Por baixo do cientista inicialmente hospitaleiro, há um sociopata manipulador com mania de brincar de Deus. Adaptando o romance de H. G. Wells, "The Island of Dr. Moreau", o filme de Erle C. Kenton conta uma rica história de ciência especulativa e aborda temas ainda hoje atuais: escravidão, misoginia, racismo e conflito de classes estão entre as ideias que formam a base temática do filme. Apesar da aparência monstruosa de suas criações, não são retratados tão somente como monstros, mas mais como almas torturadas, mal conseguindo sobreviver sob o conjunto de regras do Dr. Moreau. Bela Lugosi entra tarde mas é sempre um deleite vê-lo atuar, domina cada cena.
"O Telefone" - O único proto-giallo da antologia. Ambientado em um apartamento luxuoso, uma mulher é aterrorizada pelo ex-namorado pelo telefone. Tem o estilo bem suave, tensão na medida certa e um final decente.
"O Wurdulak" - Levemente inspirado na novela "The Family of the Vourdalak" de Aleksei Tolstói (não confundir com Lev) Boris Karloff é quem dá vida (ou não) a Gorca, nosso vampiro sérvio. Foi o melhor desenvolvido entre os três contos e possui a melhor atmosfera, mas não foi o meu favorito por questão de gosto, mesmo.
"O Pingo D'água" - Um banquete para os olhos. O cenário, as luzes e os sons contribuem progressivamente para o tensão até a bela sequência final. Às vezes um simples movimento de câmera entrega tudo o que você espera de um filme de terror. Eu teria amado ter pesadelos assistindo isso quando criança.
A melhor colheita das crianças malditas até agora. Mais criativo que os antecessores. Aquele que caminha por trás das fileiras acertou ao escolher o presunçoso Eli, cativou muito mais que Isaac, Malachai ou Micah. A transformação do Joshua também foi um ponto positivo. O destaque fica com o grande Screaming Mad George, mestre dos efeitos e criações bizarras.
É uma franquia que já nasceu morta e se recusou a lançar um único filme minimamente decente com o passar dos anos. Aqui, quase 10 anos depois, "Children of the Corn II: The Final Sacrifice" entrega aquilo que prometeu no primeiro filme: nada. Mas por algum motivo, tudo é muito divertido pra mim. Terror no milharal não tem erro. Não há CGI ruim que ofusque a estética familiar e reconfortante de um terror noventista.
"A estrela de Besouro pisca no céu. É clara e grande. As mulheres dizem que ele está espiando os malfeitos dos homens (barões, condes, viscondes, marqueses) de Santo Amaro. Está vendo todas as injustiças que os marítimos sofrem. Um dia voltará para se vingar" – Mar Morto, Jorge Amado.
Ainda criança, quando frequentava aos finais de semana o programa Escola da Família, através de um professor de capoeira que infelizmente não me recordo o nome, ouvi pela primeira vez sobre Besouro Mangangá. Fiquei encantado. Voava sem precisar de capa e era vaidoso como todo herói tem de ser. Mas ao assistir o filme no ano do lançamento, talvez pela minha pouca idade, desejava ver o maior capoeirista do recôncavo baiano em ação, esperava um pouco mais de luta, mais capoeira. Já mais velho, li "Feijoada no Paraíso" do Marco Carvalho, livro baseado em lendas do Besouro e que serviria de inspiração pra esse filme do João Daniel do sobrenome difícil. "Em uma entrevista, Gilberto Gil conta que dona Canô, mãe de Caetano Veloso, moradora de Santo Amaro e contemporânea de Besouro, viu o capoeirista no dia da morte, ensanguentado, em 1924" Só depois de assistir o filme, ler e ouvir sobre as lendas do Besouro apareceria pra mim o álbum "Capoeira de Besouro" do Paulo Cesar Pinheiro. Um toque de capoeira diferente em cada uma das 14 faixas, destaque pra Toque de São Bento Grande, que pra mim sintetiza tudo: "Quando eu era ainda menino/ O meu pai me disse um dia/ A balança da justiça/ Nunca pesa o que devia/ Não me curvo a lei dos homens/ A razão é quem me guia/ Nem que seu avô mandasse/ Eu não obedeceria". E hoje o roteiro de Besouro me parece menos desconexo do que da primeira vez que assisti. Tornou-se um dos meus nacionais favoritos.
