Costumo conseguir vestir minha capa infanto-juvenil e curtir uma história que não seja "adulta", sou fã de animações, vejo qualidades nessas obras e não acredito que elas possam se valer de simplicidades ou subestimar o espectador, o que infelizmente acontece aqui... Não gostei muito da primeira temporada dessa série e avancei penosamente; talvez pelas escolhas da direção, talvez pelas atuações, ou talvez simplesmente por não me interessar mais tanto pelas histórias do Rick Riordan. Não sei... só sei que não consegui mais avançar na segunda temporada após alguns episódios, e não quero assistir nada por obrigação. Percy Jackson, principalmente o primeiro livro, foi importante para o eu-criança, mas paro por aqui. Melhor deixar algumas memórias intactas.
Ontem finalizei o romance Drácula, de Bram Stoker, e estava louco para assistir a esse filme, um dos mais comentados quando se trata desse famoso vampiro. Há diversos parâmetros para avaliarmos se uma obra é ou não uma boa adaptação de algum material de base, e um dos mais bem aceitos é se as mensagens principais foram alocadas de forma satisfatória. Qual a minha surpresa quando vi que o cerne, o tema e a alma do longa não existiam no livro – o romance entre o conde e a personagem de Winona Ryder.
No texto de 1897, temos Drácula, mesmo em sua versão rejuvenescida, como um monstro horrendo e diabólico, com sede de sangue e implacável em sua busca – não há bons sentimentos, não há beleza, não há uma dama do passado, não há reencarnação, não há nada que nos informe que ele possa ter boas intenções. A mudança do vampiro não como espécie monstruosa, mas como indivíduo, com um passado e pensamentos próprios, viria apenas na metade do século XX, e essa onda claramente influenciou e mesclou o filme do Coppola.
Nele, apesar de termos as personagens do livro em sua disposição primordial, temos inversões de personalidades e desfechos para se curvarem a um roteiro que pedia um romance entre vampiro e humana – e que inspiraria, anos depois, Stephenie Meyer e seu Crepúsculo. Não há, no texto, as cenas românticas entre Drácula e Mina, não existe essa concepção nem essa motivação para o vampiro – ele está em Londres procurando sangue fresco e puramente representando o estrangeiro, tão temido pelos vitorianos, que quer se passar por londrino. A Mina original é fruto da sua época em seu conservadorismo, porém muito inteligente e ativa na história, e não hesita em empunhar sua arma para Drácula no derradeiro final, em que os 5 homens exterminam o conde. Além dela, Lucy também não possui aquela personalidade extravagante, não brinca com os sentimentos de seus pretendentes, nem se entrega ao conde daquela maneira; dr. Seward não é aquele paspalho; Van Helsing é delicado e excêntrico nas mesmas medidas; e todas as personagens são fortes, juram amizade eterna e sentem carinhos genuínos uns pelos outros.
Enfim, há muita coisa diferente e, apesar de preservar uma ambientação similar, cenas epistolares e construção narrativa semelhantes, se olharmos para a definição de adaptação como a transposição da ideia central de um material, vemos que a produção de Coppola não se sustenta.
Apesar disso, analisando o longa com suas próprias pernas, temos uma boa história de terror – super bem dirigida e bem montada, com uma direção de arte espetacular, figurinos e penteados excelentes, boas atuações e, acima de tudo, algo muito essencial na elaboração do gênero: um estilo próprio que o faz, até hoje, ser um dos filmes mais reconhecidos e aclamados do terror. Se você conseguir mergulhar nessa loucura cinematográfica ignorando as incongruências entre ele e a incrível obra de Bram Stoker, creio que gostará mais do filme do que eu.
O filme parece uma recauchutagem dos outros dois? Sim. Ele tem menos inovações e falta a sensação de beleza fotográfica que o segundo conquista magistralmente? Com certeza. O roteiro é fraco, formulesco e na mão de qualquer um que não o James Cameron teria enfraquecido demais o longa? Provavelmente... mas só tenho uma coisa a dizer: que filmaço!
Além da atuação da Vera Farmiga, não tenho outro ponto positivo para comentar... Não curti a direção, o design de som, a montagem, os sustos e, principalmente, o roteiro cansativo, repetitivo e super sem graça...
Primeiro filme de HP assistido com a minha sobrinha, que está vendo aos poucos e já está totalmente imersa nesse mundo. Foi a primeira vez dela assistindo ao terceiro e ela amou! Fizemos uma "sessão cinema" com colchão no chão, doces e muita pipoca. Especial demais <3
Apesar de totalmente coerente com o cânone desse universo, o final é bem amargo, no melhor dos sentidos. Isso porque vemos apenas o começo da desestruturação dessa família no pós-morte do George. Sabemos que a partir dali não vai ser nada fácil, com Mary se tornando mais fanática, Connie mais frágil, Missy mais rebelde, Georgie assumindo as responsabilidades de chefe da família e Sheldon mais isolado. É o marco final não só da série, mas também de uma parte da vida de todos ali. Chorei bastante, como sabia que aconteceria, e percebi que vou sentir bastante falta dessas personagens. Série leve, cativante, bem escrita e especial demais <3
As últimas duas foram as melhores temporadas da série! Não acho Sheldon tão irritante quanto aparentemente a maioria dos expectadores, mas não dá para negar que todas as tramas paralelas dos últimos dois anos foram incrivelmente bem construídas, prenderam a atenção e ofuscaram o protagonista. Curto quando uma série reinventa suas narrativas e muda sua dinâmica, o que a 5ª e a 6ª fizeram muito bem! A próxima é a última, menor e provavelmente com um acontecimento que todos nós sabíamos que chegaria. =(
Essa temporada tinha tudo para ser melhor, depois de algumas bem medianas. A chegada do Jeremiah foi muito acertada, ele trouxe uma pessoalidade para o programa que, na minha opinião, Bobby nunca tinha conseguido e que os outros quatro já faziam. Apesar disso, talvez a nona temporada tenha os piores participantes, com exceção de 2 (?). Enfim, fica claro o desgaste da série e fico feliz que a próxima seja a última.
