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Aracaju - (BRA)
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Baseado em 0 avaliações em comum

Últimas opiniões enviadas

  • Cristian O. SANTOS

    Alguém lembra da piada contida na sequência de “Apertem os cintos, o piloto sumiu!” que esbanjava o cartaz de um Rocky bem velhinho enquanto este só tinha a parte III nos cinemas? Pois é, observar a carreira de Stallone me fez perceber que na ausência de originalidade, até uma anedota acaba virando profecia. Mas ao contrário de Rocky, personagem edificante e facilmente reajustável, Rambo sofre de anacronismo – por sinal, algo já sentido no seu quase desfecho de 2008 e que “Last Blood” até faz uma melhor adaptação dessa assimetria. Entretanto, para chegar nisso, acaba encontrando também a flagelação de sua identidade. Melhor seria se as referências usadas durante o merchandising fossem inseridas contextualmente no filme para aprimorar o panorama de atualização, assim não apostaria tanto numa relativa afetividade saudosista. Do jeito que está não é Rambo, e sim uma produção bem ruim do Stallone.

    Como originário da década de 80, tive e tenho devoção pela representatividade arquétipo simbólica do personagem dentro da cultura cinematográfica escapista dessa mesma época. Obviamente não seria pelo que o personagem é no livro, já que ele morre por lá mesmo, mas como este sai do lastro anti-heroico literário para se tornar um dos poucos super-homens que fazem a extrema questão de morrer pela causa. Isso porque Rambo “era um filme honesto, ainda que reacionário” (SET, 1996), por isso mesmo não deixa de ter uma inocência intrínseca apesar de toda sua hostilidade. só que o mundo é tão demagógico que conseguiu esvaziar ou redirecionar aquele que seria o único herói apolítico e subversivo da história. E o próprio “Sly” comprova que não assimilou a formula anterior desse sucesso – talvez isso sirva para compreender sua obsessão em justificar os atos práticos em todos os seus filmes, por meio daquilo que ele percebe como o bem extraído da expurgação de um mal exagerado. Ele, como todo norte-americano “crente em Macdonald`s” (SET, 1993), ainda não entendeu que só a pureza feminina não serve mais como combustível. Rambo é programado e não nascido para matar. Sendo assim, não funciona tão bem como um desajuste contrário ou integrante da perversão de uma natureza humana, mas sem dúvida é o relutante de um sistema hipócrita, coercitivo e que se corrompe. Da maneira que ficou não seria surpresa se o presidente Trump, amigo dele, o catapultasse novamente como um involuntário garoto propaganda de suas empreitadas, mesmo que o filme contenha uma rápida cena sobre a questão da fronteira mexicana expirando para si, a negação disso. Aliás, se insistisse nessa pegada temática, teria sido muito mais expressivo.

    Considero muito fraco por ser extremamente broxante uma vez que os elementos estão lá, ainda que não funcionem – o fluxo feminino não agrega nada ao filme, tudo soa forçado e está carregado de diálogos toscos que não o ajudam. Sobre a atriz Paz Vega, não tem sentido que a sua presença tenha sido só isso, porque se “foi”, não tem como dissociar tudo que foi visto como uma picaretagem proposital. O arremedo de estória/ roteiro é desprezível, mas a sensação é que houve uma estratégia equivocada na edição para que o deixasse bem curto e aí o resultado do que foi entregue, saiu com a aparência de resquício de algo maior e melhor que poderia ter sido. Transparece também que existiu um esforço para que fosse uma produção barata, o que é algo louvável e não atrapalha até certo ponto, mas é preciso cautela prescrevendo a qualidade acima de tudo - porque fazer de qualquer jeito é transformar interesse pessoal em desrespeito, nesse aspecto, um trato inconcebível do Stallone com o personagem.

    No fundo, mais um filme do Rambo era para ser um controverso suprassumo, mas soa como um verdadeiro tiro pela culatra, quase brega e que morre abraçado na violência para satisfazer sabe-se lá quem. Como não conseguiu uma linguagem visceral, passa do ponto e vai direto ao nível da ridicularização, e, acreditem, está uma “fanfarrice” pior que a parte III (SET, 1988). E apesar do leve resgate da faceta sociopata, a essa altura, tecer para si uma vilania carismática é totalmente decepcionante. Não vou afirmar que não soube se finalizar, pois tem uma serenidade condizente com a proposta. Pena que faz isso sem ter no mínimo uma grande cena e sem um bom ensejo motivacional. Como termina antes mesmo de começar, o que ficará na mente será o último resmungo de um velho que mata até hoje porque talvez ninguém lhe ensinou ainda a jogar bingo... mesmo assim, ontem, conseguiu me fazer ser o primeiro da fila de sua primeira sessão.

