Adoro o trabalho de David Lynch, mas nunca tinha assistido Twin Peaks, apesar de sempre ouvir falarem sobre. Ontem, sem nada para fazer, encontrei esse filme no catálogo do Telecine e não pensei duas vezes. Filme deliciosamente maluco! Porém, achei que estava vendo uma versão reeditada da série, adaptada para o formato de filme para streaming. Fui pesquisar e, para minha surpresa, descobri que Twin Peaks vai muito além disso – há várias obras relacionadas!
Pesquisando na internet descobri algumas coisas sobre a ordem correta d assistir. Me parece que a ordem cronológica, se quiser acompanhar os eventos na linha do tempo, seria:
Twin Peaks: Fire Walk With Me (1992) – Filme (Prequela) Twin Peaks (1990-1991) – Série (Temporadas 1 e 2) Twin Peaks: The Return (2017) – Série (Temporada 3)
Porém, se assistir "Fire Walk With Me" antes pode tirar parte do mistério e impacto da série original, então a ordem de lançamento é a mais recomendada (Já comecei errado), que seria:
- Twin Peaks (1990-1991) – Série Original - Twin Peaks: Fire Walk With Me (1992) – Filme - Twin Peaks: The Return (2017) – Série (Temporada 3, 18 episódios)
Enfim, se estiver considerando começar por este filme, agora você sabe a ordem certa!
Revisitar a filmografia de Walter Salles é sempre um exercício de reflexão sobre as oportunidades – ou a escassez delas – no cinema brasileiro. Salles, ao longo de sua carreira, mostrou que sabe abraçar desafios e fazer muito com pouco, algo essencial para quem trabalha em um mercado tão restrito como o nosso. O que mais me impressiona é sua habilidade em transformar limitações em potência criativa, especialmente em filmes como “Terra Estrangeira” e “O Primeiro Dia”. Ambos, apesar de orçamentos modestos, destacam-se pela ousadia narrativa e pela sensibilidade visual.
No caso de “O Primeiro Dia”, o filme nasceu de uma proposta internacional: o projeto 2000 Vistas, que convidou cineastas de várias partes do mundo a refletir sobre o impacto da virada do milênio em suas respectivas culturas. Essa encomenda colocou Salles em uma posição que ele conhece bem – a pressão de entregar algo relevante em um curto espaço de tempo. Quando o cerco aperta, ele parece recorrer a uma de suas parcerias mais confiáveis: Daniela Thomas, que traz ao projeto uma inteligência criativa admirável e complementa seu olhar cinematográfico.
A dinâmica entre Salles e Thomas é evidente em cada escolha do filme, desde a direção intimista até o roteiro, que frequentemente incorpora contribuições dos próprios atores. Diálogos reescritos durante o processo de filmagem e momentos de improviso refletem a urgência da produção e o estilo colaborativo da dupla. Essa abordagem, embora arriscada, é eficaz em criar personagens autênticos e uma narrativa que pulsa com realismo.
Visualmente, O Primeiro Dia carrega uma clara influência do neorrealismo italiano – um movimento que, segundo o próprio Salles, foi uma de suas grandes descobertas durante a adolescência na Europa. Essa estética está presente no uso de locações reais no Rio de Janeiro, na iluminação natural e nos enquadramentos que destacam a solidão e a complexidade de seus personagens. Há uma poesia melancólica no modo como o filme retrata a virada do milênio, explorando temas como a transição, a incerteza e a desigualdade social.
Ainda assim, confesso que, enquanto cineasta e espectador, tive dificuldade em me conectar emocionalmente com O Primeiro Dia. Diferentemente de obras anteriores de Salles, como “Central do Brasil” ou o já citado “Terra Estrangeira”. Talvez seja a natureza do projeto, talvez a urgência na execução – mas a verdade é que, apesar de admirar a condução do filme e a entrega dos atores, ainda assim não me conectei. Por outro lado, assistir a este filme é, sem dúvida, um exercício interessante e enriquecedor. Ele reafirma a habilidade de Walter Salles em se manter em movimento, em encontrar oportunidades em meio a limitações e em trabalhar com recursos modestos para criar algo que, ainda que prático, tem valor e significado.
