duas psicopatas infernais documentadas em um protocolar e superficial documentário que faz o trabalho mais básico para investigar as motivações por trás dessa história tenebrosa. mas eu fiquei me perguntando: e esses maridos e pais que aceitam de boa ficar mais de ano sem ver os próprios filhos?
as motivações dos vilões ficam difusas, eles fazem de tudo para derrotar uma bruxa poderosa como a Elphaba, mas cedem aos argumentos de uma loirinha deslumbrada e a Madame Morrible, que pode controlar o clima, ao invés de tacar uma casa na cabeça da Glinda, simplesmente se deixa levar pelos macacos voadores aos berros, com os dois pés balangando? Inacreditável para mim na peça e no filme.
Além disso, as duas novas canções, por mais que nos ajudem a entender mais a condição emocional e as motivações das protagonistas, não fazem lá tanta diferença.
Por outro lado, o tempo mais dilatado que passamos vendo a dupla junta no filme, em comparação com a peça, onde as protagonistas se encontram muito pouco no segundo ato, ajudou a consolidar ainda mais a força do vínculo delas.
Tendo dito isso, com todas as minhas reclamações sobre a dramaturgia de Wicked (que são sempre as mesmas), não tem jeito: com dois minutos de filme eu já estava chorando, me emocionei o tempo inteiro e Ariana Grande realmente é um talento raro que teve oportunidade de amadurecer sua Glinda lindamente nesse trecho da história.
Eu sou muito fechada com a Elphaba, considero Cynthia Erivo uma lenda viva e ela entregou tudo que podia com as cenas que lhe ofereceram. As duas juntas são (perdoem a expressão) mágicas. Não tem pra ninguém e pronto!
E mesmo sabendo que o roteiro provavelmente ia me aborrecer em certos aspectos, porque já era fã do musical e acostumada a relevar os problemas dele, as minhas canções favoritas de Wicked estão nessa parte: No Good Deed e For Good. E deixa eu te contar: elas são tudo aquilo mesmo! E eu? Couldn't be happier!
Esse tem todo um aroma de filme dos anos 90/2000 que eu alugaria na Blockbuster para ver no fim de semana. Entre muitos diálogos expositivos e apelativos, tem aí uma sinceridade emocional e boas atuações que compensam o didatismo. O suspense sobre o que vai acontecer, assim como a afeição que se cultiva pelos personagens também contribui para que cada empecilho, cada tragédia tenha seu peso para quem assiste. Em especial, o David Jonsson é uma superestrela que pegou um personagem com momentos inspirados, mas também alguns bem duvidosos hiperinstrutivos e o transformou no coração do filme - mérito dele! Por fim, me aliviou a escolha do final, apesar de eu ficar sentido que algo faltou em geral na forma como esses personagens lidam com aquela circunstância tão cruel.
É difícil escrever resenha para um filme tão difícil de descrever. Nenhuma sinopse dá conta de resumi-lo, nenhuma logline dá uma dica do que se vai assistir. É inspirador ver um filme que, sendo homenagem ao cinema e sua história, foi feito com tamanho primor técnico. São feitos extraordinários do audiovisual, são detalhes intencionais que compõe um mosaico muito diverso e vibrante. É uma obra que nos encoraja a sonhar - uma vela nunca acesa pode durar pra sempre, mas vale mais a pena queimar e derreter, se for para iluminar o caminho. A arte pode nos custar muito, mas ela é fundamental, é o que nos aproxima da magia. Vi duas vezes na mostra. Isso é filme pra ver no cinema!
