Esse filme tem uma das protagonistas mais fascinantes do cinema moderno. Acompanhar o desenvolvimento (e revolução) de Bella Baxter - em seus termos - é uma jornada espetacular. Tudo em torno é igualmente fantástico: as interações, os cenários, o texto, o figurino, a trilha. Não existe nada que não complemente positivamente a experiência desse filme. Ele é uma orquestra cheia de nuances e perfeitamente executada. Ao meu ver a obra prima de Yorgos (que cada vez mais alimenta sua filmografia com experiências dignas de nota). A existência de Poor Things, por si só, é uma afirmação do porquê eu amo cinema.
Eu amo essa franquia, boa parte pela memória afetiva e boa parte porque eu genuinamente considero Saw uma das premissas mais mirabolantes, interessantes e originais da história do cinema de horror. Existem muitos elementos ao longo dos filmes que são dignos de elogios, há personagens memoráveis, armadilhas e jogos muito criativos, boas reviravoltas e bons elementos técnicos, incluindo a inigualável trilha sonora. Mas, esses pontos não foram suficientes para sustentar o enredo de 9 filmes, alguns deles - principalmente os 2 últimos - realmente intragáveis.
Mas, é com um sopro de esperança que Saw X surge mostrando que, embora longe se ser perfeita, a franquia pode conseguir se reestabelecer, corrigir alguns erros do passado e entregar um enredo coerente, amarrado, com um bom desenvolvimento do protagonista e refinar alguns aspectos de direção. É um filme excelente? Não. É, ao menos, o melhor filme da franquia? Também não. Mas pensando em ritmo ele consegue se estabelecer junto aos 2 (talvez até 3) primeiros, entregando uma história envolvente e progressivamente interessante. A edição - antes extremamente frenética - mantém o elemento caótico mas de forma mais estilosa. É um filme, no geral, bem dirigido.
Com relação ao roteiro: O primeiro ato focando em John Krammer é ótimo, dramático e que estabelece um tom que não há em nenhum outro filme da franquia: ameno e focado no emocional, o que potencializa a nossa relação com o protagonista. O segundo ato é bom, focando no início do jogo principal, que tem uma motivação plausível e nos rende bons momentos, principalmente para aqueles que estavam aguardando a brutalidade característica das armadilhas. Já o terceiro ato é bem inferior aos demais. Tenta-se estabelecer um ponto de virada e a partir dele o roteiro descarrilha grandemente, rendendo momentos desinteressantes e pouco convincentes. Aquele momento épico em que o tema do filme toca e somos bombardeados de revelações ocorre aqui, como nos demais, mas é na falta de termo melhor: sem graça.
Falando especificamente sobre as armadilhas: não são boas, infelizmente. Não há nenhuma que chegue perto dos primeiros filmes. São brutais, explícitas e agonizantes, mas não equivalem as memoráveis traps de Jigsaw, que evidenciam o quão engenhoso, e ate mesmo criativo, ele consegue ser. É uma pena. As armadilhas são os elementos mais interessantes dos filmes e nesse sentido até o terrível Spiral conseguiu entregar algo razoável.
Embora com todas essas ressalvas, eu saí do cinema contente. Foi um bom retorno e que dá esperanças que a franquia irá se reerguer. É um filme divertido. E é sempre muito satisfatório ver meus vilões favoritos em ação e reconhecer diversas autorreferências que empolgam o adolescente em mim, adolescente esse que se apaixonou por essa franquia desde que ficou vidrado com a história de 2 homens presos em um banheiro.
Se não fosse controverso, não seria Gaspar Noé. Clímax entrega uma experiência sensorial alucinante, claustrofóbica e incomodativa, ou seja, caraterísticas que estão presentes em toda sua cinematografia. Quem o acompanha sabe o buraco - profundo, diga-se de passagem - que estão se metendo.
O filme tem um êxito absurdo em explorar sua atmosfera usando planos sequência brilhantemente orquestrados e uma disponibilização de iluminação fascinante. É como se as luzes fossem palco para o delírio trágico. É uma viagem atroz ao inesperado.
O título é eficiente em elaborar sua expectativa. Todos personagens terão seu clímax em algum momento e eu estava instigado a descobrir cada um deles. Até onde iriam? O que mais pode acontecer? Dá pra piorar?
Clímax é extremamente atmosférico. Uma experiência viciosa que me deixou atônito, questionando o que aconteceria a seguir, o que os esperaria no próximo corredor e qual outra insanidade testemunharíamos sob luzes delirantes e música dance. É um filme hipnotizante e que não sairá da minha cabeça tão cedo.
Caso a união de simplicidade e sensibilidade te emocione se prepare para uma das experiências mais comoventes do cinema moderno. Um filme que concentra sua intensidade nos detalhes. Ele se trata da paixão, em como ela marca, nos envolve, nos arrebata, nos apavora e nos engrandece. Se constrói com calma, em passos lentos e quando você menos espera está sendo cúmplice de uma sútil e tocante história que se ergue em olhares, em pele, desejo, arte, medo e... chamas. O roteiro é extremamente envolvente, a fotografia é autêntica e elegante, as atuações formidáveis e embora um filme silencioso a música aqui é utilizada em momentos pontuais e marcantes. A utilização da história de Orfeu e Eurídice é o ponto alto pra mim, eu - apaixonado por essa história - vê-la ser referência em um filme romântico tão lindo entre duas mulheres foi suficiente para enxergá-lo como uma obra prima dessa geração.
Existem dezenas de elementos em ''Us'' que fez esse filme se tornar um dos meus favoritos. A principio: a estética. Que filme lindo! A fotografia, a iluminação, os enquadramentos. Ta aí um filme que pra mim tem uma beleza comparada a ''Hereditário'' e ''A Bruxa'', outras duas obras ótimas, com estéticas singulares e inegavelmente lindos. Ainda nos fatores técnicos, ''Us'' entrega uma trilha sonora muito especial e tem atuações magistrais do elenco feminino.
Esse filme é sombrio e ao mesmo tempo carrega uma beleza imponente. É bem coreografado, as cenas são artisticamente pensadas e é nítida a preocupação do Jordan com os detalhes. Ele é um diretor extremamente promissor e eu ficarei empolgado com absolutamente qualquer coisa em que ele estiver envolvido. Porém, ele não se sai perfeito aqui por um único item: o excesso de alívio cômico. Em algumas vezes ele funciona, você é capaz de esboçar uma risada mesmo estando completamente tenso, mas tem momentos em que revirei os olhos por achar certos diálogos de comicidade inconvenientes com o momento. A invasão à casa é um deles.
