Achei a química dos personagens da Lawrence e do Feldman muito boa. É de fato como se fossem amigos há anos e isso facilitou o andamento do filme em grande parte das cenas. Mas não é o suficiente para a história se destacar. Achei a história descompassada em algumas cenas, principalmente a cena do almoço na casa dos pais. O tempo entre um acontecimento e outro é desproporcional à distância dos locais de cada cena. Achei que faltou desenvolvimento nessa parte da história. No mais, fazia tempo que não me divertia no cinema vendo comédia romântica e acho que valeu o ingresso.
É de admirar como o cara conseguiu reunir em coisas tao simples do dia-a-dia aqueles pequenos momentos que a gente é impactado pelas regras invisíveis de comportamento que são pré-estabelecidas no meio que a gente vive. É angustiante assistir personagens se reprimirem tão profunda e prematuramente ao ponto de se manterem cegos até para as coisas que eles têm certeza que os fazem e sempre os fizeram felizes. E não poderia ser diferente, levando em consideração que até para adultos lidar com essas amarras é complexo. Pela perspectiva de um homem gay, eu posso afirmar que o diretor conseguiu mostrar exatamente como nós nos forçamos a não experienciar por completo a vida, quando nossa preocupação gira mais em torno da percepção das outras pessoas sobre a nossa vida, do que em vivê-la de fato. Nossa rotina é podada, nossos gostos, nossos sentimentos, nossas relações e até nossa cultura. Quantas vezes, na infância ou na vida adulta, você já decidiu não deixar à mostra a playlist de música com medo do que as pessoas pensariam de você pelo que você estava ouvindo? Quantas vezes você já deixou de ver algum filme com outras pessoas com medo de chorar perto delas? Quantas vezes já vestiu roupas diferentes do que realmente gostaria de vestir? Ou cortou o cabelo com um corte diferente? E quantas vezes você se forçou a descruzar as pernas ou a cumprimentar alguém com mais formalidade quando percebeu o peso do olhar de outras pessoas sobre seu comportamento? E o que você é se você deixa de sentir e viver as coisas que constroem o seu comportamento e te definem como ser? Que chances você tem de experimentar felicidade se o fato de ser e existir for tão pesado para você? Que exercício de reflexão impactante eu senti enquanto assistia. Que estranho é sentir que um filme explora sua intimidade emocional tão a fundo. O roteiro tem um compromentimento ultra fiel à verossimilhança. Tinham cenas, como aquela em que o Remi vai ao treino de hockey, se despindo de orgulho e lutando pela amizade, que brincavam perfeitamente com a sensação de controle sobre o que se pode ou não se permitir sentir dependendo de quem está em volta de você. Como é nítido a diferença de comportamento quando os dois estão sozinhos e quando rodeados de pessoas. O peso da vigília constante é surreal.
De um ponto de vista mais técnico, vale mencionar como ele trabalha bem com os momentos de introspecção dos personagens, até mesmo quando eles não estão sozinhos em cena. Eu sou apaixonado por cenas que mostram o personagem em contato direto com sua subjetividade de forma que nós nem precisemos de falas para deduzir sobre o que eles estão pensando e como estão se sentindo. Aqui também tem outro elemento no cinema que sempre me chama atenção; Quando alguns personagens estão juntos, eles conversam sempre sobre coisas superficiais para impulsionar a gente a sentir ainda mais o peso da repressão, já que é nítido que eles estão desviando do assunto sobre o qual eles realmente gostariam de estar falando. E que linda escolha em mostrar a derrocada da inocência de uma amizade através da produção de flores e das atividades que os dois sempre fizeram juntos. A gente é derrubado várias vezes quando percebemos que as flores vão sendo podadas e as estações mudando de maneira que o que tinha vida agora parece não ter, ou quando a estrada que eles andam de bike para chegar em casa agora é mostrada com bifurcação, como se previsse o início da repartição da convivência dos dois. Pra mim, assistir close foi um exercício de respeito à força da maturidade que eu construí para cuidar da inocência da minha intimidade. Um dos melhores que assisti esse ano.
A série tem tantas coisas que me incomodaram enquanto eu assistia, que ficava difícil indicar quais eram as coisas mais tristes de perceber. Vou tentar fazer meu melhor em listá-las junto com comentários de impressões:
Uma das coisas que eu reparo primeiro quando eu assisto série, é como a sequência de eventos que são entregues me envolvem para criar a expectativa da narrativa. Eu gosto de perceber elementos criativos que interagem com a gente para desencadear a história de forma consistente, sem ela parecer arrastada e sem objetivo, e um lugar fundamental pra conseguir isso é na criação da história. E pra isso é necessário MUITO tempo. E tempo bem gasto. E não só tempo de pesquisa, leitura e escrita, mas também de autocrítica, reflexão e análise do que foi escrito. Pra mim, o que foi escrito deve passar por um processo que eu chamaria de "esculhambação" de narrativas (que deve ter um nome técnico ai que eu desconheço). E é o que o próprio nome diz: tudo que foi escrito deve ser exposto e revisado para que se encontrem rastros de incoerências e imprecisões de qualquer tipo, principalmente aquelas que poderiam afetar drasticamente a trama. Bom, depois de estar mal acostumado com esses cuidados em alguns trabalhos que utilizaram as mesmas fontes de pesquisa, é difícil assistir Anéis do Poder sem que pareça amador, e há muitos trechos que exemplificam a falta desse tipo de tratamento no material: Por exemplo quando Gil-Galad pergunta para Elrond se ele tem o conhecimento de quem é Celebrimbor (o maior ferreiro de todos os tempos). Elrond responde que sim e expõe de forma desnecessária quem ele é. Essa forma de explicação através de exposição é uma das formas mais fracas, simplistas e amadoras de se apresentar um personagem. Se ele é o maior de todos, todos os conhecem. É o mesmo que perguntar para brasileiros se eles já ouviram falar do Pelé. Isso não corresponde ao tipo de trabalho que esperamos de uma produção milionária. Gil-Galad sendo quem ele é não perderia o próprio tempo com perguntas retóricas. Existem outras formas de um roteiro conversar com o público para apresentar personagens de formas mais orgânicas e criativas. Isso aqui é escrita de fanfiqueiro. Há outra cena que eles nos mostraram que Sauron detém o poder de persuasão através do uso das lembranças das pessoas. No último episódio, a memória de Galadriel conversando privadamente com seu irmão em Valinor é usada por Sauron para persuadí-la, e em seguida, assim que ela entende que está sob a influência maligna, ela questiona Elrond sobre informações privadas que somente os dois sabem para se certificar que ele também não é uma ilusão. Mas aqui algo não bate. Sauron tem acesso às memórias de Galadriel ou não? Se sim, ele também teria acesso às memórias dela com Elrond? Ele tem acesso a informação da cor das ceroulas do irmão dela mas não de uma memória de infância dela com o Elrond? Isso não serve como certificação. Afinal, que tipo de lembranças Sauron controla? Pois é, também não sei. E é exatamente encontrar esses tipos de falhas que faltou no momento da criação do roteiro da série.
Também é nítida a inconsistência da personalidade dos personagens, que as vezes muda tomando proporções além do que faria sentido no momento. Aqui cabe um foco principalmente na Galadriel, que está sempre discursando de uma forma e agindo de outra. É sempre uma pretensão de discursos mirabolantes sobre ter conhecimento de coisas que só ela viu, viveu e ouviu, mas está constantemente agindo como alguém que não carrega 1 pingo de sabedoria e serenidade para lidar com desafios desse tipo. Quem viveu o que ela viveu o tempo que ela viveu, não deveria ter essa adrenalina tempestuosa o tempo todo e essa impaciência infantil descontrolada. Hilbrand ou Sauron tem um erro de desenvolvimento que é brochante; ele é muito passivo durante toda a temporada toda, praticamente um bon vivant sem foco, no entanto no fim é exposto como o grande vilão Sauron. Falta construção das intenções do personagem na história, que foi totalmente tomada pela intenção de forçar um plot twist apenas pelo plot twist, o que também é bem amador. Aqui também cabe falar sobre o Celebrimbor (como já citado MAIOR FERREIRO DE TODOS OS TEMPOS) sendo ensinado por Sauron sobre a forja dos anéis em uma cena difícil de engolir. Como o maior ferreiro de todos os tempos não sabe habilidades básicas sobre a forja de minerais conhecidos. E o Sauron sabe? Então volto para roteiro: se ele sabe tudo porque ele perdeu tempo la? Que fugisse antes de ter o encontro com a Galadriel e levasse o Mithril, simplesmente atacando Celebrimbor. Aliás, não era ele que tinha a habilidade de ler lembranças e adquirir conhecimento? Por que não o fez para conseguir tudo que queria do Celebrimbor? Não há desculpa, é tanto furo nesse roteiro, que eu tinha a impressão que a qualquer momento eles iam derrubar mais 8 meteoros do céu e o Gimli, Aragorn, Legolas, Boromir, Pippin, Merry, Frodo e Sam iam surgir para um feat de rap com o Istari estranho. O Balrog, de boa, na sua, embaixo de mount doom, não é despertado pela explosão causada por uma quantidade de água CLARAMENTE INSUFICIENTE em contato com magma, mas sim pelo símbolo do Canadá. Sim, Balrog é xenofóbico. Tolkien sempre deixou isso claro. Que piada! Essa incoerência permite que nós foquemos somente nela e automaticamente não conseguimos nos identificar com os personagens. E se não nos identificamos, se perde parte da razão pela qual assistimos o conteúdo. Eu sugiro que os roteiristas saiam do instagram e comecem a ler mais sobre o universo Tolkien. Escrever roteiro de série não é o mesmo que postar foto bonita no instagram. Uma série não vive só de cenário bonito e maquiagem. Enquanto eu escrevia essa bíblia, tentei pensar em algum personagem que eu tivesse me indentificado ou nutrido qualquer afeto durante essa temporada. Nada. O único que eu gostei, mas achei que faltou desenvolvimento, foi Adar. Nenhum outro é cativante o suficiente. E olha que eu sou fanático pelo Gandalf, Galadriel, Elrond..aliás personagens que só passei a gostar depois dos filmes, e que depois me levaram aos livros, provando que uma boa história pode te tocar independente do formato que a compõe.
E já que toquei no assunto estratégias dos personagens, é importante citar personagens com tomadas de decisões repentinas que não estão alinhadas com o resto da história e muito menos que apresentem razões legítimas: As 3 Nazguls jogando Gandalf para lá e pra ca quando elas acreditavam que ele era o mestre delas? Qual o sentido disso? Exorcismo? Elas são espíritos malignos (que parecem nazgul, portanto que sentem a presença de seu senhor) e mesmo assim confundem um estranho (Maiar angelical) com um servo de Melkor (Maiar corrompido). Ta puxado! Ah, e pra quem nao entendeu quem são essas senhoras, de onde vieram e o que comem, aqui vai como os roteiristas as definiram no podcast da série: "nós queríamos que elas representassem as 3 feiticeiras de Macbeth", obra do Shakespeare. Sim, pode procurar porque te garanto que a criação dessa ladainha não é minha. E a Galadriel vai ser citada aqui de novo porque "há uma tempestade dentro dela" que a move ao seu objetivo de vingar a morte de seu irmão, no entanto ela simplesmente decide deixar o assassino de seu irmão seguir para ficar com uma jóia chique de Mithril. E feita por um artesão que recebeu dicas de como forjá-las do próprio Sauron. É inacreditável! Eles estavam no reino do grande Gil-Galad, pelo amor. Envie homens para caçá-lo agora ou apresente razões mais inteligentes sobre como os persongens seguem seus destinos e mudam suas estratégias. [ ] Sauron é outro que parece estar à deriva tentando encontrar sentido na vida. A impressão que temos no último episódio é que até agora tudo aconteceu por acaso. É fácil de reparar que fragmentos de parte da história que ele participou não são trazidos à tona no momento que ele mostra quem é. Nós não somos introduzidos à um plano arquitetado por ele. Não há conexão de intenção maligna alguma com as decisões que ele toma; Então o Sauron não pretendia sair de Numenor e foi a Galadriel que o convenceu? Ele pretendia ficar lá e vivendo como um ferreiro pra sempre? Ele também não quis salvar Galadriel? Mount Doom, inclusive, foi criada por mero acaso e ele não queria governar nas terras do sul? Se tudo foi arquitetado, a série falhou em não justificar a ideia.
A atuação salva quando o pai de Isildur, a esposa de Durin e o Durin e a parente do Frodo aparecem, mas não é explorada o suficiente junto ao desenvolvimento dos personagens para que a gente se emocione ou torça por eles. Um destaque positivo também vai para o ator que interpreta Adar, que trabalhou muito bem, mesmo tendo pouco tempo na tela.
A figuração também tem problemas na hora de ambientalizar cenários, transpassar características originais e orgânicas dos povos e raças apresentadas, e de projetar as dimensões de cada reino ou civilização. Quando você introduz uma nova sociedade, você entrega os hábitos específicos dessa raça através de quem está atuando por trás da cena principal. A figuração deve estar sempre em movimento e interagindo com a vida que existe no cenário criado. A vida existente naquele ambiente tem que continuar enquanto a câmera passeia por ele. E no trabalho do Tolkien, isso é praticamente o que define cada raça e inclusive seus hábitos, princípios e cultura. Até mesmo o figurino deve ser desenhado através dessas características. Em Rings of power há várias cenas que não houve preocupação alguma com isso: na cena em que há uma manifestação sobre elfos tentando roubar empregos dos numenorians você consegue reparar que pagaram pouquíssima gente para tentar projetar a ideia de grandeza e poder do reino. E quando Sauron e Galadriel chegam a Lindon e são recebidos por 3 FIGURANTES SOLDADOS de um reino daquele tamanho. Se eu fosse chutar a dimensão daquele lugar, eu não diria que tem o tamanho do ginásio de esportes da minha cidade. Também não se enxerga em muitas cenas, uma atenção ao suporte que os figurantes podem oferecer para a cena principal ser mais crível. Uma cena em que esse erro é nítido, é no ultimo episódio em que a irmã do Isildur fica sozinha com o rei de Numenor chamando por socorro e eles parecem estar numa vila, distante, no meio do Saara, onde fosse improvável ter alguém por perto.
