Acho incrível como que o Larry David faz o mesmo tipo de humor há 20 anos funcionar ainda hoje com temas atuais. É um olhar muito engraçado pro mundo contemporâneo pois parte dessa visão do passado, e ao mesmo tempo que satiriza as problemáticas modernas e a forma como elas são tratadas, ''vilaniza'' esse protagonista deslocado no tempo pela sua personalidade e falta de qualquer boa vontade em se adaptar.
Essa temporada é ainda melhor que a anterior, e uma das minhas (muitas) favoritas da série. As participações especiais sobem o nível dos episódios e a trama do Latte Larry que dura a temporada inteira, trabalhada nessa lógica do autor de castelo de cartas e causa e consequência, trazem esse fator de continuidade e acúmulo de eventos como uma experiência ótimo no final de tudo.
Se Ridley Scott trouxe o horror cósmico ao revisitar seu universo nos anos 2010, Noah Hawley vai num sentido contrário em Alien Earth. Um dos assuntos que sempre me despertou certa curiosidade nesse universo são os FDPs donos das companhias que tratavam seus funcionários como mercadoria. Desde o primeiro Alien temos essa nuance distópica na franquia, e Hawley aposta suas fichas nessa imaginação de um planeta terra controlado por grandes corporações que estão em uma corrida tecnológica.
A criatura fica um pouco secundária nessa história justamente para abrir espaço nessa imaginação de mundo, mas dá lugar para a abertura de possibilidades. Outras criaturas nos são apresentadas, e a maioria delas, confesso, gera um grande desconforto. Destaco o quão bizarra é a ''Ovelha Dolly'' em cena. O início da série é bem truncado, típico das obras do Showrunner, que demora e segura o espectador até o final nessa recusa de ser explícito, e confesso que aqui foi a primeira vez, vendo tudo dele, que não me agradou tanto. Só despertei um real interesse a partir do terceiro episódio, onde há uma melhora muito grande e já vemos as peças se movimentarem mais.
O elenco da série fica bem aquém da idealização do projeto, mas dou a braço a torcer quanto a estranheza que é ver adultos interpretando crianças em corpos de adultos. O destaque pra mim vem pela atuação do Babou Ceesay, que tem o personagem mais enigmático a princípio, e é o protagonista do melhor episódio da série, ''in Space, no One...'', que funcionaria até como um filme solo da franquia.
Gosto muito dos rumos, dos mistérios e até dos momentos chave de ação da série. Pelo final parece que tem muita coisa boa pra uma continuação, mas já me dou por satisfeito pela jornada até aqui.
Um dos melhores animes que vejo em muito tempo, se tratando de lançamentos mais recentes.
Me chama muito a atenção a forma como a obra retrata essa obsessão e violência que existe contra o corpo, principalmente o feminino. A primeira vilã, a Vovó Turbo, faz justamente o que faz como uma espécie de vingança contra abusadores. A obsessão dos alienígenas com o sistema reprodutor humano também é retratada aqui nessa perspectiva de violência, seus órgãos sexuais são metálicos, dando uma ideia de que a sexualidade definida geneticamente só pode ser tratada de acordo com uma função, quase como se isso te aprisionasse nesse papel de acordo com seu gênero. Dandadan é polêmico ao retratar violência dentro do gênero de ação/comédia e um pouco de terror, mas acredito que nunca passa do ponto, as viradas para o drama e a criação de momentos reflexivos e tocantes também ditam o ritmo da obra.
Acho interessante também a construção do romance da dupla de protagonista. Vale ressaltar o final do primeiro episódio onde um Ken ''castrado'' desperta uma explosão de sentimento na Momo.
O final da temporada (os últimos 3 episódios) são bem mais mornos que o restante, preparando novos personagens e explorando novas dinâmicas para a sequência da série. No geral eu fiquei muito satisfeito de ver algo assim, que provoca risadas, tensão e muita emoção. Fico curioso pra ver como que essa história pode prosseguir sem cair no marasmo do Shonen Battle.
Bem, termino aqui, depois de alguns anos assistindo, essa ótima série. Nem pretendo falar como um todo, até porque tem muita coisa pra se falar. A 10ª Temporada mantém aquela irregularidade que tanto afetou a anterior, com personagens deixando de ser personagens e virando seus estereótipos, alguns arcos sem sentido, mas consegue brilhar muito em alguns momentos específicos.
Gosto muito desse movimento de vida de Monica e Chandler, é legal acompanhar como foram personagens que foram pra frente, que mudaram bastante. Joe e Phoebe por mais que tenham momentos hilários ficam num marasmo, monotônico, sem muita versatilidade, e até quando a série arrisca algo com eles logo se recolhe pra esse lugar comum. O que talvez tenha me incomodado nesse final seja a abordagem da série com Ross e Rachel. Eles tem ótimos momentos, mas Friends luta pra ser uma série sobre os dois, colocando um significado muito grande nessa relação. Ross luta pra Rachel não seguir em frente e Rachel se sente empacada na vida, e a série aposta muitas fichas nessa dinâmica cansativa.
Agora como um todo, foi super divertido assistir Friends. Minha esposa é fascinada na série, e tenho certeza que quando ela estiver revendo (outra vez) vou parar pra ver junto de vez em quando e dar ótimas risadas. Por mais que seja um final com sinais de uma produção cansada de si mesma, não mancha em nada essa ótima jornada de amigos sem noção que amam uns aos outros.
Aquela ideia caótica da série na primeira temporada permanece aqui na segunda temporada, porém com uma amostra maior de episódios, dá pra perceber a criação meio que de uma fórmula, em que parte da diversão e surpresa passa por essa expectativa.
Também notei um aceno maior ao público adulto e uma abordagem melhor do espaço do parque. Gosto de como o Show trabalha seus protagonistas e foge de uma construção em busca de lição ou moral. É muito mais preocupado em manter essa estética transgressora em histórias que desafiam e extrapolam noções lógicas convencionais, é praticamente uma lógica própria muito particular, desde os acontecimentos até as resoluções.
Gostei mais ainda dessa segunda temporada, e acredito que tende a melhorar ainda mais.
Desde o começo comprei muito a ideia de trabalhar uma série nesse universo num tom cômico em sua maior parte. A começar pelo contraste entre a dupla de protagonistas, a crítica aos exageros reais, seja na questão da honra ou até mesmo na ostentação em festas e torneios, e até à algumas resoluções tragicômicas.
Gosto bastante do livro em que a série se baseia, e talvez até mais ainda da forma como foi adaptada para a TV. Esse estilo contribui para essa ideia de mostrar as contradições das hierarquias em Westeros, a falta de propósito maior na vida das famílias dominantes e na dualidade de ser um cavaleiro, fugindo do aspecto heroico e lúdico que é atribuído à essa figura na maioria das histórias ambientadas em um universo medieval fantástico.