Não é um filme de terror, mas há elementos do gênero espalhados durante alguns momentos. A primeira hora é um filme de suspense bem sólido. Nos primeiros minutos, descobrimos que a protagonista foi abusada sexualmente, o filme então volta no tempo e o mistério é descobrir quem é o abusador de Gail. Sem esse flashback, acho que o filme não funcionaria tão bem, pois perde força na última meia hora quando o abusador é revelado. Torna-se então um drama, um filme sobre trauma, perda da inocência e culpabilização da vítima. Terminou de forma abrupta, mas deixou uma mensagem ainda relevante até os dias atuais.
Quando se fala em filmes de terror dos anos 30, quase que instantaneamente nos lembramos dos monstros da Universal. No entanto, a Universal não foi o único estúdio a lançar um clássico de terror e, embora 1931 seja frequentemente lembrado como o ano de Drácula de Tod Browning e Frankenstein de James Whale, a Paramount foi responsável por outro clássico de terror: Dr. Jekyll and Mr. Hyde. Dirigido por Mamoulian e adaptado por Samuel Hoffenstein e Percy Heath, o filme traduz com maestria o tema e o clima do romance de Robert Louis Stevenson. A história básica do filme é a história do Dr. Henry Jekyll (Fredric March), um médico de sucesso que está convencido de que pode isolar o mal da alma humana: surge Edward Hyde, personificando de fato o que Freud viria a chamar algumas décadas depois de “Isso” (id) Obrigatório pra quem gosta de filmes que exploram a natureza, os desejos e as vontades humanas. Além de tudo, é muito divertido. Mr. Hyde parece uma criança pulando de tênis no sofá quando os adultos não estão por perto, mas isso não o torna menos assustador. Ficou fácil entender como March ganhou a primeira estatueta de melhor ator com um filme de terror.
Condemned to Live (condenado a assistir filmes que eu não queria pela minha falta de atenção, em tradução livre). A ideia era assistir A Marca do Vampiro, do Tod Browning, também de 1935. Aqui falamos de Frank R. Strayer, mesmo diretor de The Vampire Bat. Confesso que esse me manteve mais entretido durante os 67 minutos e apesar de também não ser nada extraordinário, me apresentou o primeiro vampiro simpático dos anos 30. Assim como o monstro de Frankenstein, condenado a barbáries que fogem do seu controle, você acaba sentindo certa pena do vampiro É curiosa a sustentabilidade dos filmes de baixo orçamento da época, já que tudo era reciclado: Enredo (Jekyll and Mr. Hyde); Figurinos e cenários (The Bride of Frankenstein); Trilha sonora (The Vampire Bat). Ah, os assistentes dos doutores malucos, eles tem o meu coração. Fiquei apaixonado pela devoção cega e bravura do Zan.
Não há nada de tão ruim em The Vampire Bat e não é uma perda de tempo total, mas muita coisa não funciona aqui, como as cenas de humor, faltam morcegos de papel crepom, fora a tagarelice excessiva pra um filme de pouco mais de 60 minutos. É um filme de baixo orçamento muito luxuoso, já que usaram as sobras de Frankenstein e The Old Dark House, mas isso o torna um filme pouco memorável, pois udo aqui já foi visto em outro lugar. O belíssimo pôster vintage é a única coisa da qual me lembrarei.
[/spoiler] O resto do filme deixou de importar depois que mataram o personagem de Dwight Frye. Malditos e preconceituosos aldeões! Perseguiram um garoto especial só porque gostava de maçãs e morcegos. Comecei a torcer pelo serial killer a partir dai. [spoiler]
Foi uma experiência ter assistido o primeiro filme de zumbi da história do cinema. Muito distante dos zumbis da minha infância, muito próximo dos usuários de k9 do meu bairro.