Os diálogos são pseudo-poéticos porque é perceptível que foram adornados com palavras robustas e formais, mas na real não querem dizer nada e são constrangedores. Anotei algumas frases que justificam meu ponto, e olha só, se estava na internet é porque alguém mais também já percebeu a pobreza do material (as traducoes sao livres, jamais voltarei pra ver aquelas legendas): [ ] "O cachorro pode latir para a lua, mas nao pode derrubá-la" [ ] "Você sabe porque os barcos flutuam e as pedras afundam? Porque as pedras só olham para baixo" irmão de Galadriel [ ] "Preciso ir para a outra direção" "Mas vc não sabe o que há lá" "Por isso preciso ir" elfo mala para a amada [ ] "Varrer inimigos dessa terra como sal de um mesa" [ ] "E o que faremos? Faremos o que podemos: nadaremos" Galadriel Roberto Bolaños, é você na rédea do roteiro? "PREFIRO MORRER DO QUE PERDER A VIDA!" Esses são apenas alguns trechos. O que acontece, é que nosso ouvido está treinado para escutar inglês e já achar que a frase é bonita porque soa gringo, mas eu sugiro falar o texto em português em voz alta para escutar o tanto de m**** que foi enfiada nesse roteiro. Quando Gil-Galad envia Galadriel para Valinor, ele diz ao Elrond "O mesmo vento que pode apagar o fogo, pode espalhá-lo ainda mais". Então ele enviava a Galadriel para Valinor porque sabia que existia um mal que ela procurava, mas que seria melhor ela nao encontrá-lo porque assim ninguém sofreria. O próprio rei de Lindon tinha a estratégia de deixar todos morrerem e agiu no puro "o que os olhos nao veêm...". É de chorar! Estamos falando de Gil-Galad aqui. A sabedoria dele vai além de Galadriel, Elrond, Gandalf, etc. Ele literalmente já até enfrentou Sauron em outra guerra. As falar são superficiais e não têm consistência para acompanhar a história cheia de falhas.
Outra coisa que demonstra respeito, dedicação e responsabilidade na hora de executar adaptações, é você estudar e assim entender profundamente as obras fontes, até o ponto que você começa a dominar as regras básicas do mundo que você está lidando, por exemplo: indentificando status quo do mundo, definindo as regras da física e química daquele ambiente (considerando a do nosso mundo real - algo de fiel importância para o mundo da terra média) e equibrando limite de força e poder com a fraqueza e vulnerabilidade dos personagens criados. Nós precisamos entender, sem muito esforço e cenas pretensiosas clichês e óbvias, que determinado personagem possui um poder e quais as formas dos outros combaterem tal poder, de maneira que um clima de tensão faça que nós acreditemos que tanto o bem quanto o mal poderá triunfar, e então sentiremos que realmente tudo está por um fio a todo momento. Seguindo essa lógica, ao atribuir certos poderes a determinados personagens, deve-se fazê-lo tomando o maior cuidado com a temperança do tamanho do poder atribuído, principalmente se a habilidade é muito extraordinária, caso contrário, abre-se uma infinidade de possibilidades e brechas sobre como aquele poder poderia ser utilizado para facilitar a estratégia de um único personagem. Em O Senhor dos anéis, por exemplo, já questionaram o Peter Jackson do porquê as águias do Gandalf não levaram Frodo até Mount Doom para despejar o anel na montanha. E há uma explicação lógica para isso não ter acontecido, que agora não cabe no assunto. O que deu para perceber em Anéis do poder, no entanto, é uma falta de preparo de quem escreveu o roteiro na hora de manusear os personagens e como seus poderes influenciam o rumo da história. Sauron, como já citado, parece ter um poder que o coloca a frente de vários personagens de maneira desproporcional para quem ainda nem detem um anel do poder. O equilíbrio entre o Sauron pré anel e pós anel foi totalmente deixado de lado. Galadriel tem força, destreza e capacidade de aniquilar um Trasgo da Montanha sozinha, enquanto em O Senhor dos anéis, a sociedade (9 - contando com 1 Istar, 1 Elfo da Floresta e 1 Numenorian) teve que se estrepar para acabar com a mesma criatura. E detalhe que ela tinha uma guild completa para ajudá-la e mesmo assim ignorou todos e transformou a cena em um espetáculo narcisista. O Mithril tem um poder que não foi 100% explicado, o que deveria, considerando que esse poder tem a capacidade de salvar criaturas tão únicas e poderosas. Não há lógica na distribuição de poder e tão pouco se preocuparam com lógica básica da física do mundo porque definitivamente vulcões não funcionam daquela forma na vida real, e provavelmente também não funcionariam assim na Terra Média (Tolkien e Peter Jackson sempre mantiveram pé no chão e coerência sobre o equilíbrio entre características do planeta terra que teri influencia sobre a Terra Média)
Para terminar, é importante dizer que falta de material para conduzir bem a história não é desculpa. Nós temos zilhoes de conteúdos do Tolkien para nos basearmos e escrevermos histórias incríveis. Mas isso requer um trabalho mais minucioso e menos preguiçoso. Em algumas entrevistas dadas pelos criadores nos últimos dias, eles disseram: "sobre as razões e estratégias do personagem Sauron na primeira temporada, nós gostaríamos de deixá-las em aberto para explorá-las nas próximas temporadas". Dando a entender que a falta de começo, meio e fim dos acontecimentos foram planejados e intencionais. Não foram. Eles foram mal escritos e a maioria vai ser deixado para trás sem explicação. Assim como já há acontecimentos nessa temporada que ficarão para trás sem explicação. Eles também afirmaram que "a próxima temporada será mais canônica", ou seja, eles mesmo admitiram que essa temporada foi desenvolvida sem consideração suficiente das obras do Tolkien. E que promessa mais patética, porque transformar a próxima em canônica significa ir contra MUITA coisa que já foi estruturada na trama, o que implica em mudanças que desconectariam uma temporada da outra. Além disso, admitir que eles podem ser mais canônicos ao escrever o roteiro, só embasa ainda mais minha impressão sobre como ele construíram esse roteiro: na base do copia e cola. Eles não são criadores e escreveram muito pouco. Eles copiaram e colaram frases preferidas deles dos livros e misturaram com cenas de filmes e séries até formar o resultado que assistimos. Eles também disseram que "mudaram coisas dos livros porque não queriam que os leitores de tolkien levassem spoilers o tempo todo e que também tivessem uma boa experiencia surpreendente na hora de assistir a série". Isso quer dizer que eles são "escritores" que realmente pensam que adaptação é modificar totalmente a estrutura de uma história (mesmo que não haja sentido na trama) desde que spoilers não sejam criados para a audiência. Eu não consigo imaginar o que os responsáveis da Amazon têm a dizer sobre isso.
E a série supostamente deve ter 5 temporadas, sendo que eu já acho que a segunda temporada já ficará só para quem tem estômago forte
uma puta história como a da Viola, para intercalar com um bando de histórias chatas. Parece que uma equipe de roteiristas fantástica criou a história da Viola e depois deram espaço pra uma equipe fraca criar as histórias mais recentes. Primeiro de tudo: O que tem a ver aquele fantasma do Harry Potter com a mansão Bly? Por que ele aparece para a Dani e depois para de aparecer do nada? E quando ela retém o espírito da Viola no corpo dela, ela simplesmente pára de vê-lo? Pra mim foi tão jogado e nada a ver que já esperava até um romance Harry Potter & Viola dentro do corpo da Dani. Também achei desnecessária a história de romance do Pete com a Becca. Não foi bem desenvolvida (romance chato, sem graça) e super mal utilizada na hora de justificar como que o cara descobre que as palavras "it's you, it's me, it's us" serviria para fazer a aquela fusão espiritual quântica. Aliás essa história de reviver memórias não desceu na minha garganta até agora, porque a parte que explica como os espíritos ficam presos em Bly através da gravidade da memória da Viola foi bem feita, mas o que fazia cada um mergulhar em cada uma das memórias que mergulhava, não foi bem explorado e isso deixou um gap enorme. Qual a razão para uns reviverem várias memórias e outros não? E mais que isso, não entendi até agora, por exemplo, como que pessoas vivas (como Miles e Flora) também viviam sendo "levados" por memórias, já que a regra se aplicava apenas aos mortos. Eles estavam vivos, não estavam? Pensei que a causa poderia ser o casal Becca e Pete, no entanto não fez sentido porque o Ritual para tomar o corpo deles ainda não tinha sido feito pelo Pete e mesmo assim eles viviam voltando em memórias passadas. E aquele "vírus"(o cozinheiro) que entra na cabeça da governanta para que ela finalmente entenda que já está morta, mas que ela pode ajudar os outros? Como que a lembrança dele simplesmente a fez despertar do ciclo? Se ela revive as memórias, por que falam frases diferentes e não as mesmas? Se eles podem falar frases diferentes, então podem agir de forma diferente? E como se explica que um espírito preso na gravidade pode simplesmente interagir através do toque com tudo e todos enquanto alguns não podem? A Hannah fazia isso o tempo todo e o Pete e os outros não podiam fazê-lo. E comprar que a jardineira e o cozinheiro não desconfiavam que a governanta estava morta é demais, né? Outra coisa sem noção foi o tio das crianças com aquele álter ego e a morte dos pais das crianças. Que diferença que essa história teve para explicar qualquer coisa sobre a mansão Bly? Eu pensei que o casal de repente fosse ser morto pela Viola pelo ódio que ela nutria por traições no geral, mas a história foi que eles viajaram pra India e morreram? Sério?
Enfim, achei que a série deveria ter tido menos episódios (6 no máximo) e focado mais em histórias para explicar as dinâmicas da gravidade de Bly desde o início.
Minha estrela foi pelo elenco, atuações e direção geral de arte. O resto, não tem salvação. Que filme péssimo! Sabe quando você percebe que tentaram utilizar mil técnicas cinematográficas sem que qualquer uma delas tenha conexão uma com a outra ou sentido algum? Esse nível de subjetividade funciona (se mto bem articulado) no teatro, mas em filmes só faz com que a gente queira reembolso da mensalidade da plataforma de streaming. Por favor, parem de fazer filmes que vomitam conceitos teoricos pedantes a cada 3 cenas e são incapazes de seguir com uma estrutura história coerente, que é o mais importante no final das contas.
Resumindo: Sabe quando vc senta num restaurante e paga um prato que é lindo e caro, mas quando você come percebe que é uma mistura de ingredientes caros jogados no lixo? Esse filme é exatamente isso.
Eu gostei muito da comédia da série, no entanto o drama teve zero efeito em mim. A personagem principal é muito chata, mimada e inconsequente. É claro que todos te odeiam quando você faz questão de ser inconveniente e desrespeitosa com todos.
- Trai melhor amiga, única pessoa que a suportava. - Furta objetos que não lhe pertencem. - Não aceita morte da mãe e culpa o pai, não permitindo que ele siga com a própria vida. - Tenta mostrar teta para conseguir empréstimo no banco. - Não respeita o segredo dos outros, principalmente os da irmã. - Não estuda. - Só fode com caras bostas que a tratam mal. - Chuta os caras que a tratam bem. - Menospreza ajuda da irmã.
- Protege a irmã do marido pau no cu. - Cuida do Guinea Pig. - Não fica atrás de príncipe encantado.
Ta vendo como quando a gente põe na balança a vida da pessoa, não da pra defendê-la? Faz muita bos**. Ela é chata pra caralho, e por isso o drama da vida dela não me toca em nada. Você escolheu ser chata, lide com as consequências da própria escolha. Reclama tanto da madrasta megera, mas parece ignorar que a madrasta é ela mais velha.
De qualquer jeito, vale muito a pena pelo humor negro sensacional.
Além da ideia principal bem recorrente na vida gay, nada mais no filme é natural. Todas as cenas parecem ensaiadas, sem ritmo natural e forçadas. Quando a gente assiste filme, nós queremos que os personagens enganem a gente, de forma que a gente esqueça que está assistindo algo programado e tenha a impressão de imersão na vida de alguém. Esse filme traz o contrário; é tudo mega articulado para intensificar trejeitos, frases feitas, dogmas, atitudes sem sentido, continuidade, etc, então em vez de focar na história, focamos na desorganização da continuidade da atuação e na falta de coerência. Parece roteiro de filme pornô barato. O tempo todo ficava imaginando a galera tirando a roupa e fazendo uma mega surubona. A diferença é que no final do pornô ruim, com esforço, ainda rola uma pun**** e uma goz***. Nesse aqui nem isso.
Como a gente está sempre acostumado ao egoísmo antropocentrista dos filmes, quando pego uma história desenvolvida para quebrar a ideia de que tudo que existe é para conceber satisfação ao homem, o filme sempre acaba me chamando mais atenção.
Não tinha entendido também porque as cenas longas (como aquelas da torta) e depois fica bem claro que o objetivo era nos incluir no marasmo de se tornar um espectador infinito da vida
O tempo é um melhor amigo questionável; não se sabe direito se ele te conforta ou se te tortura
Não comprei a irresponsabilidade do pai, pelo menos não quando não houve desenvolvimento do relacionamento dele com a Grace e da mesma com as crianças. Quem deixa os filhos com alguém que mal possui um bom relacionamento com os filhos, dentro de uma cabana no meio do nada, sem ao menos ligar de vez em quando para saber se as crianças estão se comportando e bem? Ainda mais quando os filhos acabaram de passar por um episódio tão violento e traumático na vida, como o suicídio da própria mãe?
Não via um filme tao pretensioso assim faz muito tempo. E me leve totalmente a mal: o negócio é péssimo. É um monte de cena aleatória, desconexa e imparcial para o roteiro. Um excesso de tentativas fúteis e frustantes de capturar a realidade (falsa - amém) comum a todos + o auge da divindade filosófica em cada milésimo de segundo, de forma tão mal feita, que deu a impressão que eu estava submerso num brainstorming eterno de uma timeline pseudo-cult do facebook. Só informação jogada sem sentido algum. Tão desconfortável quanto montar quebra-cabeças com peças misturadas. Um exercício inútil, sem finalidade alguma. E o que é aquela personagem principal? Desde quando esquizofrenia, transtorno de personalidade borderline e falta de caráter são curadas com o amor de ex? Que sentido tem isso? A menina é mega interesseira. Quer viver experiências eternamente? Mas só com gente milionária e com bons contatos, ne? Engraçado que é tão metida a pensadora contemporânea melancólica, mas deixou de considerar que o ócio, o egoísmo e o menosprezo que ela cultiva pela família, que estão matando cada célula do corpo dela. O personagem do Gosling não dura 1 mês com essa menina. Ela precisa de um psiquiatra, não de um namorado. E pra terminar ainda vem ceninha tentando vender uma imagem que, supostamente projeta com maior fidelidade que são os relacionamentos na realidade? EU ACREDITO EM NAMOROS!! E DEFINITIVAMENTE NÃO SÃO TÃO CHATOS!
