Ate hoje eu não me conformo. Quando eu assisito eu fico numa tensão absurda, com as emoções saltando da pele, torcendo até o fim pro Anakin, não passar pro lado negro da força. Mas não tem jeito, a queda é inevitável. Ele era o escolhido.
"Episódio III: A Vingança dos Sith", foi o filme derradeiro da saga, aquela história de origem de vilão, que ninguém quer contar, e poucos ainda tem capacidade e talento pra fazer. Mas George Lucas é um Jedi, e não teve medo de contar como foi a queda do maior vilão da história do cinema.
A história é tensa, a tensão crescente entre o Chanceler Palpatine e o Conselho Jedi, fica com uma aura tenebrosa, na medida as ações de Palpaine lembram vários personagens históricos, que se esconderam na nobreza para poder dominar e destruir seus inimigos.
Acho que o elo que ele tem com Anakin, é algo pegajoso que demonstram interesses, não só do Chanceler, mas do jovem que tem sua mente e seu coração dominado pelo Lord Sithi. Eu sempre achei que o Darth Vader, nasceu quando Anakin massacrou o povo do deserto que sequestrou, torturou e matou sua mãe. Ele só precisava de um empurrão.
O plano foi perfeito, Darth Sidious aproveitou a frafilidade que o jovem sobre a perda, sobre a morte. A relação secreta e proibida dele com Padmé, só revelavam suas fraquezas, que pra um Jedi, eram determinantes pra sua queda ou sua ascensão. E vale dizer tambem que Padmé, que ja foi rainha de Nabu e agora ocupa o cargo de Senadora da República, nunca deveria ter aceitado esse tipo de relação com Anakin. O medo da proibição so alimentou o lado negro dos dois.
A agonia que ainda me dá que quando Anakin vai ao encontro do Mestre Windu para impedi-lo de matar Palpatine, chega ser infantil. A cena é monstruosa, o desespero de Anakin em perder a forma de salvar sua esposa, estava escrito nos seus olhos. Minha pergunta é: "Será que o Lord Sidious estava se fingindo de morto, para que o Anakin traísse os Jedis?".
E enquanto isso Obi-Wan Kenobi, vai atrás do General Grievous, com lutas fantasticas, igual a inesquecível batalha do início. Mestre Yoda, os Wookiees, Chewbacca, Clones, até a ordem 666. Foi foda. George Lucas, foi um mestre Jedi na construção da história, mantendo várias camadas de ação e drama, com uma produção magnífica e com efeitos de CGI fantásticos, feitos ainda com muita paixão.
A descoberta de Obi-Wan Kenobi sobre as ações tenebrosas se seu pupilo e a sede de Vingança que se apoderou dele, foi algo que eu nao esperava. Acho que mais um pouco, Obi-Wan cairia junto com Anakin, por causa do ódio que ele sentiu dele. A luta dos dois é apoteótica! Mustafar era a materialização do inferno, onde Obi-Wan desceu pra consumar sua vingança.
O pau torou kkkk...
Morte de Padmé, nascimento de Léia e Luke, e o renascimento Darth Vader, foi um dos momentos mais marcantes que eu ja assisti na minha vida no cinema, e um marco nos filmes de ficção científica. Eu lembro que o silêncio reinava no cinema, as emoções eram muitas, e até hoje pra mim isso permanece.
"Episódio III: A Vingança dos Sith", é um filme que eu nunca quis que existisse. Ver um messias cair, um vilão nascer, herois morrerem e um império ascender, é muito pra cabeça, algo fora de série pra um fã da franquia, que desde que passou numa tarde de domingo na antiga TV Manchete anos 80, jamais resolveu crescer, deixando viva a pra sempre a criança jedi dentro de si.
Star Wars não tem explicação. É uma coisa que está no seu DNA ou nos Midi-chlorian de quem as tem.
Durante anos foi meu filme da década de ficção cientifica! Assisti de bobeira num dia mágico de cinema, depois de pegar o Homem Aranha o Raimi. Os dois filmes estavam saindo de cartaz naquele dia.
Foi meu primeiro Star Wars na telona. E a emoção desse dia, eu carrego até hoje. A vinheta da 20th Century Fox, Lucas Filmes, o silencio eterno, até o Bamm!! Eu já estava entregue. Lembro que na época eu não queria uma trilogia nova, ainda mais depois do fiasco do "Episódio I", com Jar Jar Binks, que eu não gosto nem de lembrar.
