Definitivamente os atores e atrizes britânicos raramente são "bons", se não são medíocres são brilhantes. Vanessa Kirby brilhou lindamente. Merecidíssimas todas as indicações que recebeu (BAFTA de melhor atriz, Critics Choice de melhor atriz de cinema, Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático, Oscar de Melhor Atriz, SAG Award de Melhor Atriz Principal de cinema). ...
Correndo assistir The World to Come.
O filme: depois de "IЯЯƎVƎЯSIBLƎ" "Pieces of a Woman" foi a primeira meia hora filmada em planos sequências, sem cortes (o que dá mais realismo ao relato), mais maravilhosamente devastadora e agônica que a 7ª artes me brindou. Quando os créditos aparecem o espectador já está com o coração abertado, angustiado.
Sem mais, para não dar spoiler, o filme dá aulas sobre as várias formas que a mesma dor tem de quebrar diferentes pessoas. Vale cada um dos mais de 120 minutos.
É um drama intenso, doloroso emocionante e maravilhoso. Trata de abandono, de ausência, de solidão, de culpa, de redenção e por último de um tema tabu que não divulgarei aqui para não dar spoiler, mas que necessita ser discutido apesar de ser de difícil digestão.
A fotografia é preciosa, tem longos silêncios e profundos diálogos pausados na medida exata para que o espectador possa sentir o tamanho da ferida... sutilmente.
Nos papéis principais duas atrizes em estado de graça, principalmente Bárbara Lennie (Chiara).
O filme descarta com elegância o final fácil e previsível que seria a reconciliação para surpreender-nos com as razões que levaram a filha a procurar sua mãe depois de 35 anos de distanciamento.
Enfim, recomendo:
1. Que assista a este lindo filme sem pressas (é lento) nem pré-conceitos.
2. Que se entende um pouquinho o espanhol assista ao curta-metragem que antecede o longa, do mesmo diretor. Está disponível no Y o u T u b sob a descrição:
‘El domingo. Prólogo’ - un cortometraje de Ramón Salazar
Holocausto, a humanização da prostituição, o instinto maternal e a doçura da trans Lola... ela também imigrante, as tragédias anunciadas desde as colonizações exploratórias que resultam até hoje na massifica imigração de africanos para a Europa, o drama e a esperança que essas pessoas encontram lá, Sophia Loren e Ibrahima Gueye... não tem como ficar indiferente à “La vita davanti a sé”.
Curiosidade:
Sua primeira versão cinematográfica, “Madame Rosa”, dirigida pelo israelense Moshé Mizrahi, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1978.
Seu diretor, Eduardo Ponti, é filho da deusa Sophia Loren.
Bari, sul da Itália, na “vida real” “recebe”, há décadas, inúmeros imigrantes ilegais e refugiados africanos, líbios, sírios e albaneses.
Adaptação competente de um best-seller, sustentada por boas atuações — Michael Douglas está seguro, mas é Brittany Murphy quem realmente se destaca. A trama funciona bem, ainda que escorregue um pouco na previsibilidade nos minutos finais, nada que impeça que o filme valha a conferida.
Uma versão náutica de Plano de Voo (lembram da Jodie Foster?), que se debate desesperadamente para não afundar. Keira Knightley faz o que pode, mas é pouco: há infinitamente formas mais interessantes — e críveis — de entreter-se por uma hora e meia, a não ser que realmente não haja mais nada pra assistir.
Um filme de ficção histórica, enraizado em verdades que amplificaram a tensão.
Por circunstâncias da vida, acabei vivendo de perto parte — a mais recente — desse período nebuloso da história espanhola: os anos 90 e parte da década seguinte. Soube pelos telejornais sobre assassinatos de políticos, jornalistas, juízes e pessoas comuns, vítimas de bombas em espaços públicos ou tiros a queima-roupa em bares e outros lugares corriqueiros que incluso costumava frequentar.
Ainda lembro com clareza da barbárie cometida contra Miguel Ángel Blanco, mencionado no filme... um vereador de 29 anos — minha mesma idade na época — que foi encontrado com dois tiros na cabeça, três dias após ter sido sequestrado pela ETA, e que morreu depois de horas agonizando em um hospital. Participei de manifestações pedindo sua libertação.
Durante décadas de terror (1959–2018), a ETA foi responsável por mais de 2,5 mil atentados e quase mil assassinatos.
Não conhecia a história da formação da ETA durante o regime fascista de Franco. O filme apresenta essas informações logo no início, com detalhes suficientes à contextualização, usando flashbacks de forma inteligente. A partir daí, avança de maneira constante, alternando tensão e alívio, sem acelerar demais os batimentos do espectador até os dez minutos finais. Para mim funcionou — muito. Gostei.
Para quem, como eu, se interessa pelo assunto, recomendo — caso volte a estar disponível em algum serviço de streaming — o filme "Dias Contados" (1994), de Imanol Uribe. Uma ficção que trata a questão pelo ponto de vista de um terrorista que vai deixando de acreditar na “causa”. O longa ganhou seis prêmios Goya, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e é considerado uma obra importante do cinema sobre o contexto histórico. Como curiosidade, conta com a participação de um jovem Javier Bardem no início de sua promissora carreira.