"I wanted to create a waking dream on screen and show that horror is not to be found in the things around us but in our own subconscious" - Carl Theodor Dreyer.
Um filme recompensador. Definitivamente Dreyer realizou em Vampyr seu "sonho acordado". Os efeitos que foram usados ao longo do filme, a atmosfera, o mistério se desenrolando nos passos lentos e no olhar curioso de Allan Grey. As sombras aqui tem vida própria. Era tanta névoa evocando uma sensação de pesadelo que eu não consigo imaginar quão assustador Vampyr deve ter sido em 1932, época em que a figura do vampiro ainda precisava ser apresentada ao público em fonte gótica. Apesar de tudo, não pude não ficar entediado em alguns momentos... Denso, um pouco lento e, como num sonho, meio confuso. Recompensou porque é um filme belo, as fotografias certamente ficarão guardadas em minha memória. A beleza basta.
Jamais aceite uma proposta para jogar xadrez ao ar livre.
Os tripulantes dos primeiros minutos são tão charmosos e cativantes que, mesmo estando na sinopse, fiquei desapontado quando percebi que Rainsford era mesmo o único sobrevivente do naufrágio Excêntrico, misterioso e caricato, Conde Zaroff, coçando sua cicatriz na têmpora, me fez pensar no quanto eu sinto falta de vilões teatrais no cinema de hoje. Surpresa positiva foi saber que a selva densa e tropical também foi aproveitada em King Kong (1933) junto com parte do elenco. Definitivamente é a selva mais bonita que você verá nos anos 30. É um filme divertido e precursor. Impossível não ver um pouco de The Most Dangerous Game em Surviving the Game, Mindhunters, The Hunger Games etc.
Preteridos em Frankenstein de 1931, Bela Lugosi e Robert Florey se encontraram novamente no ano seguinte, mas dessa vez em The Murders in the Rue Morgue, inspirado no conto de Edgar Allan Poe. Lugosi aqui tem monocelha e cabelos desgrenhados, tudo na tentativa de distanciá-lo da imagem sexy do Drácula, também lançado no ano anterior. Acho que funcionou bem, O filme ainda carrega muito do expressionismo alemão, cenáros exagerados e sombras marcantes contribuem na atmosfera mórbida da história. Erik, o gorila, talvez não tenha envelhecido tão bem quanto outros monstros da Universal. Acho que não posso reclamar, tudo que eu busco em um filme de terror dos anos 30, pude encontrar aqui.
John Barrymore é, sem dúvida, o destaque desse filme. Foi o que me segurou nos entediantes primeiros 20 minutos. Não sabia da existência dessa versão, a intenção era assistir a de 1931, que eu acreditava ser a primeira, mas não me atentei nas datas. Tem bons momentos do meio pro final, trilha sonora um pouco monótona mas funciona bem. As mãos de Hyde são tão repulsivas quanto os dedos de Rei Charles lll.
Presos sob forte tempestade, dois grupos de amigos vêem-se obrigados a pedir proteção em uma casarão no meio de uma estrada rural. Por mais batido que o tema seja nos dias de hoje, The Old Dark House (1932) serviu de base pra que num cinema futuro, muitos universitários americanos morressem no meio de um milharal fugindo de anfitriões excêntricos. Talvez seja um dos filmes 'esquecidos' da Universal, muito pela falta de um vilão monstrengo. Boris Karloff é o mais próximo que se chega de um monstro, aqui um pouco menos carregado na maquiagem, talvez apenas mal cuidado e alcoólatra. Há uma boa harmonia entre o cômico e o terror. Preciso ver mais filmes do James Whale.
Diante da ineficácia das autoridades e tomada pelo terror, a população resolve fazer justiça com as próprias mãos. O crime se organiza em busca do infanticida misterioso que, após 8 meses foragido, começa a atrapalhar as atividades criminosas da região, colocando mais e mais policiais nas ruas. Düsseldorf, Alemanha, anos 30, mas poderia ser Guarujá, Brasil, 2014.