Hmm, não sei se tenho muito o que comentar. Acredito que a primeira temporada tenha sido a melhor para mim, explorando o luto da Carrie e o depois do "felizes para sempre". Achei muito corajoso colocar a protagonista como recém-viúva, mas a volta do Aiden, que poderia ter sido tão melhor, foi extremamente mal aproveitada. Dos enredos paralelos, Charlotte continua fenomenal e é a personagem que segue mais coerente, com um desenvolvimento claro e arcos que compensam o expectador. As "novas amigas" passaram três temporadas perdidas, sem rumo, sem uma história clara, sem se integrar completamente, sem carisma... Além disso, a representatividade soou artificial, forçada e, associando isso às coadjuvantes fracas, temos a pior fatia do bolo. Enfim, uma série bem irregular e com muitos altos e baixos.
Assisti em 2016 no lançamento e fiz um comentário aqui na época, em que enalteço bastante a temporada. Desde então ela sempre esteve no meu top 3 de American Horror Story, atrás de Murder House e Asylum, a minha favorita. Sempre pensei que esse ranking poderia mudar se eu reassistisse a série, porque considerava muito do meu aproveitamento o incrível marketing que essa temporada teve.
Lembro muito bem de acompanhar cada trailer e notícia da série desde 2011, aguardando o nome oficial da temporada, o elenco, o tema, etc. Com Roanoke, não tínhamos NADA, a divulgação era em torno do mistério, os teasers eram inespecíficos, o nome era literalmente "?" até o famigerado dia do lançamento, em que sentei para assistir ao primeiro episódio sem saber o que esperar.
Essa sensação de inovação, mistério e surpresa se manteve quando a série, em sua metade, muda totalmente o ritmo, o foco e se torna um reality show dos horrores... fenomenal...
Sendo assim, sempre pensei que talvez o contexto do lançamento importasse nesse resultado final. E, por mais que realmente tenha sido uma das melhores experiências de AHS na época, após a revisita a temporada se mantém minha terceira favorita pelo ineditismo, criatividade, atuação e, mais que tudo talvez, a metalinguagem. Já disse em diversos outros comentários que eu sou totalmente parcial quando um filme usa esse artifício de forma criativa, e aqui isso é feito magistralmente. Confesso que o roteiro da segunda parte poderia ser lapidado um pouco, mas não consigo fechar os olhos para as qualidades desse que foi, na minha opinião, o último grande momento de American Horror Story.
Minha introdução no gênero terror foi com os filmes que meu irmão mais velho alugava na locadora e que eu, inegavelmente muito novo e bastante curioso, assistia com ele. Premonição 3 foi um desses, e por isso tenho um certo carinho com esses longas (e um episódio traumático no Hopi Hari aos oito anos).
O sexto filme finalmente inovou no roteiro e fiquei bastante surpreso quando a premonição terminou e cortamos para uma personagem diferente sonhando. Além disso, consegue amarrar a franquia toda e contribui com um lore muito bem desenhado (um feito um tanto raro nessas sagas cinematográficas de terror). Os pontos negativos são as atuações sofríveis, as inverossimilhanças gigantes do roteiro, o CGI bem artificial... No geral, uma entrada otimista para essa franquia!
1ª temporada reassistida pela terceira vez e, depois de 15 anos, fica cada vez mais claro que a série está envelhecendo como vinho. A escrita é afiadíssima, um anti-High-School-Musical despretensioso que tem como maior acerto rir de si mesmo e de suas personagens com muito mais defeitos que qualidades, rs.
Apesar de filmes de ação, perseguição, espionagem, etc., não serem muito a minha praia, é inegável a imensa qualidade disso aqui. O filme é brilhantemente dirigido e roteirizado, me surpreendi positivamente com o quão envolvido estava na história já nas primeiras cenas – apesar de lá pelas tantas achar que o ritmo cai e se torna um pouco cansativo. Porém, são as atuações que, ao meu ver, fazem do filme o que é. Os destaques são Sean Penn, DiCaprio, Benicio del Toro e Regina Hall (=DDDD), que estão incríveis... Não vou achar nenhum pouco injusta a enxurrada de prêmios que o longa com certeza vai levar (só o de melhor ator que está reservado para o nosso Waguinho, rs). =)
Eu estava com minhas expectativas muito altas, e talvez isso tenha afetado um pouco a impressão final da obra. Creio que os motivos dessa expectativa sejam minha experiência incrível de leitura do conto, que foi uma montanha-russa de emoções e me deixou preso à história por muitos dias após ter terminado, e a fama do próprio longa. Com toda certeza é um ótimo filme, muito bem produzido, dirigido e atuado, com todas as indicações merecidas, em minha opinião. Acredito que sob uma ótica adaptativa, esta se sai muito bem: consegue capturar o sentido por trás do material (o que muitos que trabalham a obra do autor falham); estende cenas e acontecimentos que complementam de forma fluida o texto original; muda alguns pontos que não me incomodaram, visando a deixar mais visualmente e, talvez, mais emocionalmente palatável ao grande público. Ainda prefiro e fico com o conto, mas repito que esse é um grande filme e merece toda a fama que tem.
