Brechas no sistema para uma vingança pessoal. É um filme de pura emoção na disputa pelo controle. A falsificação de dinheiro ganha um peso simbólico como processo artístico. Ilusões para se infiltrar, manipular e desafiar um mundo que opera sob regras frágeis. A violência, os golpes e a moralidade ambígua empurrando-os para o inevitável.
Talvez o maior elenco dos filmes de Woody Alle. Nova York volta a ser palco de uma ciranda de desencontros, de personagens autoconscientes e ansiosos com suas próprias questões existenciais. Mas diferente do "Manhattan", há uma dança mais terna entre drama familiar e comédia – três irmãs competindo veladamente por afeto, estabilidade e atenção - dilemas que a gente não leva muita a sério pela jocosidade a respeito da hipocrisia e das contradições do novaiorquino moderno. Só não gosto mais desse porque, embora tenha um final feliz e bonito, ele dá uma trapaceada, já que claramente as coisas se encaminhavam para uma catástrofe.
True crime que desemboca pela ironia. Mulheres seguem sendo mortas por um serial killer por serem desavisadas, desacreditadas, mulheres que de certa forma forjam uma aliança que até acaba sendo essencial, mas ineficiente perante a um sistema negligente. Essa dinâmica vai ser então reforçada por essa coisa quase absurdista de um game show de namoro, que tem um clímax bem interessante no momento do encontro entre a suposta heroína do filme e o assassino, mas toda a coisa não-linear é confusa.
A esperteza nos infortúnios. O mais interessante é como o próprio filme se desdobra a partir da familiaridade e do conforto da Greice com ambientes, num primeiro momento, estrangeiros (Portugal e Fortaleza, que apesar de ser o seu lar, é um local onde ela precisa se manter "anônima"). O grande triunfo da heroína é ser cara de pau e sempre encontrar um jeito de estar no controle.
A assombração como trend / lenda urbana adolescente pelo olhar de uma heroína que, num primeiro momento, busca entender aquilo com distância e imparcialidade. Talvez o resto do filme fosse melhor se de alguma forma essa imparcialidade fosse abandonada (mesmo quando resolver a situação se torna uma questão pessoal, o filme ainda parece meio protocolar). A gravação da fita assombrada é cinema demais.
Clichês de buddy film hollywoodiano numa pose indie. É um filme que fica renegando essa ideia ao fazer esforço para que as trocas entre as duas personagens pareçam sempre um ato de concessão, onde não se assume uma coisa exata que aquela relação deveria curar ou suprir, sem muito espaço para qualquer emotividade. Até que o final não consegue evitar isso.
A redenção da proletária endurecida pela vida através do contato com a pureza primordial: o menino, a família, a origem, o Nordeste, o retorno ao lar. Um road movie onde o reposicionamento emocional se dá pela natureza naturalmente desconfortável dos gestos de afeto. Estava com certa desconfiança antes de rever, mas lembrei que gosto muito.
“Yes, darling, I’ve come home” Redescoberta da vida como uma provocação aos costumes. Como nos romances de Jane Austen, o grande universo do filme se constrói em torno das relações de classe americana, onde cada escolha e interação parece carregar um peso épico. Absolutamente tudo em cena amplia a intensidade das emoções. Melodrama absoluto.
Estar no mundo é navegar entre o real e a fantasia – ao mesmo tempo em que realidade demais é inconcebível, a fantasia serve como um respiro para suportá-la, mas não para evita-la totalmente. É um dos mais românticos do Woody Allen, e também um dos mais amargos, em que cada lado do termo se entrega exatamente ao que propõe (a realidade muito dura, a ficção reconfortante), principalmente por evocar esse sentimento nostálgico pelo cinema clássico em pleno período da Grande Depressão. Um dos finais mais lindos também.
O primeiro encontro dita tudo: aquela vai ser uma história de amor de condições insustentáveis. Gosto de como a relação dos dois se constrói nesse tom sempre desesperançado, a dinâmica que gradualmente vai ganhando força com o transcorrer da viajem, a intimidade da convivência forçada. Como o próprio mover do trem, há apenas... o movimento. Nenhuma promessa, apenas a inevitável transformação que acontece pelo caminho.
