A única coisa que se salva em Steamboy é a qualidade da animação e da linda ambientação vitoriana cyberpunk, mas isso já era esperado vindo do mesmo diretor de Akira. Todo o resto é uma explosiva catástrofe. A historia é simplesmente incompreensível. O roteiro é megalomaniaco e uma bagunça de acontecimentos e eventos. Akira também tem esses mesmo problemas, mas pelo menos compensa com grandes protagonistas. Isso é algo que não acontece em Steamboy. Não existe um personagem memorável, agradável ou interessante nesse filme. Ray Steam é como uma encarnação passada de Tetsuo na era vitoriana sem nada que o faz unico e interessante. Scarlett OHara é provavelmente a pior mocinha que já vi em uma animação. Ela abusa de animais, o que por si só já torna a tarefa de se simpatizar com ela uma tarefa hercúlea, mas o filme sequer se esforça para torna-la mais simpática a medida que o tempo passa. Ela começa desagradavel e termina desagradável, sem zero desenvolvimento de personagem, o que a faz uma vilã, mas o roteiro assume que ela é a mocinha da história, o que é desconcertante. Enquanto isso, tudo o que acontece em volta é desinteressante com personagens desinteressantes, enquanto algo está explodindo ao fundo.
Não se tornou um clássico, mas ainda é a melhor animação de aventura que a Disney já fez. Os personagens são muito carismáticos, cada um com uma função bem estabelecida na trama. O ritmo é excelente, não ficando monótono em nenhum momento. Você senta e quando vê ja está terminando, sem ver o tempo passar.
Um dos pontos mais interessantes de Atlantis é o proprio protagonista Milo, que quebra todos os padrões com sua nerdice e inteligencia, se diferenciando dos demais principes galãs do estúdio. E a Kida é uma personagem deslumbrante, para mim a princesa mais bela do Disneyverso, mesmo que não faça parte das princesas mais famosas e principais.
Outro destaque é a violência raramente vista em uma animação da Disney, com explosões, tiros e sangue. Mesmo tendo um tom mais corajoso, acho que o filme sabe balancear bem, não sendo nem infantil demais, mas tambem não muito sombrio.
Já a qualidade de animação é excelente,como já se espera de um filme da Disney, nos apresentando muitos cenários bonitos e inspirados.
O fato desse filme ter virado uma espécie de "cult" entre fãs de animação não é a toa. Mesmo que a história não seja nada inovadora, existe algo em Atlantis que aquece o coração, da pra perceber o amor e a paixao por trás de toda equipe que criou a obra.
Existem muitos filmes da Anne Frank já feitos, mas confesso que de todos, esse filme é meu favorito. Ele não é o mais clássico, como o de 1959, nem mesmo o mais completo da vida de Anne, como o de 2001 com 3 horas de duração. Nem mesmo é o mais sério, como a versão alemã de 2016. Tampouco foca nas amizades de Anne como a producao mais nova da Netflix "minha querida amiga anne Frank" . Porém se tem uma coisa que esse filme acerta é na construção dos personagens e na fidelidade com o diario da Anne. A atmosfera do filme é exatamente o que o diario passa: tenso em muitos momentos, mas também cheio de passagens leves e sarcásticas como a própria Anne. Aliás, Anne está perfeitamente representada como ela era. Nas outras versões, como a de 59, ela é claramente retratada como uma adolescente romântizada, quase glorificada. Mas a real Anne, embora prodigio como escritora, era uma adolescente comum como qualquer outra; era mimada, respondona, de difícil temperamento e tagarela, e dura com a mãe, mesmo a mae se esforçando pra se aproximar da filha. Tudo isso tem no diario e é mostrado nessa versão. Um dos pontos altos é a forma que o filme explora a relação de Anne com seu companheiro de quarto, o Sr. Fritz Pfeffer (pseunomino Düssel), quase sempre ignorado ou pouco explorado nas outras versões. E o que dizer da Margot? Quase sempre igualmente pouco explorada, ela está perfeita nesse filme, sendo bem retratada por sua atriz, que além de linda, soube passar toda doçura e serenidade da irmã de Anne. Peter também está perfeito nesse filme, igualzinho você imagina ele no diario; um rapaz tímido, desajeitado, inseguro, inexperiente, mas com um coração puro. Madame Van Pels(Van Daan) é outra que ficou identica, parece que saiu das páginas do diario pra tela. No geral, um excelente filme da Anne. A vantagem dele é que é mais acessível, não só por estar disposto no YouTube, mas por também não mostrar cenas muito pesadas em campos de concentração como os outros, se focando inteiramente em acontecimentos do diario,logo, é algo que crianças podem acompanhar mais facilmente.
Não sou católica nem protestante, nem mesmo uma pessoa religiosa, e ainda assim, foi um filme que conseguiu me emocionar como poucos que ja vi na vida.
Acho que o maior trunfo de Mel Gibson nessa obra é sua honestidade na mensagem: o filme é direto ao ponto, não desvia do que foi proposto e cumpre exatamente o que promete. Ja vi criticos reclamando que o filme exagera na violência e que peca por pouco ter mostrado a vida de Jesus como mensageiro do amor e paz. Bem, eu discordo totalmente. Filmes religiosos que mostram a mensagem de Jesus em vida têm aos montes. Mas aqui o foco é justamente a "Paixão de Cristo", mostrar as últimas 12 horas da vida dele, tarefa a qual Mel Gibson cumpre de forma eficaz, mas sem deixar de pincelar flashbacks de passagens da vida de Jesus que, embora curtas, funcionam demais na construção das cenas e dos personagens à medida que o calvário se desenrola, sem prejudicar o ritmo. Cito como maior exemplo aquela belíssima cena em que Maria,
ao ver Jesus cair no chão carregando a cruz, recorda-se de quando seu filho era um menino, e ela o coloca no colo ao ve-lo cair, mas agora já não pode mais faze-lo.
É uma cena que toca fundo e certamente todas as mães e pais podem se identificar.
O enorme acerto que Gibson faz nesse filme é mostrar um Jesus humano, em toda sua literalidade. Independente de sua crença ou da visão que você tenha de Jesus, é um filme que mexe com sua empatia, se tornando uma tarefa hercula não se compadecer com as injustas e cruéis torturas a qual Jesus é submetido, não um Jesus sobrenatural, mas um homem que chora,sente angústia, fraqueja e sangra.Um Jesus de carne e osso, que podemos nos conectar de forma verdadeira. E o mais interessante é perceber que esse Jesus humanizado nao apenas se mostra nas cenas de dor, mas também em momentos de tranquilidade, quando por exemplo há a cena em que
Jesus constrói despreocupadamente uma mesa enquanto conversa com Maria, e brinca com ela como qualquer filho brincaria com sua mae.
Há de se destacar também o terror presente nesse filme, com destaque as aparições do diabo, sempre carregados de muito simbolismo. Achei a atuação do ator de Judas, apesar de breve, outro ponto excelente da trama: o ator nos faz sentir muita pena de Judas por seu tragico fim. A atuação de Jim Caviezel dispensa comentários. Ele passa mil emoções apenas com seu olhar. É como se estivéssemos vendo o proprio Jesus ao vivo e cores.
No geral, um filme que acho que mesmo para quem não seja religioso deve ser visto pelo menos uma vez na vida,por conta de seu grande valor artístico e pelas emoções que ele traz a quem assiste.
Essa é uma das sequencias mais subestimadas da Disney. Considero ate melhor que o filme original.
Primeiramente, acho a trama muito madura e inteligente por ambientar os personagens num cenario de guerra, pois nao poderia existir contraste mais poderoso para uma nova aventura em uma Terra do Nunca. Logo no início fica claro que Jane é o total oposto de sua mãe Wendy, seguindo aquele tropo "sou diferente de meus pais", e sim, Jane é inicialmente toda chata e age como se fosse adulta, mas seu comportamento faz total sentido, pois ela é uma menina que foi forçada a experenciar a guerra muito jovem. Tudo isso moldou sua personalidade a ponto de faze-la querer abandonar sua infância cedo demais. É como se Jane experimentasse uma aventura contrária a de Wendy no primeiro filme: enquanto Wendy não queria deixar de ser criança, mas no fim aceita que isso é necessário, Jane quer ser adulta a todo custo, mas aprende no final a se reconectar com sua criança interior perdida.
A forma como Wendy é retratada nessa sequencia também é outro acerto do filme: ela cresceu, ja é uma mulher, mas mesmo depois de tantos anos nunca deixou de lado seu Eu criança, continuando no fundo a mesma Wendy divertida, leve, esperançosa e contadora de histórias. Há ate mesmo um breve reencontro entre ela e Peter, que só reforça ainda mais essa mensagem.
Outro acerto dessa sequência está no próprio Peter Pan. Se no primeiro filme ele era arrogante em excesso, a ponto de soar até narcisista em alguns momentos, aqui eu sinto que eles finalmente acertam o tom do personagem. Peter age como um heroi mais agradável e simpático de acompanhar.
Capitão Gancho também está ótimo na sequência. No lugar do crocodilo, agora temos um polvo gigante que o persegue. (Uma curiosidade é que a cena em que ele e sua tripulação raptam Jane de seu quarto foi uma das alternativas que Disney e sua equipe pensaram para o Peter Pan original - mas a ideia nunca saiu do storyboard - sendo enfim reaproveitada aqui.)
Peter pan 2 também traz uma evolução em relação aos relacionamentos femininos: se no primeiro filme todas as garotas disputavam entre si pela atenção de Peter, aqui isso é atenuado, construindo no terceiro ato uma interação entre garotas finalmente positiva atraves de Jane e Sininho, que unem suas forças para salvar o dia.
O terceiro ato, aliás, é para mim mais poderoso que no original, por que ao contrário do primeiro filme em que Peter parecia um garoto sem fraquezas e invencivel, aqui
Um clássico da Disney, que mesmo não tendo envelhecido bem em alguns aspectos, sempre foi um dos meus favoritos até hoje. Sininho (curiosamente chamada de Tilimtim na dublagem brasileira antiga) é uma personagem que causou polêmica na época, sendo desenhada de forma bem sensual para seu tempo e para um filme destinado a crianças. Sua personalidade ciumenta e forte nesse filme é muito anti-heroica, o oposto do que se esperava de uma personagem feminina da década de 50. Agora, é curioso notar alguns aspectos que existem nessa animação que seriam impensáveis em uma obra atual. Um deles foi a forma que Disney e sua equipe retrataram os indígenas, soando ofensivo em alguns momentos. Apenas Tigrinha se salva. Outra coisa que chama a atenção, é que todas as personagens femininas nesse filme interagem de forma negativa, competindo umas com as outras pela atenção de Peter. Sininho odeia Wendy a tal ponto de tentar mata-la, as Sereias implicam e atacam Wendy assim que a veem, e mais para a frente ate mesmo Wendy se incomoda com a aproximação de Tigrinha com Peter. É claro que a competição feminina sempre existiu na vida real, mas acho que o SR. DISNEY pesou um pouco a mão aqui, com todas as garotas sendo tóxicas umas com as outras, sem pausa. Acho que esse inclusive é um dos fatores que fazem o Peter Pan de Walt Disney parecer até desagradável em algumas cenas. Em muitos momentos, ele soa mais um rapaz arrogante e narcisista do que heroico, o que sempre prejudicou minha impressão com ele. O próprio Sr. Disney admitiu que não gostou do resultado final do personagem, sentindo que o publico teria dificuldade de se conectar com ele. Mas, mesmo com todos esses problemas na construção do personagem, Peter Pan sempre será uma animação nostálgica para mim.
Um clássico imortal da Disney, que até hoje encanta por seu capricho e roteiro bem escrito. É sempre uma surpresa revisita-lo. O filme funciona, tal como diz a introdução, como uma verdadeira homenagem a todos os cachorros, "sejam eles damas ou vagabundos". Disney e sua equipe conseguem retratar de forma ludica como os cachorros agem e enxergam os humanos de seu ponto de vista. É ainda mais interessante o rumo que a história toma, mostrando como a chegada de um bebê muda a dinâmica e o ambiente, onde o cachorro deixa de ser o centro da atenção, tambem abordando não apenas as diferenças entre classes caninas, que espelham muito as classes sociais humanas, mas também a importancia de viver a liberdade sem se esquecer que existem responsabilidades. O filme possui ainda uma das animações mais caprichadas da década de 50 dos estudios Disney, ficando atrás talvez apenas d A Bela Adormecida. A química entre Lady e o Vagabundo se forma no sentido dos opostos se atraírem. LADY é doce e ingenua sobre o mundo fora de seu quintal, mas faz de tudo para cuidar de seu lar e donos. Vagabundo é um malandro e tem experiencia de vida que ela nao tem, mas é irresponsavel. O filme possui sequencias musicais memoráveis, com destaque a dos gatos gemeos siameses da insuportável tia Sara, e a imortal cena do prato de espaguete com almôndegas ao som de "Lá Bella Notte", considerada até hoje um dos momentos mais românticos da história da animação - se não o maior. E para quem é adulto, é ainda mais interesse pescar mensagens nas entrelinhas, como por exemplo na sutil sugestão na parte em que Lady e Vagabundo dormem juntos, e também na interessantissima personagem Peggy - uma cadeia de rua que é o oposto de Lady, retratada de um modo sutil como se fosse uma espécie de "prostituta, dançarina de cabarés" versão canina, e que rouba a cena sempre que aparece. Não menos importante, aquele rato é realmente assustador.