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  • Cristian O. SANTOS

    Foi chato não gostar deste filme, me senti péssimo porque torci muito por ele. Infelizmente, mesmo com o deslumbrante visual, o resultado entregue é uma historinha bem preguiçosa. “Laços” prometia uma adaptação zelosa e respeitosamente sensível, porém, gira numa pieguice demasiadamente irritante - na atualidade até vejo como justificável, e nem tanto pela falta de carisma de alguns dos meninos, mas não o vejo proporcionando empatia por nenhuma diversidade etária (saudades de “Menino Maluquinho”). Se fez relativo sucesso no cinema, provavelmente se deve ao esforço de pais que ainda buscam o resgate de uma velha puerilidade de outrora. Ou seja, nada que já não houvesse sido experimentado nos “Carrosséis” anteriores da vida.

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  • Cristian O. SANTOS

    Antes de mais nada, para aqueles que tiverem a possibilidade de escolha, peço que atentem para a sua versão legendada, pois com certeza esse detalhe fará muita diferença. Acredito até que minha desatenção sobre esse quesito, desatinou parte do filme e tornou uma das cenas mais duvidosas desinteressante e maléfica para o conjunto sequente, inclusive de sua totalidade. Na verdade, a reunião ou a própria cooptação do grupo mercenário tem caricatura proposital por ser justamente uma ridicularização recorrente em cima da expropriação fílmica que sofremos em troca de conteúdos vazios e repetitivos, mas que são hegemonicamente nos empurrados forçosamente de goela abaixo.

    Não só corroboro bem com a crítica ilustrada, como BACURAU me fez voltar no tempo para fazer a releitura de uma alegoria que escrevi inspirada pelo manifesto “Eztetyka da Fome” do saudoso Glauber Rocha que foi intitulada, dez anos atrás, como A BATALHA DE LAMPIÃO vs. RAMBO - olhem que isso é o melhor spoiler que alguém poderia oferecer. Só que minha cumplicidade pode não ser percebida pela nota que ajuizei no Filmow, feita como lapso de sobriedade não muito condizente com a satisfação gerada pelo testemunho de tal obra no cinema, uma vez que o vigor narrativo e a genuinidade interpretativa são sempre presenciais nos filmes do Kleber Mendonça. Lembrado somente que o filme não precisa ser perfeito para ser eficiente ou talvez memorável.

    O problema é que a completude não foi feita por conta de certos deslizes com a história, que provavelmente podem ter sido causadas pelo dilatamento extensivo de suas filmagens. Além disso, também, não compro certas concepções que o catapultam como um produto de gênero multifacetado, ou, de distopia futurista?! quando se tem como contraponto passagens, ainda que atemporais, carregadas de problematizações cíclicas e corriqueiras. Ou seja, no máximo seria um futuro do passado bem presente. Ao mesmo tempo também renego as insistentes queixas em cima da propagação das aparelhagens tecnológicas numa região tão inóspita, porque tal detalhe é uma contradição colateral da globalização da mesma forma como a Coca-Cola se acomoda nocivamente na África. Aliás, sobre outra insistência, a não ser que a referência tenha sido dita pelo próprio diretor, algo que já seria um equívoco, o quê que isso tem a ver com Tarantino? Essa associação muito me parece um reflexo inconsciente de certo estigma que o filme tenta refutar, fixamos em desdizer, mas que no fundo não passa de pura inveja que pleiteia a inversão de um ser/estar. Revejam OS FUZIS ou DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL, com urgência!

    Aproveitando o filme, fico muito desiludido com a atual conjuntura brasileira que persiste em não avaliar a arte por meio de sua própria viela meritocrática, para transformar o prazer apenas do contemplativo em fomentações politicas ideológicas improdutivas. E olhe que ironicamente são em cidades interioranas do Brasil como a que está sendo retratada aqui, que são bem conhecidas por certo fanatismo político partidário. Mas com certeza a mensagem é bem o oposto disso, ou melhor, fica bem claro qual apologia se pretende ressoar quando este faz valer quem são os verdadeiros inimigos do povo. Agora, assim como a pobreza pode consolidar a ignorância invisível, a riqueza também não anula a potência de uma imbecilidade. Portanto, deixem o Filmow fora dessa briguinha porque ele não merece ser plataforma de conflitos que no fundo não passam da mesma velha batalha da hipocrisia contra o conservadorismo ressurgido de certos caras-de-pau. BACURAU não é filme para quem finge que briga por direitos de quem é “gente”, mas é cinema em puro estado de revolta. Nesse quesito, até Taratino continua fazendo filme para imperialistas muito bem mimados.

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