Ninguém leva o Quarteto Fantástico a sério, muito menos o próprio Quarteto Fantástico. Eles são mais estrelas de reality show do que super-heróis. E seguindo a deixa do “Homem-Aranha 2” do Sam Raimi, esse é um segundo filme de crise de identidade, refletida na instabilidade dos poderes e na hesitação perante o ônus da responsabilidade. Mas nada sem muito comprometimento. Os efeitos visuais (principalmente o do Surfista Prateado) são melhores do que muita coisa do MCU.
Gosto como o Soderbergh consegue superar a trucagem meio posética do fantasma em primeira pessoa para criar situações interessantes, de como o espírito observador oscila entre enclausurador e enclausurado. Não é um filme que fica o tempo inteiro chamando a atenção para o recurso, e momentos como o do espelho, por exemplo, fazem valer. Também gosto do plot twist, por mais exagerado que possa parecer. Tipo um Ghost Story, do Lowery, com uma ideia de espiritualidade mais farsesca.
Situações materiais que acontecem quase numa esfera de sonho, tanto o amor proibido, quanto o luto, quanto uma disputa jurídica – cada uma das personagens experenciando aquilo a partir de seu isolamento. Resoluções afetivas em revelações silenciosas, como num transe – crenças, diferenças, tudo ganha sentido quando as enfermeiras se afastam da cidade para a praia. Um dos melhores do ano passado.
É uma versão mais sombria e amargurada do “Conto de Natal” do Dickens, em que a segunda chance vem do sacrifício como redenção, e que o pós-morte age como uma herança maldita. O mundo dos vivos em si não parece um lugar a se querer voltar, com alcoolismo, pobreza e doenças infecciosas, mas há coisas que se vale apena.
É como um greatest hits do Bong Joon-Ho, de certa forma um tratado estético do seu cinema recente. A vilania política corporativa como a pura farsa, tipo um "Snowpiercer" de colonização espacial, e a ideia da clonagem como a mercadorização do corpo humano. Eu gosto como a imaginação do Bong Joon-Ho distorce as situações a tal ponto que essa chave de “crítica social” está sempre ao ponto de se passar e vira outra coisa. Sempre soube do potencial cômico do Robert Pattinson!
Showbusiness é família. Um agente de talentos azarado na mira da máfia italiana. Acho que o eu mais gosto aqui é a variação da persona clássica do Woody Allen, que continua verborrágico e afetado, só que numa versão mais ingênua, altruísta e, consequentemente, mais carismática. É um filme bem romântico ao trazer esse olhar atento do herói Danny para um talento: por mais fracassado que seja, é sua maneira de acreditar nas pessoas. É também a primeira vez que, de fato, a gente testemunha essa dinâmica mais tempestuosa do Woody com a Mia Farrow em tela. O fato do filme ser narrado por amigos numa conversa de bar só o torna mais lindo. É também um dos meus finais favoritos.
Um dia como uma odisseia. O entregador que passa despercebido enquanto tenta sobreviver àquele universo babilônico. A missão do imigrante nos EUA é sempre banal e determinadora, e Nova York se transforma numa cadeia enclausurante limitada a uma cozinha apertada e condomínios decadentes. É lindo como o Sean Baker e a Tsou Shih-Ching dominam o artificio documental para... aproximar. Puro talento.
É um filme de rodeio. O fascínio pela potência quase prepotente de dominar forças maiores se mistura com o lado altruísta de agir pelo bem maior. Gosto também como aquele é um universo que testemunha as consequências das mudanças climáticas sem necessariamente fazer disso um tropo (até porque filmes catástrofe são acima de tudo para a apreciação do espetáculo em si).
Uma comédia romântica dentro de um slasher, que vai convergindo num ponto em comum entre os clichês de ambos (por consequência, universos que dão conta de uma geração que sempre observa o mundo e os próprios gêneros com certo distanciamento e ironia). Vi esperando uma surpresa tipo o "Dezesseis Facadas" e curti.
É um filme que, mais do que o "Take the Money and Run", eleva a potência da metalinguagem e da autoralidade do mockumentary. Assim como o "Stardust Memories", o Woody Allen comentar a carreira ou, de certa forma, as expectativas sobre ele enquanto cineasta, dessa vez na história do homem camaleão que se transforma e se adapta para agradar e ser aceito. Para fazer outra comparação com o "Stardust Memories", acho que toda a brincadeira sobre imagens de arquivo é uma carta de amor ao cinema ainda mais apaixonada do que reverenciar autores, a forma mais pura de reverência pelo pastiche.
