Pelo hype, esperava mais. Apesar do cuidado quase obsessivo na reconstrução dos cenários de Recife dos anos 1970, que funciona mais como atmosfera do que como pano de fundo, e de uma atuação muito boa e contida de Wagner Moura, esse filme tropeça justamente onde deveria sustentar sua tensão: no roteiro. A história se estende além do que consegue justificar com muitas sequências longas, desnecessárias, repetitivas e pouco decisivas, que parecem existir mais por apego estético do que por necessidade dramática. Com cortes mais rigorosos, o filme ganharia não só fôlego, mas também precisão, tornando sua proposta mais direta e incisiva, algo especialmente necessário para um filme que se arrasta por quase três horas sem entregar um arco à altura desse tempo.
Os diálogos são bem vergonhosos, parece que ninguém fala de verdade daquele jeito, e tudo acontece de forma muito conveniente, como se o roteiro tivesse preguiça de construir as coisas direito. A parte que eles representam os crimes cometidos (como o dos Nardoni ou da Elize Matsunaga) por incrível que pareça, é o que mais surpreende, porque é bem feita e até causa um impacto, mas o resto é tão dramatizado e artificial que fica difícil levar a sério. No fim, parece mais uma novela tentando bancar série “pesada”, mas sem entregar nada além de vergonha alheia.
Tentou seguir o sucesso da temporada excelente de Jeffrey Dahmer, mas acaba ficando meio perdida no caminho. A direção deu a impressão de não saber se queria explorar a mente perturbada do cara ou mostrar o quanto a história dele influenciou o cinema, e nisso a série fica oscilando entre uma coisa e outra sem se aprofundar em nenhuma. O visual é ótimo, a ambientação é caprichada e Charlie Hunnam manda bem, mas tudo parece um pouco “enfeitado demais”. Dá a sensação de que quiseram deixar o Ed Gein mais romântico e menos trágico, quando na real o problema dele vinha quase todo da relação doentia com a mãe.
Também tem umas partes inventadas ou exageradas, tipo a suposta relação com a menina e a teoria do irmão, que o roteiro trata como se fossem verdades. E ainda tentaram encaixar uma menção a Mindhunter que ficou bem fora de lugar.
No fim, o resultado é bonito de ver, mas meio raso. Ela até tem momentos interessantes, só não tem o mesmo impacto de Dahmer. É aquele tipo de série que dá pra ver e pensar: “ok, tá valendo”, mas nada além disso.
O título clichê nem ajuda, mas nem se atente a isso, porque o negócio deu pra entreter bem. Fazia tempo que não tinha essa sensação de ainda lembrar ou comentar das cenas depois que o filme acaba no cinema, ainda mais se tratando de terror basicão, né. Fui com baixa expectiva e me surpreendi com a maneira meio disruptiva, meio "incerta" e "tensa" que o filme te deixa, sem ser pedante aos sustos e apostando no imprevisível. Melhor cena final de todas. Valeu a pena.
É formalmente bem construído, com uma direção segura e um desempenho notável de Jesuíta Barbosa, que compreende não apenas os gestos, mas os silêncios e nuances de Ney Matogrosso. A reconstituição de época e o cuidado estético chamam atenção (talvez isso seja o principal acerto), mas o filme por vezes escorrega na tentativa de amplificar conflitos que não se sustentam dramaticamente, sobretudo na relação com o pai. Ou então quando há uma sensação de algo forçado e não tão natural em certos diálogos. Ainda assim, é um retrato relevante, que opta por uma abordagem menos linear e mais sensorial, o que o distancia do comum das biografias convencionais.
É aquele tipo de sci-fi que parece estar rindo da própria tragédia enquanto pergunta, com uma cara séria: “e se você pudesse ser substituído toda vez que morresse… continuaria sendo você?”. É esquisito, divertido e meio angustiante — como olhar no espelho e ver uma versão sua que você ainda não conhece, mas que te encara de volta mesmo assim.