Revisitar a filmografia de Walter Salles é como embarcar em uma jornada cinematográfica que desvela os contrastes e riquezas do Brasil, e Central do Brasil é, sem dúvida, a joia que brilha mais intensamente nesse percurso. Meu projeto pessoal de assistir à obra completa do cineasta está caminhando a passos lentos, mas cada passo é recompensador. Até agora, passei por "A Grande Arte" e "Terra Estrangeira", e ao rever "Central do Brasil", me vi profundamente tocado de uma forma que jamais imaginei, talvez porque minha experiência de vida e meu olhar cinematográfico mudaram tanto desde a primeira vez que assisti a este filme, muito antes de me tornar cineasta.
O curioso é que desta vez a experiência foi diferente em todos os sentidos. Assisti ao filme no celular, algo que nunca imaginei fazer, mas estava na estrada, retornando para casa. E talvez isso tenha tornado a experiência ainda mais simbólica, já que Central do Brasil é, antes de tudo, uma narrativa sobre deslocamento, sobre o encontro com o Brasil profundo e sobre o reencontro de personagens com suas próprias essências. O filme dialogou diretamente com o momento que eu vivia, e isso o tornou ainda mais especial.
Agora, com um olhar mais apurado e técnico, posso afirmar sem hesitação: Central do Brasil é impecável. Cada elemento da produção é tratado com maestria, fruto do trabalho de uma equipe que entregou um verdadeiro tesouro nacional. A fotografia de Walter Carvalho é um espetáculo à parte: os grãos, as texturas, os enquadramentos e a iluminação conferem ao filme uma estética que é tanto crua quanto poética. Já tinha ficado impressionado com o trabalho dele em Terra Estrangeira, mas aqui, com um orçamento maior, Carvalho leva sua competência a um nível ainda mais alto, ampliando as dimensões visuais da narrativa.
Uma das características marcantes do trabalho de Walter Salles, especialmente em suas obras anteriores, é a mistura de gêneros dentro de um único filme. Porém, em "Central do Brasil", ele opta por uma abordagem mais direta e sólida, o que, sem dúvida, contribui para sua maior conexão com o público. A história é linear, mas profundamente humana, e isso faz toda a diferença.
A trilha sonora é outro destaque. Remete ao clássico cinema hollywoodiano, mas traz uma alma brasileira inconfundível, especialmente na trilha tema. É como se a música guiasse emocionalmente o espectador pela jornada de Dora e Josué, costurando os momentos de tensão e redenção com uma sensibilidade ímpar.
O que mais me chamou a atenção foi como a linguagem visual do filme reflete a transformação interna da protagonista, Dora. O início claustrofóbico, com planos fechados e cores opacas, vai cedendo espaço a planos mais amplos e cores mais vivas à medida que Dora redescobre sua humanidade. Essa transição não é apenas narrativa, mas sensorial, e no final, o filme entrega algo raro: a sensação de um abraço reconfortante.
E, claro, não poderia deixar de mencionar Fernanda Montenegro. Sua atuação é um espetáculo em si. Ela não apenas interpreta Dora; ela se transforma nela, entregando uma performance que transcende a tela e nos faz acreditar em cada olhar, em cada silêncio.
Central do Brasil é uma obra-prima que transcende o cinema. É um espelho de um Brasil profundo, de suas contradições, dores e belezas. Walter Salles, com sua sensibilidade e visão, nos deu um presente que permanece tão relevante e impactante quanto no dia de seu lançamento. Rever este filme foi, para mim, um reencontro com o cinema na sua forma mais pura e poderosa.
Após a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro por Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, senti uma faísca de inspiração para revisitar a filmografia deste que é um dos grandes nomes do nosso cinema. Comecei por Terra Estrangeira, o segundo filme de ficção do diretor, e fui surpreendido de maneira arrebatadora.
De início, imaginei que seria um drama social, talvez influenciado pelo título e pelo pôster, mas o filme vai além. É também um suspense impecavelmente dirigido, que mantém o espectador à beira da cadeira. Filmado em super 16 e preto e branco, uma escolha tanto estética quanto estratégica para reduzir custos, Terra Estrangeira impressiona pelo que entrega em termos visuais e narrativos, mesmo com seu baixíssimo orçamento, estimado em cerca de 500 mil reais. A ousadia de Salles e sua equipe em levar a produção para locações internacionais reforça a ambição do projeto, que parece um filme de pelo menos um milhão de reais.