De todo modo, ''Us'' consegue fazer o mesmo feito do seu antecessor e igualmente excelente ''Get Out'' e entregar uma história original, insólita, excêntrica e cativante. É diferente de tudo, é único. É a respiração de alívio do renascimento de um gênero que parecia estar fadado a mesmice. É rico em referências e possui sobretudo uma critica bastante relevante sobre opressão sócio-política e classes marginalizadas. É um filme rico e quanto mais eu penso nele mais esplêndido ele se torna.
o filme tem seu mérito. É interessante que dentro do universo de Black Mirror possamos acompanhar uma história interativa. Infelizmente as expectativas não foram alcançadas, o roteiro é mediano e não possui o fator ''mindblowing'' que é de se esperar da série. Além do mais, essa é uma porta de entrada interessante caso a Netflix tenha interesse em investir nessa mecânica. Foi razoavelmente bom dessa vez, mas acredito que eles tenham potencial para criar algo interessante no futuro. Uma série totalmente interativa, quem sabe?
Vejam sem expectativa. Avaliem a originalidade, mas não espere algo no mesmo nível dos grandes episódios de Black Mirror. Vale a experiência.
''Então queima, queima-te quando tu te afundas na minha cama de gelo. A minha cama é como um bloco de gelo que derrete quando me abraças. Nada mais é triste, nada mais é grave... se eu tenho o teu corpo como uma torrente de lágrimas.''
Estou profundamente sensibilizado com essa história que muito provavelmente não sairá da minha cabeça por um longo tempo. Moonlight é um filme comovente com nuances constantes de apreensão, uma beleza poética imersa em um cenário de insegurança. Torcemos para uma criança se entender, para um adolescente encontrar calma e para um adulto enfrentar os fantasmas de seu passado. Todos fatores técnicos dispensam qualquer comentário, é esteticamente uma das coisas mais lindas que já assisti. Os silêncios, os olhares, as hesitações, é tudo meticulosamente criado para vermos vulnerabilidade, desejo e anseios. Um filme absurdamente lindo, terno e poderoso. Definitivamente, um dos melhores que já assisti.
Durante o filme existiram vários motivos para eu me sentisse envolvido com a história e amado tanto o roteiro quanto seus fatores técnicos. Jake é definitivamente meu ator favorito e ainda me incomoda muito o não reconhecimento dele em grandes premiações. O restante o elenco é ótimo. A fotografia, principalmente em tomadas externas é simplesmente fantástica. E o final não poderia ser melhor. Caso você tenha tido uma boa experiência de imersão com a história provavelmente se sentiu da mesma forma que Susan. Vou explicar o porquê.
Basicamente, as três linhas de tempo funcionam como métodos de entender a razão pela qual a história do livro está ocorrendo, de modo que, o roteiro escrito por Edward se torna uma metáfora do relacionamento que é abordado em forma de flashback. Tony (ou Edward) não desiste em momento nenhum de sua esposa e filha tanto na procura quanto na busca de justiça. Já Susan desistiu dele. Tony descobre então a morte de ambas e posteriormente fica explicito que o falecimento de Susan é figurativo no sentido de ter perdido a quem amava e que sua filha na verdade teve a morte ocasionada por um aborto que ate então era pra ser um segredo. O xerife pode ser interpretado como o consciente de Edward, a força e apoio (talvez psicológico) que ele precisava para seguir em frente e superar a falta de crença que sua ex mulher teve nele e sobretudo o impacto da chance interrompida de ser pai. Susan, por sua vez, lê o manuscrito acompanhado de inúmeros intervalos por lembranças do passado. A atuação da Amy Adams é fantástica enquanto tenta passar uma mulher que está entendendo as referências do livro e se sentindo culpada página por página das escolhas que tomou. No presente, ela tem o que almejou, uma carreira que lhe dá muito dinheiro e um marido promissor. Porém, uma carreira que não lhe traz satisfação e um marido infiel. Ler Animais Noturnos foi uma experiência que trouxe empatia por como o seu ex marido deve ter se sentindo quando o amor dele não foi o bastante. Ela era o animal noturno. Susan que a matou dentro dele, que foi responsável pela morte da filha, que fez com que ele se sentisse fraco (do mesmo modo que ele se sentiu quando não pode salvá-las na abordagem dos veículos durante a noite), foi ela também que o deixou no escuro, sozinho e em busca de respostas. E quando o final chega, o quadro de vingança que chamou sua atenção faz sentido. E é impossível não sentir a tensão daquele possível encontro no restaurante, com esperanças de saber o que Edward finalmente tem a dizer. Mas seu silêncio diz tudo. O livro o tornará famoso, bem sucedido e simboliza a superação da dor que lhe acometeu por anos e talvez Susan esteja condenada a uma vida de frustrações e arrependimentos. A vingança dele talvez tenha sido doce, mas pra ela teve gosto de Whisky e fraqueza.
E após essa fantástica conclusão temos a melhor temporada de Game of Thrones, desde o começo toda expectativa sob a situação de Jon Snow já despertou emoções que só essa série consegue me proporcionar em toda sua intensidade. Os Starks foram a melhor surpresa. Arya pra mim após a segunda temporada vivia em um núcleo mediano, andando de lá pra cá, nessa temporada ela foi uma das razões da minha falta de fôlego durante seus desfechos de episódio. A ausência de Bran ano passado não havia me feito falta, já nessa cada segundo dele em tela, principalmente enquanto tinha visões, foram espetaculares e me fizeram perceber a sua importância. Sansa finalmente é peça importante no jogo dos tronos e nos rendeu talvez o momento de melhor trunfo em guerra pós Tywin durante a Batalha da Água Negra. Ramsay foi sádico em um nível que dava prazer em odiá-lo, astuto e covarde no mesmo nível, extremamente cruel, irônico e se caracterizou como o melhor vilão de Westeros, fazendo Joffrey parecer a pessoa mais dócil a sentar no Trono de Ferro. Cersei em Porto Real foi outro deleite, principalmente no fim da temporada, quando todos acreditávamos que ela já tinha escolhido violência ela nos dá um banho de sangue verde e reproduz a palavra ''shame'' pra o que talvez tenha sido uma das coisas mais cruéis que alguém já fez à uma mulher durante toda série. Indo para Essos, Dany teve um começo mediano, não me deixou tão empolgado, mas o nono e décimo episódio ela se mostrou digna de se tornar a segunda conquistadora de Westeros, certamente seu arco será o mais interessante das próximas temporadas e quem conhece a história de origem do início da Dinastia Targaryen reconhece sua potencial importância nos acontecimentos que estão por vir. Tyrion, por sua vez, é o personagem que mais gosto de escutar falar, suas opiniões sempre fundamentadas e que nos faz dizer ''sim, ele tem razão'', a reação dele em uma de suas últimas cenas com Dany me deixou feliz e me fez criar ainda mais empatia pela relação dos dois. E por fim, Jon Snow. É possível dizer que ele foi o protagonista dessa temporada, foi responsável por grandes eventos e momentos que era impossível não se doar em emoções, a atuação de Kit, que antes era bem criticada, foi fenomenal e digna de disputa ao Emmy. A relação de Jon com Tormund e Davos (meu personagem favorito) é brilhante e a interação de todos na Batalha dos Bastardos foi enternecedora - desesperadora, sufocante, desesperançosa e por aí vai - sobretudo, diante de tantos problemas, a Torre da Alegria confirma o que todos nós esperávamos e nos rende uma cena primorosa e digna de toda bravura que esse personagem encarna.
