Possui todos os elementos de uma história de sobrevivência digna de nota, mas carece daquilo que mais importa: uma alma capaz de prender-nos ao destino do protagonista. O filme vagueia entre lembranças do passado e a neve do presente, sem jamais encontrar verdadeira tensão, energia ou propósito. A realização é morna, os conflitos carecem de força e até o resgate parece acontecer mais por dever narrativo do que por necessidade dramática.
Sem sombra de dúvidas, é melhor do que muita coisa produzida atualmente. Não é uma grande produção nem conta com atores estelares, mas a estória é envolvente, os personagens despertam empatia e a família retratada, de Maggie, é adorável.
Um assalto promissor à inteligência - sombrio, tenso, quase digno de confiança - mas terminou como um ruído cansado de fórmulas gastas e mensagens dispersas, perdido entre perseguições banais, caricaturas previsíveis e uma pretensão política que nada ilumina além do próprio vazio. Havia, no início, a promessa de um thriller pensado; contudo, à medida que avançava, tudo se dissolvia numa sucessão de clichês fatigados e acontecimentos sem alma, como se o filme esquecesse aquilo que queria ser. Restou apenas o enfado, a sensação amarga de assistir a algo que se desfaz diante dos olhos, e a melancolia de ter desperdiçado tempo com uma obra que parecia possuir substância, mas que afinal era somente ruína e barulho.
Como sucede em quase tudo na vida, quanto mais se descobrem papéis, relatos e memórias, menos o mundo se esclarece; apenas se torna mais estranho e mais semelhante aos sonhos maus que a razão não consegue terminar.
Filme sobre a vida de político A ou B, Lula, Bolsonaro, sobre Olavo de Carvalho, sobre Jesus ou qualquer figura ideológica específica raramente rompe a bolha. Porque, na maioria das vezes, vira algo pesado, doutrinário e chato para o público comum. Além do mais, Bolsonaro e Lula ainda estão vivos, todo mundo conhece as suas trajetórias.
O que conquista público de verdade, fora da bolha ideológica, é outra coisa: um thriller forte, envolvente, com elementos conservadores inseridos de forma despretensiosa.
Exemplo prático: Nefarious (2023). Furou a bolha justamente porque se vende como thriller, não como sermão. O filme não fica tentando doutrinar ninguém, mas traz, de maneira sutil, temas como a questão do aborto.
E ainda teve um orçamento de apenas 25 milhões. Apenas 1/4 do orçamento do filme bancado pelo empresário corrupto Vorcaro!
Tentei gostar deste filme como quem insiste em encontrar sentido num sonho que se desfaz ao despertar, revi-lhe o fim mais de uma vez, mas a verdade permaneceu imóvel:
venderam-me uma monstruosidade e entregaram-me um rosto comum
. Não há concatenação possível entre o que o filme afirma e aquilo que mostra, porque até os estranhos - aqueles sem ódio, sem história e sem dívida - viam nela
. E assim tudo pareceu ruir. Depois de tanto tempo arrastando uma ideia simples por corredores de vazio, entre interpretações forçadas e promessas sem corpo, restou-me a sensação amarga de ter caminhado longamente para chegar a uma porta que não conduzia a lugar algum. Não foi mistério; foi desencontro. Não foi inquietação; foi ausência.
Este filme, nem sequer se eleva ao sofrimento digno - é vazio como um tempo perdido sem consciência de si. Nele não há trama, nem propósito, apenas a sensação incômoda de ter cedido minutos e horas a um nada que se disfarça de arte.
Vi uma travessia irregular entre o acaso e a intenção. A jornada, que deveria unir pelo sentido, dispersa-se muitas vezes em gestos sem causa aparente, como se os próprios personagens ignorassem o motivo de estarem juntos. Ainda assim, há instantes em que algo mais fundo emerge - uma ternura incômoda, um laço que se forma não pela lógica, mas pela necessidade silenciosa de pertencimento. O filme oscila entre a superficialidade de seus desvios e a tentativa de tocar o íntimo, pedindo ao espectador uma compaixão que nem sempre merece, mas que, por vezes, concede ao menino uma tristeza legítima. Não é obra de grande vigor, nem de inteira falha; é antes um fragmento imperfeito de humanidade, que hesita entre emocionar e dispersar-se, e cujo fim, como a própria viagem, deixa a sensação de algo que poderia ter sido mais - e não foi.
