Estamos diante de uma das maiores evidências de que a qualidade de uma obra está completamente dissociada de suas eventuais premiações internacionais. O filme é superestimado e exige uma extrema boa vontade do público para ignorar todos os seus defeitos, a começar pelo péssimo título, que não possui qualquer relação com a trama.
Embora seja excessivamente longo, é surpreendente que não tenham conseguido nem mesmo inserir um desfecho minimamente satisfatório para o roteiro, que fica cheio de pontas soltas.
O final é tão ruim que parece um erro grotesco de edição. Para piorar, colocar o próprio Wagner Moura interpretando o seu filho no futuro foi uma péssima escolha.
Contudo, há alguns pontos a serem elogiados, tal como o visual que simula com perfeição a estética setentista. A fotografia do filme é realmente muito bonita.
Tenho minhas críticas em relação ao cinema convencional hollywoodiano, mas a necessidade do filme ser minimamente agradável ao público para se tornar comercialmente viável ajuda a prevenir diretores pretenciosos de fazerem algumas porcarias.
Uma péssima sequência de F/X (1986), com um roteiro ruim, incompreensível, e cheio de pontas soltas. Além disso, há algo particularmente irritante, que foi ter encontrado na internet vários elogios, mas nenhum comentário sobre alguns dos aspectos mais absurdos.
Vou ignorar o plano super sofisticado, que consistia em induzir um sujeito a cometer um assassinato, só para que a morte do policial fosse atribuída a ele. Tudo isso com um objetivo relativamente simples: conseguir acesso ao apartamento desse policial, através de um mandado de busca e apreensão, para obter algumas informações sobre uma investigação antiga. Não seria mais fácil apenas invadir o apartamento? E o pior: deixaram que o Tyler entrasse no local, no momento da busca, e levasse justamente aquilo que os vilões procuravam.
Aliás, o policial morto é ex-marido e teve um filho com a atual namorada do Tyler. Mesmo assim, ambos parecem ser amigos a ponto de Tyler aceitar participar com ele de um plano arriscado. É uma relação muito estranha.
Também vou ignorar aquela fantasia clássica de pegar uma gravação e dar zoom na imagem até revelar perfeitamente o rosto do verdadeiro assassino.
Além desses e outros problemas ao longo do filme (a morte totalmente desnecessária da namorada do detetive), o que realmente é impossível de ignorar foi a parte final. Tyler guarda em sua mala alguns dos itens que ele usará para derrotar os bandidos: explosivos, purê de batata, éter e salsichas. Corta a cena, e Tyler está em uma mansão ligada à máfia, usando uma máquina para lançar as salsichas para distrair os cachorros (é claro que ele já sabia que teriam cachorros nessa mansão). Convenientemente, um dos capangas solta os cachorros da coleira para que eles seguissem uma rota até uma quadra de tênis e lá ficassem presos. Enquanto isso, Tyler se teletransporta para a parte superior da mansão e chama atenção desse capanga com flocos de neve. Ao se dirigir ao local para investigar, o capanga é abatido usando um spray de éter. E daí para frente seguem algumas cenas em que Tyler magicamente consegue utilizar alguns brinquedos e armadilhas nada convincentes para abater os demais capangas.
Tudo isso é ruim, mas, após algum esforço, consegue ser superável. Aquilo que realmente não dá para superar é que, no meio de toda essa confusão, surge um helicóptero sendo controlado (aparentemente) por um controle remoto. Além do absurdo de um helicóptero pilotado por controle remoto, no momento do pouso a cena mostra Tyler claramente dirigindo um cortador de grama, com nada em suas mãos. Então, quem está pousando o helicóptero? Sim. Há um palhaço no assento do helicóptero, mas não é o palhaço que está pilotando porque Tyler está sem aquela roupa especial. E todo esse plano absurdo e inverossímil dependia que os vilões não reparassem que haveria um palhaço de brinquedo no lugar do piloto do helicóptero.
Eu adorei o palhaço, aquela cena da luta usando ele foi muito boa, mas sua participação deveria ter acabado nesse ponto.
A reviravolta da promotora se tornando uma vilã também é absurda e desnecessária. O detetive descobriu antecipadamente que ela poderia estar comprometida porque o gato dela se chamava Sansão e isso remete a um codinome que havia surgido na investigação.
Durante dois terços, o filme é simplesmente um primor. O clima de suspense te mantém absorvido totalmente na trama, que se desenvolve de maneira formidável em um ritmo empolgante. Infelizmente, o terço final do filme desafia minha suspensão da descrença, e o final propriamente dito é ruim.
No início do filme havia um pequeno incômodo pelo fato da namorada dele ter sido assassinada e isso ter causado pouca ou nenhuma repercussão em seu estado emocional, mas isso é algo superável. Também causa estranheza que ninguém tenha suspeitado que que o corpo do gangster Nick DeFranco não seja realmente dele, já que a tentativa de assassinato era falsa. Eu sei que em algum momento eles haviam dito que colocaram o corpo de outra pessoa, mas isso soa forçado em se tratando de uma figura pública.
A cena de perseguição, embora bem conduzida, poderia ter um desfecho melhor. O policial interrompe a caçada ao pensar que atropelou uma pessoa (quando, na verdade, era apenas um manequim). O problema é que, nesse momento, a van de Tyler ainda estava a poucos metros de distância, o que torna incoerente a desistência repentina do policial após tanto esforço.
Essas são inconsistências que, embora perceptíveis durante a exibição, acabam sendo toleráveis.
Porém, a parte final em que Tyler usa de seus truques para liquidar uma meia dúzia de capangas é difícil de engolir. Mesmo sem conhecer o layout da mansão e carregando diversas bugigangas, ele se movimenta com grande facilidade, abatendo os inimigos de maneira pouco convincente e, para finalizar, consegue escapar do local indo parar em um necrotério ao se fingir de morto (eu sei que ele estava usando algumas próteses, mas mesmo assim é forçar muito).