Walter Salles brilha especialmente na construção das cenas de tensão. Destaco um momento perto do terceiro ato: um plano-sequência magistral, em que a câmera circula entre os personagens, aumentando a tensão de forma quase insuportável. É o tipo de cena que faz lembrar o mestre Alfred Hitchcock – não apenas pela técnica, mas pela sutileza em traduzir emoções humanas através do movimento e da composição.
No entanto, o que mais me marcou foi como o filme transcende gêneros. Há romance, há crítica social, mas o suspense emerge como a verdadeira alma da obra, conduzido com uma precisão que poucos diretores conseguem atingir tão cedo em suas carreiras. Salles não apenas conta uma história, mas nos lembra por que escolhemos fazer cinema: para desafiar, emocionar e, acima de tudo, ousar.
Como produtor independente e apaixonado por cinema, revisitar a filmografia de Walter Salles é sempre um exercício enriquecedor. O diretor, amplamente conhecido por obras como Central do Brasil, deu seus primeiros passos na ficção com A Grande Arte, um thriller policial baseado no livro de Rubem Fonseca. Apesar de controverso como adaptação, o filme é ótimo no quesito produção e direção, especialmente para quem estuda o cinema brasileiro.
Produzido com um orçamento de US$ 4 milhões (cerca de 1,52 bilhão de cruzeiros em 1991), o filme foi feito para o mercado externo. É falado majoritariamente em inglês, embora se passe no Brasil, acompanhando a jornada de um fotógrafo estrangeiro em busca de justiça. Essa escolha, embora estratégica, gerou críticas: muitos apontaram a inconsistência de um protagonista que mora no Brasil, mas se comunica o tempo todo em inglês, até com brasileiros. Apesar disso, o filme não obteve grande projeção internacional, mas demarcou o início de uma carreira promissora.
É impossível ignorar que Walter Salles começou em um patamar que poucos diretores brasileiros têm acesso. Seu primeiro longa de ficção já contava com recursos internacionais, uma realidade distante para quem trabalha no cinema independente. Isso, claro, não diminui seu talento, mas ressalta a importância de contatos e do privilégio no setor.
O filme impressiona em sua execução técnica. A cena de abertura, por exemplo, é um plano memorável: a câmera se afasta de um prédio, revelando a cidade em uma tomada aérea realizada com helicóptero – recurso caro e complexo para a época, antes da popularização dos drones. Depois esse plano se repete, por volta do terceiro ato, só que saindo da janela de um trem e movimento. Imagino quantas diárias foram necessárias para alcançar o resultado final. Esse nível de produção técnica é um sonho para qualquer cineasta.
Outro ponto interessante são as cenas de treinamento com facas, que exigiram preparação rigorosa dos atores para que fossem críveis. A atenção aos detalhes enriquece o filme, mas também evidencia como um orçamento robusto pode elevar a qualidade de uma obra.
A Grande Arte transita entre romance, ação e suspense, com toques de noir, mostrando a versatilidade de Walter Salles em explorar diferentes gêneros. Ele repetiria essa habilidade mais tarde em Terra Estrangeira e outras produções.
A Grande Arte não é perfeito – sofre com críticas de adaptação e escolhas narrativas –, mas é um marco. Como cineasta, assistir a obra é uma oportunidade de aprendizado. Walter Salles tinha apenas 34 anos na época, mas já demonstrava domínio técnico e artístico. Para quem também busca trilhar o caminho do cinema independente, é inspirador, mas também um lembrete de que cada trajetória tem seu contexto.
"Galera, preciso de grana" e assim surgiu "Sexta-Feira 13" (1980), um filme que foi um marco na história do cinema de terror. "Galera, preciso aproveitar um domínio público e preciso de grana", assim surgiu "Ursinho Pooh: Sangue e Mel". Dentro dessa pretensão, o filme deu muito certo!
Para quem está aberto a conhecer outras culturas, em um filme com a pegada comercial sem a pretensão de ser inovador e diferentão, vale o entretenimento. Gostei da forma que o roteiro foi escrito e como o filme foi conduzido. Fotografia e arte bastante primorosas. Só não gostei da última cena, mas de resto achei interessante.