"Boa impressão nunca se tem/ Quando se encontra um certo alguém/ Que até parece um Frankenstein/ Mas como diz o rifão/ Por uma cara feia perde-se um bom coração"
Quando criança, fazia listas mentais de personalidades e/ou personagens mundialmente famosas. Conhecidas em Bangladesh e no Matogrosso. Frankenstein está nessa lista ao lado de Pelé, Michael Jackson, Jesus e Maomé. Desenhos, séries, festas à fantasia, em um graffiti na periferia ou nessa canção composta na metade da década de 30 pelo sambista Wilson Batista, em uma tentativa de zombar da má formação no queixo de Noel Rosa. E funcionou. Afinal, Frankenstein é um monstro repugnante. Alguns amigos próximos de Noel até relataram que o viram chorar após ler a letra da canção.
A fama de Frankenstein passa pelo tamanho desproporcional de Boris Karloff, grunhindo e tropegando o tempo todo. É de um charme atemporal. Passa, também, pelo cientista louco brincando de deus: quem é o verdadeiro monstro, o criador ou a criatura?
Tenho um problema gravíssimo de atenção. Coisa de assistir Titanic e dois dias depois não me lembrar que é sobre um navio. Recentemente criei essa nova conta no filmow (em pleno 2023 e zero intenção de migrar pra rede gringa) com o intuito de começar a fazer pequenas resenhas ou escrever qualquer bobeirinha como exercício de memória, mesmo. Acontece que o Drácula de 1931 é um caso à parte. Assisti com o meu pai quando criança e fiquei obcecado, não queria mais ser o Ronaldinho e jogar pelo Barça: queria era ser vampiro. O olhar de Bela Lugosi é dessas raras cenas que até uma cabeça avoada feito a minha não deixa se confundir. Sexy. Pavoroso. Inesquecível.
A cada pincelada, a vida de Madeline ia se esvaindo no 'plano real' e se reconstituindo no quadro de Roderick, enquanto a vela queimava e a cera derretia, a alma de Madeline era consumida no mesmo fogo.
Fico positivamente surpreso quando vejo a utilização de close-up em filmes da década de 20. E aqui, Epstein utilizou desse recurso de uma forma maravilhosa, acentuou uma condição de delírio extremo ao obsessivo Usher, trouxe uma qualidade hipnótica à medida em que tudo ao redor ia ficando cada vez mais lento e em desfoque.
As cordas do violão, o tilintar de um sino, o martelar do prego ou o vento soprando as cortinas e varrendo as folhas secas do chão são sons tão vívidos na nossa memória que aqui a falta de som não fez falta.
O fato de ter um narrador em terceira pessoa trouxe um charme a mais, sobretudo se tratando de uma obra literária adaptada
O Gato Preto
3.5 71lugosi bonzinho? seu olhar não me engana.
A Ilha das Almas Selvagens
3.7 34"Don't look back." Gênesis 19:17
Por baixo do cientista inicialmente hospitaleiro, há um sociopata manipulador com mania de brincar de Deus. Adaptando o romance de H. G. Wells, "The Island of Dr. Moreau", o filme de Erle C. Kenton conta uma rica história de ciência especulativa e aborda temas ainda hoje atuais: escravidão, misoginia, racismo e conflito de classes estão entre as ideias que formam a base temática do filme. Apesar da aparência monstruosa de suas criações, não são retratados tão somente como monstros, mas mais como almas torturadas, mal conseguindo sobreviver sob o conjunto de regras do Dr. Moreau. Bela Lugosi entra tarde mas é sempre um deleite vê-lo atuar, domina cada cena.
As Três Máscaras do Terror
3.9 137 Assista Agora"O Telefone" -
O único proto-giallo da antologia. Ambientado em um apartamento luxuoso, uma mulher é aterrorizada pelo ex-namorado pelo telefone. Tem o estilo bem suave, tensão na medida certa e um final decente.
