“Quando não há palavras para a dor, deixe sua imaginação transformar o que você sabe.” Essa é uma das frases que pairam sobre as cenas. Nos tempos de elaborar talvez. Sim, o filme é bem pesado. A Cronologia da Água conta uma história crua, contundente, doída, filmada com inteligência e com a sutileza de quem está sob a água, ora prestes a se afogar, ora prestes a nascer. A fotografia é belíssima, os momentos atrozes se dissipam nos closes. Não dá pra entender tudo muito bem, que nem no atordoamento de uma violência. O filme transforma experiência bruta em matéria sensível: o não dito, o que não pode ser dito, o que foi dito e esquecido, o que não era para ser dito. Nem visto.
Filme lindo… Tem delicadeza nos mínimos detalhes, nos olhares, nos sorrisos, nos pensamentos quase lidos, adivinhados… ótimas atuações, e uma profundidade que talvez só quem passou por situações parecidas consiga reconhecer. Houve quem dissesse que era lento e entediante. Mas sabe aquela do Poetinha? “Passou pela vida, não viveu”. Mergulhei nele, nem senti o tempo passar.
A experiência do luto que recusa um apaziguamento narrativo da perda. Perda que não é tratada como evento a ser superado. A atuação do menino sustenta essa dimensão do enigma: há algo ali que antecede a significação, uma presença que já é potencialmente uma ausência. O filme me arrebatou. Ele parecia me dizer que o luto não é sobre apagar quem partiu, é sobre encontrar um modo de fazer sua falta existir. Que a sublimação não apaga a dor, ela nasce dela. Não é uma fuga, é um destino. Que a escrita ali é um trabalho psíquico, pra dar um contorno ao real que não se pode suportar. A gente acompanha um lento e doloroso trabalho do luto, do desligamento libidinal, mas tem algo além que se manifesta: a persistência do irrepresentável, aquilo que nunca se elabora por completo.
Filme forte que acompanha a maternidade em condições de muita precariedade e violência simbólica. A narrativa mostra como o patriarcado atravessa o cuidado, o trabalho e os afetos, deixando para a mulher uma responsabilidade total e solitária. A perspectiva é crua e política, sem romantizações.
Não há uma verdade factual que nos liberte do desconforto; o que fica é a sensação de que há algo no ar, um pressentimento, uma intuição que se recusa a ser nomeada, mas que se faz sentir com uma força. O filme nos convida, ou talvez nos força, a habitar esse espaço de “não saber”, em que a certeza é uma miragem, e a dúvida, um fardo que a gente acaba carregando, mostrando a complexidade de nossa alma, sem respostas. Meryl Streep é um peso forte na balança deste filme.
Lindo esse filme. Através de Julie, camadas e camadas de profundidade em questões existenciais e dilemas da vida adulta contemporânea, tratando de temas como a busca por propósito, a liberdade e o peso das expectativas sociais, o medo de fazer escolhas erradas. Mais do que isso, a narrativa se aprofunda em aspectos muito delicados da experiência humana, como o medo da morte e as complexidades da gravidez. Renate Reinsve encena com muita autenticidade e emoção a protagonista, que acaba acrescentando uma reflexão sincera sobre as incertezas e inseguranças da juventude atual.
Cillian Murphy é magnético, uma atuação admirável, e o filme parece tirar muito proveito disso. Um filme intenso por causa dele e de um tema delicado. Curti.
A força da protagonista me tocou. Impressionante como suas escolhas - sempre caras demais - foram pesando em seu semblante. Um romance que tenta falar de liberdade, mesmo sabendo que ela sempre chega depois, ou tarde demais. Gosto das atuações de Carey Mulligan.
Um filme que explora questões morais e temas como a ambiguidade. Ficamos sem resposta porque respostas certas não existem nesse campo. Começa bem, é tenso, mas a complexidade não se sustenta até o fim.