Teria sido melhor o filme terminar nessa parte, mas ele avança para um cena final muito ruim e desnecessária, com o Tyler e detetive na Suíça ficando com o dinheiro do gângster. Acaba pesando contra os dois personagens, principalmente contra o detetive Leo McCarthy, que ao longo do filme havia se tornado um personagem carismático por ser um policial que até então mantinha sua integridade.
Um bom filme que, apesar de certos incômodos, consegue ser muito divertido.
Uma comédia suave e despretensiosa, que, sem vulgaridade, com personagens carismáticos e diálogos divertidos, entrega uma experiência agradável.
Apesar do bom desempenho de Marisa Tomei (que recebeu um questionável Oscar de melhor atriz coadjuvante), o grande destaque é a dinâmica entre Vinny (Joe Pesci) e o juiz (interpretado maravilhosamente por Fred Gwynne, que faleceu pouco tempo depois).
Porém, o filme poderia ter sido bem melhor se tivessem mais atenção com alguns pontos da trama, conforme explico abaixo:
Infelizmente, o desenrolar final da história poderia ser melhor elaborado. Todo aquele conhecimento surreal da namorada ao ser confrontada com uma simples foto dos pneus de um carro é muito inverossímil a ponto de incomodar. E se presume que Vinny também tinha o mesmo conhecimento, já que ele chamou a namorada para testemunhar já sabendo qual seria a resposta dela. Poderiam inventar uma forma mais razoável de inocentar os réus.
Além do mais, a história fake do Vinny se passando por outro advogado extrapolou e a farsa deveria ter sido reconhecida (e aceita) pelo juiz no final do filme, e não aquela história maluca de que a namorada teria um contato em Nova York que confirmaria o nome fraudulento apresentado pelo Vinny, principalmente porque ela não sabia aquilo que havia acontecido no gabinete do juiz, pois Vinny na cena seguinte evitou comentar sobre o assunto e logo em seguida brigou com a namorada, então ela não teria como participar dessa farsa e fraudar uma pesquisa sobre um nome que ela não havia escutado (e não havia nem tempo para isso). É um furo absurdo no roteiro.
O filme é a redenção do original de 1989, que embora fosse apenas mediano, era suficientemente divertido e carismático. Não consigo imaginar alguém melhor do que Jake Gyllenhaal para substituir o saudoso Patrick Swayze, mas essa parece ter sido uma das únicas decisões acertadas do filme.
A primeira metade do filme até parece interessante, mas o restante é sofrível em um nível elevado.
O filme é ruim em um nível difícil de descrever. Eu sei o que esperar de um filme do gênero, tento ser condescendente com a proposta, mas nem assim acho defensável. Primeiro, porque é preciso aguardar quase 1 hora para termos a primeira cena de ação relevante. Segundo, são poucas as cenas de ação. Até mesmo a luta final, que é o ponto alto do filme, tem uma duração muito curta. E terceiro, toda a trama que se desenrola ao longo do filme é enfadonha e mal elaborada.
Surpreendentemente, o filme parece ter muitos fãs.
Talvez o grande mérito do filme foi ter servido de inspiração para o lendário “Big Trouble in Little China”, de John Carpenter. Considerando os recursos limitados disponíveis, algumas cenas e cenários são bem impressionantes, mesclando efeitos visuais práticos e ópticos, bem como uso de muito wire work (alguns bem evidentes).
Infelizmente a parte aproveitável do filme se resume a isso, porque a história e o roteiro são precários e confusos.
Em certo momento, um dos personagens é envenenado, e para obter a cura é preciso ir em um castelo a fim de enfrentar alguns desafios. Posteriormente, outro personagem é envenenado, então é preciso retornar ao mesmo castelo. Passou a impressão que eles criaram um pretexto qualquer para reaproveitar o mesmo cenário e estender o tempo de duração do filme.
O filme tem um estilo surreal que faz parecer um sonho, onde pouca coisa faz sentido, embora eu não ache que tenha sido proposital. Considerando suas características, é um filme bem difícil de recomendar, mas é possível extrair algum entretenimento com algumas cenas específicas, nem que seja para admirar o esforço que deve ter sido criá-las no ambiente de baixo custo do cinema de Hong Kong.
Bruce Willis faz o papel de um pistoleiro que tenta tirar proveito de duas gangues rivais que por algum motivo ocupam uma cidade quase desértica em lugar qualquer.
O filme é irregular e confuso. O protagonista transita constantemente entre as duas gangues, mas essa alternância acontece de forma tão frequente e desordenada que rapidamente se torna difícil distinguir quem é quem. Além disso, há uma certa cena que se passa no México que parece bem desconexa com o filme, pois ela começa como se fosse seguindo uma ordem cronológica, mas é narrada na forma de flashback.
Esses cortes dificultam a compreensão e parece que você está assistindo o resumo de um filme que deveria ser mais extenso.
A dinâmica entre o personagem de Bruce Willis e as gangues também carece de credibilidade, o que dificulta a suspensão da descrença. O roteiro não oferece uma base sólida para tornar essas relações minimamente convincentes.
Nos últimos 30 minutos, o filme consegue se tornar um pouco mais envolvente, mas longe de conseguir redimir o restante da obra.
É um filme divertido para assistir casualmente, de forma despretensiosa. Há algumas falhas e omissões óbvias no roteiro, mas que são toleráveis desde que você não tenha pretensão de analisar o filme de forma minudente. Não assista o trailer. É melhor assistir sem saber nada sobre o filme.
Trata-se de um documentário dirigido, produzido e estrelado por Andrew McCarthy, que era parte de um grupo de jovens atores que fizeram alguns filmes juntos nos anos 1980 e que posteriormente se tornaram objeto de um artigo supostamente pejorativo publicado na New York Magazine que atribuiu a esse grupo de atores a alcunha de “brat pack”.