É uma série muito engajante, mas entrega as revelações de mão beijada demais.
Todo o ''circo'' familiar, e até os personagens secundários são bem trabalhadas de forma utilitária em prol da trama. Não faltam pontos ou vírgulas, e também não senti aquela barriga na maioria dos episódios, a não ser pelo penúltimo onde acompanhamos a revelação por um grande flashback.
Acho que no final das contas não existe nenhum mistério ou algo a ser discutido. A ''vilania'' fica centralizada em apenas uma figura, que parece ter causado todo o mal daquelas vidas. Até gosto de algumas escolhas do final, que desafiam a ética padrão mas nunca realmente trazem algum embate ou contestação.
Acho muito interessante como a série aborda sua própria história. Sei que tem os momentos mais frenéticos, onde a tensão e espionagem dão as caras, mas a grande força dessa produção, e os momentos que mais me tocaram, foram nas relações familiares e nos dilemas morais.
Gosto dessa ambiguidade na relação do casal principal, fundado numa premissa muito racional e encenada, mas que surpreende no primeiro momento pelo afeto demonstrado entre eles. Em alguns momentos me lembrei muito de Mad Men, e espero que continue lembrando, torcendo para que a dinâmica familiar siga sendo trabalhada e até aprofundada, inserindo os filhos do casal gradativamente mais à trama.
Os dilemas não se atém apenas a essa questão romântica e familiar, mas também a do amor proibido. Qual o limite da traição, onde existe sentimento e onde é apenas trabalho? Essas questões também são levantadas para a trama envolvendo o agente do FBI, deixando tudo muito mais interessante.
Estou muito satisfeito, e até arrependido de não ter acompanhado essa série antes, e fico muito curioso por ver o desenrolar dessa história.
Gostei bastante dessa temporada inicial. Acho que diferentemente de alguns outros desenhos dessa leva do Cartoon, Apenas um Show possui um grande desapego pelas fórmulas ou alguma linearidade. Lógico que se assemelha com as bizarrices que vemos em Hora de Aventura, Gravity Falls e Gamball. Mas existe um fascínio pela estética que concilia as sitcons americanas com a cena de quadrinhos independentes.
Apenas um Show é um show sobre o nada, no melhor estilo Seinfeld. As solução para os problemas que Mordecai e Rigby provocam todo episódio são realmente tiradas da bunda, numa ideia de série que não se preocupa com a racionalização, mas busca uma estrapolação do meio.
Mesmo gostando demais, ainda achei ela um pouco tímida, o que se justifica por ser o primeiro ano do programa. Ainda quero ver o que mais que esses funcionários preguiçosos do parque vão aprontar.
Não expande o universo, não desenvolve personagens, toda a elaboração dos ''clãs'' mandalorianos usam de diversos clichês e fórmulas batidas, não só dentro da fórmula star wars como de conteúdos de ação em geral.
A volta do Grogu não se justifica em nenhum momento. A Bo-Katan ganha mais espaço, mas em toda temporada episódica e caótica não fez diferença alguma. O que dizer então da volta do ''vilão''? Com direito a discurso revelando seus planos malignos e tudo mais.
Apesar de 1 primeiro episódio interessante e um episódio final legal, a temporada está cheia de momentos bizarros, como o episódio 6, o pior episódio de série que vi até agora no ano.
Ainda há várias ideia descontinuadas dentro da ''linha'' narrativa da temporada. Ou será que eram fracas demais para se manterem?
A não ser que o Quarto ano da série seja a finalização, não volto mais. Esse é o jeito. This is the Way.
Adaptação soberba. Como fã da obra original, mesmo com muitas mudanças, dá pra perceber a paixão despejada na produção dessa série, a vontade de fazer dar certo.
Esses primeiros arcos são os mais ''lineares e adaptáveis'' talvez de toda obra, a partir desse ponto será um grande desafio para a equipe.
Não concordei com a divisão da temporada, passa muito a sensação de quebra de ritmo, mas ainda assim, cheio de detalhes maravilhosos. Houve pouco tempo para o desenvolvimentos dos ''moradores'' da casa de Bonecas, mas o desfecho bem construído compensa demais.
Um grande cuidado com os personagens, ótimos atores e uma produção lindíssima.
Quando terminei esses 2 episódios finais fiquei bem feliz por terem conseguido entregar a série épica que vendiam. Os acontecimentos nessa temporada estão numa escala bem maior, com mais personagens, um vilão ''definitivo'' e, talvez, o melhor trabalho de CGI da série até aqui.
Como houve um pequeno hiato entre os episódios 7 e 8, ficou pra mim o sentimento bem misto que tive quanto a primeira parte. Como já disse, embora épico e grandioso, com ótimas doses de emoção, faltou algo mais, e aí é algo bem pessoal mesmo. Talvez algo que me marcasse, e inclusive aponto que o roteiro possa ter contribuído nesse sentimento.
Existe um turbilhão de sentimentos trabalhados nessa temporada, os romances (ditos e não ditos), a saudade, lealdade e coragem. Um dos pontos que deveria ser um alto, onde os personagens tem que lidar com uma consequência é bem forte, mas o roteiro prefere ir por um caminho mais convencional e até ilógico. (Ex: O vilão mata todos os personagens instantaneamente, mas quando é um dos protagonistas que está sendo atacado parecia que o Vecna tinha alguma indisposição física ou mental.)
Existem vários momentos legais, mas a maioria são gratuitos. Como a cena da guitarra, da espada, e vários momentos de batalha da 'Eleven'. Não que o estilo não satisfaça, mas nesses casos citados ele trabalha contra a progressão da trama. É uma quebra de ritmo que é sentida, principalmente nos últimos episódios onde a duração é maior.
Tem muita riqueza nos personagens, com diversas nuances, porém o trabalho de equipe não é bem executado, acaba se restringindo a apenas alguns deles, e outros acabam sobrando. E até agora estou pensando em quão inútil foi o arco do Hopper, com uma das desculpas mais fracas de toda a série.
Ainda assim, por incrível que pareça, Stranger Things consegue empolgar, emocionar (Pelo menos até a página 1) e encantar com o universo rico de personagens, elementos e referências à cultura pop americana dos anos 80.
É tão bobo que chega a ser quase que inocente. Mesmo com um humor tido como ''negro'', com mortes e afins, é uma série super leve, que não se leva a sério.