Bem, esse talvez seja o texto mais controverso que ja fiz no Filmow, mas vamos la... Não sou gay, mas sou uma pessoa que shippa o Luca e o Alberto sim, e acho muito curioso o quanto isso costuma irritar as pessoas. Se você gosta de ver a relação deles como apenas uma amizade, o que era a ideia original do diretor do filme - algo que acho engraçado, visto que o Casarosa acabou por criar não intencionalmente o filme da Disney mais queer ever - que otimo para voce! A verdade é que cada um é livre para interpretar e curtir uma obra como bem quiser, independente do que o diretor tinha originalmente em mente. Luca é uma das minhas animações favoritas, e sim, é um filme muito fofo sobre aceitação, onde cada um pode se ver universalmente representado, mas não existe nada de errado caso uma parcela do público ache divertido e fofo shippar o Luca com Alberto. Ah, mas voce nao pode, isso é um absurdo por que eles são apenas crianças! Não, não são. Alberto tem oficialmente 14 anos e Luca tem 13. Embora eles pareçam crianças por conta do estilo artistico da animacao da Pixar , na prática o Luca é pré adolescente e o Alberto já é adolescente, idade em que atração pelo outro já pode comecar a despertar naturalmente sem ser nada absurdo ou amoral. Outra coisa é que shippar personagens é algo que sempre existiu entre fandoms de obras infantis, e ninguem se importava... até Luca. Há tantos exemplos, mas vou citar a Turma da Mônica. Chico Bento, Cascão e Magali são crianças de 6 anos de idade que sempre tiveram namoradinhos(as) OFICIAIS nos seus gibis. Ora, ora, e aonde estava esses pais que de repente se sentem tão ofendidos ao ver crianças sendo mencionadas como namoradas em uma obra infantil? O motivo de odiarem tanto LucaxAlberto - que tem na verdade o dobro da idade dos personagens na turma da Mônica- é bem claro. Não é por " serem crianças". É apenas porque é um shipp lgbt+. Enfim, a hipocrisia.
A história da animação é marcada em "antes" e "depois" de Toy Story. Poderia ter parado apenas na contribuição de apresentar a técnica da animação 3D ao mundo, mas Toy story de 1995 foi além dessa inovação: trouxe tambem consigo personagens inesqueciveis, um timing cômico perfeito em cada cena e uma trama criativa com um ritmo ágil, que não deixa pontas soltas e te prende do início ao fim.
A premissa da historia é simples, mas genial. O que aconteceria se brinquedos tivessem vida propria? Ninguém antes havia pensado nesse cenario a nivel de um longa metragem, mas a Pixar o fez.
O humor e a comedia desse filme é algo a destacar, cheio de tiradas inteligentes. Sid, o vilão, é outra figura que rouba a cena, sendo a perfeita personificação de como um garoto problematico e assustador dos anos 90 seria.
Até mesmo a relação entre Woody e Buzz faz um paralelo com a história do cinema: assim como os filmes de faroeste perderam espaço e popularidade para os filmes de ficção científica, o cowboy perde o posto de brinquedo favorito do Andy para o astronauta, acontecimento que vai desencadear o conflito da trama.
E é mais surpreendente perceber que, por mais que a animação tenha envelhecido pelo tempo, toda sua temática e seu roteiro inteligente e bem escrito não envelheceram nada. Na verdade, Toy story é um filme que não enjoa nunca, e fica cada vez melhor quanto mais se assiste.
Não fez parte da minha infância, portanto não existe oculos da nostalgia para ocultar o fato que esse foi o pior filme da Disney que já vi em toda minha vida. Depois de cinco tentativas consegui enfim chegar até o final com muito esforço no DisneyPlus. O trio de vacas protagonistas são chatissimas, os personagens não tem carisma algum e a história é muito fraca. O tom do filme é uma comédia tão exagerada e frenética que tira qualquer profundidade ou emoção genuína nas cenas. Animações da Disney costumam ter comédia, mas há sempre um equilíbrio entre cenas leves com cenas de peso emocional e dramatico. Isso não acontece em Nem Que A Vaca Tussa. Os personagens são tão rasos e de uma nota só que eles se tornam meras caricaturas sem qualquer humanidade para se identificar. Havia muitas rotas diferentes que a Disney poderia ter explorado no desenvolvimento de seus personagens, sendo uma das oportunidades mais perdidas o do caçador de recompensas Rico, por exemplo. Rico por boa parte da historia foi um personagem muito intrigante que parecia servir de homenagem digna de grandes herois de filmes de velho oeste, para no final simplesmente virar outro capanga imbecilizado do Alameda Slim - quando ja havia 3 capangas cumprindo tal papel na historia, numa conclusao rasa como um pires. Em nenhum momento o trio protagonista é confrontado com qualquer ameaça real que faça a audiencia temer por uma consequencia. O filme segue do inicio ao fim parecendo um desenho animado abobajado de Looney Toones, mas de mais baixa qualidade. A unica coisa que pode-se resgatar foi a animação, e ainda assim há muitas outras animações até mais antigas que conseguem ser esteticamente melhores e mais charmosas. Nem que a Vaca Tussa é definitivamente o Galinho Chicken Little das animações 2D.
Elementos me surpreendeu em todos os sentidos. Pra mim é a melhor animação da Pixar desde VIVA. Conseguiu me emocionar e me divertir mais do que SOUL. Faísca e Gota são apaixonantes e a química entre eles funciona muito. O romance entre eles é fofo e inspirador. O conflito dramatico a qual Faisca se vê presa é real e convincente. Indo além de uma comédia romântica, o filme aborda os obstáculos que imigrantes enfrentam em um novo local, desde o medo e a desconfiança de se misturar, até a dificuldade de se fazer compreender. Mais do que isso, a história traz uma importante mensagem das expectativas que os pais têm sobre seus filhos, que se de início parece algo positivo, a longo prazo acaba se tornando um fardo para o filho carregar, especialmente quando o coração aponta para outra direção, muito bem retratado na relação de Faisca com seu pai. A Animação está linda como se é de esperar. Achei o design das criaturas elementares muito criativa e inspirada. De modo injusto, ELEMENTOS estreiou com pouca bilheteria e recebeu inicialmente críticas pouco entusiasmadas, mas com o tempo o filme foi crescendo de boca em boca e encontrando seu público, se reerguendo nos cinemas e se tornando enfim um sucesso absoluto no Disney plus.
Um bom filme de ação pra passar o tempo. Achei o início meio parado e confuso, mas a segunda metade é viciante, e a motivação da protagonista é convincente. Algumas cenas me fizeram lembrar um filme do Tarantino. Os cenários e a iluminação são bonitos.
Jurassic Park foi o filme que definiu os anos 90, grande responsável pela febre da dinomania nas crianças noventistas. Aqui Spielberg entregou um blockbuster completo de aventura, ficção científica e terror, mas acessível a todas as idades, aquele filme que você pode assistir tranquilamente com seus pais , avós e filhos sem se preocupar se vão jogar alguma nudez ou sexo gratuito e desnecessário na sua cara ( momento esse cada vez mais raro de se ter com sua familia). É verdade que os personagens não são la muito profundos, mas cumprem bem o papel na trama a que foram designados. Interessante notar como mesmo sendo um blockbuster o filme ainda traz uma mensagem relevante ate os dias de hoje sobre o desenvolvimento da genetica e ate que ponto o homem deve ou nao interferir na natureza. E fica impossivel não citar o fato de Jurassic Park não ter envelhecido mal visualmente . O CGi dos dinossauros continua impressionante e parece muito natural ao lado dos cenários e atores. Posso lembrar de quase todas as cenas mesmo passando muito tempo sem rever. A primeira vez que o TRex aparece na chuva, o programador gordo sendo morto no carro, aquela cena da Dra. Ellie tendo que ligar o disjuntor do parque inteiro, o Dr. Grant cuidando das crianças, as crianças com os velociraptors na cozinha. E muitos outros. Um clássico dos anos 90 icônico e eterno
O Anime mais subestimado da história!! Nunca recebeu nem de longe o real reconhecimento que merecia, mesmo dentro da própria franquia Digimon! Tamers não é apenas a melhor temporada de Digimon, mas um dos melhores animes do gênero shounen.
Por muitos momentos, Tamers esqueceu que se destinava a um público infantil e transcendeu seu gênero. Ao invés de se limitar a trazer mensagens extremamente previsíveis e obvias como “acredite em si mesmo” ou “acredite no poder da amizade”, essa temporada abordou mensagens como depressão, niilismo, vergonha, culpa e redenção. Em comparação ao Digimon Adventure clássico, o mundo digital de Tamers é selvagem, frio e realista. Os Digimons são mostrados muito mais como monstros violentos e perigosos do que meros pets engraçados e fofos. Isso não significa que eles não continuem simpáticos, amigos e parceiros, nada disso, mas Tamers deixa muito claro que ainda assim eles continuam sendo monstros que quando perdem o controle podem trazer estragos irreversíveis aos humanos e ao mundo. O fato de Digimons devorarem-se uns aos outros absorvendo seus dados é algo que não existia no clássico, e isso adicionou um peso significativo no tom da trama. Enquanto no clássico os Digimons podiam voltar da morte em digiovos instantaneamente, deixando no ar uma sensação de "safe zone", a morte de um Digimon em Tamers é permanente e irreversível. Isso aumentou muito as apostas, tornando as batalhas – especialmente a partir do episodio 34 – extremamente dramáticas.
Diferente de outras continuações, em que os personagens são visivelmente imitações dos digiescolhidos originais, cada novo domador têm uma personalidade única em Tamers. Takato não é uma cópia de Taichi ou Davis. Ele é um menino gentil, generoso e ingênuo, algumas vezes tímido, e que muitas vezes não sabe o que fazer diante de momentos de pressão – o oposto de um esperado líder. Ruki não é Sora, Mimi ou Kari. Ela é durona e sabe lutar, mas não é uma Tsundere genérica de shounen. Mesmo tendo um coração frio no inicio, ela têm seu jeito todo próprio e peculiar e sua jornada em busca da feminilidade dentro de si enquanto aprende a se conectar com seus amigos é tocante – e tudo isso sem precisar ter sido reduzida a um interesse amoroso do líder do grupo. Lee é inteligente e calmo, não gosta de lutar e tem uma visão pacifista do mundo, portanto o oposto de Ruki. Existem outras crianças que se juntam na metade para o final da série, sendo Juri Katou a mais importante delas, uma garota alegre e excentrica que começa a temporada como um interesse amoroso de Takato, mas que também acaba ganhando um certo Digimon como parceiro, e após determinados eventos do meio para o fim, sofre o arco mais pungente e sofrido entre todos os personagens.
Mas os parceiros Digimons são o maior destaque de Tamers. Cada Digimon é seu próprio personagem, ao invés de serem uma mera extensão de seus domadores. Guilmon é inocente e parceiro, Terriermon é fofo e infantil e Renamon é misteriosa e forte. Todos têm um design marcante e bem feito, com destaque a Renamon, que é simplesmente um dos Digimons mais icônicos já criados.
E por falar de Digimons icônicos, seria uma injustiça falar sobre Tamers sem citar Impmon, este pequeno digimon demônio, que parece um Mickey Mouse que se tornou mais malvado, que então digivolve para Beelzebumon, um demônio anjo-caído super estiloso que ainda pilota uma moto foda. Beelzebumon é a definição de "Foda". De longe o Digimon com o arco mais emocionante e humano de Tamers. Cheio de orgulho e com complexo de inferioridade, Impmon é fraco e anseia por poder, mas não quer se render à amizade dos humanos para se fortalecer de forma honrada. Ao invés disso, ele desce para um caminho que vai desencadear o maior conflito até o fim da série. Através de Impmon/Beelzebumon, temos um dos maiores arcos de redenção já escritos, rivalizando com Zuko em Avatar. De um Digimon que é apenas um pequeno aborrecimento de alívio cômico, para um psicopata assassino, para um anti-heroi arrependido e que no final têm um dos sacrifícios mais heróicos vistos.
Se eu tivesse que apontar um defeito, eu diria que achei a luta final um pouco arrastada e repetitiva. Talvez um episódio a menos teria melhorado o ritmo. Outro fator é que a maioria das lutas em Tamers não são tão nostálgicas como as de Adventure, porééém, a luta do Dukemon/Gallantmon contra Beelzebumon é perfeita, épica, viceral e emocionante, estando entre as maiores lutas de toda franquia.
Esse é o máximo que posso dizer, se for detalhar mais soltarei spoilers importantes. Então só peço a quem nunca viu Tamers, ou assistiu picotado quando criança e dropou no meio caminho: Por favor, assista e reassista essa obra-prima , e tire suas próprias conclusões.
Melhor filme brasileiro de todos os tempos, e desafio alguem a me provar o contrario. Historia simples, mas memoravel. Grandes atores dando vida a personagens marcantes. Trilha sonora maravilhosa. Humor e comedia no tom certo. O filme consegue mesclar a tragedia de uma chacina na cidade com uma leveza e bom humor que aquece o coracao. Um filme acessivel a todas as idades. Uma historia genuinamente brasileira.
Digimon Adventure Tri foi de longe a maior decepcao da minha vida. Meu hype estava na extratosfera e agonizou ate morrer a medida que os episodios saiam. Me ficou a impresssao que os roteiristas que escreveram tri nem assistiram Digimon 01 e 02. Nunca vi tanto desperdicio de potencial num roteiro todo desconjuntado com ritmo muito ruim e personagens inuteis que ninguem pediu pra existirem. Qual o apelo da Meiko? Quem veio assistir Tri veio para rever os 8 digiescolhidos originais. Trazer uma protagonista 100% nova e sem sal pra roubar tempo de tela que devia ser dos 8 originais foi uma ideia terrivel dos roteiristas.