Anakin Skywalker (Hayden Christensen), Padmé Amidala (Natalie Portman) e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), vivem uma história cheia de aventura, ação e romance, com um humor na medida certa, numa conspiração crescente sobre separatistas, guerra civil com o Lord Sidious, tocando o terror nas escondidas.
O filme tem cenas apoteóticas de ação, onde a sequência da perseguição de carros na República, com o Anakin e o Kenobi trepados nas naves, caindo e se jogando, formam emoções que eu não esqueço na telona, a luta do Kenobi contra o Jango Fett no planeta apagado do mapa e depois no espaço, formam de tirar o folego. Tudo com um belíssimo trabalho de CGI, que apesar de bem batido, ainda surpreende pela capacidade técnica e talento pra imaginar as cenas. A imagem das cidades cheia de luzes, e dos asteroides no espaço, impressionam até hoje.
Mas o filme tem no planeta Geonosis, suas cenas mais famosas. Se já não bastasse o namorico até que besta entre Anakin e Amidala, com rebeldia dela, paixão cega dele, fora aquela cena terrível da perda da mãe, teve sua trama levada pra pra um lugar onde a saga espacial se decidiu. Conspiradores, fabrica de dróides, planos secretos e a magnifica participação do Christopher Lee vivendo o Conde Dookan, levou eu, e os fãs da franquia ao delírio total!
A luta naquela arena (chupada dos livros do John Carter), foi uma das maiores cenas de ação de toda franquia e uma das coisas mais incríveis que eu já assisti num filme de ficção. Obi-Wan, Anakin e Amidala, entregues a morte, lutando contra monstros, androides e de repente, os passos do Mestre Windu (Samuel L. Jackson), invadem a arena, junto dos clones, começando uma batalha do capeta nunca vista antes na franquia, que na época eu achava que só perdia pro "Império Contra Ataca", mas hoje, confesso que nostalgia da trilogia clássica esmaga qualquer façanha, mesmo que fantástica, em supera-la.
No cinema essa sequência foi inacreditável, que se estendeu ainda pra uma guerra em solo planetário, mas o filme ainda guardava pro final, uma luta aguardada e inesperada. Obi-Wan e Anakin, contra Conde Dookan, numa luta selvagem e covarde, mas a sala de cinema veio a baixo quando surge de mansinho um tal de Mestre Ioda, e a luta dos dois é algo que foge de qualquer expectativa. Sensacional! Eu jamais esperei essa cena, e até hoje ela me surpreende.
"Episódio II: Ataque dos Clones" é o melhor filme depois de "Uma Nova Esperança" e o "Império Contra Ataca". George Lucas estava iluminado e conseguiu passar pro cinema o que ele tinha imaginado numa época, onde os recursos técnicos ainda não existiam. A visão desse diretor é bárbara, o talento pra essa saga se prova nesse filme que não tem fim, e o resultado é um clássico do cinema que não pode ser esquecido. Eu perdi a conta das vezes que já assisti, mas naquela tarde de cinema no inicio dos anos 2000, ainda não terminou em mim.
Se a 1ª temporada de "Fallout" foi a descoberta brutal de um novo mundo, a 2ª é um passeio em suas ruínas. A série continua impressionando com os trabalhos de fotografia, design de produção e pelo cuidado estético que, por vezes, se perdem na própria perfeição, mas faltou algo na história que provocasse aquele estouro em cena, aquelas coisas que marcam o coração de quem assiste.
A narrativa caminha em banho-maria durante a maior parte dos episódios, guardando toda a sua força para uma explosão final que, embora espetacular, deixa um gosto de "quero mais", não pela excelência apresentada, mas pelo tempo que se levou para chegar lá. É uma obra longe de ser ruim, mas que sofre do mal da "sequência de transição", onde a técnica brilha mais do que a coragem de arriscar algo genial no roteiro.
A 2ª temporada de "Fallout" procura expandir seu mundo apocalíptico com uma coerência justa e louvável, mas acaba deixando a desejar demais, esquecendo de enriquecer a trama e seus personagens. A decadente New Vegas parece ser a Terra Prometida da série, porém nos episódios acaba sendo apenas mais um "bom" capítulo antes do fim.