"O Wurdulak" -
Levemente inspirado na novela "The Family of the Vourdalak" de Aleksei Tolstói (não confundir com Lev) Boris Karloff é quem dá vida (ou não) a Gorca, nosso vampiro sérvio. Foi o melhor desenvolvido entre os três contos e possui a melhor atmosfera, mas não foi o meu favorito por questão de gosto, mesmo.
"O Pingo D'água" -
Um banquete para os olhos. O cenário, as luzes e os sons contribuem progressivamente para o tensão até a bela sequência final. Às vezes um simples movimento de câmera entrega tudo o que você espera de um filme de terror. Eu teria amado ter pesadelos assistindo isso quando criança.
Colheita Maldita 3: A Colheita Urbana
2.7 121 Assista AgoraA melhor colheita das crianças malditas até agora. Mais criativo que os antecessores. Aquele que caminha por trás das fileiras acertou ao escolher o presunçoso Eli, cativou muito mais que Isaac, Malachai ou Micah. A transformação do Joshua também foi um ponto positivo. O destaque fica com o grande Screaming Mad George, mestre dos efeitos e criações bizarras.
Colheita Maldita 2: O Sacrifício Final
2.6 129 Assista AgoraÉ uma franquia que já nasceu morta e se recusou a lançar um único filme minimamente decente com o passar dos anos. Aqui, quase 10 anos depois, "Children of the Corn II: The Final Sacrifice" entrega aquilo que prometeu no primeiro filme: nada. Mas por algum motivo, tudo é muito divertido pra mim. Terror no milharal não tem erro. Não há CGI ruim que ofusque a estética familiar e reconfortante de um terror noventista.
Terror na Água 3D
2.1 535 Assista AgoraMesmo pra um clichê do gênero os primeiros minutos foram difíceis de se assistir. Uma ou duas mortes um pouquinho mais criativas e acho que só.
Todo o drama envolvendo uma cicatriz quase que imperceptível me fez rir.
Pós-crédito engraçadinho.
Colheita Maldita
3.1 509 Assista Agoraincêndio no milharal = pipoca infinita.
Besouro
3.1 564 Assista Agora"A estrela de Besouro pisca no céu. É clara e grande. As mulheres dizem que ele está espiando os malfeitos dos homens (barões, condes, viscondes, marqueses) de Santo Amaro. Está vendo todas as injustiças que os marítimos sofrem. Um dia voltará para se vingar" – Mar Morto, Jorge Amado.
Ainda criança, quando frequentava aos finais de semana o programa Escola da Família, através de um professor de capoeira que infelizmente não me recordo o nome, ouvi pela primeira vez sobre Besouro Mangangá. Fiquei encantado. Voava sem precisar de capa e era vaidoso como todo herói tem de ser. Mas ao assistir o filme no ano do lançamento, talvez pela minha pouca idade, desejava ver o maior capoeirista do recôncavo baiano em ação, esperava um pouco mais de luta, mais capoeira.
Já mais velho, li "Feijoada no Paraíso" do Marco Carvalho, livro baseado em lendas do Besouro e que serviria de inspiração pra esse filme do João Daniel do sobrenome difícil. "Em uma entrevista, Gilberto Gil conta que dona Canô, mãe de Caetano Veloso, moradora de Santo Amaro e contemporânea de Besouro, viu o capoeirista no dia da morte, ensanguentado, em 1924"
Só depois de assistir o filme, ler e ouvir sobre as lendas do Besouro apareceria pra mim o álbum "Capoeira de Besouro" do Paulo Cesar Pinheiro. Um toque de capoeira diferente em cada uma das 14 faixas, destaque pra Toque de São Bento Grande, que pra mim sintetiza tudo:
"Quando eu era ainda menino/ O meu pai me disse um dia/ A balança da justiça/ Nunca pesa o que devia/ Não me curvo a lei dos homens/ A razão é quem me guia/ Nem que seu avô mandasse/ Eu não obedeceria".
E hoje o roteiro de Besouro me parece menos desconexo do que da primeira vez que assisti. Tornou-se um dos meus nacionais favoritos.