Um filme que enfrenta um tema devastador com rigor e respeito, sem sensacionalismo. Nada de golpes baixos, nada de suavização. A sobriedade conduz tudo: o horror está nos rostos tensos, nos sorrisos que desaparecem, nos olhos que apagam mais rápido do que a infância vira adolescência. É o percurso direto da inocência ao trauma. “Manas” honra o título: é sobre irmandade e sobrevivência dentro de um sistema que falha com as mulheres desde sempre. As jovens se protegem como podem; algumas escapam, outras ficam presas por pura falta de saída. O espectador é colocado na pele da protagonista e obrigado a encarar uma realidade que muitos evitam, não há como desviar o olhar, a tensão não cede. O abuso nunca é mostrado — não por suavização, mas porque não é necessário. A violência está ali, clara e incômoda. A escolha da diretora revela responsabilidade e ética, resultado de uma década ouvindo meninas vítimas de abuso em aldeias amazônicas, especialmente na ilha de Marajó. Necessário.
Uma afável comédia agridoce, lúcida, amarga e divertida ao mesmo tempo, que ainda tem o mérito de trazer reflexões interessantes sobre a velhice, o dinheiro e a família — sobre a liberdade, o corpo e a idade como espaços de disputa. Um bom filme argentino — valha a redundância — com direção uruguaia e ótimas atuações.
Sempre que não estou muito a fim de ficar procurando o que assistir, pego um desses documentários. Este, por exemplo, foi indicado a Melhor Documentário no Sundance e no Gotham Independent Film Awards, venceu Melhor Direção para um documentário americano no Sundance e também Melhor Documentário no Critics Choice Documentary Awards.
Documentário em sua forma mais pura: um crime real, captado enquanto acontece, sem cortes, sem filtros. Direto ao ponto. Cru, implacável.
"A vizinha perfeita" escancara a essência de uma nação: paranoia racista, a inércia de uma polícia que é parte do problema e marcada pelo racismo estrutural, além de uma legislação sobre autodefesa e armamento que, em vez de proteger, amplia o caos.
No fim, sobra uma certeza: algo está terrivelmente errado nos Estados Unidos.
Quem assiste a um filme chamado Caramelo, com a premissa que ele mesmo anuncia, e depois se indigna por não encontrar profundidade… francamente! Reclamar que Caramelo não é uma obra-prima? Um clássico exemplo de expectativas totalmente desajustadas.
É um filme fofinho, como quase todos os filmes que tem pets como protagonistas, mas também carrega aquele drama leve e cativante típico de sessão da tarde. Doce, delicado e sensível, consegue emocionar sem exageros e cumpre exatamente o que promete. Dentro do gênero, definitivamente vale muito a pena.
Alguém disse : "que o filme seja algo absurdo não significa que não possa render um bom entretenimento.", ou algo parecido. E é exatamente isso: uma diversão rápida, facilmente esquecível, mas com uma pitada de tensão e umas surpresinhas aqui e ali para manter os olhos abertos. Um daqueles filmes que você assiste, se diverte por um tempo, e depois esquece… até o próximo impulso de nostalgia.
Não é exatamente o meu gênero preferido — tanto que demorei três décadas para finalmente assistir a este clássico, mesmo com um elenco de peso. De Niro, Al Pacino, Val Kilmer… com nomes assim, a velha dinâmica de polícia e ladrão, o jogo de gato e rato, um roteiro sólido, trama envolvente e diálogos afiados, é realmente difícil que algo saia errado.
Para quem aprecia filmes de ação bem construídos, este aqui é uma excelente pedida. Mesmo para quem, como eu, não costuma se entusiasmar pelo gênero, vale a experiência.
Diferentemente de reportagens, episódios de TV e filmes sobre o caso, este documentário me deixou um amargo e persistente sabor de desconforto. Por motivos diferentes, senti algo parecido ao assistir à ficção “Os Últimos Passos de Um Homem” (ótimo filme com Sean Penn e Susan Sarandon).
Voltando...
De forma geral, sou absolutamente contra a pena de morte — mas não foi só isso. As gravações de áudio e as entrevistas feitas na prisão… sei lá. Começou a me parecer meio injusto o apelido de “a prostituta do inferno”, dado pela imprensa estadunidense na época do julgamento.
Também comecei a achar especialmente cruéis alguns títulos de filmes que retrataram sua história — “Monster,” “American Boogeywoman,” “Mind of a Monster”…
É difícil acreditar que Aileen “Lee” Wuornos fosse uma mulher mentalmente saudável — fato totalmente ignorado em seu julgamento. Não apenas pelos depoimentos, mas principalmente por sua história de vida, que teria causado profundos danos emocionais e mentais a qualquer pessoa — ainda mais a uma criança.
Saindo um pouco do tema, um adendo: que história absurda essa de
uma pessoa adotar um ser humano adulto que estava respondendo por sete assassinatos! Muito louca essa Arlene Pralle — e mais loucas ainda as leis dos EUA.
“É difícil imaginar matar alguém inocente — ou alguém que não estava plenamente ali. Ela não estava ali.”