Tem algo de desconcertante em acompanhar uma história que não te dá respiro — não porque é cheia de ação ou reviravolta, mas porque tudo vai acontecendo ali, na sua frente, como se você estivesse trancado naquele quarto junto com eles. O plano-sequência não é só um recurso bonito, é quase um personagem e justamente por não cortar, a série deixa a gente preso no tempo, como se não desse pra escapar daquela realidade nem por um segundo. É incômodo, mas de um jeito necessário. A tensão não está no que é dito, mas no que fica pairando. E o pior é que a história nem grita, ela sussurra coisas que a gente já viu por aí, só que preferiu não olhar de perto. E agora não dá mais pra desver.
É um filme sobre escuta, sobre observar o mundo com curiosidade e respeito, e sobre encontrar afeto nos lugares mais improváveis. Tudo é contado com uma leveza que não subestima ninguém, nem criança nem adulto. E o mais bonito é que, no meio da floresta, entre silêncios e olhares, a história fala sobre humanidade — justamente por meio de alguém que não é humano.
Acho que é raro encontrar um filme que pareça uma conversa delicada entre o passado e o presente, mas também entre dois desconhecidos que, de algum jeito, se entendem. Os diálogos aqui são quase como se fossem confissões embaladas em mitologia. E o que embala tudo isso é a fotografia e os cenários: palácios antigos, desertos vibrantes, épocas distantes que mais parecem lembranças vivas. É uma fantasia feita de palavras e silêncios, que fala muito mais sobre solidão, desejo e humanidade do que sobre magia. E talvez essa seja a parte mais mágica de todas.
Não é só sobre vingança ou arrependimento, é sobre aquelas feridas que nunca fecham direito e que, de repente, começam a arder de novo. Tudo parece meticulosamente belo, mas por trás dessa beleza tem algo quebrado, algo que incomoda, como um quadro torto que ninguém conserta. No fim, a sensação não é de alívio nem de entendimento total, mas de um vazio estranho, como se você tivesse perdido algo que nem sabia que era seu.
Eu gostei, a passagem do tempo me tocou muito. A gente pensa nas vidas que se cruzam e nos rastros invisíveis que deixamos nos lugares por onde passamos. Cada cena carrega um tipo de nostalgia difícil de explicar, como se estivéssemos vendo nossa própria história se desenrolar em pedaços espalhados pelo passado, presente e futuro. No fim, fica aquela sensação agridoce de que tudo muda, mas, de alguma forma, nada se perde de verdade.
Paul Giamatti é completamente subestimado. Já devia ter uma coleção de prêmios em casa. O cara tem uma habilidade única de dar alma a personagens complexos e imperfeitos, e o jeito que ele se conecta com os outros é como se estivéssemos vendo uma dança silenciosa entre o desgosto e a necessidade de afeto. A ambientação nos anos 1970 é uma cápsula do tempo tão bem feita que quase dá pra sentir o cheiro do inverno lá dentro. O filme não tem pressa, e isso é um alívio, porque ele te faz querer ficar lá, observando as pequenas transformações dos personagens, sem pressa de escapar. Uma verdadeira lição de como fazer com que a solidão seja tão reconfortante quanto desconfortável.
Sabe como é como ver um álbum de fotos antigo onde tu reconhece as imagens, mas sempre encontra algo novo nelas? Essa foi a sensação. A relação entre pai e filha se desenha nos detalhes, nos silêncios, nos sorrisos que escondem mais do que revelam. Paul Mescal não precisa de grandes cenas para te fazer sentir tudo. É no olhar perdido, no meio sorriso contido, que a melancolia se instala sem aviso. A direção do filme nem força nada, ela te coloca dentro das memórias como quem entra no mar devagar, deixando a maré levar. E quando o filme acaba, ele não sai de você. Fica ali, como aquela música que toca ao fundo de um momento especial e que, de repente, nunca mais soa do mesmo jeito.