Há filmes que não fracassam por falta de meios, mas por excesso de alarde: onde a fanfarronice impõe-se e as figuras tornam-se caricaturas de si mesmas, a verossimilhança recolhe-se, silenciosa, como quem não deseja participar. Este, que poderia aspirar à gravidade de uma conspiração digna de reflexão, prefere o ruído fácil da ação contínua e a evidência preguiçosa de seus segredos, entregando desde cedo aquilo que deveria ocultar. Há nele algo de absurdo assumido: mortes que se sucedem como aparições descartáveis, um herói que atravessa o impossível sem se desfazer, uma encenação tão conveniente que roça o cômico involuntário.
Um filme que prometeu mistério e inteligência, mas que se perdeu em si mesmo como quem pensa demais e sente de menos. A narrativa, em vez de revelar, confunde; torce-se tanto a realidade que já não se sabe se há verdade alguma a alcançar, e cada reviravolta, em vez de iluminar, obscurece ainda mais. Resta um ou outro vislumbre interessante, alguns efeitos que impressionam, mas tudo se dilui numa obra que tenta ser mais do que é e, por isso mesmo, acaba sendo menos.
Assisti-o como quem olha um corredor sem fim: nos primeiros minutos ainda havia promessa, uma vaga inquietação, mas logo tudo se tornou enfado e névoa. Os personagens, insuportáveis e sem alma, arrastavam-se por uma intriga feita de coincidências absurdas e vazios sem remédio, como se o próprio autor ignorasse o mapa do labirinto que desenhara. Apenas o tédio vestido de aparência. As atuações pouco podiam salvar, as reações soavam falsas, e eu, entre avanços apressados e impaciência crescente, só pensava se aquilo fazia algum sentido. Não fazia. Restaram-me uns cinco minutos iniciais de esperança e o resto de uma parede branca interior.
Filme de loucas feministas, que consieram a gravidez e a maternidade como pragas ou doenças. Só isso a dizer, sem entregar spoilers, mas você já deve saber como a assassina é tratada no filme...
Ditadura real, vivemos hoje! Sob a atuação de Moraes e do STF, vê-se um cenário marcado por presos políticos, jornalistas no exílio, empresas jornalísticas fechadas, relatos de abusos no cárcere, censura, violações de direitos humanos, autoridades colocadas acima da lei, corrosão do Estado de Direito e desrespeito às garantias individuais. Diante disso, soa distorcida a insistência em retratar apenas o autoritarismo dos anos 70, ignorando o que se passa no presente. Mais do que autoritarismo, o que se observa hoje aproxima-se de um quadro de totalitarismo neste país. Para compreender essa distinção, vale recorrer à obra de Hannah Arendt. Acordem!
Não falhou por falta de intenção, mas por ausência de alma: a estória, rasa e sem densidade, mal se sustenta. Há nas personagens uma incompetência estranha, sobretudo naquilo que mais humano deveria ser - o sentir e o comunicar -, e isso rompe qualquer possibilidade de imersão. O que poderia ser inquietação reduz-se a um manual previsível de sustos, onde até o medo parece ensaiado.
Assistir a este filme é como escutar um eco vazio numa sala sem janelas: há ali uma ideia que poderia ser qualquer coisa, talvez até algo digno, mas que se dissolve na monotonia de uma execução sem alma, onde quase nada se vê e pouco verdadeiramente se revela. A narrativa arrasta-se entre áudios rebobinados e pretensas descobertas que soam ocas, e a promessa inicial desfaz-se por completo num terceiro ato que não amarra, não explica, não justifica - apenas abandona. Há um certo esforço na atuação e um mérito técnico no som, é verdade, mas isso não basta quando o cinema esquece-se de ser visão e se reduz a um murmúrio prolongado. Ao terminar, a sensação é de algo derivativo, pálido, como uma cópia sem vigor de ideias melhores, e a impressão incômoda de ter acompanhado não uma obra, mas um ensaio pretensioso que se leva mais a sério do que merece.