Boa parte do documentário volta seu olhar para o tratamento que Wuornos recebeu do sistema judiciário, da imprensa e de Tyria Moore. É impossível não perceber o quanto ela precisava de ajuda — e o quanto foi injusto, ou ao menos um trágico erro, o desfecho do julgamento que selou seu destino.
Um registro essencial para quem se interessa pelo tema — ilumina os meandros de uma vida marcada pela violência e pela negligência. Duro, desconfortável e, acima de tudo, profundamente triste.
Pra quem quiser mais informações verídicas, este vídeo no YouTube, intitulado “Aileen Wuornos, Serial Killer: Ficção vs. Realidade”, é muito bom.
A história se estende um pouco demais, a execução é desajeitada e as mensagens soam forçadas. O roteiro teria ganhado muito se também tivesse conseguido fazer o espectador acreditar que
o que Janiyah carregava na mochila era, de fato, uma bomba
, por exemplo. A sequência dentro do banco é longa demais e merecia um pouco mais de tensão.
A mensagem do filme é boa e necessária, mas se enfraquece ao se enredar nas implicações éticas das "decisões" de Janiyah. Com um pouco mais de cuidado, o filme poderia ter aproveitado melhor todo o potencial que a história tem.
Lendo essa introdução, pode parecer que não gostei do filme — o que não é verdade. Gostei, sim. Só acho que poderia ter sido muito melhor.
Outro integrante desta rede comentou que a sequência anterior era apenas mais um caça-níquel. Sim. “Ocean’s Thirteen”, então, é a prova de que nem mesmo um elenco de astros consegue salvar um roteiro preguiçoso. O filme parece existir apenas porque alguém em Hollywood percebeu que ainda havia troco a tirar da franquia. É o típico projeto feito apenas para lucrar: polido por fora, vazio por dentro.
A trama tenta soar engenhosa, mas se enrola em sua própria confusão. O resultado é uma sequência que se leva a sério demais (ou talvez graciosa demais) para um plano tão sem graça. O pouco charme do primeiro filme evaporou — substituído por uma sucessão de reviravoltas forçadas e piadas que caem no vazio.
Até mesmo o elenco parece entediado: cada rosto famoso atua no piloto automático, como se estivesse ali apenas para garantir mais um cheque e um terno bem cortado. No fim, “Ocean’s Thirteen” é o tipo de filme que confirma o ditado: quando não há mais nada a dizer, Hollywood faz mais um capítulo. Um desperdício reluzente. Nem terminei.
Se o primeiro já não era grande coisa, o segundo consegue ser ainda menos inspirado. A sensação é de que a produção se apoia no sucesso moderado do antecessor, mas sem trazer nada realmente novo. O enredo se arrasta, os personagens perdem o pouco de carisma que tinham e nem mesmo o elenco estelar consegue salvar o resultado. Tudo soa reciclado, previsível e sem alma — um daqueles filmes que parecem feitos apenas para dar sequencia ao plano original de que seria uma trilogia. Zeus! Virá outro 😱
Remakes costumam me desagradar, e este não foi exceção. Apesar do elenco repleto de estrelas e da clara intenção de agradar ao grande público, o filme parece feito apenas para entreter por alguns minutos — sem qualquer ambição artística ou narrativa maior. Por ser o primeiro da saga, até funciona de forma razoável, mas nada além disso.
Histórias verídicas e roteiros baseados em livros são, quase sempre, premissas de grandes filmes. “O Sequestro de Daniel Rye” é um relato intrinsecamente dramático, filmado com câmera na mão, de forma trêmula, e contado com maestria, inteligência e uma contenção paradoxal — tanto por parte dos diretores (Niels Arden Oplev, que já havia me conquistado em “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”) quanto pelo maravilhoso Esben Smed, que entrega uma atuação soberba. É um filme refinado, forte e comovente, que resiste à tentação de simplificar ou explorar os horrores do terrorismo em prol do entretenimento e da bilheteria. São quase duas horas e meia de um drama lento e deliberado — difícil de assistir, no melhor sentido da palavra. Tenho ainda viva na memória a cena real de James Foley. Quem acompanhou as notícias na época provavelmente jamais conseguirá esquecer. E quem assistir O Sequestro de Daniel Rye também não o esquecerá facilmente.
permanece pendurado, lutando pela vida, enquanto os outros escravizados seguem com suas tarefas e as crianças brincam ao redor,
é uma das imagens mais perturbadoras e devastadoras que o cinema já produziu. A rotina e a violência coexistem como se fossem uma só coisa. A crueldade daquela época foi tão absoluta que isolou cada pessoa em sua própria bolha de sobrevivência silenciosa — presos a céu aberto, habituados ao horror. Um filme monumental. Mesmo lidando com uma das páginas mais sombrias da história, o roteiro e a direção evitam o melodrama fácil e alcançam algo muito mais poderoso: uma emoção seca, incômoda, que provoca raiva e impotência diante do que se vê. É a lembrança de uma história real para não nos deixar esquecer que a humanidade já falhou — e continua falhando, tentando disfarçar. 12 Anos de Escravidão é um filme que nos deixa sem saída diante do que fomos — e do que continuamos sendo. Cada plano parece respirar dor contida, como se o filme inteiro carregasse o peso de uma memória que o mundo preferiria esquecer. Paira no ar uma mistura de vergonha e fúria, quando um silêncio desconfortável toma conta de tudo após o último quadro. Prova de que o cinema, quando verdadeiro, não precisa consolar: basta nos ferir com a realidade que 12 Anos de Escravidão nos obriga a encarar.