Em primeiro lugar, me interessei muito menos pelo protagonista Basil, do que pelo vilão Ratigan (até porque ele foi brilhantemente dublado pelo meu ídolo). Em segundo lugar, me emocionava sempre que a pequena Olivia aparecia, ela e o pai eram meus favoritos depois do antagonista. Em terceiro lugar, esse filme tem um discurso sobre classe muito interessante de se destrinchar, porque ao mesmo tempo que defende que uma classe supostamente inferior (a ratazana) pode até se fingir de lorde, mas jamais será igual à classe supostamente civilizada (os camundongos) e que só haverá paz quando cada estrato social aceitar sua posição segregada, também há aí uma ilustração muito interessante e ambivalente sobre o reacionarismo que pipoca em indivíduos marginalizados que buscam sua emancipação num plano mirabolante de ocupar espaços de altíssimo privilégio dentro do próprio sistema hierárquico que sustenta essa marginalização. O recalque do Ratigan resulta numa obsessão em tentar se convencer e convencer os outros de que ele tem vocação para realeza e seu ressentimento o transforma em um pseudo novo rico taxador com aspirações a old money... enfim. Mais do que nunca, precisamos de teses sobre esse filme e, principalmente, precisamos de mais filmes de rato!
eu tenho tantos pensamentos sobre esse filme. eu nunca vou desgostar de uma barbara stanwyck sendo canalha, acho que a tese do filme é bem ambígua e tem algo aí que eu gostaria de ter visto aprofundado. a relação dela com a doméstica dela revela, também, algo de muito indigesto sobre classe e raça - nada que eu não soubesse, mas que fica tão evidente, mesmo com poucas cenas, que chama atenção. acho que o filme se engana ao, pelo menos em parte, defender que a Lily tem de fato poder sobre esses homens, ao invés de reconhecer como ela aprendeu a negociar dentro das condições patriarcais, de acordo com as regras *deles* e não dela. e é também desconfortável para mim o quanto eu fiquei torcendo pelo último homem e ela se casarem, como se isso fosse algum tipo de redenção ou resolução - o filme e a sociedade podem até argumentar que é, mas quem sabe, sabe... enfim, figurinos e cenários opulentos, uma protagonista descarada e aspectos surpreendentemente progressistas, que encontramos em muitos filmes da era pré-código de Hayes pra nunca mais, tornam o filme muito encantador, por mais que obviamente não se encaixe perfeitamente nas sensibilidades progressistas atuais. mas também acho um charme um filme de glamour com um pouco menos de moralismo do que estamos acostumados a ver, principalmente em filme americano. queria uma minissérie bem gourmet de baby face. poxa vida, poderia fazer uma tese de mestrado sobre Lily Powers.
O filme tem várias qualidades - sendo a primeira animação desenhada à mão feita pelo Paquistão, é um longa de importância histórica. Os personagens principais são interessantes, a relação deles é um deleite de assistir, a animação é bem feita, a trilha é encantadora. Contudo, gostaria de ter assistido o filme na dublagem original, porque submeteram a dublagem em inglês para a Mostra de SP e eu a considerei tenebrosa. Os diálogos às vezes poderiam ter sido mais criativos, mas não sei se é culpa da dublagem também. Sinto que o roteiro poderia ter se aprofundado em algumas coisas e sido menos didático com outras. Mas, em geral, acho um ótimo filme!
Algumas informações passaram batido pra mim e tenho certeza que um conhecimento mais aprofundado sobre história chinesa teria elevado minha experiência. Tendo dito isso, achei o tom tragicômico uma boa surpresa, o elenco é muito competente, e, em geral, o ritmo é bom (a primeira metade é melhor). Os destaques são a direção de arte e de fotografia, num estilo meio monocromático azul, representando aquele fim de dia e a trilha sonora meio experimental/punk/tradicional chinesa que é simplesmente icônica.
Muito do incômodo e desconforto que o filme estabelece está no silêncio, naquilo que está entalado na garganta e não sai da boca dos personagens. É um roteiro muito cuidadoso, que trabalha nas sutilezas das dinâmicas de poder estabelecidas naquela família disfuncional. Os atores estão excelentes, sem exceção. Adoro o estilo do Todd Haynes, que muito bebe na fonte de Douglas Sirk, outro grande cineasta, de quem sou fã. A personagem de Julianne Moore é intrigante, assustadora, um tipo que sabe comer pelas beiradas e que marca seu território de maneiras muito estranhas, sob um véu de uma performance mega abilolada de meninez e graciosidade. Enquanto isso, ver Charles Melton fazer um adulto que obviamente cultiva uma criança atrofiada e solitária dentro de si foi desesperador. Muito bom.