Uma das maiores surpresas cinematográficas que tive em 2025, com toda a certeza. O filme conseguiu aproveitar o grande potencial que o livro tem e, na minha opinião, conseguiu até mesmo elevar o material. Há no roteiro algumas mudanças que não me incomodaram nenhum pouco, achei a direção incrível, a trilha sonora marcante e as atuações super competentes. Me peguei chorando no cinema em diversas cenas, coisa não tão comum de acontecer... curti demais!
Não consegui curtir... apesar de bons efeitos e uma competente ambientação, a montagem escorrega muito, há cortes secos que não complementam a história, a direção tropeça, as atuações não convencem e, para finalizar, é desnecessariamente longo, mesmo tendo sido idealizado como minissérie. Como adaptação, não tem a sensação claustrofóbica que o livro possui, nem a profundidade que as personagens carregam ou o excelente final proposto pelo autor.
Ok, desisti de assistir em ordem. Na verdade, ainda quero ver todas as adaptações e estou lendo o King cronologicamente, então intercalarei as adaptações dos livros que finalizei mais recentemente com as dos que eu já li há um tempo maior.
Christine não foi uma experiência de leitura da qual eu tenha curtido tanto. Além do meu claro desinteresse e ignorância pelo universo automobilístico, também tive certos problemas com a forma que King desenvolveu o Arnie.
O longa, entretanto, tem mais acertos do que erros. Há um tom bizarro interessante, uma ambientação e trilha sonora excelentes, uma direção criativa, e principalmente uma sensação "terror anos 80" que captura muito bem o estilo do autor na época. No entanto, achei que algumas simplificações do roteiro foram mal-ajambradas, como a relação entre o triângulo amoroso, a própria possessão de Arnie/LeBay, as mortes e a investigação, a sequência final e, principalmente, o desenvolvimento das personagens compreendendo o sobrenatural e somando "dois mais dois" para chegarem às suas conclusões. Será que seria só o meu preciosismo de sempre?
Reassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #7 -------------------- "Ah, Baía. It is like a song in my heart. A song with love and beautiful memories. Que saudades que eu tenho."
O segundo filme-pacote da Disney falha ao tentar seguir o mesmo padrão do anterior. Enquanto Saludos Amigos, apesar de episódico, mantinha uma uniformidade e linha narrativa sólidas que prendiam o espectador, The Three Caballeros se perde e não une muito bem suas partes, resultando em uma obra fraca, sem ritmo e que não funciona.
A primeira história é bacana, no entanto soa mal colocada. Se a ideia desse longa, impregnado pela política da boa vizinhança, era estreitar os laços com a américa-latina ao focar na Argentina, Brasil e México, o que faz aqui um pinguim do polo sul? Seguimos para uma competente segunda parte, a qual se passa nos pampas argentinos e nos apresenta um burrinho alado simpático.
Então, iniciamos a terceira parte no Brasil, e é aqui que o filme decola e se torna o que é. Há animações lindas da Bahia e diálogos interessantes com Zé Carioca que perpetuam o que escrevi sobre o longa anterior: qualquer fã de animação ou da Disney se animaria ao ver seu país representado ali. Contudo, é quando se mistura o live-action que essa história se enfraquece. Ao compararmos com Saludos Amigos, essas pessoas reais soam falsas, mais estereotipadas e deixam muito a desejar. Segue a isso uma quarta parte com introdução do terceiro membro dos "cavalheiros" e mudança de cenário para o México. Para mim, aqui a obra se perde completamente, com cenas cansativas, números musicais os quais não agradam e um ritmo totalmente perdido.
Apesar de ser o segundo filme-pacote, The Three Caballeros é o primeiro que evidencia o problema em se juntar curtas que não funcionam muito bem como um todo. Mesmo que com algumas animações bonitas e músicas interessantes, acredito que se fosse feito hoje em dia, muito dificilmente a Bahia seria representada daquela forma, mesmo retratando aquela época, e isso fala bastante sobre a produção e seu contexto histórico. Para além disso e ao olharmos também o filme como um todo, percebemos ainda mais a dificuldade enfrentada pelo estúdio na época, sua perda de qualidade e seus erros latino-americanos.
Enemies to lovers / um carro passando e molhando a protagonista / romance professor-aluno / um amigo gay sarcástico e ácido / um homem aparentemente cafajeste, mas na verdade com um bom coração / ele não se dá bem com o pai / os dois fazendo ciúmes dançando com outras pessoas e se encarando / concordam em apenas se divertir sem se envolver emocionalmente / uma festa à fantasia em que somente ela foi fantasiada / ele protegendo ela de um babaca no bar / câncer e morte no final / ela faz a viagem que eles planejaram sozinhos... esqueci algum clichê?
Um belo prato cheio para mim! Curto muito o assunto e os temas, então mesmo tendo adivinhado os plot twists e mesmo algumas questões técnicas sendo falhas, sinto que valeu super à pena! Com certeza bebeu muito da fonte de Dark, uma das minhas séries favoritas... Árvores genealógicas, viagem no tempo, paradoxo de Bootstrap... <3
Reassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #6 -------------------- "Here's an unusual expedition: artists, musicians and writers setting out for a trip through Latin America to find new personalities, music and dances for their cartoon films. So, adios, Hollywood, and saludos, amigos."
Carregado de estereótipos culturais com fins políticos estadunidenses, Saludos Amigos é o primeiro dos seis filmes-pacotes da Disney. Produzidos na época da Segunda Guerra, alguns apenas visam ao baixo orçamento enquanto outros, como esse, tem como pano de fundo a política da boa-vizinhança.