Na segunda metade do filme eu já percebi que teria que ler sobre o mito para entender melhor o filme (que naquele ponto já havia me sovado a mente). Então resolvi ler sobre o tal Sísifo (contra minha vontade - nunca tive paciência para mitologia grega)...
O fato é que após proferir diversas ofensas aos Deuses e tentar enganar a morte, o tal do sísifo é levado ao Deus da morte para receber sua punição, que consiste no ciclo eterno mencionado pelos personagens.
No entanto meu ponto é: se a Jess é Sísifo, qual foi o motivo pelo qual ela foi condenada? Ela tentou enganar a morte ou ofendeu aos Deuses em algum momento antes do ciclo ter iniciado? (levando em conta que o início do ciclo foi o momento em que ela morreu no acidente). Isto é, não consegui encontrar resposta para justificar o porque dela ter sido punida da mesma maneira que ele foi.
Eu nunca fui e acredito que nem sou fã da Amy, apesar de respeitá-la como artista em diversos aspectos e algumas músicas sempre terem me chamado a atenção, principalmente pelas letras. Mas mesmo não sendo do fã clube, é sempre foda assistir seres humanos serem explorados, não importa como.. E ela deu muito azar. Nasceu num mundo onde fazer o que ela mais gosta significa não ser livre..
O filme sugere que mesmo que nós tivéssemos a habilidade de voltar no tempo para consertar todos os momentos que não tivessem nos satisfazido, mesmo assim, nós descobriríamos que, o segredo da felicidade está numa habilidade que nós já possuímos (encarar cada momento da melhor forma possível, dando o melhor de si) e, no entanto, deixamos passar despercebida, sem dar-lhe a necessária importância. Até ai tudo bem, maaaasss é muito simples o personagem principal dizer que uma vez que: ele já encontrou a mulher da vida dele, teve 3 filhos lindos, salvou a irmã da depressão, reviveu centenas de bons momentos com o falecido pai e ainda teve a oportunidade de dar um chute na bunda do primeiro amor que fez o mesmo com ele no passado - detalhe USANDO EXATAMENTE O VIRA TEMPO DA HERMIONE -, o bom da vida é aproveitar cada momento como se fosse o último. Beeeeem hipócrita, não? Partindo do pressuposto que mais de 80% das coisas boas da vida dele foram conseguidas através do presente que a professora McGonagall deu... [ops, not the story]. Quero ver o cara voltar desde o início da vida dele, perdendo tudo que conseguiu até agora, inclusive os filhos e esposa, e viver a vida aproveitando cada momento do jeito que ele propõe. Hmm, não é uma ideia tããããão otimista e genial agora, né? Não achei a proposta do filme honesta, sinceramente. Honesto seria ele fazer como qualquer outro ser humano faria, assumindo que utilizaria a habilidade sim, caso algo muito sério ocorresse. Afinal, duvido que se um de seus filhos sofresse algum acidente que o tornasse tetraplérgico, o cara passaria a "aproveitar" os dias como se nada mais pudesse ser feito. Será que ele conseguiria viver o resto da vida com esta tortura na consciência? Tal "dom" não é algo que possa ser esquecido assim, não sem ignorar as fraquezas e imperfeições humanas.
Apesar da proposta geral do filme não ter me convencido, gostei bastante do diálogo entre os personagens, das cenas de rotinas que foram bem próximas da realidade, e dos atores que são bons.
Frases do tipo "I gotta be ok with not being ok" definiram muito bem alguém que tivesse passado pelos problemas enfrentados pelos dois. É o sentimento de ter que ser forte o suficiente para suportar as pressões do tempo num relacionamento que passou a ser desgastante, seja pela indiferença ou cansaço de uma das partes, ou pela falta de interesse em continuar da outra. E gostei de como eles trataram o que costumamos fazer nessas horas; quando você é a parte sufocada pelo vestígio de um último relacionamento, vem automaticamente esse impulso de procurar erros em si mesmo e tentar se culpar pelo que foi ou não feito. A história é verdadeira, honesta e pé-no-chão. Com dois personagens incrivelmente ricos, reais, sentimentalmente maduros e com uma inteligência emocional de dar inveja. É o meu tipo de filme..
Me envolveu mas também deprimiu por completo, não apenas por eu ter a personalidade melancólica idêntica ao do Theodore, mas pelo fato do filme ter estabelecido uma comparação entre os sentimentos reais humanos a de um sistema artificial de computador. Enquanto uma das questões retratadas no filme é de até que ponto os sentimentos de Samantha podem ser reais, eu me pegava tentando entender se os nossos também são e se ainda temos a capacidade de expressar sentimentos e envolver os outros seres vivos com eles. Senti uma provocação, depois um incômodo enorme em saber que enquanto o desejo mais profundo de Samantha é se tornar real, de corpo e alma, para a simples finalidade de poder sentir, nós já possuímos essa qualidade e a tratamos com indiferença, sem valor algum. Ou, se possível e ainda pior, a personalidade de Samantha representa a nossa hipocrisia no que diz respeito a relacionamentos, já que hora queremos estar no relacionamento perfeito, outra somos intoleráveis e incapazes de tolerar uma relação estável com apenas 1 parceiro, sem utilizar a desculpa da insaciável busca pela metade da laranja, que de preferência deve vir sem caroços. Então, é questionável até que ponto é saudável a relação humana com os meios tecnológicos. E em que ponto essa relação começa a desmoronar através da subtração que os humanos exercem sobre todos os outros seres vivos por meio desta. Bom, algumas cenas que demonstram isso me deixaram assustado. Como aquelas em que Theodore passeava com o sistema de computador ligado, conversando distraído com ele. Digo, eu estava adorando o diálogo entre eles, mas não pude deixar de reparar que o que eu esperava era assistir as pessoas em volta achando a atitude dele carente, solitária e estranha, basicamente digna de pena (assim como a ex mulher dele admitiu na cena do divórcio). Mas não, o que você assiste é diversas pessoas em volta agindo da mesma forma, preferindo interagir com meios, como se estivessem falando sozinhas. Isso é loucura! E pior de tudo? A sinopse não brinca quando diz que a história é num futuro não tão distante, porque quem aqui nunca viu um casal sentado em um restaurante com os celulares tapando suas visões e impossibilitando que haja a interação de um com o outro? Nós estamos vivendo isso, nos tornamos cada dia mais pessoas parecidas com Theodore. E em determinado momento do filme, essa situação assustadora se intensifica mais ainda: Quando Samantha pede para que uma mulher se envolva no relacionamento dos dois, dá para notar que o ser humano está perdendo para as máquinas no tomar de decisões de cunho interpessoal. A modelo contratada é a prova de que as máquinas passaram a substituir os seres humanos cada vez mais (nota-se que aqui a máquina é o elemento propulsor do "deliberar" do casal, já o ser humano é somente o corpo, ou seja, um mero objeto que auxilia na conclusão dos planos arquitetados pela inteligência artificial), o que poderia significar o início da perda de algumas razões para nossa convivência aprofundada em conteúdos. E é óbvio dizer que quanto menos eu pratico a arte da relação social real, menos eu sei lidar com as pessoas, o que derroca numa série de problemas que impedem o ato de conviver pacificamente e harmoniosamente com diferentes indivíduos. A geração Y, por exemplo, aprende desde o berço a segurar aparelhos eletrônicos digitais e a regular seu tempo através desse relacionamento superficial. A grande maioria, portanto, também criará laços superficiais nas relações interpessoais, porque o costume do descarte e do sentimentalismo egoísta unilateral é introduzida em sua vida desde a infância. Não é de se surpreender também que Theodore tenha ficado perdido e confuso com o limite tênue que a escala de Real-Imaginário alcançou. Uma mulher é real mas não tem conteúdo, a outra possui conteúdo intenso no entanto é virtual. Bom, no fim o que resta é exatamente a extensão da confusão entre o ser virtual e o real pois, por mais diferentes que ambos possam parecer, na verdade possuem uma trivial semelhança; O perfil do amante virtual não foi criado em cima do perfil-padrão do amante real (nós humanos)? Por mais que a artificialidade dos aparelhos tecnológicos de interação processem dados mais rapidamente que nós, se eles detivessem a capacidade de projetar emoções, eles e aqueles que interagissem com ele, também deveriam lidar com divergências e problemas de relacionamentos, provenientes das mudanças constantes das vontades trazidas pelas inconstantes circunstâncias da vida. Portanto a crise do personagem principal se dá pela frustração de encontrar na personalidade das máquinas, defeitos que são parte da personalidade humana. Onde mais ele encontraria conforto se até seres supostamente "limitados" (mais fáceis de manusear, próximos de um regime de submissão) falham na relação tradicional de monogamia mais comum na sua sociedade? Ele entendeu que a troca que foi feita de um ser real por um virtual não valeu a pena, porque ambos são problemáticos, no entanto é melhor viver problemas estabelecidos através de uma relação que supostamente/inevitavelmente seja imperfeita (relação humano x humano) ou uma frustrante que pretensiosamente deva ser perfeita (humano x máquina)?
O filme é a projeção de slides que definem o sentimento cruel (que todos os seres humanos sustentam) de que as possibilidades sempre serão melhores ou mais agradáveis do que aquilo que é. O vício pelo dilema infinito de que a quantidade de opções é imensa na vida, para os seres racionais, manteve Nemo na estabilidade contínua desse tempo de vivência, preso na sequência do que "poderia ser", nunca vivendo de fato tais alternativas. O filme tem muito da leitura que Zygmunt Bauman revela em "Vida para consumo" (apesar desse focar no comportamento humano com o consumismo), sobre um mundo moderno em que, segundo ele "segue no modelo pontilhista, isto é, um modelo de vida que se fosse desenhado em um mapa, representaria um cemitério de possibilidades imaginárias, fantasiosas, ou amplamente negligenciadas e irrealizadas." Portanto o personagem é a demonstração de alguém no extremo desse Bramstorming de possibilidades, que o fez somente viver na vida da consciência de contingências e esqueceu de participar da realidade. Viver sem escolhas significou para Nemo a inexistência. Por isso que "as chances da vida de Nemo tendem a ser previstas de maneira errônea ou perdidas, enquanto a maioria dos pontos se mostra estéril e a maior parte do movimentos, natimortos". Assim que o filme aponta para a dificuldade de lidar com aquilo que escolhemos, que, de diversas formas, pode trazer consequências negativas ou indesejadas, assim como o arrependimento, mas, pode significar também sua marca no tempo e espaço representado pela sua interação com o cenário e o horário que você escolheu. Essa marcação, seja ela qual for, certamente será válida no fim, pois, de uma forma ou de outra, será a prova da sua existência...ou a evidência de quem você é ou se você sequer foi/é alguém. No fim, aquela provocação do Nemo significa: E então, vai decidir quem você é ou o que se tornará, ou covardemente passará seu tempo no devaneio eterno como eu fiz?
Mesmo que surgisse em algum lugar do espaço o encontro entre as extremidades morte e vida, tão concomitantemente opostas, ainda assim a gravidade tomaria posição, demonstraria postura rígida, reagiria poderosamente a esse fenômeno da transição da passagem humana no universo. O filme é um ritual contínuo de simbologias exatamente sobre tal passagem. Basicamente você se perde no vácuo junto com o atores, mas não somente no vácuo do espaço físico extraterrestre, e sim também, no vácuo da mente humana, da maneira com que enxergamos e lidamos com a vida, ou seja, onde e de que maneira pretendemos encaixar nossas forças e pensamentos. Aí se instaura a diferença com que os personagens do Clooney e da Bullock encaram a própria existência, permitindo que nós questionemos de qual lado estamos: da vivência sempre renovada pela sede de estar vivo, de querer continuar sendo desafiado e levar descontraidamente nossa estadia como seres vivos no universo; ou na prisão do descontentamento causado pelo acúmulo de dificuldades na nossa passagem, que prende nosso pensamento na inércia infinita da melancolia? O filme, portanto, retrata o processo de transição da maneira (antes pessimista) com que a personagem da Bullock encarava sua existência, para uma perspectiva totalmente renovada (otimista). É como se ela fosse retirada como um ser humano enxuto do planeta Terra, sem entusiasmo nenhum, ou até mesmo inóspita de sentimento devido a problemas pessoais. Exatamente como nós surgimos, embriões que somente com o tempo aprendem a desenvolver a qualidade de sentir e entender a vida. E então, como num processo de gestação (Eu entendi, aliás, comicamente, uma ligação entre Gravidade/Gravidez - onde esta primeira representa a ausência de vida e a última, a presença intensa da mesma), a personagem de Bullock renasce através da experiência que sofre no espaço. Dessa forma, no início, ela era alguém representada pela gravidade, enquanto no fim, passou a ser representada pela gravidez. Cena BRILHANTE aliás,
aquela em que Ryan consegue voltar para dentro da estação pela primeira vez, comprimindo o próprio corpo para que surgisse a imagem da posição fetal, incrementada pelos cabos dos equipamentos que delinearam a posição do cordão umbilical. Um cena estonteante!
Linda! Daquelas que impulsionam para o aplauso e certamente se tornará capa de DVDs ou imagem de catálogos de filmes que devem ser assistidos. Além das reflexões gigantescas que o filme provoca na cabeça de quem o assiste, é impossível não prestar atenção nos pequenos detalhes técnicos, tão minuciosamente bem explorados, que de tempo em tempo, durante toda a duração do filme, nos indicam de que forma os objetos e substâncias se comportam num ambiente com a falta de gravidade. Nossa atenção é tão requisitada o tempo todo para o drama apaixonante da personagem da Bullock, que os pequenos detalhes acabam nos surpreendendo, toda vez que aparecem: a forma como se comporta o fogo em ambientes com a falta de gravidade, como é possível se ingerir líquidos nesses ambientes, quanto pesa uma roupa de astronauta, ou para onde vai uma lágrima quando choramos no espaço? A ausência de som em algumas cenas, também parece afundar a sala de cinema em uma piscina.Todos ficam, ao mesmo tempo, quietos e inquietos no submerso, apreensivos, num silêncio compatível com o da experiência da Dr. Ryan. Todo o clima ainda é intensificado pelo desespero dos personagens em adquirir algum vestígio de vozes por rádio, que é a único jeito de transmitir e capitar som, além de poder significar a exclusão da solidão em um cenário, já por si só, muito solitário.