Ao concluir a exibição deste filme, saí como quem regressa de um lugar onde nada, verdadeiramente, aconteceu - uma travessia vazia, longa demais para a escassez do que oferece. Começa com uma promessa que logo se desfaz, como se a própria narrativa cansasse-se de existir, repetindo-se numa dúvida estéril entre abdução e abuso. Não há sustos, não há revelações, não há sequer o consolo de uma estória que se sustente; apenas a sugestão pálida de algo que não se mostra, conflitos que não se resolvem. Resta um drama psicológico tímido, quase digno, perdido num conjunto que hesita entre ser e não ser, e que, por isso mesmo, falha em ambos.
Uma intenção de grandeza que não chega a nascer. A narrativa arrasta-se longamente sem revelar alma ou passado suficiente para o seu protagonista, enquanto mafiosos caricaturais, cenas de fanfarronices e falhas de coerência corroem qualquer ilusão de realidade. A fotografia obscura e a encenação confusa abafam até os momentos que pediriam força ou catarse, deixando apenas um quadro estilizado, sombrio e deprimente, no qual o esforço do ator pouco pode fazer para salvar um roteiro frágil e uma estória que termina por parecer vazia e cansada.
Como um sonho longo que se arrasta antes de saber que sonha, começa numa lentidão quase vazia, prometendo profundidade psicológica que logo se desfaz em silêncio opaco e intenções mal reveladas; o protagonista vagueia, angustiado, sem jamais nos permitir habitar-lhe o espírito, enquanto as relações, que poderiam ser densas, tornam-se planas como figuras de papel. E quando enfim a catástrofe chega - tardia, como um despertar brusco - surge grandiosa na forma e dissolve qualquer crença no que se vê.
Tudo pareceu-me uma repetição sem alma, uma ideia antiga vestida com efeitos apenas aceitáveis e intenções que nunca se cumprem. Há uma promessa de mistério que se dissipa cedo, como se o próprio filme desistisse de si mesmo, perdido entre atuações rígidas, diálogos pueris e personagens que não vivem, apenas ocupam espaço. O que poderia ser contemplação torna-se ruído - tiros, decisões vazias, reações mecânicas - como se o homem, diante do incompreensível, só soubesse reduzir o infinito à sua própria mediocridade. E, ao fim, resta apenas o vazio de uma narrativa que começa sem força e termina sem verdade, deixando-me não com perguntas, mas com a certeza incômoda de que nada ali merecia, sequer, ter sido perguntado.
Um filme que corre, quase sem respirar, como se temesse o próprio silêncio - um thriller de impulso contínuo, feito de urgência e calor, embora, paradoxalmente, deixe em mim uma frieza estranha, como se tudo aquilo acontecesse à distância de quem observa sem realmente sentir. Há ali tensão suficiente para sustentar o olhar, e uma beleza visual que tenta convencer-me de que a história merece ser vivida, mas algo falha nesse pacto íntimo entre espectador e narrativa: talvez o incêndio, que deveria consumir tudo, comporte-se como uma ameaça esquecida, quase simbólica. Ainda assim, há um fluxo que não se quebra, um ritmo que insiste, e, se me permito acreditar - ainda que por um instante -, encontro algum valor nessa experiência, como quem aceita um sonho imperfeito apenas porque ele, de algum modo, continua a acontecer. Satisfatório!
Há filmes que começam como promessa e terminam como esquecimento - e este é um deles, desses que se esvaem da memória ainda durante os créditos, como um sonho que não quis fixar-se. A ideia inicial, curiosa e quase sedutora, sugere um mergulho na tensão e no delírio; porém, o que se segue é uma lenta dissolução do sentido. Personagens surgem e desaparecem como sombras sem peso, acontecimentos insinuam mistério mas não o cumprem, como um eco vazio de algo que nunca chegou a ser dito. Há momentos em que a forma - o som, sobretudo - tenta resgatar a essência, mas o conteúdo escapa, fragmentado, sem firmeza.
O Poder e o Impossível
3.1 62 Assista AgoraPossui todos os elementos de uma história de sobrevivência digna de nota, mas carece daquilo que mais importa: uma alma capaz de prender-nos ao destino do protagonista. O filme vagueia entre lembranças do passado e a neve do presente, sem jamais encontrar verdadeira tensão, energia ou propósito. A realização é morna, os conflitos carecem de força e até o resgate parece acontecer mais por dever narrativo do que por necessidade dramática.