Querô
3.5 132 Assista AgoraQue entrega do ator Maxwell Nascimento, deu pra sentir toda revolta no olhar do Querô e toda ternura no olhar do Jerônimo.
Querô só queria ser Jerônimo.
Você Está Sozinha?
3.1 29Não é um filme de terror, mas há elementos do gênero espalhados durante alguns momentos. A primeira hora é um filme de suspense bem sólido. Nos primeiros minutos, descobrimos que a protagonista foi abusada sexualmente, o filme então volta no tempo e o mistério é descobrir quem é o abusador de Gail. Sem esse flashback, acho que o filme não funcionaria tão bem, pois perde força na última meia hora quando o abusador é revelado. Torna-se então um drama, um filme sobre trauma, perda da inocência e culpabilização da vítima. Terminou de forma abrupta, mas deixou uma mensagem ainda relevante até os dias atuais.
O Médico e o Monstro
4.0 69Quando se fala em filmes de terror dos anos 30, quase que instantaneamente nos lembramos dos monstros da Universal. No entanto, a Universal não foi o único estúdio a lançar um clássico de terror e, embora 1931 seja frequentemente lembrado como o ano de Drácula de Tod Browning e Frankenstein de James Whale, a Paramount foi responsável por outro clássico de terror: Dr. Jekyll and Mr. Hyde.
Dirigido por Mamoulian e adaptado por Samuel Hoffenstein e Percy Heath, o filme traduz com maestria o tema e o clima do romance de Robert Louis Stevenson. A história básica do filme é a história do Dr. Henry Jekyll (Fredric March), um médico de sucesso que está convencido de que pode isolar o mal da alma humana: surge Edward Hyde, personificando de fato o que Freud viria a chamar algumas décadas depois de “Isso” (id)
Obrigatório pra quem gosta de filmes que exploram a natureza, os desejos e as vontades humanas.
Além de tudo, é muito divertido. Mr. Hyde parece uma criança pulando de tênis no sofá quando os adultos não estão por perto, mas isso não o torna menos assustador. Ficou fácil entender como March ganhou a primeira estatueta de melhor ator com um filme de terror.
A Marca do Vampiro
4.0 2Condemned to Live (condenado a assistir filmes que eu não queria pela minha falta de atenção, em tradução livre). A ideia era assistir A Marca do Vampiro, do Tod Browning, também de 1935. Aqui falamos de Frank R. Strayer, mesmo diretor de The Vampire Bat. Confesso que esse me manteve mais entretido durante os 67 minutos e apesar de também não ser nada extraordinário, me apresentou o primeiro vampiro simpático dos anos 30. Assim como o monstro de Frankenstein, condenado a barbáries que fogem do seu controle, você acaba sentindo certa pena do vampiro
É curiosa a sustentabilidade dos filmes de baixo orçamento da época, já que tudo era reciclado:
Enredo (Jekyll and Mr. Hyde);
Figurinos e cenários (The Bride of Frankenstein);
Trilha sonora (The Vampire Bat).
Ah, os assistentes dos doutores malucos, eles tem o meu coração. Fiquei apaixonado pela devoção cega e bravura do Zan.
[/spoiler]
Malditos aldeões, sempre empunhando tochas e correndo atrás de quem não oferece risco algum. Fica difícil não torcer pros vilões.
[spoiler]
O Morcego Vampiro
2.9 20 Assista AgoraNão há nada de tão ruim em The Vampire Bat e não é uma perda de tempo total, mas muita coisa não funciona aqui, como as cenas de humor, faltam morcegos de papel crepom, fora a tagarelice excessiva pra um filme de pouco mais de 60 minutos. É um filme de baixo orçamento muito luxuoso, já que usaram as sobras de Frankenstein e The Old Dark House, mas isso o torna um filme pouco memorável, pois udo aqui já foi visto em outro lugar. O belíssimo pôster vintage é a única coisa da qual me lembrarei.