Quando Ryan é sincera com o próprio ser, confessando a si mesma, através de um devaneio, que preferia ficar segura lá em cima, longe das mazelas que a vida tinha lhe trazido, à retornar para enfrentar esses problemas, se da o ápice emocional do filme, e me atingiu, ironicamente, como uma gigantesca força de pressão atmosférica. Foi foda! (Do tipo: aquela lágrima ali é do meu óculos 3D ou do filme mesmo?)
Uma única coisa me incomodou no filme: o Clooney interpretou tão honestamente o personagem que, assim como ouve justificativa para o personagem da Bullock pertencer ao grupo dos que vivem à deriva, fiquei super curioso para saber sobre o motivo que modificou a vida dele. O que o Matt passou para sintonizar na indiferença profunda, 24 horas por dia? Qual o caminho que se percorre para alcançar tal experiência em viver? Mas considero isso uma ambição fútil, mais neurose minha do que qualquer outra coisa, porque o que responde a questão é exatamente a história de Ryan.
A medida que o filme caminha para o final, retornamos ao último estágio da analogia do período de uma gestação: a vontade de viver que desperta na personagem está vinculada às contrações que um indivíduo provoca pelo desejo de nascer, enquanto a chegada no planeta Terra, inclusive com a água (representação do líquido amniótico) invadindo a cápsula espacial(que representa o útero), indica o renascimento da personagem. E então seguem-se cenas que estabelecem essa conexão: o respirar devidamente, o aprendizado de como caminhar (levando em conta que a impressão é que você pesa 10 kg a mais quando volta do espaço) e o sentimento de se estar vendo e ouvindo tudo pela primeira vez.
É uma cena linda, em um cenário maravilhoso, realmente poética. Ah, e também cabe aqui a comparação dessa última cena com a teoria da evolução. Enquanto ela saía da água, tentando se locomover, essa ideia passou pela minha cabeça, mas de forma que o filme considerasse essa evolução um estágio acima da raça humana, do qual podemos um dia alcançar, se tentarmos interpretar a vida de forma diferente. É como se os seres humanos tivessem aqui para se conectar exatamente a essa ideia, do desapego pelas coisas desnecessárias. A questão que me prendeu foi: não é exatamente isso que devemos tentar alcançar, o desenvolvimento da capacidade de racionalizar, que somente nós possuímos, para algo que nos torne seres de fato mais evoluídos? E por fim, na maioria dos filmes, a gente está acostumado a lidar com duas hipóteses de destinos para os personagens: a vida ou a morte. Nesse, Cuarón simplesmente conseguiu atingir outra hipótese, a do RENASCIMENTO. Praticamente senti um filtro passando por mim, sugando toda a energia negativa do estado de descontentamento pela vida. Gravidade é uma Obra Prima, é certo que futuramente será exibido em instituições de ensino para o treinamento da reflexão sobre a vida. É um presente do diretor, que foi/está sendo soprado, brilhantemente, nos ouvidos da humanidade: "There's still hope, don't lose it, keep moving on".
Quando um ator grava esse tipo de filme é como se o ápice da sua atuação fosse requisitado, sem muita pressa, sem desespero, sem pressão. A sutileza com que são explorados seus sentidos, comunicação corporal ou verbal, respiração e o transporte de sentimentos para suas feições são as únicas coisas que importam. As palavras a serem ditas não foram lidas, imaginadas ou transpassadas da mente de um autor para o papel de roteiro, elas parecem ser retiradas do âmago de cada ator, sem leitura ou estudo prévio, mas baseadas no acúmulo de conhecimentos que cada um adquiriu durante o tempo de vida. Não consigo me lembrar agora de ter assistido um filme com o texto tão fiel às discussões formadas pelos seres humanos na realidade, de conteúdo cheio de emoção, maduro e sensível, com trechos únicos como o em que natalia (Xenia Kalogeropoulou) descreve o que significa sentir saudade e como ela aceita bem a condição de nossa breve passagem no planeta Terra (como seres humanos), ínfima, na história do universo:
"Well, when I think of Elias, what I miss the most about him is the way he used to lay down next to me at night. Sometimes his arms would stretch along my chest and I couldn't move, I...even had my breath taken, but I felt safe, complete, and I miss the way he was whistling, waliking down the street. And Everytime I do something, I think of what he would say "well, it's cold today, wear a scarffe". But lately I've been forgetting little things. It's sort of fadding, I'm starting to forget him. And it's like, like losing him again. So sometimes I make myself remember every details of his face, the exactly collor of his eyes, his lips, his teeth, the texture of his skin, his hair, but it was all gone by the time he went. And sometimes, not always, but sometimes I can actually see him, it's as if a cloud moves away and there he is, I could almost touch him, but then, the real world rushes in, and he vanishes again. But I did this every morning, when sun was not too bright outside, the sun somehow, makes him vanish. And he appears and it desappears, like a sunrise, a sunset or anything...so ephemeral. Just like our life, we appear, and we desappear and we are so important to some, but we're just passing through."
Uma coisa saiu do eixo e me fez retirar meia estrela da avaliação:
Celine entrando e saindo do quarto nas cenas de discussões do hotel - extremamente desnecessárias e sem vínculo aparente com a personalidade madura da personagem. Não entra na minha cabeça que alguém do nível de conhecimento que ela possui faria algo assim. Sair, de um vez por toda, seria aceitável....mas sair e entrar daquele jeito foi forçado. Alguém como ela, conhecedora do livre arbítrio, seria mais decisiva num momento de ira..
Mesmo assim é um filme que transborda conteúdo. E transborda de maneira simples, sem técnicas de filmagens complexas que são desenvolvidas em meses de gravação. Adoro, por exemplo, como as cenas dão continuidade às atuações sem aquela quantidade enfadonha de cortes de edição que, provavelmente, vieram de centenas de takes em que o diretor teve que corrigir a postura ou a ênfase na fala dos atores. O tempo real acaba tornando o comportamento dos artistas mais natural e espontâneo. Da impressão que a atuação é a essência da liberdade de expressão, o que certamente deve significar muito pra qualquer ator. Se eu fosse ator, provavelmente optaria por esses tipos de papéis.. Um puta filme! Tempo muito bem gasto..
Eu continuo achando brilhantes as técnicas de filmagens que a Sofia utiliza. As câmeras em slow motion, por exemplo, não só apresentam cenas de glamour, emocionantes ou fotográficas, mas invocam a necessidade de se pensar sobre o que está sendo assistido. Um belo exemplo, é a cena em que
Rebecca finalmente experimenta a fragrância no quarto de Lindsay Lohan
. Aquela cena é fantástica. A satisfação no rosto da atriz revela a obsessão e compulsão da personagem por temporariamente assumir o caráter da fama, da notoriedade e, consequentemente, desfrutar do "magnífico" conceito de ser celebridade. Quando suas vidas privadas se tornam pública, mesmo que pelo fato de terem sido acusados de roubo, o que parece importar é sua popularidade em âmbitos gerais, provindas de fotos publicadas em redes sociais com acessórios e roupas de marca. Por mais que pareça frescura juvenil, na verdade são reações ingênuas provocadas pela patologia do consumismo materialista e pela futilidade da vida capitalista. O comportamento dos personagens é tão desesperador porque eles mesmos não percebem que são insaciáveis. Eles já possuem um padrão de vida alto (em questões financeiras) e não conseguem enxergar o que realmente falta para eles. Por mais que obtenham todo esse luxo e glamour da vida que procuram, no fim eles darão conta que ainda estão insatisfeitos e incompletos. Nesse ponto que acredito que Sofia tenha errado. Eu esperava ver mais do desconforto dos personagens ao encarar o que realmente significa ser celebridade, por mais que eu entenda que o objetivo era mostrar ainda mais a superficialidade deles. Só acredito que caberia no filme uma passagem de tempo maior, talvez com fotos de como seguiria a vida dessas pessoas em anos. Outro ponto forte do filme, foi a pergunta da entrevistadora à personagem da Emma Watson, em que é questionado
a importância do "goal" na vida dos seres humanos.
Destaca a necessidade do embasamento do ser com virtudes e temperança, além de ter conhecimento de si mesmo, do seu espaço no mundo, assim como os dos outros para, então, devidamente deter a ENORME responsabilidade de se tornar uma pessoa pública. E uma pessoa pública reconhecida pelo que é (como ser humano; provido de muitas virtudes) ou pelo que faz, e não uma pessoa reconhecida pelo que possui ou pretende parecer ser (provida, então, apenas de vícios). O que me pareceu embaçado no filme, foi o enfoque em personagens em momentos inoportunos enquanto outros necessitavam ser mais explorados.
No final, por exemplo, por que foi dado enfoque no personagem da Emma Watson apenas? Eu fiquei esperando um final coerente para os outros personagens e tem apenas o de 1. Lógico que a sentença foi dada à todos, mas enquanto Nick estava dando entrevista, o que os outros faziam?
Também assisti muito pouco da personagem Chloe, que me pareceu dispor de energia intensa e inconsequente, o que soa perfeito para a configuração da história, mas infelizmente foi pouco explorada. Fiquei apenas com o gostinho daquela cozinha de luxo, com o pai magnata lendo jornal e mãe preparando café, e esta última tão fútil, que me pareceu que a própria futilidade a tinha consumido. Também não senti muito nexo no namorado de Sam, que entra na história tão rápido quanto sai. Uma cena muito boa é aquela em que
Sam encontra uma arma carregada no quarto (no momento não me recordo o quarto de quem), e começa a desafiar a cautela e o medo de Marc.
Essa foi de arrepiar, a inconsequência permeada pela posse do poder. Por mais que seja inocente, desde pequena já deseja o poder, a qualquer custo, pois esse pode significar a notoriedade que tanto busca. Ali eu senti Coppola cuspida e escarrada, CENA FODA! Ah, e em certas cenas eu tive aquela "preguiça" básica pela forma com que os roubos foram mostrados. Um exemplo é a casa do amigo do Marc, o da Jamaica, que foi apresentada para quem assistia como se Rebbeca já tivesse pisado lá. A garota já sabia que tinha uma caixa embaixo da cama, cheia de dinheiro, e nem mesmo procurou para encontrá-la. Um erro pequeno, mas que pode afetar o ritmo da cena pra quem repara. E os relógios Rolex do Orlando Bloom? hahahahaha Antes EU tivesse achado aquele otário pra comprá-los hahahahaha Espero que essa tenha sido uma sacada da Coppola para afirmar que eles são tão mimados, que não sabem o valor de cada coisa, porque caso contrário, este foi um erro grotesco, levando em consideração que Marc conhecia SUPER BEM marcas de grife e não faria sentido tê-los vendido por 5mil. Enfim, eu dei umas boas risadas, fiz diversas reflexões enquanto assistia, mas por falta de enredo, fico com o carisma de outros filmes da Sofia.
Uma imersão cultural espontânea, mútua e sincera, entre pessoas que participam de vidas tão distintas uma da outra. Não só Phillipe absorve a perseverança, otimismo, impulsividade e indiferença de Driss, além de entender sua história e como esse enxerga ou interpreta a vida, como Driss também começa a cultivar hábitos que o aprimoram como pessoa, por meios que antes ele não tinha acesso - a pintura e a música clássica, por exemplo. Também foi explorado a habilidade que Driss possui de fazer com que as pessoas que estão a sua volta sorriam. E o que nos impossibilita de fazer o mesmo? Cada um dos protagonistas ajudou a estabelecer uma espécie de trabalho de campo antropológico, mas que, em devidas circunstâncias, não existia propriamente um cientista da área. E nem era preciso, pois o filme dedica seu tempo a explorar as coisas mais singelas e naturais que ainda possuímos. Ele despe a fina película fútil dos seres humanos (que atualmente só tem crescido) para nos mostrar nossos próprios avessos e o amor e o respeito entre as pessoas, sem levar em consideração detalhes inúteis. É a transformação dos nossos mais puros sentimentos em matéria,
é exatamente isso que o sorriso de Phillipe significa quando consegue finalmente conhecer seu affair.
No fim, o que conta são as pessoas que estão à nossa volta e nos fazem entender o que significa viver realmente, do mais simples e essencial na vida, por mais que a inocência que as cerca não permita que elas entendam como elas foram e são importantes para nós. Filme lindo, cheio de belezas reais..aliás, a trilha sonora também é linda...digna de uma taça de vinho pra acompanhar..
A única coisa válida no filme foi os cenários da costa oeste da Irlanda, sempre majestosos e únicos. O resto é um sequência de ferramentas cinematográficas desperdiçadas.
Sensacional o equilíbrio entre as dores psicológica e física retratadas nas ações cometidas por cada personagem, fez tudo parecer muito mais real. Da mesma forma que o policial e o serial killer dividem o pódio do protagonismo, ambos possuem marcas da dor, embora em um seja mais nítida a dor traumática, da falta de moral e da solidão enquanto no outro a dor física ou da falta de auto-estima.
No fim, pareceu que a vingança não foi aplicada totalmente no vilão, mas parcialmente, também, no mocinho. Assim que decidido qual seria o destino que ele concederia à vida do serial killer, ele estava totalmente alerta de que o último resquício (por mais que indireto) de sua esposa no mundo também desapareceria. Matar o vilão significaria dar de cara com a realidade de que a esposa nunca voltaria à vida.
Ótimo filme! Recomendo tanto pelo suspense como pelo apelo de personagens com personalidades e atitudes mais próximas das posturas dos seres humanos.
Que Horas Eu Te Pego?
3.3 566Achei a química dos personagens da Lawrence e do Feldman muito boa. É de fato como se fossem amigos há anos e isso facilitou o andamento do filme em grande parte das cenas. Mas não é o suficiente para a história se destacar. Achei a história descompassada em algumas cenas, principalmente a cena do almoço na casa dos pais. O tempo entre um acontecimento e outro é desproporcional à distância dos locais de cada cena. Achei que faltou desenvolvimento nessa parte da história.