O artigo em questão, de acordo com o documentário, teria provocado um efeito devastador na carreira de alguns desses atores, em particular na carreira de Andrew McCarthy.
Eu tive que parar o documentário no meio para ler o artigo em questão a fim de ter uma ideia melhor do que se tratava. Para minha surpresa, além de não ver nada de impactante no artigo, Andrew McCarthy nem realmente é parte dele. O nome de Andrew é apenas brevemente citado em um trecho de menor importância.
Outros nomes mais amplamente mencionados no artigo, como Tom Cruise, tiveram uma carreira estrondosa.
A impressão é que Andrew McCarthy foi um ator jovem que não conseguiu avançar sua carreira para além dos filmes que envolviam a temática juvenil. E que está procurando algum pretexto para justificar seu insucesso posterior.
Eu tenho uma predileção especial por filmes que se passam durante o período de uma única noite. Combinando isso com a ambientação e trilha sonora dos anos 80, o filme é um deleite visual e sonoro.
Considerando esse aspecto, em “Miracle Mile” a forma prevalece sobre a substância. A ideia de uma bomba atômica atingir a cidade e o senso de urgência que a situação impõe é muito boa, mas a maneira como a relação entre o personagem principal e sua namorada é construída causa um grande incômodo.
Quer dizer, eles se conheceram ontem e o rapaz é capaz de fazer os maiores absurdos para salvá-la? Some-se isso a escolha de uma atriz pouco carismática e atraente para agravar a situação. Eu realmente gostei do rapaz como personagem principal, mas a atriz estilo “mosca-morta” realmente prejudica o filme.
Fora isso, o filme tem algumas situações bem esquisitas, como “me aguarde aqui que vou descer esse prédio que acabei de subir para procurar aleatoriamente um piloto de helicóptero em plena madrugada”. Não seria difícil encontrar outro pretexto para mergulhar o personagem em todo aquele caos (que aliás, é muito bem executado).
No geral, o filme é divertido e tem uma atmosfera maravilhosa, porém certas escolhas de elenco, somando com situações exóticas difíceis de digerir em um roteiro às vezes bem problemático, comprometem uma experiência que poderia ter sido ótima.
Trata-se do primeiro filme de conteúdo adulto (R rating) lançado pela Disney, através do rótulo Touchstone Films. Foi considerado um sucesso de bilheteria em sua época (principalmente levando em conta o seu orçamento).
Hoje em dia o filme parece esquecido (sequer houve lançamento em Blu-ray). De certa forma, é uma comédia bem esquecível, com um senso de humor que dificilmente me alcança. Também não consigo extrair nenhuma reflexão sobre o impacto do Jerry na família. Aliás, apenas uma: nunca levar um completo desconhecido para morar na sua casa.
O roteiro também é bem precário. Em certo momento o irritante filho que nos atormenta no início do filme simplesmente desaparece sem motivo e só volta a surgir perto do final (algo estranho para um integrante tão proeminente na família).
Depois de comer sua esposa, sua amante e sua filha, não é crível imaginar que ele consiga ficar bem com o cara.
Com tantos bons filmes lançados no ano de 1986, é difícil compreender a razão do sucesso desse aqui. Não consigo vislumbrar nada que possa destacar de positivo.
Uma infeliz ideia do Howard Stern de presumir que sua trajetória seria suficientemente interessante para sustentar um filme por quase 2 horas.
Um dos maiores problemas de um longa que tem a pretensão de ser auto-biográfico é inserir situações tão estapafúrdias que se torna quase impossível crer em algo além de uma realidade extremamente distorcida. Sim, eu sei que Howard Stern é adepto do humor escrachado, mas muito do que foi apresentado foi inverossímil, com exceção da Jenna Jameson nua no auge do seu esplendor físico, que foi o maior motivo para achar alguma graça no filme.
Um grande desperdício do talento de Paul Giamatti.
O filme é muito competente ao desenvolver seu roteiro ao longo de suas mais de 2 horas de duração. Todas as cenas parecem relevantes para a história, que se manteve instigante do início ao fim, como se estivéssemos vivenciando uma grande aventura permeada de reviravoltas. Nesse aspecto, o filme é um entretenimento primoroso que merece ser apreciado.
Dito isso, há algumas ressalvas incômodas que preciso fazer:
Milhares de macacos com algum grau de inteligência, liderados por um vilão ainda mais inteligente, estão tentando abrir a porta de um cofre com base na força bruta, enquanto que há outra entrada escancarada para esse mesmo lugar no topo de uma montanha. Imaginava-se que a existência de outra entrada fosse ser averiguada pelo vilão.
Ou ao menos o acesso a essa entrada poderia estar mais camuflado.
Passei uns 30 minutos procurando na internet alguma outra referência a essa mesma reclamação, mas não encontrei, então talvez eu esteja maluco.
Outra questão é como a garota humana consegue sempre perseguir o macaco de perto a pé, mesmo ele viajando usando um cavalo.
Se há uma receita para criar um excelente filme, “The Holdovers” representa sua perfeita execução. E um dos ingredientes principais é sem dúvida Paul Giamatti, que esbanja seu talento em uma atuação memorável.
Além de ser um filme agradável, engraçado e emocionante, do início ao fim, a parte técnica também é impecável, pois conseguiram reproduzir a ambientação nos anos 70 de forma tão perfeita que parece ter sido gravado usando película daquela época (embora tenha sido gravado digitalmente).
A única coisa que me incomoda nesse filme é que parece ter sido um fracasso comercial nos cinemas. Espero que tenha melhor sorte no streaming, a fim de possibilitar que mais maravilhas como essa possam futuramente existir.
Esse filme seria muito melhor se perdesse uns 30 minutos de duração em sua primeira parte, que retrata os anos 70, pois em quase 1 hora e meia o filme apresenta pouco e flerta com a monotonia. É muito tempo desperdiçado logo no início, em um tempo de duração que equivale a um longa metragem.
