A gente precisa do outro para acessar nossa própria dor. Misaki é testemunha do luto de Kafuku. Kafuku é testemunha da solidão de Misaki. Ambos compartilham de uma dor que fala mais alto que as palavras. Duas vidas desgraçadas que, através do encontro, se curam.
Sofia Kappel merece um carinho muito especial por sua atuação. Não é um trabalho fácil e ela transmite com muita naturalidade todas as sensações de sua personagem sem verbalizá-las. Foi um filme difícil de assistir. É bastante desagradável ver o lugar em que essas mulheres estão, de extrema vulnerabilidade, solidão e na busca de um reconhecimento que só chega às custas de ultrapassar todos os limites do próprio corpo e da saúde mental. Mesmo sabendo que a pornografia nunca vai acabar, é necessário compreendermos os fenômenos que a indústria pornográfica produz e o quão nocivos eles são principalmente para as mulheres. É uma indústria que perpetua estereótipos femininos e masculinos e destitui de suas atrizes o direito ao próprio corpo, visto aqui apenas como objeto de negócios. Negócios realizados e comandados por homens que estão em um lugar muito confortável. No final das contas, são os únicos que saem realmente ganhando com essa maquinaria de absurdos. E por isso nada muda.
representada pela mesma atriz que faz a Maxine. Mostra perfeitamente que são as mesmas pessoas mas uma, por ser jovem, é desejada, sexualizada e a ela é também dado o direito de desejar. Pearl, por outro lado, possuidora do mesmo corpo que Maxine - mas dessa vez envelhecido - tem sua sexualidade negada, é vista com repulsa e, com isso, é também desumanizada. Para Pearl, desejar já era um crime.
Quando se está diante de uma sociedade com feridas abertas, as dores dos sujeitos representam uma renúncia ao esquecimento dos horrores sociais. Bagalov encarna em Iya e Marsha o exercício de singularização de uma história que não dá conta de ser significada apenas através de uma narrativa dos vencidos e derrotados nas batalhas da guerra. É necessário dar um zoom, olhar literalmente nos olhos. E é através das emoções que esses olhares nos transmitem que somos capazes de apreender o sentido do ocorrido.
Assim como a maioria das pessoas, conheci Mapplethorpe através da Patti Smith, em Just Kids e, desde então, sou apaixonada por esse artista. Totalmente original, destemido, trangressor e cool. Sua obra não é isenta de certas problematizações, mas existe algum artista relevante cuja obra não provoque tensões? Além dele ter sido responsável pela capa de um dos melhores álbuns do mundo, de ter fotografado grandes artistas de sua época, seu impacto na cultura pop se manifesta principalmente em sua estética que emana a busca pela boa forma e pelo erotismo constituído a partir do conflito entre o profano e o sagrado. Brilhante, foda. Não é fácil bancar ser aquilo que se é e disso Mapplethorpe nunca abriu mão. Sua arte carrega a pungência daquilo que conforma nossa subjetividade, a verdade mais radical da nossa existência - nossos desejos. Nada mais provocador que sustentar, materializar, eternizar e expor ao mundo nossos desejos mais marginais.
Não é uma obra imperdível, tem um roteiro meio bagunçado, personagens descartáveis e bastante misoginia velada em algumas escolhas do roteiro. Ainda assim, há coisas a serem apreciadas aqui. Gosto dessa atmosfera que exala estranheza durante todo o filme de tal forma que o próprio espectador sinta-se tão perdido quanto todo mundo ali. Atribuo isso à sensibilidade do Trier de captar com bastante acuidade esse senso de inadequação de si na relação com o outro. Além disso, como boa existencialista que sou, tenho uma quedinha pela angústia, e isso Reprise tem de sobra. Vou insistir na trilogia e espero mais dos próximos.
Almodóvar fazendo o que faz de melhor: subverter as expectativas dos símbolos que cristalizamos em nosso imaginário social. Quando que eu ia imaginar um cenário no qual
Esse filme é perfeito para o que ele se propõe. Pedagógico, até. É muito poderoso que quando cada um resolve falar sobre seu trauma, expõe as fissuras da Instituição e canaliza sua dor em uma postura bastante revolucionária. Gosto como o filme expõe o perigo do não dito em todos os núcleos. Vivenciar um acontecimento terrível como esse sem enxergar a possibilidade de compartilhar essa dor, seja por negligência dos outros ou medo de ser desacreditado, é quase tão adoecedor quanto o evento em si e, às vezes, até fatal. Sem esse movimento de coletivização do sofrimento, o agente adoecedor vai continuar atuando como um aspecto cultural normatizado, mesmo que velado. Daí a importância também de sermos honestos com as próprias crianças sobre suas vulnerabilidades. Apesar de amargo, Grâce à Dieu é muito realista. Não adianta um sacerdote ou outro ser afastado/preso pelos crimes que comete. Para que uma mudança realmente paradigmática ocorra, é necessário que a Igreja assuma-se como principal protagonista desse problema - e de sua solução.