A verdadeira guerra civil deixa de ser por sobrevivência, revelando-se ser por controle de todos, com a trama mostrando o velho cenário de pós-apocalipse onde o ser humano cria novos deuses apenas para ter alguém a quem culpar quando tudo colapsa novamente. Os personagens cresceram, mas permanecem presos a emoções pequenas, quase sem drama, mas com aquele bom humor que é a cara das produções de hoje.
Lucy MacLean (Ella Purnell) não é mais a boneca de porcelana do Cofre. Sua transição para uma sobrevivente real de mundo zumbi é o ponto alto dela na trama. Ela começa a entender que ser boa num mundo do capeta não é virtude, é sentença capital. A violência, a brutalidade, é o mal necessário para se ter e chegar a qualquer lugar.
O Necrótico (Cooper Howard) continua impiedoso, imoral, ruim e traidor, sendo o fio maldito que conduz toda a trama, mas sendo menos pistoleiro e mais um contador de histórias. Ele é o único que lembra do gosto do mundo antes das bombas, mas com um peso nas memórias que tornam suas ações trágicas e carregadas de drama.
Maximus (Aaron Moten) vive agora num terreno perigoso. O herói que queria a armadura agora tem que lidar com o peso de que o poder não traz a justiça que ele almejava, apenas uma nova forma de tirania que o faz confrontar seus paradigmas, fazendo crer que todos os heróis, se não morreram de overdose, morreram nas explosões.
A produção manteve o nível técnico incrível da temporada anterior, desta vez com a fotografia um pouco mais saturada, mais suja, do que na temporada passada. A direção de arte consegue equilibrar o deserto de Mad Max com aquele visual anos 50 da Las Vegas clássica, tentando, no desespero, fingir que a civilização ainda existe. É um cenário de fim de festa permanente, com a morte e o apocalipse dando play em algum momento.
Enfim, a 2ª temporada de "Fallout" não é uma série sobre salvar o mundo, mas sobre assistir um mundo se definhando enquanto se mantêm as aparências. Na 1ª parte, eu me perguntava qual foi a causa desse apocalipse; agora, aqui, eu vejo que esse apocalipse nunca terminou; ele mudou de formato, trocando a radiação por guerra de facções quase impossíveis de se imaginar. Fazendo com que as lembranças dos dias antigos sejam apenas lembranças que servem para tornar o presente ainda mais insuportável.
De um lado, o azul e amarelo vibrante do Cofre (Vault), onde tudo parece uma propaganda de margarina dos anos 50. Do outro, a superfície cinza, marrom e cruel, onde a vida não vale uma tampinha de Nuka-Cola. Pós apocalipse, faroeste, mundo medieval, anos dourados. Como eu não conhecia "Fallout"?
Adaptado da famosa série da franquia de videogames, a 1ªtemporada de "Fallout", se passa num mundo destruído. A matrix otimista e colorida de um sonhado anos 50 futurista, foi derretida por bombas atômicas, deixando para trás uma humanidade miserável que se rasteja entre a nostalgia de um passado que nunca existiu e a violência de um futuro sem esperança.
A história se desenrola em um futuro devastado por uma misteriosa guerra nuclear, onde a civilização foi quase completamente destruída. E os sobreviventes de diferentes origens, se encontram em um ambiente envenenado e perigoso dominado por facções, disputas e um passado que foi esquecido.
Com a direção principal de Jonathan Nolan e Lisa Joy, a série amplificou a mil, a noção que eu tinha sobre o retro futurismo dos anos 50, com uma estética visual impressionante, combinando elementos de sci-fi, com um mundo medieval, pistoleiros, num tom sombrio e satírico, onde o extremo inocente dos anos dourados é devorado por uma hecatombe global, que jogo o mundo no banco do passageiro dos filmes do Mad Max.
A produção da Amazon MGM, Bethesda e Game Studios é rica em detalhes, capturando a essência dos jogos, dando vida à vida a um mundo vibrante, mas terrivelmente desolador. A série nos envolve com personagens icônicos como Necrótico (Walton Goggins), Lucy MacLean (Ella Purnell) e Maximus (Aaron Moten). Sobreviventes que vivem realidades diferentes, mas que acabam se trombando, não pelo acaso, mas por consequências terríveis de um passado que vai se revelando lentamente.
