A tomada de posição em favor de uma sensibilidade artística moderna, manifesta na preferência por “Jardins sob a chuva”, de Debussy, em contraposição a “Fausto”, de Gounod, serve tanto à caracterização da subjetividade da personagem quanto à sua recusa ao universo burguês no qual está aprisionada. São referências muito próprias do modernismo, que, no cinema, reaparecerão com frequência nas experiências cinematográficas das décadas de 1950 e 1960. Um media-metragem simplesmente genial!
O curta é um riquíssimo complemento à leitura histórica crítica e materialista que Joaquim Pedro havia apresentado em “Os inconfidentes” (1972).
“(...) Naquele meado de século [XVIII], estava-se às vésperas de um novo surto artístico, verdadeiro renascimento. Apesar da clausura imposta pela metrópole, as ideias nascidas do Enciclopedismo e o eco das revoluções vararam os mares, os montes e os vales e, encontrando ambiente propício, aninharam-se ali, no delimitado espaço urbano de Vila Rica. A Casa dos Governadores, vista aqui em seu aspecto primitivo e em sua forma atual, dominava a praça saturada de vitalidade, em que conviviam poetas e eruditos, prelados, bacharéis, músicos, arquitetos, pintores, escultores e mestres de vários ofícios. O Palácio e a Casa da Câmara, hoje Museu da Inconfidência, que em breve o confrontaria do outro lado da praça, veriam despertar ali a consciência cívica e crescer aquele anseio de liberdade que Tiradentes, afinal, catalisou.” (Texto de Lúcio Costa narrado por Ferreira Gullar)
“Estrear-se; fazer alguma atividade pela primeira vez.” Eis o significado do verbo debutar, que também tem o sentido de “dar início à vida social”.
Karine Teles e Malu Ramos estão brilhantes em seus respectivos papéis. A cena sáfica do início foi notoriamente filmada por um homem (creio que isso, por si só, já diz o bastante). Em contrapartida, a dança da última sequência - kitsch, como qualquer valsa de aniversário de 15 anos no Brasil -, tendo a mãe e sua namorada como protagonistas, seguida pela caminhada rumo ao horizonte de uma rua escura, são de uma delicadeza que permanece conosco após os créditos finais.
“Nasci no Estácio / O samba é a corda, eu sou a caçamba / Não acredito que haja muamba / Que possa fazer eu gostar de você”
Uma bela homenagem à adaptação que Leon Hirszman fez da peça “A falecida”, de Nelson Rodrigues, com a participação especial de três atores do elenco original: Fernanda Montenegro, Nelson Xavier e Joel Barcellos. Por uma feliz coincidência, assisti ao longa-metragem há poucos dias. O argumento de Eduardo Ades e Matheus Ramalho, inspirado na canção “O x do problema”, de Noel Rosa, acerta em cheio, mas o trabalho de direção deixa um pouco a desejar.
Carri parece brincar com a estética yuppie e com o universo almodovariano dos anos 80/90. Se ambas as propostas operam na chave do excesso, do artifício e da estilização, a segunda mobiliza cor, melodrama e identidades fluidas contra a superfície polida, hierárquica e estéril da primeira. Basta compararmos "Wall Street: Poder e cobiça" ou "Instinto selvagem" com "Todo sobre mi madre" ou "Mujer al borde de un ataque de nervios". Ao promover esse atrito, o curta celebra o espaço de reinvenção de um regime estético ao mesmo tempo que desvela a "superfície vazia" do outro. Genial!
"Todos sabem que o partido está bem organizado. O céu vai cair se Huey P. Newton não for solto. Não é preciso justificativa para isso. Afirmamos que Huey P. Newton é um prisioneiro de guerra e muitos dizem que não é verdade, que o partido está exagerando. Acho que está claro, muito claro, que os Estados Unidos declararam guerra aos negros. Declararam quando trouxeram o primeiro preto da África. Claro que não disseram com essas palavras e alguns esperam que digam: 'Declaramos guerra aos negros'. Os Estados Unidos, até hoje, não declararam guerra ao Vietnã, mas estão no Vietnã. Não declararam guerra à Coréia do Norte, mas combateram a Coréia do Norte. E não declararam guerra aos índios. Eles apenas os eliminaram. Devemos declarar nossa condição. Estamos em guerra. Estamos em defesa do nosso líder. Ele está preso, é um prisioneiro de guerra. Devemos libertá-lo de qualquer modo. Se não conseguirmos, devemos tomar represálias." (Stokely Carmichael, agosto de 1968)
Michel Piccoli: Em novembro de 58, neste barco de 80 pés [Granma], 82 homens saíram velejando do México e atracaram em Cuba para libertar o país. Estes exilados políticos e voluntários prepararam a Revolução. Eles levaram 4 dias para atravessar o Caribe. Eles pegaram comida, rádios, armas. Eles deviam se encontrar com guerrilheiros camponeses. Eles viajaram por 8 dias entre México e Cuba. Este 82 homens, treinados por meses, tiveram que ficar virtualmente de prontidão. 40 em baixo, 42 no deque. Eles não puderam prever a tempestade, as ondas, e as noites de neblina...