A Morte Vem Morar com a Gente
2.9 1Sem sombra de dúvidas, é melhor do que muita coisa produzida atualmente. Não é uma grande produção nem conta com atores estelares, mas a estória é envolvente, os personagens despertam empatia e a família retratada, de Maggie, é adorável.
1992
2.7 14 Assista AgoraUm assalto promissor à inteligência - sombrio, tenso, quase digno de confiança - mas terminou como um ruído cansado de fórmulas gastas e mensagens dispersas, perdido entre perseguições banais, caricaturas previsíveis e uma pretensão política que nada ilumina além do próprio vazio. Havia, no início, a promessa de um thriller pensado; contudo, à medida que avançava, tudo se dissolvia numa sucessão de clichês fatigados e acontecimentos sem alma, como se o filme esquecesse aquilo que queria ser. Restou apenas o enfado, a sensação amarga de assistir a algo que se desfaz diante dos olhos, e a melancolia de ter desperdiçado tempo com uma obra que parecia possuir substância, mas que afinal era somente ruína e barulho.
Rounding
1.3 5 Assista AgoraZerou por volta do minuto 25.
Capture
1.9 2Como sucede em quase tudo na vida, quanto mais se descobrem papéis, relatos e memórias, menos o mundo se esclarece; apenas se torna mais estranho e mais semelhante aos sonhos maus que a razão não consegue terminar.
Thriller/horror satisfatório!
Dark Horse
33Filme sobre a vida de político A ou B, Lula, Bolsonaro, sobre Olavo de Carvalho, sobre Jesus ou qualquer figura ideológica específica raramente rompe a bolha. Porque, na maioria das vezes, vira algo pesado, doutrinário e chato para o público comum. Além do mais, Bolsonaro e Lula ainda estão vivos, todo mundo conhece as suas trajetórias.
O que conquista público de verdade, fora da bolha ideológica, é outra coisa: um thriller forte, envolvente, com elementos conservadores inseridos de forma despretensiosa.
Exemplo prático: Nefarious (2023). Furou a bolha justamente porque se vende como thriller, não como sermão. O filme não fica tentando doutrinar ninguém, mas traz, de maneira sutil, temas como a questão do aborto.
E ainda teve um orçamento de apenas 25 milhões. Apenas 1/4 do orçamento do filme bancado pelo empresário corrupto Vorcaro!
The Ugly
2.2 1Tentei gostar deste filme como quem insiste em encontrar sentido num sonho que se desfaz ao despertar, revi-lhe o fim mais de uma vez, mas a verdade permaneceu imóvel:
venderam-me uma monstruosidade e entregaram-me um rosto comum
a mesma feiura absoluta
Morra, Monstro, Morra
2.2 3Este filme, nem sequer se eleva ao sofrimento digno - é vazio como um tempo perdido sem consciência de si. Nele não há trama, nem propósito, apenas a sensação incômoda de ter cedido minutos e horas a um nada que se disfarça de arte.
Caminhos Perdidos
3.2 33Vi uma travessia irregular entre o acaso e a intenção. A jornada, que deveria unir pelo sentido, dispersa-se muitas vezes em gestos sem causa aparente, como se os próprios personagens ignorassem o motivo de estarem juntos. Ainda assim, há instantes em que algo mais fundo emerge - uma ternura incômoda, um laço que se forma não pela lógica, mas pela necessidade silenciosa de pertencimento. O filme oscila entre a superficialidade de seus desvios e a tentativa de tocar o íntimo, pedindo ao espectador uma compaixão que nem sempre merece, mas que, por vezes, concede ao menino uma tristeza legítima. Não é obra de grande vigor, nem de inteira falha; é antes um fragmento imperfeito de humanidade, que hesita entre emocionar e dispersar-se, e cujo fim, como a própria viagem, deixa a sensação de algo que poderia ter sido mais - e não foi.