Triste saber que nos resta outro ano, mas, inerte em satisfação por essa temporada. E como digo, é uma série que se você se sentir imergido vai ter reações verdadeiras e intensas, mesmo que estejamos falando de uma série. Mas é chorar em reencontros, lamentar e comemorar por mortes, estar em meio ao campo de batalha, se sentir sufocado e temer o desfecho dos personagens queridos. É celebrar o feitiço que deu certo, acompanhar Bran em suas visões, pedir pra que Hodor continue segurando a porta, escolher a violência, pronunciar Dracarys, sorrir de satisfação junto a Sansa e finalmente levantar suas espadas outra vez e gritar The King in The North!
Gostei muito do episódio assim como tenho gostado de todos dessa temporada, mesmo os com ritmos mais amenos. Os núcleos caminham pra um nono e décimo episódios promissores e só pelo preview do próximo podemos esperar uma sufocante, desesperadora e maravilhosa sequencia de batalha, que além de tudo, é simbólica demais pra quem ama o universo criado pelo George.
Primeiro de tudo, Arya Stark (junto ao Bran) se tornando as melhores surpresas dessa temporada, enquanto a internet se obrigava a acreditar em teorias improváveis para acreditar que ela sobreviveria, foram os próprios conhecimentos adquiridos na casa do preto e do branco que salvaram Arya, o que pra mim foi melhor que qualquer outra coisa imaginada. O núcleo de Porto Real com a fé militante está crítico e muito, MUITO surpreendente desde Montanha agindo em prol da Cersei até Tommen anulando o julgamento por combate, sendo esse pra mim um dos momentos de maior surpresa dessa temporada, foi o mesmo que condenar a própria mãe a morte. Dialogo entre Tyrion, Missandei e Verme Cinzento foi certamente o que mais ri dentre todas as temporadas e o ataque feito à Meereen também foi muito tenso em ver.
E é isso, agora é me posicionar ao lado de Jon e torcer pra que meus personagens favoritos não morram - e obviamente - vou me frustrar quando a isso.
Até então temos a melhor primeira metade de todas temporadas de Game of Thrones, grandes acontecimentos, nítidos preparativos para reviravoltas e tudo beirando a sensacional expectatividade que essa série impregna nas veias. Se o começo da temporada está me causando essas sensações eu tenho medo das reações para os inigualáveis episódios 8, 9 e 10.
Cara, eu só posso lamentar pelas pessoas que não conseguiram ter a mesma experiência que eu tive com esse filme, não quero julgar, tampouco dizer que me sinto superior por isso, mas ele tem todas as características técnicas pra transportar você pra uma das coisas mais sombrias que alguém já foi capaz de fazer no cinema. A desestrutura emocional dos personagens, a trilha sonora atormentadora, ambientação fria, triste, vulnerável, o enquadramento munido de uma fotografia fantástica. Se a bruxa peca, é em ter só 92 minutos e se ela pode se vangloriar é de ser um dos terrores psicológicos prudentemente mais inovadores que se tem visto. Caralho, e a cena do corvo? Eu me arrepiei agora só por digitar isso! Eu fui com grandes expectativas e elas foram atendidas e infelizmente está gerando certo negativismo porque a divulgação o vendeu como algo que não é todo mundo que se identificará. Mas sério, se você se entregar a esse filme esteja certo que ele não sairá da sua cabeça tão cedo.
Esse documentário é definitivamente uma das obras mais imersivas que já assisti, eu estive ali, eu me senti como se estivesse, me emocionei, me arrepiei com o coro de revolução, me revoltei, torci e pus a mão na consciência em respeito de todos atos de coragem que você presencia nesse documentário, e acredite, não são poucos. É difícil de digerir, mas te envolve, é doloroso pra a caralho mas é real, é um documentário político recente e que representa a luta por liberdade, luta pelo futuro e as respostas à isso são manchas de sangue nas calçadas. Os relatos emocionados são lembranças vívidas, a trilha sonora é um abraço de melancolia e esperança, a forma que a revolução é filmada te põe no cenário de guerra, imponente contra metralhadoras e armas de longo alcance, você se sente vulnerável, se sente desprotegido e por isso eu tive mais medo do que qualquer outro filme de horror que já assisti. Independente do desdobramento da guerra e os movimentos fascistas e extremistas que se apropriaram da revolução (e pode tornar o documentário tendencioso pela ausência dessa informação) a questão é a luta contra ações truculentas que interferiram e ameaçaram a vida de centenas de inocentes. Você descobre aqui que a guerra e o abuso de poder é um medo recorrente, é um temor possível, é algo que eu, você, nossos filhos e netos podem viver. Há um relato de uma médica próximo ao fim que traduz a impotência e a gravidade do que estava acontecendo. Nesse documentário você vê injustiça, vê abuso, vê fúria, ira, ganância, mas sobretudo você vê uma população que morreu pelos seus ideais, que lutaram pelos seus direitos de voz, que se uniram, você vê correntes, laços, crianças, representantes religiosos, sinos tocando, corrente humana, fogos, campo de batalha, fumaça, sangue, agressão física e moral mas sobretudo vê resistência. Jamais assistiria de novo, é uma experiência pra uma vez na vida e é mais do que suficiente levando em consideração todas emoções que ele consegue te despertar, ele machuca mas é uma ferida necessária.
Depoimentos incríveis de pessoas que me encantaram, emponderamento, coragem, militância, representatividade gay, negra e afeminada vindas das vozes de pessoas que já foram silenciadas, coagidas e humilhadas por externar seus desejos, vontades, por ser quem realmente são e que hoje gritam que são bichas com orgulho no sentindo literal e significativo da palavra. Amei cada segundo desse documentário, me identifiquei com várias situações e lembrei do porque eu amo esse movimento.
''Se a gente não mostrar e ficarem pressionando pra gente não ser bicha... eles vencem. E QUERIDA, que vai ganhar é a bicha, certeza!''
A casa humilde, o trabalho de pesca, o sorriso tímido, o ritual de funeral, as pinturas, o som das ondas, a mulher grávida que carrega uma beleza natural, o filho que levará o nome do pai, o almoço a beira-mar, o sexo na praia, a vela acesa, as mãos dadas, o nascimento e a morte, os beijos... o beijo. A simplicidade desse filme encanta, arremata e emociona. É lindo, mas melancólico, é crível e espiritual, é agridoce mas inegavelmente belo, é o que o eterno apaixonado quer, pôr de lado o material e sentir, amar e sofrer por amor, enche o peito, transborda os olhos, aquece o coração e arrepia, entristece, felicita e no final, os créditos sobem, a música começa e em um ritmo particularmente regional a frase ''quero que seja feliz, mesmo que não seja comigo'' ecoa e me faz pensar: ''que filme fascinante''.
