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Últimas opiniões enviadas

  • Mateus Rameh

    Isso aqui foi massa. Já na imagem inicial tem uma sugestividade que joga com a nossa intuição em algumas direções de um jeito bem expressivo e que vai além disso quando, literalmente, se concretiza no final para além de uma sugestão onírica. Quer dizer, em retrospecto dá até pra dizer que existe um certo sufoco de pesadelo no curta todo que nos faz refletir se em algum momento sequer saímos do sonho do começo. Isso transmite uma ideia desse cotidiano como aquilo do que ele não consegue escapar, que o aprisiona e confunde, algo que a pintura e os diálogos também fazem. O estilo da pintura, que não é fotorrealista, nos dá a ver o mundo sob uma ótica turva, embaçada, altamente subjetiva. Os diálogos, também pouco inteligíveis (como muitas vezes em sonhos compreendemos trechos do que os outros falam ou nos lembramos de partes), nos inserem na perspectiva do protagonista, atordoado a todo tempo por seus arredores, em constante dessintonia com eles.

    Assim,

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    quando vem aquela imagem final da bolha orbitante, o curta ressintoniza a existência do personagem,

    numa sequência que transborda de um desenvolvimento narrativo causal (que mostraria ele resolvendo seus problemas) para uma dinâmica metafórica do fantástico que parece mostrar um processo de estafa e catarse de modo mais aberto e puramente sensorial. Além disso, ele faz o uso da pintura transbordar do que poderia ser um mero artifício para tornar o filme mais "artístico" e menos banal para realizar uma sequência que só se torna possível, no contexto brasileiro de produção de filmes (principalmente dos independentes), através dessa linguagem fantástica, que independe do registro concreto de uma câmera e permite
    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    alçar vôo ao espaço sem custos astronômicos.

    Do mais profundo oceano no subconsciente à mais distante estrela, aí estaremos: confusão pulsante de energia e matéria (cósmica).

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  • Mateus Rameh

    O que mais me chamou atenção na montagem de Soberba foi o uso de “fade to black” para os momentos entre os quais um tempo considerável teria decorrido. Não à toa é um recurso que apenas aparece após 25 minutos de filme, ou seja, durante todo o primeiro ato, justamente porque uma montagem que pretende ser narrativa não colocaria uma “pausa” no meio de seu esforço de construir uma apresentação dos personagens e de suas relações. Isso comprometeria a sensação de continuidade, de causalidade entre cada ação que o narrador primeiro pontua para depois silenciar-se e nos deixar ver qual consequência terá o que comentou. Então, é apenas depois de estarmos situados na trama (já sabendo que George se interessou por Lucy, que a paixão de sua mãe Isabel por Eugene não passou e que sua tia Fanny também continua interessada pelo inventor) que esse recurso entra como uma solução proveitosa para nos indicar que podemos respirar e nos preparar para o próximo pedaço de história que irá se suceder. (...)
    -Breve comentário sobre o filme escrito para a disciplina de Montagem no período 2020.2 da UFF (Universidade Federal Fluminense).

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  • Mateus Rameh

    Link para ver o curta - https://www.youtube.com/watch?v=7kqxSXgD9ZA

    Assisti ao curta sem procurar do que se tratava, pois acho que isso me faz chegar mais aberto para as possibilidades que o filme venha a provocar e também não pesquisei nada depois. Não falo espanhol, então talvez algo tenha passado despercebido nos poucos diálogos.
    O que me chamou mais atenção no curta “Alumbramiento” foi o modo como ele estabelece uma montagem de ecos com um forte senso onírico e de memórias que se embaralham. O tique-taque de um relógio marcado visualmente por seu pêndulo ressoa no relógio que uma criança desenha em seu pulso, o modo como a mulher se movimenta na cama é continuado pelo balançar dos pés da costureira, o som da grama sendo cortada parece se misturar ao movimento de uma corda sendo trançada. Num primeiro momento, é difícil precisar se o sangue na barriga é da mulher, do bebê, ou de outra pessoa. Imagens e sons se misturam de modo que nos confundimos e nos deslocalizamos tanto no espaço das cenas quanto em suas temporalidades, o que se assemelha a uma atmosfera de sonho ou mesmo de lembranças longínquas, que lampejam na mente em flashes por vezes imprecisos e misteriosos.
    Com uma fusão na montagem, ao mesmo tempo em que perfura o tecido e marca o nome da criança que acaba de chegar, a agulha da máquina de costura perfura a barriga do bebê, que sangra. Isso me pareceu apontar para uma condição de violência desse mundo em que a criança acaba de chegar e já é submetida. Um mundo em guerra, em que a imagem de um menino trançando uma corda a partir de seu dedão mais parece um enforcamento. Um mundo hostil em que desde o nascimento os homens já estão fadados à fadiga do trabalho ou da guerra. E a mãe, já sabendo os destinos que o esperam, teme por seu filho. A aflição que ela demonstra parece contaminar todas as imagens na primeira metade do filme e paira uma sensação de pesadelo diante da possibilidade da vida de um filho se esvair, do relógio chegar ao último batimento de seus ponteiros e encerrar uma existência tão nova.
    Foi com essa densidade que “Alumbramiento” me impactou. As alternâncias que faz entre diferentes imagens e sons, pessoas e situações não parecem ter uma conexão muito imediata num primeiro momento, mas passam a se interligar a partir de uma confecção, na montagem, que as faz reverberar umas nas outras. Assim, somos sensibilizados justamente pela ausência de uma explicação lógica explícita ou de uma estrutura linear na montagem, que enfraqueceriam substancialmente o efeito dessa composição turva e misteriosa.
    -Breve comentário sobre o filme escrito para a disciplina de Montagem no período 2020.2 da UFF (Universidade Federal Fluminense).

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  • Elegante
    Elegante

    Massa Mateus, fico feliz que curta meu trabalho. Também gosto muito da página de vocês e o curta ficou excelente! Parabéns!

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