Agnès Varda: Saudações aos revolucionários enjoados ao mar!
Michel Piccoli: Atracando com 3 dias de atraso, eles queriam beijar sua terra natal...
Agnès Varda: Saudações aos revolucionários poetas!
Michel Piccoli: ... mas eles estavam em marcha por horas. A água subiu em seus braços e eles tiveram que abandonar armas, comida e rádios. Sem contato com os guerrilheiros, traídos, atingidos e caçados, levaram um mês para alcançar a Sierra [Maestra], andando à noite, comendo cana-de-açúcar, bebendo água das folhas. 82 partiram - 12 chegaram. Entre eles, Raul Castro, Calixto Garcia, Juan Almeida, assim como Fidel Castro, Che Guevara e Camillo Cienfuegos, morto. Os 12 juraram não cortar seus cabelos até que Cuba estivesse livre.
Agnès Varda: Saudações aos revolucionários românticos!
Michel Piccoli: Eles organizaram a resistência em Sierra durante 2 anos, ajudados por camponeses locais - o exército rebelde.
"Para mim, a única maneira de não sucumbir à suprema humilhação da vida, que é ser psicanalisado, é ir velejar sem motor pelo menos uma vez por semana."
A Sorridente Madame Beudet
3.5 38A tomada de posição em favor de uma sensibilidade artística moderna, manifesta na preferência por “Jardins sob a chuva”, de Debussy, em contraposição a “Fausto”, de Gounod, serve tanto à caracterização da subjetividade da personagem quanto à sua recusa ao universo burguês no qual está aprisionada. São referências muito próprias do modernismo, que, no cinema, reaparecerão com frequência nas experiências cinematográficas das décadas de 1950 e 1960. Um media-metragem simplesmente genial!
O Aleijadinho
3.8 10 Assista AgoraO curta é um riquíssimo complemento à leitura histórica crítica e materialista que Joaquim Pedro havia apresentado em “Os inconfidentes” (1972).
“(...) Naquele meado de século [XVIII], estava-se às vésperas de um novo surto artístico, verdadeiro renascimento. Apesar da clausura imposta pela metrópole, as ideias nascidas do Enciclopedismo e o eco das revoluções vararam os mares, os montes e os vales e, encontrando ambiente propício, aninharam-se ali, no delimitado espaço urbano de Vila Rica. A Casa dos Governadores, vista aqui em seu aspecto primitivo e em sua forma atual, dominava a praça saturada de vitalidade, em que conviviam poetas e eruditos, prelados, bacharéis, músicos, arquitetos, pintores, escultores e mestres de vários ofícios. O Palácio e a Casa da Câmara, hoje Museu da Inconfidência, que em breve o confrontaria do outro lado da praça, veriam despertar ali a consciência cívica e crescer aquele anseio de liberdade que Tiradentes, afinal, catalisou.” (Texto de Lúcio Costa narrado por Ferreira Gullar)
Quinze
3.9 21“Estrear-se; fazer alguma atividade pela primeira vez.” Eis o significado do verbo debutar, que também tem o sentido de “dar início à vida social”.
Karine Teles e Malu Ramos estão brilhantes em seus respectivos papéis. A cena sáfica do início foi notoriamente filmada por um homem (creio que isso, por si só, já diz o bastante). Em contrapartida, a dança da última sequência - kitsch, como qualquer valsa de aniversário de 15 anos no Brasil -, tendo a mãe e sua namorada como protagonistas, seguida pela caminhada rumo ao horizonte de uma rua escura, são de uma delicadeza que permanece conosco após os créditos finais.
A Dama do Estácio
3.6 39“Nasci no Estácio / O samba é a corda, eu sou a caçamba / Não acredito que haja muamba / Que possa fazer eu gostar de você”
Uma bela homenagem à adaptação que Leon Hirszman fez da peça “A falecida”, de Nelson Rodrigues, com a participação especial de três atores do elenco original: Fernanda Montenegro, Nelson Xavier e Joel Barcellos. Por uma feliz coincidência, assisti ao longa-metragem há poucos dias. O argumento de Eduardo Ades e Matheus Ramalho, inspirado na canção “O x do problema”, de Noel Rosa, acerta em cheio, mas o trabalho de direção deixa um pouco a desejar.