Já na segunda parte, que representa os anos 80, finalmente as coisas melhoram (exceto para os personagens), elevando o filme substancialmente, mas não para um patamar que justifique sua atual reputação.
Ainda que seja ambientado dentro da indústria pornográfica, achei um filme um tanto pudico em termos de representação gráfica. Claro que não esperava nada explícito, mas qualquer comédia adolescente dos anos 80 é mais reveladora.
Tenho uma predileção especial por filmes que conseguem engajar o espectador com poucos recursos, principalmente aqueles que utilizam um único cenário como base para o desenrolar da trama. Nesse aspecto, esse filme é muito bem sucedido. E é justamente essa qualidade que parece desagradar grande parte do público que rebaixou a nota do filme para um patamar incompreensível. Muitos parecem decepcionados com a ausência de cenas externas que mostrassem aquilo que se passava por trás dos diálogos por telefone, como se fossem incapazes de utilizar a imaginação para compreender algo sem a necessidade de uma representação visual.
Dito isso, embora seja um filme com vários méritos, acho que ele poderia ser um pouco mais simples, limitando-se ao aspecto principal do enredo, sem a necessidade de introduzir outra camada dramática sobre o personagem principal e usar isso para concluir o filme de uma forma um pouco piegas.
Por ser refratário a teorias da conspiração, principalmente aquelas que já foram amplamente refutadas ao longo de décadas, tive dificuldades de ser cativado por esse filme do Oliver Stone, mas reconheço que tecnicamente é bem feito, com um elenco tão estelar que causa até certo espanto ver tantos atores magníficos em um mesmo filme.
As mais de 3 horas de duração parecem excessivamente longas e a quantidade imensa de informações apresentadas até a primeira metade do filme torna a história de difícil deglutição. A parte final foi um ponto alto, mas é uma obra que, embora tecnicamente possa ter diversos méritos, eu teria dificuldades em recomendar.
Um êxito extraordinário do cinema brasileiro. Traz à luz um fato praticamente esquecido com uma competência técnica impressionante, mantendo o espectador na poltrona do cinema como se estivesse na poltrona daquele Boeing 737 da finada Vasp pilotado pelas habilidosas mãos do comandante Murilo (em ótima interpretação do Danilo Grangheia), que infelizmente não está mais vivo para receber o devido reconhecimento pelo público.
É um dever cívico prestigiar esse excelente filme nos cinemas a fim de nutrir a expectativa que o cinema nacional possa oferecer mais do que aquelas insuportáveis comédias.
A tarefa mais difícil de qualquer filme que ouse adentrar nesse universo mítico é inevitavelmente ser comparado ao maravilhoso clássico de 1971, que até hoje é merecidamente venerado por toda uma geração que teve o prazer de conhecê-lo durante a infância.
Ainda que esteja à sombra do original, “Wonka” é uma obra interessante que oferece duas horas agradáveis de escapismo fantasioso, honrando suas origens e oferecendo entretenimento de boa qualidade.
O filme retrata com excelência técnica os acontecimentos daquele fatídico dia, abordando com riqueza de detalhes não apenas a tragédia ocorrida dentro do voo United 93, como também a situação caótica no sistema de controle aéreo norte-americano.
Como resultado, o filme emerge o espectador nos eventos daquele dia de tal forma que é como se estivéssemos vivenciando o desenrolar daqueles acontecimentos pela primeira vez, e embora o final seja amplamente conhecido, é justamente conhecer o destino trágico daquelas pessoas que torna o filme tenso e angustiante do início ao fim.
O filme não tem originalidade, mas isso não é necessariamente algo ruim. Não vejo problemas em querer se divertir com mais do mesmo, algo que sempre foi recorrente no gênero de terror, principalmente aqueles da década de 1980, que é onde esse filme busca sua maior inspiração.
E partindo dessa premissa, o filme é bem sólido em sua proposta, oferecendo efeitos visuais convincentes e um roteiro simples que consegue ser bem executado do início ao fim, oferecendo uma experiência satisfatória para aqueles que buscam esse tipo de conteúdo.
Um excelente documentário que relata a fascinante história de Lucille Ball e de seu marido Desi Arnaz, que protagonizaram uma das séries de maior sucesso da televisão norte-americana. O documentário é muito bem produzido e informativo, com depoimentos comoventes, e presta um merecido tributo à extraordinária Lucille Ball.
A primeira coisa que me chamou atenção em Seven foi o seu visual primoroso em estilo soturno que realmente testa a capacidade de reprodução de contraste da sua TV/monitor.
Mas sobre o conteúdo em si, sinto que o filme é um pouco superestimado e sei exatamente o porquê disso. Ele começa muito bem, mas ao longo do tempo vai perdendo ritmo, como se a história ficasse travada. Ocorre que a parte final é tão boa e impactante que, para grande parte do público, a última impressão é a que fica, daí receber notas tão altas.
Um bom filme, sem dúvida, embora sinto que seja superestimado.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraEstamos diante de uma das maiores evidências de que a qualidade de uma obra está completamente dissociada de suas eventuais premiações internacionais. O filme é superestimado e exige uma extrema boa vontade do público para ignorar todos os seus defeitos, a começar pelo péssimo título, que não possui qualquer relação com a trama.
Embora seja excessivamente longo, é surpreendente que não tenham conseguido nem mesmo inserir um desfecho minimamente satisfatório para o roteiro, que fica cheio de pontas soltas.
O final é tão ruim que parece um erro grotesco de edição. Para piorar, colocar o próprio Wagner Moura interpretando o seu filho no futuro foi uma péssima escolha.
Contudo, há alguns pontos a serem elogiados, tal como o visual que simula com perfeição a estética setentista. A fotografia do filme é realmente muito bonita.