A relação do homem com o meio numa satírica de crise de segurança. Além de paranoia e vergonha, há também o cinismo da investigação e condenação que melhor convém. A cena final tipo uma reunião de condomínio no purgatório, linchamento de ideias.
Sean Baker encontra A Casa das Coelhinhas. É um filme que não lida muito bem com esse pretenso fascínio pela estrela caída. Tenta vender uma certa sobriedade quase contemplativa e depois se enrola quando tem de fazer algo mais melodramático, mesmo nos joguetes mais básicos, tipo a relação da Shelly com a filha, ou a ironia da Shelly lidar com a culpa de ser uma mãe ausente ao mesmo tempo em que se nega a ser uma figura materna para a colega. Muito chato.
Mãe antes de qualquer coisa. Como os laços de mãe e filha são corrompidos a ponto de viraram motivação fatal de crime passional. Não é um filme de grandes enigmas ou de figuras fascinantes, embora a Joan Crowford domine toda cena. Noir é antes de tudo melodrama.
“Desde quando fazer filme de esgoto é fazer cinema?” O filme B como serviço social neoliberal – é fascinante o instinto natural do grupo para a linguagem e apelos dramáticos, e como eles quase que naturalmente se aproximam do cinema de gênero, mais especificamente o terror, como a forma mais eficiente para dizer aquilo que tem de ser dito. Fernanda Torres e Camila Pitanga perfeitas.
Viver e Morrer em Los Angeles
3.8 101 Assista AgoraBrechas no sistema para uma vingança pessoal. É um filme de pura emoção na disputa pelo controle. A falsificação de dinheiro ganha um peso simbólico como processo artístico. Ilusões para se infiltrar, manipular e desafiar um mundo que opera sob regras frágeis. A violência, os golpes e a moralidade ambígua empurrando-os para o inevitável.
Hannah e Suas Irmãs
4.0 300 Assista AgoraTalvez o maior elenco dos filmes de Woody Alle. Nova York volta a ser palco de uma ciranda de desencontros, de personagens autoconscientes e ansiosos com suas próprias questões existenciais. Mas diferente do "Manhattan", há uma dança mais terna entre drama familiar e comédia – três irmãs competindo veladamente por afeto, estabilidade e atenção - dilemas que a gente não leva muita a sério pela jocosidade a respeito da hipocrisia e das contradições do novaiorquino moderno. Só não gosto mais desse porque, embora tenha um final feliz e bonito, ele dá uma trapaceada, já que claramente as coisas se encaminhavam para uma catástrofe.
A Garota da Vez
3.1 251 Assista AgoraTrue crime que desemboca pela ironia. Mulheres seguem sendo mortas por um serial killer por serem desavisadas, desacreditadas, mulheres que de certa forma forjam uma aliança que até acaba sendo essencial, mas ineficiente perante a um sistema negligente. Essa dinâmica vai ser então reforçada por essa coisa quase absurdista de um game show de namoro, que tem um clímax bem interessante no momento do encontro entre a suposta heroína do filme e o assassino, mas toda a coisa não-linear é confusa.
Greice
3.5 24 Assista AgoraA esperteza nos infortúnios. O mais interessante é como o próprio filme se desdobra a partir da familiaridade e do conforto da Greice com ambientes, num primeiro momento, estrangeiros (Portugal e Fortaleza, que apesar de ser o seu lar, é um local onde ela precisa se manter "anônima"). O grande triunfo da heroína é ser cara de pau e sempre encontrar um jeito de estar no controle.
O Chamado
3.3 349A assombração como trend / lenda urbana adolescente pelo olhar de uma heroína que, num primeiro momento, busca entender aquilo com distância e imparcialidade. Talvez o resto do filme fosse melhor se de alguma forma essa imparcialidade fosse abandonada (mesmo quando resolver a situação se torna uma questão pessoal, o filme ainda parece meio protocolar). A gravação da fita assombrada é cinema demais.
Uma Estranha Amizade
3.7 92Clichês de buddy film hollywoodiano numa pose indie. É um filme que fica renegando essa ideia ao fazer esforço para que as trocas entre as duas personagens pareçam sempre um ato de concessão, onde não se assume uma coisa exata que aquela relação deveria curar ou suprir, sem muito espaço para qualquer emotividade. Até que o final não consegue evitar isso.