Assisti com medo justamente porque as expectativas estavam altas demais, as críticas fantásticas e os comentários públicos em grande maioria positivos. Poderia ser um filme subestimado, mas não é, é tudo que dizem, tudo que dizem e mais. A simplicidade que há em 'Que horas ela volta?' é algo venerável, lindo e arrematador. Existem momentos tão memoráveis e únicos que foram responsáveis pelo nariz vermelho e a cara molhada de lágrimas motivadas pela euforia de Val em momentos de felicidade. Há uma crítica social forte e personagens indiscutivelmente bem construídos, mas o grande trunfo desse filme é a atuação da Regina Casé, Val é simplesmente uma das minhas personagens favoritas do cinema, ela transborda simplicidade, bondade e sobretudo humildade, uma humildade que emociona, que nos faz torcer por ela e que é razão pelas inúmeras vontades que senti de abraçá-la. Certamente entrou para meus favoritos e é um resgate de atenção ao cinema brasileiro que consegue sim produzir filmes tão sensíveis, belos e inspiradores. Me sinto feliz com sua repercussão e torço para que ele continue conquistando espaço e admiradores. Foi um presente deslumbrante entregue por Anna Muylaert, presente quase tão lindo quanto um jogo de café xadrez.
Simples, conciso e genial. É possível, naquele fim, identificar e associar uma representação cotidiana, que é a defesa de valores pessoais quando colocado em comparação a vida de terceiros. Percebo isso em dois casos específicos, o primeiro é quando um dos membros do júri mostra total desinteresse em discutir a respeito do homicídio - ao seu ver, o jovem é culpado e ponto final - o que importa, no fim das contas, é não perder tempo, como se estivesse tratando de um caso banal e que a execução de um jovem é menos importante do que os ingressos que carrega no bolso, esquecendo que estava lidando com uma vida que dependia, sobretudo, de uma parcela de sua decisão. Temos então, no fim, a descoberta de que o membro mais radical e irredutível do júri tinha sua opinião formada por acontecimentos pessoais, mágoas e uma frustração familiar que o impediu evitar de se envolver de uma forma sentimental com o caso, o cegando perante a contestação das provas. Olhando ao nosso redor é possível identificar diversos "líderes" que ignoram a existência e veracidade de problemas sociais como no primeiro caso e outros que usam ideais pessoais ignorando a arbitrariedade cometida com determinados indivíduos, principalmente aqueles que não possuem discernimento de defesa, como no segundo caso. Certamente, o primeiro a contestar sua decisão contrária à maioria se mostra paciente e comprometido em provar - não a inocência do rapaz - e sim, que os outros 11 homens não estavam certos de suas decisões, e por fim, quando os valores se invertem e o senhor irredutível deveria se provar certo de seu veredicto... "not guilty", a dúvida venceu a certeza equivocada e seria formidável ver isso na prática.
Não dá pra esperar pouco quando se trata de Iñárritu e, no fim das contas, toda parte técnica de direção desse filme é deslumbrante, os planos-sequência são espetaculares, a fotografia e enquadramentos também são formidáveis. Mas, pra mim esse foi o principal trunfo de Birdman, é inevitavelmente um filme bom e esteticamente belo, mas ao meu ver, pouco marcante.
É impossível assistir Boyhood sem se identificar com o Mason, impossível não associar a mãe, o pai, os padastros, a irmã, os amigos, a ex namorada, o professor desencorajador ou quem quer que seja em pessoas reais, pessoas de fizeram, fazem ou farão parte de nossas vidas. Ok, isso pode não ser grande coisa, afinal o que há de grandioso em um filme que reflete a realidade? Mas apenas o fato de acompanhar o crescimento e a evolução de Mason (em doze anos de gravação, a propósito, ele cresceu junto à produção) é o bastante pro filme ser arrematador. É até clichê quando se trata desse filme, mas no fim das contas, é a vida. São as conquistas, as frustrações, os problemas, as escolhas, está tudo nele. Ele pode ser simples, pode não ser grandioso ou sem roteiro profundo, mas foi justamente a simplicidade que me encantou em Boyhood.
Filme fantástico com cenas de ação muito bem construídas e coreografias de lutas geniais, direção muito boa e efeitos de slow motion muito bem atribuídas. O suspense é apenas um bônus (como na cena atrás da parede falsa), de ruim, só o nome do filme em português mesmo.
O título desse filme corresponde a maestria dessa história. Me encantei com a direção e com toda técnica utilizada para nos transportar dentro dos acontecimentos narrados. As cenas de violência (aqui utilizadas de forma sensacional, embora brutal) nem se comparam com a sensação de impotência do telespectador ao assistir os acontecimentos que antecedem o estupro, digo isso a partir de um momento específico onde o nome ''irreversível'' escancara seu objetivo, ocorre quando Pierre pede para Alex ficar na festa (logo após uma discussão com o Marcus) e nós - impotentes - pensamos conosco ''não vá, você está em perigo, você será violada'' e por um momento nos damos conta que o que aconteceu é lamentavelmente irreversível. Acredito que a passagem ''O tempo destrói tudo'' é justamente ligado a esse acontecimento, afinal, durante o tempo de descoberta da gravidez até as cenas finais (ou iniciais) Alex passa por uma situação que a destruiu e não há nada que possa ser feito a respeito para reverter isso, é irreversível. Outro momento digno de menção é o diálogo entre Alex, Marcus e Pierre em direção a festa, onde Alex cita que o prazer é justamente saber que o homem está se satisfazendo durante o sexo, uma triste analogia ao que acontecerá com ela dentro de algumas horas (assim como na manhã do mesmo dia, Marcus cita que quer ter relação anal com Alex). Eu só tenho elogios para esse filme, atuações fantásticas, direção primorosa e um dos roteiros mais sensacionais que tive o prazer (e o desconforto) de acompanhar. Há muito a ser dito sobre essa história em específico, ela escancara uma realidade social que muitos se recusam a ver, semelhantes àquela silhueta que ignora o que está sendo feito com Alex no lúgubre túnel vermelho, que no fim das contas, se tornou a realização de um presságio, uma noite triste, sem volta, impotente e irreversível.
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraEsse filme tem uma das protagonistas mais fascinantes do cinema moderno. Acompanhar o desenvolvimento (e revolução) de Bella Baxter - em seus termos - é uma jornada espetacular. Tudo em torno é igualmente fantástico: as interações, os cenários, o texto, o figurino, a trilha. Não existe nada que não complemente positivamente a experiência desse filme. Ele é uma orquestra cheia de nuances e perfeitamente executada. Ao meu ver a obra prima de Yorgos (que cada vez mais alimenta sua filmografia com experiências dignas de nota). A existência de Poor Things, por si só, é uma afirmação do porquê eu amo cinema.