Maxixe - A Dança Perdida
3.4 3A direção de fotografia e a mixagem de som são bem relapsas, mesmo para os parâmetros do cinema brasileiro da época. Mas o curta tem o seu charme.
Barbie Também Pode Estar Triste
2.8 4Carri parece brincar com a estética yuppie e com o universo almodovariano dos anos 80/90. Se ambas as propostas operam na chave do excesso, do artifício e da estilização, a segunda mobiliza cor, melodrama e identidades fluidas contra a superfície polida, hierárquica e estéril da primeira. Basta compararmos "Wall Street: Poder e cobiça" ou "Instinto selvagem" com "Todo sobre mi madre" ou "Mujer al borde de un ataque de nervios". Ao promover esse atrito, o curta celebra o espaço de reinvenção de um regime estético ao mesmo tempo que desvela a "superfície vazia" do outro. Genial!
Os Panteras Negras
4.3 44 Assista Agora"Todos sabem que o partido está bem organizado. O céu vai cair se Huey P. Newton não for solto. Não é preciso justificativa para isso. Afirmamos que Huey P. Newton é um prisioneiro de guerra e muitos dizem que não é verdade, que o partido está exagerando. Acho que está claro, muito claro, que os Estados Unidos declararam guerra aos negros. Declararam quando trouxeram o primeiro preto da África. Claro que não disseram com essas palavras e alguns esperam que digam: 'Declaramos guerra aos negros'. Os Estados Unidos, até hoje, não declararam guerra ao Vietnã, mas estão no Vietnã. Não declararam guerra à Coréia do Norte, mas combateram a Coréia do Norte. E não declararam guerra aos índios. Eles apenas os eliminaram. Devemos declarar nossa condição. Estamos em guerra. Estamos em defesa do nosso líder. Ele está preso, é um prisioneiro de guerra. Devemos libertá-lo de qualquer modo. Se não conseguirmos, devemos tomar represálias." (Stokely Carmichael, agosto de 1968)
Saudações, Cubanos!
4.4 40 Assista AgoraMichel Piccoli: Em novembro de 58, neste barco de 80 pés [Granma], 82 homens saíram velejando do México e atracaram em Cuba para libertar o país. Estes exilados políticos e voluntários prepararam a Revolução. Eles levaram 4 dias para atravessar o Caribe. Eles pegaram comida, rádios, armas. Eles deviam se encontrar com guerrilheiros camponeses. Eles viajaram por 8 dias entre México e Cuba. Este 82 homens, treinados por meses, tiveram que ficar virtualmente de prontidão. 40 em baixo, 42 no deque. Eles não puderam prever a tempestade, as ondas, e as noites de neblina...
Agnès Varda: Saudações aos revolucionários enjoados ao mar!
Michel Piccoli: Atracando com 3 dias de atraso, eles queriam beijar sua terra natal...
Agnès Varda: Saudações aos revolucionários poetas!
Michel Piccoli: ... mas eles estavam em marcha por horas. A água subiu em seus braços e eles tiveram que abandonar armas, comida e rádios. Sem contato com os guerrilheiros, traídos, atingidos e caçados, levaram um mês para alcançar a Sierra [Maestra], andando à noite, comendo cana-de-açúcar, bebendo água das folhas. 82 partiram - 12 chegaram. Entre eles, Raul Castro, Calixto Garcia, Juan Almeida, assim como Fidel Castro, Che Guevara e Camillo Cienfuegos, morto. Os 12 juraram não cortar seus cabelos até que Cuba estivesse livre.
Agnès Varda: Saudações aos revolucionários românticos!
Michel Piccoli: Eles organizaram a resistência em Sierra durante 2 anos, ajudados por camponeses locais - o exército rebelde.
Tio Yanco
4.1 6 Assista Agora"Para mim, a única maneira de não sucumbir à suprema humilhação da vida, que é ser psicanalisado, é ir velejar sem motor pelo menos uma vez por semana."
A Embaixada
4.0 3"Le passé, c'est comme l'étranger. Ce n'est pas une question de distance, c'est le passage d'une frontière."
A Vermelha Luz do Bandido
3.5 2O conselho do Jean-Claude Bernardet, infelizmente, não foi ouvido.
A Espera
3.6 1Esperava mais. O conto de Borges oferecia muitos elementos que Bielinsky deixou de lado.