Tive que interromper e voltar no dia seguinte porque me emocionou muito. Realidades duras. Um relato sensível da perspectiva da diferença, do deslocamento, do estranhamento. Lindo filme.
Uma geração se despedindo do “sonho americano” com um gosto amargo na boca? É como se descobrissem que trabalharam duro, pagaram suas contas, contribuíram e, na velhice, a estabilidade não passa de um oásis distante. Encontram uma forma de “sobreviver”? A lentidão do filme conversa com a lentidão do abandono. Se arrasta e corrói. Esta, para mim, é uma das camadas do filme. A que mais me tocou. Tem outras.
Os girassóis de Van Gogh me impressionam sempre, para mim são mais do que flores, são explosões de luz e cor que parecem uma tentativa dele de eternizá-los. Dafoe está maravilhoso interpretando a luta de Van Gogh entre a beleza da vida e o peso de sua existência.
A Cronologia da Água
3.5 19“Quando não há palavras para a dor, deixe sua imaginação transformar o que você sabe.” Essa é uma das frases que pairam sobre as cenas. Nos tempos de elaborar talvez. Sim, o filme é bem pesado. A Cronologia da Água conta uma história crua, contundente, doída, filmada com inteligência e com a sutileza de quem está sob a água, ora prestes a se afogar, ora prestes a nascer. A fotografia é belíssima, os momentos atrozes se dissipam nos closes. Não dá pra entender tudo muito bem, que nem no atordoamento de uma violência. O filme transforma experiência bruta em matéria sensível: o não dito, o que não pode ser dito, o que foi dito e esquecido, o que não era para ser dito. Nem visto.
Na Terra de Santos e Pecadores
3.1 76 Assista AgoraUm bom suspense mas sem muita ação. Vale assistir.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraÉ… acho que fui com muita expectativa… curti mas não amei.
Valor Sentimental
3.9 378 Assista AgoraFilme lindo… Tem delicadeza nos mínimos detalhes, nos olhares, nos sorrisos, nos pensamentos quase lidos, adivinhados… ótimas atuações, e uma profundidade que talvez só quem passou por situações parecidas consiga reconhecer. Houve quem dissesse que era lento e entediante. Mas sabe aquela do Poetinha? “Passou pela vida, não viveu”. Mergulhei nele, nem senti o tempo passar.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 427 Assista AgoraA experiência do luto que recusa um apaziguamento narrativo da perda. Perda que não é tratada como evento a ser superado. A atuação do menino sustenta essa dimensão do enigma: há algo ali que antecede a significação, uma presença que já é potencialmente uma ausência. O filme me arrebatou. Ele parecia me dizer que o luto não é sobre apagar quem partiu, é sobre encontrar um modo de fazer sua falta existir. Que a sublimação não apaga a dor, ela nasce dela. Não é uma fuga, é um destino. Que a escrita ali é um trabalho psíquico, pra dar um contorno ao real que não se pode suportar. A gente acompanha um lento e doloroso trabalho do luto, do desligamento libidinal, mas tem algo além que se manifesta: a persistência do irrepresentável, aquilo que nunca se elabora por completo.
A Melhor Mãe do Mundo
3.7 68 Assista AgoraFilme forte que acompanha a maternidade em condições de muita precariedade e violência simbólica. A narrativa mostra como o patriarcado atravessa o cuidado, o trabalho e os afetos, deixando para a mulher uma responsabilidade total e solitária. A perspectiva é crua e política, sem romantizações.
Dúvida
3.9 1,1K Assista AgoraNão há uma verdade factual que nos liberte do desconforto; o que fica é a sensação de que há algo no ar, um pressentimento, uma intuição que se recusa a ser nomeada, mas que se faz sentir com uma força. O filme nos convida, ou talvez nos força, a habitar esse espaço de “não saber”, em que a certeza é uma miragem, e a dúvida, um fardo que a gente acaba carregando, mostrando a complexidade de nossa alma, sem respostas. Meryl Streep é um peso forte na balança deste filme.