Jogos Mortais X
3.4 529Eu amo essa franquia, boa parte pela memória afetiva e boa parte porque eu genuinamente considero Saw uma das premissas mais mirabolantes, interessantes e originais da história do cinema de horror. Existem muitos elementos ao longo dos filmes que são dignos de elogios, há personagens memoráveis, armadilhas e jogos muito criativos, boas reviravoltas e bons elementos técnicos, incluindo a inigualável trilha sonora. Mas, esses pontos não foram suficientes para sustentar o enredo de 9 filmes, alguns deles - principalmente os 2 últimos - realmente intragáveis.
Mas, é com um sopro de esperança que Saw X surge mostrando que, embora longe se ser perfeita, a franquia pode conseguir se reestabelecer, corrigir alguns erros do passado e entregar um enredo coerente, amarrado, com um bom desenvolvimento do protagonista e refinar alguns aspectos de direção. É um filme excelente? Não. É, ao menos, o melhor filme da franquia? Também não. Mas pensando em ritmo ele consegue se estabelecer junto aos 2 (talvez até 3) primeiros, entregando uma história envolvente e progressivamente interessante. A edição - antes extremamente frenética - mantém o elemento caótico mas de forma mais estilosa. É um filme, no geral, bem dirigido.
Com relação ao roteiro: O primeiro ato focando em John Krammer é ótimo, dramático e que estabelece um tom que não há em nenhum outro filme da franquia: ameno e focado no emocional, o que potencializa a nossa relação com o protagonista. O segundo ato é bom, focando no início do jogo principal, que tem uma motivação plausível e nos rende bons momentos, principalmente para aqueles que estavam aguardando a brutalidade característica das armadilhas. Já o terceiro ato é bem inferior aos demais. Tenta-se estabelecer um ponto de virada e a partir dele o roteiro descarrilha grandemente, rendendo momentos desinteressantes e pouco convincentes. Aquele momento épico em que o tema do filme toca e somos bombardeados de revelações ocorre aqui, como nos demais, mas é na falta de termo melhor: sem graça.
Falando especificamente sobre as armadilhas: não são boas, infelizmente. Não há nenhuma que chegue perto dos primeiros filmes. São brutais, explícitas e agonizantes, mas não equivalem as memoráveis traps de Jigsaw, que evidenciam o quão engenhoso, e ate mesmo criativo, ele consegue ser. É uma pena. As armadilhas são os elementos mais interessantes dos filmes e nesse sentido até o terrível Spiral conseguiu entregar algo razoável.
Embora com todas essas ressalvas, eu saí do cinema contente. Foi um bom retorno e que dá esperanças que a franquia irá se reerguer. É um filme divertido. E é sempre muito satisfatório ver meus vilões favoritos em ação e reconhecer diversas autorreferências que empolgam o adolescente em mim, adolescente esse que se apaixonou por essa franquia desde que ficou vidrado com a história de 2 homens presos em um banheiro.
Clímax
3.6 1,2K Assista AgoraSe não fosse controverso, não seria Gaspar Noé. Clímax entrega uma experiência sensorial alucinante, claustrofóbica e incomodativa, ou seja, caraterísticas que estão presentes em toda sua cinematografia. Quem o acompanha sabe o buraco - profundo, diga-se de passagem - que estão se metendo.
O filme tem um êxito absurdo em explorar sua atmosfera usando planos sequência brilhantemente orquestrados e uma disponibilização de iluminação fascinante. É como se as luzes fossem palco para o delírio trágico. É uma viagem atroz ao inesperado.
O título é eficiente em elaborar sua expectativa. Todos personagens terão seu clímax em algum momento e eu estava instigado a descobrir cada um deles. Até onde iriam? O que mais pode acontecer? Dá pra piorar?
Clímax é extremamente atmosférico. Uma experiência viciosa que me deixou atônito, questionando o que aconteceria a seguir, o que os esperaria no próximo corredor e qual outra insanidade testemunharíamos sob luzes delirantes e música dance. É um filme hipnotizante e que não sairá da minha cabeça tão cedo.
Retrato de uma Jovem em Chamas
4.4 962 Assista AgoraCaso a união de simplicidade e sensibilidade te emocione se prepare para uma das experiências mais comoventes do cinema moderno. Um filme que concentra sua intensidade nos detalhes. Ele se trata da paixão, em como ela marca, nos envolve, nos arrebata, nos apavora e nos engrandece. Se constrói com calma, em passos lentos e quando você menos espera está sendo cúmplice de uma sútil e tocante história que se ergue em olhares, em pele, desejo, arte, medo e... chamas. O roteiro é extremamente envolvente, a fotografia é autêntica e elegante, as atuações formidáveis e embora um filme silencioso a música aqui é utilizada em momentos pontuais e marcantes. A utilização da história de Orfeu e Eurídice é o ponto alto pra mim, eu - apaixonado por essa história - vê-la ser referência em um filme romântico tão lindo entre duas mulheres foi suficiente para enxergá-lo como uma obra prima dessa geração.
''Vire-se''
Nós
3.8 2,4K Assista AgoraExistem dezenas de elementos em ''Us'' que fez esse filme se tornar um dos meus favoritos. A principio: a estética. Que filme lindo! A fotografia, a iluminação, os enquadramentos. Ta aí um filme que pra mim tem uma beleza comparada a ''Hereditário'' e ''A Bruxa'', outras duas obras ótimas, com estéticas singulares e inegavelmente lindos. Ainda nos fatores técnicos, ''Us'' entrega uma trilha sonora muito especial e tem atuações magistrais do elenco feminino.
Esse filme é sombrio e ao mesmo tempo carrega uma beleza imponente. É bem coreografado, as cenas são artisticamente pensadas e é nítida a preocupação do Jordan com os detalhes. Ele é um diretor extremamente promissor e eu ficarei empolgado com absolutamente qualquer coisa em que ele estiver envolvido. Porém, ele não se sai perfeito aqui por um único item: o excesso de alívio cômico. Em algumas vezes ele funciona, você é capaz de esboçar uma risada mesmo estando completamente tenso, mas tem momentos em que revirei os olhos por achar certos diálogos de comicidade inconvenientes com o momento. A invasão à casa é um deles.
De todo modo, ''Us'' consegue fazer o mesmo feito do seu antecessor e igualmente excelente ''Get Out'' e entregar uma história original, insólita, excêntrica e cativante. É diferente de tudo, é único. É a respiração de alívio do renascimento de um gênero que parecia estar fadado a mesmice. É rico em referências e possui sobretudo uma critica bastante relevante sobre opressão sócio-política e classes marginalizadas. É um filme rico e quanto mais eu penso nele mais esplêndido ele se torna.
Black Mirror: Bandersnatch
3.5 1,4Ko filme tem seu mérito. É interessante que dentro do universo de Black Mirror possamos acompanhar uma história interativa. Infelizmente as expectativas não foram alcançadas, o roteiro é mediano e não possui o fator ''mindblowing'' que é de se esperar da série. Além do mais, essa é uma porta de entrada interessante caso a Netflix tenha interesse em investir nessa mecânica. Foi razoavelmente bom dessa vez, mas acredito que eles tenham potencial para criar algo interessante no futuro. Uma série totalmente interativa, quem sabe?