Pessoalmente, nunca entendi porque essa temporada recebeu tantos elogios dos fas e criticos. No geral, gosto muito do trabalho do Tartakovsky. Considero o Samurai Jack classico e o mais recente Primal verdadeiras joias da animacao que deveriam ser mais reconhecidas. No entanto, para mim esta nitido que o final de Samurai Jack possui o mesmo problema que o final de Primal: apressado e com rumos equivocados. Tartakovsky possui uma capacidade inexplicavel de estragar o final de suas historias com o mesmo talento brilhante que tem de criar e estabelecer seus personagens.
Essa temporada 5 comecou de forma promissora. Os tres primeiros episodios foram bem interessantes. Mas a partir do instante que Ashi se torna um interesse amoroso de Jack, a historia simplesmente desmorona, em todos os sentidos. Fazer Ashi o amor de Jack foi uma decisao errada de Tartakovsky, pois em um genero como esse um interesse amoroso nao é necessario, e com tao poucos episodios, nao havia tempo para se estabelecer um romance decente. Escrever um bom casal é dificil, requer habilidade e tempo, e tempo era algo que Tartakovsky nao tinha. Esse abrupto romance nas portas dos momentos finais se sente totalmente forcado, com o agravante de nao existir uma quimica genuina nesse casal. Jack foi construido nas 4 temporadas classicas como um guerreiro epico, estoico e praticamente celibato. Por conta disso, ve-lo agir como se fosse um adolescente apaixonado nao apenas se sente muito estranho, mas algo muito fora de seu personagem, ainda mais se formos considerar que Ashi é , na pratica, muito mais jovem que ele - Jack, apesar de fisicamente nao envelhecer no futuro, é um personagem muito sabio e muito vivido, mentalmente ele é como se fosse um homem de 70 anos, com uma jovem que nunca interagiu com nenhum homem alem dele e que nao sabe de nada da vida la fora. Ela é como uma crianca que acabou de descobrir o mundo se apaixonando por um anciao, o que na minha visao cria um tipo de relacionamento bizarro e problematico. E o que é pior, o romance deles acaba roubando o foco principal da serie que sempre foi a luta milenar entre Jack e Abu. Em termos narrativos isso é um erro pois Ashi é uma personagem nova, que nao existia no classico, nao justificando assim ela ser a resposta e a solucao de um conflito que se iniciou muito antes dela.
Eu entendo que a intencao de Tartakovsky era trazer uma personagem feminina importante ao lado de Jack, visto que nao havia nenhuma personagem feminina de peso no classico. De certa forma, foi interessante ver uma protagonista ao lado de Jack, mas a questao que eu trago é que ela nao precisava de forma alguma ser um interesse amoroso. Acredito que o relacionamento de Jack e Ashi teria funcionado de forma brilhante e muito melhor se Tartakovsky tivesse ido para o caminho de Jack como um mestre/sensei e Ashi como sua aluna e isso ter evoluido para um sentimento familiar mutuo de pai e filha, como um Joel e Ellie. Alem de menos cliche, faria mais sentido, uma vez que Jack estava numa fase em que mentalmente era mais vivido e experiente que nas temporadas classicas, sendo o momento perfeito para se tornar um sensei de uma crianca ou jovem. Tambem teria formado uma dinamica e conflito mais interessante entre Jack-Ashi-Abu, com ela dividida entre essas duas figuras paternas a ela. Chega a ser frustrante para mim toda essa oportunidade de ouro que Tartakovsky tem na ponta dos dedos mas que desperdica por completo. Foi como se o arco de personagem de Jack implorasse por ser um Sensei. Ao inves disso, Tartakovsky nos entrega o oposto do que um personagem como Jack precisaria. Foi como se Ashi tivesse sido criada com um unico proposito de ser a namorada de Jack mesmo que isso destoasse do tom da historia e tornasse Ashi um dispositivo de enredo a partir disso. O motivo de eu bater tao insistantemente nessa tecla é por que foi essa decisao que impactou o final da serie.
A segunda decisao narrativa que pra mim arruinou ainda mais o final foi a de Jack ter conseguido voltar para o passado e matado Abu no passado. Parece ate uma ironia o que digo, pois embora isso sempre tenha sido o principal objetivo de Jack na serie alem de algo que muitos fas esperavam, é um tipo de solucao conveniente e infantil demais para uma temporada que estava se propondo ser mais sombria e adulta. Na minha opiniao Jack nunca deveria ter voltado para o passado. O Abu a ser derrotado deveria ter sido o do futuro, aquele que conhece Jack ha muito tempo. Traria uma resolucao mais madura Jack falhar permanentemente em retornar, perdendo para sempre seu lar de origem, transmitindo a mensagem que o passado nao pode ser mudado, mas o presente, onde Jack poderia reconstruir um novo futuro como o Rei desse futuro - Algo que foi muito sugestionado atraves do Guardiao do portal e que de certa forma Jack ja estava construindo nas temporadas classicas. Alias, é exatamente assim o final da versao em quadrinhos. Muito melhor do que esse final de Tartakovsky, é um tipo de encerramento que faz Jack se conectar emocionalmente com a audiencia, pois em nossas vidas, nunca poderemos voltar no passado para trazer de volta um ente querido morto ou para apagar um lamentavel erro que nao pode ser desfeito. Este é um tipo de resolucao tao agridoce quanto a escolhida por Tartakovsky, mas muito mais realista e coerente do que essa que ele nos entrega, que foi
fazer Ashi desaparecer como fumaca convenientemente bem na hora de um casamento
,
uma cena que nao apenas nao faz sentido nenhum (uma vez que, seguindo a logica de viagem no tempo que o final traz, Ashi deveria ter desaparecido instantes apos a derrota de Abu) como tambem se sente um mero dispositivo preguicoso de enredo para simplesmente chocar o publico, ao inves de trazer uma mensagem verdadeiramente significativa. Mais do que isso, a cena do casamento destoa em absoluto do tom de samurai jack, que nunca foi um drama romantico, e sim uma obra de acao mesclada com ficcao cientifica. Encerrar a serie com uma cena tao destoante de tudo do classico e ate do inicio da propria temporada foi tao equivocado do ponto de vista da boa escrita que me deixou sem palavras.
A sensacao que ficou comigo é a de que Jack, ao ter recebido de bandeja tudo que queria no final (sua volta para o passado) nao evoluiu como personagem nem um pouco. Todo desenvolvimento do personagem que estava sendo construido nos 3 primeiros episodios, de um homem que sofria pela culpa do fracasso de sua missao tendo que viver com isso e tendo que deixar esses fantasmas do passado para tras, foi completamente regredido nos 4 ultimos episodios e jogado numa lata de lixo no episodio 10. Ha um momento, se nao me engano no episodio 7, em que
Jack recebe de volta sua katana perdida, e de brinde recebe junto o seu antigo visual classico,
como num passe de magica, como se aquele homem barbudo e depressivo com marcas do passado nunca tivesse existido ou sequer tivesse deixado uma cicatriz emocional nele. Para entao chegarmos no episodio final, onde num passe de magica, atraves de um portal que o roteiro retirou do nada da bunda, entrega a Jack tudo o que ele queria. Bem, nem tudo...
Mas o problema é que Ashi, sendo uma personagem nova, nao funciona bem como o "sacrificio final" de Jack. Ela é usada como uma mera ferramenta do roteiro para chocar, de modo que todo esse drama romantico se sente artificial e insuficiente perto de outras alternativas que haviam. O sacrificio final que a serie deveria ter entregue, na minha opiniao, era a perda daquilo que Jack buscava desde o inicio, que era voltar para seu passado perfeito e idealizado, onde restauraria todas as vidas e tudo como se nada tivesse acontecido (uma intencao nobre, mas ainda assim o maior sonho utopico e ilusorio de qualquer ser humano). Nunca mais voltar teria sido a real perda, a mais dolorosa e significativa para Jack. Afinal quem nao sonha em voltar para o passado para matar Hitler e salvar milhoes de vidas? Todo mundo, mas a vida nao funciona dessa forma tao simplista e determinista como o final escolhido por Tartakovizky. Mesmo que isso fosse possivel e haja uma boa intencao, havera sempre o risco de apagar no futuro outras milhares de vidas que nasceram por causa dessas circunstancias, o que seria igualmente errado, afinal as pessoas do futuro tem igual direito de existirem quanto as do passado tiveram. Mas o final nao chega nem perto de discutir essas questoes de forma inteligente. Jack e Ashi agem com uma impulsividade e inconsequencia que beira a burrice, sem nunca terem parado um momento para refletir no enorme sacrificio que isso acarretaria. Como eu ja disse, a historia de amor entre os dois roubou todo o tempo que deveria ter sido utilizado nessa decisao entre passado vs futuro. Deveria ter havido uma cena em que Jack parasse para pensar entre uma e outra. Mas ele imediatamente pula para o passado. Nao ha reflexao . Onde foi parar a sabedoria de Jack? Deveria ser claro principalmente para Jack que destruir Abu no passado levaria aquilo que ocorreu no casamento. Mas ele fica surpreso. Nos ultimos 3 episodios Jack em nada parece um samurai amadurecido como devia ser; Ele age como um adolescente imaturo e impulsivo que faz tudo sem pensar. Em seu luto final, ele nem se importa com todos os amigos que deixou para tras e apagou da existencia. Toda sua dor se volta para Ashi. Mais um motivo do por que sua historia de amor com Ashi o deixou tao fora do personagem.
A verdade nua e crua que Tartakovsky pareceu nao enxergar em sua propria obra é que nao havia mais nada para Jack no passado. Seu pai era quase um esqueleto a beira da morte no primeiro episodio classico . Convenientemente, o final "esquece" esse "pequeno detalhe", tornando o pai e a mae de Jack saudaveis e bonitos novamente, pois se os mostrassem envelhecidos como eram de fato quando Jack os deixou, ficaria ainda mais evidente o erro que foi Jack ter retornado. Lugares, mesmo que externamente aparentam nao ter mudado, nunca sao mais os mesmos, pois sempre acabamos mudando de qualquer forma. Se Tartakovsky se atentasse a isso, teria percebido que Jack nao era mais aquele jovem samurai de 50 anos atras. Ele tinha vivido tantas experiencias significativas nesse futuro, que chegou um ponto que nao fazia mais sentido, tanto do ponto de vista filosofico quanto de puro roteiro mesmo, apagar tudo isso para retornar a um passado ja ha muito tempo enterrado para fingir que tudo continuaria como um dia foi.
Por ultimo mas nao menos importante, houve um desperdicio de velhos personagens e de tramas. Para onde foi parar o Guardiao do portal? Prometeu tudo e entregou nada. Havia um potencial imenso nessa historia do Rei do futuro que foi jogado pela janela, aparecendo apenas como um easter egg ou como uma mera nota de rodape. O mesmo vale para os velhos amigos de Jack que aparecem mais como um fanservice do que um proposito real na trama.
Se eu pudesse resumir tudo que nao gostei, eu diria que achei a resolucao muito infantil, destoante com a proposta sombria e adulta do inicio da temporada; com um romance muito mal construido e desnecessario, com uma batalha final muito apressada e anticlimatica e a morte de um certo personagem bem artificial, apenas pela funcao do choque.
Eu amo Samurai Jack classico, e queria ter amado essa temporada. Sei que provavelmente estou escrevendo para o vento, pois a maioria das pessoas parecem amar o desfecho de samurai jack, mas de qualquer forma, deixo aqui meu registro dos motivos desse final ter me incomodado tanto.
Um espétáculo de vergonha alheia da primeira à última cena. É assim que The Room pode ser resumido em uma frase. Quando pensamos em um filme muito ruim, imaginamos num primeiro momento uma história de Terror ou de Ficção Científica, gêneros do cinema onde o Trash e a Comédia Involuntária costuma ser mais frequente de acontecer. Mas o fato de The Room ter se proposto a retratar de forma séria um Romance Dramático Psicólogico é o que o torna uma experiência verdadeiramente única no cinema trash underground. The Room é tão deliciosamente desastroso que faz Cinderela Baiana (pérola trash nacional) soar como uma peça de Shakespeare em comparação. Sim, pois apesar de toda sua ruindade em diversos aspectos, Cinderela Baiana ainda consegue a inexplicavel proeza de nos entregar uma trama um pouco mais coesa e lógica que The Room. Basicamente não existe trama em The Room, apenas um rascunho de uma idéia: Johnny (interpretado de forma atroz pelo proprio diretor e roteirista Wiseau) é um banqueiro que vive em San Francisco e parece ter a a vida perfeita que todo homem sonha em ter. No entanto, a noiva dele, Lisa, se cansa de Johnny e começa a trai-lo com seu melhor amigo, Mark. Basta apenas 20 minutos para já ficar claro à audiência que essa premissa não irá a lugar nenhum e que Tommy Wiseau não apenas é um ator amador como não faz a menor ideia de como se escreve um roteiro para o cinema. O filme é um amontoado de cenas aleatórias que nada acrescentam a trama central, com repetições inuteis que não impulsionam a história para a frente e com cenas de sexo desnecessariamente longas ao som de uma trilha sonora brega e cafona que elevam a vergonha alheia à ultima potência – pense em qualquer cena de sexo desnecessária que você já viu em qualquer filme (e há várias), mas The Room faz tudo muito pior. Os personagens são um show à parte: são meras caricaturas fingindo agir como seres humanos, entrando em cena sem explicação prévia e sumindo em seguida sem causar impacto algum nos personagens centrais e na narrativa. Em determinado momento, Denny (um jovem considerado filho adotivo de Johnny, personagem estranhíssimo que não age nem como uma criança nem como um homem) acaba com uma arma apontada na cabeça por um traficante de drogas, gerando uma cena de ação rápida que nunca mais será mencionada no instante seguinte. Mas o que mais impressiona em Wiseau além da sua atuação ruim e sua incapacidade de escrever um roteiro que faça sentido, é que ele parece realmente não entender como funciona a interação entre seres humanos. É como se toda a história e o dialogo de The Room tivesse sido escrito por um alienígena vindo de uma galáxia distante que pousou na Terra à poucas semanas e, fascinado com essa nova descoberta, se aventurasse a criar uma novela sobre nossa espécie conforme as impressões que ele teve, nos brindando assim com diálogos totalmente artificiais e reações irreais que nenhum ser humano falaria ou teria em situação semelhante. O que dizer daquela cena em que a mãe de Lisa simplesmente informa que “Definitivamente, eu tenho um câncer de mama”, em um tom de conversa banal e corriqueiro de café da tarde? Sua filha Lisa é uma caricatura de uma mulher adúltera, uma tentativa de ser uma “femme fatale”, mas no final termina apenas como um ser que resolve do dia para noite trair Johnny sem nenhuma explicação ou motivação crível. Sua personagem beira a psicopatia, mas não de uma forma divertida. Através do comportamento de Lisa, Wiseau traz uma visão rasa e misógina das mulheres como megeras interesseiras e adulteras – mas o filme é tão absurdo por si só, que essa misognia empalidece no meio de todo desastre em tela. E o que dizer de Denny, o filho adotivo de Johnny , que além de gostar de espiar seu “pai adotivo” fazendo sexo com Lisa, ainda informa na cara de Johnny que a ama e um dia a quer para si? Mais absurdo do que isso é Johnny reagindo a essas informações não apenas com bom humor e calma, mas como se fosse a coisa mais normal e corriqueira da vida. Afinal, todo dia um filho nosso admite que quer nossa mulher, não é mesmo?