Revendo depois de muitos anos esse longa singelo que já nasceu com cara de cult. Bem escrito, com um elenco jovem e afiado — que atuações incríveis daquele trio! E a trilha sonora? Um espetáculo à parte.
Não é uma comédia teen bobinha, nem um drama exagerado. É sensível, honesto e ainda super atual.
13 aninhos… e continua incrível. Envelheceu super bem!
Não é um filme para todos os públicos. Se você busca ação frenética, vá de Velozes e Furiosos. Quer um final feliz? Qualquer animação da Disney ou da DreamWorks pode servir.
Limpa é outra coisa. Um drama sensível, silencioso e profundamente triste, que escava os abismos sociais, a negligência familiar, carências e a urgência de afeto — tudo isso com uma narrativa lenta, mas cuidadosa.
Sem pressa, sem grandes reviravoltas. Apenas a realidade crua, despida de glamour, contada com empatia e dor.
Definitivamente, não é um filme para todos os públicos.
Pra não chover no molhado, simplesmente repetindo o que já se disse sobre o figurino, a fotografia, a montagem — ou sobre as três magníficas: Emma Stone, Rachel Weisz (e sua voz, que por si só já valeria o filme) e, sobretudo, a Rainha Anne perfeita de Olivia Colman.
O que foi aquela cena do desmaio no Parlamento, senão a perfeição?
Mereceu cada prêmio de melhor atriz que ganhou: Oscar, Globo de Ouro, BAFTA, Festival de Veneza...
Dito isso, preciso confessar que tenho um fraco por filmes que me fazem terminar gostando dos vilões e sentindo raiva das vítimas. Só um pouquinho. Mas terminei com pena da Sarah... e achando que a Abigail meio que mereceu o final que teve... "Inferno. Tenho certeza de que passará por ele um dia."
Talvez eu goste disso porque aprecie ver desenhado, com tanta clareza, algo que tanta gente ainda reluta em aceitar: ninguém é inteiramente bom ou inteiramente mau. Talvez por minha confessa paixão pela Rachel Weisz. Sei lá.
Como um todo, acho que tantas indicações a “melhor filme” foram um certo exagero. Quiçá tenha merecido o BAFTA de melhor filme britânico — mas não tenho referências suficientes pra julgar.
Amei. Daquelas histórias simples, lindas, doloridas e tristes. Histórias que deixam um gosto amargo na boca — e, ainda assim, você não encontra culpados, apenas vítimas.
Lembro de ter dito exatamente isso — sobre culpados e vítimas — ao comentar outro filme de que gostei muito: Blue Valentine – A Love Story (ironicamente rebatizado no Brasil como Namorados para Sempre). Nele, há aquela versão desajeitada de 'You Always Hurt the One You Love', cantada por Ryan Gosling, com o claquezinho fofo da Michelle Williams..."
♫ Você sempre magoa a quem ama, Aqueles que não devia magoar. Sempre pega a rosa mais doce E a esmaga até as pétalas caírem. Sempre parte o coração mais gentil Com palavras impensadas que não pode retirar. Então, se eu parti seu coração ontem à noite, É porque eu te amo mais que tudo. ♫
Viajei.
Curioso como o título dos dois filmes começa com "Blue"...
Em Blue Jay, o “azul” se liga aos tons de cinza do preto e branco, comumente associados à “poesia da realidade” — aqui, traduzida pela nostalgia melancólica do reencontro entre os personagens, ou ainda pela ausência de cor na vida dele, refletindo liricamente sua estagnação emocional.
Já em Blue Valentine, o azul expressa a desilusão e a deterioração do relacionamento. Faz referência à expressão "Valentine's blue", uma gíria que descreve a tristeza ou melancolia sentida no Dia dos Namorados — apesar da aura romântica que a data costuma ter.
Pedaços De Uma Mulher
3.8 545 Assista AgoraVisto há dois anos.
Revisto com o mesmo prazer.
Comentário replicado:
Definitivamente os atores e atrizes britânicos raramente são "bons", se não são medíocres são brilhantes. Vanessa Kirby brilhou lindamente. Merecidíssimas todas as indicações que recebeu (BAFTA de melhor atriz, Critics Choice de melhor atriz de cinema, Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático, Oscar de Melhor Atriz, SAG Award de Melhor Atriz Principal de cinema). ...
Correndo assistir The World to Come.
O filme: depois de "IЯЯƎVƎЯSIBLƎ" "Pieces of a Woman" foi a primeira meia hora filmada em planos sequências, sem cortes (o que dá mais realismo ao relato), mais maravilhosamente devastadora e agônica que a 7ª artes me brindou. Quando os créditos aparecem o espectador já está com o coração abertado, angustiado.
