Uma montagem acelerada em um filme que explora o carisma (duvidoso?) do ator João Guilherme para contar uma história baseada em fatos reais sobre um dos primeiros hackers criminosos que movimentou muito dinheiro no início dos anos 2000 no Brasil. Isso tudo ainda na sua adolescência.
O filme aposta num ritmo quase sufocante para relatar uma história glorificada de como era fácil burlar segurança virtual no início do século e como as beneces que essa grana traziam, embora duvidosas, pouco importavam. Principalmente nas mãos de um garoto. Acho que nesse ponto o filme peca, já que com mais de duas horas vemos pouco de uma evolução de maturidade do protagonista nem mais consequências do estrago que ele causou.
Uma grande comparação a ele, até pela juventude dos golpistas é o excelente Prenda-Me se For Capaz, onde vemos um pouco mais da investigação policial. O Rei da Internet ainda assim é divertido, anárquico e certamente consegue despertar a curiosidade de quem o assisti para conhecer a história real.
O subtítulo brasileiro, somado ao pôster mais difundido no Brasil, pode tentar induzir a algo que o filme não necessariamente se propõe. Em contrapartida, o título original carrega o poder que a obra do famoso Ingmar Bergman tem, de vestir máscaras e parecer outra coisa. Isso acontece também com o filme, que engana, em alguns momentos joga objetos e “coisas” na tela e simula uma projeção com defeito. A história de Persona, de uma enfermeira inicialmente amorosa e “certinha” que cuida de uma atriz que, por algum motivo, mesmo que sua saúde esteja plena, não consegue mais falar, se mistura numa espécie de thriller psicológico quando suas vidas vão colidindo e vamos descobrindo segredos do passado que começam a reverberar. A confusão e o choque do que é real, além da dependência que esse relacionamento cria de forma instantânea, são o trunfo do diretor para nos manter hipnotizados durante a projeção de seu provavelmente mais famoso filme. Persona ainda conta com uma fotografia belíssima, que entrega frames eternizados na história do cinema e que ajudam a construir sua narrativa. Dito tudo isso, é preciso reconhecer o poder do filme e reconhecer que ele às vezes pode não funcionar completamente para você. Com Persona, aconteceu isso comigo.
Certamente o filme mais fraco que vi Spielberg. Acredito que na época foi um balde de água fria nas expectativas da audiência e dos entusiastas do diretor.
Ele me lembrou do também muito ruim, MASH, do Altman. Esse, pelo menos, tem o trunfo de ainda ser um filme de escala maior onde tudo é bem filmado e bonito. Porém é bastante confuso, sem pé nem cabeça e em nenhum momento te envolve com a comédia pastelão escrachada até o talo, nem com seus personagens correndo e criando uma situação de urgência indiferente.
Uma pena porque há um elenco consideravelmente famoso e talentoso, inclusive o Christopher Lee fazendo um general alemão.
Eu havia visto esse filme na Globo quando ele passou de forma inédita muitos e muitos anos atrás. Na época, já havia adorado e gravado diversas cenas icônicas na memória. Revê-lo sei lá quantos anos depois, com bem mais bagagem de vida, fez eu gostar ainda mais dele e de como o filme transborda sensibilidade ao tratar o tema universal humanidade.
Um road movie clássico que sabe desenvolver todos os seus personagens, desconstruindo suas filosofias, pré-conceitos e pragmatismo, todos interpretados por ótimos atores em brilhantes trabalhos, enquanto a camada mais superficial apenas nos conduz por um conto de fadas de uma garotinha inocente, a caçula da família, que só deseja ingressar no voraz mundo dos concursos de beleza. Sem perceber onde está se metendo.
A carga emocional que o longa nos proporciona começa desde as primeiras cenas até o seu apoteótico fim. Com um elenco junto que se completa de uma forma incrível numa sinergia disfuncional e tão real que você acredita que ali é uma verdadeira família. Sei o porquê de tantas cenas estarem gravadas na minha memória. Há pelo menos meia dúzia delas que são icônicas:
Além da clássica dança "censurada" no fim, há grandes momentos do Allan Arkin destilando sabedoria; o pai reencontrando sua força no apoio à família — alterando para sempre seu lema tão taxativo de vencedor e perdedor; o personagem do Paul Dano superando seu trauma; e a mais icônica para mim, o Steve Carrell pulando da van e correndo para inscrever a sobrinha a tempo no concurso Miss Sunshine. Essa cena, vide sua introdução no filme em um estado de letargia e depressão após uma tentativa de suicídio, até chegar aqui cheio de propósitos, representa com primor todos os road movies. Esse com o plus de ter um carro de buzina quebrada e necessitando sempre ser empurrado.
Pequena Miss Sunshine é um clássico atemporal sobre família, sobre a vida e, principalmente, sobre como viver. É um filme com alma e identidade. Ele quer que você acredite e entenda que você pode ser feliz sendo simplesmente e ordinariamente apenas você. É bem provável que você esteja gargalhando em uma cena e chorando na próxima. É ABSOLUTE CINEMA.
Depois de conhecer várias cenas icônicas e meio que saber o enredo e as reviravoltas, de tanto que ele reprisou na televisão, eu finalmente o vi completo.
A indicação ao Oscar de melhor filme na época me surpreendeu pelo estilo conservador da academia. Ainda que abaixo dos outros 4 concorrentes da época, Ghost entrega um filme redondo sobre romance, ação, comédia e principalmente um olhar do além vida. Hoje pode parecer até cafona e com efeitos que envelheceram. Mas há uma sensibilidade que o filme transmite na sua história e no drama do desapego de um casal apaixonado na plena juventude.
Patrick Swayze está muito bem no filme numa atuação marcante. Demi Moore, por mais que estivesse no auge da beleza fica aquém dele entregando mais uma mocinha em perigo.
Porém, quem realmente rouba o filme é Whoopi Goldberg fazendo a medium picareta que acaba envolvida numa trama maluca e inacreditável que ela não pode recusar. O verdadeira motor do filme.
Ghost merece o reconhecimento não só pelas cenas marcantes mas como um exemplar de filme que consegue flutuar por mais de um gênero entregando uma boa história. Sim, porque não? Um clássico da história do cinema.