Tenho minhas críticas em relação ao cinema convencional hollywoodiano, mas a necessidade do filme ser minimamente agradável ao público para se tornar comercialmente viável ajuda a prevenir diretores pretenciosos de fazerem algumas porcarias.
Nota 5
FX 2: Ilusão Fatal
3.0 24 Assista AgoraUma péssima sequência de F/X (1986), com um roteiro ruim, incompreensível, e cheio de pontas soltas. Além disso, há algo particularmente irritante, que foi ter encontrado na internet vários elogios, mas nenhum comentário sobre alguns dos aspectos mais absurdos.
Vou ignorar o plano super sofisticado, que consistia em induzir um sujeito a cometer um assassinato, só para que a morte do policial fosse atribuída a ele. Tudo isso com um objetivo relativamente simples: conseguir acesso ao apartamento desse policial, através de um mandado de busca e apreensão, para obter algumas informações sobre uma investigação antiga. Não seria mais fácil apenas invadir o apartamento? E o pior: deixaram que o Tyler entrasse no local, no momento da busca, e levasse justamente aquilo que os vilões procuravam.
Aliás, o policial morto é ex-marido e teve um filho com a atual namorada do Tyler. Mesmo assim, ambos parecem ser amigos a ponto de Tyler aceitar participar com ele de um plano arriscado. É uma relação muito estranha.
Também vou ignorar aquela fantasia clássica de pegar uma gravação e dar zoom na imagem até revelar perfeitamente o rosto do verdadeiro assassino.
Além desses e outros problemas ao longo do filme (a morte totalmente desnecessária da namorada do detetive), o que realmente é impossível de ignorar foi a parte final. Tyler guarda em sua mala alguns dos itens que ele usará para derrotar os bandidos: explosivos, purê de batata, éter e salsichas. Corta a cena, e Tyler está em uma mansão ligada à máfia, usando uma máquina para lançar as salsichas para distrair os cachorros (é claro que ele já sabia que teriam cachorros nessa mansão). Convenientemente, um dos capangas solta os cachorros da coleira para que eles seguissem uma rota até uma quadra de tênis e lá ficassem presos. Enquanto isso, Tyler se teletransporta para a parte superior da mansão e chama atenção desse capanga com flocos de neve. Ao se dirigir ao local para investigar, o capanga é abatido usando um spray de éter. E daí para frente seguem algumas cenas em que Tyler magicamente consegue utilizar alguns brinquedos e armadilhas nada convincentes para abater os demais capangas.
Tudo isso é ruim, mas, após algum esforço, consegue ser superável. Aquilo que realmente não dá para superar é que, no meio de toda essa confusão, surge um helicóptero sendo controlado (aparentemente) por um controle remoto. Além do absurdo de um helicóptero pilotado por controle remoto, no momento do pouso a cena mostra Tyler claramente dirigindo um cortador de grama, com nada em suas mãos. Então, quem está pousando o helicóptero? Sim. Há um palhaço no assento do helicóptero, mas não é o palhaço que está pilotando porque Tyler está sem aquela roupa especial. E todo esse plano absurdo e inverossímil dependia que os vilões não reparassem que haveria um palhaço de brinquedo no lugar do piloto do helicóptero.
Eu adorei o palhaço, aquela cena da luta usando ele foi muito boa, mas sua participação deveria ter acabado nesse ponto.
A reviravolta da promotora se tornando uma vilã também é absurda e desnecessária. O detetive descobriu antecipadamente que ela poderia estar comprometida porque o gato dela se chamava Sansão e isso remete a um codinome que havia surgido na investigação.
Nota 4
FX: Assassinato Sem Morte
3.4 41 Assista AgoraDurante dois terços, o filme é simplesmente um primor. O clima de suspense te mantém absorvido totalmente na trama, que se desenvolve de maneira formidável em um ritmo empolgante. Infelizmente, o terço final do filme desafia minha suspensão da descrença, e o final propriamente dito é ruim.
No início do filme havia um pequeno incômodo pelo fato da namorada dele ter sido assassinada e isso ter causado pouca ou nenhuma repercussão em seu estado emocional, mas isso é algo superável. Também causa estranheza que ninguém tenha suspeitado que que o corpo do gangster Nick DeFranco não seja realmente dele, já que a tentativa de assassinato era falsa. Eu sei que em algum momento eles haviam dito que colocaram o corpo de outra pessoa, mas isso soa forçado em se tratando de uma figura pública.
A cena de perseguição, embora bem conduzida, poderia ter um desfecho melhor. O policial interrompe a caçada ao pensar que atropelou uma pessoa (quando, na verdade, era apenas um manequim). O problema é que, nesse momento, a van de Tyler ainda estava a poucos metros de distância, o que torna incoerente a desistência repentina do policial após tanto esforço.
Essas são inconsistências que, embora perceptíveis durante a exibição, acabam sendo toleráveis.
Porém, a parte final em que Tyler usa de seus truques para liquidar uma meia dúzia de capangas é difícil de engolir. Mesmo sem conhecer o layout da mansão e carregando diversas bugigangas, ele se movimenta com grande facilidade, abatendo os inimigos de maneira pouco convincente e, para finalizar, consegue escapar do local indo parar em um necrotério ao se fingir de morto (eu sei que ele estava usando algumas próteses, mas mesmo assim é forçar muito).
Teria sido melhor o filme terminar nessa parte, mas ele avança para um cena final muito ruim e desnecessária, com o Tyler e detetive na Suíça ficando com o dinheiro do gângster. Acaba pesando contra os dois personagens, principalmente contra o detetive Leo McCarthy, que ao longo do filme havia se tornado um personagem carismático por ser um policial que até então mantinha sua integridade.
Um bom filme que, apesar de certos incômodos, consegue ser muito divertido.