Aqui temos 2 curtas da Disney na segunda metade dos anos 40, o primeiro conta uma historia simples sobre um urso de circo chamado Bongo (um personagem que caiu no esquecimento) e o classico conto "o gigante e o pe de feijao" com Mickey, Donald e Pateta. Os curtas sao criativos, mas o formato eh muito ruim, por conta da narracao que eles botaram . Ter que aturar uma mulher e um cara narrando tudo que aparece e tudo que os personagens estao fazendo alem de ser redundante, eh irritante e zomba da inteligencia de quem esta assistindo, pq ate uma crianca entenderia o que se passa.
Sem duvida a melhor serie animada da DC da atualidade. Divertidissima e criativa, a serie consegue homenagear todos os personagens do universo do Batman ao mesmo tempo que faz uma parodia de todos eles. Filmes e animacoes do Batman dos anos 2000 para ca tem como marca principal serem sempre sombrias e levarem seus personagens excessivamente a serio, com pouco humor e uma comedia inexistente. Harley Quinn foi uma lufada de frescor no meio dessas obras. Afinal Batman por mais serio e dark que queira ser, no fim do dia eh um cara vestido de morcego que hora ou outra luta junto a um pirralho de 13 anos vestido de verde e amarelo, rodeados de viloes bizarros e carnavalescos. Eu sempre fui uma defensora de mais humor negro e leveza humoristica nas historias do Batman entao por mim essa serie pode ser renovada por umas 10 temporadas.
É dificil para mim confessar, mas nunca fui fã da trilogia Nolan. Ele trouxe o icônico Coringa de Heath Ledger, é claro. Mas nada mais do que isso me anima tanto.
Em primeiro lugar, não gosto de todo esse realismo e "vibração tão séria" que o Nolan imprimiu na sua versão e que ficou na massa popular como a "versão mais correta" do Batman. Não para mim. Nolan pesou muito no tom, desviando-se tanto dos quadrinhos a ponto de não parecer mais o clássico Batman que eu aprecio. Batman tem uma estética sombria, é claro, mas o personagem e seu universo como um todo não deveriam ser tão realistas. É um universo de super-heróis onde um homem anda vestido de morcego, meu deus. Eu sei que existem muitos fãs de Batman que clamam por histórias realistas. Mas simplesmente não é meu estilo. Como grande fã da família de morcegos, eu me inclino para historias mais coloridas, divertidas e despretensiosas do Batman. Veja, não estou dizendo que um filme do Batman deva ser tão camp como Batman & Robin (1997), mas também não precisa ser levado muito a sério para soar constantemente como uma peça pretensiosa de shakeaspeare.
Em segundo lugar, por causa desse realismo, a Gothan de Nolan é enfadonha. Gothan sempre foi um personagem vivo dos quadrinhos. O visual, que oscila entre uma cidade gótica do século 19 misturada com uma cidade futurista cyberpunk, é icônico. Mas Nolan sacrifica este Gothan icônico para criar uma cidade absolutamente genérica e comum em que qualquer um de nós viveria, destruindo toda a imersão e diversão da cidade de Gothan.
Terceiro, o Batman. Bale simplesmente não é meu Batman ideal. Meu Batman ideal é muito mais durão nas lutas e muito mais brilhante intelectualmente. Mais importante, meu Batman ideal não desiste de ser o Batman só porque
sua namorada ou amigo morre. Mais importante ainda, sua carreira ativa como Cavaleiro das Trevas não dura cerca de apenas 2 malditos anos em 3 filmes para simplesmente terminar como um civil tomando café com a Mulher-Gato.
Sem chance. Meu Batman ideal só se aposenta em duas situações, tendo sua coluna irreversivelmente quebrada, ou dentro de um caixão por idade ou por que foi morto. O maior problema do Batman de Nolan é que depois de Begins, Bruce é ainda Bruce, enquanto Batman é uma ferramenta que ele usa. Desculpe, mas isso está totalmente errado. Qualquer fã sabe que em qualquer história em quadrinhos do morcego, Batman é a sua persona real, enquanto é Bruce a ferramenta usada como disfarce. Não é isso que vemos nos filmes do Nolan, Bruce é sempre o destaque, e Batman sempre em segundo plano. Por mais que não fosse a intenção de Nolan, foi essa impressão que eu senti a medida que assistia ate o final da trilogia.
Quarto, as cenas de luta não são muito boas. Tivemos boas cenas de perseguição, mas a coreografia de luta não é boa. Nolan falha muito nesse quesito. Falta impacto. A primeira luta de Bane e Batman é um exemplo. Essa deveria ter sido uma luta tão chocante e memorável, no nivel da batalha no trem entre o Homem-Aranha e o Doutor Octopus, pois
seria o Batman levando uma surra de como nunca antes e sofrendo uma amarga derrota. Mas o que Nolan nos dá? Uma cena mal coreografada, onde você mal consegue sentir e ouvir os golpes, Batman lutando como se fosse um cara bêbado em uma briga de bar, e no momento em que Bane o levanta para quebrá-lo... faltou impacto. Foi muito rápido. Deveria ter sido em câmera lenta, para vermos a derrota do Batman em toda a glória do Bane. Mas não, mal ouvimos a quebra de sua coluna, apenas uma massa negra caindo tão rápido que, se você piscar o olho, corre o risco de perder.
Foi tão irritante para mim, porque a cena não era exatamente ruim, simplesmente não foi grandiosa o suficiente, e isso deveria ter sido grandioso como foi nos quadrinhos. Nolan conseguiu desperdiçar a luta mais impressionante e dramática dos quadrinhos do Batman e transformou-a em uma luta esquecível e sem brilho. Para piorar as coisas, quase não vimos Batman lutando nos filmes de Nolan.
Quinto, e não menos importante, Blake. Meu Deus, Blake é o epítome do medo e da vergonha que a DC sente pela presença do Robin nos filmes live-action do Batman. Como uma grande fã de Robin, eu detesto Blake. A ideia de trazer Blake é rasteira. É como Nolan pensando "Eu quero flertar com Robin, mas ele não pode ser Robin, porque Robin não se encaixa no meu universo tão sério." Se Nolan tem medo e vergonha da ideia de Robin, por que ele trouxe um personagem como Blake? Nolan tinha um monte de Robins à mão que ele poderia adaptar ao seu estilo: Dick, Jason, Tim, Damian ... até Carrie Kelley. Mas não.
Tive a honra de assistir homem aranha 2 nos cinemas com meu pai. Na epoca eu tinha 13 anos. Foi um marco na minha adolescencia. Lembro o quanto o Alfred Molina me deixou boquiaberta com seu dr. Octopus. Eu era muito novinha e estava acostumada com os vilões dos desenhos da Disney. Mas o dr. Octopus era outro nivel acima, que eu nunca tinha visto em um filme antes. Um vilão complexo, que fazia maldades por uma razao bem explicavel. Vc podia sentir empatia e pena por ele. Sem falar que ele era totalmente foda, com um visual super estiloso e um poder arrasador, que realmente desafiava o Aranha. Sem sombra de duvida, o dr. octopus do Alfred Molina é o super vilão mais foda da historia do cinema ao lado do Coringa do Heath Ledger. E isso por que eu nem comentei das lutas. A luta do trem e aquela com a tia May no banco sao impossiveis de esquecer de tão antológicas e bem dirigidas, com muita ação, agilidade sem ser confuso pra audiencia, dramaticidade e humor tudo na dose certa. Homem Aranha 2 é simplesmente um filme muito gostoso de assistir, sempre que vejo passando em algum lugar eu paro tudo que estou fazendo pra assistir de novo. Por mais que o Batman seja meu super heroi favorito, tenho que admitir que até hoje nenhum filme do morcegão conseguiu ainda superar Homem Aranha 2. É dificil explicar mas esse filme é o epitome de tudo que um filme de super heroi deve ser. Diversão, emoção,drama, lutas epicas, vilão foda: tudo está ali e na dose certa.
Uma decada se passou e ainda permanece a melhor animação do Batman já feita. Acho que nem os filmes do Nolan conseguem capturar a essência de uma boa história do Batman como Under the Red Hood fez. Essa animação traz uma das histórias mais impactantes e dramáticas do Batman, "Morte em Família" e conta a história de um dos maiores anti-herois modernos da DC: Jason Todd.
Para quem gosta de boas historias entre Batman e Robin, algo raro de se ver fora dos quadrinhos, esse filme será um prato cheio. Aqui, Batman está muito bem escrito e fiel às HQs. Ele é o balanceamento perfeito entre o Batman detetive, o Batman pai que se preocupa com seu filho e o Batman amargurado em conflitos com o passado.
O "tom" da animação é bem "Batmêsca", bem dark com um ritmo perfeito e lutas excelentes, mas mais do que isso, é muito emocionante e mexe com os sentimentos. O embate final entre o Capuz e o Batman é uma das melhores sequencias que já vi em um filme de super heroi com destaque ao momento em que o Batman desce o cacete no Capuz dentro do banheiro. O Coringa está perfeito também, aqui ele traz um humor e diversão que meio que se perdeu em suas encarnações mais recentes no cinema.
Poderia ter sido uma adaptação perfeita, se não tivesse esse estranho fetiche do Bruce Timm no meio.
Todo o fandom de Batman em geral concordam que Batman e Bárbara devem ser o pior casal de super-heróis de todos os tempos, por um motivo obvio: com eles tendo uma relação de tio / sobrinha tão próxima e bem estabelecida na Batfamilia, com ela sendo a filha do Comissário Gordon e até mesmo um interesse amoroso importante para Dick/Asa-Noturna/Robin (filho adotivo de Bruce) Batman e Barbara portanto não deveriam nem ser um casal para começar, e qualquer tentativa de escrevê-los em alguma aventura erótica vai soar bem estranho.
Isso traz problemas para a caracterização de Batman e Barbara. Não o apenas enfraquece o caráter dela, transformando-a em mais um interesse amoroso passageiro e descartável do Morcego (como se ele já não tivesse interesses amorosos o suficiente!), mas arruína o personagem de Batman também, ao transformá-lo em um desses tios de meia-idade assustadores que eventualmente transam com a filha de seu melhor amigo de meia-idade na surdina. Isso soa como uma fanfic de quinta, vinda de um escritor bem pervertido, não como uma história do Batman deveria ser.
Mas Bruce Timm é "aquele cara". Ele não apenas ama isso, não apenas acha essa a ideia mais legal de todas desde Batman Animated Series e Batman Beyond, mas sua perversão infelizmente ainda vive ao ser empurrada na cara do público agora através da escrita de Brian Azarello. Isso resulta nos primeiros 30 minutos do filme The Killing Joke, que não só não funcionam e se sentem totalmente deslocados e fora do enredo principal, mas arruinam toda a experiência como um todo. O que muitos escritores homens parecem não entender é que existem outras maneiras de personagens femininas trabalharem com um personagem masculino sem precisar haver uma tensão sexual entre eles. Como uma dinâmica de um velho mentor e uma aluna mais jovem, por exemplo. Mas, aparentemente, Timm e Azarello são incapazes de imaginar Batgirl interagindo com Batman dentro de um papel de nada além de um interesse amoroso, o que é uma pena.
Se Barbara tivesse tido algum momento safado com Dick em cima de algum telhado, ou o proprio Batman com a Mulher Gato, dava ate pra entender. Mas Batman e Barbara??? Oi??? Timm e Azarello deveriam apenas parar de forçar seus fetiches estranhos nas principais obras da DC e reservá-los para suas fanfics particulares.
Steamboy
3.8 58 Assista AgoraA única coisa que se salva em Steamboy é a qualidade da animação e da linda ambientação vitoriana cyberpunk, mas isso já era esperado vindo do mesmo diretor de Akira. Todo o resto é uma explosiva catástrofe.
A historia é simplesmente incompreensível. O roteiro é megalomaniaco e uma bagunça de acontecimentos e eventos. Akira também tem esses mesmo problemas, mas pelo menos compensa com grandes protagonistas. Isso é algo que não acontece em Steamboy. Não existe um personagem memorável, agradável ou interessante nesse filme.