Dos mesmos diretores dos bons Dungeons & Dragons, Noite do Jogo e Quero Matar Meu Chefe e com uma grande produção para um filme de TV, Mayday é divertido e contagiante na medida certa. Kenneth Branagh está naturalmente engraçado como Russo que ama os Estados Unidos mas sabe reconhecer os diversos valores do seu país de origem. A premissa absurda é explorada pela improvável amizada dele com Ryan Reynolds.
É um filme que tem os ares de uma boa sessão da tarde que qualquer pessoa vai ver e gostar. As referências e até cenas utilizadas de Top Gun original são claras (o personagem do Ryan Reynolds é um), tornando o filme do Tom Cruise um personagem desse.
Mayday cumpre exatamente o papel que se propõe de entregar uma aventura cheia de carisma, cenas doces e comédia tudo na medida certa. Me lembrei de outro filme que a Apple fez recentemente, até pela temática, o Tetris. Indico, ambos.
Tem todos os clichês do gênero e se utiliza da premissa de Mensagem Para Você (citado mais de uma vez no filme) e do recente O Amor Mandou Mensagem. Penso que este, por mais que ainda tenha todos os clichês do gênero romcom, consegue ser melhor por desenvolver, na sua base, a relação genuína entre duas irmãs que vai definir todos os acontecimentos do filme.
Zoey Deutch está apaixonante no filme. Seu carisma aqui é explorado além da óbvia beleza, entregando uma mulher forte, cheia de sonhos e que aguenta diversas porradas que a vida lhe entrega. Seu par, Nick Robinson, embora mais comedido e menos explorado, é um bom par para a Jill no filme. Contudo, temos que deixar o poder da descrença ativado para não achar a dinâmica do filme um pouco creepy e problemática rsrsrs.
Mensagens Para Isabelle é uma ótima adição ao catálogo da Netflix para ver em casal e também para quem procura uma história sincera sobre amizade e amor entre família. Como disse, é sua maior qualidade.
Me lembrei de Deus da Carnificina do Polanski. É um filme com uma estética bonita que vai buscar inspiração em dramas conjugais em filmes dos anos 70, como os do Woody Allen em uma dinâmica quase teatral, já que 98% dele se passa dentro do apartamento. Lembra também Deus da Carnificina do Polanski.
Um roteiro bem competente e quatro atuações afiadas brincando com o constrangimento, a sensualidade, a rotina e a vida de casal. Gosto como o filme encerra, cheio de sugestões que podem ser interpretadas como uma um Convite pode ser a última saída para resgatar uma comunicação, e outras coisas, que não existem mais.
É o máximo que consegui dar para o filme. Talvez esteja sendo generoso pelo carisma da Julia Roberts, que praticamente carrega o filme nas costas. Não consegui me conectar com a história de um novo recomeço de vida, percorrendo lugares famosos e exóticos para ocidentais brancos e entupindo tudo de estereótipos. Eu sei que tudo é baseado em um livro que promete trazer relatos pessoais e experiências reais. Mesmo assim, não rolou.
Pode pegar alguém desprevenido que espere uma romcom mais tradicional, mas o filme tende bem mais para um drama sobre redescobrir desejos e valores na vida. Ele até tenta ser reflexivo, mas fica perdido em uma direção monótona e sem tempero. As belas paisagens da Itália, Índia e Bali não conseguem sustentar o filme por si só. Seu ritmo e sua direção são sem vida, fazendo tudo parecer uma espécie de livro de autoajuda filmado.
É legal ver Javier Bardem fazendo um brasileiro, mas, obviamente, colocariam vários e vários estereótipos que inclusive não existem.
É um protótipo do que viria a se tornar o Wes Anderson em sua carreira. Aqui não há a pompa visual e a cinematografia quadrada e simétrica marcante nos últimos filmes. Porém, os elementos teatrais e, principalmente, excêntricos na forma de retratar os dilemas dos personagens já estão aqui.
A trilha sonora e a atmosfera do filme são gostosinhas, e tudo acontecendo em atos faz o filme ser fluido e simpático. Top 5 da carreira do diretor. Me lembrou um pouco Harold & Maude kkkk.
Um filme conforto da infância que remete a final de ano na casa da família que tinha tv a cabo e esse era exibido até você cansad. É do mesmo diretor da franquia A Múmia e lembra bem a forma de trazer mais ação e diversão a uma história de terror clássico.
É gótico e galhofa, mas parece sempre puro como alternativa a uma aventura que não pretende mais que isso. Apenas reunir "os vingadores do horror" em um só filme. Kate Beckinsale está lindíssima no filme entregando muito carisma. E Hugh Jackman mostra o porquê sempre foi um herói perfeito para grandes franquias. O cgi exagerado e em alguns momentos um pouco tosco de ps2 não atrapalha em nada. É um daqueles filmes que todas as avaliações mais técnicas tendem a dizer que é ruim e ainda assim eu não teria coragem de de não gostar e me entreter com ele.
É significativamente inferior ao Conan de 82 em quase todos os aspectos. A trama é bem simples e desenha desde o princípio o que vai acontecer. O filme nem tenta se utilizar de um plot twist que eu penso que faria muito bem ao todo. O senso de aventura e violência é diminuído principalmente para dar lugar a mais cenas de comédia, inclusive nas batalhas.
Schwarzenegger reprisa o papel sem muitas novidades mas agora conta com um grupo maior de sidekicks, destaque para a atriz que mais tarde faria a irmã de Kevin em Anos Incríveis fazendo a "mocinha em perigo". Ah, o filme tem também a atriz que interpretou a Ursula dos filmes originais do Superman.
Ainda assim, eu considero um trabalho esforçado. E os cenários e efeitos práticos dão substância a aventura que acaba divertindo, por mais que não resgate o primor do filme original.
Danny Boyle apresenta seu projeto mais good movie numa imaginativa e assustadora história onde os Beatles nunca existiram. O filme não requer grandes explicações e, para fãs do grupo de Liverpool, como eu, é divertido e, no fim, respeitoso na forma como tudo se desenrola. Gosto do dilema moral que o personagem principal vive e de como tudo é apresentado para nós.
Só havia visto nos cinemas na época do lançamento. Como disse no início, é um filme vibrante para começar qualquer dia que precise ser embalado por uma das melhores bandas que já existiram. Ed Sheeran fazendo um artista egocêntrico é engraçado e bem atual no fim, rsrs.