Os personagens e suas tramas simples, o carisma dos atores e as situações cotidianas exploradas na pequena cidade são charmosas e na maioria das vezes encontram um desfecho feliz. O grandíssimo destaque aqui é a entrega e resultados sensacionais do Alan Tudyk. Seus trejeitos faciais e dualidade em suas falas são o puro ouro dessa série.
Eu gostei bastante, mesmo não tendo nada de novo aqui. Apenas uma produção e atores dedicados e engajados com um pequeno projeto, entregando o seu melhor.
Doom Patrol sempre se manteve fiel à proposta de ser uma série diferente de super heróis. E isso é louvável. Porém, acredito que especialmente nesse terceiro ano, poucas coisas funcionaram, apesar de estar tudo lá, praticamente igual ao começo.
Parece que estava vendo os personagens enfrentarem os mesmo dilemas e situações da primeira e segunda temporada. Essa repetição e falta de novidade dentro da mesma história pode acabar se tornando problemática, como é o caso. Ainda mais porque a trama principal, Madame Rouge e a SIsterhood of Dada, é a mais fraca e deslocada de todas as temporadas.
Eu simplesmente não aguento mais ver a chatice que se tornou a Jane e toda a loucura na cabeça dela, é a mesma história todo episódio. O Cyborg até que teve algo relativamente interessante, A Rita ganhou mais espaço, o Cliff e Larry foram mais do mesmo.
A ligação com o final da segunda temporada é rápida demais, tudo é resolvido com muitas facilitações em 1 episódio. Apesar das bizarrices super legais, da galhofada nonsense e do humor negro em algumas situações, é tudo muito disperso dentro de uma trama que se arrasta com fórmulas repetidas.
Doom Patrol, ao tentar fugir das fórmulas convencionais, se acomodou em sua própria fórmula, não trazendo mais novidade e aquele brilho dos dois primeiros anos. Acho que não volto para a quarta temporada.
Essa é uma série que não faço a mínima ideia de como descobri. É descrita pelo próprio criador como um ''diário de memórias'', onde ele registra pequenos momentos cotidianos em Nova York. Me lembrou bastante ''Nova York, Vida na Cidade Grande'', HQ clássica do Will Eisner. Cada episódio começa com um esboço de raciocínio, que é desenvolvido de forma Irônica/Inocente brilhantemente.
A fusão desses dois conceitos em cima da observação do cotidiano e da vida é que entrega essa série tão especial. A dificuldade de encontrar vaga para seu carro termina em uma compra de lote em cemitério. A dificuldade de escolher e apreciar vinho termina num chá de bebê de uma esposa de um excêntrico magnata do ramo de energéticos. Como relembrar seus sonhos termina numa convenção de culto ao filme Avatar. Como descartar suas pilhas termina numa entrevista com um condenado de agressão sexual falando como é sua vida.
É imprevisível, cativante, emocionante, reflexiva e muito engraçada.
Durante a segunda temporada a HBO disponibilizava um conteúdo extra da série com os bastidores de gravação e com o Bill Hader comentando algumas coisas. Uma grande inspiração dele, sem sombra de dúvidas, é The Sopranos. Ele conta como tira algumas ideias legais que servem de inspiração para seus episódios. E acho que não para por aí, pois desde a ideia de um assassino fazer aulas de atuação até a situação ‘’surreal’’ que o Barry passa nessa terceira temporada me lembram demais a clássica série de máfia.
Esse paralelo entre ambas não fica somente no conteúdo, mas na qualidade de execução das ideias também. E que trabalho fantástico o Bill Hader vem fazendo como diretor, arrancando elogios até de Guillermo del Toro.
Essa nova temporada se aprofunda mais nos personagens secundários, construindo uma pirâmide de eventos que culminam naquele inesperado final. Lógico que ainda conta com as grandes marcas da série também, como o humor absurdo, cheio de situações pra lá de bizarras, personagens memoráveis e engraçados e muita violência.
A melhor série de 2022, e acho difícil aparecer algo melhor.
O grande destaque aqui é sem dúvidas pra Jean Smart, com uma interpretação completa e cheia de presença.
A série, entretanto, devido à grande repercussão e reconhecimento recebido não supriu todas as minhas expectativas. Os 5 primeiros episódios tem uma estrutura e situações bem conhecidas, com 2 personagens diferentes que vão se aproximando por meio de troca de farpas e piadas ácidas. As circunstâncias e acontecimentos são os mesmos que já vi em uma pá de séries até então.
Quando a personagem da Ava e Deborah começam a se conhecer melhor temos bons diálogos, e a grande temática da série é enfim verbalizada com todas as letras. Vi recentemente o especial de comédia ''Supernature'', do Ricky Gervais, e a primeira piada me lembrou bastante essa série, a dificuldade de mulheres se estabelecerem no cenário de comédia stand up ou de Talk Shows nos Estados Unidos.
Existe um momento que deveria ser o ápice da virada de mentalidade da Deborah, onde ela vai fazer um show num clube. Mas o personagem do comediante masculino é tão mal escrito que me tirou completamente qualquer sensação de satisfação que a série queria passar. É uma sequência grande de diálogos rasos e respostas prontas.
Os 2 últimos episódios me acertaram em cheio, e enfim vi a série chegando onde deveria. O drama aparece e traz uma carga emocional bem forte. Gostei muito de todas as escolhas. Ainda destaco a Kaitlin Olson, uma atriz super talentosa e pouco reconhecida, e o Christopher McDonald.
A primeira temporada termina com um Cliffhanger que achei desnecessário, e espero que não seja aquele artificio gratuito que será resolvida no primeiro episódio da próxima temporada.
Apesar da ótima trilha sonora, boa fotografia, uma ideia muito interessante e um elenco bem carismático teve algumas coisas que não me agradaram.
Com apenas 20-25 minutos por episódio, existe um excesso narrativo com idas e vindas desnecessárias na história. Também há arcos paralelos que não conversam em nada com a história, e apenas desperdiçam o tempo de tela.
Em certo momento parece que a série quer abrir seu alcance inserindo novos personagens, mas logo depois se fecha novamente, reestabelecendo seu foco. Uma indecisão que quebra o ritmo toda hora, ficando assim maçante, enfadonha e cansativa.
Acho que mesmo curta, tinha potencial pra algo mais interessante, mas é só achismo mesmo. Existe uma curiosidade e um suspense em relação ao bebê que é o que deve manter a maioria das pessoas minimamente interessadas, e até tem um bom desfecho no final das contas.
Não é a primeira vez que essa proposta de subversão é feita, mas é bem executada até. O problema é que fica por isso, e a piada cansa e fica repetitiva muito rápido. Um começo entusiasmante se dilui até virar uma série frustrante.