Lucy é a inocência pura, fruto da cultura empacotada dos anos 50, sua bondade as vezes se mistura a uma burrice angustiante, que num mundo apocalíptico, é fatal. Mas sua honra e caráter, criou uma bravura nata, coisa que deixou de existir na Sodoma destruída que virou os EUA. Ela representa a ingenuidade de uma época, acreditando nas "Regras de Ouro" do Cofre 33. Quando seu pai Hank (Kyle MacLachlan) é sequestrado pela líder de superfície Moldaver (Sarita Choudhury), ela sai para o mundo achando que pode resolver tudo com educação e diplomacia. O choque de realidade dela faz disso o motor da série.
Maximus, foi o soldado humilhado, que virou escudeiro, que depois cavaleiro, até que o destino o fez herói. A crença medieval de sua Irmandade do Aço, parece ser o fim da humanidade, mas também o seu recomeço, um rebut amargo e cruel, assim como em todas civilizações. Ele vive sob a ética e leis de sua irmandade, mas acaba descobrindo de forma quase fatal, que o poder corrompe, tanto quanto a radiação do planeta.
Agora a imagem máxima de "Fallout" é do Necrótico, um homem, vivo-morto, quase um zumbi, que atravessou eras. Cooper Howard, cowboy de TV, viu seu mundo desaparecer durante a crise, vendo sua esposa fazer parte de algo terrível que ajudou a causar a por fim ao seu mundo e o mundo de todos. O resultado de sua aparência é ainda um mistério, mas durante a série muita coisa é mostrada. Cruel, sem bondade, amor, alma e espirito, ele é pistoleiro o solitário e imortal, aqueles que vemos sendo contratos nos filmes de faroeste. Ele é a ponte entre o passado glorioso e o presente podre, sua habilidade é absurda e junto com sua condição de quase zumbi e armas futuristas, Necrótico vira quase um demônio.
Sobrevivência, moralidade em tempos de crise e as consequências da guerra, o contraste entre a vida antes da catástrofe e a realidade brutal do mundo pós-apocalíptico é um dos focos centrais da trama, mostrando de forma alarmante a fragilidade da civilização com seus interesses degenerados, que antecedem a fatídica destruição da civilização (a reunião das corporações me lembrou a reunião na ONU em 2014, com os representantes dos EUA, Inglaterra, Austrália, China, Japão, Brasil e outros, sobre um tal de Covid. Com simulações sobre o alcance do vírus, mortes, vacinas e quais países estariam na frente de tudo. Estava tudo em PDF no site da ONU pra todo mundo ler. Hoje, já sabe.)
A primeira temporada de "Fallout" é uma introdução envolvente ao universo dos jogos que mais uma vez eu não joguei (meu Deus, como eu sou ruim em games!), oferecendo uma narrativa rica, personagens complexos, numa história critica e envolvente. Combinando ação, humor, crítica social, ideologias politicas, religião que a levaram a quebra de toda civilização como foi mostradas em grandes filmes de pós apocalipse como "Planeta dos Macacos", "Mad Max" e Fuga de Nova York.
Mas algo de "O Globo de Prata" ficou escancarado para mim nessa série; o filme de Andrzej Zulawski, está entre as obras mais conturbadas da história do cinema, por ter sido confiscada e quase toda destruída pelo regime comunista, justamente por tocar no seu câncer. A trama do diretor polonês, fala sobre um grupo de astronautas, que fogem e caem num planeta quase desabitado, onde eles acabam repetindo as mesmas barbaridades praticadas na Terra, com a guerra, religião, politica, violência e morte. Mostrando que mesmo no passado, no presente e no futuro, os valores da nossa civilização, ainda criam os mesmo problemas, provando então que o mal está acima de tudo está dentro de nós. E não fora.
Seja qual for o apocalipse, ele é apenas as consequências das loucuras e ilusões disso tudo.
Se a 1ª temporada de Euphoria foi o surto da droga, a segunda é a falência múltipla dos órgãos. Sam Levinson abandona o neon e mergulha num âmbar sombrio, onde Rue não é mais a cronista charmosa, mas um animal acuado em busca da próxima dose. A beleza técnica continua, mas sem o espetáculo visual, servindo para filmar o desmoronamento dos personagens, com arcos dramáticos, amorosos e violentos e uma peça de teatro que vira o tribunal dos pecados, onde todos são culpados.