Recentemente conheci Liverpool, e foi muito legal ver as cenas que se passam na cidade. Reconhecer cada pontinho marcante de um lugar tão aconchegante, famoso, inspirador e cheio de história, mas que não perde suas raízes nem a identidade de um povo único em toda a Inglaterra. A terra do Liverpool F.C. e dos Beatles.
Reginaldo Faria está muito bem percorrendo a recente trajetória de um famoso, quase mítico, bandido dos anos 70. O filme é baseado num livro homônimo e foi um sucesso estrondoso na época, o primeiro de uma série de pancadas que viria do Hector Babenco.
O ritmo eu confesso que pesou um pouco, as duas horas demoram. E a montagem não é didática como algumas biografias geralmente são, algumas coisas ficam confusas e requerem a atenção total do espectador.
É uma história poderosa que escancara a corrupção da polícia e como ela agia sem escrúpulos para interesses individuais, inclusive se associando a criminosos. O filme tem vários outros rostos conhecidos da cinematografia brasileira e das novelas, destaque para Paulo César Pereio que faz você acreditar que ele é sim um policial corrupto.
Muito bom, muito melhor que qualquer expectativa depositada. George Miller sai completamente da zona de segurança, do seu cinema de ação apocalíptico ou de filmes "sérios", vide sua consagrada Franquia Mad Max (não é a primeira vez que faz isso, vide Babe), para entregar uma animação que é um filmaço e muito bem dirigido na minha opinião.
Tudo começa com uma história simples se utilizando da jornada do herói e repetindo o arco de outras animações das últimas décadas que se consagraram em apresentar um protagonista diferente do seu bando que vai mostrando aos poucos o seu valor. Mas tudo cresce para algo mais sério numa discussão que perpassa por religião, ecologia, cadeia alimentar e preservação do nosso planeta. Num desfecho infelizmente ainda utópico. Não podia ser mais atual.
A escolha de ter pinguins como protagonistas é perfeita por diferentes aspectos. Dos animais que vivem na Antártida, ele não só é fofinho, como também vive em grandes grupos, indo ao encontro da proposta da história do filme. Além disso, penso que seja o mais fácil de antropomorfizar. Por mais que nisso, comparado a outras animações da época, principalmente da Pixar, Happy Feet não tenha tantos trunfos. Apenas o Pinguim protagonista do filme é mais bem desenhado e possui mais feições.
Por mais que reprisasse bastante na televisão e passasse sempre um climinha de festas de fim de ano, foi uma animação que tinha passado batido na infância/adolescência. Pela sinopse, achei que veria apenas uma animação fofinha com músicas incríveis que vão de Queen a Sinatra — sem esquecer que o filme abre e fecha com Beatles, mas ela surpreende ainda mais entregando um importante manifesto sobre o cuidado do nosso planeta.
Os “pinguins latinos”, a versão Timão e Pumba desse filme, são um show a parte, rsrsrs.
Mais um filme do filho do Miyazaki, diferente do outro que aposta numa fantasia, esse traz uma história mais singela sobre sentidos e pertencimento.
Todo o mote da luta da comunidade na preservação de um prédio antigo cheio de memórias em detrimento da modernização é boa e gera empatia.
Essa nostalgia é explorada também nas memórias das famílias dos personagens principais. Os dois protagonistas são ótimos juntos e faz você torcer pelo romance. Mais um filme da Ghibli que transmite aconchego.
Marcinho e Cibelle duas temporadas sendo parasitas, morando de favor na casa dos OUTROS e ninguém, absolutamente ninguém, comenta sobre.
Essa história, COMEÇOU bem com a discussão palpável de 2 adolescentes de condomínio, mas já dava claros sinais na primeira temporada de ruindade. A escala que entra a milícia é mentirosa (e eu lembro do porteiro que trabalhava 24 horas por dia sozinho kkkk). A segunda já foi horrorosa e essa vem, "prometa deus", para encerrar tudo.
Ou essa série tem números altíssimos de audiência, ou os criadores sabem os podres dos poderosos do globoplay. Porque não é possível alguém puro aprovar isso aqui.
Após a polêmica do vazamento que enfraqueceu a força que o filme poderia ter tido em comentários e talvez até uma chegada ao cinema, vide a força do universo com os desenhos, finalmente assisti.
A trama resgata alguns traumas do Ang já contados e debatidos na animação original. Mas agora ele é um avatar estabelecido e "reina" trazendo tempos de paz ao mundo. A essência da animação está presente e o carisma dos personagens é trazido de volta também.
O enredo não chega no nível da série. O terceiro ato, principalmente, é o que considero o mais fraco e as reviravoltas que acontecem são bem óbvias. De toda forma, foi ótimo adentrar novamente no universo do avatar numa animação 2D que está deslumbrante.
Desde que vi os primeiros materiais promocionais do filme ficou claro que ele utilizaria de The Thing para construir não apenas a atmosfera, com seus cenários brancos de neve e inóspitos desoladores, como na paranoia de onde o monstro está escondido. E diferente de algumas primeiras opiniões que vi, não achei o filme essencialmente ruim. De fato, há uma tentativa de remeter a obra prima do John Carpenter, como já imagiva. A cena inicial é bem semelhante com o plano aberto sendo filmado de cima com um personagem percorrendo a neve numa moto de neve me transportou diretamente a perseguição ao cachorro no filme dos anos 80.
Mas aqui a ameaça não é alienígena, e sim um ser humano, mais precisamente um homem. Após após uma noite de festa, na base militar da Marinha, composta também por cientistas, no deserto da Antártida, a personagem Inês, vivida por Marina Ruy Barbosa (como é bonita e com ela faz caras e bocas, rsrs) é encontrada desacordada e violentada. Sendo agora papel da Subcomandante da unidade, a Capitã Elisabeth (Andréa Beltrão) descobrir quem é o agressor.
A pressia whodunit é boa, e se utilizar da referência de The Thing podia render algo muito melhor do que foi executado. Beltrão manda muito bem no papel. Sua personagem tem uma força e um passado que é revivido contribuindo para alcançar mais contexto a sua revolta quando o crime vem a tona. Mas o texto é deveras limitado em explorar essa paranoia e o poder opressor do isolamento em cantos desérticos, frios e sem a luz do sol. Tudo é maniqueísta demais quando as cartas são dadas no início da aposta. Existe também o fato de outra subtramas dividirem espaço com o foco do filme. Umas um tanto que desnecessárias.