Vejam sem expectativa. Avaliem a originalidade, mas não espere algo no mesmo nível dos grandes episódios de Black Mirror. Vale a experiência.
Canções de Amor
4.1 830 Assista Agora''Então queima, queima-te quando tu te afundas na minha cama de gelo. A minha cama é como um bloco de gelo que derrete quando me abraças. Nada mais é triste, nada mais é grave... se eu tenho o teu corpo como uma torrente de lágrimas.''
Moonlight: Sob a Luz do Luar
4.1 2,4K Assista AgoraEstou profundamente sensibilizado com essa história que muito provavelmente não sairá da minha cabeça por um longo tempo. Moonlight é um filme comovente com nuances constantes de apreensão, uma beleza poética imersa em um cenário de insegurança. Torcemos para uma criança se entender, para um adolescente encontrar calma e para um adulto enfrentar os fantasmas de seu passado. Todos fatores técnicos dispensam qualquer comentário, é esteticamente uma das coisas mais lindas que já assisti. Os silêncios, os olhares, as hesitações, é tudo meticulosamente criado para vermos vulnerabilidade, desejo e anseios. Um filme absurdamente lindo, terno e poderoso. Definitivamente, um dos melhores que já assisti.
Animais Noturnos
4.0 2,2K Assista AgoraDurante o filme existiram vários motivos para eu me sentisse envolvido com a história e amado tanto o roteiro quanto seus fatores técnicos. Jake é definitivamente meu ator favorito e ainda me incomoda muito o não reconhecimento dele em grandes premiações. O restante o elenco é ótimo. A fotografia, principalmente em tomadas externas é simplesmente fantástica. E o final não poderia ser melhor. Caso você tenha tido uma boa experiência de imersão com a história provavelmente se sentiu da mesma forma que Susan. Vou explicar o porquê.
Basicamente, as três linhas de tempo funcionam como métodos de entender a razão pela qual a história do livro está ocorrendo, de modo que, o roteiro escrito por Edward se torna uma metáfora do relacionamento que é abordado em forma de flashback. Tony (ou Edward) não desiste em momento nenhum de sua esposa e filha tanto na procura quanto na busca de justiça. Já Susan desistiu dele. Tony descobre então a morte de ambas e posteriormente fica explicito que o falecimento de Susan é figurativo no sentido de ter perdido a quem amava e que sua filha na verdade teve a morte ocasionada por um aborto que ate então era pra ser um segredo. O xerife pode ser interpretado como o consciente de Edward, a força e apoio (talvez psicológico) que ele precisava para seguir em frente e superar a falta de crença que sua ex mulher teve nele e sobretudo o impacto da chance interrompida de ser pai. Susan, por sua vez, lê o manuscrito acompanhado de inúmeros intervalos por lembranças do passado. A atuação da Amy Adams é fantástica enquanto tenta passar uma mulher que está entendendo as referências do livro e se sentindo culpada página por página das escolhas que tomou. No presente, ela tem o que almejou, uma carreira que lhe dá muito dinheiro e um marido promissor. Porém, uma carreira que não lhe traz satisfação e um marido infiel. Ler Animais Noturnos foi uma experiência que trouxe empatia por como o seu ex marido deve ter se sentindo quando o amor dele não foi o bastante. Ela era o animal noturno. Susan que a matou dentro dele, que foi responsável pela morte da filha, que fez com que ele se sentisse fraco (do mesmo modo que ele se sentiu quando não pode salvá-las na abordagem dos veículos durante a noite), foi ela também que o deixou no escuro, sozinho e em busca de respostas. E quando o final chega, o quadro de vingança que chamou sua atenção faz sentido. E é impossível não sentir a tensão daquele possível encontro no restaurante, com esperanças de saber o que Edward finalmente tem a dizer. Mas seu silêncio diz tudo. O livro o tornará famoso, bem sucedido e simboliza a superação da dor que lhe acometeu por anos e talvez Susan esteja condenada a uma vida de frustrações e arrependimentos. A vingança dele talvez tenha sido doce, mas pra ela teve gosto de Whisky e fraqueza.
Esse filme é simplesmente brilhante.
Game of Thrones (6ª Temporada)
4.6 1,6KE após essa fantástica conclusão temos a melhor temporada de Game of Thrones, desde o começo toda expectativa sob a situação de Jon Snow já despertou emoções que só essa série consegue me proporcionar em toda sua intensidade. Os Starks foram a melhor surpresa. Arya pra mim após a segunda temporada vivia em um núcleo mediano, andando de lá pra cá, nessa temporada ela foi uma das razões da minha falta de fôlego durante seus desfechos de episódio. A ausência de Bran ano passado não havia me feito falta, já nessa cada segundo dele em tela, principalmente enquanto tinha visões, foram espetaculares e me fizeram perceber a sua importância. Sansa finalmente é peça importante no jogo dos tronos e nos rendeu talvez o momento de melhor trunfo em guerra pós Tywin durante a Batalha da Água Negra. Ramsay foi sádico em um nível que dava prazer em odiá-lo, astuto e covarde no mesmo nível, extremamente cruel, irônico e se caracterizou como o melhor vilão de Westeros, fazendo Joffrey parecer a pessoa mais dócil a sentar no Trono de Ferro. Cersei em Porto Real foi outro deleite, principalmente no fim da temporada, quando todos acreditávamos que ela já tinha escolhido violência ela nos dá um banho de sangue verde e reproduz a palavra ''shame'' pra o que talvez tenha sido uma das coisas mais cruéis que alguém já fez à uma mulher durante toda série. Indo para Essos, Dany teve um começo mediano, não me deixou tão empolgado, mas o nono e décimo episódio ela se mostrou digna de se tornar a segunda conquistadora de Westeros, certamente seu arco será o mais interessante das próximas temporadas e quem conhece a história de origem do início da Dinastia Targaryen reconhece sua potencial importância nos acontecimentos que estão por vir. Tyrion, por sua vez, é o personagem que mais gosto de escutar falar, suas opiniões sempre fundamentadas e que nos faz dizer ''sim, ele tem razão'', a reação dele em uma de suas últimas cenas com Dany me deixou feliz e me fez criar ainda mais empatia pela relação dos dois. E por fim, Jon Snow. É possível dizer que ele foi o protagonista dessa temporada, foi responsável por grandes eventos e momentos que era impossível não se doar em emoções, a atuação de Kit, que antes era bem criticada, foi fenomenal e digna de disputa ao Emmy. A relação de Jon com Tormund e Davos (meu personagem favorito) é brilhante e a interação de todos na Batalha dos Bastardos foi enternecedora - desesperadora, sufocante, desesperançosa e por aí vai - sobretudo, diante de tantos problemas, a Torre da Alegria confirma o que todos nós esperávamos e nos rende uma cena primorosa e digna de toda bravura que esse personagem encarna.