Quando teu um problema no teu quintal, lide com ele com calma e ponderação, ao invés de jogar o teu problema no quintal dos outros. Basicamente! Muito bem feito e bem tenebroso.
A estrutura não-linear e a ausência de didatismo demasiado é uma virtude do filme, mas o torna difícil de acompanhar para quem não conhece muito bem aquele recorte histórico da China e seus conflitos com o Japão durante a Segunda Guerra. Há de se ter um pouco de paciência, porque as informações vão aparecendo aos poucos e preenchendo lacunas, mas conhecer o mínimo do contexto é uma lição de casa para o espectador também. De qualquer forma, as atuações são ótimas - Tony Leung é um mestre, mas o elenco de apoio também dá conta de seus personagens. Muitos consideram esse filme propagandista e eu compreendo - caracterizaria ele como patriótico, talvez, mas é definitivamente menos simplista, direto e maniqueísta do que uma mera propaganda. O diretor é muito competente e o roteiro é interessante, mas senti falta de ver em mais detalhe o trabalho de espionagem dos personagens e de ver suas relações mais aprofundadas, em meio a tanta performance e mentira. Existem vislumbres do preço a se pagar, emocionalmente, pelo trabalho de espionagem, principalmente nas cenas entre os casais, e acho que esses momentos poderiam ser mais bem aproveitados, em contraste com as várias cenas entre os homens do governo Wang, que às vezes parecem um pouco redundantes. Apesar dessas ressalvas, é um filme bem feito, que suscita curiosidade sobre aquele contexto histórico que eu conhecia muito mal.
Minha vida inteira fui fã de musicais e a adaptação de 61 é um filme que marcou a história do cinema e a minha vida. Tendo dito isso, a versão de 2021 roubou meu coração e, em alguns aspectos, até superou o filme antigo. Adorei o respeito que Spielberg teve com o musical, com suas características mais teatrais e tradicionais dos musicais clássicos da Broadway. Foi emocionante ver esse trabalho do meu ídolo, Sondheim, sendo honrado desse jeito - está evidente que Spielberg ama essa história e esse projeto. O roteiro do Tony Kushner trouxe mudanças muito inteligentes para essa história, mas manteve a dramaticidade elevada, até porque é uma adaptação de Romeu e Julieta. Infelizmente, Ansel Elgort é duramente ofuscado por seus colegas de cena e, por mais que o Tony nunca tenha sido um protagonista muito forte, o novo roteiro inseriu mais profundidade para ele que o ator simplesmente não deu conta de expressar. Isso também é sintoma de um elenco de apoio esplêndido, vindo dos palcos, que simplesmente manja de musical e sabe muito bem o que está fazendo. Rachel é linda de Maria, mas os destaques mesmo são Mike Faist, Ariana DeBose e David Alvarez (que eu lembro de ver ganhar o prêmio Tony pequenininho, quando fez Billy Elliot), como Riff, Anita e Bernardo, que merecem indicações em todos os prêmios (mas suspeito que serão esnobados em vários). Por fim, tenho que dizer que a escolha de repaginar o personagem do Doc e torná-lo Valentina, trazendo de volta a lenda Rita Moreno, foi muito acertada e me emocionei com ela cantando Somewhere, uma das canções mais lindas do cânone do teatro musical americano. Ótimo filme.