Antártida, para seus realizadores, os estúdios Globo, é também um marco. O filme usa e abusa da tecnologia de fundo para trazer veracidade a sua história filmada em estúdios no calor do Rio de Janeiro. E sim, funciona. O filme consegue fazer você “sentir frio e isolado”. Dá para acreditar na Estação brasileira coberta de neve e agora com um crime por resolver. Por mais que não seja perfeito, ainda mais que eu havia acabado de sair da sessão de Resident Evil, que também conta com muitas cenas na neve, e exista um excesso do uso. A Globo aqui parecia uma criança quando ganha um brinquedo novo e quer usar e mostrar como sabe mexer rsrs.
Gostei do filme. Zach Cregger é um respiro para o gênero. Aqui o diretor se propõe a apresentar uma grandiosa e bem realizada gameplay de um bom jogo, divertida e com momentos de tensão e frenesi. Austin Abrams enriquece a proposta do filme ao criar um protagonista engraçado (bem semelhante a seu personagem em A Hora do Mal), carismático e claramente referência ao modo que jogamos, principalmente um jogo survivor horror. Com progressão de adversidades, recursos limitados e melhoria nas habilidades.
Zach Cregger mostra que seu terror de fato é acessível, ele brinca com o bizarro sempre utilizando um ritmo jocoso para amenizar. E isso vem funcionando para mim e aqui achei até mais natural e encaixado que no filme anterior dele, que pelo visto vai permanecer sendo mais aclamado
Não acho que é o filme que os fãs do jogo esperavam, mas para mim que não conheço nada além dos filmes funcionou demais. Talvez o melhor filme da série? (Dos outros lembro com carinho apenas dos dois primeiros). Fazendo sucesso com certeza vai ter continuação.
Visualmente é uma animação espetacular, nota 10/10. A Dreamworks desde Gato de Botas 2 (dos mesmos diretores) tá entregando muito no trabalho artístico de suas animações. Tudo explode em cores e sinergia na tela, alternando extravagâncias que encontram até nos animes uma forma de construir as emoções e narrativas da história.
O filme é muito carismático e tem uma ótima discussão sobre memórias que importam e amizade. As duas protagonistas são ótimas e funcionam tão bem junta, quanto separadas. Tudo isso embalado por uma trilha de músicas clássicas que fazem a gente cantar junto.
A cultura filipina é trazida e bem explorada no filme, há muito carinho envolvido em tudo. Se não fosse um pouquinho de barriga no meio do filme e uma correria desenfreada para explicar algumas coisas, a nota poderia ser ainda maior.
Talvez o fator cinema cheio de gente rindo a cada palhaçada do filme, além de estar com várias pessoas da minha família que adoraram, tenha exaltado a avaliação.
Embora o filme tenha aquela carinha de produção da Globo, feita em estúdio, com atuações duvidosas do elenco de apoio, o carisma das protagonistas e a química quase espiritual entre as duas fazem o filme ganhar pontos.
A trama em si é qualquer coisa sobre uma viagem de amigas se perdendo e se encontrando pela Europa. Gastando muito, inclusive. Mas as discussões sobre coisas importantes e sobre conscientização feminina, principalmente no início da terceira idade, são bem valorosas.
Minha Melhor Amiga, no fim, é um bom entretenimento e certamente será um sucesso que pode ganhar continuações num futuro próximo.
Se utilizando da mitologia grega, tão em alta com A Odisséia, o filme brinca com a trágica história de Sísifo, porém se aproveitando de sua releitura mais recente, mais otimista. Toda a construção da metáfora "mais adulta" do filme é sobre propósitos, principalmente sobre como são necessários. Contrários a apatia da acomodação. Esse dilema é bem trabalhado entre o coyote e o advogado porta de cadeia que pega seu caso (uma cópia incrivelmente boa e bem vinda do Saul Goodman de Breaking Bad, até comerciais e placas de Outdoors ele tem. E claro, tudo se passa em Albuquerque).
Há ainda espaço para arranhar com críticas como as grandes corporações não tem escrúpulos de usar quem quer que seja para seus desejos mais sórdidos. Chega a ser bizarro que esse filme quase não existiu simplesmente porque a sua produtora queria economizar dinheiro.
Tudo isso é bem estruturado na história base e anárquica de um mundo onde coexistem os looney tunes e seres humanos. Com várias cenas hilárias que homemageam os desenhos clássicos; uma parte técnica que dispensa comentários e uma bem sucedida apresentação noir, Coyote vs Acme é um dos melhores desse gênero misto desde o clássico Roger Rabbit.
Pacino tentando se manter contido enquanto o velho mundo o quer arrebatado de todas as maneiras de volta para ele. Sean Pean irreconhecível (literalmente) como um vigarista. Um filme que possui uma efervescência desde a primeira cena até os minutos finais. Completamente envolvente com diversos segmentos fortes que vão da sensualidade a violência.
É bem o terceiro ou quarto filme do De Palma que acaba ou possui com cenas de suspense foda em uma estação de trem. Um clássico meio esquecido dos anos 90 e não tão citado quanto outros de um dos grandes mestres do cinema.
O Rei da Internet
3.4 35 Assista AgoraO Rei da Internet 7.5/10
Uma montagem acelerada em um filme que explora o carisma (duvidoso?) do ator João Guilherme para contar uma história baseada em fatos reais sobre um dos primeiros hackers criminosos que movimentou muito dinheiro no início dos anos 2000 no Brasil. Isso tudo ainda na sua adolescência.
O filme aposta num ritmo quase sufocante para relatar uma história glorificada de como era fácil burlar segurança virtual no início do século e como as beneces que essa grana traziam, embora duvidosas, pouco importavam. Principalmente nas mãos de um garoto. Acho que nesse ponto o filme peca, já que com mais de duas horas vemos pouco de uma evolução de maturidade do protagonista nem mais consequências do estrago que ele causou.
Uma grande comparação a ele, até pela juventude dos golpistas é o excelente Prenda-Me se For Capaz, onde vemos um pouco mais da investigação policial. O Rei da Internet ainda assim é divertido, anárquico e certamente consegue despertar a curiosidade de quem o assisti para conhecer a história real.