[/spoiler]
O resto do filme deixou de importar depois que mataram o personagem de Dwight Frye. Malditos e preconceituosos aldeões! Perseguiram um garoto especial só porque gostava de maçãs e morcegos. Comecei a torcer pelo serial killer a partir dai.
[spoiler]
Zumbi Branco
3.5 70 Assista AgoraFoi uma experiência ter assistido o primeiro filme de zumbi da história do cinema. Muito distante dos zumbis da minha infância, muito próximo dos usuários de k9 do meu bairro.
O Vampiro
3.9 80 Assista Agora"I wanted to create a waking dream on screen and show that horror is not to be found in the things around us but in our own subconscious" - Carl Theodor Dreyer.
Um filme recompensador. Definitivamente Dreyer realizou em Vampyr seu "sonho acordado". Os efeitos que foram usados ao longo do filme, a atmosfera, o mistério se desenrolando nos passos lentos e no olhar curioso de Allan Grey. As sombras aqui tem vida própria. Era tanta névoa evocando uma sensação de pesadelo que eu não consigo imaginar quão assustador Vampyr deve ter sido em 1932, época em que a figura do vampiro ainda precisava ser apresentada ao público em fonte gótica. Apesar de tudo, não pude não ficar entediado em alguns momentos... Denso, um pouco lento e, como num sonho, meio confuso. Recompensou porque é um filme belo, as fotografias certamente ficarão guardadas em minha memória. A beleza basta.
Zaroff, o Caçador de Vidas
3.4 36 Assista AgoraJamais aceite uma proposta para jogar xadrez ao ar livre.
Os tripulantes dos primeiros minutos são tão charmosos e cativantes que, mesmo estando na sinopse, fiquei desapontado quando percebi que Rainsford era mesmo o único sobrevivente do naufrágio
Excêntrico, misterioso e caricato, Conde Zaroff, coçando sua cicatriz na têmpora, me fez pensar no quanto eu sinto falta de vilões teatrais no cinema de hoje.
Surpresa positiva foi saber que a selva densa e tropical também foi aproveitada em King Kong (1933) junto com parte do elenco. Definitivamente é a selva mais bonita que você verá nos anos 30.
É um filme divertido e precursor. Impossível não ver um pouco de The Most Dangerous Game em Surviving the Game, Mindhunters, The Hunger Games etc.
Os Assassinatos da Rua Morgue
3.2 35Preteridos em Frankenstein de 1931, Bela Lugosi e Robert Florey se encontraram novamente no ano seguinte, mas dessa vez em The Murders in the Rue Morgue, inspirado no conto de Edgar Allan Poe.
Lugosi aqui tem monocelha e cabelos desgrenhados, tudo na tentativa de distanciá-lo da imagem sexy do Drácula, também lançado no ano anterior. Acho que funcionou bem,
O filme ainda carrega muito do expressionismo alemão, cenáros exagerados e sombras marcantes contribuem na atmosfera mórbida da história. Erik, o gorila, talvez não tenha envelhecido tão bem quanto outros monstros da Universal.
Acho que não posso reclamar, tudo que eu busco em um filme de terror dos anos 30, pude encontrar aqui.
Dr Jekyll e Mr Hyde
3.9 7Bela Lugosi e Conrad Veidt. Que tistreza.
O Médico e o Monstro
3.8 32 Assista AgoraJohn Barrymore é, sem dúvida, o destaque desse filme. Foi o que me segurou nos entediantes primeiros 20 minutos. Não sabia da existência dessa versão, a intenção era assistir a de 1931, que eu acreditava ser a primeira, mas não me atentei nas datas. Tem bons momentos do meio pro final, trilha sonora um pouco monótona mas funciona bem. As mãos de Hyde são tão repulsivas quanto os dedos de Rei Charles lll.
A Casa Sinistra
3.4 51 Assista Agora"have a potato"
Presos sob forte tempestade, dois grupos de amigos vêem-se obrigados a pedir proteção em uma casarão no meio de uma estrada rural. Por mais batido que o tema seja nos dias de hoje, The Old Dark House (1932) serviu de base pra que num cinema futuro, muitos universitários americanos morressem no meio de um milharal fugindo de anfitriões excêntricos.