Um filme que transmite bem a sensação de desamparo e hostilidade de uma pequena comunidade na Lapônia, marcada pela escassez, corrupção e falta de perspectiva. Achei o filme parado em alguns momentos, mas melhora de ritmo no meio. Os personagens despertam curiosidade, mas senti falta de conhecê-los mais profundamente. Em geral, achei bem interessante e gostei da escolha de ter um protagonista contido, tímido, que está tentando encontrar seu heroísmo em um ambiente tão inóspito para isso.
se o zac e o christopher tivessem transado logo, teríamos sido poupados daquelas montagens com foto de banco de imagens
e, sinceramente, é a mais pura verdade. Tinha uns atores bons aí, uma premissa interessante aí e o diretor/roteirista fez uma coisa bem meia boca. Uma mistura bem ordinária de Senhor das Moscas com Among Us, que tenta ser High Life, mas não tem a coragem necessária.
Fiquei com vontade de ver mais sobre os personagens, mas entendi que a proposta era justamente representar a simulação de intimidade entre estranhos, então, talvez, não faça tanto sentido cobrar mais profundidade (numa camada mais visível) do filme. Como sempre, filmes dessa época exigem um pouco de generosidade do espectador mais jovem, principalmente quando se trata da edição de som e dublagem. Tendo dito isso, a direção de fotografia é impressionante e os personagens são muito interessantes. A direção é bem cuidadosa e a personagem da Odete Lara é um mood eterno. Adorei a representação da noite de São Paulo que o filme faz e o bom equilíbrio entre pathos e espirituosidade do roteiro. O filme passou seu recado e vou lembrar de várias falas icônicas da Regina.
Frank Dillane e Evan Rachel Wood são os únicos atores que parece estar acordados durante o filme todo e foram criminalmente subutilizados. O longa é arrastado, a premissa interessante é mal desenvolvida, os personagens não são aprofundados... Enfim, uma grande decepção que demorou um tempão pra sair e agora percebo o porquê. Todo o comentário interessante sobre a toxicidade dessas bandas cheias de narcisistas e sobre a desgastante vida em turnê... jogado fora. Não entendi o motivo pelo qual todos estavam obcecados pela Viena, a pobrezinha é uma mosca morta. Dou uma estrela por partes da trilha-sonora que gostei muito e outra estrela pela ambientação esquisitíssima e dessaturada, que nem sempre funcionou, mas foi uma escolha interessante. Fui até generosa nessa avaliação rs. Fazer um trabalho mequetrefe com um elenco desse requer muito esforço!
O livro me marcou muito, então eu estava muito ansiosa para ver a adaptação. Alguns aspectos deixam a desejar, principalmente por conta da inconsistência geral de tom e da superficialidade com que trata alguns assuntos. A direção também poderia ter sido um pouco mais criativa e o roteiro um pouco menos didático. Entretanto, esses pequenos defeitos são facilmente relevados, já que o filme conta com enorme sinceridade emocional, um elenco que está se divertindo muito e o protagonismo efervescente de Beanie Feldstein. O livro e sua adaptação cinematográfica são homenagens contundentes à força da garota adolescente - sua resiliência, seu entusiasmo, seu otimismo. Os minutos passaram voando, porque o longa é simplesmente divertido e cumpre seu papel em esmagar o cinismo da galera cool, ao enaltecer a inocência e ambição de moças que querem ser felizes. Garotas (e garotos também) precisam de filmes e livros assim. Eu precisava, quando era adolescente e, francamente, preciso até hoje.
Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt
3.0 28 Assista Agoraduas psicopatas infernais documentadas em um protocolar e superficial documentário que faz o trabalho mais básico para investigar as motivações por trás dessa história tenebrosa. mas eu fiquei me perguntando: e esses maridos e pais que aceitam de boa ficar mais de ano sem ver os próprios filhos?
Wicked: Parte 2
3.4 143 Assista AgoraAs minhas reclamações sobre a dramaturgia do ato 2 de Wicked seguem as mesmas no segundo filme:
as motivações dos vilões ficam difusas, eles fazem de tudo para derrotar uma bruxa poderosa como a Elphaba, mas cedem aos argumentos de uma loirinha deslumbrada e a Madame Morrible, que pode controlar o clima, ao invés de tacar uma casa na cabeça da Glinda, simplesmente se deixa levar pelos macacos voadores aos berros, com os dois pés balangando? Inacreditável para mim na peça e no filme.