Sem mais, para não dar spoiler, o filme dá aulas sobre as várias formas que a mesma dor tem de quebrar diferentes pessoas. Vale cada um dos mais de 120 minutos.
O Vazio do Domingo
3.7 120 Assista AgoraVisto há sete anos.
Revisto com o mesmo prazer.
Comentário replicado:
É um drama intenso, doloroso emocionante e maravilhoso.
Trata de abandono, de ausência, de solidão, de culpa, de redenção e por último de um tema tabu que não divulgarei aqui para não dar spoiler, mas que necessita ser discutido apesar de ser de difícil digestão.
A fotografia é preciosa, tem longos silêncios e profundos diálogos pausados na medida exata para que o espectador possa sentir o tamanho da ferida... sutilmente.
Nos papéis principais duas atrizes em estado de graça, principalmente Bárbara Lennie (Chiara).
O filme descarta com elegância o final fácil e previsível que seria a reconciliação para surpreender-nos com as razões que levaram a filha a procurar sua mãe depois de 35 anos de distanciamento.
Enfim, recomendo:
1. Que assista a este lindo filme sem pressas (é lento) nem pré-conceitos.
2. Que se entende um pouquinho o espanhol assista ao curta-metragem que antecede o longa, do mesmo diretor. Está disponível no Y o u T u b sob a descrição:
‘El domingo. Prólogo’ - un cortometraje de Ramón Salazar
Rosa e Momo
3.7 301 Assista AgoraVisto há 5 anos.
Revisto com o mesmo prazer.
Avaliação replicada:
Holocausto, a humanização da prostituição, o instinto maternal e a doçura da trans Lola... ela também imigrante, as tragédias anunciadas desde as colonizações exploratórias que resultam até hoje na massifica imigração de africanos para a Europa, o drama e a esperança que essas pessoas encontram lá, Sophia Loren e Ibrahima Gueye... não tem como ficar indiferente à “La vita davanti a sé”.
Curiosidade:
Sua primeira versão cinematográfica, “Madame Rosa”, dirigida pelo israelense Moshé Mizrahi, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1978.
Seu diretor, Eduardo Ponti, é filho da deusa Sophia Loren.
Bari, sul da Itália, na “vida real” “recebe”, há décadas, inúmeros imigrantes ilegais e refugiados africanos, líbios, sírios e albaneses.
No mais... 86 anos! ❤️❤️
Os Fabelmans
4.0 430Tantas críticas elogiosas… e eu não consegui passar dos primeiros minutos. Provavelmente assisti do jeito errado — vou dar outra chance ao filme. 😬
Refém do Silêncio
3.4 201 Assista AgoraAdaptação competente de um best-seller, sustentada por boas atuações — Michael Douglas está seguro, mas é Brittany Murphy quem realmente se destaca. A trama funciona bem, ainda que escorregue um pouco na previsibilidade nos minutos finais, nada que impeça que o filme valha a conferida.
A Mulher na Cabine 10
2.8 194 Assista AgoraUma versão náutica de Plano de Voo (lembram da Jodie Foster?), que se debate desesperadamente para não afundar.
Keira Knightley faz o que pode, mas é pouco: há infinitamente formas mais interessantes — e críveis — de entreter-se por uma hora e meia, a não ser que realmente não haja mais nada pra assistir.
Um Fantasma na Batalha
3.2 8 Assista AgoraUm filme de ficção histórica, enraizado em verdades que amplificaram a tensão.
Por circunstâncias da vida, acabei vivendo de perto parte — a mais recente — desse período nebuloso da história espanhola: os anos 90 e parte da década seguinte. Soube pelos telejornais sobre assassinatos de políticos, jornalistas, juízes e pessoas comuns, vítimas de bombas em espaços públicos ou tiros a queima-roupa em bares e outros lugares corriqueiros que incluso costumava frequentar.
Ainda lembro com clareza da barbárie cometida contra Miguel Ángel Blanco, mencionado no filme... um vereador de 29 anos — minha mesma idade na época — que foi encontrado com dois tiros na cabeça, três dias após ter sido sequestrado pela ETA, e que morreu depois de horas agonizando em um hospital. Participei de manifestações pedindo sua libertação.
Durante décadas de terror (1959–2018), a ETA foi responsável por mais de 2,5 mil atentados e quase mil assassinatos.
Não conhecia a história da formação da ETA durante o regime fascista de Franco. O filme apresenta essas informações logo no início, com detalhes suficientes à contextualização, usando flashbacks de forma inteligente. A partir daí, avança de maneira constante, alternando tensão e alívio, sem acelerar demais os batimentos do espectador até os dez minutos finais. Para mim funcionou — muito. Gostei.
Para quem, como eu, se interessa pelo assunto, recomendo — caso volte a estar disponível em algum serviço de streaming — o filme "Dias Contados" (1994), de Imanol Uribe. Uma ficção que trata a questão pelo ponto de vista de um terrorista que vai deixando de acreditar na “causa”. O longa ganhou seis prêmios Goya, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e é considerado uma obra importante do cinema sobre o contexto histórico. Como curiosidade, conta com a participação de um jovem Javier Bardem no início de sua promissora carreira.