Assim, o contexto desse longa tem tudo para fazer dele um desastre, especialmente para o espectador latino-americano. Temos uma mistura de animação e live-action, documentário e ficção, imagens reais e caricaturas. Porém, por mais que eu reconheça seus defeitos, suas intenções escusas e seus problemas étnicos, não consigo desgostar totalmente dessa produção.
É claro que nem todo brasileiro curte samba e bebe cachaça; é claro que nem todo carioca é o malandro retratado pelo papagaio; é claro que o Brasil não é apenas Rio de Janeiro na época do carnaval; e imagino que semelhantes constatações possam ser afirmadas por argentinos, chilenos e peruanos, os outros povos retratados aqui. No entanto, Aquarela do Brasil não é somente o ápice desse filme, na minha opinião, como também uma homenagem linda, uma animação arrebatadora, um espetáculo visual para quem gosta do gênero, com a música e os traços coadunando em uma maravilha à la Fantasia de 1940. Confesso que a sequência, com Ary Barroso ao fundo, dificilmente não me emociona. Ouvir Zé Carioca falando português com Donald e ver cenas do Rio de antigamente são deleites à parte.
Os outros curtas – Donald no Lago Titicaca, o avião Pedro nos Andes e Goofy nos Pampas argentinos – também devem incorporar outras inconsistências culturais. Tudo isso é mais um exemplo da exploração cultural dos EUA, a qual sempre permeou nossos países. Não, o Brasil não precisa que a Disney nos conte nossas histórias; nós não precisamos nos regozijar em ter a atenção de um estúdio estrangeiro sobre nós – o complexo de vira-lata existe e devemos sim espantá-lo.
Portanto, como fã de animação e desse estúdio estadunidense, não posso fingir que ouvir Ary Barroso enaltecendo nosso país em uma sequência linda com a presença de Donald Duck não seja empolgante. As demais partes são também no mínimo interessantes, as imagens reais permeiam animações competentes, as quais seguram o espectador e prendem do início ao fim. O primeiro – e talvez melhor – filme-pacote é um longa para ser estudado nas aulas de história; é uma cápsula de um tempo não tão distante; é uma sequência que impressiona os amantes de animação e de história; é, por fim e juntando todas as suas características, uma obra importante e bem realizada que hoje deve ser apreciada sem medo, mas de forma consciente.
Eu não costumo curtir filmes de comédia, muito menos as ditas "besteirol", porém me surpreendi bastante com essa! Achei algumas passagens bem engraçadas e, apesar do longa carregar alguns estereótipos e machismos, o final reverte a mensagem e compensa.
Apesar dos efeitos práticos continuarem ótimos, The Dream Master ecoa como um retrocesso para a franquia. Começamos com o que parece ser uma continuação bacana com os sobreviventes do filme anterior, mas eles logo são descartados e substituídos por um novo grupo de adolescentes, os quais, honestamente, são os piores da série até agora.
O longa segue com um roteiro capenga e um desenvolvimento plano, com matança atrás de matança sem a mínima preocupação com as consequências ou com um alicerce que una a história como um todo. As inverossimilhanças e contradições do universo dessa vez gritam mais forte, com Krueger ressuscitando em uma sequência bizarra que parece zombar do espectador. As perguntas são muitas, no entanto a principal que fica para mim é: qual a real conexão dos pesadelos com o nosso mundo? Antes, a personagem morria da forma que era assassinada no sonho, com o sangue, os cortes e as bizarrices presentes; porém, neste filme algumas parecem morrer de "causas naturais" ou ao menos sem a presença de uma gota de sangue, enquanto outras sofrem tais efeitos. Outro exemplo seria a própria ressuscitação de Freddy. O cachorro de Kincaid, em sonho e no local em que o vilão está enterrado, abre um portal para o inferno que acaba o trazendo de volta à vida, entretanto para isso ocorrer não deveria haver alguma intervenção da cova de Krueger na vida real? E não vou nem entrar na questão da transferência de poderes e na aquisição pela protagonista das características unidimensionais de seus amigos falecidos, que não surte efeito nem é devidamente explicado.
Para além de cenas péssimas do ponto de vista narrativo, de personagens chatas e de um roteiro incoerente, há uma sensação global de desrespeito, ao meu ver. Veja bem, eu não tenho ligação nostálgica com essas produções, então a falta do estabelecimento de regras e causas-consequências dos pesadelos, dos poderes e motivações de Freddy, que aqui atinge um patamar absurdo, prejudica a minha suspensão da descrença. Para mim, A Nightmare on Elm Street começa a sofrer justamente no mesmo momento em que padeceu Friday the 13th, quando o vilão abraça uma forma invencível e imortal o qual, para fazer se sustentar, precisa de invencionices e inverossimilhanças que prejudicam toda a proposta.
Percy Jackson e os Olimpianos (2ª Temporada)
3.5 27 Assista AgoraCostumo conseguir vestir minha capa infanto-juvenil e curtir uma história que não seja "adulta", sou fã de animações, vejo qualidades nessas obras e não acredito que elas possam se valer de simplicidades ou subestimar o espectador, o que infelizmente acontece aqui... Não gostei muito da primeira temporada dessa série e avancei penosamente; talvez pelas escolhas da direção, talvez pelas atuações, ou talvez simplesmente por não me interessar mais tanto pelas histórias do Rick Riordan. Não sei... só sei que não consegui mais avançar na segunda temporada após alguns episódios, e não quero assistir nada por obrigação. Percy Jackson, principalmente o primeiro livro, foi importante para o eu-criança, mas paro por aqui. Melhor deixar algumas memórias intactas.