No mais, fazia tempo que não me divertia no cinema vendo comédia romântica e acho que valeu o ingresso.
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4.2 665 Assista AgoraÉ de admirar como o cara conseguiu reunir em coisas tao simples do dia-a-dia aqueles pequenos momentos que a gente é impactado pelas regras invisíveis de comportamento que são pré-estabelecidas no meio que a gente vive. É angustiante assistir personagens se reprimirem tão profunda e prematuramente ao ponto de se manterem cegos até para as coisas que eles têm certeza que os fazem e sempre os fizeram felizes. E não poderia ser diferente, levando em consideração que até para adultos lidar com essas amarras é complexo.
Pela perspectiva de um homem gay, eu posso afirmar que o diretor conseguiu mostrar exatamente como nós nos forçamos a não experienciar por completo a vida, quando nossa preocupação gira mais em torno da percepção das outras pessoas sobre a nossa vida, do que em vivê-la de fato. Nossa rotina é podada, nossos gostos, nossos sentimentos, nossas relações e até nossa cultura.
Quantas vezes, na infância ou na vida adulta, você já decidiu não deixar à mostra a playlist de música com medo do que as pessoas pensariam de você pelo que você estava ouvindo? Quantas vezes você já deixou de ver algum filme com outras pessoas com medo de chorar perto delas? Quantas vezes já vestiu roupas diferentes do que realmente gostaria de vestir? Ou cortou o cabelo com um corte diferente? E quantas vezes você se forçou a descruzar as pernas ou a cumprimentar alguém com mais formalidade quando percebeu o peso do olhar de outras pessoas sobre seu comportamento?
E o que você é se você deixa de sentir e viver as coisas que constroem o seu comportamento e te definem como ser? Que chances você tem de experimentar felicidade se o fato de ser e existir for tão pesado para você?
Que exercício de reflexão impactante eu senti enquanto assistia. Que estranho é sentir que um filme explora sua intimidade emocional tão a fundo. O roteiro tem um compromentimento ultra fiel à verossimilhança. Tinham cenas, como aquela em que o Remi vai ao treino de hockey, se despindo de orgulho e lutando pela amizade, que brincavam perfeitamente com a sensação de controle sobre o que se pode ou não se permitir sentir dependendo de quem está em volta de você. Como é nítido a diferença de comportamento quando os dois estão sozinhos e quando rodeados de pessoas. O peso da vigília constante é surreal.
De um ponto de vista mais técnico, vale mencionar como ele trabalha bem com os momentos de introspecção dos personagens, até mesmo quando eles não estão sozinhos em cena. Eu sou apaixonado por cenas que mostram o personagem em contato direto com sua subjetividade de forma que nós nem precisemos de falas para deduzir sobre o que eles estão pensando e como estão se sentindo.
Aqui também tem outro elemento no cinema que sempre me chama atenção; Quando alguns personagens estão juntos, eles conversam sempre sobre coisas superficiais para impulsionar a gente a sentir ainda mais o peso da repressão, já que é nítido que eles estão desviando do assunto sobre o qual eles realmente gostariam de estar falando.
E que linda escolha em mostrar a derrocada da inocência de uma amizade através da produção de flores e das atividades que os dois sempre fizeram juntos. A gente é derrubado várias vezes quando percebemos que as flores vão sendo podadas e as estações mudando de maneira que o que tinha vida agora parece não ter, ou quando a estrada que eles andam de bike para chegar em casa agora é mostrada com bifurcação, como se previsse o início da repartição da convivência dos dois.
Pra mim, assistir close foi um exercício de respeito à força da maturidade que eu construí para cuidar da inocência da minha intimidade.
Um dos melhores que assisti esse ano.
O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder (1ª Temporada)
3.9 792 Assista AgoraNÃO RECOMENDO LER QUEM NÃO QUER SPOILERS!
A série tem tantas coisas que me incomodaram enquanto eu assistia, que ficava difícil indicar quais eram as coisas mais tristes de perceber. Vou tentar fazer meu melhor em listá-las junto com comentários de impressões:
Uma das coisas que eu reparo primeiro quando eu assisto série, é como a sequência de eventos que são entregues me envolvem para criar a expectativa da narrativa. Eu gosto de perceber elementos criativos que interagem com a gente para desencadear a história de forma consistente, sem ela parecer arrastada e sem objetivo, e um lugar fundamental pra conseguir isso é na criação da história. E pra isso é necessário MUITO tempo. E tempo bem gasto. E não só tempo de pesquisa, leitura e escrita, mas também de autocrítica, reflexão e análise do que foi escrito. Pra mim, o que foi escrito deve passar por um processo que eu chamaria de "esculhambação" de narrativas (que deve ter um nome técnico ai que eu desconheço). E é o que o próprio nome diz: tudo que foi escrito deve ser exposto e revisado para que se encontrem rastros de incoerências e imprecisões de qualquer tipo, principalmente aquelas que poderiam afetar drasticamente a trama.
Bom, depois de estar mal acostumado com esses cuidados em alguns trabalhos que utilizaram as mesmas fontes de pesquisa, é difícil assistir Anéis do Poder sem que pareça amador, e há muitos trechos que exemplificam a falta desse tipo de tratamento no material:
Por exemplo quando Gil-Galad pergunta para Elrond se ele tem o conhecimento de quem é Celebrimbor (o maior ferreiro de todos os tempos). Elrond responde que sim e expõe de forma desnecessária quem ele é. Essa forma de explicação através de exposição é uma das formas mais fracas, simplistas e amadoras de se apresentar um personagem. Se ele é o maior de todos, todos os conhecem. É o mesmo que perguntar para brasileiros se eles já ouviram falar do Pelé. Isso não corresponde ao tipo de trabalho que esperamos de uma produção milionária. Gil-Galad sendo quem ele é não perderia o próprio tempo com perguntas retóricas.
Existem outras formas de um roteiro conversar com o público para apresentar personagens de formas mais orgânicas e criativas. Isso aqui é escrita de fanfiqueiro.
Há outra cena que eles nos mostraram que Sauron detém o poder de persuasão através do uso das lembranças das pessoas. No último episódio, a memória de Galadriel conversando privadamente com seu irmão em Valinor é usada por Sauron para persuadí-la, e em seguida, assim que ela entende que está sob a influência maligna, ela questiona Elrond sobre informações privadas que somente os dois sabem para se certificar que ele também não é uma ilusão. Mas aqui algo não bate. Sauron tem acesso às memórias de Galadriel ou não? Se sim, ele também teria acesso às memórias dela com Elrond? Ele tem acesso a informação da cor das ceroulas do irmão dela mas não de uma memória de infância dela com o Elrond? Isso não serve como certificação. Afinal, que tipo de lembranças Sauron controla? Pois é, também não sei. E é exatamente encontrar esses tipos de falhas que faltou no momento da criação do roteiro da série.
Também é nítida a inconsistência da personalidade dos personagens, que as vezes muda tomando proporções além do que faria sentido no momento. Aqui cabe um foco principalmente na Galadriel, que está sempre discursando de uma forma e agindo de outra. É sempre uma pretensão de discursos mirabolantes sobre ter conhecimento de coisas que só ela viu, viveu e ouviu, mas está constantemente agindo como alguém que não carrega 1 pingo de sabedoria e serenidade para lidar com desafios desse tipo. Quem viveu o que ela viveu o tempo que ela viveu, não deveria ter essa adrenalina tempestuosa o tempo todo e essa impaciência infantil descontrolada.
Hilbrand ou Sauron tem um erro de desenvolvimento que é brochante; ele é muito passivo durante toda a temporada toda, praticamente um bon vivant sem foco, no entanto no fim é exposto como o grande vilão Sauron. Falta construção das intenções do personagem na história, que foi totalmente tomada pela intenção de forçar um plot twist apenas pelo plot twist, o que também é bem amador.
Aqui também cabe falar sobre o Celebrimbor (como já citado MAIOR FERREIRO DE TODOS OS TEMPOS) sendo ensinado por Sauron sobre a forja dos anéis em uma cena difícil de engolir. Como o maior ferreiro de todos os tempos não sabe habilidades básicas sobre a forja de minerais conhecidos. E o Sauron sabe?
Então volto para roteiro: se ele sabe tudo porque ele perdeu tempo la? Que fugisse antes de ter o encontro com a Galadriel e levasse o Mithril, simplesmente atacando Celebrimbor. Aliás, não era ele que tinha a habilidade de ler lembranças e adquirir conhecimento? Por que não o fez para conseguir tudo que queria do Celebrimbor? Não há desculpa, é tanto furo nesse roteiro, que eu tinha a impressão que a qualquer momento eles iam derrubar mais 8 meteoros do céu e o Gimli, Aragorn, Legolas, Boromir, Pippin, Merry, Frodo e Sam iam surgir para um feat de rap com o Istari estranho.
O Balrog, de boa, na sua, embaixo de mount doom, não é despertado pela explosão causada por uma quantidade de água CLARAMENTE INSUFICIENTE em contato com magma, mas sim pelo símbolo do Canadá. Sim, Balrog é xenofóbico. Tolkien sempre deixou isso claro. Que piada!
Essa incoerência permite que nós foquemos somente nela e automaticamente não conseguimos nos identificar com os personagens. E se não nos identificamos, se perde parte da razão pela qual assistimos o conteúdo. Eu sugiro que os roteiristas saiam do instagram e comecem a ler mais sobre o universo Tolkien. Escrever roteiro de série não é o mesmo que postar foto bonita no instagram. Uma série não vive só de cenário bonito e maquiagem.
Enquanto eu escrevia essa bíblia, tentei pensar em algum personagem que eu tivesse me indentificado ou nutrido qualquer afeto durante essa temporada. Nada. O único que eu gostei, mas achei que faltou desenvolvimento, foi Adar. Nenhum outro é cativante o suficiente. E olha que eu sou fanático pelo Gandalf, Galadriel, Elrond..aliás personagens que só passei a gostar depois dos filmes, e que depois me levaram aos livros, provando que uma boa história pode te tocar independente do formato que a compõe.
E já que toquei no assunto estratégias dos personagens, é importante citar personagens com tomadas de decisões repentinas que não estão alinhadas com o resto da história e muito menos que apresentem razões legítimas:
As 3 Nazguls jogando Gandalf para lá e pra ca quando elas acreditavam que ele era o mestre delas? Qual o sentido disso? Exorcismo? Elas são espíritos malignos (que parecem nazgul, portanto que sentem a presença de seu senhor) e mesmo assim confundem um estranho (Maiar angelical) com um servo de Melkor (Maiar corrompido). Ta puxado! Ah, e pra quem nao entendeu quem são essas senhoras, de onde vieram e o que comem, aqui vai como os roteiristas as definiram no podcast da série: "nós queríamos que elas representassem as 3 feiticeiras de Macbeth", obra do Shakespeare. Sim, pode procurar porque te garanto que a criação dessa ladainha não é minha.
E a Galadriel vai ser citada aqui de novo porque "há uma tempestade dentro dela" que a move ao seu objetivo de vingar a morte de seu irmão, no entanto ela simplesmente decide deixar o assassino de seu irmão seguir para ficar com uma jóia chique de Mithril. E feita por um artesão que recebeu dicas de como forjá-las do próprio Sauron. É inacreditável! Eles estavam no reino do grande Gil-Galad, pelo amor. Envie homens para caçá-lo agora ou apresente razões mais inteligentes sobre como os persongens seguem seus destinos e mudam suas estratégias.
[ ] Sauron é outro que parece estar à deriva tentando encontrar sentido na vida. A impressão que temos no último episódio é que até agora tudo aconteceu por acaso. É fácil de reparar que fragmentos de parte da história que ele participou não são trazidos à tona no momento que ele mostra quem é. Nós não somos introduzidos à um plano arquitetado por ele. Não há conexão de intenção maligna alguma com as decisões que ele toma; Então o Sauron não pretendia sair de Numenor e foi a Galadriel que o convenceu? Ele pretendia ficar lá e vivendo como um ferreiro pra sempre? Ele também não quis salvar Galadriel? Mount Doom, inclusive, foi criada por mero acaso e ele não queria governar nas terras do sul? Se tudo foi arquitetado, a série falhou em não justificar a ideia.
A atuação salva quando o pai de Isildur, a esposa de Durin e o Durin e a parente do Frodo aparecem, mas não é explorada o suficiente junto ao desenvolvimento dos personagens para que a gente se emocione ou torça por eles. Um destaque positivo também vai para o ator que interpreta Adar, que trabalhou muito bem, mesmo tendo pouco tempo na tela.
A figuração também tem problemas na hora de ambientalizar cenários, transpassar características originais e orgânicas dos povos e raças apresentadas, e de projetar as dimensões de cada reino ou civilização. Quando você introduz uma nova sociedade, você entrega os hábitos específicos dessa raça através de quem está atuando por trás da cena principal. A figuração deve estar sempre em movimento e interagindo com a vida que existe no cenário criado. A vida existente naquele ambiente tem que continuar enquanto a câmera passeia por ele. E no trabalho do Tolkien, isso é praticamente o que define cada raça e inclusive seus hábitos, princípios e cultura. Até mesmo o figurino deve ser desenhado através dessas características. Em Rings of power há várias cenas que não houve preocupação alguma com isso: na cena em que há uma manifestação sobre elfos tentando roubar empregos dos numenorians você consegue reparar que pagaram pouquíssima gente para tentar projetar a ideia de grandeza e poder do reino.
E quando Sauron e Galadriel chegam a Lindon e são recebidos por 3 FIGURANTES SOLDADOS de um reino daquele tamanho. Se eu fosse chutar a dimensão daquele lugar, eu não diria que tem o tamanho do ginásio de esportes da minha cidade.
Também não se enxerga em muitas cenas, uma atenção ao suporte que os figurantes podem oferecer para a cena principal ser mais crível. Uma cena em que esse erro é nítido, é no ultimo episódio em que a irmã do Isildur fica sozinha com o rei de Numenor chamando por socorro e eles parecem estar numa vila, distante, no meio do Saara, onde fosse improvável ter alguém por perto.