A série perdeu o brilho elétrico e todo impacto visual, se transformando num cinema cheio de texturas, com cenários mais simples de estúdio, com imagens granuladas e amarelada, não parecendo mais o êxtase de uma festa, mas o registro lento de histórias que podem preencher boletim de ocorrência numa delegacia.
Se a narração da Rue, capturava a minha atenção com sua poesia de sarjeta, agora ela expressa as consequências de suas ações de forma visceral, onde ela se torna a vilã dela mesma. Os primeiros episódios cansam muito por mostrar apenas o maldito triângulo amoroso de Cassie, Nate e Maddy. A boneca inflável Cassie, se torna a personificação do desespero por ser amada, a traição com o Nate destrói a amizade com a Maddy e a transforma numa figura quase psicótica, que se esconde atrás de roupas e maquiagens perfeitas.
Desprezada, vazia e sem o seu garanhão para desfilar, Maddy descobre que sua antiga armadura de aparências agora era uma carcaça que não a protege mais de quem ela queria ser. A cena dela confrontando a Cassie é um dos ápices do sangue nos olhos da temporada. Mas o coração da temporada é o episódio 5ª, na explosão nóia de Rue, que foi a sequência mais impressionante e alarmante de toda série.
Pra quem glorifica as drogas, esse foi não um soco no estomago, mas uma verdadeira surra que se precisava levar. Enlouquecida, possuída, alucinada, violenta, covarde, fora de si. "Cadê minhas drogas mãe? Sala destruída, quarto arruinado, porta arrombada. Cadê minhas drogas mãe? Me perdoa mãe. Eu te amo. Cadê minhas drogas?" Foi um inferno.
E no meio do desespero do vicio, a introdução da traficante Laurie traz um horror gelado, mostrando que o perigo não é mais uma overdose acidental, mas as consequências do tráfico, com sua violência brutal para quem entra pros seus negócios. Coisa que deu ao arco de Fezco com a Lexi, um inesperado amor bandido, coisa quase de novela das oito, que tornou o final de assalto com tiroteio final e o trágico destino do Ashtray que fecha a temporada com o som de balas e desespero, mostrando que no mundo real, a conta sempre chega.
Ao mesmo tempo que o destino de Fezco e de seu irmão, eram traçados, Lexi deixava de ser a observadora para ser a diretora. A peça de teatro no final da temporada foi algo que não me agradou. Coloca os personagens para assistirem à própria miséria, parece impactante para os personagens, mas para quem assiste, chegou a ser até cafona. Ver esse momento em que a ficção da série confronta a realidade dos personagens dentro da tela não me impactou, na realidade me decepcionou bastante.
O desfecho teatral da peça de Lexi, a tragédia de Fezco e seu irmão, o surto da família Jacobs, com o pai soltando a franga e a paranoia de Nate, sua relação com Cassie e Maddy, renderam bons momentos. Mas essa "Euphoria" de Sam Levinson, mesmo com a nóia apocalíptica da Rue, não chega perto da apoteose visual e do roteiro marginal, da temporada anterior. Parece até que essa sequencia foi feita pra Netflix e por outro diretor, porque até os personagens ficaram desinteressantes, com arcos normais de adolescentes em crise.
No fim das contas, a 2ª temporada de "Euphoria" é o preço que se paga pelos excessos. Enquanto a Rue de Zendaya alcançava o topo da atuação mundial em meio a escombros do seu vicio, o restante da série se perdia em holofotes de um teatro igual ao que a Lexi mostrou em sua peça. Saímos do brilho do glitter para o amarelado de um filme antigo sem muita expressão, onde as dores dos personagens, não estiveram a altura de suas histórias. A mudança pra película, não foi suficiente para superar o brilho neon visceral mostrado antes. Saímos do brilho do glitter para o amarelado de um filme antigo, mas a nostalgia não foi suficiente para esconder que, quando o choque passa, o que sobra é apenas o vazio de adolescentes que, entre um tiro e uma traição, parecem ter esquecido como era sentir a verdadeira euforia de seus dias passados.