Harry Potter e a Câmara Secreta
4.1 1,3K Assista AgoraApresentei a versão estendida para a minha sobrinha, senti pontadas de orgulho toda vez que ela percebia, sozinha, as cenas novas... aiai <3
Drácula de Bram Stoker
4.0 1,4K Assista AgoraOntem finalizei o romance Drácula, de Bram Stoker, e estava louco para assistir a esse filme, um dos mais comentados quando se trata desse famoso vampiro. Há diversos parâmetros para avaliarmos se uma obra é ou não uma boa adaptação de algum material de base, e um dos mais bem aceitos é se as mensagens principais foram alocadas de forma satisfatória. Qual a minha surpresa quando vi que o cerne, o tema e a alma do longa não existiam no livro – o romance entre o conde e a personagem de Winona Ryder.
No texto de 1897, temos Drácula, mesmo em sua versão rejuvenescida, como um monstro horrendo e diabólico, com sede de sangue e implacável em sua busca – não há bons sentimentos, não há beleza, não há uma dama do passado, não há reencarnação, não há nada que nos informe que ele possa ter boas intenções. A mudança do vampiro não como espécie monstruosa, mas como indivíduo, com um passado e pensamentos próprios, viria apenas na metade do século XX, e essa onda claramente influenciou e mesclou o filme do Coppola.
Nele, apesar de termos as personagens do livro em sua disposição primordial, temos inversões de personalidades e desfechos para se curvarem a um roteiro que pedia um romance entre vampiro e humana – e que inspiraria, anos depois, Stephenie Meyer e seu Crepúsculo. Não há, no texto, as cenas românticas entre Drácula e Mina, não existe essa concepção nem essa motivação para o vampiro – ele está em Londres procurando sangue fresco e puramente representando o estrangeiro, tão temido pelos vitorianos, que quer se passar por londrino. A Mina original é fruto da sua época em seu conservadorismo, porém muito inteligente e ativa na história, e não hesita em empunhar sua arma para Drácula no derradeiro final, em que os 5 homens exterminam o conde. Além dela, Lucy também não possui aquela personalidade extravagante, não brinca com os sentimentos de seus pretendentes, nem se entrega ao conde daquela maneira; dr. Seward não é aquele paspalho; Van Helsing é delicado e excêntrico nas mesmas medidas; e todas as personagens são fortes, juram amizade eterna e sentem carinhos genuínos uns pelos outros.
Enfim, há muita coisa diferente e, apesar de preservar uma ambientação similar, cenas epistolares e construção narrativa semelhantes, se olharmos para a definição de adaptação como a transposição da ideia central de um material, vemos que a produção de Coppola não se sustenta.
Apesar disso, analisando o longa com suas próprias pernas, temos uma boa história de terror – super bem dirigida e bem montada, com uma direção de arte espetacular, figurinos e penteados excelentes, boas atuações e, acima de tudo, algo muito essencial na elaboração do gênero: um estilo próprio que o faz, até hoje, ser um dos filmes mais reconhecidos e aclamados do terror. Se você conseguir mergulhar nessa loucura cinematográfica ignorando as incongruências entre ele e a incrível obra de Bram Stoker, creio que gostará mais do filme do que eu.
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 304 Assista AgoraO filme parece uma recauchutagem dos outros dois? Sim. Ele tem menos inovações e falta a sensação de beleza fotográfica que o segundo conquista magistralmente? Com certeza. O roteiro é fraco, formulesco e na mão de qualquer um que não o James Cameron teria enfraquecido demais o longa? Provavelmente... mas só tenho uma coisa a dizer: que filmaço!
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
2.9 475 Assista AgoraAlém da atuação da Vera Farmiga, não tenho outro ponto positivo para comentar... Não curti a direção, o design de som, a montagem, os sustos e, principalmente, o roteiro cansativo, repetitivo e super sem graça...
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
4.2 1,6K Assista AgoraPrimeiro filme de HP assistido com a minha sobrinha, que está vendo aos poucos e já está totalmente imersa nesse mundo. Foi a primeira vez dela assistindo ao terceiro e ela amou! Fizemos uma "sessão cinema" com colchão no chão, doces e muita pipoca. Especial demais <3
Jovem Sheldon (7ª Temporada)
4.3 67 Assista AgoraApesar de totalmente coerente com o cânone desse universo, o final é bem amargo, no melhor dos sentidos. Isso porque vemos apenas o começo da desestruturação dessa família no pós-morte do George. Sabemos que a partir dali não vai ser nada fácil, com Mary se tornando mais fanática, Connie mais frágil, Missy mais rebelde, Georgie assumindo as responsabilidades de chefe da família e Sheldon mais isolado. É o marco final não só da série, mas também de uma parte da vida de todos ali. Chorei bastante, como sabia que aconteceria, e percebi que vou sentir bastante falta dessas personagens. Série leve, cativante, bem escrita e especial demais <3
Jovem Sheldon (6ª Temporada)
4.1 31 Assista AgoraAs últimas duas foram as melhores temporadas da série! Não acho Sheldon tão irritante quanto aparentemente a maioria dos expectadores, mas não dá para negar que todas as tramas paralelas dos últimos dois anos foram incrivelmente bem construídas, prenderam a atenção e ofuscaram o protagonista. Curto quando uma série reinventa suas narrativas e muda sua dinâmica, o que a 5ª e a 6ª fizeram muito bem! A próxima é a última, menor e provavelmente com um acontecimento que todos nós sabíamos que chegaria. =(
Queer Eye: Mais Que um Makeover (9ª Temporada)
4.2 14Essa temporada tinha tudo para ser melhor, depois de algumas bem medianas. A chegada do Jeremiah foi muito acertada, ele trouxe uma pessoalidade para o programa que, na minha opinião, Bobby nunca tinha conseguido e que os outros quatro já faziam. Apesar disso, talvez a nona temporada tenha os piores participantes, com exceção de 2 (?). Enfim, fica claro o desgaste da série e fico feliz que a próxima seja a última.