Gostei muito do primeiro filme e não estava esperando nada desse, mas me surpreendeu. O fato desse filme se passar antes dos acontecimentos do original, com a atriz hj já sendo moça e a personagem precisando aparentar ser criança, achei que fosse ficar muito mal feito. Souberam escolher a fotografia certa para esse tipo de efeito digital que transformou o rosto da atriz. Inclusive não só os efeitos, mas também o trabalho corporal da duble é outra coisa que vale destaque, pois não fugiu muito do que era a Esther de Isabelle Fuhrman no primeiro filme. Além do ponto de virada forte (plot twist), também presente nesse filme, vale destacar a brutalidade e a forma que foi dirigida todas as cenas de ataque (principalmente as finais), que também é uma característica marcante do primeiro. Agora uma coisa que destoa muito do original é o drama que nesse ficou bem jogado e no outro era intenso. Enfim, pode não superar o primeiro, mas sem dúvida a equipe se esforçou para entregar uma coisas legal.
Efeitos visuais, fotografia e figurinos muito bons. Os filmes da DC tem um visual que me agrada de mais. Se tivesse menos tempo de duração, provável que eu teria gostado mais.
Impressionante como um filme que se passa em apenas uma locação, consegue fazer com que nossa imaginação viaje por vários lugares apenas através do som. Sem contar que as cenas são sufocante com a excelente atuação do protagonista.
É um filme de terror genérico, mas vale pelo terceiro ato. Momento em que o ator que faz o vilão se destaca e começa levar o filme nas costas. Com isso toda perseguição final acaba ficando convincente.
Que baita filmão sufocante. Este filme mostra que quando o desafio é grande, mas se você tiver fé, esperança e uma equipe capacitada, conseguirá superar todos os desafios. Não foi nada fácil e os obstáculos inúmeros, trazendo um grande realismo ao roteiro, que por sinal já é baseado na história real. Vale a pena d+ ... achei o melhor do ano até agora!
Assisti em uma sala XD (Extreme Digital da Cinemark) e achei diversas das cenas uma baita experiência. As sequências de ação estão de tirar o fôlego e os dinossauros com CGI mais perfeito ainda. Não poderia deixar de destacar o som, que está incrivelmente minucioso. Porém, infelizmente senti que mais uma vez hollywood se rendeu ao formato Marvel e o roteiro é heroico de mais, para uma franquia onde os dinossauros devem ser o ponto central da trama. O terceiro ato pra mim foi desanimador, mas por se tratar de "Jurassic" eu vou engolir.
Esse filme desrespeitou o original trazendo a Sally de volta para isso. Enquanto "Halloween" e "Pânico" ao retornarem honraram o legado dos clássicos, vem a Netflix e me faz uma pataquada dessa com "The Texas Chainsaw Massacre". O que da mais raiva é que não foi por falta de dinheiro e sim talento e criatividade mesmo. O de 74 entrega muito mais com bem menos.
(OBS: Além do original também vale conferir o remake de 2003 e o de 2006, intitulado "O inicio").
Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer
3.9 296 Assista AgoraAdoro o trabalho de David Lynch, mas nunca tinha assistido Twin Peaks, apesar de sempre ouvir falarem sobre. Ontem, sem nada para fazer, encontrei esse filme no catálogo do Telecine e não pensei duas vezes. Filme deliciosamente maluco! Porém, achei que estava vendo uma versão reeditada da série, adaptada para o formato de filme para streaming. Fui pesquisar e, para minha surpresa, descobri que Twin Peaks vai muito além disso – há várias obras relacionadas!
Pesquisando na internet descobri algumas coisas sobre a ordem correta d assistir. Me parece que a ordem cronológica, se quiser acompanhar os eventos na linha do tempo, seria:
Twin Peaks: Fire Walk With Me (1992) – Filme (Prequela)
Twin Peaks (1990-1991) – Série (Temporadas 1 e 2)
Twin Peaks: The Return (2017) – Série (Temporada 3)
Porém, se assistir "Fire Walk With Me" antes pode tirar parte do mistério e impacto da série original, então a ordem de lançamento é a mais recomendada (Já comecei errado), que seria:
- Twin Peaks (1990-1991) – Série Original
- Twin Peaks: Fire Walk With Me (1992) – Filme
- Twin Peaks: The Return (2017) – Série (Temporada 3, 18 episódios)
Enfim, se estiver considerando começar por este filme, agora você sabe a ordem certa!