Se o especial da Rue foi um café com verdades, "Fuck Anyone Who's Not a Sea Blob", da Jules, é um mergulho abstraído nas suas lembranças. É quase o oposto do anterior: se Rue foi sobre ouvir, esse da Jules é sobre ver e sentir. O especial da Rue foi o chão da realidade dura e crua; o de Jules é o oceano de seus sentimentos. No consultório de uma terapeuta, ela faz esse mergulho sem julgamentos e sem pressão. Jules despe sua armadura de glitter para revelar uma alma que não quer ser moldada pelos olhos masculinos. Ela não quer mais ser a boneca de desejos dos homens; ela quer ser ela: imensa, disforme e livre como o mar, enquanto tenta entender se o amor que sente por Rue é salvação ou apenas um novo afogamento.
Jules fala sobre querer ser como uma criatura do mar, algo sem forma definida, sem as pressões de ser feminina para o olhar dos homens. É um grito de liberdade sobre a sua própria transgeneridade. Despida de maquiagem, num rosto onde a sinceridade transborda, a água é o elemento certo para mostrar seu drama. As dores de sua relação com o mundo parecem ondas revoltas que batem nas pedras de sua alma. O close-up extremo no olho de Jules revela o espelho de seu interior, refletindo tudo o que viveu com a Rue. No divã, ela confessa que está cansada de construir sua beleza para o consumo alheio; ela quer conquistar a feminilidade para si mesma, profunda e poderosa, e não apenas ser a "bonitinha trans" feita para o sexo.
Na adolescência, o desejo explode como uma bomba, mas no caso de Jules, a explosão é atômica. Sua definição de gênero passava pela validação dos garotos, e Tyler (identidade falsa de Nate) foi o fantasma de sua louca paixão. Ela sabe que foi o Nate, sabe que tudo foi uma mentira, mas a conexão emocional foi real. A falta que ela sente daquela persona virtual é o multiplicador dos seus desejos.
Porém, o beijo de Rue quebrou todo o plano. O projeto de menina criado pra se apaixonar por meninos foi pego pelos cromossomos de jeito. A engenharia física, os hormônios e bloqueadores que ela usou para moldar seu corpo conforme o desejo masculino se curvou diante de um sentimento que não pediu permissão. Rue pôs esse plano no chão; o gênero de Jules agora servia para um prazer que ela não havia escrito. Mas com Rue, vem o trauma das drogas, revelando o passado dramático com sua mãe viciada. Jules vê na Rue o fantasma da mãe, criando um vórtice de pânico dentro dela: ela ama a Rue, mas tem pavor de se transformar na cuidadora de outra viciada pelo resto da vida.
Nas cenas finais, o episódio termina com a Rue aparecendo de surpresa na casa de Jules no Natal. É um encontro rápido, estranho e doloroso. Rue deseja um "feliz Natal" e vai embora sob a chuva, deixando Jules chorando sozinha no quarto. Naquele momento, as gotas de água na vidraça parecem mais lágrimas do que chuva, lavando por fora uma dor que continua estagnada por dentro.
"Trouble Don't Last Always" - Rue quebrada. "Fuck Anyone Who's Not a Sea Blob" - Jules despida.
Os pilares que sustentam a ponte entre as duas temporadas, estão construídas. Um é de terra, o outro de agua. Com Rue, a verdade servida fria, numa lanchonete decadente, com o confronto com o vício, com verdades e mentiras, mas com a filosofia de Ali pra socar essa pedra. Com Jules foi um mergulho nos mares de seus traumas num divã terapêutico; a desconstrução e a reconstrução de seu genero, da feminilidade pro olhar masculino, para ser enfim a feminilidade pros olhos femininos.
Traumas, medos, dores, tragédia, violência. Sam Levinson mostra um lado mais pessoal de sua "Euphoria". Rue e Jules, revelam um pouco mais de sua faces, em episódios bem intimistas. Confesso que esse especial com a Jules, a imersão na sua história foi fluida e intensa, enquanto que com Rue, foi como tentar entrar pelo chão, denso e um pouco cansativo de se assistir. A atuação de Hunter Schafer, foi brilhante, ela se joga na personagem, como a mesma faz nas ondas do mar. O tormento que ela passa é latente, mas acaba ficando um pouco encoberto na trama que tem personagens fortes e que fizeram história na 1ª temporada.
