Gabriel García Márquez afirma que “o sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”. Em Shame, vemos a sentença se aplicar com rigor em Brandon Sullivan, personagem vivido por Michael Fassbender, um cara recluso, impessoal e triste, que não consegue estabelecer ligações emocionais mais profundas, e, não obstante, mantém um compulsivo vício sexual. Sem cair na caricatura, Fassbender constrói um personagem complexo e humanizado, conseguindo despertar até a empatia do público, apesar de suas polêmicas atitudes – auxiliado, é claro, pelo bem estruturado roteiro do diretor Steve McQueen com Abi Morgan.
McQueen conduz a narrativa empregando elementos que enriquecem o roteiro e despertam sentimentos no espectador. Os planos (médios e longos, em sua maioria) conferem um ritmo melancólico similar à vida do retratado. Também demonstram o cuidado em acompanhar os acontecimentos da narrativa, aumentando-lhe o simbolismo, como na cena em que, absolutamente irritado por ouvir os gemidos da irmã com o seu chefe no quarto, Brandon aparece espremido entre seus móveis no canto inferior esquerdo da tela, lembrando o espectador de cenas anteriores, quando o protagonista disse para a irmã que ela o deixava encurralado.
As cores da película também são um dos pontos fortes, constituindo uma estética interessante, numa perfeita sintonia entre direção de arte, figurino e fotografia. São utilizadas cores frias, como azul, cinza e verde, para caracterizar a personalidade fechada, distante, e até sombria do protagonista. Nas cenas de sexo, no entanto, nota-se a presença de cores vivas, vibrantes, como vermelho, o rosa, o roxo e o amarelo. É como se a mudança de tonalidade nos indicasse que aqueles momentos de prazer são o ponto de escape daquela vida solitária, resignada, linear, rotineira, do nosso personagem. Eis aí, talvez, a razão de sua compulsão sexual. É como uma fuga, um contraponto, às suas atividades, à sua imagem de bom moço, à sua ânsia de querer ter manter sempre tudo sob controle, tudo alinhado.
A princípio, O Vencedor (The Fighter) parece ser apenas mais um filme de superação com temática esportiva. O arco dramático do conflito familiar do boxeador Micky Ward (Mark Wahlberg) e as poucas cenas de luta, no entanto, refutam o pensamento inicial sobre a película – que foi indicada a sete estatuetas no Oscar 2011 (melhor filme, direção, montagem, roteiro original e coadjuvantes). Primeiro, porque não há uma factual superação, em termos hollywoodianos – o “vencedor” está mais para um coitado que de tanto tentar acabou conseguindo vencer um campeonato de importância secundária. Depois, porque o esporte é relegado a segundo – quiçá terceiro plano. As relações familiares, suas complexidades e como elas podem nos direcionar são o ponto central da trama.
Baseado em uma história real, o filme se passa nos anos 1990 e conta a trajetória de Micky, um boxeador pouco talentoso que treina em uma academia do bairro pobre onde mora, em Boston, sob as instruções de seu irmão mais velho, Dicky Eklund (Christian Bale), um ex-boxeador cujo maior feito foi ter derrubado Sugar Ray Leonard em 1978 – luta que acabou perdendo, vale ressaltar. Empresariado pela mãe, Alice (Melissa Leo), ávida por disputas que remunerem bem, e treinado pelo irmão, uma figura meio boba, já desnorteado pelo uso de crack e sem compromisso com a preparação física, Micky não consegue treinar direito e não obtém êxito nas lutas até conhecer Charlene (Amy Adams), namorada que traz sensatez e induz atitudes ao passivo e conformado boxeador. É aí que o conflito atinge o ápice e o roteiro ganha impulso em uma narrativa bem conduzida, mas que cansa ao longo dos 115 minutos do filme, talvez por ser demasiadamente linear. O diretor David O. Russel (Huckabees - A Vida É uma Comédia, 2004) usa recursos técnicos e um estilo que faz O Vencedor parecer um documentário.
A proposta de 127 Horas (127 hours, 2010) atiça a curiosidade já na sinopse. A ideia de transpor a história do alpinista Aron Ralston para os cinemas é ousada – e perigosa. Podia ser um sucesso ou uma verdadeira lástima. O diretor Danny Boyle (Quem quer ser um milionário?, 2008), no entanto, fica com a primeira opção e se reinventa, mostrando toda sua capacidade criativa com esse drama difícil de contar, cinematograficamente falando (afinal, é a história de um homem só em um único ambiente na maior parte do tempo). Mas Boyle surpreende e nos dá de presente essa interessante obra, que nos inquieta e acelera os batimentos cardíacos.
A história não é novidade, foi bem noticiada na época e virou até livro, cuja adaptação virou o filme aqui comentado. Trata-se do trágico episódio que mudou a vida de Aron Ralston (James Franco), que, em 2003, saiu de casa – sem avisar ninguém para onde iria – e foi se aventurar pelos canyons de Utah, nos Estados Unidos. Ele teve a infelicidade de cair em uma fenda e ficou com o antebraço preso entre uma pedra e a parede rochosa durante 127 horas, cerca de cinco dias, até decidir amputar o braço. Durante esse período, Ralston luta pela sua sobrevivência, tendo de racionar a pouca quantidade água e comida que possuía na mochila.
No típico clássico western, dominado por balas, chapéus, botas, esporas, roupas de couro, fivelas, cavalos e muitos cowboys em um ambiente semiárido, o que se destaca em Bravura Indômita (True Grit, 2010) é uma impiedosa e obstinada garota de apenas 14 anos, Mattie Ross (Hailee Steinfeld). Ela busca alguém com uma notável “bravura indômita” para vingar a morte de seu pai, assassinado pelo foragido Tom Chaney (Josh Brolin), em 1878.
O escolhido é Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um “federal” exímio na arte de exterminar seus oponentes. O sujeito cobra de Mattie 100 dólares para aceitar a missão, recebendo um adiantamento de metade desse valor da exigente contratante, que faz questão de acompanhar de perto a execução do trabalho. Os dois seguem acompanhados do ranger texano LaBoeuf (Matt Damon), que visa uma recompensa com a cabeça de Chaney.
Menosprezada pela pouca idade no início, Mattie conquista o respeito dos dois durões com toda sua maturidade e perspicácia – ela certamente possui a melhor lábia do oeste norte-americano –, tornando-se alvo de disputa da atenção de ambos. Os conflitos não tardam a vir, com direito a
Raquel Pacheco trilhou o caminho mais improvável – e tortuoso – para o objetivo que tinha em mente: o autoconhecimento, como ela mesma revela ao término do filme. Sob o pseudônimo de Bruna, acrescido do apelido de “surfistinha” pouco depois, a jovem de classe média abandonou família e estudos para ingressar no mundo da prostituição. O porquê não é explicado de maneira objetiva ou retratado como deveria no filme. O roteiro apenas nos mostra que era uma jovem deslocada – como na relação, brevemente retratada, com seus pais e irmão adotivos e os colegas de classe. A transformação de Raquel em Bruna e como esta atingiu o estrelato é o cerne da questão.