Desde a primeira cena se nota o aumento de orçamento da série, isso é óbvio. Porém, já nesse início vemos uma montagem e ritmo diferente, mais caprichado, mais melancólico, coisas que viriam ser tocadas em alguns momentos da temporada.
O peso de ser a escolhida é sentido pela Buffy, vemos aqui apenas mais uma das grandes sacadas da série. O surgimento da responsabilidade nesse momento de transição da vida, onde o amadurecimento do adolescente começa a se chocar com a realidade adulta, apenas os primeiros toques. A série consegue fazer excelentes paralelos desse tipo com todos os personagens em vários episódios.
Além de Buffy, Angel, Giles, Xander e Willow, outros personagens vão tomando seu espaço pouco a pouco, inclusive o casal de vilões dessa temporada, com uma dinâmica bem divertida. Aqui temos os primeiros episódios focados fora da Buffy, onde a responsabilidade da defesa da cidade (e do mundo) é compartilhada com seus amigos e aliados.
A mitologia se expande eficazmente, e graças ao incremento do número de episódios em relação a temporada anterior, doze a mais, não apenas a trama principal é trabalhada, temos tramas secundárias com conflitos e romances em arcos menores ao longo desse ano.
A transição da trama do 'anticristo' (da temporada anterior) pros novos vilões é muito abrupta, e com o aumento do número de histórias tivemos uns 3 ou 4 capítulos de qualidade duvidosa, realmente sobrando.
No entanto, acho que a série concluiu tudo que se propôs nesse segundo ano. A jornada de amadurecimento, os romances (secundários), Buffy e Angel, a dinâmica da escola, a ordem dos guardiões... tudo explorado de forma efetiva e criativa. Ainda destaco novamente as cenas de ação divertidíssimas, a maquiagem charmosa e o roteiro cativante.
Meus episódios favoritos foram (E foram muitos):
2x01 - When She Was Bad (Episódio da ICÔNICA dancinha da Buffy) 2x03 - School Hard 2x06 - Halloween (O Melhor Episódio de Halloween que já vi, criativo até a alma) 2x08 - The Dark Age 2x09 - What's My Line? Part One 2x13 - Surprise 2x14 - Innocence 2x15 - Phases 2x16 - Bewitched, Bothered and Bewildered 2x17 - Passion (De quebrar o coração) 2x21 - Becoming, Part One 2x22 - Becoming, Part Two
Uma retomada sensacional após a ótima primeira temporada.
No final da primeira temporada, eu podia jurar que era uma minissérie. O final era perfeito, ousado e fechava uma linha definida traçada desde o primeiro episódio.
Essa segunda temporada até que é justificável, mas se distancia bastante do grau de urgência e da coerência narrativa apresentadas. É um temporada sem muito foco, com vários arcos iniciando e se encerrando no episódio seguinte. Alguns personagens avulsos sobrando, ou aparecendo só por uma piada gratuita.
Ainda tem vários momentos ácidos e super engraçados, e a química da Elle com o Nicholas é ótima. Alguns personagens são melhores trabalhados do que na primeira temporada, mas da metade pro final são todos esquecidos em prol do que acredito que seja o principal tema.
A urgência de algumas ações e o perigo de outras são esquecidos completamente, exigindo minha boa vontade de acreditar em certas conveniência. Exemplificando, algumas vezes parece ser impossível assassinar alguém na corte, em outras é muito fácil, só sacar a arma e atentar.
Ainda continua charmosa, engraçada, porém sem consistência e com uma história ''sobrando''.
Cada episódio é uma viagem e tanto dentro desse universo maravilhoso e original. Dentre tantas produções pós-apocalípticas, é inusitado ver um foco assim em personagens, me lembrando bastante The Leftovers.
O Hiro murai, um grande diretor da tv, com grande participação no sucesso de Atlanta e Barry, pega uma série aqui do começo ao fim, e é demais! O visual é fantástico, a condução é cativante, dosando o mistério e o minimalismo presente nas relações entre os personagens.
O vai e vem na linha temporal, a là Lost, é uma fórmula que se mantém forte mais de 15 anos depois. Os cliffhangers no final dos episódios são ótimos pontos de conclusão dos arcos, apesar de não resultarem em nenhuma virada significativa no episódio seguinte. Pontualmente o ritmo pode ficar truculento para alguns, mas acho que essa alternância do drama pesado, recheado de lembranças e experiências, se alternando com o novo e leve jeito de viver livre é a dinâmica proposta.
Um elenco com alguns nomes famosos, o que pra mim impactou negativamente no aproveitamento de alguns personagens secundários. Não foi aquele gostinho de quero mais, e sim mais uma sensação de que faltou profundidade. Foi uma escolha narrativa, lógico, e vai gerar diferentes respostas no público.
O jeito que o teatro é utilizado em Station Eleven é brilhante. Não é uma concepção meramente barata e gratuita, é utilizada a favor de cada um dos protagonistas, e assim como em uma grande peça, o encaminhamento final se desenha de uma forma inesperada e esperada ao mesmo tempo, é confuso sim, mas marcante.
Assisti a algum tempo e lembro apenas de alguns momentos mais escatológicos e do episódio John and Sun-Hee, que foi o mais arriscado pra mim.
Talvez esse esquecimento meu se deva a algo pessoal ou talvez pelo fato desse spin off ser mais do mesmo. É o tipo do entretenimento fast food, um lugar comum, nada além de expandir o universo de The Boys sem personalidade.
Uma proposta com mais profundidade como o episódio que já mencionei, poderia elevar o nível da temporada que conta com boas animações e dublagem.
Segura a Onda (10ª Temporada)
4.3 14 Assista AgoraAcho incrível como que o Larry David faz o mesmo tipo de humor há 20 anos funcionar ainda hoje com temas atuais. É um olhar muito engraçado pro mundo contemporâneo pois parte dessa visão do passado, e ao mesmo tempo que satiriza as problemáticas modernas e a forma como elas são tratadas, ''vilaniza'' esse protagonista deslocado no tempo pela sua personalidade e falta de qualquer boa vontade em se adaptar.
Essa temporada é ainda melhor que a anterior, e uma das minhas (muitas) favoritas da série. As participações especiais sobem o nível dos episódios e a trama do Latte Larry que dura a temporada inteira, trabalhada nessa lógica do autor de castelo de cartas e causa e consequência, trazem esse fator de continuidade e acúmulo de eventos como uma experiência ótimo no final de tudo.