And Just Like That... (3ª Temporada)
3.1 32 Assista AgoraHmm, não sei se tenho muito o que comentar. Acredito que a primeira temporada tenha sido a melhor para mim, explorando o luto da Carrie e o depois do "felizes para sempre". Achei muito corajoso colocar a protagonista como recém-viúva, mas a volta do Aiden, que poderia ter sido tão melhor, foi extremamente mal aproveitada. Dos enredos paralelos, Charlotte continua fenomenal e é a personagem que segue mais coerente, com um desenvolvimento claro e arcos que compensam o expectador. As "novas amigas" passaram três temporadas perdidas, sem rumo, sem uma história clara, sem se integrar completamente, sem carisma... Além disso, a representatividade soou artificial, forçada e, associando isso às coadjuvantes fracas, temos a pior fatia do bolo. Enfim, uma série bem irregular e com muitos altos e baixos.
American Horror Story: Roanoke (6ª Temporada)
3.8 722 Assista AgoraAssisti em 2016 no lançamento e fiz um comentário aqui na época, em que enalteço bastante a temporada. Desde então ela sempre esteve no meu top 3 de American Horror Story, atrás de Murder House e Asylum, a minha favorita. Sempre pensei que esse ranking poderia mudar se eu reassistisse a série, porque considerava muito do meu aproveitamento o incrível marketing que essa temporada teve.
Lembro muito bem de acompanhar cada trailer e notícia da série desde 2011, aguardando o nome oficial da temporada, o elenco, o tema, etc. Com Roanoke, não tínhamos NADA, a divulgação era em torno do mistério, os teasers eram inespecíficos, o nome era literalmente "?" até o famigerado dia do lançamento, em que sentei para assistir ao primeiro episódio sem saber o que esperar.
Essa sensação de inovação, mistério e surpresa se manteve quando a série, em sua metade, muda totalmente o ritmo, o foco e se torna um reality show dos horrores... fenomenal...
Sendo assim, sempre pensei que talvez o contexto do lançamento importasse nesse resultado final. E, por mais que realmente tenha sido uma das melhores experiências de AHS na época, após a revisita a temporada se mantém minha terceira favorita pelo ineditismo, criatividade, atuação e, mais que tudo talvez, a metalinguagem. Já disse em diversos outros comentários que eu sou totalmente parcial quando um filme usa esse artifício de forma criativa, e aqui isso é feito magistralmente. Confesso que o roteiro da segunda parte poderia ser lapidado um pouco, mas não consigo fechar os olhos para as qualidades desse que foi, na minha opinião, o último grande momento de American Horror Story.
Premonição 6: Laços de Sangue
3.3 735 Assista AgoraMinha introdução no gênero terror foi com os filmes que meu irmão mais velho alugava na locadora e que eu, inegavelmente muito novo e bastante curioso, assistia com ele. Premonição 3 foi um desses, e por isso tenho um certo carinho com esses longas (e um episódio traumático no Hopi Hari aos oito anos).
O sexto filme finalmente inovou no roteiro e fiquei bastante surpreso quando a premonição terminou e cortamos para uma personagem diferente sonhando. Além disso, consegue amarrar a franquia toda e contribui com um lore muito bem desenhado (um feito um tanto raro nessas sagas cinematográficas de terror). Os pontos negativos são as atuações sofríveis, as inverossimilhanças gigantes do roteiro, o CGI bem artificial... No geral, uma entrada otimista para essa franquia!
Glee (1ª Temporada)
4.1 795 Assista Agora1ª temporada reassistida pela terceira vez e, depois de 15 anos, fica cada vez mais claro que a série está envelhecendo como vinho. A escrita é afiadíssima, um anti-High-School-Musical despretensioso que tem como maior acerto rir de si mesmo e de suas personagens com muito mais defeitos que qualidades, rs.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 665 Assista AgoraApesar de filmes de ação, perseguição, espionagem, etc., não serem muito a minha praia, é inegável a imensa qualidade disso aqui. O filme é brilhantemente dirigido e roteirizado, me surpreendi positivamente com o quão envolvido estava na história já nas primeiras cenas – apesar de lá pelas tantas achar que o ritmo cai e se torna um pouco cansativo. Porém, são as atuações que, ao meu ver, fazem do filme o que é. Os destaques são Sean Penn, DiCaprio, Benicio del Toro e Regina Hall (=DDDD), que estão incríveis... Não vou achar nenhum pouco injusta a enxurrada de prêmios que o longa com certeza vai levar (só o de melhor ator que está reservado para o nosso Waguinho, rs). =)
Um Sonho de Liberdade
4.6 2,4K Assista AgoraEu estava com minhas expectativas muito altas, e talvez isso tenha afetado um pouco a impressão final da obra. Creio que os motivos dessa expectativa sejam minha experiência incrível de leitura do conto, que foi uma montanha-russa de emoções e me deixou preso à história por muitos dias após ter terminado, e a fama do próprio longa. Com toda certeza é um ótimo filme, muito bem produzido, dirigido e atuado, com todas as indicações merecidas, em minha opinião. Acredito que sob uma ótica adaptativa, esta se sai muito bem: consegue capturar o sentido por trás do material (o que muitos que trabalham a obra do autor falham); estende cenas e acontecimentos que complementam de forma fluida o texto original; muda alguns pontos que não me incomodaram, visando a deixar mais visualmente e, talvez, mais emocionalmente palatável ao grande público. Ainda prefiro e fico com o conto, mas repito que esse é um grande filme e merece toda a fama que tem.