Deborah Secco é quem dá vida ao drama de Raquel/Bruna. Na fase escolar da personagem, a interpretação da atriz não é muito natural, passa insegurança. Mas Deborah cresce em atuação quando a vida sexual da agora Bruna tem início na casa de garotas de programa chefiada por Larissa (Drica Moraes), responsável pela melhor atuação do filme. A interpretação das colegas de profissão de Bruna também não deixa a desejar e a construção da relação delas com a protagonista enriquece o enredo.
O diretor Marcus Baldini, estreante, faz escolhas precisas – e felizes – que retratam a temática sexual sem recorrer à apelação, tecendo as inúmeras cenas de sexo em um fio condutor para compor o drama pessoal da personagem. Outro aspecto positivo é a preocupação da produção em tratar o tema de forma natural, sem preconceito ou juízo de valor. Oferece, em contrapartida, condições para o próprio espectador realizar seu julgamento moral. O longa é ousado, tem cunho erótico, mas em nenhum momento chega a ser explícito, muito menos puritano – ainda bem! Há excelentes sequências que trabalham bem com primeiro e segundo planos, imprimindo estilo com o uso do desfocado e de diversas angulações, principalmente em cenas “calientes”. No entanto, acaba pecando pelo excesso – há desfoque demais, alguns desnecessários. Uma das melhores sequências é a passagem por vários quartos com os programas de Bruna, assim que ela começa a “bombar” no prostíbulo.
"O filme Cinema Paradiso é uma homenagem ao cinema". Este é o maior clichê dito e escrito sobre o filme, mas que o define superficialmente, e pode suprimir o grande potencial de emocionar e cativar que a película possui. Ao assistir ao filme, os cinéfilos imaginam ou relembram quando começou a própria paixão pelos filmes. Comparam as sessões da época retratada com as de hoje. Imaginam como seria entrar na cabine de projeção (eu mesma continuo na imaginação, já que o Cinemark, o Severiano Ribeiro e as outras empresas donas das salas de cinema de Brasília simplesmente ignoram meus pedidos). Refletem que a sala de cinema, mesmo com todos os transtornos atuais que as rondam, como preço do ingresso, pipoca velha, falta de educação das pessoas, ainda é um bom lugar para se estar.
Cinema Paradiso fala de amizade e paixão. Retrata a paixão de Toto, um garoto curioso e bem arteiro, pela arte do cinema. Mostra também a paixão de Alfredo, o projecionista, pelo seu trabalho, mesmo quando reclama da sua situação; ele diz não ter descanso (aliás, só folga na sexta-feira da Paixão). A alegria de Alfredo é ver e ouvir as pessoas rirem do filme que está sendo exibido. Ele sente como se ele mesmo as fizesse sorrir. Retrata também como o cinema é cativante a ponto de pessoas ficarem do lado de fora da sala por mais de três horas para esperar a sua vez. Toto cresce, vira diretor de cinema e deixa o passado na pequena cidade italiana em que nasceu e cresceu. Um acontecimento faz com que ele relembre toda a sua infância e onde a paixão pelo cinema começou.
Após uma atitude desesperada que tem desfecho trágico, BabyDoll (Emily Browning) é internada em um manicômio para mulheres por seu padrasto. Por ela saber mais do que ele gostaria, o homem pede para que a garota seja lobotomizada (processo médico, no qual eles furam o cérebro do paciente com um ferro e fazem com que a memória seja perdida por causa da lesão). BabyDoll tem cinco dias para tentar escapar de virar um ser andante sem memória, e vai usar todos os artifícios que sua mente permitir para conseguir alcançar o objetivo. Bom, de maneira BEM rápida e resumida, essa é a história de Sucker Punch - Mundo Surreal. Vamos aos detalhes...
Quando eu falei que BabyDoll usa os artifícios de sua mente para tentar se safar de um futuro ruim, eu estava falando literalmente! O filme inteiro acontece dentro de uma alucinação da garota. Uma não, duas. Na "primeira camada" de alucinação, a garota se transfere de um manicômio para cabaré. Onde ela e as garotas Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens), Sweet Pea (Abbie Cornish) e Amber (Jamie Chung) bolam um plano para tentar se proteger e escapar do local, essa é o cenário onde grande parte da história se desenrola, os diálogo e discussões são todos na casa de dança. Os planos são executados sempre durante as apresentações de dança, e é aí que entra a "segunda camada" de alucinações.
“A tragédia da geração passada é piada para a próxima”, discursou o xerife Dewey (David Arquette), um dos mais desengonçados, ou melhor, mais incompetentes que já vi nos cinemas. Essa frase basicamente justifica o roteiro do filme de “terror” Pânico 4, mais de uma década após o lançamento da até então trilogia Pânico (1996, 1997 e 2000), que renovou o gênero e foi o pioneiro de uma série de filmes na mesma linha.
Pânico 4 vem com a proposta de dar um upgrade a estória sob o argumento de que uma nova década traz novas regras. Tenta, assim, contextualizar à sociedade atual, tentando perpassar os clichês e todos os truques já batidos há um bom tempo. E, claro, não consegue. Mas o interessante é notar que o próprio filme não se leva a sério e faz piada escrachada de si mesmo, de seus criadores (os mesmos de Jogos Mortais e Atividade Paranormal) e de todo o gênero terror/suspense. Na mesma linha da série, aqui também há metalinguagem e humor negro, só que numa dose mais exagerada. Lembram-se da série de besteróis americanos “Todo mundo em pânico?”, uma sátira deste filme? Pois é, Pânico 4 se aproxima bastante dessa linha, é uma tragicomédia, um terror trash, com doses absurdas de sangue e suspense exagerado, onde se tivermos dois momentos que assustem realmente o espectador é muito.
O filme policial/suspense mostra um serial killer que usa como critério de seleção os sete pecados capitais: gula, cobiça, preguiça, luxúria, vaidade, ira e inveja. . “Os pecadores morrendo pelo seu próprio pecado”. A coisa é tensa.
No elenco, Morgan Freeman e Brad Pitt como os detetives responsáveis pelo caso. Freeman é William Sumerset, um veterano à beira da aposentadoria, que já se desencantou da profissão. Pitt é David Mills, um novato agoniado, querendo mostrar serviço, casado com Gwyneth Paltrow que acabou de se mudar para a cidade grande.