O Primeiro Dia
3.3 36Revisitar a filmografia de Walter Salles é sempre um exercício de reflexão sobre as oportunidades – ou a escassez delas – no cinema brasileiro. Salles, ao longo de sua carreira, mostrou que sabe abraçar desafios e fazer muito com pouco, algo essencial para quem trabalha em um mercado tão restrito como o nosso. O que mais me impressiona é sua habilidade em transformar limitações em potência criativa, especialmente em filmes como “Terra Estrangeira” e “O Primeiro Dia”. Ambos, apesar de orçamentos modestos, destacam-se pela ousadia narrativa e pela sensibilidade visual.
No caso de “O Primeiro Dia”, o filme nasceu de uma proposta internacional: o projeto 2000 Vistas, que convidou cineastas de várias partes do mundo a refletir sobre o impacto da virada do milênio em suas respectivas culturas. Essa encomenda colocou Salles em uma posição que ele conhece bem – a pressão de entregar algo relevante em um curto espaço de tempo. Quando o cerco aperta, ele parece recorrer a uma de suas parcerias mais confiáveis: Daniela Thomas, que traz ao projeto uma inteligência criativa admirável e complementa seu olhar cinematográfico.
A dinâmica entre Salles e Thomas é evidente em cada escolha do filme, desde a direção intimista até o roteiro, que frequentemente incorpora contribuições dos próprios atores. Diálogos reescritos durante o processo de filmagem e momentos de improviso refletem a urgência da produção e o estilo colaborativo da dupla. Essa abordagem, embora arriscada, é eficaz em criar personagens autênticos e uma narrativa que pulsa com realismo.
Visualmente, O Primeiro Dia carrega uma clara influência do neorrealismo italiano – um movimento que, segundo o próprio Salles, foi uma de suas grandes descobertas durante a adolescência na Europa. Essa estética está presente no uso de locações reais no Rio de Janeiro, na iluminação natural e nos enquadramentos que destacam a solidão e a complexidade de seus personagens. Há uma poesia melancólica no modo como o filme retrata a virada do milênio, explorando temas como a transição, a incerteza e a desigualdade social.
Ainda assim, confesso que, enquanto cineasta e espectador, tive dificuldade em me conectar emocionalmente com O Primeiro Dia. Diferentemente de obras anteriores de Salles, como “Central do Brasil” ou o já citado “Terra Estrangeira”. Talvez seja a natureza do projeto, talvez a urgência na execução – mas a verdade é que, apesar de admirar a condução do filme e a entrega dos atores, ainda assim não me conectei. Por outro lado, assistir a este filme é, sem dúvida, um exercício interessante e enriquecedor. Ele reafirma a habilidade de Walter Salles em se manter em movimento, em encontrar oportunidades em meio a limitações e em trabalhar com recursos modestos para criar algo que, ainda que prático, tem valor e significado.
Central do Brasil
4.1 1,9K Assista AgoraRevisitar a filmografia de Walter Salles é como embarcar em uma jornada cinematográfica que desvela os contrastes e riquezas do Brasil, e Central do Brasil é, sem dúvida, a joia que brilha mais intensamente nesse percurso. Meu projeto pessoal de assistir à obra completa do cineasta está caminhando a passos lentos, mas cada passo é recompensador. Até agora, passei por "A Grande Arte" e "Terra Estrangeira", e ao rever "Central do Brasil", me vi profundamente tocado de uma forma que jamais imaginei, talvez porque minha experiência de vida e meu olhar cinematográfico mudaram tanto desde a primeira vez que assisti a este filme, muito antes de me tornar cineasta.
O curioso é que desta vez a experiência foi diferente em todos os sentidos. Assisti ao filme no celular, algo que nunca imaginei fazer, mas estava na estrada, retornando para casa. E talvez isso tenha tornado a experiência ainda mais simbólica, já que Central do Brasil é, antes de tudo, uma narrativa sobre deslocamento, sobre o encontro com o Brasil profundo e sobre o reencontro de personagens com suas próprias essências. O filme dialogou diretamente com o momento que eu vivia, e isso o tornou ainda mais especial.