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 352 Assista AgoraUma das maiores surpresas cinematográficas que tive em 2025, com toda a certeza. O filme conseguiu aproveitar o grande potencial que o livro tem e, na minha opinião, conseguiu até mesmo elevar o material. Há no roteiro algumas mudanças que não me incomodaram nenhum pouco, achei a direção incrível, a trilha sonora marcante e as atuações super competentes. Me peguei chorando no cinema em diversas cenas, coisa não tão comum de acontecer... curti demais!
Os Vampiros de Salem
3.3 94Não consegui curtir... apesar de bons efeitos e uma competente ambientação, a montagem escorrega muito, há cortes secos que não complementam a história, a direção tropeça, as atuações não convencem e, para finalizar, é desnecessariamente longo, mesmo tendo sido idealizado como minissérie. Como adaptação, não tem a sensação claustrofóbica que o livro possui, nem a profundidade que as personagens carregam ou o excelente final proposto pelo autor.
Christine, O Carro Assassino
3.3 705 Assista AgoraOk, desisti de assistir em ordem. Na verdade, ainda quero ver todas as adaptações e estou lendo o King cronologicamente, então intercalarei as adaptações dos livros que finalizei mais recentemente com as dos que eu já li há um tempo maior.
Christine não foi uma experiência de leitura da qual eu tenha curtido tanto. Além do meu claro desinteresse e ignorância pelo universo automobilístico, também tive certos problemas com a forma que King desenvolveu o Arnie.
O longa, entretanto, tem mais acertos do que erros. Há um tom bizarro interessante, uma ambientação e trilha sonora excelentes, uma direção criativa, e principalmente uma sensação "terror anos 80" que captura muito bem o estilo do autor na época. No entanto, achei que algumas simplificações do roteiro foram mal-ajambradas, como a relação entre o triângulo amoroso, a própria possessão de Arnie/LeBay, as mortes e a investigação, a sequência final e, principalmente, o desenvolvimento das personagens compreendendo o sobrenatural e somando "dois mais dois" para chegarem às suas conclusões. Será que seria só o meu preciosismo de sempre?
Você Já Foi à Bahia?
3.4 178 Assista AgoraReassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #7
--------------------
"Ah, Baía. It is like a song in my heart. A song with love and beautiful memories. Que saudades que eu tenho."
O segundo filme-pacote da Disney falha ao tentar seguir o mesmo padrão do anterior. Enquanto Saludos Amigos, apesar de episódico, mantinha uma uniformidade e linha narrativa sólidas que prendiam o espectador, The Three Caballeros se perde e não une muito bem suas partes, resultando em uma obra fraca, sem ritmo e que não funciona.
A primeira história é bacana, no entanto soa mal colocada. Se a ideia desse longa, impregnado pela política da boa vizinhança, era estreitar os laços com a américa-latina ao focar na Argentina, Brasil e México, o que faz aqui um pinguim do polo sul? Seguimos para uma competente segunda parte, a qual se passa nos pampas argentinos e nos apresenta um burrinho alado simpático.
Então, iniciamos a terceira parte no Brasil, e é aqui que o filme decola e se torna o que é. Há animações lindas da Bahia e diálogos interessantes com Zé Carioca que perpetuam o que escrevi sobre o longa anterior: qualquer fã de animação ou da Disney se animaria ao ver seu país representado ali. Contudo, é quando se mistura o live-action que essa história se enfraquece. Ao compararmos com Saludos Amigos, essas pessoas reais soam falsas, mais estereotipadas e deixam muito a desejar. Segue a isso uma quarta parte com introdução do terceiro membro dos "cavalheiros" e mudança de cenário para o México. Para mim, aqui a obra se perde completamente, com cenas cansativas, números musicais os quais não agradam e um ritmo totalmente perdido.
Apesar de ser o segundo filme-pacote, The Three Caballeros é o primeiro que evidencia o problema em se juntar curtas que não funcionam muito bem como um todo. Mesmo que com algumas animações bonitas e músicas interessantes, acredito que se fosse feito hoje em dia, muito dificilmente a Bahia seria representada daquela forma, mesmo retratando aquela época, e isso fala bastante sobre a produção e seu contexto histórico. Para além disso e ao olharmos também o filme como um todo, percebemos ainda mais a dificuldade enfrentada pelo estúdio na época, sua perda de qualidade e seus erros latino-americanos.
Meu Ano em Oxford
2.9 103 Assista AgoraEnemies to lovers / um carro passando e molhando a protagonista / romance professor-aluno / um amigo gay sarcástico e ácido / um homem aparentemente cafajeste, mas na verdade com um bom coração / ele não se dá bem com o pai / os dois fazendo ciúmes dançando com outras pessoas e se encarando / concordam em apenas se divertir sem se envolver emocionalmente / uma festa à fantasia em que somente ela foi fantasiada / ele protegendo ela de um babaca no bar / câncer e morte no final / ela faz a viagem que eles planejaram sozinhos... esqueci algum clichê?