O filme é simplesmente genial. O diretor David Fincher (que vai aparecer mais alguma vezes por aqui, já que ele também dirigiu Clube da Luta e O curioso caso de Benjamin Buton – será que gosta do Brad Pitt?) faz referência a clássicos da literatura mundial, como A Divina Comédia, de Dante, e textos de São Tomás de Aquino, para orientar o serial killer na “confecção” dos assassinatos.
O filme X-men: primeira classe (X-men: first class) chegou aos cinemas brasileiros no último fim de semana para explicar como surgiu o maior grupo de heróis mutantes já visto no universo dos cinemas e dos quadrinhos. O filme, dirigido por Matthew Vaughn, consegue amarrar todas as pontas de história que ficaram soltas ao longo dos três filmes da franquia X-men lançados até hoje.
Mesmo o roteiro não sendo fiel à história original dos quadrinhos – que conta com diversos personagens alienígenas – ele consegue ligar pontos e fechar uma trama redonda e perfeitamente aceitável ao público dos cinemas, ficando na medida certa entre realismo e fantasia do universo mutante.
O documentário leva o nome da personagem que se diz portadora da verdade. Aos 63 anos é catadora de lixo no aterro sanitário Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro (sim, o mesmo de o Lixo Extraordinário). Diagnosticada com problemas mentais, Estamira possui uma lucidez, uma visão de mundo invejável a qualquer pessoa "normal".
Nó na garganta. Inquietação. Esses sentimentos vão acompanhar o espectador durante todo o filme. Seja vendo os urubus "tomando banho", as montanhas intermináveis de lixo, vendo ela preparar a comida para a família com macarrão e palmito em conserva que ela achou, vendo o chorume borbulhando ou com as incansáveis moscas que rodeiam o lixo e quem está no meio dele.
Talvez ela nunca tenha sido uma pessoa plenamente sã, mas a vida também não colaborou muito. O avô a levou para prostituição aos 12 anos. O marido, de acordo com a filha, mesmo gostando muito dela, a tratava mal e tinha casos na rua (às vezes trazia os casos para dentro de casa). O marido, então, colocou Estamira e a filha para fora de casa. Chegou a ser estuprada duas vezes. Acontecimentos que ela julgava ser uma provação de Deus. Aos poucos as frases dela deixaram de fazer sentido para os familiares.
Para começar, um resumo da história: Gil (Owen Wilson) é um roteirista (ligeiramente frustrado) de Hollywood e que está tentando escrever um romance. Ele está noivo de Inez (Rachel Adams). O casal, que "concorda apenas nos pequenos detalhes" está passando férias em Paris com a família da moça. Gil é do tipo saudosista, que sente saudade daquilo que não viveu, que sonha como seria viver na Paris da década de 20. Um dia, meio de pilequinho (e perdido), ele senta em uma escadaria. À meia noite, o seu maior sonho vira realidade: Paris volta no tempo, exatamente para a década de 20. Ele tem a chance de estar no círculo de escritores e artistas mais influentes da época, e até atualmente, como Hemingway, Scott Fitzgerald, Luis Buñuel, Picasso, Salvador Dali (rinoceronte!) e váriso outros.
A primeira coisa que você pode pensar é: "HÃ? Voltar no tempo?" . Sim, voltar no tempo. Um outro diretor talvez não conseguisse levar a trama adiante, mas eu estou falando de um filme de Woody Allen, meus caros e minhas caras. Ele consegue fazer os espectadores comprarem a ideia e, de repente, o absurdo não parece absurdo. Woody Allen mestre nisso.
Quando vi o elenco, fiquei meio receosa com Owen Wilson. Mas, incrivelmente, ele encarnou o personagem e o próprio diretor. Gil tem tiques, gagueiras, verborragia momentânea. Ele conseguiu captar até o modo de falar típico de Woody Allen. Aliás, mesmo sem a presença física do diretor diante das telas, é bem fácil perceber a presença dele durante todo o filme: seja no enquadramento de Paris, nos diálogos dos personagens e até quando Gil chama um outro cara de "pseudointelectual".
Flores e concreto: um lembra delicadeza e beleza, outro rigidez e imponência, ambos nobres de sua forma. Em My Fair Lady, esses dois elementos são constantes, visualmente e o confronto entre ambos também. O filme, de 1964, ganhador de 8 Oscar, é uma adaptação de um famoso musical da Broadway. E nas suas quase três horas de duração nos envolve com diálogos memoráveis e diverte com números musicais, e com a destrambelhada Eliza Doolittle, vivida por Audrey Hepburn.
Eliza Doolittle é uma espevitada vendedora de flores das ruas de Londres, a qual o arrogante professor de fonética, Henry Higgins, (Rex Harrison) tenta transformar em uma dama da alta sociedade. Não há como não elogiar todo o elenco do filme, e principalmente atuação de Harrison, o ator já fazia o papel na Broadway, e ganhou o Oscar de melhor ator. Seus números musicais são quase falados, e de uma beleza enorme. Se Rex brilha por sua atuação, Audrey, além disso, apresenta, como sempre, sua beleza e elegância. Inicialmente, o papel deveria ser de Julie Andrews, pois ela fazia a personagem na Broadway, porém Audrey ganhou o papel, para nossa (minha) felicidade.
Justamente pela elegância natural de Audrey, é difícil imaginá-la como uma desajeitada vendedora de rua, acredito que esse foi um dos maiores desafios da atriz. Pelo fato de ser um musical, e ter um toque de comédia, Audrey ficou bem mesmo fazendo uma caricata moça, em um filme mais dramático não sei se teria o mesmo sucesso.
Fato é, que se você está acostumado com a Hepburn de Bonequinha de Luxo, assistir My Fair Lady vai lhe mostrar uma outra faceta dela.
Qual o começo de uma história que já é conhecida? Esse é o mote principal do filme. Ignorando a entrega de 2001 de Tim Burton, a película começa com uma crítica velada às indústrias farmacêuticas que apenas se importam com os lucros. E é dito numa cena que o importante é o lucro que a empresa logrará e o sucesso que o cientista Will Rodman (James Franco) fará.
Os efeitos especiais são usados pra contar a história e não a torto e a direito como temos vistos nos últimos tempos. Não são necessárias explosões e afins para se fazer uma história interessante e paupável.
Bons tempos eram aqueles que na Sessão da Tarde passava Mary Poppins (1964). A babá que chega para a entrevista de emprego voando com uma sombrinha. Bonita, educada e cativante: assim é a nossa principal personagem.