Apesar das ressalvas que eu tive com relação ao filme (tédio, preguiça dos diálogos, preguiça do Malcon, preguiça da Marie afundando a cabeça na banheira - eu não aguento mais o clichê delas afundando a cabeça na banheira) acho que é um ótimo material para análise subjetiva de relações que se mantêm a partir desse tipo de tensão. O jogo do "eu te humilho, você me humilha e depois a gente se ama" é exaustivamente repetitivo, mas é no cansaço que a gente consegue perceber o nível de toxicidade dessa relação. O julgamento fica por nossa conta. Não há vilões. Ambos jogam o mesmo jogo, cada um encontrando sua própria justificativa para continuar perpetuando esse ciclo de paixão e ódio.
É tão bonito o que Nazareth faz com sua arte. Essa capacidade de falar de suas dores sem ficar ensimesmada, falar de si a partir do "Outro", trazendo sempre como referencial o coletivo. Amo demais seu trabalho.
Juntos
3.3 389O tanto de red flag que essa mulher ignorou...
Guerreiras do K-Pop
3.7 211 Assista AgoraElas nunca ouviram falar de auto-tune?
Faça Ela Voltar
3.8 755 Assista AgoraA falta que faz um Estatuto da Criança e do Adolescente num lugar desses...
Extermínio
3.7 1,1K Assista AgoraAgora eu entendi porque eu gostei tanto da primeira temporada de The Walking Dead
Eu Sei Que Vou Te Amar
3.6 157 Assista Agoraeu sou esse filme
A Hora da Estrela
3.9 585 Assista Agora"Eu gosto mesmo é de passear de metrô nos dias de domingo"
Entreatos
4.0 77 Assista Agora"briga de galo não é você que briga, porra"
O Acontecimento
4.0 88 Assista Agora"Tava doente?"
"Uma doença que só atinge as mulheres, transformando-as em donas de casa"
OUCH!!!
Cordeiro
3.3 594 Assista Agorapobrezinha da Ada, vai crescer bugadíssima das ideia... haja análise pra cabrinha
Drive My Car
3.8 419 Assista AgoraA gente precisa do outro para acessar nossa própria dor. Misaki é testemunha do luto de Kafuku. Kafuku é testemunha da solidão de Misaki. Ambos compartilham de uma dor que fala mais alto que as palavras. Duas vidas desgraçadas que, através do encontro, se curam.
Pleasure
3.4 123 Assista AgoraSofia Kappel merece um carinho muito especial por sua atuação. Não é um trabalho fácil e ela transmite com muita naturalidade todas as sensações de sua personagem sem verbalizá-las.
Foi um filme difícil de assistir. É bastante desagradável ver o lugar em que essas mulheres estão, de extrema vulnerabilidade, solidão e na busca de um reconhecimento que só chega às custas de ultrapassar todos os limites do próprio corpo e da saúde mental.
Mesmo sabendo que a pornografia nunca vai acabar, é necessário compreendermos os fenômenos que a indústria pornográfica produz e o quão nocivos eles são principalmente para as mulheres. É uma indústria que perpetua estereótipos femininos e masculinos e destitui de suas atrizes o direito ao próprio corpo, visto aqui apenas como objeto de negócios. Negócios realizados e comandados por homens que estão em um lugar muito confortável. No final das contas, são os únicos que saem realmente ganhando com essa maquinaria de absurdos. E por isso nada muda.
X: A Marca da Morte
3.4 1,3K Assista Agoraachei maravilhoso que a idosa é
representada pela mesma atriz que faz a Maxine. Mostra perfeitamente que são as mesmas pessoas mas uma, por ser jovem, é desejada, sexualizada e a ela é também dado o direito de desejar. Pearl, por outro lado, possuidora do mesmo corpo que Maxine - mas dessa vez envelhecido - tem sua sexualidade negada, é vista com repulsa e, com isso, é também desumanizada. Para Pearl, desejar já era um crime.
Deserto Particular
3.8 193 Assista AgoraEsse filme tem cheiro de cerveja e gosto de lágrimas.
Spencer
3.6 577 Assista AgoraSimplesmente Jonny Greenwood!!!
Uma Mulher Alta
3.8 113 Assista AgoraQuando se está diante de uma sociedade com feridas abertas, as dores dos sujeitos representam uma renúncia ao esquecimento dos horrores sociais.
Bagalov encarna em Iya e Marsha o exercício de singularização de uma história que não dá conta de ser significada apenas através de uma narrativa dos vencidos e derrotados nas batalhas da guerra. É necessário dar um zoom, olhar literalmente nos olhos. E é através das emoções que esses olhares nos transmitem que somos capazes de apreender o sentido do ocorrido.