Manas
4.2 153 Assista AgoraUm filme que enfrenta um tema devastador com rigor e respeito, sem sensacionalismo. Nada de golpes baixos, nada de suavização. A sobriedade conduz tudo: o horror está nos rostos tensos, nos sorrisos que desaparecem, nos olhos que apagam mais rápido do que a infância vira adolescência. É o percurso direto da inocência ao trauma.
“Manas” honra o título: é sobre irmandade e sobrevivência dentro de um sistema que falha com as mulheres desde sempre. As jovens se protegem como podem; algumas escapam, outras ficam presas por pura falta de saída.
O espectador é colocado na pele da protagonista e obrigado a encarar uma realidade que muitos evitam, não há como desviar o olhar, a tensão não cede. O abuso nunca é mostrado — não por suavização, mas porque não é necessário. A violência está ali, clara e incômoda.
A escolha da diretora revela responsabilidade e ética, resultado de uma década ouvindo meninas vítimas de abuso em aldeias amazônicas, especialmente na ilha de Marajó.
Necessário.
27 Noites
3.3 11 Assista AgoraUma afável comédia agridoce, lúcida, amarga e divertida ao mesmo tempo, que ainda tem o mérito de trazer reflexões interessantes sobre a velhice, o dinheiro e a família — sobre a liberdade, o corpo e a idade como espaços de disputa. Um bom filme argentino — valha a redundância — com direção uruguaia e ótimas atuações.
A Vizinha Perfeita
3.5 212 Assista AgoraSempre que não estou muito a fim de ficar procurando o que assistir, pego um desses documentários. Este, por exemplo, foi indicado a Melhor Documentário no Sundance e no Gotham Independent Film Awards, venceu Melhor Direção para um documentário americano no Sundance e também Melhor Documentário no Critics Choice Documentary Awards.
Documentário em sua forma mais pura: um crime real, captado enquanto acontece, sem cortes, sem filtros. Direto ao ponto. Cru, implacável.
"A vizinha perfeita" escancara a essência de uma nação: paranoia racista, a inércia de uma polícia que é parte do problema e marcada pelo racismo estrutural, além de uma legislação sobre autodefesa e armamento que, em vez de proteger, amplia o caos.
No fim, sobra uma certeza: algo está terrivelmente errado nos Estados Unidos.
Caramelo
3.6 240 Assista AgoraQuem assiste a um filme chamado Caramelo, com a premissa que ele mesmo anuncia, e depois se indigna por não encontrar profundidade… francamente! Reclamar que Caramelo não é uma obra-prima? Um clássico exemplo de expectativas totalmente desajustadas.
É um filme fofinho, como quase todos os filmes que tem pets como protagonistas, mas também carrega aquele drama leve e cativante típico de sessão da tarde. Doce, delicado e sensível, consegue emocionar sem exageros e cumpre exatamente o que promete. Dentro do gênero, definitivamente vale muito a pena.
Um Crime de Mestre
3.8 750Revisto depois de três anos...
Alguém disse : "que o filme seja algo absurdo não significa que não possa render um bom entretenimento.", ou algo parecido. E é exatamente isso: uma diversão rápida, facilmente esquecível, mas com uma pitada de tensão e umas surpresinhas aqui e ali para manter os olhos abertos. Um daqueles filmes que você assiste, se diverte por um tempo, e depois esquece… até o próximo impulso de nostalgia.
Fogo Contra Fogo
4.0 729 Assista AgoraNão é exatamente o meu gênero preferido — tanto que demorei três décadas para finalmente assistir a este clássico, mesmo com um elenco de peso. De Niro, Al Pacino, Val Kilmer… com nomes assim, a velha dinâmica de polícia e ladrão, o jogo de gato e rato, um roteiro sólido, trama envolvente e diálogos afiados, é realmente difícil que algo saia errado.
Para quem aprecia filmes de ação bem construídos, este aqui é uma excelente pedida. Mesmo para quem, como eu, não costuma se entusiasmar pelo gênero, vale a experiência.
Aileen: A História de uma Serial Killer
3.3 35 Assista AgoraDiferentemente de reportagens, episódios de TV e filmes sobre o caso, este documentário me deixou um amargo e persistente sabor de desconforto.
Por motivos diferentes, senti algo parecido ao assistir à ficção “Os Últimos Passos de Um Homem” (ótimo filme com Sean Penn e Susan Sarandon).
Voltando...
De forma geral, sou absolutamente contra a pena de morte — mas não foi só isso. As gravações de áudio e as entrevistas feitas na prisão… sei lá. Começou a me parecer meio injusto o apelido de “a prostituta do inferno”, dado pela imprensa estadunidense na época do julgamento.
Também comecei a achar especialmente cruéis alguns títulos de filmes que retrataram sua história — “Monster,” “American Boogeywoman,” “Mind of a Monster”…
É difícil acreditar que Aileen “Lee” Wuornos fosse uma mulher mentalmente saudável — fato totalmente ignorado em seu julgamento. Não apenas pelos depoimentos, mas principalmente por sua história de vida, que teria causado profundos danos emocionais e mentais a qualquer pessoa — ainda mais a uma criança.