Nota 7
Meu Primo Vinny
3.6 137 Assista AgoraUma comédia suave e despretensiosa, que, sem vulgaridade, com personagens carismáticos e diálogos divertidos, entrega uma experiência agradável.
Apesar do bom desempenho de Marisa Tomei (que recebeu um questionável Oscar de melhor atriz coadjuvante), o grande destaque é a dinâmica entre Vinny (Joe Pesci) e o juiz (interpretado maravilhosamente por Fred Gwynne, que faleceu pouco tempo depois).
Porém, o filme poderia ter sido bem melhor se tivessem mais atenção com alguns pontos da trama, conforme explico abaixo:
Infelizmente, o desenrolar final da história poderia ser melhor elaborado. Todo aquele conhecimento surreal da namorada ao ser confrontada com uma simples foto dos pneus de um carro é muito inverossímil a ponto de incomodar. E se presume que Vinny também tinha o mesmo conhecimento, já que ele chamou a namorada para testemunhar já sabendo qual seria a resposta dela. Poderiam inventar uma forma mais razoável de inocentar os réus.
Além do mais, a história fake do Vinny se passando por outro advogado extrapolou e a farsa deveria ter sido reconhecida (e aceita) pelo juiz no final do filme, e não aquela história maluca de que a namorada teria um contato em Nova York que confirmaria o nome fraudulento apresentado pelo Vinny, principalmente porque ela não sabia aquilo que havia acontecido no gabinete do juiz, pois Vinny na cena seguinte evitou comentar sobre o assunto e logo em seguida brigou com a namorada, então ela não teria como participar dessa farsa e fraudar uma pesquisa sobre um nome que ela não havia escutado (e não havia nem tempo para isso). É um furo absurdo no roteiro.
Nota 7
Matador de Aluguel
3.1 344 Assista AgoraO filme é a redenção do original de 1989, que embora fosse apenas mediano, era suficientemente divertido e carismático. Não consigo imaginar alguém melhor do que Jake Gyllenhaal para substituir o saudoso Patrick Swayze, mas essa parece ter sido uma das únicas decisões acertadas do filme.
A primeira metade do filme até parece interessante, mas o restante é sofrível em um nível elevado.
Nota 4
Anjos de Aço
3.5 12O filme é ruim em um nível difícil de descrever. Eu sei o que esperar de um filme do gênero, tento ser condescendente com a proposta, mas nem assim acho defensável. Primeiro, porque é preciso aguardar quase 1 hora para termos a primeira cena de ação relevante. Segundo, são poucas as cenas de ação. Até mesmo a luta final, que é o ponto alto do filme, tem uma duração muito curta. E terceiro, toda a trama que se desenrola ao longo do filme é enfadonha e mal elaborada.
Surpreendentemente, o filme parece ter muitos fãs.
Nota 4
Zu: Os Guerreiros da Montanha Encantada
3.5 5Talvez o grande mérito do filme foi ter servido de inspiração para o lendário “Big Trouble in Little China”, de John Carpenter. Considerando os recursos limitados disponíveis, algumas cenas e cenários são bem impressionantes, mesclando efeitos visuais práticos e ópticos, bem como uso de muito wire work (alguns bem evidentes).
Infelizmente a parte aproveitável do filme se resume a isso, porque a história e o roteiro são precários e confusos.
Em certo momento, um dos personagens é envenenado, e para obter a cura é preciso ir em um castelo a fim de enfrentar alguns desafios. Posteriormente, outro personagem é envenenado, então é preciso retornar ao mesmo castelo. Passou a impressão que eles criaram um pretexto qualquer para reaproveitar o mesmo cenário e estender o tempo de duração do filme.
O filme tem um estilo surreal que faz parecer um sonho, onde pouca coisa faz sentido, embora eu não ache que tenha sido proposital. Considerando suas características, é um filme bem difícil de recomendar, mas é possível extrair algum entretenimento com algumas cenas específicas, nem que seja para admirar o esforço que deve ter sido criá-las no ambiente de baixo custo do cinema de Hong Kong.
O Último Matador
3.3 77 Assista AgoraBruce Willis faz o papel de um pistoleiro que tenta tirar proveito de duas gangues rivais que por algum motivo ocupam uma cidade quase desértica em lugar qualquer.
O filme é irregular e confuso. O protagonista transita constantemente entre as duas gangues, mas essa alternância acontece de forma tão frequente e desordenada que rapidamente se torna difícil distinguir quem é quem. Além disso, há uma certa cena que se passa no México que parece bem desconexa com o filme, pois ela começa como se fosse seguindo uma ordem cronológica, mas é narrada na forma de flashback.
Esses cortes dificultam a compreensão e parece que você está assistindo o resumo de um filme que deveria ser mais extenso.
A dinâmica entre o personagem de Bruce Willis e as gangues também carece de credibilidade, o que dificulta a suspensão da descrença. O roteiro não oferece uma base sólida para tornar essas relações minimamente convincentes.
Nos últimos 30 minutos, o filme consegue se tornar um pouco mais envolvente, mas longe de conseguir redimir o restante da obra.
Nota 5
Aquilo que Você Deseja
3.4 60 Assista AgoraÉ um filme divertido para assistir casualmente, de forma despretensiosa. Há algumas falhas e omissões óbvias no roteiro, mas que são toleráveis desde que você não tenha pretensão de analisar o filme de forma minudente. Não assista o trailer. É melhor assistir sem saber nada sobre o filme.
Nota 7
Brats
2.8 9Trata-se de um documentário dirigido, produzido e estrelado por Andrew McCarthy, que era parte de um grupo de jovens atores que fizeram alguns filmes juntos nos anos 1980 e que posteriormente se tornaram objeto de um artigo supostamente pejorativo publicado na New York Magazine que atribuiu a esse grupo de atores a alcunha de “brat pack”.
O artigo em questão, de acordo com o documentário, teria provocado um efeito devastador na carreira de alguns desses atores, em particular na carreira de Andrew McCarthy.