Senti como se fosse um jogo de xadrez jogado no silêncio, onde cada olhar pesa mais que mil palavras e cada gesto pode mudar tudo. O filme tem uma elegância sombria (quase monástica mesmo), que te puxa pra dentro do Vaticano e te faz sentir o peso da tradição, da política e dos segredos ocultos sob as vestes vermelhas dos cardeais. É um suspense político feito com classe, sem precisar de exageros ou reviravoltas forçadas, acertando ao mostrar o peso das tradições e das alianças ocultas, deixando quem assiste quase vidrado em cada pequeno detalhe. Simples, sofisticado e envolvente do começo ao fim.
Gostei, não é algo espetacular, mas tem tudo pra ser referência por muitos anos. Achei bem artístico principalmente na retratação do época, toda aquela ambientação gótica do século XIX é genial, além da história ter um ritmo mais contemplativo, que quase se assemelha à experiência de ler um livro: lento, denso e cheio de nuances. Talvez essa característica possa afastar espectadores que esperam algo mais dinâmico, mas é um ponto forte para quem aprecia uma narrativa mais profunda. Willem Dafoe é genial, já sei que rouba a cena em qualquer filme do Eggers mesmo.
O filme não é bom. O que está gerando empatia talvez seja mais pelo saudosismo e pela consideração do primeiro que é excelente e marcou uma época, sendo reconhecido até hoje como um dos melhores filmes brasileiros (pra mim também, inclusive). É massa ver de novo o João Grilo e Chicó, entretanto, mesmo assim, esse recurso não se sustenta por muito tempo, uma vez que o ideal seria trazer algo inovador para a trama, podendo se tornar até "memorável". O roteiro dele em si é muito conveniente e apegado à conclusões fáceis ou já usadas, transparecendo em muitas vezes ser clichê, fora a ambientação artificial dos cenários que deu um ar muito caricato, o que me desestimulou pessoalmente em acompanhar a história em vários momentos.
Uma surpresa genuína, ou talvez acho que é assim que um prequel deveria ser, funcionando muito bem, quer você tenha visto os outros filmes ou não. Pega aquela sensação de profundidade de um terror inteligente e bem feito que não depende de sustos ou truques cansados. Tá na minha lista de melhores do ano.
Decepcionante, dado que os filmes mais recentes tiveram uma base em um contexto muito moderno. Ponto de ruptura por tramas de má qualidade, personagens confusos e uma falta geral de foco.
O filme não é ruim, achei a premissa até boa. Além disso, fizeram uma metáfora sobre trauma e questões psicológicas não tratadas/superadas. Só tem um porém, eu acho que não entregou a resposta da protagonista para a descoberta dela:
A Rose consegue relacionar os suicídios e demais casos com a "maldição", ela vai atrás, investiga, descobre e depois não faz muita coisa além disso. Então, meio que não dá em nada essa descoberta, já que ela não cria um plano mais rebuscado para quebrar a maldição.
Definitivamente Mia Goth se tornou uma das minhas atrizes favoritas depois desse filme. É sério isso. Ao tornar a personagem central o foco da narrativa desde os primeiros instantes, passamos a ver o mundo pelo seu olhar e a dividir suas frustrações e esperanças. Porém é mais que uma vítima ou antagonista, há uma construção de uma pessoa mentalmente perturbada, sem lugar no mundo e que concilia uma inocência infantil com um outro lado violento e delirante. O longa também brinca com a estética pueril e melodramática dos cinema americano dos anos 50 de maneira inspirada, desde os créditos entoados por uma trilha suntuosa com letreiros até as expressões que ela faz. Genial.
Esperava algo mais na narrativa até pelo estúdio A24, como também pela atuação da Mia Goth (que a conheci depois de assistir o filme Suspiria), porém gosto das referências a clássicos do terror, como a câmera acompanhando o machado enquanto o objeto corta a porta. No entanto, o mais marcante no filme talvez seja o comentário sobre supostas “purezas comportamentais”. Exemplo visual e que serve à narrativa: logo no início, a turma sai de um canto no meio do nada e que representa o retrocesso, mas o redor desse local é cercado de fábricas, indicando o progresso econômico que ocorria na época, à margem.