Os diálogos são pseudo-poéticos porque é perceptível que foram adornados com palavras robustas e formais, mas na real não querem dizer nada e são constrangedores. Anotei algumas frases que justificam meu ponto, e olha só, se estava na internet é porque alguém mais também já percebeu a pobreza do material (as traducoes sao livres, jamais voltarei pra ver aquelas legendas):
[ ] "O cachorro pode latir para a lua, mas nao pode derrubá-la"
[ ] "Você sabe porque os barcos flutuam e as pedras afundam? Porque as pedras só olham para baixo" irmão de Galadriel
[ ] "Preciso ir para a outra direção"
"Mas vc não sabe o que há lá"
"Por isso preciso ir" elfo mala para a amada
[ ] "Varrer inimigos dessa terra como sal de um mesa"
[ ] "E o que faremos? Faremos o que podemos: nadaremos" Galadriel
Roberto Bolaños, é você na rédea do roteiro? "PREFIRO MORRER DO QUE PERDER A VIDA!"
Esses são apenas alguns trechos. O que acontece, é que nosso ouvido está treinado para escutar inglês e já achar que a frase é bonita porque soa gringo, mas eu sugiro falar o texto em português em voz alta para escutar o tanto de m**** que foi enfiada nesse roteiro.
Quando Gil-Galad envia Galadriel para Valinor, ele diz ao Elrond "O mesmo vento que pode apagar o fogo, pode espalhá-lo ainda mais". Então ele enviava a Galadriel para Valinor porque sabia que existia um mal que ela procurava, mas que seria melhor ela nao encontrá-lo porque assim ninguém sofreria. O próprio rei de Lindon tinha a estratégia de deixar todos morrerem e agiu no puro "o que os olhos nao veêm...". É de chorar! Estamos falando de Gil-Galad aqui. A sabedoria dele vai além de Galadriel, Elrond, Gandalf, etc. Ele literalmente já até enfrentou Sauron em outra guerra. As falar são superficiais e não têm consistência para acompanhar a história cheia de falhas.
Outra coisa que demonstra respeito, dedicação e responsabilidade na hora de executar adaptações, é você estudar e assim entender profundamente as obras fontes, até o ponto que você começa a dominar as regras básicas do mundo que você está lidando, por exemplo: indentificando status quo do mundo, definindo as regras da física e química daquele ambiente (considerando a do nosso mundo real - algo de fiel importância para o mundo da terra média) e equibrando limite de força e poder com a fraqueza e vulnerabilidade dos personagens criados. Nós precisamos entender, sem muito esforço e cenas pretensiosas clichês e óbvias, que determinado personagem possui um poder e quais as formas dos outros combaterem tal poder, de maneira que um clima de tensão faça que nós acreditemos que tanto o bem quanto o mal poderá triunfar, e então sentiremos que realmente tudo está por um fio a todo momento. Seguindo essa lógica, ao atribuir certos poderes a determinados personagens, deve-se fazê-lo tomando o maior cuidado com a temperança do tamanho do poder atribuído, principalmente se a habilidade é muito extraordinária, caso contrário, abre-se uma infinidade de possibilidades e brechas sobre como aquele poder poderia ser utilizado para facilitar a estratégia de um único personagem. Em O Senhor dos anéis, por exemplo, já questionaram o Peter Jackson do porquê as águias do Gandalf não levaram Frodo até Mount Doom para despejar o anel na montanha. E há uma explicação lógica para isso não ter acontecido, que agora não cabe no assunto.
O que deu para perceber em Anéis do poder, no entanto, é uma falta de preparo de quem escreveu o roteiro na hora de manusear os personagens e como seus poderes influenciam o rumo da história.
Sauron, como já citado, parece ter um poder que o coloca a frente de vários personagens de maneira desproporcional para quem ainda nem detem um anel do poder. O equilíbrio entre o Sauron pré anel e pós anel foi totalmente deixado de lado.
Galadriel tem força, destreza e capacidade de aniquilar um Trasgo da Montanha sozinha, enquanto em O Senhor dos anéis, a sociedade (9 - contando com 1 Istar, 1 Elfo da Floresta e 1 Numenorian) teve que se estrepar para acabar com a mesma criatura. E detalhe que ela tinha uma guild completa para ajudá-la e mesmo assim ignorou todos e transformou a cena em um espetáculo narcisista.
O Mithril tem um poder que não foi 100% explicado, o que deveria, considerando que esse poder tem a capacidade de salvar criaturas tão únicas e poderosas. Não há lógica na distribuição de poder e tão pouco se preocuparam com lógica básica da física do mundo porque definitivamente vulcões não funcionam daquela forma na vida real, e provavelmente também não funcionariam assim na Terra Média (Tolkien e Peter Jackson sempre mantiveram pé no chão e coerência sobre o equilíbrio entre características do planeta terra que teri influencia sobre a Terra Média)
Para terminar, é importante dizer que falta de material para conduzir bem a história não é desculpa. Nós temos zilhoes de conteúdos do Tolkien para nos basearmos e escrevermos histórias incríveis. Mas isso requer um trabalho mais minucioso e menos preguiçoso.
Em algumas entrevistas dadas pelos criadores nos últimos dias, eles disseram: "sobre as razões e estratégias do personagem Sauron na primeira temporada, nós gostaríamos de deixá-las em aberto para explorá-las nas próximas temporadas". Dando a entender que a falta de começo, meio e fim dos acontecimentos foram planejados e intencionais. Não foram. Eles foram mal escritos e a maioria vai ser deixado para trás sem explicação. Assim como já há acontecimentos nessa temporada que ficarão para trás sem explicação.
Eles também afirmaram que "a próxima temporada será mais canônica", ou seja, eles mesmo admitiram que essa temporada foi desenvolvida sem consideração suficiente das obras do Tolkien. E que promessa mais patética, porque transformar a próxima em canônica significa ir contra MUITA coisa que já foi estruturada na trama, o que implica em mudanças que desconectariam uma temporada da outra.
Além disso, admitir que eles podem ser mais canônicos ao escrever o roteiro, só embasa ainda mais minha impressão sobre como ele construíram esse roteiro: na base do copia e cola. Eles não são criadores e escreveram muito pouco. Eles copiaram e colaram frases preferidas deles dos livros e misturaram com cenas de filmes e séries até formar o resultado que assistimos.
Eles também disseram que "mudaram coisas dos livros porque não queriam que os leitores de tolkien levassem spoilers o tempo todo e que também tivessem uma boa experiencia surpreendente na hora de assistir a série". Isso quer dizer que eles são "escritores" que realmente pensam que adaptação é modificar totalmente a estrutura de uma história (mesmo que não haja sentido na trama) desde que spoilers não sejam criados para a audiência. Eu não consigo imaginar o que os responsáveis da Amazon têm a dizer sobre isso.
E a série supostamente deve ter 5 temporadas, sendo que eu já acho que a segunda temporada já ficará só para quem tem estômago forte
A Maldição da Mansão Bly
3.9 933 Assista AgoraEu terminei com uma sensação de pena; QUE DESPERDÍCIO utilizarem
uma puta história como a da Viola, para intercalar com um bando de histórias chatas. Parece que uma equipe de roteiristas fantástica criou a história da Viola e depois deram espaço pra uma equipe fraca criar as histórias mais recentes.
Primeiro de tudo: O que tem a ver aquele fantasma do Harry Potter com a mansão Bly? Por que ele aparece para a Dani e depois para de aparecer do nada? E quando ela retém o espírito da Viola no corpo dela, ela simplesmente pára de vê-lo? Pra mim foi tão jogado e nada a ver que já esperava até um romance Harry Potter & Viola dentro do corpo da Dani.
Também achei desnecessária a história de romance do Pete com a Becca. Não foi bem desenvolvida (romance chato, sem graça) e super mal utilizada na hora de justificar como que o cara descobre que as palavras "it's you, it's me, it's us" serviria para fazer a aquela fusão espiritual quântica.
Aliás essa história de reviver memórias não desceu na minha garganta até agora, porque a parte que explica como os espíritos ficam presos em Bly através da gravidade da memória da Viola foi bem feita, mas o que fazia cada um mergulhar em cada uma das memórias que mergulhava, não foi bem explorado e isso deixou um gap enorme. Qual a razão para uns reviverem várias memórias e outros não? E mais que isso, não entendi até agora, por exemplo, como que pessoas vivas (como Miles e Flora) também viviam sendo "levados" por memórias, já que a regra se aplicava apenas aos mortos. Eles estavam vivos, não estavam? Pensei que a causa poderia ser o casal Becca e Pete, no entanto não fez sentido porque o Ritual para tomar o corpo deles ainda não tinha sido feito pelo Pete e mesmo assim eles viviam voltando em memórias passadas.
E aquele "vírus"(o cozinheiro) que entra na cabeça da governanta para que ela finalmente entenda que já está morta, mas que ela pode ajudar os outros? Como que a lembrança dele simplesmente a fez despertar do ciclo? Se ela revive as memórias, por que falam frases diferentes e não as mesmas? Se eles podem falar frases diferentes, então podem agir de forma diferente?
E como se explica que um espírito preso na gravidade pode simplesmente interagir através do toque com tudo e todos enquanto alguns não podem? A Hannah fazia isso o tempo todo e o Pete e os outros não podiam fazê-lo. E comprar que a jardineira e o cozinheiro não desconfiavam que a governanta estava morta é demais, né?
Outra coisa sem noção foi o tio das crianças com aquele álter ego e a morte dos pais das crianças. Que diferença que essa história teve para explicar qualquer coisa sobre a mansão Bly? Eu pensei que o casal de repente fosse ser morto pela Viola pelo ódio que ela nutria por traições no geral, mas a história foi que eles viajaram pra India e morreram? Sério?
Enfim, achei que a série deveria ter tido menos episódios (6 no máximo) e focado mais em histórias para explicar as dinâmicas da gravidade de Bly desde o início.
Estou Pensando em Acabar com Tudo
3.1 1,1K Assista AgoraMinha estrela foi pelo elenco, atuações e direção geral de arte. O resto, não tem salvação.
Que filme péssimo! Sabe quando você percebe que tentaram utilizar mil técnicas cinematográficas sem que qualquer uma delas tenha conexão uma com a outra ou sentido algum? Esse nível de subjetividade funciona (se mto bem articulado) no teatro, mas em filmes só faz com que a gente queira reembolso da mensalidade da plataforma de streaming.
Por favor, parem de fazer filmes que vomitam conceitos teoricos pedantes a cada 3 cenas e são incapazes de seguir com uma estrutura história coerente, que é o mais importante no final das contas.
Resumindo: Sabe quando vc senta num restaurante e paga um prato que é lindo e caro, mas quando você come percebe que é uma mistura de ingredientes caros jogados no lixo? Esse filme é exatamente isso.
Fleabag (1ª Temporada)
4.4 646 Assista AgoraEu gostei muito da comédia da série, no entanto o drama teve zero efeito em mim. A personagem principal é muito chata, mimada e inconsequente.
É claro que todos te odeiam quando você faz questão de ser inconveniente e desrespeitosa com todos.
Lista do que ela faz errado:
- Trai melhor amiga, única pessoa que a suportava.
- Furta objetos que não lhe pertencem.
- Não aceita morte da mãe e culpa o pai, não permitindo que ele siga com a própria vida.
- Tenta mostrar teta para conseguir empréstimo no banco.
- Não respeita o segredo dos outros, principalmente os da irmã.
- Não estuda.
- Só fode com caras bostas que a tratam mal.
- Chuta os caras que a tratam bem.
- Menospreza ajuda da irmã.
Lista do que ela faz certo:
- Protege a irmã do marido pau no cu.
- Cuida do Guinea Pig.
- Não fica atrás de príncipe encantado.
Ta vendo como quando a gente põe na balança a vida da pessoa, não da pra defendê-la? Faz muita bos**. Ela é chata pra caralho, e por isso o drama da vida dela não me toca em nada. Você escolheu ser chata, lide com as consequências da própria escolha.
Reclama tanto da madrasta megera, mas parece ignorar que a madrasta é ela mais velha.
De qualquer jeito, vale muito a pena pelo humor negro sensacional.
Primos
2.5 161Além da ideia principal bem recorrente na vida gay, nada mais no filme é natural. Todas as cenas parecem ensaiadas, sem ritmo natural e forçadas.
Quando a gente assiste filme, nós queremos que os personagens enganem a gente, de forma que a gente esqueça que está assistindo algo programado e tenha a impressão de imersão na vida de alguém.
Esse filme traz o contrário; é tudo mega articulado para intensificar trejeitos, frases feitas, dogmas, atitudes sem sentido, continuidade, etc, então em vez de focar na história, focamos na desorganização da continuidade da atuação e na falta de coerência.
Parece roteiro de filme pornô barato. O tempo todo ficava imaginando a galera tirando a roupa e fazendo uma mega surubona. A diferença é que no final do pornô ruim, com esforço, ainda rola uma pun**** e uma goz***. Nesse aqui nem isso.
Sombras da Vida
3.8 1,3KComo a gente está sempre acostumado ao egoísmo antropocentrista dos filmes, quando pego uma história desenvolvida para quebrar a ideia de que tudo que existe é para conceber satisfação ao homem, o filme sempre acaba me chamando mais atenção.
Eu me questionei várias vezes durante o filme "você não acha que reclama demais por ser humano? Vai ser fantasma então."
Não tinha entendido também porque as cenas longas (como aquelas da torta) e depois fica bem claro que o objetivo era nos incluir no marasmo de se tornar um espectador infinito da vida
O tempo é um melhor amigo questionável; não se sabe direito se ele te conforta ou se te tortura
O Chalé
3.3 734 Assista AgoraNão comprei a irresponsabilidade do pai, pelo menos não quando não houve desenvolvimento do relacionamento dele com a Grace e da mesma com as crianças.
Quem deixa os filhos com alguém que mal possui um bom relacionamento com os filhos, dentro de uma cabana no meio do nada, sem ao menos ligar de vez em quando para saber se as crianças estão se comportando e bem? Ainda mais quando os filhos acabaram de passar por um episódio tão violento e traumático na vida, como o suicídio da própria mãe?