Os Horrores do Caddo Lake
3.5 327Um belo prato cheio para mim! Curto muito o assunto e os temas, então mesmo tendo adivinhado os plot twists e mesmo algumas questões técnicas sendo falhas, sinto que valeu super à pena! Com certeza bebeu muito da fonte de Dark, uma das minhas séries favoritas... Árvores genealógicas, viagem no tempo, paradoxo de Bootstrap... <3
Alô Amigos
3.5 85 Assista AgoraReassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #6
--------------------
"Here's an unusual expedition: artists, musicians and writers setting out for a trip through Latin America to find new personalities, music and dances for their cartoon films. So, adios, Hollywood, and saludos, amigos."
Carregado de estereótipos culturais com fins políticos estadunidenses, Saludos Amigos é o primeiro dos seis filmes-pacotes da Disney. Produzidos na época da Segunda Guerra, alguns apenas visam ao baixo orçamento enquanto outros, como esse, tem como pano de fundo a política da boa-vizinhança.
Assim, o contexto desse longa tem tudo para fazer dele um desastre, especialmente para o espectador latino-americano. Temos uma mistura de animação e live-action, documentário e ficção, imagens reais e caricaturas. Porém, por mais que eu reconheça seus defeitos, suas intenções escusas e seus problemas étnicos, não consigo desgostar totalmente dessa produção.
É claro que nem todo brasileiro curte samba e bebe cachaça; é claro que nem todo carioca é o malandro retratado pelo papagaio; é claro que o Brasil não é apenas Rio de Janeiro na época do carnaval; e imagino que semelhantes constatações possam ser afirmadas por argentinos, chilenos e peruanos, os outros povos retratados aqui. No entanto, Aquarela do Brasil não é somente o ápice desse filme, na minha opinião, como também uma homenagem linda, uma animação arrebatadora, um espetáculo visual para quem gosta do gênero, com a música e os traços coadunando em uma maravilha à la Fantasia de 1940. Confesso que a sequência, com Ary Barroso ao fundo, dificilmente não me emociona. Ouvir Zé Carioca falando português com Donald e ver cenas do Rio de antigamente são deleites à parte.
Os outros curtas – Donald no Lago Titicaca, o avião Pedro nos Andes e Goofy nos Pampas argentinos – também devem incorporar outras inconsistências culturais. Tudo isso é mais um exemplo da exploração cultural dos EUA, a qual sempre permeou nossos países. Não, o Brasil não precisa que a Disney nos conte nossas histórias; nós não precisamos nos regozijar em ter a atenção de um estúdio estrangeiro sobre nós – o complexo de vira-lata existe e devemos sim espantá-lo.
Portanto, como fã de animação e desse estúdio estadunidense, não posso fingir que ouvir Ary Barroso enaltecendo nosso país em uma sequência linda com a presença de Donald Duck não seja empolgante. As demais partes são também no mínimo interessantes, as imagens reais permeiam animações competentes, as quais seguram o espectador e prendem do início ao fim. O primeiro – e talvez melhor – filme-pacote é um longa para ser estudado nas aulas de história; é uma cápsula de um tempo não tão distante; é uma sequência que impressiona os amantes de animação e de história; é, por fim e juntando todas as suas características, uma obra importante e bem realizada que hoje deve ser apreciada sem medo, mas de forma consciente.
A Casa das Coelhinhas
2.7 734 Assista AgoraEu não costumo curtir filmes de comédia, muito menos as ditas "besteirol", porém me surpreendi bastante com essa! Achei algumas passagens bem engraçadas e, apesar do longa carregar alguns estereótipos e machismos, o final reverte a mensagem e compensa.
A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos
3.1 354 Assista AgoraApesar dos efeitos práticos continuarem ótimos, The Dream Master ecoa como um retrocesso para a franquia. Começamos com o que parece ser uma continuação bacana com os sobreviventes do filme anterior, mas eles logo são descartados e substituídos por um novo grupo de adolescentes, os quais, honestamente, são os piores da série até agora.
O longa segue com um roteiro capenga e um desenvolvimento plano, com matança atrás de matança sem a mínima preocupação com as consequências ou com um alicerce que una a história como um todo. As inverossimilhanças e contradições do universo dessa vez gritam mais forte, com Krueger ressuscitando em uma sequência bizarra que parece zombar do espectador. As perguntas são muitas, no entanto a principal que fica para mim é: qual a real conexão dos pesadelos com o nosso mundo? Antes, a personagem morria da forma que era assassinada no sonho, com o sangue, os cortes e as bizarrices presentes; porém, neste filme algumas parecem morrer de "causas naturais" ou ao menos sem a presença de uma gota de sangue, enquanto outras sofrem tais efeitos. Outro exemplo seria a própria ressuscitação de Freddy. O cachorro de Kincaid, em sonho e no local em que o vilão está enterrado, abre um portal para o inferno que acaba o trazendo de volta à vida, entretanto para isso ocorrer não deveria haver alguma intervenção da cova de Krueger na vida real? E não vou nem entrar na questão da transferência de poderes e na aquisição pela protagonista das características unidimensionais de seus amigos falecidos, que não surte efeito nem é devidamente explicado.
Para além de cenas péssimas do ponto de vista narrativo, de personagens chatas e de um roteiro incoerente, há uma sensação global de desrespeito, ao meu ver. Veja bem, eu não tenho ligação nostálgica com essas produções, então a falta do estabelecimento de regras e causas-consequências dos pesadelos, dos poderes e motivações de Freddy, que aqui atinge um patamar absurdo, prejudica a minha suspensão da descrença. Para mim, A Nightmare on Elm Street começa a sofrer justamente no mesmo momento em que padeceu Friday the 13th, quando o vilão abraça uma forma invencível e imortal o qual, para fazer se sustentar, precisa de invencionices e inverossimilhanças que prejudicam toda a proposta.