Mapplethorpe: Olhe as Fotografias
4.4 16"So, he was a devilish guy"
Assim como a maioria das pessoas, conheci Mapplethorpe através da Patti Smith, em Just Kids e, desde então, sou apaixonada por esse artista. Totalmente original, destemido, trangressor e cool. Sua obra não é isenta de certas problematizações, mas existe algum artista relevante cuja obra não provoque tensões?
Além dele ter sido responsável pela capa de um dos melhores álbuns do mundo, de ter fotografado grandes artistas de sua época, seu impacto na cultura pop se manifesta principalmente em sua estética que emana a busca pela boa forma e pelo erotismo constituído a partir do conflito entre o profano e o sagrado. Brilhante, foda. Não é fácil bancar ser aquilo que se é e disso Mapplethorpe nunca abriu mão. Sua arte carrega a pungência daquilo que conforma nossa subjetividade, a verdade mais radical da nossa existência - nossos desejos. Nada mais provocador que sustentar, materializar, eternizar e expor ao mundo nossos desejos mais marginais.
Começar de Novo
3.6 59 Assista AgoraNão é uma obra imperdível, tem um roteiro meio bagunçado, personagens descartáveis e bastante misoginia velada em algumas escolhas do roteiro. Ainda assim, há coisas a serem apreciadas aqui. Gosto dessa atmosfera que exala estranheza durante todo o filme de tal forma que o próprio espectador sinta-se tão perdido quanto todo mundo ali. Atribuo isso à sensibilidade do Trier de captar com bastante acuidade esse senso de inadequação de si na relação com o outro. Além disso, como boa existencialista que sou, tenho uma quedinha pela angústia, e isso Reprise tem de sobra. Vou insistir na trilogia e espero mais dos próximos.
O Ódio
4.2 351 Assista Agoraliberdade, igualdade e frat... não, pera!
Maus Hábitos
3.6 189Almodóvar fazendo o que faz de melhor: subverter as expectativas dos símbolos que cristalizamos em nosso imaginário social. Quando que eu ia imaginar um cenário no qual
uma freira toca batuque para um tigre enquanto o alimenta e outra que usa heroína e tem colado na parede um pôster da Brigitte Bardot?
Só Almodóvar <3
Hedwig: Rock, Amor e Traição
4.2 261O mito de Aristófanes representado em the origin of love é a coisa mais maravilhosa pqp, bom demais !!! Só amor pela Hedwig.
Graças a Deus
3.8 84 Assista AgoraEsse filme é perfeito para o que ele se propõe. Pedagógico, até.
É muito poderoso que quando cada um resolve falar sobre seu trauma, expõe as fissuras da Instituição e canaliza sua dor em uma postura bastante revolucionária. Gosto como o filme expõe o perigo do não dito em todos os núcleos. Vivenciar um acontecimento terrível como esse sem enxergar a possibilidade de compartilhar essa dor, seja por negligência dos outros ou medo de ser desacreditado, é quase tão adoecedor quanto o evento em si e, às vezes, até fatal. Sem esse movimento de coletivização do sofrimento, o agente adoecedor vai continuar atuando como um aspecto cultural normatizado, mesmo que velado. Daí a importância também de sermos honestos com as próprias crianças sobre suas vulnerabilidades.
Apesar de amargo, Grâce à Dieu é muito realista. Não adianta um sacerdote ou outro ser afastado/preso pelos crimes que comete. Para que uma mudança realmente paradigmática ocorra, é necessário que a Igreja assuma-se como principal protagonista desse problema - e de sua solução.
Malcolm & Marie
3.5 312 Assista AgoraApesar das ressalvas que eu tive com relação ao filme (tédio, preguiça dos diálogos, preguiça do Malcon, preguiça da Marie afundando a cabeça na banheira - eu não aguento mais o clichê delas afundando a cabeça na banheira) acho que é um ótimo material para análise subjetiva de relações que se mantêm a partir desse tipo de tensão. O jogo do "eu te humilho, você me humilha e depois a gente se ama" é exaustivamente repetitivo, mas é no cansaço que a gente consegue perceber o nível de toxicidade dessa relação. O julgamento fica por nossa conta. Não há vilões. Ambos jogam o mesmo jogo, cada um encontrando sua própria justificativa para continuar perpetuando esse ciclo de paixão e ódio.
Não Olhe para Cima
3.7 1,9K Assista Agoraamei o documentário, nota 10
Gilete Azul
3.8 1É tão bonito o que Nazareth faz com sua arte. Essa capacidade de falar de suas dores sem ficar ensimesmada, falar de si a partir do "Outro", trazendo sempre como referencial o coletivo. Amo demais seu trabalho.