Eu tive que parar o documentário no meio para ler o artigo em questão a fim de ter uma ideia melhor do que se tratava. Para minha surpresa, além de não ver nada de impactante no artigo, Andrew McCarthy nem realmente é parte dele. O nome de Andrew é apenas brevemente citado em um trecho de menor importância.
Outros nomes mais amplamente mencionados no artigo, como Tom Cruise, tiveram uma carreira estrondosa.
A impressão é que Andrew McCarthy foi um ator jovem que não conseguiu avançar sua carreira para além dos filmes que envolviam a temática juvenil. E que está procurando algum pretexto para justificar seu insucesso posterior.
Nota 4
Miracle Mile
3.8 45Eu tenho uma predileção especial por filmes que se passam durante o período de uma única noite. Combinando isso com a ambientação e trilha sonora dos anos 80, o filme é um deleite visual e sonoro.
Considerando esse aspecto, em “Miracle Mile” a forma prevalece sobre a substância. A ideia de uma bomba atômica atingir a cidade e o senso de urgência que a situação impõe é muito boa, mas a maneira como a relação entre o personagem principal e sua namorada é construída causa um grande incômodo.
Quer dizer, eles se conheceram ontem e o rapaz é capaz de fazer os maiores absurdos para salvá-la? Some-se isso a escolha de uma atriz pouco carismática e atraente para agravar a situação. Eu realmente gostei do rapaz como personagem principal, mas a atriz estilo “mosca-morta” realmente prejudica o filme.
Fora isso, o filme tem algumas situações bem esquisitas, como “me aguarde aqui que vou descer esse prédio que acabei de subir para procurar aleatoriamente um piloto de helicóptero em plena madrugada”. Não seria difícil encontrar outro pretexto para mergulhar o personagem em todo aquele caos (que aliás, é muito bem executado).
No geral, o filme é divertido e tem uma atmosfera maravilhosa, porém certas escolhas de elenco, somando com situações exóticas difíceis de digerir em um roteiro às vezes bem problemático, comprometem uma experiência que poderia ter sido ótima.
Nota 7
Um Vagabundo na Alta Roda
3.2 32Trata-se do primeiro filme de conteúdo adulto (R rating) lançado pela Disney, através do rótulo Touchstone Films. Foi considerado um sucesso de bilheteria em sua época (principalmente levando em conta o seu orçamento).
Hoje em dia o filme parece esquecido (sequer houve lançamento em Blu-ray). De certa forma, é uma comédia bem esquecível, com um senso de humor que dificilmente me alcança. Também não consigo extrair nenhuma reflexão sobre o impacto do Jerry na família. Aliás, apenas uma: nunca levar um completo desconhecido para morar na sua casa.
O roteiro também é bem precário. Em certo momento o irritante filho que nos atormenta no início do filme simplesmente desaparece sem motivo e só volta a surgir perto do final (algo estranho para um integrante tão proeminente na família).
Depois de comer sua esposa, sua amante e sua filha, não é crível imaginar que ele consiga ficar bem com o cara.
Com tantos bons filmes lançados no ano de 1986, é difícil compreender a razão do sucesso desse aqui. Não consigo vislumbrar nada que possa destacar de positivo.
O Rei da Baixaria
3.2 31Uma infeliz ideia do Howard Stern de presumir que sua trajetória seria suficientemente interessante para sustentar um filme por quase 2 horas.
Um dos maiores problemas de um longa que tem a pretensão de ser auto-biográfico é inserir situações tão estapafúrdias que se torna quase impossível crer em algo além de uma realidade extremamente distorcida. Sim, eu sei que Howard Stern é adepto do humor escrachado, mas muito do que foi apresentado foi inverossímil, com exceção da Jenna Jameson nua no auge do seu esplendor físico, que foi o maior motivo para achar alguma graça no filme.
Um grande desperdício do talento de Paul Giamatti.
Planeta dos Macacos: O Reinado
3.5 393 Assista AgoraO filme é muito competente ao desenvolver seu roteiro ao longo de suas mais de 2 horas de duração. Todas as cenas parecem relevantes para a história, que se manteve instigante do início ao fim, como se estivéssemos vivenciando uma grande aventura permeada de reviravoltas. Nesse aspecto, o filme é um entretenimento primoroso que merece ser apreciado.
Dito isso, há algumas ressalvas incômodas que preciso fazer:
Milhares de macacos com algum grau de inteligência, liderados por um vilão ainda mais inteligente, estão tentando abrir a porta de um cofre com base na força bruta, enquanto que há outra entrada escancarada para esse mesmo lugar no topo de uma montanha. Imaginava-se que a existência de outra entrada fosse ser averiguada pelo vilão.
Ou ao menos o acesso a essa entrada poderia estar mais camuflado.
Passei uns 30 minutos procurando na internet alguma outra referência a essa mesma reclamação, mas não encontrei, então talvez eu esteja maluco.
Outra questão é como a garota humana consegue sempre perseguir o macaco de perto a pé, mesmo ele viajando usando um cavalo.
Os Rejeitados
4.0 473 Assista AgoraSe há uma receita para criar um excelente filme, “The Holdovers” representa sua perfeita execução. E um dos ingredientes principais é sem dúvida Paul Giamatti, que esbanja seu talento em uma atuação memorável.
Além de ser um filme agradável, engraçado e emocionante, do início ao fim, a parte técnica também é impecável, pois conseguiram reproduzir a ambientação nos anos 70 de forma tão perfeita que parece ter sido gravado usando película daquela época (embora tenha sido gravado digitalmente).
A única coisa que me incomoda nesse filme é que parece ter sido um fracasso comercial nos cinemas. Espero que tenha melhor sorte no streaming, a fim de possibilitar que mais maravilhas como essa possam futuramente existir.