Quando Duas Mulheres Pecam
4.4 1,1K Assista AgoraPersona 7.5/10
O subtítulo brasileiro, somado ao pôster mais difundido no Brasil, pode tentar induzir a algo que o filme não necessariamente se propõe. Em contrapartida, o título original carrega o poder que a obra do famoso Ingmar Bergman tem, de vestir máscaras e parecer outra coisa. Isso acontece também com o filme, que engana, em alguns momentos joga objetos e “coisas” na tela e simula uma projeção com defeito.
A história de Persona, de uma enfermeira inicialmente amorosa e “certinha” que cuida de uma atriz que, por algum motivo, mesmo que sua saúde esteja plena, não consegue mais falar, se mistura numa espécie de thriller psicológico quando suas vidas vão colidindo e vamos descobrindo segredos do passado que começam a reverberar. A confusão e o choque do que é real, além da dependência que esse relacionamento cria de forma instantânea, são o trunfo do diretor para nos manter hipnotizados durante a projeção de seu provavelmente mais famoso filme. Persona ainda conta com uma fotografia belíssima, que entrega frames eternizados na história do cinema e que ajudam a construir sua narrativa.
Dito tudo isso, é preciso reconhecer o poder do filme e reconhecer que ele às vezes pode não funcionar completamente para você. Com Persona, aconteceu isso comigo.
1941: Uma Guerra Muito Louca
2.9 671941: Uma Guerra Muito Louca 5/10
Certamente o filme mais fraco que vi Spielberg. Acredito que na época foi um balde de água fria nas expectativas da audiência e dos entusiastas do diretor.
Ele me lembrou do também muito ruim, MASH, do Altman. Esse, pelo menos, tem o trunfo de ainda ser um filme de escala maior onde tudo é bem filmado e bonito. Porém é bastante confuso, sem pé nem cabeça e em nenhum momento te envolve com a comédia pastelão escrachada até o talo, nem com seus personagens correndo e criando uma situação de urgência indiferente.
Uma pena porque há um elenco consideravelmente famoso e talentoso, inclusive o Christopher Lee fazendo um general alemão.
Pequena Miss Sunshine
4.1 2,8K Assista AgoraPequena Miss Sunshine 10/10 ❤️
Eu havia visto esse filme na Globo quando ele passou de forma inédita muitos e muitos anos atrás. Na época, já havia adorado e gravado diversas cenas icônicas na memória. Revê-lo sei lá quantos anos depois, com bem mais bagagem de vida, fez eu gostar ainda mais dele e de como o filme transborda sensibilidade ao tratar o tema universal humanidade.
Um road movie clássico que sabe desenvolver todos os seus personagens, desconstruindo suas filosofias, pré-conceitos e pragmatismo, todos interpretados por ótimos atores em brilhantes trabalhos, enquanto a camada mais superficial apenas nos conduz por um conto de fadas de uma garotinha inocente, a caçula da família, que só deseja ingressar no voraz mundo dos concursos de beleza. Sem perceber onde está se metendo.
A carga emocional que o longa nos proporciona começa desde as primeiras cenas até o seu apoteótico fim. Com um elenco junto que se completa de uma forma incrível numa sinergia disfuncional e tão real que você acredita que ali é uma verdadeira família. Sei o porquê de tantas cenas estarem gravadas na minha memória. Há pelo menos meia dúzia delas que são icônicas:
Além da clássica dança "censurada" no fim, há grandes momentos do Allan Arkin destilando sabedoria; o pai reencontrando sua força no apoio à família — alterando para sempre seu lema tão taxativo de vencedor e perdedor; o personagem do Paul Dano superando seu trauma; e a mais icônica para mim, o Steve Carrell pulando da van e correndo para inscrever a sobrinha a tempo no concurso Miss Sunshine. Essa cena, vide sua introdução no filme em um estado de letargia e depressão após uma tentativa de suicídio, até chegar aqui cheio de propósitos, representa com primor todos os road movies. Esse com o plus de ter um carro de buzina quebrada e necessitando sempre ser empurrado.
Pequena Miss Sunshine é um clássico atemporal sobre família, sobre a vida e, principalmente, sobre como viver. É um filme com alma e identidade. Ele quer que você acredite e entenda que você pode ser feliz sendo simplesmente e ordinariamente apenas você. É bem provável que você esteja gargalhando em uma cena e chorando na próxima. É ABSOLUTE CINEMA.
Ghost: Do Outro Lado da Vida
3.6 1,6K Assista AgoraGhost: Do Outro Lado da Vida 7.5/10
Depois de conhecer várias cenas icônicas e meio que saber o enredo e as reviravoltas, de tanto que ele reprisou na televisão, eu finalmente o vi completo.
A indicação ao Oscar de melhor filme na época me surpreendeu pelo estilo conservador da academia. Ainda que abaixo dos outros 4 concorrentes da época, Ghost entrega um filme redondo sobre romance, ação, comédia e principalmente um olhar do além vida. Hoje pode parecer até cafona e com efeitos que envelheceram. Mas há uma sensibilidade que o filme transmite na sua história e no drama do desapego de um casal apaixonado na plena juventude.
Patrick Swayze está muito bem no filme numa atuação marcante. Demi Moore, por mais que estivesse no auge da beleza fica aquém dele entregando mais uma mocinha em perigo.
Porém, quem realmente rouba o filme é Whoopi Goldberg fazendo a medium picareta que acaba envolvida numa trama maluca e inacreditável que ela não pode recusar. O verdadeira motor do filme.
Ghost merece o reconhecimento não só pelas cenas marcantes mas como um exemplar de filme que consegue flutuar por mais de um gênero entregando uma boa história. Sim, porque não? Um clássico da história do cinema.
Mayday
3.4 65 Assista AgoraMayday 8/10
Dos mesmos diretores dos bons Dungeons & Dragons, Noite do Jogo e Quero Matar Meu Chefe e com uma grande produção para um filme de TV, Mayday é divertido e contagiante na medida certa. Kenneth Branagh está naturalmente engraçado como Russo que ama os Estados Unidos mas sabe reconhecer os diversos valores do seu país de origem. A premissa absurda é explorada pela improvável amizada dele com Ryan Reynolds.
É um filme que tem os ares de uma boa sessão da tarde que qualquer pessoa vai ver e gostar. As referências e até cenas utilizadas de Top Gun original são claras (o personagem do Ryan Reynolds é um), tornando o filme do Tom Cruise um personagem desse.