É um filme que podia ter tido mais meia hora pra explicar certas coisas que ficaram corridas, mas no geral, mesmo tendo alguns clichês, o filme dá momentos de tensão. Assisti sem esperar muita coisa, única crítica é que poderia ter tido mais uns 20 minutos pra explicar a parte mais sobrenatural.
Não sei se isso é considerado spoiler, mas, enfim:
Diferente dos dois filmes anteriores do Jordan Peele, as críticas sociais (especialmente sobre o racismo) são menos explícitas, mas continuam presentes. O foco aqui está sobre a espetacularização mórbida, a busca pela fama e a crueldade intrínseca da indústria do entretenimento, que usa até o osso e cospe fora o que não interessa mais (sejam artistas, gêneros, o que for). Notem que as duas tramas (a do Gordy e a atual) seguem a mesma narrativa:
Uso abusivo de animais em espetáculos (o chimpanzé e a criatura), com perda do controle sobre eles. Reparem que os dois animais são abatidos depois de matarem pessoas, mas a espetacularização persiste (respectivamente, no quartinho do parque e na foto que vai para a Oprah...).
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraPelo hype, esperava mais. Apesar do cuidado quase obsessivo na reconstrução dos cenários de Recife dos anos 1970, que funciona mais como atmosfera do que como pano de fundo, e de uma atuação muito boa e contida de Wagner Moura, esse filme tropeça justamente onde deveria sustentar sua tensão: no roteiro. A história se estende além do que consegue justificar com muitas sequências longas, desnecessárias, repetitivas e pouco decisivas, que parecem existir mais por apego estético do que por necessidade dramática. Com cortes mais rigorosos, o filme ganharia não só fôlego, mas também precisão, tornando sua proposta mais direta e incisiva, algo especialmente necessário para um filme que se arrasta por quase três horas sem entregar um arco à altura desse tempo.
Tremembé (1ª Temporada)
3.3 228 Assista AgoraOs diálogos são bem vergonhosos, parece que ninguém fala de verdade daquele jeito, e tudo acontece de forma muito conveniente, como se o roteiro tivesse preguiça de construir as coisas direito. A parte que eles representam os crimes cometidos (como o dos Nardoni ou da Elize Matsunaga) por incrível que pareça, é o que mais surpreende, porque é bem feita e até causa um impacto, mas o resto é tão dramatizado e artificial que fica difícil levar a sério. No fim, parece mais uma novela tentando bancar série “pesada”, mas sem entregar nada além de vergonha alheia.
Monstros (3ª Temporada) - A História de Ed Gein
3.2 210 Assista AgoraTentou seguir o sucesso da temporada excelente de Jeffrey Dahmer, mas acaba ficando meio perdida no caminho. A direção deu a impressão de não saber se queria explorar a mente perturbada do cara ou mostrar o quanto a história dele influenciou o cinema, e nisso a série fica oscilando entre uma coisa e outra sem se aprofundar em nenhuma. O visual é ótimo, a ambientação é caprichada e Charlie Hunnam manda bem, mas tudo parece um pouco “enfeitado demais”. Dá a sensação de que quiseram deixar o Ed Gein mais romântico e menos trágico, quando na real o problema dele vinha quase todo da relação doentia com a mãe.
Também tem umas partes inventadas ou exageradas, tipo a suposta relação com a menina e a teoria do irmão, que o roteiro trata como se fossem verdades. E ainda tentaram encaixar uma menção a Mindhunter que ficou bem fora de lugar.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraO título clichê nem ajuda, mas nem se atente a isso, porque o negócio deu pra entreter bem. Fazia tempo que não tinha essa sensação de ainda lembrar ou comentar das cenas depois que o filme acaba no cinema, ainda mais se tratando de terror basicão, né. Fui com baixa expectiva e me surpreendi com a maneira meio disruptiva, meio "incerta" e "tensa" que o filme te deixa, sem ser pedante aos sustos e apostando no imprevisível. Melhor cena final de todas. Valeu a pena.