Alien: Earth (1ª Temporada)
3.2 274 Assista AgoraSe Ridley Scott trouxe o horror cósmico ao revisitar seu universo nos anos 2010, Noah Hawley vai num sentido contrário em Alien Earth. Um dos assuntos que sempre me despertou certa curiosidade nesse universo são os FDPs donos das companhias que tratavam seus funcionários como mercadoria. Desde o primeiro Alien temos essa nuance distópica na franquia, e Hawley aposta suas fichas nessa imaginação de um planeta terra controlado por grandes corporações que estão em uma corrida tecnológica.
A criatura fica um pouco secundária nessa história justamente para abrir espaço nessa imaginação de mundo, mas dá lugar para a abertura de possibilidades. Outras criaturas nos são apresentadas, e a maioria delas, confesso, gera um grande desconforto. Destaco o quão bizarra é a ''Ovelha Dolly'' em cena. O início da série é bem truncado, típico das obras do Showrunner, que demora e segura o espectador até o final nessa recusa de ser explícito, e confesso que aqui foi a primeira vez, vendo tudo dele, que não me agradou tanto. Só despertei um real interesse a partir do terceiro episódio, onde há uma melhora muito grande e já vemos as peças se movimentarem mais.
O elenco da série fica bem aquém da idealização do projeto, mas dou a braço a torcer quanto a estranheza que é ver adultos interpretando crianças em corpos de adultos. O destaque pra mim vem pela atuação do Babou Ceesay, que tem o personagem mais enigmático a princípio, e é o protagonista do melhor episódio da série, ''in Space, no One...'', que funcionaria até como um filme solo da franquia.
Gosto muito dos rumos, dos mistérios e até dos momentos chave de ação da série. Pelo final parece que tem muita coisa boa pra uma continuação, mas já me dou por satisfeito pela jornada até aqui.
Dandadan (1ª Temporada)
4.2 82 Assista AgoraUm dos melhores animes que vejo em muito tempo, se tratando de lançamentos mais recentes.
Me chama muito a atenção a forma como a obra retrata essa obsessão e violência que existe contra o corpo, principalmente o feminino. A primeira vilã, a Vovó Turbo, faz justamente o que faz como uma espécie de vingança contra abusadores. A obsessão dos alienígenas com o sistema reprodutor humano também é retratada aqui nessa perspectiva de violência, seus órgãos sexuais são metálicos, dando uma ideia de que a sexualidade definida geneticamente só pode ser tratada de acordo com uma função, quase como se isso te aprisionasse nesse papel de acordo com seu gênero. Dandadan é polêmico ao retratar violência dentro do gênero de ação/comédia e um pouco de terror, mas acredito que nunca passa do ponto, as viradas para o drama e a criação de momentos reflexivos e tocantes também ditam o ritmo da obra.
Acho interessante também a construção do romance da dupla de protagonista. Vale ressaltar o final do primeiro episódio onde um Ken ''castrado'' desperta uma explosão de sentimento na Momo.
O final da temporada (os últimos 3 episódios) são bem mais mornos que o restante, preparando novos personagens e explorando novas dinâmicas para a sequência da série. No geral eu fiquei muito satisfeito de ver algo assim, que provoca risadas, tensão e muita emoção. Fico curioso pra ver como que essa história pode prosseguir sem cair no marasmo do Shonen Battle.
Friends (10ª Temporada)
4.7 934Bem, termino aqui, depois de alguns anos assistindo, essa ótima série. Nem pretendo falar como um todo, até porque tem muita coisa pra se falar. A 10ª Temporada mantém aquela irregularidade que tanto afetou a anterior, com personagens deixando de ser personagens e virando seus estereótipos, alguns arcos sem sentido, mas consegue brilhar muito em alguns momentos específicos.
Gosto muito desse movimento de vida de Monica e Chandler, é legal acompanhar como foram personagens que foram pra frente, que mudaram bastante. Joe e Phoebe por mais que tenham momentos hilários ficam num marasmo, monotônico, sem muita versatilidade, e até quando a série arrisca algo com eles logo se recolhe pra esse lugar comum. O que talvez tenha me incomodado nesse final seja a abordagem da série com Ross e Rachel. Eles tem ótimos momentos, mas Friends luta pra ser uma série sobre os dois, colocando um significado muito grande nessa relação. Ross luta pra Rachel não seguir em frente e Rachel se sente empacada na vida, e a série aposta muitas fichas nessa dinâmica cansativa.
Agora como um todo, foi super divertido assistir Friends. Minha esposa é fascinada na série, e tenho certeza que quando ela estiver revendo (outra vez) vou parar pra ver junto de vez em quando e dar ótimas risadas. Por mais que seja um final com sinais de uma produção cansada de si mesma, não mancha em nada essa ótima jornada de amigos sem noção que amam uns aos outros.
Apenas um Show (2ª Temporada)
4.5 23Aquela ideia caótica da série na primeira temporada permanece aqui na segunda temporada, porém com uma amostra maior de episódios, dá pra perceber a criação meio que de uma fórmula, em que parte da diversão e surpresa passa por essa expectativa.
Também notei um aceno maior ao público adulto e uma abordagem melhor do espaço do parque. Gosto de como o Show trabalha seus protagonistas e foge de uma construção em busca de lição ou moral. É muito mais preocupado em manter essa estética transgressora em histórias que desafiam e extrapolam noções lógicas convencionais, é praticamente uma lógica própria muito particular, desde os acontecimentos até as resoluções.
Gostei mais ainda dessa segunda temporada, e acredito que tende a melhorar ainda mais.
O Cavaleiro dos Sete Reinos (1ª Temporada)
4.3 161Desde o começo comprei muito a ideia de trabalhar uma série nesse universo num tom cômico em sua maior parte. A começar pelo contraste entre a dupla de protagonistas, a crítica aos exageros reais, seja na questão da honra ou até mesmo na ostentação em festas e torneios, e até à algumas resoluções tragicômicas.
Gosto bastante do livro em que a série se baseia, e talvez até mais ainda da forma como foi adaptada para a TV. Esse estilo contribui para essa ideia de mostrar as contradições das hierarquias em Westeros, a falta de propósito maior na vida das famílias dominantes e na dualidade de ser um cavaleiro, fugindo do aspecto heroico e lúdico que é atribuído à essa figura na maioria das histórias ambientadas em um universo medieval fantástico.
Tudo Culpa Dela
4.1 300É uma série muito engajante, mas entrega as revelações de mão beijada demais.
Todo o ''circo'' familiar, e até os personagens secundários são bem trabalhadas de forma utilitária em prol da trama. Não faltam pontos ou vírgulas, e também não senti aquela barriga na maioria dos episódios, a não ser pelo penúltimo onde acompanhamos a revelação por um grande flashback.