Ray Steam é como uma encarnação passada de Tetsuo na era vitoriana sem nada que o faz unico e interessante.
Scarlett OHara é provavelmente a pior mocinha que já vi em uma animação. Ela abusa de animais, o que por si só já torna a tarefa de se simpatizar com ela uma tarefa hercúlea, mas o filme sequer se esforça para torna-la mais simpática a medida que o tempo passa. Ela começa desagradavel e termina desagradável, sem zero desenvolvimento de personagem, o que a faz uma vilã, mas o roteiro assume que ela é a mocinha da história, o que é desconcertante.
Enquanto isso, tudo o que acontece em volta é desinteressante com personagens desinteressantes, enquanto algo está explodindo ao fundo.
Atlantis: O Reino Perdido
3.5 264 Assista AgoraNão se tornou um clássico, mas ainda é a melhor animação de aventura que a Disney já fez. Os personagens são muito carismáticos, cada um com uma função bem estabelecida na trama. O ritmo é excelente, não ficando monótono em nenhum momento. Você senta e quando vê ja está terminando, sem ver o tempo passar.
Um dos pontos mais interessantes de Atlantis é o proprio protagonista Milo, que quebra todos os padrões com sua nerdice e inteligencia, se diferenciando dos demais principes galãs do estúdio. E a Kida é uma personagem deslumbrante, para mim a princesa mais bela do Disneyverso, mesmo que não faça parte das princesas mais famosas e principais.
Outro destaque é a violência raramente vista em uma animação da Disney, com explosões, tiros e sangue. Mesmo tendo um tom mais corajoso, acho que o filme sabe balancear bem, não sendo nem infantil demais, mas tambem não muito sombrio.
Já a qualidade de animação é excelente,como já se espera de um filme da Disney, nos apresentando muitos cenários bonitos e inspirados.
O fato desse filme ter virado uma espécie de "cult" entre fãs de animação não é a toa. Mesmo que a história não seja nada inovadora, existe algo em Atlantis que aquece o coração, da pra perceber o amor e a paixao por trás de toda equipe que criou a obra.
O Diário de Anne Frank
4.2 123Existem muitos filmes da Anne Frank já feitos, mas confesso que de todos, esse filme é meu favorito. Ele não é o mais clássico, como o de 1959, nem mesmo o mais completo da vida de Anne, como o de 2001 com 3 horas de duração. Nem mesmo é o mais sério, como a versão alemã de 2016. Tampouco foca nas amizades de Anne como a producao mais nova da Netflix "minha querida amiga anne Frank" . Porém se tem uma coisa que esse filme acerta é na construção dos personagens e na fidelidade com o diario da Anne. A atmosfera do filme é exatamente o que o diario passa: tenso em muitos momentos, mas também cheio de passagens leves e sarcásticas como a própria Anne. Aliás, Anne está perfeitamente representada como ela era. Nas outras versões, como a de 59, ela é claramente retratada como uma adolescente romântizada, quase glorificada. Mas a real Anne, embora prodigio como escritora, era uma adolescente comum como qualquer outra; era mimada, respondona, de difícil temperamento e tagarela, e dura com a mãe, mesmo a mae se esforçando pra se aproximar da filha. Tudo isso tem no diario e é mostrado nessa versão.
Um dos pontos altos é a forma que o filme explora a relação de Anne com seu companheiro de quarto, o Sr. Fritz Pfeffer (pseunomino Düssel), quase sempre ignorado ou pouco explorado nas outras versões.
E o que dizer da Margot? Quase sempre igualmente pouco explorada, ela está perfeita nesse filme, sendo bem retratada por sua atriz, que além de linda, soube passar toda doçura e serenidade da irmã de Anne.
Peter também está perfeito nesse filme, igualzinho você imagina ele no diario; um rapaz tímido, desajeitado, inseguro, inexperiente, mas com um coração puro.
Madame Van Pels(Van Daan) é outra que ficou identica, parece que saiu das páginas do diario pra tela.
No geral, um excelente filme da Anne. A vantagem dele é que é mais acessível, não só por estar disposto no YouTube, mas por também não mostrar cenas muito pesadas em campos de concentração como os outros, se focando inteiramente em acontecimentos do diario,logo, é algo que crianças podem acompanhar mais facilmente.
A Paixão de Cristo
3.7 1,2K Assista AgoraNão sou católica nem protestante, nem mesmo uma pessoa religiosa, e ainda assim, foi um filme que conseguiu me emocionar como poucos que ja vi na vida.
Acho que o maior trunfo de Mel Gibson nessa obra é sua honestidade na mensagem: o filme é direto ao ponto, não desvia do que foi proposto e cumpre exatamente o que promete. Ja vi criticos reclamando que o filme exagera na violência e que peca por pouco ter mostrado a vida de Jesus como mensageiro do amor e paz. Bem, eu discordo totalmente. Filmes religiosos que mostram a mensagem de Jesus em vida têm aos montes. Mas aqui o foco é justamente a "Paixão de Cristo", mostrar as últimas 12 horas da vida dele, tarefa a qual Mel Gibson cumpre de forma eficaz, mas sem deixar de pincelar flashbacks de passagens da vida de Jesus que, embora curtas, funcionam demais na construção das cenas e dos personagens à medida que o calvário se desenrola, sem prejudicar o ritmo. Cito como maior exemplo aquela belíssima cena em que Maria,
ao ver Jesus cair no chão carregando a cruz, recorda-se de quando seu filho era um menino, e ela o coloca no colo ao ve-lo cair, mas agora já não pode mais faze-lo.
O enorme acerto que Gibson faz nesse filme é mostrar um Jesus humano, em toda sua literalidade. Independente de sua crença ou da visão que você tenha de Jesus, é um filme que mexe com sua empatia, se tornando uma tarefa hercula não se compadecer com as injustas e cruéis torturas a qual Jesus é submetido, não um Jesus sobrenatural, mas um homem que chora,sente angústia, fraqueja e sangra.Um Jesus de carne e osso, que podemos nos conectar de forma verdadeira. E o mais interessante é perceber que esse Jesus humanizado nao apenas se mostra nas cenas de dor, mas também em momentos de tranquilidade, quando por exemplo há a cena em que
Jesus constrói despreocupadamente uma mesa enquanto conversa com Maria, e brinca com ela como qualquer filho brincaria com sua mae.
Há de se destacar também o terror presente nesse filme, com destaque as aparições do diabo, sempre carregados de muito simbolismo. Achei a atuação do ator de Judas, apesar de breve, outro ponto excelente da trama: o ator nos faz sentir muita pena de Judas por seu tragico fim. A atuação de Jim Caviezel dispensa comentários. Ele passa mil emoções apenas com seu olhar. É como se estivéssemos vendo o proprio Jesus ao vivo e cores.
No geral, um filme que acho que mesmo para quem não seja religioso deve ser visto pelo menos uma vez na vida,por conta de seu grande valor artístico e pelas emoções que ele traz a quem assiste.
Peter Pan: De Volta à Terra do Nunca
3.2 58 Assista AgoraEssa é uma das sequencias mais subestimadas da Disney. Considero ate melhor que o filme original.
Primeiramente, acho a trama muito madura e inteligente por ambientar os personagens num cenario de guerra, pois nao poderia existir contraste mais poderoso para uma nova aventura em uma Terra do Nunca. Logo no início fica claro que Jane é o total oposto de sua mãe Wendy, seguindo aquele tropo "sou diferente de meus pais", e sim, Jane é inicialmente toda chata e age como se fosse adulta, mas seu comportamento faz total sentido, pois ela é uma menina que foi forçada a experenciar a guerra muito jovem. Tudo isso moldou sua personalidade a ponto de faze-la querer abandonar sua infância cedo demais. É como se Jane experimentasse uma aventura contrária a de Wendy no primeiro filme: enquanto Wendy não queria deixar de ser criança, mas no fim aceita que isso é necessário, Jane quer ser adulta a todo custo, mas aprende no final a se reconectar com sua criança interior perdida.
A forma como Wendy é retratada nessa sequencia também é outro acerto do filme: ela cresceu, ja é uma mulher, mas mesmo depois de tantos anos nunca deixou de lado seu Eu criança, continuando no fundo a mesma Wendy divertida, leve, esperançosa e contadora de histórias. Há ate mesmo um breve reencontro entre ela e Peter, que só reforça ainda mais essa mensagem.
Outro acerto dessa sequência está no próprio Peter Pan. Se no primeiro filme ele era arrogante em excesso, a ponto de soar até narcisista em alguns momentos, aqui eu sinto que eles finalmente acertam o tom do personagem. Peter age como um heroi mais agradável e simpático de acompanhar.
Capitão Gancho também está ótimo na sequência. No lugar do crocodilo, agora temos um polvo gigante que o persegue. (Uma curiosidade é que a cena em que ele e sua tripulação raptam Jane de seu quarto foi uma das alternativas que Disney e sua equipe pensaram para o Peter Pan original - mas a ideia nunca saiu do storyboard - sendo enfim reaproveitada aqui.)
Peter pan 2 também traz uma evolução em relação aos relacionamentos femininos: se no primeiro filme todas as garotas disputavam entre si pela atenção de Peter, aqui isso é atenuado, construindo no terceiro ato uma interação entre garotas finalmente positiva atraves de Jane e Sininho, que unem suas forças para salvar o dia.
O terceiro ato, aliás, é para mim mais poderoso que no original, por que ao contrário do primeiro filme em que Peter parecia um garoto sem fraquezas e invencivel, aqui
Peter demonstra mais vulnerabilidade, sendo aquele quem precisa ser salvo no final.
No geral, acho uma sequência digna e sem dúvida uma das minhas favoritas.
Peter Pan
3.8 285 Assista AgoraUm clássico da Disney, que mesmo não tendo envelhecido bem em alguns aspectos, sempre foi um dos meus favoritos até hoje.
Sininho (curiosamente chamada de Tilimtim na dublagem brasileira antiga) é uma personagem que causou polêmica na época, sendo desenhada de forma bem sensual para seu tempo e para um filme destinado a crianças. Sua personalidade ciumenta e forte nesse filme é muito anti-heroica, o oposto do que se esperava de uma personagem feminina da década de 50.
Agora, é curioso notar alguns aspectos que existem nessa animação que seriam impensáveis em uma obra atual. Um deles foi a forma que Disney e sua equipe retrataram os indígenas, soando ofensivo em alguns momentos. Apenas Tigrinha se salva.
Outra coisa que chama a atenção, é que todas as personagens femininas nesse filme interagem de forma negativa, competindo umas com as outras pela atenção de Peter. Sininho odeia Wendy a tal ponto de tentar mata-la, as Sereias implicam e atacam Wendy assim que a veem, e mais para a frente ate mesmo Wendy se incomoda com a aproximação de Tigrinha com Peter. É claro que a competição feminina sempre existiu na vida real, mas acho que o SR. DISNEY pesou um pouco a mão aqui, com todas as garotas sendo tóxicas umas com as outras, sem pausa. Acho que esse inclusive é um dos fatores que fazem o Peter Pan de Walt Disney parecer até desagradável em algumas cenas. Em muitos momentos, ele soa mais um rapaz arrogante e narcisista do que heroico, o que sempre prejudicou minha impressão com ele. O próprio Sr. Disney admitiu que não gostou do resultado final do personagem, sentindo que o publico teria dificuldade de se conectar com ele.
Mas, mesmo com todos esses problemas na construção do personagem, Peter Pan sempre será uma animação nostálgica para mim.
A Dama e o Vagabundo
3.8 525 Assista AgoraUm clássico imortal da Disney, que até hoje encanta por seu capricho e roteiro bem escrito. É sempre uma surpresa revisita-lo. O filme funciona, tal como diz a introdução, como uma verdadeira homenagem a todos os cachorros, "sejam eles damas ou vagabundos". Disney e sua equipe conseguem retratar de forma ludica como os cachorros agem e enxergam os humanos de seu ponto de vista. É ainda mais interessante o rumo que a história toma, mostrando como a chegada de um bebê muda a dinâmica e o ambiente, onde o cachorro deixa de ser o centro da atenção, tambem abordando não apenas as diferenças entre classes caninas, que espelham muito as classes sociais humanas, mas também a importancia de viver a liberdade sem se esquecer que existem responsabilidades.
O filme possui ainda uma das animações mais caprichadas da década de 50 dos estudios Disney, ficando atrás talvez apenas d A Bela Adormecida.
A química entre Lady e o Vagabundo se forma no sentido dos opostos se atraírem. LADY é doce e ingenua sobre o mundo fora de seu quintal, mas faz de tudo para cuidar de seu lar e donos. Vagabundo é um malandro e tem experiencia de vida que ela nao tem, mas é irresponsavel. O filme possui sequencias musicais memoráveis, com destaque a dos gatos gemeos siameses da insuportável tia Sara, e a imortal cena do prato de espaguete com almôndegas ao som de "Lá Bella Notte", considerada até hoje um dos momentos mais românticos da história da animação - se não o maior.
E para quem é adulto, é ainda mais interesse pescar mensagens nas entrelinhas, como por exemplo na sutil sugestão na parte em que Lady e Vagabundo dormem juntos, e também na interessantissima personagem Peggy - uma cadeia de rua que é o oposto de Lady, retratada de um modo sutil como se fosse uma espécie de "prostituta, dançarina de cabarés" versão canina, e que rouba a cena sempre que aparece.
Não menos importante, aquele rato é realmente assustador.
Luca
4.1 782Bem, esse talvez seja o texto mais controverso que ja fiz no Filmow, mas vamos la...