Mary Poppins (Julie Andrews) lê o anúncio que o pai jura ter colocado no Times (adoro essa referencia do bom e tradicional jornalismo). Mas que surpresa ao ver que o anuncio quem escreveu foram as crianças. Ela lê e diz quais são as características que se pedem e como ela se porta frente aos meninos. As folgas são nas terças, a cada duas semanas. E começa na mesma hora. Jane e Michael ficam surpresos e felizes, será a babá dos sonhos deles.
Ah, e a bolsa à la gato Felix, que cabe tudo?
"Não julgue as coisas pelas aparencias. Muito menos uma mala de viagens", diz assim a srta Poppins às crianças. Será que foi daí a idéia da bolsa que Hermione Granger usa em Harry Potter e as Relíquias da Morte? Será ela uma fada ou uma bruxa? A menina a acha fabulosa. O menino tem um pouco de medo.
Voltar no tempo e no espaço para mudar o futuro – ou melhor, o presente – e consertar erros, que parecem cada vez maiores. A cada tentativa, sérias consequências. É com essa premissa, que não parece nem um pouco inovadora, vide De Volta Para o Futuro e Efeito Borboleta, que O Homem do Futuro se estabelece e consegue construir um roteiro bem amarrado e até interessante – apesar da sensação de deja vu por vezes nos visitar durante a sessão.
Com uma direção segura e um roteiro que dosa muito bem a mistura de ficção científica com comédia romântica, Claudio Torres mostra todo o talento que está no sangue (ele é filho da Fernanda Montenegro e Fernando Torres, e irmão da Fernanda Torres, a eterna Vani de Os Normais). Nem preciso mencionar a mais uma vez excelente atuação de Wagner Moura, que dá vida a Zero, um cientista nerd, gago, estressado e infeliz que, na tentativa de criar uma nova fonte de energia, acaba inventando uma máquina do tempo e voltando ao ponto determinante de sua trajetória, o dia de seu maior infortúnio: o baile à fantasia em que a musa da faculdade, Helena (Alinne Moraes), causa sua derrocada.
Acostumado a filmes voltados para o público adulto, Martin Scorsese se aventura pela primeira vez – em mais de 40 anos de carreira – na direção de um infanto-juvenil e acerta perfeitamente a mão. Em uma bela homenagem à sétima arte, A Invenção de Hugo Cabret é um filme completo. Tanto na técnica quanto em questões artísticas, o longa faz jus a cada uma das 11 cantegorias no qual foi indicado ao Oscar 2012.
Equilíbrio é a palavra de ordem. As sequências são dividas na medida certa entre drama, humor e ação. Cada um dos momentos é perfeitamente amarrado ao próximo e o que surge é a vontade cada vez maior por mais uma parcela do mistério, oferecido em doses homeopáticas até que se chegue ao clímax.
Scorsese não mede esforços em enaltecer sua paixão pelo cinema e sua admiração pela leitura, e impressiona pelo cuidado gasto em tais quesitos, é perceptível que tudo foi amplamente pensado.
O filme Anastasia faz 15 anos em 2012! Antes de começar a falar da linda animação vamos deixar uma coisa bem clara aos desavisados: Anastasia NÃO É UM FILME DA DISNEY, obrigada. É isso, nem todas as princesas são da Disney.
Agora, porque Anastasia é tão bom? Primeiro, porque ela é uma princesa sem frescura (eu tenho agonia das princesas clássicas da Disney, que fique registrado). Segundo, porque as músicas são sensacionais - consigo cantarolar Once Upon A December mesmo meses depois de ver o filme. Terceiro, o roteiro da animação não tem nada de bobo e ao mesmo tempo consegue ser ultra leve, divertido e fácil de acompanhar. Vale à pena sentar para uma sessão nostalgia (lembrando que o filme foi produzido da maneira tradicional: lápis e papel).
Em época de foreveralonismo, Marty nos ensina que toda panela tem a sua tampa, mesmo que ela não seja das mais bonitas, ou mais caras, ou mais reluzentes, ou whatever.
Marty Piletti é um açougueiro de 34 anos que mora com a mãe e acha que mulher nenhuma vai se interessar por ele. (#foreveralone nível crítico). "Tenho procurado uma garota todas as noites de sábado da minha vida", diz ele, em certo momento.
- Por que não se casou ainda, Marty?
Nem ele sabe. Ele é um bom rapaz, com um bom emprego, gentil, que cuida da mãe. Mesmo conformado com a própria situação, ele tenta se encaixar numa sociedade que exige que um homem forme uma família, tenha uma bela esposa, vários filhos e uma vida estável.
O argumento do filme exala a filosofia 'Madonniana' de vida, que prega a mulher forte, influente, que precisa se libertar para ser feliz (Wally moderna). E também aborda o lado da história não contada, da mulher que abre mão da sua vida mas que não tem isso reconhecido (Wallis da década de 30). O filme mostra mulheres que causaram, assim como nossa querida Madonna.
Sem precisar brincar de fazer participações, a cara de Madonna está em toda parte. Sua essência exala a cada minuto do filme. E para quem pensa que W.E. vai ser só um romancezinho qualquer, prepare-se para algum um pouco mais forte. O filme usa muito bem as cenas triviais e leves, mas tudo isso é para desarmar o espectador de duas cenas extremamente marcantes de violência doméstica. Cenas essas que chegaram a me deixar com taquicardia.
Como você classifica a sua música?” “Raul Seixismo”, respondeu, sem modéstia, um dos maiores ícones do rock brasileiro e também um dos responsáveis por alçar o gênero no país, negando, assim, qualquer conotação de protesto em suas canções.
A declaração consta no documentário Raul: o início, o fim e o meio, dirigido por Walter Carvalho (irmão do consagrado diretor Vladimir Carvalho, de ‘Rock Brasília’), que, em pouco mais de duas horas, conta a trajetória do astro baiano, que conquistou o Brasil nos idos da década 1970. Quem não é fã de Raul ou pouco o conhece, facilmente sairá fascinado pelo grande artista. Quem já é fã, ficará extasiado durante e após a projeção.
Leia a crítica completa aqui:
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Shame
3.6 2,0K Assista AgoraGabriel García Márquez afirma que “o sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”. Em Shame, vemos a sentença se aplicar com rigor em Brandon Sullivan, personagem vivido por Michael Fassbender, um cara recluso, impessoal e triste, que não consegue estabelecer ligações emocionais mais profundas, e, não obstante, mantém um compulsivo vício sexual. Sem cair na caricatura, Fassbender constrói um personagem complexo e humanizado, conseguindo despertar até a empatia do público, apesar de suas polêmicas atitudes – auxiliado, é claro, pelo bem estruturado roteiro do diretor Steve McQueen com Abi Morgan.