Agora, com um olhar mais apurado e técnico, posso afirmar sem hesitação: Central do Brasil é impecável. Cada elemento da produção é tratado com maestria, fruto do trabalho de uma equipe que entregou um verdadeiro tesouro nacional. A fotografia de Walter Carvalho é um espetáculo à parte: os grãos, as texturas, os enquadramentos e a iluminação conferem ao filme uma estética que é tanto crua quanto poética. Já tinha ficado impressionado com o trabalho dele em Terra Estrangeira, mas aqui, com um orçamento maior, Carvalho leva sua competência a um nível ainda mais alto, ampliando as dimensões visuais da narrativa.
Uma das características marcantes do trabalho de Walter Salles, especialmente em suas obras anteriores, é a mistura de gêneros dentro de um único filme. Porém, em "Central do Brasil", ele opta por uma abordagem mais direta e sólida, o que, sem dúvida, contribui para sua maior conexão com o público. A história é linear, mas profundamente humana, e isso faz toda a diferença.
A trilha sonora é outro destaque. Remete ao clássico cinema hollywoodiano, mas traz uma alma brasileira inconfundível, especialmente na trilha tema. É como se a música guiasse emocionalmente o espectador pela jornada de Dora e Josué, costurando os momentos de tensão e redenção com uma sensibilidade ímpar.
O que mais me chamou a atenção foi como a linguagem visual do filme reflete a transformação interna da protagonista, Dora. O início claustrofóbico, com planos fechados e cores opacas, vai cedendo espaço a planos mais amplos e cores mais vivas à medida que Dora redescobre sua humanidade. Essa transição não é apenas narrativa, mas sensorial, e no final, o filme entrega algo raro: a sensação de um abraço reconfortante.
E, claro, não poderia deixar de mencionar Fernanda Montenegro. Sua atuação é um espetáculo em si. Ela não apenas interpreta Dora; ela se transforma nela, entregando uma performance que transcende a tela e nos faz acreditar em cada olhar, em cada silêncio.
Central do Brasil é uma obra-prima que transcende o cinema. É um espelho de um Brasil profundo, de suas contradições, dores e belezas. Walter Salles, com sua sensibilidade e visão, nos deu um presente que permanece tão relevante e impactante quanto no dia de seu lançamento. Rever este filme foi, para mim, um reencontro com o cinema na sua forma mais pura e poderosa.
Terra Estrangeira
4.0 219 Assista AgoraApós a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro por Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, senti uma faísca de inspiração para revisitar a filmografia deste que é um dos grandes nomes do nosso cinema. Comecei por Terra Estrangeira, o segundo filme de ficção do diretor, e fui surpreendido de maneira arrebatadora.
De início, imaginei que seria um drama social, talvez influenciado pelo título e pelo pôster, mas o filme vai além. É também um suspense impecavelmente dirigido, que mantém o espectador à beira da cadeira. Filmado em super 16 e preto e branco, uma escolha tanto estética quanto estratégica para reduzir custos, Terra Estrangeira impressiona pelo que entrega em termos visuais e narrativos, mesmo com seu baixíssimo orçamento, estimado em cerca de 500 mil reais. A ousadia de Salles e sua equipe em levar a produção para locações internacionais reforça a ambição do projeto, que parece um filme de pelo menos um milhão de reais.
Walter Salles brilha especialmente na construção das cenas de tensão. Destaco um momento perto do terceiro ato: um plano-sequência magistral, em que a câmera circula entre os personagens, aumentando a tensão de forma quase insuportável. É o tipo de cena que faz lembrar o mestre Alfred Hitchcock – não apenas pela técnica, mas pela sutileza em traduzir emoções humanas através do movimento e da composição.
No entanto, o que mais me marcou foi como o filme transcende gêneros. Há romance, há crítica social, mas o suspense emerge como a verdadeira alma da obra, conduzido com uma precisão que poucos diretores conseguem atingir tão cedo em suas carreiras. Salles não apenas conta uma história, mas nos lembra por que escolhemos fazer cinema: para desafiar, emocionar e, acima de tudo, ousar.