Saindo um pouco do tema, um adendo: que história absurda essa de
uma pessoa adotar um ser humano adulto que estava respondendo por sete assassinatos! Muito louca essa Arlene Pralle — e mais loucas ainda as leis dos EUA.
Enfim:
“É difícil imaginar matar alguém inocente — ou alguém que não estava plenamente ali. Ela não estava ali.”
Boa parte do documentário volta seu olhar para o tratamento que Wuornos recebeu do sistema judiciário, da imprensa e de Tyria Moore. É impossível não perceber o quanto ela precisava de ajuda — e o quanto foi injusto, ou ao menos um trágico erro, o desfecho do julgamento que selou seu destino.
Um registro essencial para quem se interessa pelo tema — ilumina os meandros de uma vida marcada pela violência e pela negligência. Duro, desconfortável e, acima de tudo, profundamente triste.
Pra quem quiser mais informações verídicas, este vídeo no YouTube, intitulado “Aileen Wuornos, Serial Killer: Ficção vs. Realidade”, é muito bom.
Até a Última Gota
3.3 169 Assista AgoraVersão “mãe solo” de “Um Dia de Fúria”.
A história se estende um pouco demais, a execução é desajeitada e as mensagens soam forçadas. O roteiro teria ganhado muito se também tivesse conseguido fazer o espectador acreditar que
o que Janiyah carregava na mochila era, de fato, uma bomba
A mensagem do filme é boa e necessária, mas se enfraquece ao se enredar nas implicações éticas das "decisões" de Janiyah. Com um pouco mais de cuidado, o filme poderia ter aproveitado melhor todo o potencial que a história tem.
Lendo essa introdução, pode parecer que não gostei do filme — o que não é verdade. Gostei, sim. Só acho que poderia ter sido muito melhor.
Treze Homens e um Novo Segredo
3.5 286 Assista AgoraOutro integrante desta rede comentou que a sequência anterior era apenas mais um caça-níquel. Sim.
“Ocean’s Thirteen”, então, é a prova de que nem mesmo um elenco de astros consegue salvar um roteiro preguiçoso. O filme parece existir apenas porque alguém em Hollywood percebeu que ainda havia troco a tirar da franquia. É o típico projeto feito apenas para lucrar: polido por fora, vazio por dentro.
A trama tenta soar engenhosa, mas se enrola em sua própria confusão. O resultado é uma sequência que se leva a sério demais (ou talvez graciosa demais) para um plano tão sem graça. O pouco charme do primeiro filme evaporou — substituído por uma sucessão de reviravoltas forçadas e piadas que caem no vazio.
Até mesmo o elenco parece entediado: cada rosto famoso atua no piloto automático, como se estivesse ali apenas para garantir mais um cheque e um terno bem cortado. No fim, “Ocean’s Thirteen” é o tipo de filme que confirma o ditado: quando não há mais nada a dizer, Hollywood faz mais um capítulo. Um desperdício reluzente. Nem terminei.
Doze Homens e Outro Segredo
3.4 383 Assista AgoraSe o primeiro já não era grande coisa, o segundo consegue ser ainda menos inspirado. A sensação é de que a produção se apoia no sucesso moderado do antecessor, mas sem trazer nada realmente novo. O enredo se arrasta, os personagens perdem o pouco de carisma que tinham e nem mesmo o elenco estelar consegue salvar o resultado. Tudo soa reciclado, previsível e sem alma — um daqueles filmes que parecem feitos apenas para dar sequencia ao plano original de que seria uma trilogia. Zeus! Virá outro 😱
Onze Homens e um Segredo
3.8 670 Assista AgoraRemakes costumam me desagradar, e este não foi exceção. Apesar do elenco repleto de estrelas e da clara intenção de agradar ao grande público, o filme parece feito apenas para entreter por alguns minutos — sem qualquer ambição artística ou narrativa maior. Por ser o primeiro da saga, até funciona de forma razoável, mas nada além disso.
O Sequestro de Daniel Rye
3.9 17 Assista AgoraHistórias verídicas e roteiros baseados em livros são, quase sempre, premissas de grandes filmes. “O Sequestro de Daniel Rye” é um relato intrinsecamente dramático, filmado com câmera na mão, de forma trêmula, e contado com maestria, inteligência e uma contenção paradoxal — tanto por parte dos diretores (Niels Arden Oplev, que já havia me conquistado em “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”) quanto pelo maravilhoso Esben Smed, que entrega uma atuação soberba.
É um filme refinado, forte e comovente, que resiste à tentação de simplificar ou explorar os horrores do terrorismo em prol do entretenimento e da bilheteria. São quase duas horas e meia de um drama lento e deliberado — difícil de assistir, no melhor sentido da palavra.
Tenho ainda viva na memória a cena real de James Foley. Quem acompanhou as notícias na época provavelmente jamais conseguirá esquecer. E quem assistir O Sequestro de Daniel Rye também não o esquecerá facilmente.