Não sou gay, mas sou uma pessoa que shippa o Luca e o Alberto sim, e acho muito curioso o quanto isso costuma irritar as pessoas. Se você gosta de ver a relação deles como apenas uma amizade, o que era a ideia original do diretor do filme - algo que acho engraçado, visto que o Casarosa acabou por criar não intencionalmente o filme da Disney mais queer ever - que otimo para voce! A verdade é que cada um é livre para interpretar e curtir uma obra como bem quiser, independente do que o diretor tinha originalmente em mente.
Luca é uma das minhas animações favoritas, e sim, é um filme muito fofo sobre aceitação, onde cada um pode se ver universalmente representado, mas não existe nada de errado caso uma parcela do público ache divertido e fofo shippar o Luca com Alberto.
Ah, mas voce nao pode, isso é um absurdo por que eles são apenas crianças! Não, não são. Alberto tem oficialmente 14 anos e Luca tem 13. Embora eles pareçam crianças por conta do estilo artistico da animacao da Pixar , na prática o Luca é pré adolescente e o Alberto já é adolescente, idade em que atração pelo outro já pode comecar a despertar naturalmente sem ser nada absurdo ou amoral. Outra coisa é que shippar personagens é algo que sempre existiu entre fandoms de obras infantis, e ninguem se importava... até Luca. Há tantos exemplos, mas vou citar a Turma da Mônica. Chico Bento, Cascão e Magali são crianças de 6 anos de idade que sempre tiveram namoradinhos(as) OFICIAIS nos seus gibis. Ora, ora, e aonde estava esses pais que de repente se sentem tão ofendidos ao ver crianças sendo mencionadas como namoradas em uma obra infantil? O motivo de odiarem tanto LucaxAlberto - que tem na verdade o dobro da idade dos personagens na turma da Mônica- é bem claro. Não é por " serem crianças". É apenas porque é um shipp lgbt+.
Enfim, a hipocrisia.
Toy Story
4.2 1,4K Assista AgoraA história da animação é marcada em "antes" e "depois" de Toy Story. Poderia ter parado apenas na contribuição de apresentar a técnica da animação 3D ao mundo, mas Toy story de 1995 foi além dessa inovação: trouxe tambem consigo personagens inesqueciveis, um timing cômico perfeito em cada cena e uma trama criativa com um ritmo ágil, que não deixa pontas soltas e te prende do início ao fim.
A premissa da historia é simples, mas genial. O que aconteceria se brinquedos tivessem vida propria? Ninguém antes havia pensado nesse cenario a nivel de um longa metragem, mas a Pixar o fez.
O humor e a comedia desse filme é algo a destacar, cheio de tiradas inteligentes. Sid, o vilão, é outra figura que rouba a cena, sendo a perfeita personificação de como um garoto problematico e assustador dos anos 90 seria.
Até mesmo a relação entre Woody e Buzz faz um paralelo com a história do cinema: assim como os filmes de faroeste perderam espaço e popularidade para os filmes de ficção científica, o cowboy perde o posto de brinquedo favorito do Andy para o astronauta, acontecimento que vai desencadear o conflito da trama.
E é mais surpreendente perceber que, por mais que a animação tenha envelhecido pelo tempo, toda sua temática e seu roteiro inteligente e bem escrito não envelheceram nada. Na verdade, Toy story é um filme que não enjoa nunca, e fica cada vez melhor quanto mais se assiste.
Nem que a Vaca Tussa
3.1 299 Assista AgoraNão fez parte da minha infância, portanto não existe oculos da nostalgia para ocultar o fato que esse foi o pior filme da Disney que já vi em toda minha vida. Depois de cinco tentativas consegui enfim chegar até o final com muito esforço no DisneyPlus. O trio de vacas protagonistas são chatissimas, os personagens não tem carisma algum e a história é muito fraca. O tom do filme é uma comédia tão exagerada e frenética que tira qualquer profundidade ou emoção genuína nas cenas. Animações da Disney costumam ter comédia, mas há sempre um equilíbrio entre cenas leves com cenas de peso emocional e dramatico. Isso não acontece em Nem Que A Vaca Tussa. Os personagens são tão rasos e de uma nota só que eles se tornam meras caricaturas sem qualquer humanidade para se identificar. Havia muitas rotas diferentes que a Disney poderia ter explorado no desenvolvimento de seus personagens, sendo uma das oportunidades mais perdidas o do caçador de recompensas Rico, por exemplo. Rico por boa parte da historia foi um personagem muito intrigante que parecia servir de homenagem digna de grandes herois de filmes de velho oeste, para no final simplesmente virar outro capanga imbecilizado do Alameda Slim - quando ja havia 3 capangas cumprindo tal papel na historia, numa conclusao rasa como um pires. Em nenhum momento o trio protagonista é confrontado com qualquer ameaça real que faça a audiencia temer por uma consequencia. O filme segue do inicio ao fim parecendo um desenho animado abobajado de Looney Toones, mas de mais baixa qualidade. A unica coisa que pode-se resgatar foi a animação, e ainda assim há muitas outras animações até mais antigas que conseguem ser esteticamente melhores e mais charmosas. Nem que a Vaca Tussa é definitivamente o Galinho Chicken Little das animações 2D.
Elementos
3.7 501Elementos me surpreendeu em todos os sentidos.
Pra mim é a melhor animação da Pixar desde VIVA. Conseguiu me emocionar e me divertir mais do que SOUL.
Faísca e Gota são apaixonantes e a química entre eles funciona muito. O romance entre eles é fofo e inspirador. O conflito dramatico a qual Faisca se vê presa é real e convincente.
Indo além de uma comédia romântica, o filme aborda os obstáculos que imigrantes enfrentam em um novo local, desde o medo e a desconfiança de se misturar, até a dificuldade de se fazer compreender. Mais do que isso, a história traz uma importante mensagem das expectativas que os pais têm sobre seus filhos, que se de início parece algo positivo, a longo prazo acaba se tornando um fardo para o filho carregar, especialmente quando o coração aponta para outra direção, muito bem retratado na relação de Faisca com seu pai.
A Animação está linda como se é de esperar. Achei o design das criaturas elementares muito criativa e inspirada.
De modo injusto, ELEMENTOS estreiou com pouca bilheteria e recebeu inicialmente críticas pouco entusiasmadas, mas com o tempo o filme foi crescendo de boca em boca e encontrando seu público, se reerguendo nos cinemas e se tornando enfim um sucesso absoluto no Disney plus.
A Bailarina
3.2 102Um bom filme de ação pra passar o tempo. Achei o início meio parado e confuso, mas a segunda metade é viciante, e a motivação da protagonista é convincente. Algumas cenas me fizeram lembrar um filme do Tarantino. Os cenários e a iluminação são bonitos.
Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros
3.9 1,7K Assista AgoraJurassic Park foi o filme que definiu os anos 90, grande responsável pela febre da dinomania nas crianças noventistas. Aqui Spielberg entregou um blockbuster completo de aventura, ficção científica e terror, mas acessível a todas as idades, aquele filme que você pode assistir tranquilamente com seus pais , avós e filhos sem se preocupar se vão jogar alguma nudez ou sexo gratuito e desnecessário na sua cara ( momento esse cada vez mais raro de se ter com sua familia). É verdade que os personagens não são la muito profundos, mas cumprem bem o papel na trama a que foram designados. Interessante notar como mesmo sendo um blockbuster o filme ainda traz uma mensagem relevante ate os dias de hoje sobre o desenvolvimento da genetica e ate que ponto o homem deve ou nao interferir na natureza. E fica impossivel não citar o fato de Jurassic Park não ter envelhecido mal visualmente . O CGi dos dinossauros continua impressionante e parece muito natural ao lado dos cenários e atores.
Posso lembrar de quase todas as cenas mesmo passando muito tempo sem rever. A primeira vez que o TRex aparece na chuva, o programador gordo sendo morto no carro, aquela cena da Dra. Ellie tendo que ligar o disjuntor do parque inteiro, o Dr. Grant cuidando das crianças, as crianças com os velociraptors na cozinha. E muitos outros.
Um clássico dos anos 90 icônico e eterno
Digimon Tamers (3ª Temporada)
3.6 76O Anime mais subestimado da história!! Nunca recebeu nem de longe o real reconhecimento que merecia, mesmo dentro da própria franquia Digimon! Tamers não é apenas a melhor temporada de Digimon, mas um dos melhores animes do gênero shounen.
Por muitos momentos, Tamers esqueceu que se destinava a um público infantil e transcendeu seu gênero. Ao invés de se limitar a trazer mensagens extremamente previsíveis e obvias como “acredite em si mesmo” ou “acredite no poder da amizade”, essa temporada abordou mensagens como depressão, niilismo, vergonha, culpa e redenção. Em comparação ao Digimon Adventure clássico, o mundo digital de Tamers é selvagem, frio e realista. Os Digimons são mostrados muito mais como monstros violentos e perigosos do que meros pets engraçados e fofos. Isso não significa que eles não continuem simpáticos, amigos e parceiros, nada disso, mas Tamers deixa muito claro que ainda assim eles continuam sendo monstros que quando perdem o controle podem trazer estragos irreversíveis aos humanos e ao mundo. O fato de Digimons devorarem-se uns aos outros absorvendo seus dados é algo que não existia no clássico, e isso adicionou um peso significativo no tom da trama. Enquanto no clássico os Digimons podiam voltar da morte em digiovos instantaneamente, deixando no ar uma sensação de "safe zone", a morte de um Digimon em Tamers é permanente e irreversível. Isso aumentou muito as apostas, tornando as batalhas – especialmente a partir do episodio 34 – extremamente dramáticas.
Diferente de outras continuações, em que os personagens são visivelmente imitações dos digiescolhidos originais, cada novo domador têm uma personalidade única em Tamers. Takato não é uma cópia de Taichi ou Davis. Ele é um menino gentil, generoso e ingênuo, algumas vezes tímido, e que muitas vezes não sabe o que fazer diante de momentos de pressão – o oposto de um esperado líder. Ruki não é Sora, Mimi ou Kari. Ela é durona e sabe lutar, mas não é uma Tsundere genérica de shounen. Mesmo tendo um coração frio no inicio, ela têm seu jeito todo próprio e peculiar e sua jornada em busca da feminilidade dentro de si enquanto aprende a se conectar com seus amigos é tocante – e tudo isso sem precisar ter sido reduzida a um interesse amoroso do líder do grupo. Lee é inteligente e calmo, não gosta de lutar e tem uma visão pacifista do mundo, portanto o oposto de Ruki. Existem outras crianças que se juntam na metade para o final da série, sendo Juri Katou a mais importante delas, uma garota alegre e excentrica que começa a temporada como um interesse amoroso de Takato, mas que também acaba ganhando um certo Digimon como parceiro, e após determinados eventos do meio para o fim, sofre o arco mais pungente e sofrido entre todos os personagens.
Mas os parceiros Digimons são o maior destaque de Tamers. Cada Digimon é seu próprio personagem, ao invés de serem uma mera extensão de seus domadores. Guilmon é inocente e parceiro, Terriermon é fofo e infantil e Renamon é misteriosa e forte. Todos têm um design marcante e bem feito, com destaque a Renamon, que é simplesmente um dos Digimons mais icônicos já criados.
E por falar de Digimons icônicos, seria uma injustiça falar sobre Tamers sem citar Impmon, este pequeno digimon demônio, que parece um Mickey Mouse que se tornou mais malvado, que então digivolve para Beelzebumon, um demônio anjo-caído super estiloso que ainda pilota uma moto foda. Beelzebumon é a definição de "Foda". De longe o Digimon com o arco mais emocionante e humano de Tamers. Cheio de orgulho e com complexo de inferioridade, Impmon é fraco e anseia por poder, mas não quer se render à amizade dos humanos para se fortalecer de forma honrada. Ao invés disso, ele desce para um caminho que vai desencadear o maior conflito até o fim da série. Através de Impmon/Beelzebumon, temos um dos maiores arcos de redenção já escritos, rivalizando com Zuko em Avatar. De um Digimon que é apenas um pequeno aborrecimento de alívio cômico, para um psicopata assassino, para um anti-heroi arrependido e que no final têm um dos sacrifícios mais heróicos vistos.
Se eu tivesse que apontar um defeito, eu diria que achei a luta final um pouco arrastada e repetitiva. Talvez um episódio a menos teria melhorado o ritmo. Outro fator é que a maioria das lutas em Tamers não são tão nostálgicas como as de Adventure, porééém, a luta do Dukemon/Gallantmon contra Beelzebumon é perfeita, épica, viceral e emocionante, estando entre as maiores lutas de toda franquia.
Esse é o máximo que posso dizer, se for detalhar mais soltarei spoilers importantes. Então só peço a quem nunca viu Tamers, ou assistiu picotado quando criança e dropou no meio caminho: Por favor, assista e reassista essa obra-prima , e tire suas próprias conclusões.
O Auto da Compadecida
4.3 2,3K Assista AgoraMelhor filme brasileiro de todos os tempos, e desafio alguem a me provar o contrario. Historia simples, mas memoravel. Grandes atores dando vida a personagens marcantes. Trilha sonora maravilhosa. Humor e comedia no tom certo. O filme consegue mesclar a tragedia de uma chacina na cidade com uma leveza e bom humor que aquece o coracao. Um filme acessivel a todas as idades. Uma historia genuinamente brasileira.
Digimon Adventure tri. - Parte 6: Nosso Futuro
3.5 31Digimon Adventure Tri foi de longe a maior decepcao da minha vida. Meu hype estava na extratosfera e agonizou ate morrer a medida que os episodios saiam. Me ficou a impresssao que os roteiristas que escreveram tri nem assistiram Digimon 01 e 02. Nunca vi tanto desperdicio de potencial num roteiro todo desconjuntado com ritmo muito ruim e personagens inuteis que ninguem pediu pra existirem. Qual o apelo da Meiko? Quem veio assistir Tri veio para rever os 8 digiescolhidos originais. Trazer uma protagonista 100% nova e sem sal pra roubar tempo de tela que devia ser dos 8 originais foi uma ideia terrivel dos roteiristas.