McQueen conduz a narrativa empregando elementos que enriquecem o roteiro e despertam sentimentos no espectador. Os planos (médios e longos, em sua maioria) conferem um ritmo melancólico similar à vida do retratado. Também demonstram o cuidado em acompanhar os acontecimentos da narrativa, aumentando-lhe o simbolismo, como na cena em que, absolutamente irritado por ouvir os gemidos da irmã com o seu chefe no quarto, Brandon aparece espremido entre seus móveis no canto inferior esquerdo da tela, lembrando o espectador de cenas anteriores, quando o protagonista disse para a irmã que ela o deixava encurralado.
As cores da película também são um dos pontos fortes, constituindo uma estética interessante, numa perfeita sintonia entre direção de arte, figurino e fotografia. São utilizadas cores frias, como azul, cinza e verde, para caracterizar a personalidade fechada, distante, e até sombria do protagonista. Nas cenas de sexo, no entanto, nota-se a presença de cores vivas, vibrantes, como vermelho, o rosa, o roxo e o amarelo. É como se a mudança de tonalidade nos indicasse que aqueles momentos de prazer são o ponto de escape daquela vida solitária, resignada, linear, rotineira, do nosso personagem. Eis aí, talvez, a razão de sua compulsão sexual. É como uma fuga, um contraponto, às suas atividades, à sua imagem de bom moço, à sua ânsia de querer ter manter sempre tudo sob controle, tudo alinhado.
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O Vencedor
4.0 1,3KA princípio, O Vencedor (The Fighter) parece ser apenas mais um filme de superação com temática esportiva. O arco dramático do conflito familiar do boxeador Micky Ward (Mark Wahlberg) e as poucas cenas de luta, no entanto, refutam o pensamento inicial sobre a película – que foi indicada a sete estatuetas no Oscar 2011 (melhor filme, direção, montagem, roteiro original e coadjuvantes). Primeiro, porque não há uma factual superação, em termos hollywoodianos – o “vencedor” está mais para um coitado que de tanto tentar acabou conseguindo vencer um campeonato de importância secundária. Depois, porque o esporte é relegado a segundo – quiçá terceiro plano. As relações familiares, suas complexidades e como elas podem nos direcionar são o ponto central da trama.
Baseado em uma história real, o filme se passa nos anos 1990 e conta a trajetória de Micky, um boxeador pouco talentoso que treina em uma academia do bairro pobre onde mora, em Boston, sob as instruções de seu irmão mais velho, Dicky Eklund (Christian Bale), um ex-boxeador cujo maior feito foi ter derrubado Sugar Ray Leonard em 1978 – luta que acabou perdendo, vale ressaltar. Empresariado pela mãe, Alice (Melissa Leo), ávida por disputas que remunerem bem, e treinado pelo irmão, uma figura meio boba, já desnorteado pelo uso de crack e sem compromisso com a preparação física, Micky não consegue treinar direito e não obtém êxito nas lutas até conhecer Charlene (Amy Adams), namorada que traz sensatez e induz atitudes ao passivo e conformado boxeador. É aí que o conflito atinge o ápice e o roteiro ganha impulso em uma narrativa bem conduzida, mas que cansa ao longo dos 115 minutos do filme, talvez por ser demasiadamente linear. O diretor David O. Russel (Huckabees - A Vida É uma Comédia, 2004) usa recursos técnicos e um estilo que faz O Vencedor parecer um documentário.
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127 Horas
3.8 3,1K Assista AgoraA proposta de 127 Horas (127 hours, 2010) atiça a curiosidade já na sinopse. A ideia de transpor a história do alpinista Aron Ralston para os cinemas é ousada – e perigosa. Podia ser um sucesso ou uma verdadeira lástima. O diretor Danny Boyle (Quem quer ser um milionário?, 2008), no entanto, fica com a primeira opção e se reinventa, mostrando toda sua capacidade criativa com esse drama difícil de contar, cinematograficamente falando (afinal, é a história de um homem só em um único ambiente na maior parte do tempo). Mas Boyle surpreende e nos dá de presente essa interessante obra, que nos inquieta e acelera os batimentos cardíacos.
A história não é novidade, foi bem noticiada na época e virou até livro, cuja adaptação virou o filme aqui comentado. Trata-se do trágico episódio que mudou a vida de Aron Ralston (James Franco), que, em 2003, saiu de casa – sem avisar ninguém para onde iria – e foi se aventurar pelos canyons de Utah, nos Estados Unidos. Ele teve a infelicidade de cair em uma fenda e ficou com o antebraço preso entre uma pedra e a parede rochosa durante 127 horas, cerca de cinco dias, até decidir amputar o braço. Durante esse período, Ralston luta pela sua sobrevivência, tendo de racionar a pouca quantidade água e comida que possuía na mochila.
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Bravura Indômita
3.9 1,4K Assista AgoraNo típico clássico western, dominado por balas, chapéus, botas, esporas, roupas de couro, fivelas, cavalos e muitos cowboys em um ambiente semiárido, o que se destaca em Bravura Indômita (True Grit, 2010) é uma impiedosa e obstinada garota de apenas 14 anos, Mattie Ross (Hailee Steinfeld). Ela busca alguém com uma notável “bravura indômita” para vingar a morte de seu pai, assassinado pelo foragido Tom Chaney (Josh Brolin), em 1878.
O escolhido é Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um “federal” exímio na arte de exterminar seus oponentes. O sujeito cobra de Mattie 100 dólares para aceitar a missão, recebendo um adiantamento de metade desse valor da exigente contratante, que faz questão de acompanhar de perto a execução do trabalho. Os dois seguem acompanhados do ranger texano LaBoeuf (Matt Damon), que visa uma recompensa com a cabeça de Chaney.
Menosprezada pela pouca idade no início, Mattie conquista o respeito dos dois durões com toda sua maturidade e perspicácia – ela certamente possui a melhor lábia do oeste norte-americano –, tornando-se alvo de disputa da atenção de ambos. Os conflitos não tardam a vir, com direito a
deserção de LaBoeuf no meio da jornada por duas vezes.
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Bruna Surfistinha
2.9 3,1K Assista AgoraRaquel Pacheco trilhou o caminho mais improvável – e tortuoso – para o objetivo que tinha em mente: o autoconhecimento, como ela mesma revela ao término do filme. Sob o pseudônimo de Bruna, acrescido do apelido de “surfistinha” pouco depois, a jovem de classe média abandonou família e estudos para ingressar no mundo da prostituição. O porquê não é explicado de maneira objetiva ou retratado como deveria no filme. O roteiro apenas nos mostra que era uma jovem deslocada – como na relação, brevemente retratada, com seus pais e irmão adotivos e os colegas de classe. A transformação de Raquel em Bruna e como esta atingiu o estrelato é o cerne da questão.