Conspiração
3.0 12Há filmes que não fracassam por falta de meios, mas por excesso de alarde: onde a fanfarronice impõe-se e as figuras tornam-se caricaturas de si mesmas, a verossimilhança recolhe-se, silenciosa, como quem não deseja participar. Este, que poderia aspirar à gravidade de uma conspiração digna de reflexão, prefere o ruído fácil da ação contínua e a evidência preguiçosa de seus segredos, entregando desde cedo aquilo que deveria ocultar. Há nele algo de absurdo assumido: mortes que se sucedem como aparições descartáveis, um herói que atravessa o impossível sem se desfazer, uma encenação tão conveniente que roça o cômico involuntário.
Hypnotic: Ameaça Invisível
2.7 151 Assista AgoraUm filme que prometeu mistério e inteligência, mas que se perdeu em si mesmo como quem pensa demais e sente de menos. A narrativa, em vez de revelar, confunde; torce-se tanto a realidade que já não se sabe se há verdade alguma a alcançar, e cada reviravolta, em vez de iluminar, obscurece ainda mais. Resta um ou outro vislumbre interessante, alguns efeitos que impressionam, mas tudo se dilui numa obra que tenta ser mais do que é e, por isso mesmo, acaba sendo menos.
Leviticus
1Lixo total, completo e absoluto!
The Ruse
2.0 2Assisti-o como quem olha um corredor sem fim: nos primeiros minutos ainda havia promessa, uma vaga inquietação, mas logo tudo se tornou enfado e névoa. Os personagens, insuportáveis e sem alma, arrastavam-se por uma intriga feita de coincidências absurdas e vazios sem remédio, como se o próprio autor ignorasse o mapa do labirinto que desenhara. Apenas o tédio vestido de aparência. As atuações pouco podiam salvar, as reações soavam falsas, e eu, entre avanços apressados e impaciência crescente, só pensava se aquilo fazia algum sentido. Não fazia. Restaram-me uns cinco minutos iniciais de esperança e o resto de uma parede branca interior.
Salve Maria
2.7 3Filme de loucas feministas, que consieram a gravidez e a maternidade como pragas ou doenças. Só isso a dizer, sem entregar spoilers, mas você já deve saber como a assassina é tratada no filme...
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraDitadura real, vivemos hoje! Sob a atuação de Moraes e do STF, vê-se um cenário marcado por presos políticos, jornalistas no exílio, empresas jornalísticas fechadas, relatos de abusos no cárcere, censura, violações de direitos humanos, autoridades colocadas acima da lei, corrosão do Estado de Direito e desrespeito às garantias individuais. Diante disso, soa distorcida a insistência em retratar apenas o autoritarismo dos anos 70, ignorando o que se passa no presente. Mais do que autoritarismo, o que se observa hoje aproxima-se de um quadro de totalitarismo neste país. Para compreender essa distinção, vale recorrer à obra de Hannah Arendt. Acordem!
Harpía: Presença Maligna
2.5 19 Assista AgoraNão falhou por falta de intenção, mas por ausência de alma: a estória, rasa e sem densidade, mal se sustenta. Há nas personagens uma incompetência estranha, sobretudo naquilo que mais humano deveria ser - o sentir e o comunicar -, e isso rompe qualquer possibilidade de imersão. O que poderia ser inquietação reduz-se a um manual previsível de sustos, onde até o medo parece ensaiado.
Undertone
3.1 96Assistir a este filme é como escutar um eco vazio numa sala sem janelas: há ali uma ideia que poderia ser qualquer coisa, talvez até algo digno, mas que se dissolve na monotonia de uma execução sem alma, onde quase nada se vê e pouco verdadeiramente se revela. A narrativa arrasta-se entre áudios rebobinados e pretensas descobertas que soam ocas, e a promessa inicial desfaz-se por completo num terceiro ato que não amarra, não explica, não justifica - apenas abandona. Há um certo esforço na atuação e um mérito técnico no som, é verdade, mas isso não basta quando o cinema esquece-se de ser visão e se reduz a um murmúrio prolongado. Ao terminar, a sensação é de algo derivativo, pálido, como uma cópia sem vigor de ideias melhores, e a impressão incômoda de ter acompanhado não uma obra, mas um ensaio pretensioso que se leva mais a sério do que merece.