Mayday cumpre exatamente o papel que se propõe de entregar uma aventura cheia de carisma, cenas doces e comédia tudo na medida certa. Me lembrei de outro filme que a Apple fez recentemente, até pela temática, o Tetris. Indico, ambos.
Mensagens para Isabelle
3.7 142 Assista AgoraMensagens Para Isabelle 7.5/10
Tem todos os clichês do gênero e se utiliza da premissa de Mensagem Para Você (citado mais de uma vez no filme) e do recente O Amor Mandou Mensagem. Penso que este, por mais que ainda tenha todos os clichês do gênero romcom, consegue ser melhor por desenvolver, na sua base, a relação genuína entre duas irmãs que vai definir todos os acontecimentos do filme.
Zoey Deutch está apaixonante no filme. Seu carisma aqui é explorado além da óbvia beleza, entregando uma mulher forte, cheia de sonhos e que aguenta diversas porradas que a vida lhe entrega. Seu par, Nick Robinson, embora mais comedido e menos explorado, é um bom par para a Jill no filme. Contudo, temos que deixar o poder da descrença ativado para não achar a dinâmica do filme um pouco creepy e problemática rsrsrs.
Mensagens Para Isabelle é uma ótima adição ao catálogo da Netflix para ver em casal e também para quem procura uma história sincera sobre amizade e amor entre família. Como disse, é sua maior qualidade.
O Convite
3.9 359 Assista AgoraO Convite 7.5/10
Me lembrei de Deus da Carnificina do Polanski. É um filme com uma estética bonita que vai buscar inspiração em dramas conjugais em filmes dos anos 70, como os do Woody Allen em uma dinâmica quase teatral, já que 98% dele se passa dentro do apartamento. Lembra também Deus da Carnificina do Polanski.
Um roteiro bem competente e quatro atuações afiadas brincando com o constrangimento, a sensualidade, a rotina e a vida de casal. Gosto como o filme encerra, cheio de sugestões que podem ser interpretadas como uma um Convite pode ser a última saída para resgatar uma comunicação, e outras coisas, que não existem mais.
Comer Rezar Amar
3.3 2,3K Assista AgoraComer, Rezar e Amar 5.5/10
É o máximo que consegui dar para o filme. Talvez esteja sendo generoso pelo carisma da Julia Roberts, que praticamente carrega o filme nas costas. Não consegui me conectar com a história de um novo recomeço de vida, percorrendo lugares famosos e exóticos para ocidentais brancos e entupindo tudo de estereótipos. Eu sei que tudo é baseado em um livro que promete trazer relatos pessoais e experiências reais. Mesmo assim, não rolou.
Pode pegar alguém desprevenido que espere uma romcom mais tradicional, mas o filme tende bem mais para um drama sobre redescobrir desejos e valores na vida. Ele até tenta ser reflexivo, mas fica perdido em uma direção monótona e sem tempero. As belas paisagens da Itália, Índia e Bali não conseguem sustentar o filme por si só. Seu ritmo e sua direção são sem vida, fazendo tudo parecer uma espécie de livro de autoajuda filmado.
É legal ver Javier Bardem fazendo um brasileiro, mas, obviamente, colocariam vários e vários estereótipos que inclusive não existem.
Três é Demais
3.8 283 Assista AgoraRushmore - Três É Demais 7.5/10
É um protótipo do que viria a se tornar o Wes Anderson em sua carreira. Aqui não há a pompa visual e a cinematografia quadrada e simétrica marcante nos últimos filmes. Porém, os elementos teatrais e, principalmente, excêntricos na forma de retratar os dilemas dos personagens já estão aqui.
A trilha sonora e a atmosfera do filme são gostosinhas, e tudo acontecendo em atos faz o filme ser fluido e simpático. Top 5 da carreira do diretor. Me lembrou um pouco Harold & Maude kkkk.
Van Helsing: O Caçador de Monstros
3.3 1,1K Assista AgoraVan Helsing 7.5/10
Um filme conforto da infância que remete a final de ano na casa da família que tinha tv a cabo e esse era exibido até você cansad. É do mesmo diretor da franquia A Múmia e lembra bem a forma de trazer mais ação e diversão a uma história de terror clássico.
É gótico e galhofa, mas parece sempre puro como alternativa a uma aventura que não pretende mais que isso. Apenas reunir "os vingadores do horror" em um só filme. Kate Beckinsale está lindíssima no filme entregando muito carisma. E Hugh Jackman mostra o porquê sempre foi um herói perfeito para grandes franquias. O cgi exagerado e em alguns momentos um pouco tosco de ps2 não atrapalha em nada. É um daqueles filmes que todas as avaliações mais técnicas tendem a dizer que é ruim e ainda assim eu não teria coragem de de não gostar e me entreter com ele.
Conan, o Destruidor
3.2 183 Assista AgoraConan, O Destruidor 6.5/10
É significativamente inferior ao Conan de 82 em quase todos os aspectos. A trama é bem simples e desenha desde o princípio o que vai acontecer. O filme nem tenta se utilizar de um plot twist que eu penso que faria muito bem ao todo. O senso de aventura e violência é diminuído principalmente para dar lugar a mais cenas de comédia, inclusive nas batalhas.
Schwarzenegger reprisa o papel sem muitas novidades mas agora conta com um grupo maior de sidekicks, destaque para a atriz que mais tarde faria a irmã de Kevin em Anos Incríveis fazendo a "mocinha em perigo". Ah, o filme tem também a atriz que interpretou a Ursula dos filmes originais do Superman.
Ainda assim, eu considero um trabalho esforçado. E os cenários e efeitos práticos dão substância a aventura que acaba divertindo, por mais que não resgate o primor do filme original.
Yesterday
3.4 1,0KYesterday 8.5/10
Danny Boyle apresenta seu projeto mais good movie numa imaginativa e assustadora história onde os Beatles nunca existiram. O filme não requer grandes explicações e, para fãs do grupo de Liverpool, como eu, é divertido e, no fim, respeitoso na forma como tudo se desenrola. Gosto do dilema moral que o personagem principal vive e de como tudo é apresentado para nós.
Só havia visto nos cinemas na época do lançamento. Como disse no início, é um filme vibrante para começar qualquer dia que precise ser embalado por uma das melhores bandas que já existiram. Ed Sheeran fazendo um artista egocêntrico é engraçado e bem atual no fim, rsrs.