Acho que no final das contas não existe nenhum mistério ou algo a ser discutido. A ''vilania'' fica centralizada em apenas uma figura, que parece ter causado todo o mal daquelas vidas. Até gosto de algumas escolhas do final, que desafiam a ética padrão mas nunca realmente trazem algum embate ou contestação.
The Americans (1ª Temporada)
4.3 134 Assista AgoraAcho muito interessante como a série aborda sua própria história. Sei que tem os momentos mais frenéticos, onde a tensão e espionagem dão as caras, mas a grande força dessa produção, e os momentos que mais me tocaram, foram nas relações familiares e nos dilemas morais.
Gosto dessa ambiguidade na relação do casal principal, fundado numa premissa muito racional e encenada, mas que surpreende no primeiro momento pelo afeto demonstrado entre eles. Em alguns momentos me lembrei muito de Mad Men, e espero que continue lembrando, torcendo para que a dinâmica familiar siga sendo trabalhada e até aprofundada, inserindo os filhos do casal gradativamente mais à trama.
Os dilemas não se atém apenas a essa questão romântica e familiar, mas também a do amor proibido. Qual o limite da traição, onde existe sentimento e onde é apenas trabalho? Essas questões também são levantadas para a trama envolvendo o agente do FBI, deixando tudo muito mais interessante.
Estou muito satisfeito, e até arrependido de não ter acompanhado essa série antes, e fico muito curioso por ver o desenrolar dessa história.
Apenas um Show (1ª Temporada)
4.5 113 Assista AgoraGostei bastante dessa temporada inicial. Acho que diferentemente de alguns outros desenhos dessa leva do Cartoon, Apenas um Show possui um grande desapego pelas fórmulas ou alguma linearidade. Lógico que se assemelha com as bizarrices que vemos em Hora de Aventura, Gravity Falls e Gamball. Mas existe um fascínio pela estética que concilia as sitcons americanas com a cena de quadrinhos independentes.
Apenas um Show é um show sobre o nada, no melhor estilo Seinfeld. As solução para os problemas que Mordecai e Rigby provocam todo episódio são realmente tiradas da bunda, numa ideia de série que não se preocupa com a racionalização, mas busca uma estrapolação do meio.
Mesmo gostando demais, ainda achei ela um pouco tímida, o que se justifica por ser o primeiro ano do programa. Ainda quero ver o que mais que esses funcionários preguiçosos do parque vão aprontar.
Ted Lasso (3ª Temporada)
4.3 118 Assista AgoraNesse momento não cabe nem comentários sobre a temporada, apenas por esse episódio final.
Eu acompanhei recentemente o desfecho de ótimas séries, até melhores que Ted Lasso, mas nenhuma vai me deixar tantas saudades quanto essa.
O Mandaloriano: Star Wars (3ª Temporada)
3.9 158 Assista AgoraNão expande o universo, não desenvolve personagens, toda a elaboração dos ''clãs'' mandalorianos usam de diversos clichês e fórmulas batidas, não só dentro da fórmula star wars como de conteúdos de ação em geral.
A volta do Grogu não se justifica em nenhum momento. A Bo-Katan ganha mais espaço, mas em toda temporada episódica e caótica não fez diferença alguma. O que dizer então da volta do ''vilão''? Com direito a discurso revelando seus planos malignos e tudo mais.
Apesar de 1 primeiro episódio interessante e um episódio final legal, a temporada está cheia de momentos bizarros, como o episódio 6, o pior episódio de série que vi até agora no ano.
Ainda há várias ideia descontinuadas dentro da ''linha'' narrativa da temporada. Ou será que eram fracas demais para se manterem?
A não ser que o Quarto ano da série seja a finalização, não volto mais. Esse é o jeito. This is the Way.
4/10
Sandman (1ª Temporada)
4.1 614 Assista AgoraAdaptação soberba. Como fã da obra original, mesmo com muitas mudanças, dá pra perceber a paixão despejada na produção dessa série, a vontade de fazer dar certo.
Esses primeiros arcos são os mais ''lineares e adaptáveis'' talvez de toda obra, a partir desse ponto será um grande desafio para a equipe.
Não concordei com a divisão da temporada, passa muito a sensação de quebra de ritmo, mas ainda assim, cheio de detalhes maravilhosos. Houve pouco tempo para o desenvolvimentos dos ''moradores'' da casa de Bonecas, mas o desfecho bem construído compensa demais.
Um grande cuidado com os personagens, ótimos atores e uma produção lindíssima.
Stranger Things (4ª Temporada)
4.2 1,0K Assista AgoraQuando terminei esses 2 episódios finais fiquei bem feliz por terem conseguido entregar a série épica que vendiam. Os acontecimentos nessa temporada estão numa escala bem maior, com mais personagens, um vilão ''definitivo'' e, talvez, o melhor trabalho de CGI da série até aqui.
Como houve um pequeno hiato entre os episódios 7 e 8, ficou pra mim o sentimento bem misto que tive quanto a primeira parte. Como já disse, embora épico e grandioso, com ótimas doses de emoção, faltou algo mais, e aí é algo bem pessoal mesmo. Talvez algo que me marcasse, e inclusive aponto que o roteiro possa ter contribuído nesse sentimento.
Existe um turbilhão de sentimentos trabalhados nessa temporada, os romances (ditos e não ditos), a saudade, lealdade e coragem. Um dos pontos que deveria ser um alto, onde os personagens tem que lidar com uma consequência é bem forte, mas o roteiro prefere ir por um caminho mais convencional e até ilógico. (Ex: O vilão mata todos os personagens instantaneamente, mas quando é um dos protagonistas que está sendo atacado parecia que o Vecna tinha alguma indisposição física ou mental.)
Existem vários momentos legais, mas a maioria são gratuitos. Como a cena da guitarra, da espada, e vários momentos de batalha da 'Eleven'. Não que o estilo não satisfaça, mas nesses casos citados ele trabalha contra a progressão da trama. É uma quebra de ritmo que é sentida, principalmente nos últimos episódios onde a duração é maior.
Tem muita riqueza nos personagens, com diversas nuances, porém o trabalho de equipe não é bem executado, acaba se restringindo a apenas alguns deles, e outros acabam sobrando. E até agora estou pensando em quão inútil foi o arco do Hopper, com uma das desculpas mais fracas de toda a série.
Ainda assim, por incrível que pareça, Stranger Things consegue empolgar, emocionar (Pelo menos até a página 1) e encantar com o universo rico de personagens, elementos e referências à cultura pop americana dos anos 80.
Nota: 7,5/10
Resident Alien (1ª Temporada)
4.0 30É tão bobo que chega a ser quase que inocente. Mesmo com um humor tido como ''negro'', com mortes e afins, é uma série super leve, que não se leva a sério.