Talvez seja um dos filmes 'esquecidos' da Universal, muito pela falta de um vilão monstrengo. Boris Karloff é o mais próximo que se chega de um monstro, aqui um pouco menos carregado na maquiagem, talvez apenas mal cuidado e alcoólatra. Há uma boa harmonia entre o cômico e o terror. Preciso ver mais filmes do James Whale.
M, o Vampiro de Dusseldorf
4.3 293 Assista Agora"os assassinos estão entre nós"
Diante da ineficácia das autoridades e tomada pelo terror, a população resolve fazer justiça com as próprias mãos. O crime se organiza em busca do infanticida misterioso que, após 8 meses foragido, começa a atrapalhar as atividades criminosas da região, colocando mais e mais policiais nas ruas. Düsseldorf, Alemanha, anos 30, mas poderia ser Guarujá, Brasil, 2014.
Frankenstein
3.9 297 Assista Agora"Boa impressão nunca se tem/ Quando se encontra um certo alguém/ Que até parece um Frankenstein/ Mas como diz o rifão/ Por uma cara feia perde-se um bom coração"
Quando criança, fazia listas mentais de personalidades e/ou personagens mundialmente famosas. Conhecidas em Bangladesh e no Matogrosso. Frankenstein está nessa lista ao lado de Pelé, Michael Jackson, Jesus e Maomé. Desenhos, séries, festas à fantasia, em um graffiti na periferia ou nessa canção composta na metade da década de 30 pelo sambista Wilson Batista, em uma tentativa de zombar da má formação no queixo de Noel Rosa. E funcionou. Afinal, Frankenstein é um monstro repugnante. Alguns amigos próximos de Noel até relataram que o viram chorar após ler a letra da canção.
A fama de Frankenstein passa pelo tamanho desproporcional de Boris Karloff, grunhindo e tropegando o tempo todo. É de um charme atemporal.
Passa, também, pelo cientista louco brincando de deus: quem é o verdadeiro monstro, o criador ou a criatura?
Definitivamente um clássico.
Drácula
3.8 310 Assista AgoraTenho um problema gravíssimo de atenção. Coisa de assistir Titanic e dois dias depois não me lembrar que é sobre um navio. Recentemente criei essa nova conta no filmow (em pleno 2023 e zero intenção de migrar pra rede gringa) com o intuito de começar a fazer pequenas resenhas ou escrever qualquer bobeirinha como exercício de memória, mesmo. Acontece que o Drácula de 1931 é um caso à parte. Assisti com o meu pai quando criança e fiquei obcecado, não queria mais ser o Ronaldinho e jogar pelo Barça: queria era ser vampiro. O olhar de Bela Lugosi é dessas raras cenas que até uma cabeça avoada feito a minha não deixa se confundir. Sexy. Pavoroso. Inesquecível.
A Queda da Casa de Usher
3.7 58 Assista AgoraA forma como Epstein usa uma série de técnicas, incluindo câmera lenta e sobreposições é o que chama atenção.
A cada pincelada, a vida de Madeline ia se esvaindo no 'plano real' e se reconstituindo no quadro de Roderick, enquanto a vela queimava e a cera derretia, a alma de Madeline era consumida no mesmo fogo.
Fico positivamente surpreso quando vejo a utilização de close-up em filmes da década de 20. E aqui, Epstein utilizou desse recurso de uma forma maravilhosa, acentuou uma condição de delírio extremo ao obsessivo Usher, trouxe uma qualidade hipnótica à medida em que tudo ao redor ia ficando cada vez mais lento e em desfoque.
As cordas do violão, o tilintar de um sino, o martelar do prego ou o vento soprando as cortinas e varrendo as folhas secas do chão são sons tão vívidos na nossa memória que aqui a falta de som não fez falta.
O fato de ter um narrador em terceira pessoa trouxe um charme a mais, sobretudo se tratando de uma obra literária adaptada