12 Anos de Escravidão
4.3 3,0K Assista AgoraAquela cena em que Solomon Northup
permanece pendurado, lutando pela vida, enquanto os outros escravizados seguem com suas tarefas e as crianças brincam ao redor,
Um filme monumental. Mesmo lidando com uma das páginas mais sombrias da história, o roteiro e a direção evitam o melodrama fácil e alcançam algo muito mais poderoso: uma emoção seca, incômoda, que provoca raiva e impotência diante do que se vê. É a lembrança de uma história real para não nos deixar esquecer que a humanidade já falhou — e continua falhando, tentando disfarçar.
12 Anos de Escravidão é um filme que nos deixa sem saída diante do que fomos — e do que continuamos sendo. Cada plano parece respirar dor contida, como se o filme inteiro carregasse o peso de uma memória que o mundo preferiria esquecer. Paira no ar uma mistura de vergonha e fúria, quando um silêncio desconfortável toma conta de tudo após o último quadro.
Prova de que o cinema, quando verdadeiro, não precisa consolar: basta nos ferir com a realidade que 12 Anos de Escravidão nos obriga a encarar.
As Vantagens de Ser Invisível
4.2 6,9K Assista AgoraRevendo depois de muitos anos esse longa singelo que já nasceu com cara de cult.
Bem escrito, com um elenco jovem e afiado — que atuações incríveis daquele trio! E a trilha sonora? Um espetáculo à parte.
Não é uma comédia teen bobinha, nem um drama exagerado. É sensível, honesto e ainda super atual.
13 aninhos… e continua incrível. Envelheceu super bem!
Limpa
2.8 13 Assista AgoraNão é um filme para todos os públicos. Se você busca ação frenética, vá de Velozes e Furiosos. Quer um final feliz? Qualquer animação da Disney ou da DreamWorks pode servir.
Limpa é outra coisa. Um drama sensível, silencioso e profundamente triste, que escava os abismos sociais, a negligência familiar, carências e a urgência de afeto — tudo isso com uma narrativa lenta, mas cuidadosa.
Sem pressa, sem grandes reviravoltas. Apenas a realidade crua, despida de glamour, contada com empatia e dor.
Definitivamente, não é um filme para todos os públicos.
A Favorita
3.9 1,2K Assista AgoraPra não chover no molhado, simplesmente repetindo o que já se disse sobre o figurino, a fotografia, a montagem — ou sobre as três magníficas: Emma Stone, Rachel Weisz (e sua voz, que por si só já valeria o filme) e, sobretudo, a Rainha Anne perfeita de Olivia Colman.
O que foi aquela cena do desmaio no Parlamento, senão a perfeição?
Mereceu cada prêmio de melhor atriz que ganhou: Oscar, Globo de Ouro, BAFTA, Festival de Veneza...
Dito isso, preciso confessar que tenho um fraco por filmes que me fazem terminar gostando dos vilões e sentindo raiva das vítimas. Só um pouquinho. Mas terminei com pena da Sarah... e achando que a Abigail meio que mereceu o final que teve... "Inferno. Tenho certeza de que passará por ele um dia."
Talvez eu goste disso porque aprecie ver desenhado, com tanta clareza, algo que tanta gente ainda reluta em aceitar: ninguém é inteiramente bom ou inteiramente mau. Talvez por minha confessa paixão pela Rachel Weisz. Sei lá.
Como um todo, acho que tantas indicações a “melhor filme” foram um certo exagero. Quiçá tenha merecido o BAFTA de melhor filme britânico — mas não tenho referências suficientes pra julgar.
Blue Jay
3.8 269 Assista AgoraAmei. Daquelas histórias simples, lindas, doloridas e tristes. Histórias que deixam um gosto amargo na boca — e, ainda assim, você não encontra culpados, apenas vítimas.
Lembro de ter dito exatamente isso — sobre culpados e vítimas — ao comentar outro filme de que gostei muito: Blue Valentine – A Love Story (ironicamente rebatizado no Brasil como Namorados para Sempre). Nele, há aquela versão desajeitada de 'You Always Hurt the One You Love', cantada por Ryan Gosling, com o claquezinho fofo da Michelle Williams..."
♫ Você sempre magoa a quem ama,
Aqueles que não devia magoar.
Sempre pega a rosa mais doce
E a esmaga até as pétalas caírem.
Sempre parte o coração mais gentil
Com palavras impensadas que não pode retirar.
Então, se eu parti seu coração ontem à noite,
É porque eu te amo mais que tudo. ♫
Viajei.
Curioso como o título dos dois filmes começa com "Blue"...
Em Blue Jay, o “azul” se liga aos tons de cinza do preto e branco, comumente associados à “poesia da realidade” — aqui, traduzida pela nostalgia melancólica do reencontro entre os personagens, ou ainda pela ausência de cor na vida dele, refletindo liricamente sua estagnação emocional.
Já em Blue Valentine, o azul expressa a desilusão e a deterioração do relacionamento. Faz referência à expressão "Valentine's blue", uma gíria que descreve a tristeza ou melancolia sentida no Dia dos Namorados — apesar da aura romântica que a data costuma ter.