De Canção Em Canção
2.9 376 Assista AgoraNão via um filme tao pretensioso assim faz muito tempo. E me leve totalmente a mal: o negócio é péssimo. É um monte de cena aleatória, desconexa e imparcial para o roteiro. Um excesso de tentativas fúteis e frustantes de capturar a realidade (falsa - amém) comum a todos + o auge da divindade filosófica em cada milésimo de segundo, de forma tão mal feita, que deu a impressão que eu estava submerso num brainstorming eterno de uma timeline pseudo-cult do facebook. Só informação jogada sem sentido algum. Tão desconfortável quanto montar quebra-cabeças com peças misturadas. Um exercício inútil, sem finalidade alguma.
E o que é aquela personagem principal? Desde quando esquizofrenia, transtorno de personalidade borderline e falta de caráter são curadas com o amor de ex? Que sentido tem isso? A menina é mega interesseira. Quer viver experiências eternamente? Mas só com gente milionária e com bons contatos, ne? Engraçado que é tão metida a pensadora contemporânea melancólica, mas deixou de considerar que o ócio, o egoísmo e o menosprezo que ela cultiva pela família, que estão matando cada célula do corpo dela.
O personagem do Gosling não dura 1 mês com essa menina. Ela precisa de um psiquiatra, não de um namorado.
E pra terminar ainda vem ceninha tentando vender uma imagem que, supostamente projeta com maior fidelidade que são os relacionamentos na realidade?
EU ACREDITO EM NAMOROS!! E DEFINITIVAMENTE NÃO SÃO TÃO CHATOS!
Triângulo do Medo
3.5 1,3KSó não entendi uma coisa:
Na segunda metade do filme eu já percebi que teria que ler sobre o mito para entender melhor o filme (que naquele ponto já havia me sovado a mente). Então resolvi ler sobre o tal Sísifo (contra minha vontade - nunca tive paciência para mitologia grega)...
O fato é que após proferir diversas ofensas aos Deuses e tentar enganar a morte, o tal do sísifo é levado ao Deus da morte para receber sua punição, que consiste no ciclo eterno mencionado pelos personagens.
No entanto meu ponto é: se a Jess é Sísifo, qual foi o motivo pelo qual ela foi condenada? Ela tentou enganar a morte ou ofendeu aos Deuses em algum momento antes do ciclo ter iniciado? (levando em conta que o início do ciclo foi o momento em que ela morreu no acidente). Isto é, não consegui encontrar resposta para justificar o porque dela ter sido punida da mesma maneira que ele foi.
Amy
4.4 1,0K Assista AgoraEu nunca fui e acredito que nem sou fã da Amy, apesar de respeitá-la como artista em diversos aspectos e algumas músicas sempre terem me chamado a atenção, principalmente pelas letras.
Mas mesmo não sendo do fã clube, é sempre foda assistir seres humanos serem explorados, não importa como..
E ela deu muito azar. Nasceu num mundo onde fazer o que ela mais gosta significa não ser livre..
Questão de Tempo
4.2 4,1K Assista AgoraUm aspecto do filme me incomodou demais!
O filme sugere que mesmo que nós tivéssemos a habilidade de voltar no tempo para consertar todos os momentos que não tivessem nos satisfazido, mesmo assim, nós descobriríamos que, o segredo da felicidade está numa habilidade que nós já possuímos (encarar cada momento da melhor forma possível, dando o melhor de si) e, no entanto, deixamos passar despercebida, sem dar-lhe a necessária importância.
Até ai tudo bem, maaaasss é muito simples o personagem principal dizer que uma vez que: ele já encontrou a mulher da vida dele, teve 3 filhos lindos, salvou a irmã da depressão, reviveu centenas de bons momentos com o falecido pai e ainda teve a oportunidade de dar um chute na bunda do primeiro amor que fez o mesmo com ele no passado - detalhe USANDO EXATAMENTE O VIRA TEMPO DA HERMIONE -, o bom da vida é aproveitar cada momento como se fosse o último.
Beeeeem hipócrita, não? Partindo do pressuposto que mais de 80% das coisas boas da vida dele foram conseguidas através do presente que a professora McGonagall deu... [ops, not the story].
Quero ver o cara voltar desde o início da vida dele, perdendo tudo que conseguiu até agora, inclusive os filhos e esposa, e viver a vida aproveitando cada momento do jeito que ele propõe. Hmm, não é uma ideia tããããão otimista e genial agora, né? Não achei a proposta do filme honesta, sinceramente.
Honesto seria ele fazer como qualquer outro ser humano faria, assumindo que utilizaria a habilidade sim, caso algo muito sério ocorresse. Afinal, duvido que se um de seus filhos sofresse algum acidente que o tornasse tetraplérgico, o cara passaria a "aproveitar" os dias como se nada mais pudesse ser feito. Será que ele conseguiria viver o resto da vida com esta tortura na consciência? Tal "dom" não é algo que possa ser esquecido assim, não sem ignorar as fraquezas e imperfeições humanas.
Antes do Adeus
3.5 324 Assista AgoraFrases do tipo "I gotta be ok with not being ok" definiram muito bem alguém que tivesse passado pelos problemas enfrentados pelos dois. É o sentimento de ter que ser forte o suficiente para suportar as pressões do tempo num relacionamento que passou a ser desgastante, seja pela indiferença ou cansaço de uma das partes, ou pela falta de interesse em continuar da outra.
E gostei de como eles trataram o que costumamos fazer nessas horas; quando você é a parte sufocada pelo vestígio de um último relacionamento, vem automaticamente esse impulso de procurar erros em si mesmo e tentar se culpar pelo que foi ou não feito.
A história é verdadeira, honesta e pé-no-chão. Com dois personagens incrivelmente ricos, reais, sentimentalmente maduros e com uma inteligência emocional de dar inveja.
É o meu tipo de filme..
Ela
4.2 5,8K Assista AgoraMe envolveu mas também deprimiu por completo, não apenas por eu ter a personalidade melancólica idêntica ao do Theodore, mas pelo fato do filme ter estabelecido uma comparação entre os sentimentos reais humanos a de um sistema artificial de computador.
Enquanto uma das questões retratadas no filme é de até que ponto os sentimentos de Samantha podem ser reais, eu me pegava tentando entender se os nossos também são e se ainda temos a capacidade de expressar sentimentos e envolver os outros seres vivos com eles. Senti uma provocação, depois um incômodo enorme em saber que enquanto o desejo mais profundo de Samantha é se tornar real, de corpo e alma, para a simples finalidade de poder sentir, nós já possuímos essa qualidade e a tratamos com indiferença, sem valor algum. Ou, se possível e ainda pior, a personalidade de Samantha representa a nossa hipocrisia no que diz respeito a relacionamentos, já que hora queremos estar no relacionamento perfeito, outra somos intoleráveis e incapazes de tolerar uma relação estável com apenas 1 parceiro, sem utilizar a desculpa da insaciável busca pela metade da laranja, que de preferência deve vir sem caroços.
Então, é questionável até que ponto é saudável a relação humana com os meios tecnológicos. E em que ponto essa relação começa a desmoronar através da subtração que os humanos exercem sobre todos os outros seres vivos por meio desta.
Bom, algumas cenas que demonstram isso me deixaram assustado. Como aquelas em que Theodore passeava com o sistema de computador ligado, conversando distraído com ele. Digo, eu estava adorando o diálogo entre eles, mas não pude deixar de reparar que o que eu esperava era assistir as pessoas em volta achando a atitude dele carente, solitária e estranha, basicamente digna de pena (assim como a ex mulher dele admitiu na cena do divórcio). Mas não, o que você assiste é diversas pessoas em volta agindo da mesma forma, preferindo interagir com meios, como se estivessem falando sozinhas. Isso é loucura! E pior de tudo? A sinopse não brinca quando diz que a história é num futuro não tão distante, porque quem aqui nunca viu um casal sentado em um restaurante com os celulares tapando suas visões e impossibilitando que haja a interação de um com o outro? Nós estamos vivendo isso, nos tornamos cada dia mais pessoas parecidas com Theodore. E em determinado momento do filme, essa situação assustadora se intensifica mais ainda: Quando Samantha pede para que uma mulher se envolva no relacionamento dos dois, dá para notar que o ser humano está perdendo para as máquinas no tomar de decisões de cunho interpessoal. A modelo contratada é a prova de que as máquinas passaram a substituir os seres humanos cada vez mais (nota-se que aqui a máquina é o elemento propulsor do "deliberar" do casal, já o ser humano é somente o corpo, ou seja, um mero objeto que auxilia na conclusão dos planos arquitetados pela inteligência artificial), o que poderia significar o início da perda de algumas razões para nossa convivência aprofundada em conteúdos. E é óbvio dizer que quanto menos eu pratico a arte da relação social real, menos eu sei lidar com as pessoas, o que derroca numa série de problemas que impedem o ato de conviver pacificamente e harmoniosamente com diferentes indivíduos. A geração Y, por exemplo, aprende desde o berço a segurar aparelhos eletrônicos digitais e a regular seu tempo através desse relacionamento superficial. A grande maioria, portanto, também criará laços superficiais nas relações interpessoais, porque o costume do descarte e do sentimentalismo egoísta unilateral é introduzida em sua vida desde a infância.
Não é de se surpreender também que Theodore tenha ficado perdido e confuso com o limite tênue que a escala de Real-Imaginário alcançou. Uma mulher é real mas não tem conteúdo, a outra possui conteúdo intenso no entanto é virtual.
Bom, no fim o que resta é exatamente a extensão da confusão entre o ser virtual e o real pois, por mais diferentes que ambos possam parecer, na verdade possuem uma trivial semelhança; O perfil do amante virtual não foi criado em cima do perfil-padrão do amante real (nós humanos)? Por mais que a artificialidade dos aparelhos tecnológicos de interação processem dados mais rapidamente que nós, se eles detivessem a capacidade de projetar emoções, eles e aqueles que interagissem com ele, também deveriam lidar com divergências e problemas de relacionamentos, provenientes das mudanças constantes das vontades trazidas pelas inconstantes circunstâncias da vida. Portanto a crise do personagem principal se dá pela frustração de encontrar na personalidade das máquinas, defeitos que são parte da personalidade humana. Onde mais ele encontraria conforto se até seres supostamente "limitados" (mais fáceis de manusear, próximos de um regime de submissão) falham na relação tradicional de monogamia mais comum na sua sociedade?
Ele entendeu que a troca que foi feita de um ser real por um virtual não valeu a pena, porque ambos são problemáticos, no entanto é melhor viver problemas estabelecidos através de uma relação que supostamente/inevitavelmente seja imperfeita (relação humano x humano) ou uma frustrante que pretensiosamente deva ser perfeita (humano x máquina)?
Sr. Ninguém
4.3 2,7K Assista AgoraO filme é a projeção de slides que definem o sentimento cruel (que todos os seres humanos sustentam) de que as possibilidades sempre serão melhores ou mais agradáveis do que aquilo que é. O vício pelo dilema infinito de que a quantidade de opções é imensa na vida, para os seres racionais, manteve Nemo na estabilidade contínua desse tempo de vivência, preso na sequência do que "poderia ser", nunca vivendo de fato tais alternativas.
O filme tem muito da leitura que Zygmunt Bauman revela em "Vida para consumo" (apesar desse focar no comportamento humano com o consumismo), sobre um mundo moderno em que, segundo ele "segue no modelo pontilhista, isto é, um modelo de vida que se fosse desenhado em um mapa, representaria um cemitério de possibilidades imaginárias, fantasiosas, ou amplamente negligenciadas e irrealizadas."
Portanto o personagem é a demonstração de alguém no extremo desse Bramstorming de possibilidades, que o fez somente viver na vida da consciência de contingências e esqueceu de participar da realidade. Viver sem escolhas significou para Nemo a inexistência. Por isso que "as chances da vida de Nemo tendem a ser previstas de maneira errônea ou perdidas, enquanto a maioria dos pontos se mostra estéril e a maior parte do movimentos, natimortos".
Assim que o filme aponta para a dificuldade de lidar com aquilo que escolhemos, que, de diversas formas, pode trazer consequências negativas ou indesejadas, assim como o arrependimento, mas, pode significar também sua marca no tempo e espaço representado pela sua interação com o cenário e o horário que você escolheu. Essa marcação, seja ela qual for, certamente será válida no fim, pois, de uma forma ou de outra, será a prova da sua existência...ou a evidência de quem você é ou se você sequer foi/é alguém.
No fim, aquela provocação do Nemo significa: E então, vai decidir quem você é ou o que se tornará, ou covardemente passará seu tempo no devaneio eterno como eu fiz?
Gravidade
3.9 5,0K Assista AgoraMesmo que surgisse em algum lugar do espaço o encontro entre as extremidades morte e vida, tão concomitantemente opostas, ainda assim a gravidade tomaria posição, demonstraria postura rígida, reagiria poderosamente a esse fenômeno da transição da passagem humana no universo.
O filme é um ritual contínuo de simbologias exatamente sobre tal passagem. Basicamente você se perde no vácuo junto com o atores, mas não somente no vácuo do espaço físico extraterrestre, e sim também, no vácuo da mente humana, da maneira com que enxergamos e lidamos com a vida, ou seja, onde e de que maneira pretendemos encaixar nossas forças e pensamentos.
Aí se instaura a diferença com que os personagens do Clooney e da Bullock encaram a própria existência, permitindo que nós questionemos de qual lado estamos: da vivência sempre renovada pela sede de estar vivo, de querer continuar sendo desafiado e levar descontraidamente nossa estadia como seres vivos no universo; ou na prisão do descontentamento causado pelo acúmulo de dificuldades na nossa passagem, que prende nosso pensamento na inércia infinita da melancolia?
O filme, portanto, retrata o processo de transição da maneira (antes pessimista) com que a personagem da Bullock encarava sua existência, para uma perspectiva totalmente renovada (otimista). É como se ela fosse retirada como um ser humano enxuto do planeta Terra, sem entusiasmo nenhum, ou até mesmo inóspita de sentimento devido a problemas pessoais. Exatamente como nós surgimos, embriões que somente com o tempo aprendem a desenvolver a qualidade de sentir e entender a vida. E então, como num processo de gestação (Eu entendi, aliás, comicamente, uma ligação entre Gravidade/Gravidez - onde esta primeira representa a ausência de vida e a última, a presença intensa da mesma), a personagem de Bullock renasce através da experiência que sofre no espaço. Dessa forma, no início, ela era alguém representada pela gravidade, enquanto no fim, passou a ser representada pela gravidez.