Nota 10
Boogie Nights: Prazer Sem Limites
4.0 574 Assista AgoraEsse filme seria muito melhor se perdesse uns 30 minutos de duração em sua primeira parte, que retrata os anos 70, pois em quase 1 hora e meia o filme apresenta pouco e flerta com a monotonia. É muito tempo desperdiçado logo no início, em um tempo de duração que equivale a um longa metragem.
Já na segunda parte, que representa os anos 80, finalmente as coisas melhoram (exceto para os personagens), elevando o filme substancialmente, mas não para um patamar que justifique sua atual reputação.
Ainda que seja ambientado dentro da indústria pornográfica, achei um filme um tanto pudico em termos de representação gráfica. Claro que não esperava nada explícito, mas qualquer comédia adolescente dos anos 80 é mais reveladora.
Nota 7
O Culpado
3.0 471 Assista AgoraTenho uma predileção especial por filmes que conseguem engajar o espectador com poucos recursos, principalmente aqueles que utilizam um único cenário como base para o desenrolar da trama. Nesse aspecto, esse filme é muito bem sucedido. E é justamente essa qualidade que parece desagradar grande parte do público que rebaixou a nota do filme para um patamar incompreensível. Muitos parecem decepcionados com a ausência de cenas externas que mostrassem aquilo que se passava por trás dos diálogos por telefone, como se fossem incapazes de utilizar a imaginação para compreender algo sem a necessidade de uma representação visual.
Dito isso, embora seja um filme com vários méritos, acho que ele poderia ser um pouco mais simples, limitando-se ao aspecto principal do enredo, sem a necessidade de introduzir outra camada dramática sobre o personagem principal e usar isso para concluir o filme de uma forma um pouco piegas.
Nota 8
JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar
3.9 165 Assista AgoraPor ser refratário a teorias da conspiração, principalmente aquelas que já foram amplamente refutadas ao longo de décadas, tive dificuldades de ser cativado por esse filme do Oliver Stone, mas reconheço que tecnicamente é bem feito, com um elenco tão estelar que causa até certo espanto ver tantos atores magníficos em um mesmo filme.
As mais de 3 horas de duração parecem excessivamente longas e a quantidade imensa de informações apresentadas até a primeira metade do filme torna a história de difícil deglutição. A parte final foi um ponto alto, mas é uma obra que, embora tecnicamente possa ter diversos méritos, eu teria dificuldades em recomendar.
Nota 7
O Sequestro do Voo 375
3.8 224 Assista AgoraUm êxito extraordinário do cinema brasileiro. Traz à luz um fato praticamente esquecido com uma competência técnica impressionante, mantendo o espectador na poltrona do cinema como se estivesse na poltrona daquele Boeing 737 da finada Vasp pilotado pelas habilidosas mãos do comandante Murilo (em ótima interpretação do Danilo Grangheia), que infelizmente não está mais vivo para receber o devido reconhecimento pelo público.
É um dever cívico prestigiar esse excelente filme nos cinemas a fim de nutrir a expectativa que o cinema nacional possa oferecer mais do que aquelas insuportáveis comédias.
Nota 9
Wonka
3.4 456 Assista AgoraA tarefa mais difícil de qualquer filme que ouse adentrar nesse universo mítico é inevitavelmente ser comparado ao maravilhoso clássico de 1971, que até hoje é merecidamente venerado por toda uma geração que teve o prazer de conhecê-lo durante a infância.
Ainda que esteja à sombra do original, “Wonka” é uma obra interessante que oferece duas horas agradáveis de escapismo fantasioso, honrando suas origens e oferecendo entretenimento de boa qualidade.
Nota 7
Vôo United 93
3.4 230 Assista AgoraO filme retrata com excelência técnica os acontecimentos daquele fatídico dia, abordando com riqueza de detalhes não apenas a tragédia ocorrida dentro do voo United 93, como também a situação caótica no sistema de controle aéreo norte-americano.
Como resultado, o filme emerge o espectador nos eventos daquele dia de tal forma que é como se estivéssemos vivenciando o desenrolar daqueles acontecimentos pela primeira vez, e embora o final seja amplamente conhecido, é justamente conhecer o destino trágico daquelas pessoas que torna o filme tenso e angustiante do início ao fim.
Nota 8
A Morte do Demônio: A Ascensão
3.3 874 Assista AgoraO filme não tem originalidade, mas isso não é necessariamente algo ruim. Não vejo problemas em querer se divertir com mais do mesmo, algo que sempre foi recorrente no gênero de terror, principalmente aqueles da década de 1980, que é onde esse filme busca sua maior inspiração.
E partindo dessa premissa, o filme é bem sólido em sua proposta, oferecendo efeitos visuais convincentes e um roteiro simples que consegue ser bem executado do início ao fim, oferecendo uma experiência satisfatória para aqueles que buscam esse tipo de conteúdo.
Nota 7
Lucy e Desi
3.9 5 Assista AgoraUm excelente documentário que relata a fascinante história de Lucille Ball e de seu marido Desi Arnaz, que protagonizaram uma das séries de maior sucesso da televisão norte-americana. O documentário é muito bem produzido e informativo, com depoimentos comoventes, e presta um merecido tributo à extraordinária Lucille Ball.
Seven: Os Sete Crimes Capitais
4.3 2,8K Assista AgoraA primeira coisa que me chamou atenção em Seven foi o seu visual primoroso em estilo soturno que realmente testa a capacidade de reprodução de contraste da sua TV/monitor.
Mas sobre o conteúdo em si, sinto que o filme é um pouco superestimado e sei exatamente o porquê disso. Ele começa muito bem, mas ao longo do tempo vai perdendo ritmo, como se a história ficasse travada. Ocorre que a parte final é tão boa e impactante que, para grande parte do público, a última impressão é a que fica, daí receber notas tão altas.
Um bom filme, sem dúvida, embora sinto que seja superestimado.