Triste saber que nos resta outro ano, mas, inerte em satisfação por essa temporada. E como digo, é uma série que se você se sentir imergido vai ter reações verdadeiras e intensas, mesmo que estejamos falando de uma série. Mas é chorar em reencontros, lamentar e comemorar por mortes, estar em meio ao campo de batalha, se sentir sufocado e temer o desfecho dos personagens queridos. É celebrar o feitiço que deu certo, acompanhar Bran em suas visões, pedir pra que Hodor continue segurando a porta, escolher a violência, pronunciar Dracarys, sorrir de satisfação junto a Sansa e finalmente levantar suas espadas outra vez e gritar The King in The North!
Game of Thrones (6ª Temporada)
4.6 1,6KDepois desse episódio deixo aqui minhas estrelas.
Game of Thrones (6ª Temporada)
4.6 1,6KGostei muito do episódio assim como tenho gostado de todos dessa temporada, mesmo os com ritmos mais amenos. Os núcleos caminham pra um nono e décimo episódios promissores e só pelo preview do próximo podemos esperar uma sufocante, desesperadora e maravilhosa sequencia de batalha, que além de tudo, é simbólica demais pra quem ama o universo criado pelo George.
E as razões pelas quais eu amei o episódio:
Primeiro de tudo, Arya Stark (junto ao Bran) se tornando as melhores surpresas dessa temporada, enquanto a internet se obrigava a acreditar em teorias improváveis para acreditar que ela sobreviveria, foram os próprios conhecimentos adquiridos na casa do preto e do branco que salvaram Arya, o que pra mim foi melhor que qualquer outra coisa imaginada. O núcleo de Porto Real com a fé militante está crítico e muito, MUITO surpreendente desde Montanha agindo em prol da Cersei até Tommen anulando o julgamento por combate, sendo esse pra mim um dos momentos de maior surpresa dessa temporada, foi o mesmo que condenar a própria mãe a morte. Dialogo entre Tyrion, Missandei e Verme Cinzento foi certamente o que mais ri dentre todas as temporadas e o ataque feito à Meereen também foi muito tenso em ver.
E é isso, agora é me posicionar ao lado de Jon e torcer pra que meus personagens favoritos não morram - e obviamente - vou me frustrar quando a isso.
Game of Thrones (6ª Temporada)
4.6 1,6KAté então temos a melhor primeira metade de todas temporadas de Game of Thrones, grandes acontecimentos, nítidos preparativos para reviravoltas e tudo beirando a sensacional expectatividade que essa série impregna nas veias. Se o começo da temporada está me causando essas sensações eu tenho medo das reações para os inigualáveis episódios 8, 9 e 10.
A Bruxa
3.6 3,5K Assista AgoraCara, eu só posso lamentar pelas pessoas que não conseguiram ter a mesma experiência que eu tive com esse filme, não quero julgar, tampouco dizer que me sinto superior por isso, mas ele tem todas as características técnicas pra transportar você pra uma das coisas mais sombrias que alguém já foi capaz de fazer no cinema. A desestrutura emocional dos personagens, a trilha sonora atormentadora, ambientação fria, triste, vulnerável, o enquadramento munido de uma fotografia fantástica. Se a bruxa peca, é em ter só 92 minutos e se ela pode se vangloriar é de ser um dos terrores psicológicos prudentemente mais inovadores que se tem visto. Caralho, e a cena do corvo? Eu me arrepiei agora só por digitar isso! Eu fui com grandes expectativas e elas foram atendidas e infelizmente está gerando certo negativismo porque a divulgação o vendeu como algo que não é todo mundo que se identificará. Mas sério, se você se entregar a esse filme esteja certo que ele não sairá da sua cabeça tão cedo.
Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom
4.3 185 Assista AgoraEsse documentário é definitivamente uma das obras mais imersivas que já assisti, eu estive ali, eu me senti como se estivesse, me emocionei, me arrepiei com o coro de revolução, me revoltei, torci e pus a mão na consciência em respeito de todos atos de coragem que você presencia nesse documentário, e acredite, não são poucos. É difícil de digerir, mas te envolve, é doloroso pra a caralho mas é real, é um documentário político recente e que representa a luta por liberdade, luta pelo futuro e as respostas à isso são manchas de sangue nas calçadas. Os relatos emocionados são lembranças vívidas, a trilha sonora é um abraço de melancolia e esperança, a forma que a revolução é filmada te põe no cenário de guerra, imponente contra metralhadoras e armas de longo alcance, você se sente vulnerável, se sente desprotegido e por isso eu tive mais medo do que qualquer outro filme de horror que já assisti. Independente do desdobramento da guerra e os movimentos fascistas e extremistas que se apropriaram da revolução (e pode tornar o documentário tendencioso pela ausência dessa informação) a questão é a luta contra ações truculentas que interferiram e ameaçaram a vida de centenas de inocentes. Você descobre aqui que a guerra e o abuso de poder é um medo recorrente, é um temor possível, é algo que eu, você, nossos filhos e netos podem viver. Há um relato de uma médica próximo ao fim que traduz a impotência e a gravidade do que estava acontecendo. Nesse documentário você vê injustiça, vê abuso, vê fúria, ira, ganância, mas sobretudo você vê uma população que morreu pelos seus ideais, que lutaram pelos seus direitos de voz, que se uniram, você vê correntes, laços, crianças, representantes religiosos, sinos tocando, corrente humana, fogos, campo de batalha, fumaça, sangue, agressão física e moral mas sobretudo vê resistência. Jamais assistiria de novo, é uma experiência pra uma vez na vida e é mais do que suficiente levando em consideração todas emoções que ele consegue te despertar, ele machuca mas é uma ferida necessária.
Bichas, o Documentário
4.3 83Depoimentos incríveis de pessoas que me encantaram, emponderamento, coragem, militância, representatividade gay, negra e afeminada vindas das vozes de pessoas que já foram silenciadas, coagidas e humilhadas por externar seus desejos, vontades, por ser quem realmente são e que hoje gritam que são bichas com orgulho no sentindo literal e significativo da palavra. Amei cada segundo desse documentário, me identifiquei com várias situações e lembrei do porque eu amo esse movimento.
''Se a gente não mostrar e ficarem pressionando pra gente não ser bicha... eles vencem. E QUERIDA, que vai ganhar é a bicha, certeza!''
Contra Corrente
4.0 410A casa humilde, o trabalho de pesca, o sorriso tímido, o ritual de funeral, as pinturas, o som das ondas, a mulher grávida que carrega uma beleza natural, o filho que levará o nome do pai, o almoço a beira-mar, o sexo na praia, a vela acesa, as mãos dadas, o nascimento e a morte, os beijos... o beijo. A simplicidade desse filme encanta, arremata e emociona. É lindo, mas melancólico, é crível e espiritual, é agridoce mas inegavelmente belo, é o que o eterno apaixonado quer, pôr de lado o material e sentir, amar e sofrer por amor, enche o peito, transborda os olhos, aquece o coração e arrepia, entristece, felicita e no final, os créditos sobem, a música começa e em um ritmo particularmente regional a frase ''quero que seja feliz, mesmo que não seja comigo'' ecoa e me faz pensar: ''que filme fascinante''.