Além disso, as duas novas canções, por mais que nos ajudem a entender mais a condição emocional e as motivações das protagonistas, não fazem lá tanta diferença.
Por outro lado, o tempo mais dilatado que passamos vendo a dupla junta no filme, em comparação com a peça, onde as protagonistas se encontram muito pouco no segundo ato, ajudou a consolidar ainda mais a força do vínculo delas.
Tendo dito isso, com todas as minhas reclamações sobre a dramaturgia de Wicked (que são sempre as mesmas), não tem jeito: com dois minutos de filme eu já estava chorando, me emocionei o tempo inteiro e Ariana Grande realmente é um talento raro que teve oportunidade de amadurecer sua Glinda lindamente nesse trecho da história.
Eu sou muito fechada com a Elphaba, considero Cynthia Erivo uma lenda viva e ela entregou tudo que podia com as cenas que lhe ofereceram. As duas juntas são (perdoem a expressão) mágicas. Não tem pra ninguém e pronto!
E mesmo sabendo que o roteiro provavelmente ia me aborrecer em certos aspectos, porque já era fã do musical e acostumada a relevar os problemas dele, as minhas canções favoritas de Wicked estão nessa parte: No Good Deed e For Good. E deixa eu te contar: elas são tudo aquilo mesmo! E eu? Couldn't be happier!
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 340 Assista AgoraEsse tem todo um aroma de filme dos anos 90/2000 que eu alugaria na Blockbuster para ver no fim de semana. Entre muitos diálogos expositivos e apelativos, tem aí uma sinceridade emocional e boas atuações que compensam o didatismo. O suspense sobre o que vai acontecer, assim como a afeição que se cultiva pelos personagens também contribui para que cada empecilho, cada tragédia tenha seu peso para quem assiste. Em especial, o David Jonsson é uma superestrela que pegou um personagem com momentos inspirados, mas também alguns bem duvidosos hiperinstrutivos e o transformou no coração do filme - mérito dele! Por fim, me aliviou a escolha do final, apesar de eu ficar sentido que algo faltou em geral na forma como esses personagens lidam com aquela circunstância tão cruel.
Resurrection
4.1 3É difícil escrever resenha para um filme tão difícil de descrever. Nenhuma sinopse dá conta de resumi-lo, nenhuma logline dá uma dica do que se vai assistir. É inspirador ver um filme que, sendo homenagem ao cinema e sua história, foi feito com tamanho primor técnico. São feitos extraordinários do audiovisual, são detalhes intencionais que compõe um mosaico muito diverso e vibrante. É uma obra que nos encoraja a sonhar - uma vela nunca acesa pode durar pra sempre, mas vale mais a pena queimar e derreter, se for para iluminar o caminho. A arte pode nos custar muito, mas ela é fundamental, é o que nos aproxima da magia. Vi duas vezes na mostra. Isso é filme pra ver no cinema!
Morte e Vida Madalena
4.1 3É Brasil, é cinema, é cômico, é dramático, é belo, é simples, é complexo, é brega, é refinado, ai... é tudo!
As Peripécias do Ratinho Detetive
3.8 101 Assista AgoraEm primeiro lugar, me interessei muito menos pelo protagonista Basil, do que pelo vilão Ratigan (até porque ele foi brilhantemente dublado pelo meu ídolo). Em segundo lugar, me emocionava sempre que a pequena Olivia aparecia, ela e o pai eram meus favoritos depois do antagonista. Em terceiro lugar, esse filme tem um discurso sobre classe muito interessante de se destrinchar, porque ao mesmo tempo que defende que uma classe supostamente inferior (a ratazana) pode até se fingir de lorde, mas jamais será igual à classe supostamente civilizada (os camundongos) e que só haverá paz quando cada estrato social aceitar sua posição segregada, também há aí uma ilustração muito interessante e ambivalente sobre o reacionarismo que pipoca em indivíduos marginalizados que buscam sua emancipação num plano mirabolante de ocupar espaços de altíssimo privilégio dentro do próprio sistema hierárquico que sustenta essa marginalização. O recalque do Ratigan resulta numa obsessão em tentar se convencer e convencer os outros de que ele tem vocação para realeza e seu ressentimento o transforma em um pseudo novo rico taxador com aspirações a old money... enfim. Mais do que nunca, precisamos de teses sobre esse filme e, principalmente, precisamos de mais filmes de rato!