Deborah Secco é quem dá vida ao drama de Raquel/Bruna. Na fase escolar da personagem, a interpretação da atriz não é muito natural, passa insegurança. Mas Deborah cresce em atuação quando a vida sexual da agora Bruna tem início na casa de garotas de programa chefiada por Larissa (Drica Moraes), responsável pela melhor atuação do filme. A interpretação das colegas de profissão de Bruna também não deixa a desejar e a construção da relação delas com a protagonista enriquece o enredo.
O diretor Marcus Baldini, estreante, faz escolhas precisas – e felizes – que retratam a temática sexual sem recorrer à apelação, tecendo as inúmeras cenas de sexo em um fio condutor para compor o drama pessoal da personagem. Outro aspecto positivo é a preocupação da produção em tratar o tema de forma natural, sem preconceito ou juízo de valor. Oferece, em contrapartida, condições para o próprio espectador realizar seu julgamento moral. O longa é ousado, tem cunho erótico, mas em nenhum momento chega a ser explícito, muito menos puritano – ainda bem! Há excelentes sequências que trabalham bem com primeiro e segundo planos, imprimindo estilo com o uso do desfocado e de diversas angulações, principalmente em cenas “calientes”. No entanto, acaba pecando pelo excesso – há desfoque demais, alguns desnecessários. Uma das melhores sequências é a passagem por vários quartos com os programas de Bruna, assim que ela começa a “bombar” no prostíbulo.
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Cinema Paradiso
4.5 1,5K Assista Agora"O filme Cinema Paradiso é uma homenagem ao cinema". Este é o maior clichê dito e escrito sobre o filme, mas que o define superficialmente, e pode suprimir o grande potencial de emocionar e cativar que a película possui. Ao assistir ao filme, os cinéfilos imaginam ou relembram quando começou a própria paixão pelos filmes. Comparam as sessões da época retratada com as de hoje. Imaginam como seria entrar na cabine de projeção (eu mesma continuo na imaginação, já que o Cinemark, o Severiano Ribeiro e as outras empresas donas das salas de cinema de Brasília simplesmente ignoram meus pedidos). Refletem que a sala de cinema, mesmo com todos os transtornos atuais que as rondam, como preço do ingresso, pipoca velha, falta de educação das pessoas, ainda é um bom lugar para se estar.
Cinema Paradiso fala de amizade e paixão. Retrata a paixão de Toto, um garoto curioso e bem arteiro, pela arte do cinema. Mostra também a paixão de Alfredo, o projecionista, pelo seu trabalho, mesmo quando reclama da sua situação; ele diz não ter descanso (aliás, só folga na sexta-feira da Paixão). A alegria de Alfredo é ver e ouvir as pessoas rirem do filme que está sendo exibido. Ele sente como se ele mesmo as fizesse sorrir. Retrata também como o cinema é cativante a ponto de pessoas ficarem do lado de fora da sala por mais de três horas para esperar a sua vez. Toto cresce, vira diretor de cinema e deixa o passado na pequena cidade italiana em que nasceu e cresceu. Um acontecimento faz com que ele relembre toda a sua infância e onde a paixão pelo cinema começou.
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Sucker Punch: Mundo Surreal
3.4 3,1K Assista AgoraApós uma atitude desesperada que tem desfecho trágico, BabyDoll (Emily Browning) é internada em um manicômio para mulheres por seu padrasto. Por ela saber mais do que ele gostaria, o homem pede para que a garota seja lobotomizada (processo médico, no qual eles furam o cérebro do paciente com um ferro e fazem com que a memória seja perdida por causa da lesão). BabyDoll tem cinco dias para tentar escapar de virar um ser andante sem memória, e vai usar todos os artifícios que sua mente permitir para conseguir alcançar o objetivo. Bom, de maneira BEM rápida e resumida, essa é a história de Sucker Punch - Mundo Surreal. Vamos aos detalhes...
Quando eu falei que BabyDoll usa os artifícios de sua mente para tentar se safar de um futuro ruim, eu estava falando literalmente! O filme inteiro acontece dentro de uma alucinação da garota. Uma não, duas. Na "primeira camada" de alucinação, a garota se transfere de um manicômio para cabaré. Onde ela e as garotas Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens), Sweet Pea (Abbie Cornish) e Amber (Jamie Chung) bolam um plano para tentar se proteger e escapar do local, essa é o cenário onde grande parte da história se desenrola, os diálogo e discussões são todos na casa de dança. Os planos são executados sempre durante as apresentações de dança, e é aí que entra a "segunda camada" de alucinações.
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Pânico 4
3.2 2,7K Assista Agora“A tragédia da geração passada é piada para a próxima”, discursou o xerife Dewey (David Arquette), um dos mais desengonçados, ou melhor, mais incompetentes que já vi nos cinemas. Essa frase basicamente justifica o roteiro do filme de “terror” Pânico 4, mais de uma década após o lançamento da até então trilogia Pânico (1996, 1997 e 2000), que renovou o gênero e foi o pioneiro de uma série de filmes na mesma linha.
Pânico 4 vem com a proposta de dar um upgrade a estória sob o argumento de que uma nova década traz novas regras. Tenta, assim, contextualizar à sociedade atual, tentando perpassar os clichês e todos os truques já batidos há um bom tempo. E, claro, não consegue. Mas o interessante é notar que o próprio filme não se leva a sério e faz piada escrachada de si mesmo, de seus criadores (os mesmos de Jogos Mortais e Atividade Paranormal) e de todo o gênero terror/suspense. Na mesma linha da série, aqui também há metalinguagem e humor negro, só que numa dose mais exagerada. Lembram-se da série de besteróis americanos “Todo mundo em pânico?”, uma sátira deste filme? Pois é, Pânico 4 se aproxima bastante dessa linha, é uma tragicomédia, um terror trash, com doses absurdas de sangue e suspense exagerado, onde se tivermos dois momentos que assustem realmente o espectador é muito.
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Seven: Os Sete Crimes Capitais
4.3 2,8K Assista AgoraO filme policial/suspense mostra um serial killer que usa como critério de seleção os sete pecados capitais: gula, cobiça, preguiça, luxúria, vaidade, ira e inveja. . “Os pecadores morrendo pelo seu próprio pecado”. A coisa é tensa.
No elenco, Morgan Freeman e Brad Pitt como os detetives responsáveis pelo caso. Freeman é William Sumerset, um veterano à beira da aposentadoria, que já se desencantou da profissão. Pitt é David Mills, um novato agoniado, querendo mostrar serviço, casado com Gwyneth Paltrow que acabou de se mudar para a cidade grande.