Recentemente conheci Liverpool, e foi muito legal ver as cenas que se passam na cidade. Reconhecer cada pontinho marcante de um lugar tão aconchegante, famoso, inspirador e cheio de história, mas que não perde suas raízes nem a identidade de um povo único em toda a Inglaterra. A terra do Liverpool F.C. e dos Beatles.
Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia
3.7 125Lúcio Flávio Passageiro da Agonia 7.5/10
Reginaldo Faria está muito bem percorrendo a recente trajetória de um famoso, quase mítico, bandido dos anos 70. O filme é baseado num livro homônimo e foi um sucesso estrondoso na época, o primeiro de uma série de pancadas que viria do Hector Babenco.
O ritmo eu confesso que pesou um pouco, as duas horas demoram. E a montagem não é didática como algumas biografias geralmente são, algumas coisas ficam confusas e requerem a atenção total do espectador.
É uma história poderosa que escancara a corrupção da polícia e como ela agia sem escrúpulos para interesses individuais, inclusive se associando a criminosos. O filme tem vários outros rostos conhecidos da cinematografia brasileira e das novelas, destaque para Paulo César Pereio que faz você acreditar que ele é sim um policial corrupto.
Happy Feet: O Pingüim
3.2 557 Assista AgoraHappy Feet 8,5/10
Muito bom, muito melhor que qualquer expectativa depositada. George Miller sai completamente da zona de segurança, do seu cinema de ação apocalíptico ou de filmes "sérios", vide sua consagrada Franquia Mad Max (não é a primeira vez que faz isso, vide Babe), para entregar uma animação que é um filmaço e muito bem dirigido na minha opinião.
Tudo começa com uma história simples se utilizando da jornada do herói e repetindo o arco de outras animações das últimas décadas que se consagraram em apresentar um protagonista diferente do seu bando que vai mostrando aos poucos o seu valor. Mas tudo cresce para algo mais sério numa discussão que perpassa por religião, ecologia, cadeia alimentar e preservação do nosso planeta. Num desfecho infelizmente ainda utópico. Não podia ser mais atual.
A escolha de ter pinguins como protagonistas é perfeita por diferentes aspectos. Dos animais que vivem na Antártida, ele não só é fofinho, como também vive em grandes grupos, indo ao encontro da proposta da história do filme. Além disso, penso que seja o mais fácil de antropomorfizar. Por mais que nisso, comparado a outras animações da época, principalmente da Pixar, Happy Feet não tenha tantos trunfos. Apenas o Pinguim protagonista do filme é mais bem desenhado e possui mais feições.
Por mais que reprisasse bastante na televisão e passasse sempre um climinha de festas de fim de ano, foi uma animação que tinha passado batido na infância/adolescência. Pela sinopse, achei que veria apenas uma animação fofinha com músicas incríveis que vão de Queen a Sinatra — sem esquecer que o filme abre e fecha com Beatles, mas ela surpreende ainda mais entregando um importante manifesto sobre o cuidado do nosso planeta.
Os “pinguins latinos”, a versão Timão e Pumba desse filme, são um show a parte, rsrsrs.
Da Colina Kokuriko
4.0 252 Assista AgoraDa Colina Kukuriko 7/10
Mais um filme do filho do Miyazaki, diferente do outro que aposta numa fantasia, esse traz uma história mais singela sobre sentidos e pertencimento.
Todo o mote da luta da comunidade na preservação de um prédio antigo cheio de memórias em detrimento da modernização é boa e gera empatia.
Essa nostalgia é explorada também nas memórias das famílias dos personagens principais. Os dois protagonistas são ótimos juntos e faz você torcer pelo romance. Mais um filme da Ghibli que transmite aconchego.
Os Outros (3ª Temporada)
2.8 36 Assista AgoraPqp que negócio tosco essa série
Marcinho e Cibelle duas temporadas sendo parasitas, morando de favor na casa dos OUTROS e ninguém, absolutamente ninguém, comenta sobre.
Essa história, COMEÇOU bem com a discussão palpável de 2 adolescentes de condomínio, mas já dava claros sinais na primeira temporada de ruindade. A escala que entra a milícia é mentirosa (e eu lembro do porteiro que trabalhava 24 horas por dia sozinho kkkk). A segunda já foi horrorosa e essa vem, "prometa deus", para encerrar tudo.
Ou essa série tem números altíssimos de audiência, ou os criadores sabem os podres dos poderosos do globoplay. Porque não é possível alguém puro aprovar isso aqui.
Avatar Aang: O Último Mestre do Ar
4.1 69 Assista AgoraAvatar: O Último Mestre do Ar 7,5/10
Após a polêmica do vazamento que enfraqueceu a força que o filme poderia ter tido em comentários e talvez até uma chegada ao cinema, vide a força do universo com os desenhos, finalmente assisti.
A trama resgata alguns traumas do Ang já contados e debatidos na animação original. Mas agora ele é um avatar estabelecido e "reina" trazendo tempos de paz ao mundo. A essência da animação está presente e o carisma dos personagens é trazido de volta também.
O enredo não chega no nível da série. O terceiro ato, principalmente, é o que considero o mais fraco e as reviravoltas que acontecem são bem óbvias. De toda forma, foi ótimo adentrar novamente no universo do avatar numa animação 2D que está deslumbrante.
Antártida
2.5 11Antártida 6,5/10
Desde que vi os primeiros materiais promocionais do filme ficou claro que ele utilizaria de The Thing para construir não apenas a atmosfera, com seus cenários brancos de neve e inóspitos desoladores, como na paranoia de onde o monstro está escondido. E diferente de algumas primeiras opiniões que vi, não achei o filme essencialmente ruim. De fato, há uma tentativa de remeter a obra prima do John Carpenter, como já imagiva. A cena inicial é bem semelhante com o plano aberto sendo filmado de cima com um personagem percorrendo a neve numa moto de neve me transportou diretamente a perseguição ao cachorro no filme dos anos 80.
Mas aqui a ameaça não é alienígena, e sim um ser humano, mais precisamente um homem. Após após uma noite de festa, na base militar da Marinha, composta também por cientistas, no deserto da Antártida, a personagem Inês, vivida por Marina Ruy Barbosa (como é bonita e com ela faz caras e bocas, rsrs) é encontrada desacordada e violentada. Sendo agora papel da Subcomandante da unidade, a Capitã Elisabeth (Andréa Beltrão) descobrir quem é o agressor.