Os personagens e suas tramas simples, o carisma dos atores e as situações cotidianas exploradas na pequena cidade são charmosas e na maioria das vezes encontram um desfecho feliz. O grandíssimo destaque aqui é a entrega e resultados sensacionais do Alan Tudyk. Seus trejeitos faciais e dualidade em suas falas são o puro ouro dessa série.
Eu gostei bastante, mesmo não tendo nada de novo aqui. Apenas uma produção e atores dedicados e engajados com um pequeno projeto, entregando o seu melhor.
Nota: 8,0/10
Patrulha do Destino (3ª Temporada)
3.7 39Doom Patrol sempre se manteve fiel à proposta de ser uma série diferente de super heróis. E isso é louvável. Porém, acredito que especialmente nesse terceiro ano, poucas coisas funcionaram, apesar de estar tudo lá, praticamente igual ao começo.
Parece que estava vendo os personagens enfrentarem os mesmo dilemas e situações da primeira e segunda temporada. Essa repetição e falta de novidade dentro da mesma história pode acabar se tornando problemática, como é o caso. Ainda mais porque a trama principal, Madame Rouge e a SIsterhood of Dada, é a mais fraca e deslocada de todas as temporadas.
Eu simplesmente não aguento mais ver a chatice que se tornou a Jane e toda a loucura na cabeça dela, é a mesma história todo episódio. O Cyborg até que teve algo relativamente interessante, A Rita ganhou mais espaço, o Cliff e Larry foram mais do mesmo.
A ligação com o final da segunda temporada é rápida demais, tudo é resolvido com muitas facilitações em 1 episódio. Apesar das bizarrices super legais, da galhofada nonsense e do humor negro em algumas situações, é tudo muito disperso dentro de uma trama que se arrasta com fórmulas repetidas.
Doom Patrol, ao tentar fugir das fórmulas convencionais, se acomodou em sua própria fórmula, não trazendo mais novidade e aquele brilho dos dois primeiros anos. Acho que não volto para a quarta temporada.
Nota: 6,0/10
How to with John Wilson (2ª Temporada)
4.3 8 Assista AgoraEssa é uma série que não faço a mínima ideia de como descobri. É descrita pelo próprio criador como um ''diário de memórias'', onde ele registra pequenos momentos cotidianos em Nova York. Me lembrou bastante ''Nova York, Vida na Cidade Grande'', HQ clássica do Will Eisner. Cada episódio começa com um esboço de raciocínio, que é desenvolvido de forma Irônica/Inocente brilhantemente.
A fusão desses dois conceitos em cima da observação do cotidiano e da vida é que entrega essa série tão especial. A dificuldade de encontrar vaga para seu carro termina em uma compra de lote em cemitério. A dificuldade de escolher e apreciar vinho termina num chá de bebê de uma esposa de um excêntrico magnata do ramo de energéticos. Como relembrar seus sonhos termina numa convenção de culto ao filme Avatar. Como descartar suas pilhas termina numa entrevista com um condenado de agressão sexual falando como é sua vida.
É imprevisível, cativante, emocionante, reflexiva e muito engraçada.
Barry (3ª Temporada)
4.2 78 Assista AgoraDurante a segunda temporada a HBO disponibilizava um conteúdo extra da série com os bastidores de gravação e com o Bill Hader comentando algumas coisas. Uma grande inspiração dele, sem sombra de dúvidas, é The Sopranos. Ele conta como tira algumas ideias legais que servem de inspiração para seus episódios. E acho que não para por aí, pois desde a ideia de um assassino fazer aulas de atuação até a situação ‘’surreal’’ que o Barry passa nessa terceira temporada me lembram demais a clássica série de máfia.
Esse paralelo entre ambas não fica somente no conteúdo, mas na qualidade de execução das ideias também. E que trabalho fantástico o Bill Hader vem fazendo como diretor, arrancando elogios até de Guillermo del Toro.
Essa nova temporada se aprofunda mais nos personagens secundários, construindo uma pirâmide de eventos que culminam naquele inesperado final. Lógico que ainda conta com as grandes marcas da série também, como o humor absurdo, cheio de situações pra lá de bizarras, personagens memoráveis e engraçados e muita violência.
A melhor série de 2022, e acho difícil aparecer algo melhor.
Nota: 10
Hacks (1ª Temporada)
4.2 103 Assista AgoraO grande destaque aqui é sem dúvidas pra Jean Smart, com uma interpretação completa e cheia de presença.
A série, entretanto, devido à grande repercussão e reconhecimento recebido não supriu todas as minhas expectativas. Os 5 primeiros episódios tem uma estrutura e situações bem conhecidas, com 2 personagens diferentes que vão se aproximando por meio de troca de farpas e piadas ácidas. As circunstâncias e acontecimentos são os mesmos que já vi em uma pá de séries até então.
Quando a personagem da Ava e Deborah começam a se conhecer melhor temos bons diálogos, e a grande temática da série é enfim verbalizada com todas as letras. Vi recentemente o especial de comédia ''Supernature'', do Ricky Gervais, e a primeira piada me lembrou bastante essa série, a dificuldade de mulheres se estabelecerem no cenário de comédia stand up ou de Talk Shows nos Estados Unidos.
Existe um momento que deveria ser o ápice da virada de mentalidade da Deborah, onde ela vai fazer um show num clube. Mas o personagem do comediante masculino é tão mal escrito que me tirou completamente qualquer sensação de satisfação que a série queria passar. É uma sequência grande de diálogos rasos e respostas prontas.
Os 2 últimos episódios me acertaram em cheio, e enfim vi a série chegando onde deveria. O drama aparece e traz uma carga emocional bem forte. Gostei muito de todas as escolhas. Ainda destaco a Kaitlin Olson, uma atriz super talentosa e pouco reconhecida, e o Christopher McDonald.
A primeira temporada termina com um Cliffhanger que achei desnecessário, e espero que não seja aquele artificio gratuito que será resolvida no primeiro episódio da próxima temporada.
Nota: 7,5/10
O Bebê
3.0 28 Assista AgoraApesar da ótima trilha sonora, boa fotografia, uma ideia muito interessante e um elenco bem carismático teve algumas coisas que não me agradaram.
Com apenas 20-25 minutos por episódio, existe um excesso narrativo com idas e vindas desnecessárias na história. Também há arcos paralelos que não conversam em nada com a história, e apenas desperdiçam o tempo de tela.
Em certo momento parece que a série quer abrir seu alcance inserindo novos personagens, mas logo depois se fecha novamente, reestabelecendo seu foco. Uma indecisão que quebra o ritmo toda hora, ficando assim maçante, enfadonha e cansativa.