Homem com H
4.2 519 Assista AgoraÉ formalmente bem construído, com uma direção segura e um desempenho notável de Jesuíta Barbosa, que compreende não apenas os gestos, mas os silêncios e nuances de Ney Matogrosso. A reconstituição de época e o cuidado estético chamam atenção (talvez isso seja o principal acerto), mas o filme por vezes escorrega na tentativa de amplificar conflitos que não se sustentam dramaticamente, sobretudo na relação com o pai. Ou então quando há uma sensação de algo forçado e não tão natural em certos diálogos. Ainda assim, é um retrato relevante, que opta por uma abordagem menos linear e mais sensorial, o que o distancia do comum das biografias convencionais.
Acompanhante Perfeita
3.4 563 Assista AgoraSó fiquei imaginando o tempo todo que esse filme poderia tranquilamente ser um episódio muito ruim de alguma temporada muito ruim do Black Mirror.
Mickey 17
3.4 525 Assista AgoraÉ aquele tipo de sci-fi que parece estar rindo da própria tragédia enquanto pergunta, com uma cara séria: “e se você pudesse ser substituído toda vez que morresse… continuaria sendo você?”. É esquisito, divertido e meio angustiante — como olhar no espelho e ver uma versão sua que você ainda não conhece, mas que te encara de volta mesmo assim.
Adolescência
4.0 611 Assista AgoraTem algo de desconcertante em acompanhar uma história que não te dá respiro — não porque é cheia de ação ou reviravolta, mas porque tudo vai acontecendo ali, na sua frente, como se você estivesse trancado naquele quarto junto com eles. O plano-sequência não é só um recurso bonito, é quase um personagem e justamente por não cortar, a série deixa a gente preso no tempo, como se não desse pra escapar daquela realidade nem por um segundo. É incômodo, mas de um jeito necessário. A tensão não está no que é dito, mas no que fica pairando. E o pior é que a história nem grita, ela sussurra coisas que a gente já viu por aí, só que preferiu não olhar de perto. E agora não dá mais pra desver.
Robô Selvagem
4.3 561É um filme sobre escuta, sobre observar o mundo com curiosidade e respeito, e sobre encontrar afeto nos lugares mais improváveis. Tudo é contado com uma leveza que não subestima ninguém, nem criança nem adulto. E o mais bonito é que, no meio da floresta, entre silêncios e olhares, a história fala sobre humanidade — justamente por meio de alguém que não é humano.
Era Uma Vez um Gênio
3.5 175 Assista AgoraAcho que é raro encontrar um filme que pareça uma conversa delicada entre o passado e o presente, mas também entre dois desconhecidos que, de algum jeito, se entendem. Os diálogos aqui são quase como se fossem confissões embaladas em mitologia. E o que embala tudo isso é a fotografia e os cenários: palácios antigos, desertos vibrantes, épocas distantes que mais parecem lembranças vivas. É uma fantasia feita de palavras e silêncios, que fala muito mais sobre solidão, desejo e humanidade do que sobre magia. E talvez essa seja a parte mais mágica de todas.
Animais Noturnos
4.0 2,2KNão é só sobre vingança ou arrependimento, é sobre aquelas feridas que nunca fecham direito e que, de repente, começam a arder de novo. Tudo parece meticulosamente belo, mas por trás dessa beleza tem algo quebrado, algo que incomoda, como um quadro torto que ninguém conserta. No fim, a sensação não é de alívio nem de entendimento total, mas de um vazio estranho, como se você tivesse perdido algo que nem sabia que era seu.