🎬❤️
A Grande Arte
2.8 31Como produtor independente e apaixonado por cinema, revisitar a filmografia de Walter Salles é sempre um exercício enriquecedor. O diretor, amplamente conhecido por obras como Central do Brasil, deu seus primeiros passos na ficção com A Grande Arte, um thriller policial baseado no livro de Rubem Fonseca. Apesar de controverso como adaptação, o filme é ótimo no quesito produção e direção, especialmente para quem estuda o cinema brasileiro.
Produzido com um orçamento de US$ 4 milhões (cerca de 1,52 bilhão de cruzeiros em 1991), o filme foi feito para o mercado externo. É falado majoritariamente em inglês, embora se passe no Brasil, acompanhando a jornada de um fotógrafo estrangeiro em busca de justiça. Essa escolha, embora estratégica, gerou críticas: muitos apontaram a inconsistência de um protagonista que mora no Brasil, mas se comunica o tempo todo em inglês, até com brasileiros. Apesar disso, o filme não obteve grande projeção internacional, mas demarcou o início de uma carreira promissora.
É impossível ignorar que Walter Salles começou em um patamar que poucos diretores brasileiros têm acesso. Seu primeiro longa de ficção já contava com recursos internacionais, uma realidade distante para quem trabalha no cinema independente. Isso, claro, não diminui seu talento, mas ressalta a importância de contatos e do privilégio no setor.
O filme impressiona em sua execução técnica. A cena de abertura, por exemplo, é um plano memorável: a câmera se afasta de um prédio, revelando a cidade em uma tomada aérea realizada com helicóptero – recurso caro e complexo para a época, antes da popularização dos drones. Depois esse plano se repete, por volta do terceiro ato, só que saindo da janela de um trem e movimento. Imagino quantas diárias foram necessárias para alcançar o resultado final. Esse nível de produção técnica é um sonho para qualquer cineasta.
Outro ponto interessante são as cenas de treinamento com facas, que exigiram preparação rigorosa dos atores para que fossem críveis. A atenção aos detalhes enriquece o filme, mas também evidencia como um orçamento robusto pode elevar a qualidade de uma obra.
A Grande Arte transita entre romance, ação e suspense, com toques de noir, mostrando a versatilidade de Walter Salles em explorar diferentes gêneros. Ele repetiria essa habilidade mais tarde em Terra Estrangeira e outras produções.
A Grande Arte não é perfeito – sofre com críticas de adaptação e escolhas narrativas –, mas é um marco. Como cineasta, assistir a obra é uma oportunidade de aprendizado. Walter Salles tinha apenas 34 anos na época, mas já demonstrava domínio técnico e artístico. Para quem também busca trilhar o caminho do cinema independente, é inspirador, mas também um lembrete de que cada trajetória tem seu contexto.
Ursinho Pooh: Sangue e Mel
1.4 225 Assista Agora"Galera, preciso de grana" e assim surgiu "Sexta-Feira 13" (1980), um filme que foi um marco na história do cinema de terror. "Galera, preciso aproveitar um domínio público e preciso de grana", assim surgiu "Ursinho Pooh: Sangue e Mel". Dentro dessa pretensão, o filme deu muito certo!
Oferenda ao Demônio
2.2 89 Assista AgoraPara quem está aberto a conhecer outras culturas, em um filme com a pegada comercial sem a pretensão de ser inovador e diferentão, vale o entretenimento. Gostei da forma que o roteiro foi escrito e como o filme foi conduzido. Fotografia e arte bastante primorosas. Só não gostei da última cena, mas de resto achei interessante.
Não! Não Olhe!
3.5 1,4K Assista AgoraJordan Peele dirige cenas de forma memorável
Órfã 2: A Origem
2.7 799 Assista AgoraGostei muito do primeiro filme e não estava esperando nada desse, mas me surpreendeu. O fato desse filme se passar antes dos acontecimentos do original, com a atriz hj já sendo moça e a personagem precisando aparentar ser criança, achei que fosse ficar muito mal feito. Souberam escolher a fotografia certa para esse tipo de efeito digital que transformou o rosto da atriz. Inclusive não só os efeitos, mas também o trabalho corporal da duble é outra coisa que vale destaque, pois não fugiu muito do que era a Esther de Isabelle Fuhrman no primeiro filme. Além do ponto de virada forte (plot twist), também presente nesse filme, vale destacar a brutalidade e a forma que foi dirigida todas as cenas de ataque (principalmente as finais), que também é uma característica marcante do primeiro. Agora uma coisa que destoa muito do original é o drama que nesse ficou bem jogado e no outro era intenso. Enfim, pode não superar o primeiro, mas sem dúvida a equipe se esforçou para entregar uma coisas legal.