Que Horas Ela Volta?
4.3 3K Assista AgoraAssisti com medo justamente porque as expectativas estavam altas demais, as críticas fantásticas e os comentários públicos em grande maioria positivos. Poderia ser um filme subestimado, mas não é, é tudo que dizem, tudo que dizem e mais. A simplicidade que há em 'Que horas ela volta?' é algo venerável, lindo e arrematador. Existem momentos tão memoráveis e únicos que foram responsáveis pelo nariz vermelho e a cara molhada de lágrimas motivadas pela euforia de Val em momentos de felicidade. Há uma crítica social forte e personagens indiscutivelmente bem construídos, mas o grande trunfo desse filme é a atuação da Regina Casé, Val é simplesmente uma das minhas personagens favoritas do cinema, ela transborda simplicidade, bondade e sobretudo humildade, uma humildade que emociona, que nos faz torcer por ela e que é razão pelas inúmeras vontades que senti de abraçá-la. Certamente entrou para meus favoritos e é um resgate de atenção ao cinema brasileiro que consegue sim produzir filmes tão sensíveis, belos e inspiradores. Me sinto feliz com sua repercussão e torço para que ele continue conquistando espaço e admiradores. Foi um presente deslumbrante entregue por Anna Muylaert, presente quase tão lindo quanto um jogo de café xadrez.
Amizade Desfeita
2.8 1,1K Assista AgoraA ideia desse filme é espetacular, mas levando em consideração a empolgação e o envolvimento que tive com a história, prefiro e recomendo The Den.
12 Homens e Uma Sentença
4.6 1,2K Assista AgoraSimples, conciso e genial. É possível, naquele fim, identificar e associar uma representação cotidiana, que é a defesa de valores pessoais quando colocado em comparação a vida de terceiros. Percebo isso em dois casos específicos, o primeiro é quando um dos membros do júri mostra total desinteresse em discutir a respeito do homicídio - ao seu ver, o jovem é culpado e ponto final - o que importa, no fim das contas, é não perder tempo, como se estivesse tratando de um caso banal e que a execução de um jovem é menos importante do que os ingressos que carrega no bolso, esquecendo que estava lidando com uma vida que dependia, sobretudo, de uma parcela de sua decisão. Temos então, no fim, a descoberta de que o membro mais radical e irredutível do júri tinha sua opinião formada por acontecimentos pessoais, mágoas e uma frustração familiar que o impediu evitar de se envolver de uma forma sentimental com o caso, o cegando perante a contestação das provas. Olhando ao nosso redor é possível identificar diversos "líderes" que ignoram a existência e veracidade de problemas sociais como no primeiro caso e outros que usam ideais pessoais ignorando a arbitrariedade cometida com determinados indivíduos, principalmente aqueles que não possuem discernimento de defesa, como no segundo caso. Certamente, o primeiro a contestar sua decisão contrária à maioria se mostra paciente e comprometido em provar - não a inocência do rapaz - e sim, que os outros 11 homens não estavam certos de suas decisões, e por fim, quando os valores se invertem e o senhor irredutível deveria se provar certo de seu veredicto... "not guilty", a dúvida venceu a certeza equivocada e seria formidável ver isso na prática.
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
3.8 3,4K Assista AgoraNão dá pra esperar pouco quando se trata de Iñárritu e, no fim das contas, toda parte técnica de direção desse filme é deslumbrante, os planos-sequência são espetaculares, a fotografia e enquadramentos também são formidáveis. Mas, pra mim esse foi o principal trunfo de Birdman, é inevitavelmente um filme bom e esteticamente belo, mas ao meu ver, pouco marcante.
Boyhood: Da Infância à Juventude
4.0 3,7K Assista AgoraÉ impossível assistir Boyhood sem se identificar com o Mason, impossível não associar a mãe, o pai, os padastros, a irmã, os amigos, a ex namorada, o professor desencorajador ou quem quer que seja em pessoas reais, pessoas de fizeram, fazem ou farão parte de nossas vidas. Ok, isso pode não ser grande coisa, afinal o que há de grandioso em um filme que reflete a realidade? Mas apenas o fato de acompanhar o crescimento e a evolução de Mason (em doze anos de gravação, a propósito, ele cresceu junto à produção) é o bastante pro filme ser arrematador. É até clichê quando se trata desse filme, mas no fim das contas, é a vida. São as conquistas, as frustrações, os problemas, as escolhas, está tudo nele. Ele pode ser simples, pode não ser grandioso ou sem roteiro profundo, mas foi justamente a simplicidade que me encantou em Boyhood.
Operação Invasão
3.9 633 Assista AgoraFilme fantástico com cenas de ação muito bem construídas e coreografias de lutas geniais, direção muito boa e efeitos de slow motion muito bem atribuídas. O suspense é apenas um bônus (como na cena atrás da parede falsa), de ruim, só o nome do filme em português mesmo.
Irreversível
4.0 1,8KO título desse filme corresponde a maestria dessa história. Me encantei com a direção e com toda técnica utilizada para nos transportar dentro dos acontecimentos narrados. As cenas de violência (aqui utilizadas de forma sensacional, embora brutal) nem se comparam com a sensação de impotência do telespectador ao assistir os acontecimentos que antecedem o estupro, digo isso a partir de um momento específico onde o nome ''irreversível'' escancara seu objetivo, ocorre quando Pierre pede para Alex ficar na festa (logo após uma discussão com o Marcus) e nós - impotentes - pensamos conosco ''não vá, você está em perigo, você será violada'' e por um momento nos damos conta que o que aconteceu é lamentavelmente irreversível. Acredito que a passagem ''O tempo destrói tudo'' é justamente ligado a esse acontecimento, afinal, durante o tempo de descoberta da gravidez até as cenas finais (ou iniciais) Alex passa por uma situação que a destruiu e não há nada que possa ser feito a respeito para reverter isso, é irreversível. Outro momento digno de menção é o diálogo entre Alex, Marcus e Pierre em direção a festa, onde Alex cita que o prazer é justamente saber que o homem está se satisfazendo durante o sexo, uma triste analogia ao que acontecerá com ela dentro de algumas horas (assim como na manhã do mesmo dia, Marcus cita que quer ter relação anal com Alex). Eu só tenho elogios para esse filme, atuações fantásticas, direção primorosa e um dos roteiros mais sensacionais que tive o prazer (e o desconforto) de acompanhar. Há muito a ser dito sobre essa história em específico, ela escancara uma realidade social que muitos se recusam a ver, semelhantes àquela silhueta que ignora o que está sendo feito com Alex no lúgubre túnel vermelho, que no fim das contas, se tornou a realização de um presságio, uma noite triste, sem volta, impotente e irreversível.