Serpente de Luxo
4.0 44eu tenho tantos pensamentos sobre esse filme. eu nunca vou desgostar de uma barbara stanwyck sendo canalha, acho que a tese do filme é bem ambígua e tem algo aí que eu gostaria de ter visto aprofundado. a relação dela com a doméstica dela revela, também, algo de muito indigesto sobre classe e raça - nada que eu não soubesse, mas que fica tão evidente, mesmo com poucas cenas, que chama atenção. acho que o filme se engana ao, pelo menos em parte, defender que a Lily tem de fato poder sobre esses homens, ao invés de reconhecer como ela aprendeu a negociar dentro das condições patriarcais, de acordo com as regras *deles* e não dela. e é também desconfortável para mim o quanto eu fiquei torcendo pelo último homem e ela se casarem, como se isso fosse algum tipo de redenção ou resolução - o filme e a sociedade podem até argumentar que é, mas quem sabe, sabe... enfim, figurinos e cenários opulentos, uma protagonista descarada e aspectos surpreendentemente progressistas, que encontramos em muitos filmes da era pré-código de Hayes pra nunca mais, tornam o filme muito encantador, por mais que obviamente não se encaixe perfeitamente nas sensibilidades progressistas atuais. mas também acho um charme um filme de glamour com um pouco menos de moralismo do que estamos acostumados a ver, principalmente em filme americano. queria uma minissérie bem gourmet de baby face. poxa vida, poderia fazer uma tese de mestrado sobre Lily Powers.
Tarde Demais
4.2 92 Assista Agoracatherine sloper: uma inspiração, a diva dos bordados, girlboss com aquele brinco pendurado, tudooooo.
The Glassworker
3.5 3O filme tem várias qualidades - sendo a primeira animação desenhada à mão feita pelo Paquistão, é um longa de importância histórica. Os personagens principais são interessantes, a relação deles é um deleite de assistir, a animação é bem feita, a trilha é encantadora. Contudo, gostaria de ter assistido o filme na dublagem original, porque submeteram a dublagem em inglês para a Mostra de SP e eu a considerei tenebrosa. Os diálogos às vezes poderiam ter sido mais criativos, mas não sei se é culpa da dublagem também. Sinto que o roteiro poderia ter se aprofundado em algumas coisas e sido menos didático com outras. Mas, em geral, acho um ótimo filme!
Full River Red
2.9 1Algumas informações passaram batido pra mim e tenho certeza que um conhecimento mais aprofundado sobre história chinesa teria elevado minha experiência. Tendo dito isso, achei o tom tragicômico uma boa surpresa, o elenco é muito competente, e, em geral, o ritmo é bom (a primeira metade é melhor). Os destaques são a direção de arte e de fotografia, num estilo meio monocromático azul, representando aquele fim de dia e a trilha sonora meio experimental/punk/tradicional chinesa que é simplesmente icônica.
Segredos de um Escândalo
3.4 396 Assista AgoraMuito do incômodo e desconforto que o filme estabelece está no silêncio, naquilo que está entalado na garganta e não sai da boca dos personagens. É um roteiro muito cuidadoso, que trabalha nas sutilezas das dinâmicas de poder estabelecidas naquela família disfuncional. Os atores estão excelentes, sem exceção. Adoro o estilo do Todd Haynes, que muito bebe na fonte de Douglas Sirk, outro grande cineasta, de quem sou fã. A personagem de Julianne Moore é intrigante, assustadora, um tipo que sabe comer pelas beiradas e que marca seu território de maneiras muito estranhas, sob um véu de uma performance mega abilolada de meninez e graciosidade. Enquanto isso, ver Charles Melton fazer um adulto que obviamente cultiva uma criança atrofiada e solitária dentro de si foi desesperador. Muito bom.