Samurai Jack (5ª Temporada)
4.6 44Pessoalmente, nunca entendi porque essa temporada recebeu tantos elogios dos fas e criticos. No geral, gosto muito do trabalho do Tartakovsky. Considero o Samurai Jack classico e o mais recente Primal verdadeiras joias da animacao que deveriam ser mais reconhecidas. No entanto, para mim esta nitido que o final de Samurai Jack possui o mesmo problema que o final de Primal: apressado e com rumos equivocados. Tartakovsky possui uma capacidade inexplicavel de estragar o final de suas historias com o mesmo talento brilhante que tem de criar e estabelecer seus personagens.
Essa temporada 5 comecou de forma promissora. Os tres primeiros episodios foram bem interessantes. Mas a partir do instante que Ashi se torna um interesse amoroso de Jack, a historia simplesmente desmorona, em todos os sentidos. Fazer Ashi o amor de Jack foi uma decisao errada de Tartakovsky, pois em um genero como esse um interesse amoroso nao é necessario, e com tao poucos episodios, nao havia tempo para se estabelecer um romance decente. Escrever um bom casal é dificil, requer habilidade e tempo, e tempo era algo que Tartakovsky nao tinha. Esse abrupto romance nas portas dos momentos finais se sente totalmente forcado, com o agravante de nao existir uma quimica genuina nesse casal. Jack foi construido nas 4 temporadas classicas como um guerreiro epico, estoico e praticamente celibato. Por conta disso, ve-lo agir como se fosse um adolescente apaixonado nao apenas se sente muito estranho, mas algo muito fora de seu personagem, ainda mais se formos considerar que Ashi é , na pratica, muito mais jovem que ele - Jack, apesar de fisicamente nao envelhecer no futuro, é um personagem muito sabio e muito vivido, mentalmente ele é como se fosse um homem de 70 anos, com uma jovem que nunca interagiu com nenhum homem alem dele e que nao sabe de nada da vida la fora. Ela é como uma crianca que acabou de descobrir o mundo se apaixonando por um anciao, o que na minha visao cria um tipo de relacionamento bizarro e problematico. E o que é pior, o romance deles acaba roubando o foco principal da serie que sempre foi a luta milenar entre Jack e Abu. Em termos narrativos isso é um erro pois Ashi é uma personagem nova, que nao existia no classico, nao justificando assim ela ser a resposta e a solucao de um conflito que se iniciou muito antes dela.
Eu entendo que a intencao de Tartakovsky era trazer uma personagem feminina importante ao lado de Jack, visto que nao havia nenhuma personagem feminina de peso no classico. De certa forma, foi interessante ver uma protagonista ao lado de Jack, mas a questao que eu trago é que ela nao precisava de forma alguma ser um interesse amoroso. Acredito que o relacionamento de Jack e Ashi teria funcionado de forma brilhante e muito melhor se Tartakovsky tivesse ido para o caminho de Jack como um mestre/sensei e Ashi como sua aluna e isso ter evoluido para um sentimento familiar mutuo de pai e filha, como um Joel e Ellie. Alem de menos cliche, faria mais sentido, uma vez que Jack estava numa fase em que mentalmente era mais vivido e experiente que nas temporadas classicas, sendo o momento perfeito para se tornar um sensei de uma crianca ou jovem. Tambem teria formado uma dinamica e conflito mais interessante entre Jack-Ashi-Abu, com ela dividida entre essas duas figuras paternas a ela. Chega a ser frustrante para mim toda essa oportunidade de ouro que Tartakovsky tem na ponta dos dedos mas que desperdica por completo. Foi como se o arco de personagem de Jack implorasse por ser um Sensei. Ao inves disso, Tartakovsky nos entrega o oposto do que um personagem como Jack precisaria. Foi como se Ashi tivesse sido criada com um unico proposito de ser a namorada de Jack mesmo que isso destoasse do tom da historia e tornasse Ashi um dispositivo de enredo a partir disso. O motivo de eu bater tao insistantemente nessa tecla é por que foi essa decisao que impactou o final da serie.
A segunda decisao narrativa que pra mim arruinou ainda mais o final foi a de Jack ter conseguido voltar para o passado e matado Abu no passado. Parece ate uma ironia o que digo, pois embora isso sempre tenha sido o principal objetivo de Jack na serie alem de algo que muitos fas esperavam, é um tipo de solucao conveniente e infantil demais para uma temporada que estava se propondo ser mais sombria e adulta. Na minha opiniao Jack nunca deveria ter voltado para o passado. O Abu a ser derrotado deveria ter sido o do futuro, aquele que conhece Jack ha muito tempo. Traria uma resolucao mais madura Jack falhar permanentemente em retornar, perdendo para sempre seu lar de origem, transmitindo a mensagem que o passado nao pode ser mudado, mas o presente, onde Jack poderia reconstruir um novo futuro como o Rei desse futuro - Algo que foi muito sugestionado atraves do Guardiao do portal e que de certa forma Jack ja estava construindo nas temporadas classicas. Alias, é exatamente assim o final da versao em quadrinhos. Muito melhor do que esse final de Tartakovsky, é um tipo de encerramento que faz Jack se conectar emocionalmente com a audiencia, pois em nossas vidas, nunca poderemos voltar no passado para trazer de volta um ente querido morto ou para apagar um lamentavel erro que nao pode ser desfeito. Este é um tipo de resolucao tao agridoce quanto a escolhida por Tartakovsky, mas muito mais realista e coerente do que essa que ele nos entrega, que foi
fazer Ashi desaparecer como fumaca convenientemente bem na hora de um casamento
uma cena que nao apenas nao faz sentido nenhum (uma vez que, seguindo a logica de viagem no tempo que o final traz, Ashi deveria ter desaparecido instantes apos a derrota de Abu) como tambem se sente um mero dispositivo preguicoso de enredo para simplesmente chocar o publico, ao inves de trazer uma mensagem verdadeiramente significativa. Mais do que isso, a cena do casamento destoa em absoluto do tom de samurai jack, que nunca foi um drama romantico, e sim uma obra de acao mesclada com ficcao cientifica. Encerrar a serie com uma cena tao destoante de tudo do classico e ate do inicio da propria temporada foi tao equivocado do ponto de vista da boa escrita que me deixou sem palavras.
A sensacao que ficou comigo é a de que Jack, ao ter recebido de bandeja tudo que queria no final (sua volta para o passado) nao evoluiu como personagem nem um pouco. Todo desenvolvimento do personagem que estava sendo construido nos 3 primeiros episodios, de um homem que sofria pela culpa do fracasso de sua missao tendo que viver com isso e tendo que deixar esses fantasmas do passado para tras, foi completamente regredido nos 4 ultimos episodios e jogado numa lata de lixo no episodio 10. Ha um momento, se nao me engano no episodio 7, em que
Jack recebe de volta sua katana perdida, e de brinde recebe junto o seu antigo visual classico,
como num passe de magica, como se aquele homem barbudo e depressivo com marcas do passado nunca tivesse existido ou sequer tivesse deixado uma cicatriz emocional nele. Para entao chegarmos no episodio final, onde num passe de magica, atraves de um portal que o roteiro retirou do nada da bunda, entrega a Jack tudo o que ele queria. Bem, nem tudo...
Ele perde Ashi.
Mas o problema é que Ashi, sendo uma personagem nova, nao funciona bem como o "sacrificio final" de Jack. Ela é usada como uma mera ferramenta do roteiro para chocar, de modo que todo esse drama romantico se sente artificial e insuficiente perto de outras alternativas que haviam. O sacrificio final que a serie deveria ter entregue, na minha opiniao, era a perda daquilo que Jack buscava desde o inicio, que era voltar para seu passado perfeito e idealizado, onde restauraria todas as vidas e tudo como se nada tivesse acontecido (uma intencao nobre, mas ainda assim o maior sonho utopico e ilusorio de qualquer ser humano). Nunca mais voltar teria sido a real perda, a mais dolorosa e significativa para Jack. Afinal quem nao sonha em voltar para o passado para matar Hitler e salvar milhoes de vidas? Todo mundo, mas a vida nao funciona dessa forma tao simplista e determinista como o final escolhido por Tartakovizky. Mesmo que isso fosse possivel e haja uma boa intencao, havera sempre o risco de apagar no futuro outras milhares de vidas que nasceram por causa dessas circunstancias, o que seria igualmente errado, afinal as pessoas do futuro tem igual direito de existirem quanto as do passado tiveram. Mas o final nao chega nem perto de discutir essas questoes de forma inteligente. Jack e Ashi agem com uma impulsividade e inconsequencia que beira a burrice, sem nunca terem parado um momento para refletir no enorme sacrificio que isso acarretaria. Como eu ja disse, a historia de amor entre os dois roubou todo o tempo que deveria ter sido utilizado nessa decisao entre passado vs futuro. Deveria ter havido uma cena em que Jack parasse para pensar entre uma e outra. Mas ele imediatamente pula para o passado. Nao ha reflexao . Onde foi parar a sabedoria de Jack? Deveria ser claro principalmente para Jack que destruir Abu no passado levaria aquilo que ocorreu no casamento. Mas ele fica surpreso. Nos ultimos 3 episodios Jack em nada parece um samurai amadurecido como devia ser; Ele age como um adolescente imaturo e impulsivo que faz tudo sem pensar. Em seu luto final, ele nem se importa com todos os amigos que deixou para tras e apagou da existencia. Toda sua dor se volta para Ashi. Mais um motivo do por que sua historia de amor com Ashi o deixou tao fora do personagem.
A verdade nua e crua que Tartakovsky pareceu nao enxergar em sua propria obra é que nao havia mais nada para Jack no passado. Seu pai era quase um esqueleto a beira da morte no primeiro episodio classico . Convenientemente, o final "esquece" esse "pequeno detalhe", tornando o pai e a mae de Jack saudaveis e bonitos novamente, pois se os mostrassem envelhecidos como eram de fato quando Jack os deixou, ficaria ainda mais evidente o erro que foi Jack ter retornado. Lugares, mesmo que externamente aparentam nao ter mudado, nunca sao mais os mesmos, pois sempre acabamos mudando de qualquer forma. Se Tartakovsky se atentasse a isso, teria percebido que Jack nao era mais aquele jovem samurai de 50 anos atras. Ele tinha vivido tantas experiencias significativas nesse futuro, que chegou um ponto que nao fazia mais sentido, tanto do ponto de vista filosofico quanto de puro roteiro mesmo, apagar tudo isso para retornar a um passado ja ha muito tempo enterrado para fingir que tudo continuaria como um dia foi.
Por ultimo mas nao menos importante, houve um desperdicio de velhos personagens e de tramas. Para onde foi parar o Guardiao do portal? Prometeu tudo e entregou nada. Havia um potencial imenso nessa historia do Rei do futuro que foi jogado pela janela, aparecendo apenas como um easter egg ou como uma mera nota de rodape. O mesmo vale para os velhos amigos de Jack que aparecem mais como um fanservice do que um proposito real na trama.
Se eu pudesse resumir tudo que nao gostei, eu diria que achei a resolucao muito infantil, destoante com a proposta sombria e adulta do inicio da temporada; com um romance muito mal construido e desnecessario, com uma batalha final muito apressada e anticlimatica e a morte de um certo personagem bem artificial, apenas pela funcao do choque.
Eu amo Samurai Jack classico, e queria ter amado essa temporada. Sei que provavelmente estou escrevendo para o vento, pois a maioria das pessoas parecem amar o desfecho de samurai jack, mas de qualquer forma, deixo aqui meu registro dos motivos desse final ter me incomodado tanto.
The Room
2.3 497Um espétáculo de vergonha alheia da primeira à última cena. É assim que The Room pode ser resumido em uma frase. Quando pensamos em um filme muito ruim, imaginamos num primeiro momento uma história de Terror ou de Ficção Científica, gêneros do cinema onde o Trash e a Comédia Involuntária costuma ser mais frequente de acontecer. Mas o fato de The Room ter se proposto a retratar de forma séria um Romance Dramático Psicólogico é o que o torna uma experiência verdadeiramente única no cinema trash underground.
The Room é tão deliciosamente desastroso que faz Cinderela Baiana (pérola trash nacional) soar como uma peça de Shakespeare em comparação. Sim, pois apesar de toda sua ruindade em diversos aspectos, Cinderela Baiana ainda consegue a inexplicavel proeza de nos entregar uma trama um pouco mais coesa e lógica que The Room. Basicamente não existe trama em The Room, apenas um rascunho de uma idéia: Johnny (interpretado de forma atroz pelo proprio diretor e roteirista Wiseau) é um banqueiro que vive em San Francisco e parece ter a a vida perfeita que todo homem sonha em ter. No entanto, a noiva dele, Lisa, se cansa de Johnny e começa a trai-lo com seu melhor amigo, Mark.
Basta apenas 20 minutos para já ficar claro à audiência que essa premissa não irá a lugar nenhum e que Tommy Wiseau não apenas é um ator amador como não faz a menor ideia de como se escreve um roteiro para o cinema. O filme é um amontoado de cenas aleatórias que nada acrescentam a trama central, com repetições inuteis que não impulsionam a história para a frente e com cenas de sexo desnecessariamente longas ao som de uma trilha sonora brega e cafona que elevam a vergonha alheia à ultima potência – pense em qualquer cena de sexo desnecessária que você já viu em qualquer filme (e há várias), mas The Room faz tudo muito pior.