O filme é simplesmente genial. O diretor David Fincher (que vai aparecer mais alguma vezes por aqui, já que ele também dirigiu Clube da Luta e O curioso caso de Benjamin Buton – será que gosta do Brad Pitt?) faz referência a clássicos da literatura mundial, como A Divina Comédia, de Dante, e textos de São Tomás de Aquino, para orientar o serial killer na “confecção” dos assassinatos.
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X-Men: Primeira Classe
3.9 3,4K Assista AgoraO filme X-men: primeira classe (X-men: first class) chegou aos cinemas brasileiros no último fim de semana para explicar como surgiu o maior grupo de heróis mutantes já visto no universo dos cinemas e dos quadrinhos. O filme, dirigido por Matthew Vaughn, consegue amarrar todas as pontas de história que ficaram soltas ao longo dos três filmes da franquia X-men lançados até hoje.
Mesmo o roteiro não sendo fiel à história original dos quadrinhos – que conta com diversos personagens alienígenas – ele consegue ligar pontos e fechar uma trama redonda e perfeitamente aceitável ao público dos cinemas, ficando na medida certa entre realismo e fantasia do universo mutante.
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Estamira
4.3 379 Assista AgoraEsta é a Estamira. Estamira está em todo lugar.
O documentário leva o nome da personagem que se diz portadora da verdade. Aos 63 anos é catadora de lixo no aterro sanitário Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro (sim, o mesmo de o Lixo Extraordinário). Diagnosticada com problemas mentais, Estamira possui uma lucidez, uma visão de mundo invejável a qualquer pessoa "normal".
Nó na garganta. Inquietação. Esses sentimentos vão acompanhar o espectador durante todo o filme. Seja vendo os urubus "tomando banho", as montanhas intermináveis de lixo, vendo ela preparar a comida para a família com macarrão e palmito em conserva que ela achou, vendo o chorume borbulhando ou com as incansáveis moscas que rodeiam o lixo e quem está no meio dele.
Talvez ela nunca tenha sido uma pessoa plenamente sã, mas a vida também não colaborou muito. O avô a levou para prostituição aos 12 anos. O marido, de acordo com a filha, mesmo gostando muito dela, a tratava mal e tinha casos na rua (às vezes trazia os casos para dentro de casa). O marido, então, colocou Estamira e a filha para fora de casa. Chegou a ser estuprada duas vezes. Acontecimentos que ela julgava ser uma provação de Deus. Aos poucos as frases dela deixaram de fazer sentido para os familiares.
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Meia-Noite em Paris
4.0 3,8KPara começar, um resumo da história: Gil (Owen Wilson) é um roteirista (ligeiramente frustrado) de Hollywood e que está tentando escrever um romance. Ele está noivo de Inez (Rachel Adams). O casal, que "concorda apenas nos pequenos detalhes" está passando férias em Paris com a família da moça. Gil é do tipo saudosista, que sente saudade daquilo que não viveu, que sonha como seria viver na Paris da década de 20. Um dia, meio de pilequinho (e perdido), ele senta em uma escadaria. À meia noite, o seu maior sonho vira realidade: Paris volta no tempo, exatamente para a década de 20. Ele tem a chance de estar no círculo de escritores e artistas mais influentes da época, e até atualmente, como Hemingway, Scott Fitzgerald, Luis Buñuel, Picasso, Salvador Dali (rinoceronte!) e váriso outros.
A primeira coisa que você pode pensar é: "HÃ? Voltar no tempo?" . Sim, voltar no tempo. Um outro diretor talvez não conseguisse levar a trama adiante, mas eu estou falando de um filme de Woody Allen, meus caros e minhas caras. Ele consegue fazer os espectadores comprarem a ideia e, de repente, o absurdo não parece absurdo. Woody Allen mestre nisso.
Quando vi o elenco, fiquei meio receosa com Owen Wilson. Mas, incrivelmente, ele encarnou o personagem e o próprio diretor. Gil tem tiques, gagueiras, verborragia momentânea. Ele conseguiu captar até o modo de falar típico de Woody Allen. Aliás, mesmo sem a presença física do diretor diante das telas, é bem fácil perceber a presença dele durante todo o filme: seja no enquadramento de Paris, nos diálogos dos personagens e até quando Gil chama um outro cara de "pseudointelectual".
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Minha Bela Dama
4.0 362Flores e concreto: um lembra delicadeza e beleza, outro rigidez e imponência, ambos nobres de sua forma. Em My Fair Lady, esses dois elementos são constantes, visualmente e o confronto entre ambos também. O filme, de 1964, ganhador de 8 Oscar, é uma adaptação de um famoso musical da Broadway. E nas suas quase três horas de duração nos envolve com diálogos memoráveis e diverte com números musicais, e com a destrambelhada Eliza Doolittle, vivida por Audrey Hepburn.
Eliza Doolittle é uma espevitada vendedora de flores das ruas de Londres, a qual o arrogante professor de fonética, Henry Higgins, (Rex Harrison) tenta transformar em uma dama da alta sociedade. Não há como não elogiar todo o elenco do filme, e principalmente atuação de Harrison, o ator já fazia o papel na Broadway, e ganhou o Oscar de melhor ator. Seus números musicais são quase falados, e de uma beleza enorme. Se Rex brilha por sua atuação, Audrey, além disso, apresenta, como sempre, sua beleza e elegância. Inicialmente, o papel deveria ser de Julie Andrews, pois ela fazia a personagem na Broadway, porém Audrey ganhou o papel, para nossa (minha) felicidade.
Justamente pela elegância natural de Audrey, é difícil imaginá-la como uma desajeitada vendedora de rua, acredito que esse foi um dos maiores desafios da atriz. Pelo fato de ser um musical, e ter um toque de comédia, Audrey ficou bem mesmo fazendo uma caricata moça, em um filme mais dramático não sei se teria o mesmo sucesso.
Fato é, que se você está acostumado com a Hepburn de Bonequinha de Luxo, assistir My Fair Lady vai lhe mostrar uma outra faceta dela.
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Planeta dos Macacos: A Origem
3.8 3,2K Assista AgoraQual o começo de uma história que já é conhecida? Esse é o mote principal do filme. Ignorando a entrega de 2001 de Tim Burton, a película começa com uma crítica velada às indústrias farmacêuticas que apenas se importam com os lucros. E é dito numa cena que o importante é o lucro que a empresa logrará e o sucesso que o cientista Will Rodman (James Franco) fará.
Os efeitos especiais são usados pra contar a história e não a torto e a direito como temos vistos nos últimos tempos. Não são necessárias explosões e afins para se fazer uma história interessante e paupável.