Central do Brasil
4.1 1,9K Assista AgoraA redenção da proletária endurecida pela vida através do contato com a pureza primordial: o menino, a família, a origem, o Nordeste, o retorno ao lar. Um road movie onde o reposicionamento emocional se dá pela natureza naturalmente desconfortável dos gestos de afeto. Estava com certa desconfiança antes de rever, mas lembrei que gosto muito.
Tudo o Que o Céu Permite
4.0 100 Assista Agora“Yes, darling, I’ve come home”
Redescoberta da vida como uma provocação aos costumes. Como nos romances de Jane Austen, o grande universo do filme se constrói em torno das relações de classe americana, onde cada escolha e interação parece carregar um peso épico. Absolutamente tudo em cena amplia a intensidade das emoções. Melodrama absoluto.
A Rosa Púrpura do Cairo
4.1 602 Assista AgoraEstar no mundo é navegar entre o real e a fantasia – ao mesmo tempo em que realidade demais é inconcebível, a fantasia serve como um respiro para suportá-la, mas não para evita-la totalmente. É um dos mais românticos do Woody Allen, e também um dos mais amargos, em que cada lado do termo se entrega exatamente ao que propõe (a realidade muito dura, a ficção reconfortante), principalmente por evocar esse sentimento nostálgico pelo cinema clássico em pleno período da Grande Depressão. Um dos finais mais lindos também.
Compartimento Nº 6
3.9 41O primeiro encontro dita tudo: aquela vai ser uma história de amor de condições insustentáveis. Gosto de como a relação dos dois se constrói nesse tom sempre desesperançado, a dinâmica que gradualmente vai ganhando força com o transcorrer da viajem, a intimidade da convivência forçada. Como o próprio mover do trem, há apenas... o movimento. Nenhuma promessa, apenas a inevitável transformação que acontece pelo caminho.
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado
2.8 823 Assista AgoraNinguém leva o Quarteto Fantástico a sério, muito menos o próprio Quarteto Fantástico. Eles são mais estrelas de reality show do que super-heróis. E seguindo a deixa do “Homem-Aranha 2” do Sam Raimi, esse é um segundo filme de crise de identidade, refletida na instabilidade dos poderes e na hesitação perante o ônus da responsabilidade. Mas nada sem muito comprometimento. Os efeitos visuais (principalmente o do Surfista Prateado) são melhores do que muita coisa do MCU.
Presença
2.8 269 Assista AgoraGosto como o Soderbergh consegue superar a trucagem meio posética do fantasma em primeira pessoa para criar situações interessantes, de como o espírito observador oscila entre enclausurador e enclausurado. Não é um filme que fica o tempo inteiro chamando a atenção para o recurso, e momentos como o do espelho, por exemplo, fazem valer. Também gosto do plot twist, por mais exagerado que possa parecer. Tipo um Ghost Story, do Lowery, com uma ideia de espiritualidade mais farsesca.
Tudo Que Imaginamos Como Luz
3.5 33 Assista AgoraSituações materiais que acontecem quase numa esfera de sonho, tanto o amor proibido, quanto o luto, quanto uma disputa jurídica – cada uma das personagens experenciando aquilo a partir de seu isolamento. Resoluções afetivas em revelações silenciosas, como num transe – crenças, diferenças, tudo ganha sentido quando as enfermeiras se afastam da cidade para a praia. Um dos melhores do ano passado.
A Carruagem Fantasma
4.2 124 Assista AgoraÉ uma versão mais sombria e amargurada do “Conto de Natal” do Dickens, em que a segunda chance vem do sacrifício como redenção, e que o pós-morte age como uma herança maldita. O mundo dos vivos em si não parece um lugar a se querer voltar, com alcoolismo, pobreza e doenças infecciosas, mas há coisas que se vale apena.
Mickey 17
3.4 525 Assista AgoraÉ como um greatest hits do Bong Joon-Ho, de certa forma um tratado estético do seu cinema recente. A vilania política corporativa como a pura farsa, tipo um "Snowpiercer" de colonização espacial, e a ideia da clonagem como a mercadorização do corpo humano. Eu gosto como a imaginação do Bong Joon-Ho distorce as situações a tal ponto que essa chave de “crítica social” está sempre ao ponto de se passar e vira outra coisa. Sempre soube do potencial cômico do Robert Pattinson!
