingindo somente quem está envolvido no segmento. Provavelmente é por isso que Mad Men funciona, porque os dilemas profissionais ficam só de background.
Enfim, não deixa de ser uma pena. Fico curiosa pra saber o qe teria acontecido com o Conner e o Mason.
Girls (3ª Temporada)
4.1 185Pelos dois primeiros episódios, já dá pra prever que será mais uma temporada de trilha sonora linda.
Oh Boy
3.8 92Pra mim, o Niko é a representação perfeita de uma geração entediada. Não é como se ele não pensasse no futuro, ele simplesmente não conseguia achar algo que prendesse seu interesse por muito tempo.
A frustração do personagem por não conseguir tomar café em paz ao longo do filme foi uma sacada muito boa, e sutil.
Assim como muita gente, achei parecido, sim, com Frances Ha, mas é também mais dramático e cômico. Mais intenso, talvez.
Outros pontos altos do filme são a fotografia, a trilha sonora, e o texto, com ótimos diálogos.
Não Gosto dos Meninos
4.3 361Fiquei intercalando sorrisos e olhos marejados enquanto assistia. A atmosfera intimista trazida pelos depoimentos fazia parecer que tu já conhecia aquelas pessoas. E deu muita vontade de conhecê-las realmente, de saber mais sobre a história delas, de virar amigo e convidar pra um café.
18 minutos é muito pouco.
Noah
4.2 44Alguém tem um link? Os colocados abaixo não estão funcionando/foram removidos.
Frances Ha
4.1 1,5KAcho que todo mundo que assiste se identifica com a Frances em algum momento (ou em quase todos).
A forma como o filme expõe os laços de amizade foi o que eu achei mais sensacional, e cruelmente honesta. É um tapa na cara, ensinando que, de fato, ninguém pertence à ninguém. Nem mesmo os amigos. Mas isso não impede de ter conexões verdadeiras com as pessoas.
Só depois que fiquei pensando um pouco sobre o filme, eu percebi que
no final, a cena da troca de olhares entre a Frances e a Sophie é exatamente o que a Frances descreveu nessa cena aqui: http://www.youtube.com/watch?v=WlfD8gF2jzE. Isso foi genial.
Black Mirror (2ª Temporada)
4.4 763 Assista AgoraAtravés de um roteiro foda pra caralho, a série fala sobre o que é "real" e "virtual", e faz refletir sobre como essas duas coisas se confundem ultimamente.
Ela mostra o que pra mim pode vir a ser um futuro bem próximo - exceto o primeiro episódio da primeira temporada, e o último da segunda, que explora mídias e redes sociais já bastante realistas -, tecnologicamente assustador e caracterizado pela falta de noção (ainda maior) das pessoas.
Acho que a série não tem mais episódios simplesmente porque não precisa ter. Só com três eps por temporada, ela já causa um mindfuck gigante.
Toda Forma de Amor
4.0 1,0KEu poderia falar da trilha sonora, linda; ou da atuação adorável da Mélanie Laurent; ou do cachorrinho que rouba a cena sempre que aparece; mas tudo isso parece quase pequeno perto da notável sutileza da história. Esse é um filme sobre a vida, sobre amor, e sobre frustração. Sobre o que a gente decide esconder do mundo por conveniência. Sobre fazer escolhas. Sobre aceitar as escolhas dos outros. E sobre deixar as pessoas irem embora.
Sex and the City (6ª Temporada)
4.4 203A melhor temporada de todas. A mais madura, a mais adulta, a que trouxe os problemas mais sérios (como o câncer), e os melhores episódios. Até a trilha sonora foi a melhor. Adorei o r&b francês que tocou nos episódios da Carrie em Paris.
Comecei a assistir a série achando que não iria gostar, que não tinha nada a ver comigo. Mas é impossível não se identificar com alguma das quatro, em algum momento. Toda mulher é um pouco Carrie, um pouco Miranda, um pouco Samantha, e um pouco Charlotte. E eu adorei descobrir isso.
Com certeza a série terminou no momento certo, no auge. Alguns seriados ótimos se perdem justamente pela falta de timing.
Os Excêntricos Tenenbaums
4.1 865 Assista AgoraPra mim os diretores mais incríveis são aqueles que possuem uma obra linear, onde os filmes são bem característicos, do tipo que tu assiste sem saber de quem é a direção, mas acaba reconhecendo porque tem "a cara" do diretor. O Wes Anderson é assim.
Adoro a maneira como me identifico com os filmes dele, em especial com The Royal Tenenbaums. Os personagens disfuncionais, problemáticos... assistir o fracasso deles é quase uma licença inconsciente pra ser mal-sucedida num mundo que te pressiona a ser genial o tempo todo.
Laurence Anyways
4.1 553Depois de assistir Laurence Anyways, me sinto ansiosa pelos próximos filmes do Dolan. Gostei muito de Eu Matei Minha Mãe e Amores Imaginários, mas esse trouxe (finalmente) um roteiro com certo nível de maturidade do qual senti falta nos outros dois trabalhos do diretor/roteirista. A trilha sonora, a fotografia, os ângulos; são sempre incríveis. Mas os personagens dos outros filmes me pareceram pouco profundos. Em Laurence Anyways percebi que ele explorou isso melhor (a temática mais complexa possivelmente ajudou nesse ponto).
Como diretor, Xavier Dolan já tem o meu respeito. Como roteirista, ainda não tenho certeza.
Um Dia de Fúria
3.9 934 Assista Agorafilme foda. não consegui parar de pensar que, se as pessoas que cruzaram o caminho dele não fossem tão cretinas e irritantes (como nós normalmente somos), por coisas tão pequenas, ele provavelmente não teria sido tão cruel com elas.
Paraísos Artificiais
3.2 1,8K Assista AgoraO filme teve alguns pontos positivos, como a fotografia linda, a Nathalia Dill (também linda), e a ideia do roteiro. Não vi nada de errado com o final, não entendo essa necessidade de um final desenhado e explicadinho. Achei que ficou tudo bem óbvio, na verdade.
Mas podia ter ficado sem mostrar acidentalmente o tapa sexo na hora do sexo oral da Érika e da Lara. Assim como o áudio, que em três cenas INTEIRAS ficou abafado pelo barulho do mar ou pela música ao fundo. Coisa de amador, seu Marcos Prado.
Amores Imaginários
3.8 1,5Kacho totalmente plausível todo mundo cair de amores pelo Nico. com a ajuda das cenas em câmera lenta, da trilha sonora, das luzes, dos ângulos...
bang bang.
It: Uma Obra Prima do Medo
3.5 1,3KFiquei muito tempo querendo assistir e por fim, acho que não dá pra usar o filme pra julgar a trama criada por Stephen King. Acabaram sendo duas coisas com "climas" totalmente diferentes. O livro tem umas histórias muito boas das crianças com o Pennywise que o filme não mencionou. É claro que alguma coisa ia acabar ficando de fora, já que o livro tem, sei lá, umas 700 páginas... só achei que algumas cenas poderiam ter sido mais assustadoras (mesmo com a pouca tecnologia da época), pelo conteúdo que o livro disponibiliza, sabe? E a interpretação dos atores adultos não me convenceu. No mais, as crianças e o ator que interpreta Pennywise foram ótimos, e a primeira parte do filme é várias vezes melhor que a segunda.