Aqui
3.3 134 Assista AgoraEu gostei, a passagem do tempo me tocou muito. A gente pensa nas vidas que se cruzam e nos rastros invisíveis que deixamos nos lugares por onde passamos. Cada cena carrega um tipo de nostalgia difícil de explicar, como se estivéssemos vendo nossa própria história se desenrolar em pedaços espalhados pelo passado, presente e futuro. No fim, fica aquela sensação agridoce de que tudo muda, mas, de alguma forma, nada se perde de verdade.
Os Rejeitados
4.0 473 Assista AgoraPaul Giamatti é completamente subestimado. Já devia ter uma coleção de prêmios em casa. O cara tem uma habilidade única de dar alma a personagens complexos e imperfeitos, e o jeito que ele se conecta com os outros é como se estivéssemos vendo uma dança silenciosa entre o desgosto e a necessidade de afeto. A ambientação nos anos 1970 é uma cápsula do tempo tão bem feita que quase dá pra sentir o cheiro do inverno lá dentro. O filme não tem pressa, e isso é um alívio, porque ele te faz querer ficar lá, observando as pequenas transformações dos personagens, sem pressa de escapar. Uma verdadeira lição de como fazer com que a solidão seja tão reconfortante quanto desconfortável.
Aftersun
4.0 790Sabe como é como ver um álbum de fotos antigo onde tu reconhece as imagens, mas sempre encontra algo novo nelas? Essa foi a sensação. A relação entre pai e filha se desenha nos detalhes, nos silêncios, nos sorrisos que escondem mais do que revelam. Paul Mescal não precisa de grandes cenas para te fazer sentir tudo. É no olhar perdido, no meio sorriso contido, que a melancolia se instala sem aviso. A direção do filme nem força nada, ela te coloca dentro das memórias como quem entra no mar devagar, deixando a maré levar. E quando o filme acaba, ele não sai de você. Fica ali, como aquela música que toca ao fundo de um momento especial e que, de repente, nunca mais soa do mesmo jeito.
Conclave
3.9 825 Assista AgoraSenti como se fosse um jogo de xadrez jogado no silêncio, onde cada olhar pesa mais que mil palavras e cada gesto pode mudar tudo. O filme tem uma elegância sombria (quase monástica mesmo), que te puxa pra dentro do Vaticano e te faz sentir o peso da tradição, da política e dos segredos ocultos sob as vestes vermelhas dos cardeais. É um suspense político feito com classe, sem precisar de exageros ou reviravoltas forçadas, acertando ao mostrar o peso das tradições e das alianças ocultas, deixando quem assiste quase vidrado em cada pequeno detalhe. Simples, sofisticado e envolvente do começo ao fim.
Nosferatu
3.6 937 Assista AgoraGostei, não é algo espetacular, mas tem tudo pra ser referência por muitos anos. Achei bem artístico principalmente na retratação do época, toda aquela ambientação gótica do século XIX é genial, além da história ter um ritmo mais contemplativo, que quase se assemelha à experiência de ler um livro: lento, denso e cheio de nuances. Talvez essa característica possa afastar espectadores que esperam algo mais dinâmico, mas é um ponto forte para quem aprecia uma narrativa mais profunda. Willem Dafoe é genial, já sei que rouba a cena em qualquer filme do Eggers mesmo.
O Auto da Compadecida 2
3.0 444 Assista AgoraO filme não é bom. O que está gerando empatia talvez seja mais pelo saudosismo e pela consideração do primeiro que é excelente e marcou uma época, sendo reconhecido até hoje como um dos melhores filmes brasileiros (pra mim também, inclusive). É massa ver de novo o João Grilo e Chicó, entretanto, mesmo assim, esse recurso não se sustenta por muito tempo, uma vez que o ideal seria trazer algo inovador para a trama, podendo se tornar até "memorável". O roteiro dele em si é muito conveniente e apegado à conclusões fáceis ou já usadas, transparecendo em muitas vezes ser clichê, fora a ambientação artificial dos cenários que deu um ar muito caricato, o que me desestimulou pessoalmente em acompanhar a história em vários momentos.