A pressia whodunit é boa, e se utilizar da referência de The Thing podia render algo muito melhor do que foi executado. Beltrão manda muito bem no papel. Sua personagem tem uma força e um passado que é revivido contribuindo para alcançar mais contexto a sua revolta quando o crime vem a tona. Mas o texto é deveras limitado em explorar essa paranoia e o poder opressor do isolamento em cantos desérticos, frios e sem a luz do sol. Tudo é maniqueísta demais quando as cartas são dadas no início da aposta. Existe também o fato de outra subtramas dividirem espaço com o foco do filme. Umas um tanto que desnecessárias.
Antártida, para seus realizadores, os estúdios Globo, é também um marco. O filme usa e abusa da tecnologia de fundo para trazer veracidade a sua história filmada em estúdios no calor do Rio de Janeiro. E sim, funciona. O filme consegue fazer você “sentir frio e isolado”. Dá para acreditar na Estação brasileira coberta de neve e agora com um crime por resolver. Por mais que não seja perfeito, ainda mais que eu havia acabado de sair da sessão de Resident Evil, que também conta com muitas cenas na neve, e exista um excesso do uso. A Globo aqui parecia uma criança quando ganha um brinquedo novo e quer usar e mostrar como sabe mexer rsrs.
Resident Evil
3.6 264Resident Evil 8,5/10
Gostei do filme. Zach Cregger é um respiro para o gênero. Aqui o diretor se propõe a apresentar uma grandiosa e bem realizada gameplay de um bom jogo, divertida e com momentos de tensão e frenesi. Austin Abrams enriquece a proposta do filme ao criar um protagonista engraçado (bem semelhante a seu personagem em A Hora do Mal), carismático e claramente referência ao modo que jogamos, principalmente um jogo survivor horror. Com progressão de adversidades, recursos limitados e melhoria nas habilidades.
Zach Cregger mostra que seu terror de fato é acessível, ele brinca com o bizarro sempre utilizando um ritmo jocoso para amenizar. E isso vem funcionando para mim e aqui achei até mais natural e encaixado que no filme anterior dele, que pelo visto vai permanecer sendo mais aclamado
Não acho que é o filme que os fãs do jogo esperavam, mas para mim que não conheço nada além dos filmes funcionou demais. Talvez o melhor filme da série? (Dos outros lembro com carinho apenas dos dois primeiros). Fazendo sucesso com certeza vai ter continuação.
Ahh Valorizem a profissão de entregador.
A Ilha Esquecida
3.9 9A Ilha Esquecida 7.5/10
Visualmente é uma animação espetacular, nota 10/10. A Dreamworks desde Gato de Botas 2 (dos mesmos diretores) tá entregando muito no trabalho artístico de suas animações. Tudo explode em cores e sinergia na tela, alternando extravagâncias que encontram até nos animes uma forma de construir as emoções e narrativas da história.
O filme é muito carismático e tem uma ótima discussão sobre memórias que importam e amizade. As duas protagonistas são ótimas e funcionam tão bem junta, quanto separadas. Tudo isso embalado por uma trilha de músicas clássicas que fazem a gente cantar junto.
A cultura filipina é trazida e bem explorada no filme, há muito carinho envolvido em tudo. Se não fosse um pouquinho de barriga no meio do filme e uma correria desenfreada para explicar algumas coisas, a nota poderia ser ainda maior.
Minha Melhor Amiga
3.6 82Minha Melhor Amiga 7/10
Talvez o fator cinema cheio de gente rindo a cada palhaçada do filme, além de estar com várias pessoas da minha família que adoraram, tenha exaltado a avaliação.
Embora o filme tenha aquela carinha de produção da Globo, feita em estúdio, com atuações duvidosas do elenco de apoio, o carisma das protagonistas e a química quase espiritual entre as duas fazem o filme ganhar pontos.
A trama em si é qualquer coisa sobre uma viagem de amigas se perdendo e se encontrando pela Europa. Gastando muito, inclusive. Mas as discussões sobre coisas importantes e sobre conscientização feminina, principalmente no início da terceira idade, são bem valorosas.
Minha Melhor Amiga, no fim, é um bom entretenimento e certamente será um sucesso que pode ganhar continuações num futuro próximo.
Coyote vs. Acme
3.7 96Coyote vs Acme 8.5/10
Se utilizando da mitologia grega, tão em alta com A Odisséia, o filme brinca com a trágica história de Sísifo, porém se aproveitando de sua releitura mais recente, mais otimista. Toda a construção da metáfora "mais adulta" do filme é sobre propósitos, principalmente sobre como são necessários. Contrários a apatia da acomodação. Esse dilema é bem trabalhado entre o coyote e o advogado porta de cadeia que pega seu caso (uma cópia incrivelmente boa e bem vinda do Saul Goodman de Breaking Bad, até comerciais e placas de Outdoors ele tem. E claro, tudo se passa em Albuquerque).
Há ainda espaço para arranhar com críticas como as grandes corporações não tem escrúpulos de usar quem quer que seja para seus desejos mais sórdidos. Chega a ser bizarro que esse filme quase não existiu simplesmente porque a sua produtora queria economizar dinheiro.
Tudo isso é bem estruturado na história base e anárquica de um mundo onde coexistem os looney tunes e seres humanos. Com várias cenas hilárias que homemageam os desenhos clássicos; uma parte técnica que dispensa comentários e uma bem sucedida apresentação noir, Coyote vs Acme é um dos melhores desse gênero misto desde o clássico Roger Rabbit.
O Pagamento Final
4.2 397 Assista AgoraO Pagamento Final 9.5/10
Pacino tentando se manter contido enquanto o velho mundo o quer arrebatado de todas as maneiras de volta para ele. Sean Pean irreconhecível (literalmente) como um vigarista. Um filme que possui uma efervescência desde a primeira cena até os minutos finais. Completamente envolvente com diversos segmentos fortes que vão da sensualidade a violência.
É bem o terceiro ou quarto filme do De Palma que acaba ou possui com cenas de suspense foda em uma estação de trem. Um clássico meio esquecido dos anos 90 e não tão citado quanto outros de um dos grandes mestres do cinema.