Acho que mesmo curta, tinha potencial pra algo mais interessante, mas é só achismo mesmo. Existe uma curiosidade e um suspense em relação ao bebê que é o que deve manter a maioria das pessoas minimamente interessadas, e até tem um bom desfecho no final das contas.
Nota: 6,0/10
Kevin Can F*** Himself (1ª Temporada)
3.7 24Não é a primeira vez que essa proposta de subversão é feita, mas é bem executada até. O problema é que fica por isso, e a piada cansa e fica repetitiva muito rápido. Um começo entusiasmante se dilui até virar uma série frustrante.
Buffy: A Caça Vampiros (2ª Temporada)
4.2 99 Assista AgoraDesde a primeira cena se nota o aumento de orçamento da série, isso é óbvio. Porém, já nesse início vemos uma montagem e ritmo diferente, mais caprichado, mais melancólico, coisas que viriam ser tocadas em alguns momentos da temporada.
O peso de ser a escolhida é sentido pela Buffy, vemos aqui apenas mais uma das grandes sacadas da série. O surgimento da responsabilidade nesse momento de transição da vida, onde o amadurecimento do adolescente começa a se chocar com a realidade adulta, apenas os primeiros toques. A série consegue fazer excelentes paralelos desse tipo com todos os personagens em vários episódios.
Além de Buffy, Angel, Giles, Xander e Willow, outros personagens vão tomando seu espaço pouco a pouco, inclusive o casal de vilões dessa temporada, com uma dinâmica bem divertida. Aqui temos os primeiros episódios focados fora da Buffy, onde a responsabilidade da defesa da cidade (e do mundo) é compartilhada com seus amigos e aliados.
A mitologia se expande eficazmente, e graças ao incremento do número de episódios em relação a temporada anterior, doze a mais, não apenas a trama principal é trabalhada, temos tramas secundárias com conflitos e romances em arcos menores ao longo desse ano.
A transição da trama do 'anticristo' (da temporada anterior) pros novos vilões é muito abrupta, e com o aumento do número de histórias tivemos uns 3 ou 4 capítulos de qualidade duvidosa, realmente sobrando.
No entanto, acho que a série concluiu tudo que se propôs nesse segundo ano. A jornada de amadurecimento, os romances (secundários), Buffy e Angel, a dinâmica da escola, a ordem dos guardiões... tudo explorado de forma efetiva e criativa. Ainda destaco novamente as cenas de ação divertidíssimas, a maquiagem charmosa e o roteiro cativante.
Meus episódios favoritos foram (E foram muitos):
2x01 - When She Was Bad (Episódio da ICÔNICA dancinha da Buffy)
2x03 - School Hard
2x06 - Halloween (O Melhor Episódio de Halloween que já vi, criativo até a alma)
2x08 - The Dark Age
2x09 - What's My Line? Part One
2x13 - Surprise
2x14 - Innocence
2x15 - Phases
2x16 - Bewitched, Bothered and Bewildered
2x17 - Passion (De quebrar o coração)
2x21 - Becoming, Part One
2x22 - Becoming, Part Two
Uma retomada sensacional após a ótima primeira temporada.
Nota: 9,6/10
The Great (2ª Temporada)
4.2 30No final da primeira temporada, eu podia jurar que era uma minissérie. O final era perfeito, ousado e fechava uma linha definida traçada desde o primeiro episódio.
Essa segunda temporada até que é justificável, mas se distancia bastante do grau de urgência e da coerência narrativa apresentadas. É um temporada sem muito foco, com vários arcos iniciando e se encerrando no episódio seguinte. Alguns personagens avulsos sobrando, ou aparecendo só por uma piada gratuita.
Ainda tem vários momentos ácidos e super engraçados, e a química da Elle com o Nicholas é ótima. Alguns personagens são melhores trabalhados do que na primeira temporada, mas da metade pro final são todos esquecidos em prol do que acredito que seja o principal tema.
A urgência de algumas ações e o perigo de outras são esquecidos completamente, exigindo minha boa vontade de acreditar em certas conveniência. Exemplificando, algumas vezes parece ser impossível assassinar alguém na corte, em outras é muito fácil, só sacar a arma e atentar.
Ainda continua charmosa, engraçada, porém sem consistência e com uma história ''sobrando''.
Nota: 7,1/10
Estação Onze (1ª Temporada)
3.9 92Ahhh, que bacana essa série!
Cada episódio é uma viagem e tanto dentro desse universo maravilhoso e original. Dentre tantas produções pós-apocalípticas, é inusitado ver um foco assim em personagens, me lembrando bastante The Leftovers.
O Hiro murai, um grande diretor da tv, com grande participação no sucesso de Atlanta e Barry, pega uma série aqui do começo ao fim, e é demais! O visual é fantástico, a condução é cativante, dosando o mistério e o minimalismo presente nas relações entre os personagens.
O vai e vem na linha temporal, a là Lost, é uma fórmula que se mantém forte mais de 15 anos depois. Os cliffhangers no final dos episódios são ótimos pontos de conclusão dos arcos, apesar de não resultarem em nenhuma virada significativa no episódio seguinte. Pontualmente o ritmo pode ficar truculento para alguns, mas acho que essa alternância do drama pesado, recheado de lembranças e experiências, se alternando com o novo e leve jeito de viver livre é a dinâmica proposta.
Um elenco com alguns nomes famosos, o que pra mim impactou negativamente no aproveitamento de alguns personagens secundários. Não foi aquele gostinho de quero mais, e sim mais uma sensação de que faltou profundidade. Foi uma escolha narrativa, lógico, e vai gerar diferentes respostas no público.
O jeito que o teatro é utilizado em Station Eleven é brilhante. Não é uma concepção meramente barata e gratuita, é utilizada a favor de cada um dos protagonistas, e assim como em uma grande peça, o encaminhamento final se desenha de uma forma inesperada e esperada ao mesmo tempo, é confuso sim, mas marcante.
Nota: 8,5/10
The Boys Apresenta: Diabólicos (1ª Temporada)
3.6 71 Assista AgoraAssisti a algum tempo e lembro apenas de alguns momentos mais escatológicos e do episódio John and Sun-Hee, que foi o mais arriscado pra mim.
Talvez esse esquecimento meu se deva a algo pessoal ou talvez pelo fato desse spin off ser mais do mesmo. É o tipo do entretenimento fast food, um lugar comum, nada além de expandir o universo de The Boys sem personalidade.
Uma proposta com mais profundidade como o episódio que já mencionei, poderia elevar o nível da temporada que conta com boas animações e dublagem.
Nota: 6,1/10