A Pior Pessoa do Mundo
4.0 702 Assista AgoraLindo esse filme. Através de Julie, camadas e camadas de profundidade em questões existenciais e dilemas da vida adulta contemporânea, tratando de temas como a busca por propósito, a liberdade e o peso das expectativas sociais, o medo de fazer escolhas erradas. Mais do que isso, a narrativa se aprofunda em aspectos muito delicados da experiência humana, como o medo da morte e as complexidades da gravidez. Renate Reinsve encena com muita autenticidade e emoção a protagonista, que acaba acrescentando uma reflexão sincera sobre as incertezas e inseguranças da juventude atual.
Steve
3.0 44 Assista AgoraCillian Murphy é magnético, uma atuação admirável, e o filme parece tirar muito proveito disso. Um filme intenso por causa dele e de um tema delicado. Curti.
Longe Deste Insensato Mundo
3.6 240 Assista AgoraA força da protagonista me tocou. Impressionante como suas escolhas - sempre caras demais - foram pesando em seu semblante. Um romance que tenta falar de liberdade, mesmo sabendo que ela sempre chega depois, ou tarde demais. Gosto das atuações de Carey Mulligan.
Jay Kelly
3.1 82 Assista AgoraFiquei com a sensação de que algo não se organiza completamente, um filme meio opaco. Não perdi meu tempo, mas também não ressoou nada em mim.
Depois da Caçada
2.9 116 Assista AgoraUm filme que explora questões morais e temas como a ambiguidade. Ficamos sem resposta porque respostas certas não existem nesse campo. Começa bem, é tenso, mas a complexidade não se sustenta até o fim.
A Garota Canhota
3.8 45 Assista AgoraTive que interromper e voltar no dia seguinte porque me emocionou muito. Realidades duras. Um relato sensível da perspectiva da diferença, do deslocamento, do estranhamento. Lindo filme.
Sonhos de Trem
3.7 350 Assista AgoraBoa atuação de Edgerton, belíssima fotografia. Da metade pro fim ficou bem mais interessante e profundo.
O Filho de Mil Homens
4.1 181 Assista AgoraCheia de expectativas e ele conseguiu superar, porque deu cores e luzes que não tinha lido. Comove de tanta sensibilidade e delicadeza.
Nomadland
3.9 910 Assista AgoraUma geração se despedindo do “sonho americano” com um gosto amargo na boca? É como se descobrissem que trabalharam duro, pagaram suas contas, contribuíram e, na velhice, a estabilidade não passa de um oásis distante. Encontram uma forma de “sobreviver”? A lentidão do filme conversa com a lentidão do abandono. Se arrasta e corrói. Esta, para mim, é uma das camadas do filme. A que mais me tocou. Tem outras.
A Origem
4.4 5,9K Assista AgoraFilme pra ver e rever de tão bom. Cada vez ele te surpreende de um jeito.
A Mulher na Cabine 10
2.8 181 Assista AgoraFraquinho, superficial, óbvio. Vi pela Keira, mas é tempo perdido.
No Portal da Eternidade
3.8 349 Assista AgoraOs girassóis de Van Gogh me impressionam sempre, para mim são mais do que flores, são explosões de luz e cor que parecem uma tentativa dele de eternizá-los. Dafoe está maravilhoso interpretando a luta de Van Gogh entre a beleza da vida e o peso de sua existência.
O Preço da Traição
3.2 1,1K Assista AgoraPrende do começo ao fim, ótimas atuações.
Pequenas Coisas Como Estas
3.2 53 Assista AgoraO ritmo é lento, mas compensa. Atuação e direção minimalistas, fotografia, ângulos e passagens muito, muito boas. Triste relato.
Jardim dos Desejos
3.1 31 Assista AgoraEsperava mais…
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraImpactante. Jesuíta muito bem, os demais não curti muito. Mas o filme vale cada segundo e cada emoção.
Somente Elas
3.7 133 Assista AgoraÓtimas atuações e uma boa história sobre sororidade.