O Mal Que Nos Habita
3.5 807 Assista AgoraQuando teu um problema no teu quintal, lide com ele com calma e ponderação, ao invés de jogar o teu problema no quintal dos outros. Basicamente! Muito bem feito e bem tenebroso.
Hidden Blade
3.8 3A estrutura não-linear e a ausência de didatismo demasiado é uma virtude do filme, mas o torna difícil de acompanhar para quem não conhece muito bem aquele recorte histórico da China e seus conflitos com o Japão durante a Segunda Guerra. Há de se ter um pouco de paciência, porque as informações vão aparecendo aos poucos e preenchendo lacunas, mas conhecer o mínimo do contexto é uma lição de casa para o espectador também. De qualquer forma, as atuações são ótimas - Tony Leung é um mestre, mas o elenco de apoio também dá conta de seus personagens. Muitos consideram esse filme propagandista e eu compreendo - caracterizaria ele como patriótico, talvez, mas é definitivamente menos simplista, direto e maniqueísta do que uma mera propaganda. O diretor é muito competente e o roteiro é interessante, mas senti falta de ver em mais detalhe o trabalho de espionagem dos personagens e de ver suas relações mais aprofundadas, em meio a tanta performance e mentira. Existem vislumbres do preço a se pagar, emocionalmente, pelo trabalho de espionagem, principalmente nas cenas entre os casais, e acho que esses momentos poderiam ser mais bem aproveitados, em contraste com as várias cenas entre os homens do governo Wang, que às vezes parecem um pouco redundantes. Apesar dessas ressalvas, é um filme bem feito, que suscita curiosidade sobre aquele contexto histórico que eu conhecia muito mal.
Amor, Sublime Amor
3.4 363 Assista AgoraMinha vida inteira fui fã de musicais e a adaptação de 61 é um filme que marcou a história do cinema e a minha vida. Tendo dito isso, a versão de 2021 roubou meu coração e, em alguns aspectos, até superou o filme antigo. Adorei o respeito que Spielberg teve com o musical, com suas características mais teatrais e tradicionais dos musicais clássicos da Broadway. Foi emocionante ver esse trabalho do meu ídolo, Sondheim, sendo honrado desse jeito - está evidente que Spielberg ama essa história e esse projeto. O roteiro do Tony Kushner trouxe mudanças muito inteligentes para essa história, mas manteve a dramaticidade elevada, até porque é uma adaptação de Romeu e Julieta. Infelizmente, Ansel Elgort é duramente ofuscado por seus colegas de cena e, por mais que o Tony nunca tenha sido um protagonista muito forte, o novo roteiro inseriu mais profundidade para ele que o ator simplesmente não deu conta de expressar. Isso também é sintoma de um elenco de apoio esplêndido, vindo dos palcos, que simplesmente manja de musical e sabe muito bem o que está fazendo. Rachel é linda de Maria, mas os destaques mesmo são Mike Faist, Ariana DeBose e David Alvarez (que eu lembro de ver ganhar o prêmio Tony pequenininho, quando fez Billy Elliot), como Riff, Anita e Bernardo, que merecem indicações em todos os prêmios (mas suspeito que serão esnobados em vários). Por fim, tenho que dizer que a escolha de repaginar o personagem do Doc e torná-lo Valentina, trazendo de volta a lenda Rita Moreno, foi muito acertada e me emocionei com ela cantando Somewhere, uma das canções mais lindas do cânone do teatro musical americano. Ótimo filme.