Os personagens são um show à parte: são meras caricaturas fingindo agir como seres humanos, entrando em cena sem explicação prévia e sumindo em seguida sem causar impacto algum nos personagens centrais e na narrativa. Em determinado momento, Denny (um jovem considerado filho adotivo de Johnny, personagem estranhíssimo que não age nem como uma criança nem como um homem) acaba com uma arma apontada na cabeça por um traficante de drogas, gerando uma cena de ação rápida que nunca mais será mencionada no instante seguinte.
Mas o que mais impressiona em Wiseau além da sua atuação ruim e sua incapacidade de escrever um roteiro que faça sentido, é que ele parece realmente não entender como funciona a interação entre seres humanos. É como se toda a história e o dialogo de The Room tivesse sido escrito por um alienígena vindo de uma galáxia distante que pousou na Terra à poucas semanas e, fascinado com essa nova descoberta, se aventurasse a criar uma novela sobre nossa espécie conforme as impressões que ele teve, nos brindando assim com diálogos totalmente artificiais e reações irreais que nenhum ser humano falaria ou teria em situação semelhante. O que dizer daquela cena em que a mãe de Lisa simplesmente informa que “Definitivamente, eu tenho um câncer de mama”, em um tom de conversa banal e corriqueiro de café da tarde? Sua filha Lisa é uma caricatura de uma mulher adúltera, uma tentativa de ser uma “femme fatale”, mas no final termina apenas como um ser que resolve do dia para noite trair Johnny sem nenhuma explicação ou motivação crível. Sua personagem beira a psicopatia, mas não de uma forma divertida. Através do comportamento de Lisa, Wiseau traz uma visão rasa e misógina das mulheres como megeras interesseiras e adulteras – mas o filme é tão absurdo por si só, que essa misognia empalidece no meio de todo desastre em tela.
E o que dizer de Denny, o filho adotivo de Johnny , que além de gostar de espiar seu “pai adotivo” fazendo sexo com Lisa, ainda informa na cara de Johnny que a ama e um dia a quer para si? Mais absurdo do que isso é Johnny reagindo a essas informações não apenas com bom humor e calma, mas como se fosse a coisa mais normal e corriqueira da vida. Afinal, todo dia um filho nosso admite que quer nossa mulher, não é mesmo?
Para o alienígena Wiseau, tudo isso faz sentido.
Como é Bom se Divertir
3.4 45 Assista AgoraAqui temos 2 curtas da Disney na segunda metade dos anos 40, o primeiro conta uma historia simples sobre um urso de circo chamado Bongo (um personagem que caiu no esquecimento) e o classico conto "o gigante e o pe de feijao" com Mickey, Donald e Pateta.
Os curtas sao criativos, mas o formato eh muito ruim, por conta da narracao que eles botaram . Ter que aturar uma mulher e um cara narrando tudo que aparece e tudo que os personagens estao fazendo alem de ser redundante, eh irritante e zomba da inteligencia de quem esta assistindo, pq ate uma crianca entenderia o que se passa.
Arlequina (1ª Temporada)
4.4 74Sem duvida a melhor serie animada da DC da atualidade.
Divertidissima e criativa, a serie consegue homenagear todos os personagens do universo do Batman ao mesmo tempo que faz uma parodia de todos eles.
Filmes e animacoes do Batman dos anos 2000 para ca tem como marca principal serem sempre sombrias e levarem seus personagens excessivamente a serio, com pouco humor e uma comedia inexistente. Harley Quinn foi uma lufada de frescor no meio dessas obras. Afinal Batman por mais serio e dark que queira ser, no fim do dia eh um cara vestido de morcego que hora ou outra luta junto a um pirralho de 13 anos vestido de verde e amarelo, rodeados de viloes bizarros e carnavalescos. Eu sempre fui uma defensora de mais humor negro e leveza humoristica nas historias do Batman entao por mim essa serie pode ser renovada por umas 10 temporadas.
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
4.2 6,3K Assista AgoraÉ dificil para mim confessar, mas nunca fui fã da trilogia Nolan. Ele trouxe o icônico Coringa de Heath Ledger, é claro. Mas nada mais do que isso me anima tanto.
Em primeiro lugar, não gosto de todo esse realismo e "vibração tão séria" que o Nolan imprimiu na sua versão e que ficou na massa popular como a "versão mais correta" do Batman. Não para mim. Nolan pesou muito no tom, desviando-se tanto dos quadrinhos a ponto de não parecer mais o clássico Batman que eu aprecio. Batman tem uma estética sombria, é claro, mas o personagem e seu universo como um todo não deveriam ser tão realistas. É um universo de super-heróis onde um homem anda vestido de morcego, meu deus. Eu sei que existem muitos fãs de Batman que clamam por histórias realistas. Mas simplesmente não é meu estilo. Como grande fã da família de morcegos, eu me inclino para historias mais coloridas, divertidas e despretensiosas do Batman. Veja, não estou dizendo que um filme do Batman deva ser tão camp como Batman & Robin (1997), mas também não precisa ser levado muito a sério para soar constantemente como uma peça pretensiosa de shakeaspeare.
Em segundo lugar, por causa desse realismo, a Gothan de Nolan é enfadonha. Gothan sempre foi um personagem vivo dos quadrinhos. O visual, que oscila entre uma cidade gótica do século 19 misturada com uma cidade futurista cyberpunk, é icônico. Mas Nolan sacrifica este Gothan icônico para criar uma cidade absolutamente genérica e comum em que qualquer um de nós viveria, destruindo toda a imersão e diversão da cidade de Gothan.
Terceiro, o Batman. Bale simplesmente não é meu Batman ideal. Meu Batman ideal é muito mais durão nas lutas e muito mais brilhante intelectualmente. Mais importante, meu Batman ideal não desiste de ser o Batman só porque
sua namorada ou amigo morre. Mais importante ainda, sua carreira ativa como Cavaleiro das Trevas não dura cerca de apenas 2 malditos anos em 3 filmes para simplesmente terminar como um civil tomando café com a Mulher-Gato.
O maior problema do Batman de Nolan é que depois de Begins, Bruce é ainda Bruce, enquanto Batman é uma ferramenta que ele usa. Desculpe, mas isso está totalmente errado. Qualquer fã sabe que em qualquer história em quadrinhos do morcego, Batman é a sua persona real, enquanto é Bruce a ferramenta usada como disfarce. Não é isso que vemos nos filmes do Nolan, Bruce é sempre o destaque, e Batman sempre em segundo plano. Por mais que não fosse a intenção de Nolan, foi essa impressão que eu senti a medida que assistia ate o final da trilogia.
Quarto, as cenas de luta não são muito boas. Tivemos boas cenas de perseguição, mas a coreografia de luta não é boa. Nolan falha muito nesse quesito. Falta impacto. A primeira luta de Bane e Batman é um exemplo. Essa deveria ter sido uma luta tão chocante e memorável, no nivel da batalha no trem entre o Homem-Aranha e o Doutor Octopus, pois
seria o Batman levando uma surra de como nunca antes e sofrendo uma amarga derrota. Mas o que Nolan nos dá? Uma cena mal coreografada, onde você mal consegue sentir e ouvir os golpes, Batman lutando como se fosse um cara bêbado em uma briga de bar, e no momento em que Bane o levanta para quebrá-lo... faltou impacto. Foi muito rápido. Deveria ter sido em câmera lenta, para vermos a derrota do Batman em toda a glória do Bane. Mas não, mal ouvimos a quebra de sua coluna, apenas uma massa negra caindo tão rápido que, se você piscar o olho, corre o risco de perder.
Quinto, e não menos importante, Blake. Meu Deus, Blake é o epítome do medo e da vergonha que a DC sente pela presença do Robin nos filmes live-action do Batman. Como uma grande fã de Robin, eu detesto Blake. A ideia de trazer Blake é rasteira. É como Nolan pensando "Eu quero flertar com Robin, mas ele não pode ser Robin, porque Robin não se encaixa no meu universo tão sério." Se Nolan tem medo e vergonha da ideia de Robin, por que ele trouxe um personagem como Blake? Nolan tinha um monte de Robins à mão que ele poderia adaptar ao seu estilo: Dick, Jason, Tim, Damian ... até Carrie Kelley. Mas não.
"Vou criar um policial genérico chamado Robin e vamos fazer esse cara se tornar o sucessor do Batman!"
Blake é uma perda de tempo.
Homem-Aranha 2
3.6 1,2K Assista AgoraTive a honra de assistir homem aranha 2 nos cinemas com meu pai. Na epoca eu tinha 13 anos. Foi um marco na minha adolescencia. Lembro o quanto o Alfred Molina me deixou boquiaberta com seu dr. Octopus. Eu era muito novinha e estava acostumada com os vilões dos desenhos da Disney. Mas o dr. Octopus era outro nivel acima, que eu nunca tinha visto em um filme antes. Um vilão complexo, que fazia maldades por uma razao bem explicavel. Vc podia sentir empatia e pena por ele. Sem falar que ele era totalmente foda, com um visual super estiloso e um poder arrasador, que realmente desafiava o Aranha. Sem sombra de duvida, o dr. octopus do Alfred Molina é o super vilão mais foda da historia do cinema ao lado do Coringa do Heath Ledger.
E isso por que eu nem comentei das lutas. A luta do trem e aquela com a tia May no banco sao impossiveis de esquecer de tão antológicas e bem dirigidas, com muita ação, agilidade sem ser confuso pra audiencia, dramaticidade e humor tudo na dose certa. Homem Aranha 2 é simplesmente um filme muito gostoso de assistir, sempre que vejo passando em algum lugar eu paro tudo que estou fazendo pra assistir de novo.
Por mais que o Batman seja meu super heroi favorito, tenho que admitir que até hoje nenhum filme do morcegão conseguiu ainda superar Homem Aranha 2. É dificil explicar mas esse filme é o epitome de tudo que um filme de super heroi deve ser. Diversão, emoção,drama, lutas epicas, vilão foda: tudo está ali e na dose certa.
Batman Contra o Capuz Vermelho
4.0 342 Assista AgoraUma decada se passou e ainda permanece a melhor animação do Batman já feita.
Acho que nem os filmes do Nolan conseguem capturar a essência de uma boa história do Batman como Under the Red Hood fez. Essa animação traz uma das histórias mais impactantes e dramáticas do Batman, "Morte em Família" e conta a história de um dos maiores anti-herois modernos da DC: Jason Todd.
Para quem gosta de boas historias entre Batman e Robin, algo raro de se ver fora dos quadrinhos, esse filme será um prato cheio. Aqui, Batman está muito bem escrito e fiel às HQs. Ele é o balanceamento perfeito entre o Batman detetive, o Batman pai que se preocupa com seu filho e o Batman amargurado em conflitos com o passado.
O "tom" da animação é bem "Batmêsca", bem dark com um ritmo perfeito e lutas excelentes, mas mais do que isso, é muito emocionante e mexe com os sentimentos. O embate final entre o Capuz e o Batman é uma das melhores sequencias que já vi em um filme de super heroi com destaque ao momento em que o Batman desce o cacete no Capuz dentro do banheiro.
O Coringa está perfeito também, aqui ele traz um humor e diversão que meio que se perdeu em suas encarnações mais recentes no cinema.
Batman: A Piada Mortal
3.3 495 Assista AgoraPoderia ter sido uma adaptação perfeita, se não tivesse esse estranho fetiche do Bruce Timm no meio.
Todo o fandom de Batman em geral concordam que Batman e Bárbara devem ser o pior casal de super-heróis de todos os tempos, por um motivo obvio: com eles tendo uma relação de tio / sobrinha tão próxima e bem estabelecida na Batfamilia, com ela sendo a filha do Comissário Gordon e até mesmo um interesse amoroso importante para Dick/Asa-Noturna/Robin (filho adotivo de Bruce) Batman e Barbara portanto não deveriam nem ser um casal para começar, e qualquer tentativa de escrevê-los em alguma aventura erótica vai soar bem estranho.
Isso traz problemas para a caracterização de Batman e Barbara. Não o apenas enfraquece o caráter dela, transformando-a em mais um interesse amoroso passageiro e descartável do Morcego (como se ele já não tivesse interesses amorosos o suficiente!), mas arruína o personagem de Batman também, ao transformá-lo em um desses tios de meia-idade assustadores que eventualmente transam com a filha de seu melhor amigo de meia-idade na surdina. Isso soa como uma fanfic de quinta, vinda de um escritor bem pervertido, não como uma história do Batman deveria ser.
Mas Bruce Timm é "aquele cara". Ele não apenas ama isso, não apenas acha essa a ideia mais legal de todas desde Batman Animated Series e Batman Beyond, mas sua perversão infelizmente ainda vive ao ser empurrada na cara do público agora através da escrita de Brian Azarello. Isso resulta nos primeiros 30 minutos do filme The Killing Joke, que não só não funcionam e se sentem totalmente deslocados e fora do enredo principal, mas arruinam toda a experiência como um todo. O que muitos escritores homens parecem não entender é que existem outras maneiras de personagens femininas trabalharem com um personagem masculino sem precisar haver uma tensão sexual entre eles. Como uma dinâmica de um velho mentor e uma aluna mais jovem, por exemplo. Mas, aparentemente, Timm e Azarello são incapazes de imaginar Batgirl interagindo com Batman dentro de um papel de nada além de um interesse amoroso, o que é uma pena.
Se Barbara tivesse tido algum momento safado com Dick em cima de algum telhado, ou o proprio Batman com a Mulher Gato, dava ate pra entender. Mas Batman e Barbara??? Oi??? Timm e Azarello deveriam apenas parar de forçar seus fetiches estranhos nas principais obras da DC e reservá-los para suas fanfics particulares.