Jonah
1.0 5Ao concluir a exibição deste filme, saí como quem regressa de um lugar onde nada, verdadeiramente, aconteceu - uma travessia vazia, longa demais para a escassez do que oferece. Começa com uma promessa que logo se desfaz, como se a própria narrativa cansasse-se de existir, repetindo-se numa dúvida estéril entre abdução e abuso. Não há sustos, não há revelações, não há sequer o consolo de uma estória que se sustente; apenas a sugestão pálida de algo que não se mostra, conflitos que não se resolvem. Resta um drama psicológico tímido, quase digno, perdido num conjunto que hesita entre ser e não ser, e que, por isso mesmo, falha em ambos.
Mother Mary
2.7 17Lixo total, completo e absoluto!
Passado Violento
2.6 76 Assista AgoraUma intenção de grandeza que não chega a nascer. A narrativa arrasta-se longamente sem revelar alma ou passado suficiente para o seu protagonista, enquanto mafiosos caricaturais, cenas de fanfarronices e falhas de coerência corroem qualquer ilusão de realidade. A fotografia obscura e a encenação confusa abafam até os momentos que pediriam força ou catarse, deixando apenas um quadro estilizado, sombrio e deprimente, no qual o esforço do ator pouco pode fazer para salvar um roteiro frágil e uma estória que termina por parecer vazia e cansada.
Terremoto
2.7 113 Assista AgoraComo um sonho longo que se arrasta antes de saber que sonha, começa numa lentidão quase vazia, prometendo profundidade psicológica que logo se desfaz em silêncio opaco e intenções mal reveladas; o protagonista vagueia, angustiado, sem jamais nos permitir habitar-lhe o espírito, enquanto as relações, que poderiam ser densas, tornam-se planas como figuras de papel. E quando enfim a catástrofe chega - tardia, como um despertar brusco - surge grandiosa na forma e dissolve qualquer crença no que se vê.
Portal da Morte
2.3 3Tudo pareceu-me uma repetição sem alma, uma ideia antiga vestida com efeitos apenas aceitáveis e intenções que nunca se cumprem. Há uma promessa de mistério que se dissipa cedo, como se o próprio filme desistisse de si mesmo, perdido entre atuações rígidas, diálogos pueris e personagens que não vivem, apenas ocupam espaço. O que poderia ser contemplação torna-se ruído - tiros, decisões vazias, reações mecânicas - como se o homem, diante do incompreensível, só soubesse reduzir o infinito à sua própria mediocridade. E, ao fim, resta apenas o vazio de uma narrativa que começa sem força e termina sem verdade, deixando-me não com perguntas, mas com a certeza incômoda de que nada ali merecia, sequer, ter sido perguntado.
Corta-fogo
3.1 37 Assista AgoraUm filme que corre, quase sem respirar, como se temesse o próprio silêncio - um thriller de impulso contínuo, feito de urgência e calor, embora, paradoxalmente, deixe em mim uma frieza estranha, como se tudo aquilo acontecesse à distância de quem observa sem realmente sentir. Há ali tensão suficiente para sustentar o olhar, e uma beleza visual que tenta convencer-me de que a história merece ser vivida, mas algo falha nesse pacto íntimo entre espectador e narrativa: talvez o incêndio, que deveria consumir tudo, comporte-se como uma ameaça esquecida, quase simbólica. Ainda assim, há um fluxo que não se quebra, um ritmo que insiste, e, se me permito acreditar - ainda que por um instante -, encontro algum valor nessa experiência, como quem aceita um sonho imperfeito apenas porque ele, de algum modo, continua a acontecer. Satisfatório!
Occupant
2.3 20 Assista AgoraHá filmes que começam como promessa e terminam como esquecimento - e este é um deles, desses que se esvaem da memória ainda durante os créditos, como um sonho que não quis fixar-se. A ideia inicial, curiosa e quase sedutora, sugere um mergulho na tensão e no delírio; porém, o que se segue é uma lenta dissolução do sentido. Personagens surgem e desaparecem como sombras sem peso, acontecimentos insinuam mistério mas não o cumprem, como um eco vazio de algo que nunca chegou a ser dito. Há momentos em que a forma - o som, sobretudo - tenta resgatar a essência, mas o conteúdo escapa, fragmentado, sem firmeza.