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Mary Poppins
4.0 621 Assista AgoraBons tempos eram aqueles que na Sessão da Tarde passava Mary Poppins (1964). A babá que chega para a entrevista de emprego voando com uma sombrinha. Bonita, educada e cativante: assim é a nossa principal personagem.
Mary Poppins (Julie Andrews) lê o anúncio que o pai jura ter colocado no Times (adoro essa referencia do bom e tradicional jornalismo). Mas que surpresa ao ver que o anuncio quem escreveu foram as crianças. Ela lê e diz quais são as características que se pedem e como ela se porta frente aos meninos. As folgas são nas terças, a cada duas semanas. E começa na mesma hora. Jane e Michael ficam surpresos e felizes, será a babá dos sonhos deles.
Ah, e a bolsa à la gato Felix, que cabe tudo?
"Não julgue as coisas pelas aparencias. Muito menos uma mala de viagens", diz assim a srta Poppins às crianças. Será que foi daí a idéia da bolsa que Hermione Granger usa em Harry Potter e as Relíquias da Morte? Será ela uma fada ou uma bruxa? A menina a acha fabulosa. O menino tem um pouco de medo.
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O Homem do Futuro
3.7 2,5K Assista AgoraVoltar no tempo e no espaço para mudar o futuro – ou melhor, o presente – e consertar erros, que parecem cada vez maiores. A cada tentativa, sérias consequências. É com essa premissa, que não parece nem um pouco inovadora, vide De Volta Para o Futuro e Efeito Borboleta, que O Homem do Futuro se estabelece e consegue construir um roteiro bem amarrado e até interessante – apesar da sensação de deja vu por vezes nos visitar durante a sessão.
Com uma direção segura e um roteiro que dosa muito bem a mistura de ficção científica com comédia romântica, Claudio Torres mostra todo o talento que está no sangue (ele é filho da Fernanda Montenegro e Fernando Torres, e irmão da Fernanda Torres, a eterna Vani de Os Normais). Nem preciso mencionar a mais uma vez excelente atuação de Wagner Moura, que dá vida a Zero, um cientista nerd, gago, estressado e infeliz que, na tentativa de criar uma nova fonte de energia, acaba inventando uma máquina do tempo e voltando ao ponto determinante de sua trajetória, o dia de seu maior infortúnio: o baile à fantasia em que a musa da faculdade, Helena (Alinne Moraes), causa sua derrocada.
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A Invenção de Hugo Cabret
4.0 3,6KAcostumado a filmes voltados para o público adulto, Martin Scorsese se aventura pela primeira vez – em mais de 40 anos de carreira – na direção de um infanto-juvenil e acerta perfeitamente a mão. Em uma bela homenagem à sétima arte, A Invenção de Hugo Cabret é um filme completo. Tanto na técnica quanto em questões artísticas, o longa faz jus a cada uma das 11 cantegorias no qual foi indicado ao Oscar 2012.
Equilíbrio é a palavra de ordem. As sequências são dividas na medida certa entre drama, humor e ação. Cada um dos momentos é perfeitamente amarrado ao próximo e o que surge é a vontade cada vez maior por mais uma parcela do mistério, oferecido em doses homeopáticas até que se chegue ao clímax.
Scorsese não mede esforços em enaltecer sua paixão pelo cinema e sua admiração pela leitura, e impressiona pelo cuidado gasto em tais quesitos, é perceptível que tudo foi amplamente pensado.
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Anastasia
3.9 839 Assista AgoraO filme Anastasia faz 15 anos em 2012! Antes de começar a falar da linda animação vamos deixar uma coisa bem clara aos desavisados: Anastasia NÃO É UM FILME DA DISNEY, obrigada. É isso, nem todas as princesas são da Disney.
Agora, porque Anastasia é tão bom? Primeiro, porque ela é uma princesa sem frescura (eu tenho agonia das princesas clássicas da Disney, que fique registrado). Segundo, porque as músicas são sensacionais - consigo cantarolar Once Upon A December mesmo meses depois de ver o filme. Terceiro, o roteiro da animação não tem nada de bobo e ao mesmo tempo consegue ser ultra leve, divertido e fácil de acompanhar. Vale à pena sentar para uma sessão nostalgia (lembrando que o filme foi produzido da maneira tradicional: lápis e papel).
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Marty
3.9 72 Assista AgoraEm época de foreveralonismo, Marty nos ensina que toda panela tem a sua tampa, mesmo que ela não seja das mais bonitas, ou mais caras, ou mais reluzentes, ou whatever.
Marty Piletti é um açougueiro de 34 anos que mora com a mãe e acha que mulher nenhuma vai se interessar por ele. (#foreveralone nível crítico). "Tenho procurado uma garota todas as noites de sábado da minha vida", diz ele, em certo momento.
- Por que não se casou ainda, Marty?
Nem ele sabe. Ele é um bom rapaz, com um bom emprego, gentil, que cuida da mãe. Mesmo conformado com a própria situação, ele tenta se encaixar numa sociedade que exige que um homem forme uma família, tenha uma bela esposa, vários filhos e uma vida estável.
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W.E.: O Romance do Século
3.5 375 Assista AgoraO argumento do filme exala a filosofia 'Madonniana' de vida, que prega a mulher forte, influente, que precisa se libertar para ser feliz (Wally moderna). E também aborda o lado da história não contada, da mulher que abre mão da sua vida mas que não tem isso reconhecido (Wallis da década de 30). O filme mostra mulheres que causaram, assim como nossa querida Madonna.
Sem precisar brincar de fazer participações, a cara de Madonna está em toda parte. Sua essência exala a cada minuto do filme. E para quem pensa que W.E. vai ser só um romancezinho qualquer, prepare-se para algum um pouco mais forte. O filme usa muito bem as cenas triviais e leves, mas tudo isso é para desarmar o espectador de duas cenas extremamente marcantes de violência doméstica. Cenas essas que chegaram a me deixar com taquicardia.
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Raul - O Início, o Fim e o Meio
4.1 711Como você classifica a sua música?” “Raul Seixismo”, respondeu, sem modéstia, um dos maiores ícones do rock brasileiro e também um dos responsáveis por alçar o gênero no país, negando, assim, qualquer conotação de protesto em suas canções.
A declaração consta no documentário Raul: o início, o fim e o meio, dirigido por Walter Carvalho (irmão do consagrado diretor Vladimir Carvalho, de ‘Rock Brasília’), que, em pouco mais de duas horas, conta a trajetória do astro baiano, que conquistou o Brasil nos idos da década 1970. Quem não é fã de Raul ou pouco o conhece, facilmente sairá fascinado pelo grande artista. Quem já é fã, ficará extasiado durante e após a projeção.
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