A Primeira Profecia
3.4 409 Assista AgoraUma surpresa genuína, ou talvez acho que é assim que um prequel deveria ser, funcionando muito bem, quer você tenha visto os outros filmes ou não. Pega aquela sensação de profundidade de um terror inteligente e bem feito que não depende de sustos ou truques cansados. Tá na minha lista de melhores do ano.
Halloween Ends
2.4 563 Assista AgoraDecepcionante, dado que os filmes mais recentes tiveram uma base em um contexto muito moderno. Ponto de ruptura por tramas de má qualidade, personagens confusos e uma falta geral de foco.
Sorria
3.1 954 Assista AgoraO filme não é ruim, achei a premissa até boa. Além disso, fizeram uma metáfora sobre trauma e questões psicológicas não tratadas/superadas. Só tem um porém, eu acho que não entregou a resposta da protagonista para a descoberta dela:
A Rose consegue relacionar os suicídios e demais casos com a "maldição", ela vai atrás, investiga, descobre e depois não faz muita coisa além disso. Então, meio que não dá em nada essa descoberta, já que ela não cria um plano mais rebuscado para quebrar a maldição.
Pearl
3.9 1,2K Assista AgoraDefinitivamente Mia Goth se tornou uma das minhas atrizes favoritas depois desse filme. É sério isso. Ao tornar a personagem central o foco da narrativa desde os primeiros instantes, passamos a ver o mundo pelo seu olhar e a dividir suas frustrações e esperanças. Porém é mais que uma vítima ou antagonista, há uma construção de uma pessoa mentalmente perturbada, sem lugar no mundo e que concilia uma inocência infantil com um outro lado violento e delirante. O longa também brinca com a estética pueril e melodramática dos cinema americano dos anos 50 de maneira inspirada, desde os créditos entoados por uma trilha suntuosa com letreiros até as expressões que ela faz. Genial.
A cena dela sorrindo com os créditos passando! MEU DEUS
X: A Marca da Morte
3.4 1,3K Assista AgoraEsperava algo mais na narrativa até pelo estúdio A24, como também pela atuação da Mia Goth (que a conheci depois de assistir o filme Suspiria), porém gosto das referências a clássicos do terror, como a câmera acompanhando o machado enquanto o objeto corta a porta. No entanto, o mais marcante no filme talvez seja o comentário sobre supostas “purezas comportamentais”. Exemplo visual e que serve à narrativa: logo no início, a turma sai de um canto no meio do nada e que representa o retrocesso, mas o redor desse local é cercado de fábricas, indicando o progresso econômico que ocorria na época, à margem.
Agora vô tentar assistir Pearl.
O Telefone Preto
3.5 1,2K Assista AgoraÉ um filme que podia ter tido mais meia hora pra explicar certas coisas que ficaram corridas, mas no geral, mesmo tendo alguns clichês, o filme dá momentos de tensão. Assisti sem esperar muita coisa, única crítica é que poderia ter tido mais uns 20 minutos pra explicar a parte mais sobrenatural.
Não sei se isso é considerado spoiler, mas, enfim:
Ótima escolha da música do Pink Floyd, hahaha
Não! Não Olhe!
3.5 1,4K Assista AgoraDiferente dos dois filmes anteriores do Jordan Peele, as críticas sociais (especialmente sobre o racismo) são menos explícitas, mas continuam presentes. O foco aqui está sobre a espetacularização mórbida, a busca pela fama e a crueldade intrínseca da indústria do entretenimento, que usa até o osso e cospe fora o que não interessa mais (sejam artistas, gêneros, o que for). Notem que as duas tramas (a do Gordy e a atual) seguem a mesma narrativa:
Uso abusivo de animais em espetáculos (o chimpanzé e a criatura), com perda do controle sobre eles. Reparem que os dois animais são abatidos depois de matarem pessoas, mas a espetacularização persiste (respectivamente, no quartinho do parque e na foto que vai para a Oprah...).