Adão Negro
3.1 710 Assista AgoraEfeitos visuais, fotografia e figurinos muito bons. Os filmes da DC tem um visual que me agrada de mais. Se tivesse menos tempo de duração, provável que eu teria gostado mais.
Uncharted: Fora do Mapa
3.1 492 Assista AgoraBem gostoso de assistir e com visual incrível. Pena que os filmes de hoje em dia estão muito grandes, aí vai ficando cansativo.
Mortal Kombat
2.7 1,0K Assista AgoraQuando aparece o Scorpion, com aquela trilha sonora tema foi o auge!
Observadores
3.0 485 Assista AgoraA trama parece daqueles filmes dos anos 90, mas sem o "charme" dos anos 90 e com jovens ao invés de personagens maduros.
O Culpado
3.1 473 Assista AgoraImpressionante como um filme que se passa em apenas uma locação, consegue fazer com que nossa imaginação viaje por vários lugares apenas através do som. Sem contar que as cenas são sufocante com a excelente atuação do protagonista.
A Lenda de Candyman
3.3 521 Assista AgoraVale a pena pelo final, caso também tenha visto o original!
Sozinho com o Inimigo
2.6 47 Assista AgoraÉ um filme de terror genérico, mas vale pelo terceiro ato. Momento em que o ator que faz o vilão se destaca e começa levar o filme nas costas. Com isso toda perseguição final acaba ficando convincente.
Gringo: Vivo ou Morto
2.7 67História boa, roteiro chato, atores ótimos, produção cara, direção confusa. Filme estranho.
Treze Vidas: O Resgate
4.0 161 Assista AgoraQue baita filmão sufocante. Este filme mostra que quando o desafio é grande, mas se você tiver fé, esperança e uma equipe capacitada, conseguirá superar todos os desafios. Não foi nada fácil e os obstáculos inúmeros, trazendo um grande realismo ao roteiro, que por sinal já é baseado na história real. Vale a pena d+ ... achei o melhor do ano até agora!
O Telefone Preto
3.5 1,2K Assista AgoraFilmão simples e eficiente. Esse diretor é um baita nome do terror moderno.
Os Cavaleiros do Zodíaco: O Filme - Prólogo do Céu
3.6 150Dos filmes ainda prefiro "A batalha de Abel".
Jurassic World: Domínio
2.8 604 Assista AgoraAssisti em uma sala XD (Extreme Digital da Cinemark) e achei diversas das cenas uma baita experiência. As sequências de ação estão de tirar o fôlego e os dinossauros com CGI mais perfeito ainda. Não poderia deixar de destacar o som, que está incrivelmente minucioso. Porém, infelizmente senti que mais uma vez hollywood se rendeu ao formato Marvel e o roteiro é heroico de mais, para uma franquia onde os dinossauros devem ser o ponto central da trama. O terceiro ato pra mim foi desanimador, mas por se tratar de "Jurassic" eu vou engolir.
O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface
2.2 702 Assista AgoraEsse filme desrespeitou o original trazendo a Sally de volta para isso. Enquanto "Halloween" e "Pânico" ao retornarem honraram o legado dos clássicos, vem a Netflix e me faz uma pataquada dessa com "The Texas Chainsaw Massacre". O que da mais raiva é que não foi por falta de dinheiro e sim talento e criatividade mesmo. O de 74 entrega muito mais com bem menos.
(OBS: Além do original também vale conferir o remake de 2003 e o de 2006, intitulado "O inicio").
Tem Alguém na sua Casa
2.3 247Gostei da direção desse filme. Se tivesse um roteiro mais estruturado a nota seria melhor.
A Vida Secreta de Zoe
2.4 149 Assista AgoraTecnicamente bom, porém o roteiro é fracão. Depois de 50 minutos maçantes, ainda tem mais 50 e a história não engrena nem a pau.