Broadway Danny Rose
3.8 95Showbusiness é família. Um agente de talentos azarado na mira da máfia italiana. Acho que o eu mais gosto aqui é a variação da persona clássica do Woody Allen, que continua verborrágico e afetado, só que numa versão mais ingênua, altruísta e, consequentemente, mais carismática. É um filme bem romântico ao trazer esse olhar atento do herói Danny para um talento: por mais fracassado que seja, é sua maneira de acreditar nas pessoas. É também a primeira vez que, de fato, a gente testemunha essa dinâmica mais tempestuosa do Woody com a Mia Farrow em tela. O fato do filme ser narrado por amigos numa conversa de bar só o torna mais lindo. É também um dos meus finais favoritos.
Take Out
3.6 7Um dia como uma odisseia. O entregador que passa despercebido enquanto tenta sobreviver àquele universo babilônico. A missão do imigrante nos EUA é sempre banal e determinadora, e Nova York se transforma numa cadeia enclausurante limitada a uma cozinha apertada e condomínios decadentes. É lindo como o Sean Baker e a Tsou Shih-Ching dominam o artificio documental para... aproximar. Puro talento.
Twisters
3.1 449 Assista Agora“It’s part science, part religion”
É um filme de rodeio. O fascínio pela potência quase prepotente de dominar forças maiores se mistura com o lado altruísta de agir pelo bem maior. Gosto também como aquele é um universo que testemunha as consequências das mudanças climáticas sem necessariamente fazer disso um tropo (até porque filmes catástrofe são acima de tudo para a apreciação do espetáculo em si).
Heart Eyes: Terror à Primeira Vista
2.8 164 Assista AgoraUma comédia romântica dentro de um slasher, que vai convergindo num ponto em comum entre os clichês de ambos (por consequência, universos que dão conta de uma geração que sempre observa o mundo e os próprios gêneros com certo distanciamento e ironia). Vi esperando uma surpresa tipo o "Dezesseis Facadas" e curti.
Zelig
4.2 351É um filme que, mais do que o "Take the Money and Run", eleva a potência da metalinguagem e da autoralidade do mockumentary. Assim como o "Stardust Memories", o Woody Allen comentar a carreira ou, de certa forma, as expectativas sobre ele enquanto cineasta, dessa vez na história do homem camaleão que se transforma e se adapta para agradar e ser aceito. Para fazer outra comparação com o "Stardust Memories", acho que toda a brincadeira sobre imagens de arquivo é uma carta de amor ao cinema ainda mais apaixonada do que reverenciar autores, a forma mais pura de reverência pelo pastiche.
M, o Vampiro de Dusseldorf
4.3 293 Assista AgoraA relação do homem com o meio numa satírica de crise de segurança. Além de paranoia e vergonha, há também o cinismo da investigação e condenação que melhor convém. A cena final tipo uma reunião de condomínio no purgatório, linchamento de ideias.
A Última Showgirl
3.1 56 Assista AgoraSean Baker encontra A Casa das Coelhinhas.
É um filme que não lida muito bem com esse pretenso fascínio pela estrela caída. Tenta vender uma certa sobriedade quase contemplativa e depois se enrola quando tem de fazer algo mais melodramático, mesmo nos joguetes mais básicos, tipo a relação da Shelly com a filha, ou a ironia da Shelly lidar com a culpa de ser uma mãe ausente ao mesmo tempo em que se nega a ser uma figura materna para a colega. Muito chato.
Alma em Suplício
4.2 152 Assista AgoraMãe antes de qualquer coisa. Como os laços de mãe e filha são corrompidos a ponto de viraram motivação fatal de crime passional. Não é um filme de grandes enigmas ou de figuras fascinantes, embora a Joan Crowford domine toda cena. Noir é antes de tudo melodrama.
Saneamento Básico, O Filme
3.7 833 Assista Agora“Desde quando fazer filme de esgoto é fazer cinema?”
O filme B como serviço social neoliberal – é fascinante o instinto natural do grupo para a linguagem e apelos dramáticos, e como eles quase que naturalmente se aproximam do cinema de gênero, mais especificamente o terror, como a forma mais eficiente para dizer aquilo que tem de ser dito. Fernanda Torres e Camila Pitanga perfeitas.