The Last Ones
3.0 3Um filme que transmite bem a sensação de desamparo e hostilidade de uma pequena comunidade na Lapônia, marcada pela escassez, corrupção e falta de perspectiva. Achei o filme parado em alguns momentos, mas melhora de ritmo no meio. Os personagens despertam curiosidade, mas senti falta de conhecê-los mais profundamente. Em geral, achei bem interessante e gostei da escolha de ter um protagonista contido, tímido, que está tentando encontrar seu heroísmo em um ambiente tão inóspito para isso.
Zola
3.1 54 Assista AgoraEstou esperando por esse filme desde aquele dia histórico no twitter e não creio que ele agora está entre nós!
Viajantes: Instinto e Desejo
2.6 128 Assista AgoraVi no letterboxd uma resenha que dizia que
se o zac e o christopher tivessem transado logo, teríamos sido poupados daquelas montagens com foto de banco de imagens
Um Ato de Esperança
3.3 60 Assista AgoraAi Emma... Te amo
Duas Tias Loucas de Férias
3.1 60 Assista AgoraCompletamente tresloucado, apenas apostas ousadas. Adorei.
Noite Vazia
4.1 92Fiquei com vontade de ver mais sobre os personagens, mas entendi que a proposta era justamente representar a simulação de intimidade entre estranhos, então, talvez, não faça tanto sentido cobrar mais profundidade (numa camada mais visível) do filme. Como sempre, filmes dessa época exigem um pouco de generosidade do espectador mais jovem, principalmente quando se trata da edição de som e dublagem. Tendo dito isso, a direção de fotografia é impressionante e os personagens são muito interessantes. A direção é bem cuidadosa e a personagem da Odete Lara é um mood eterno. Adorei a representação da noite de São Paulo que o filme faz e o bom equilíbrio entre pathos e espirituosidade do roteiro. O filme passou seu recado e vou lembrar de várias falas icônicas da Regina.
BLACK IS KING: Um Filme de Beyoncé
4.5 198 Assista AgoraA Beyoncé faz TUDO
Viena and the Fantomes
2.0 7Frank Dillane e Evan Rachel Wood são os únicos atores que parece estar acordados durante o filme todo e foram criminalmente subutilizados. O longa é arrastado, a premissa interessante é mal desenvolvida, os personagens não são aprofundados... Enfim, uma grande decepção que demorou um tempão pra sair e agora percebo o porquê. Todo o comentário interessante sobre a toxicidade dessas bandas cheias de narcisistas e sobre a desgastante vida em turnê... jogado fora. Não entendi o motivo pelo qual todos estavam obcecados pela Viena, a pobrezinha é uma mosca morta. Dou uma estrela por partes da trilha-sonora que gostei muito e outra estrela pela ambientação esquisitíssima e dessaturada, que nem sempre funcionou, mas foi uma escolha interessante. Fui até generosa nessa avaliação rs. Fazer um trabalho mequetrefe com um elenco desse requer muito esforço!
Como Se Tornar Influente
3.0 12 Assista AgoraO livro me marcou muito, então eu estava muito ansiosa para ver a adaptação. Alguns aspectos deixam a desejar, principalmente por conta da inconsistência geral de tom e da superficialidade com que trata alguns assuntos. A direção também poderia ter sido um pouco mais criativa e o roteiro um pouco menos didático. Entretanto, esses pequenos defeitos são facilmente relevados, já que o filme conta com enorme sinceridade emocional, um elenco que está se divertindo muito e o protagonismo efervescente de Beanie Feldstein. O livro e sua adaptação cinematográfica são homenagens contundentes à força da garota adolescente - sua resiliência, seu entusiasmo, seu otimismo. Os minutos passaram voando, porque o longa é simplesmente divertido e cumpre seu papel em esmagar o cinismo da galera cool, ao enaltecer a inocência e ambição de moças que querem ser felizes. Garotas (e garotos também) precisam de filmes e livros assim. Eu precisava, quando era adolescente e, francamente, preciso até hoje.
Fogo Contra Fogo
4.0 714 Assista AgoraLegal, mas cortaria uns 40 minutos e uns 10 personagens