Cena BRILHANTE aliás,
aquela em que Ryan consegue voltar para dentro da estação pela primeira vez, comprimindo o próprio corpo para que surgisse a imagem da posição fetal, incrementada pelos cabos dos equipamentos que delinearam a posição do cordão umbilical. Um cena estonteante!
Além das reflexões gigantescas que o filme provoca na cabeça de quem o assiste, é impossível não prestar atenção nos pequenos detalhes técnicos, tão minuciosamente bem explorados, que de tempo em tempo, durante toda a duração do filme, nos indicam de que forma os objetos e substâncias se comportam num ambiente com a falta de gravidade. Nossa atenção é tão requisitada o tempo todo para o drama apaixonante da personagem da Bullock, que os pequenos detalhes acabam nos surpreendendo, toda vez que aparecem: a forma como se comporta o fogo em ambientes com a falta de gravidade, como é possível se ingerir líquidos nesses ambientes, quanto pesa uma roupa de astronauta, ou para onde vai uma lágrima quando choramos no espaço?
A ausência de som em algumas cenas, também parece afundar a sala de cinema em uma piscina.Todos ficam, ao mesmo tempo, quietos e inquietos no submerso, apreensivos, num silêncio compatível com o da experiência da Dr. Ryan. Todo o clima ainda é intensificado pelo desespero dos personagens em adquirir algum vestígio de vozes por rádio, que é a único jeito de transmitir e capitar som, além de poder significar a exclusão da solidão em um cenário, já por si só, muito solitário.
Quando Ryan é sincera com o próprio ser, confessando a si mesma, através de um devaneio, que preferia ficar segura lá em cima, longe das mazelas que a vida tinha lhe trazido, à retornar para enfrentar esses problemas, se da o ápice emocional do filme, e me atingiu, ironicamente, como uma gigantesca força de pressão atmosférica. Foi foda! (Do tipo: aquela lágrima ali é do meu óculos 3D ou do filme mesmo?)
Uma única coisa me incomodou no filme: o Clooney interpretou tão honestamente o personagem que, assim como ouve justificativa para o personagem da Bullock pertencer ao grupo dos que vivem à deriva, fiquei super curioso para saber sobre o motivo que modificou a vida dele. O que o Matt passou para sintonizar na indiferença profunda, 24 horas por dia? Qual o caminho que se percorre para alcançar tal experiência em viver? Mas considero isso uma ambição fútil, mais neurose minha do que qualquer outra coisa, porque o que responde a questão é exatamente a história de Ryan.
A medida que o filme caminha para o final, retornamos ao último estágio da analogia do período de uma gestação: a vontade de viver que desperta na personagem está vinculada às contrações que um indivíduo provoca pelo desejo de nascer, enquanto a chegada no planeta Terra, inclusive com a água (representação do líquido amniótico) invadindo a cápsula espacial(que representa o útero), indica o renascimento da personagem. E então seguem-se cenas que estabelecem essa conexão: o respirar devidamente, o aprendizado de como caminhar (levando em conta que a impressão é que você pesa 10 kg a mais quando volta do espaço) e o sentimento de se estar vendo e ouvindo tudo pela primeira vez.
Ah, e também cabe aqui a comparação dessa última cena com a teoria da evolução. Enquanto ela saía da água, tentando se locomover, essa ideia passou pela minha cabeça, mas de forma que o filme considerasse essa evolução um estágio acima da raça humana, do qual podemos um dia alcançar, se tentarmos interpretar a vida de forma diferente. É como se os seres humanos tivessem aqui para se conectar exatamente a essa ideia, do desapego pelas coisas desnecessárias. A questão que me prendeu foi: não é exatamente isso que devemos tentar alcançar, o desenvolvimento da capacidade de racionalizar, que somente nós possuímos, para algo que nos torne seres de fato mais evoluídos?
E por fim, na maioria dos filmes, a gente está acostumado a lidar com duas hipóteses de destinos para os personagens: a vida ou a morte. Nesse, Cuarón simplesmente conseguiu atingir outra hipótese, a do RENASCIMENTO. Praticamente senti um filtro passando por mim, sugando toda a energia negativa do estado de descontentamento pela vida. Gravidade é uma Obra Prima, é certo que futuramente será exibido em instituições de ensino para o treinamento da reflexão sobre a vida.
É um presente do diretor, que foi/está sendo soprado, brilhantemente, nos ouvidos da humanidade: "There's still hope, don't lose it, keep moving on".
Além da Fronteira
3.8 440 Assista AgoraE o link para baixar, alguém tem?
Antes da Meia-Noite
4.1 1,5K Assista AgoraQuando um ator grava esse tipo de filme é como se o ápice da sua atuação fosse requisitado, sem muita pressa, sem desespero, sem pressão. A sutileza com que são explorados seus sentidos, comunicação corporal ou verbal, respiração e o transporte de sentimentos para suas feições são as únicas coisas que importam. As palavras a serem ditas não foram lidas, imaginadas ou transpassadas da mente de um autor para o papel de roteiro, elas parecem ser retiradas do âmago de cada ator, sem leitura ou estudo prévio, mas baseadas no acúmulo de conhecimentos que cada um adquiriu durante o tempo de vida.
Não consigo me lembrar agora de ter assistido um filme com o texto tão fiel às discussões formadas pelos seres humanos na realidade, de conteúdo cheio de emoção, maduro e sensível, com trechos únicos como o em que natalia (Xenia Kalogeropoulou) descreve o que significa sentir saudade e como ela aceita bem a condição de nossa breve passagem no planeta Terra (como seres humanos), ínfima, na história do universo:
"Well, when I think of Elias, what I miss the most about him is the way he used to lay down next to me at night. Sometimes his arms would stretch along my chest and I couldn't move, I...even had my breath taken, but I felt safe, complete, and I miss the way he was whistling, waliking down the street. And Everytime I do something, I think of what he would say "well, it's cold today, wear a scarffe". But lately I've been forgetting little things. It's sort of fadding, I'm starting to forget him. And it's like, like losing him again. So sometimes I make myself remember every details of his face, the exactly collor of his eyes, his lips, his teeth, the texture of his skin, his hair, but it was all gone by the time he went. And sometimes, not always, but sometimes I can actually see him, it's as if a cloud moves away and there he is, I could almost touch him, but then, the real world rushes in, and he vanishes again. But I did this every morning, when sun was not too bright outside, the sun somehow, makes him vanish. And he appears and it desappears, like a sunrise, a sunset or anything...so ephemeral. Just like our life, we appear, and we desappear and we are so important to some, but we're just passing through."
Uma coisa saiu do eixo e me fez retirar meia estrela da avaliação:
Celine entrando e saindo do quarto nas cenas de discussões do hotel - extremamente desnecessárias e sem vínculo aparente com a personalidade madura da personagem. Não entra na minha cabeça que alguém do nível de conhecimento que ela possui faria algo assim. Sair, de um vez por toda, seria aceitável....mas sair e entrar daquele jeito foi forçado. Alguém como ela, conhecedora do livre arbítrio, seria mais decisiva num momento de ira..
Mesmo assim é um filme que transborda conteúdo. E transborda de maneira simples, sem técnicas de filmagens complexas que são desenvolvidas em meses de gravação.
Adoro, por exemplo, como as cenas dão continuidade às atuações sem aquela quantidade enfadonha de cortes de edição que, provavelmente, vieram de centenas de takes em que o diretor teve que corrigir a postura ou a ênfase na fala dos atores. O tempo real acaba tornando o comportamento dos artistas mais natural e espontâneo.
Da impressão que a atuação é a essência da liberdade de expressão, o que certamente deve significar muito pra qualquer ator.
Se eu fosse ator, provavelmente optaria por esses tipos de papéis..
Um puta filme! Tempo muito bem gasto..
Bling Ring - A Gangue de Hollywood
3.0 1,7K Assista AgoraEu continuo achando brilhantes as técnicas de filmagens que a Sofia utiliza. As câmeras em slow motion, por exemplo, não só apresentam cenas de glamour, emocionantes ou fotográficas, mas invocam a necessidade de se pensar sobre o que está sendo assistido.
Um belo exemplo, é a cena em que
Rebecca finalmente experimenta a fragrância no quarto de Lindsay Lohan
Quando suas vidas privadas se tornam pública, mesmo que pelo fato de terem sido acusados de roubo, o que parece importar é sua popularidade em âmbitos gerais, provindas de fotos publicadas em redes sociais com acessórios e roupas de marca. Por mais que pareça frescura juvenil, na verdade são reações ingênuas provocadas pela patologia do consumismo materialista e pela futilidade da vida capitalista.
O comportamento dos personagens é tão desesperador porque eles mesmos não percebem que são insaciáveis. Eles já possuem um padrão de vida alto (em questões financeiras) e não conseguem enxergar o que realmente falta para eles. Por mais que obtenham todo esse luxo e glamour da vida que procuram, no fim eles darão conta que ainda estão insatisfeitos e incompletos.
Nesse ponto que acredito que Sofia tenha errado. Eu esperava ver mais do desconforto dos personagens ao encarar o que realmente significa ser celebridade, por mais que eu entenda que o objetivo era mostrar ainda mais a superficialidade deles. Só acredito que caberia no filme uma passagem de tempo maior, talvez com fotos de como seguiria a vida dessas pessoas em anos.
Outro ponto forte do filme, foi a pergunta da entrevistadora à personagem da Emma Watson, em que é questionado
a importância do "goal" na vida dos seres humanos.
O que me pareceu embaçado no filme, foi o enfoque em personagens em momentos inoportunos enquanto outros necessitavam ser mais explorados.
No final, por exemplo, por que foi dado enfoque no personagem da Emma Watson apenas? Eu fiquei esperando um final coerente para os outros personagens e tem apenas o de 1. Lógico que a sentença foi dada à todos, mas enquanto Nick estava dando entrevista, o que os outros faziam?
Também assisti muito pouco da personagem Chloe, que me pareceu dispor de energia intensa e inconsequente, o que soa perfeito para a configuração da história, mas infelizmente foi pouco explorada. Fiquei apenas com o gostinho daquela cozinha de luxo, com o pai magnata lendo jornal e mãe preparando café, e esta última tão fútil, que me pareceu que a própria futilidade a tinha consumido.
Também não senti muito nexo no namorado de Sam, que entra na história tão rápido quanto sai.
Uma cena muito boa é aquela em que
Sam encontra uma arma carregada no quarto (no momento não me recordo o quarto de quem), e começa a desafiar a cautela e o medo de Marc.
Ah, e em certas cenas eu tive aquela "preguiça" básica pela forma com que os roubos foram mostrados. Um exemplo é a casa do amigo do Marc, o da Jamaica, que foi apresentada para quem assistia como se Rebbeca já tivesse pisado lá. A garota já sabia que tinha uma caixa embaixo da cama, cheia de dinheiro, e nem mesmo procurou para encontrá-la. Um erro pequeno, mas que pode afetar o ritmo da cena pra quem repara.
E os relógios Rolex do Orlando Bloom? hahahahaha Antes EU tivesse achado aquele otário pra comprá-los hahahahaha Espero que essa tenha sido uma sacada da Coppola para afirmar que eles são tão mimados, que não sabem o valor de cada coisa, porque caso contrário, este foi um erro grotesco, levando em consideração que Marc conhecia SUPER BEM marcas de grife e não faria sentido tê-los vendido por 5mil.
Enfim, eu dei umas boas risadas, fiz diversas reflexões enquanto assistia, mas por falta de enredo, fico com o carisma de outros filmes da Sofia.
Intocáveis
4.4 4,1K Assista AgoraUma imersão cultural espontânea, mútua e sincera, entre pessoas que participam de vidas tão distintas uma da outra. Não só Phillipe absorve a perseverança, otimismo, impulsividade e indiferença de Driss, além de entender sua história e como esse enxerga ou interpreta a vida, como Driss também começa a cultivar hábitos que o aprimoram como pessoa, por meios que antes ele não tinha acesso - a pintura e a música clássica, por exemplo.
Também foi explorado a habilidade que Driss possui de fazer com que as pessoas que estão a sua volta sorriam. E o que nos impossibilita de fazer o mesmo?
Cada um dos protagonistas ajudou a estabelecer uma espécie de trabalho de campo antropológico, mas que, em devidas circunstâncias, não existia propriamente um cientista da área. E nem era preciso, pois o filme dedica seu tempo a explorar as coisas mais singelas e naturais que ainda possuímos. Ele despe a fina película fútil dos seres humanos (que atualmente só tem crescido) para nos mostrar nossos próprios avessos e o amor e o respeito entre as pessoas, sem levar em consideração detalhes inúteis.
É a transformação dos nossos mais puros sentimentos em matéria,
é exatamente isso que o sorriso de Phillipe significa quando consegue finalmente conhecer seu affair.
No fim, o que conta são as pessoas que estão à nossa volta e nos fazem entender o que significa viver realmente, do mais simples e essencial na vida, por mais que a inocência que as cerca não permita que elas entendam como elas foram e são importantes para nós.
Filme lindo, cheio de belezas reais..aliás, a trilha sonora também é linda...digna de uma taça de vinho pra acompanhar..
O Caçador de Dragões
2.0 64 Assista AgoraA única coisa válida no filme foi os cenários da costa oeste da Irlanda, sempre majestosos e únicos. O resto é um sequência de ferramentas cinematográficas desperdiçadas.
Eu Vi o Diabo
4.1 1,1K Assista AgoraSensacional o equilíbrio entre as dores psicológica e física retratadas nas ações cometidas por cada personagem, fez tudo parecer muito mais real. Da mesma forma que o policial e o serial killer dividem o pódio do protagonismo, ambos possuem marcas da dor, embora em um seja mais nítida a dor traumática, da falta de moral e da solidão enquanto no outro a dor física ou da falta de auto-estima.
No fim, pareceu que a vingança não foi aplicada totalmente no vilão, mas parcialmente, também, no mocinho. Assim que decidido qual seria o destino que ele concederia à vida do serial killer, ele estava totalmente alerta de que o último resquício (por mais que indireto) de sua esposa no mundo também desapareceria. Matar o vilão significaria dar de cara com a realidade de que a esposa nunca voltaria à vida.
Ótimo filme! Recomendo tanto pelo suspense como pelo apelo de personagens com personalidades e atitudes mais próximas das posturas dos seres humanos.
O Amante
3.8 157Alguém sabe onde posso encontrar para download?