"Fuck Anyone Who's Not a Sea Blob", mostra que o brilho nos rostos das vidas dos trans, são muitas vezes para esconder a escuridão que existe dentro deles.
Se "Euphoria" é o barulho da festa e o brilho do glitter, "Trouble Don't Last Always" é o silêncio ensurdecedor da ressaca. Numa véspera de Natal, Rue e o Ali, tem os demônios de seus vícios postos sobre a mesa, num dialogo sincero sobre a vidas, com verdades, mentiras e lembranças, ao lado de sobras nos pratos e talheres sobre a mesa, onde os dois tentam traçar uma linha reta nas curvas tortas de suas vidas.
A temporada principal é o surto, esse especial de Natal é o diagnóstico médico dado sem anestesia. Nesse confessionário disfarçado de lanchonete, a luz fluorescente substitui o neon, Ali tira o glitter do rosto de Rue com palavras que pesam mais do que qualquer ressaca. Ele a confronta com verdades que ela tenta esconder sob o capuz de seu moletom "que a sua autodestruição não é poética, é apenas um clichê de um sistema que lucra com a sua morte".
Ali é um viciado em recuperação que já viu o fundo do poço e que quase perdeu as mãos tentando cavar, ele não aceita as desculpas poéticas de Rue. Ele descasca as camadas de mentiras dela como quem tira uma crosta de ferida, mostrando que, por trás da rebeldia adolescente, existe uma dor crônica que o sistema adora embalar para presente e vender como foda, como a força da juventude.
Sem musica frenética e cenas mirabolantes. É apenas a Rue e o Ali em uma lanchonete decadente de beira de estrada na noite de Natal. Saímos do brilho hipnótico e fomos para a luz fluorescente barata, com café frio e pão velho. É um episódio de mesa de bar, uma troca de ideias sinceras, que Sam Levinson leva pra tela, pra aprofundar o caos de Rue, expondo seu mundo cheio de sombras e dor.
Ali não é um mentor, não é pastor e nem pai de santo, ele é um viciado em recuperação que não perde seu tempo passando a mão na cabeça dela. Ele diz a ela que "o vício é uma doença degenerativa", e não esse status teen, que a cultura pop vende. Ele fala de forma pesada e sincera sobre como as corporações e o capitalismo que se apropriaram até da nossa rebeldia pra vender seus produtos. Joga na cara dela que ela não é uma revolucionária por usar drogas, mas apenas uma consumidora de um produto que a mata.
E Rue admite algo terrível: "que ela não planeja ficar limpa, e que não vê um futuro para si mesma"; provando que a "Euforia" dela não é uma busca por prazer, mas uma tentativa desesperada de silenciar seus próprios gritos internos. Com o peso da dor que aconteceu na estação de trem, assistindo a Jules: indo embora, mostrando que a paixão delas era uma forma de entorpecente.
Sob chuva e incertezas e sem um final, o episódio termina. Não há uma cura milagrosa, e nem um abraço que apague as cicatrizes. Ao som de 'Ave Maria', Rue observa a estrada pelo vidro do carro, enquanto a chuva lava o mundo lá fora, mas sem conseguir limpar o que está dentro dela. "Trouble Don't Last Always" não é sobre superação; é sobre a exaustão e o cansaço de tentar ser um humano são em um mundo que te prefere dopado.
No fim, o café esfriou, as sobras ficaram no prato, e Rue volta para a escuridão, sabendo que a única coisa mais pesada que o vício é a clareza da verdade que Ali lhe serviu naquela noite de Natal, sem Papai Noel, mas com alguém que naquele momento lhe serviu como pai.
Os diálogos são longos, o assunto é bem conhecido, os personagens são icônicos. De um lado temos alguém que conhece o caminho e do outro, uma pessoa que está perdida nele. As atuações são sinceras, Zendaya e Colman Domingo se entregam nos papeis, fazendo parecer durante quase todo episódio que eles são reais e que eles vivem os personagens.
De quem saiu do êxtase da 1ª temporada, ver esse confessionário é um balde de gelo na cabeça. Eu não esperava essa mudança súbita na protagonista. Um dia com a cabeça mais fria e sem "êxtase" eu revejo esse papo dos dois.
Rue (Zendaya) balbucia palavras como se estivesse escrevendo um epitáfio em alguma pedra na Cracolândia gringa. Cronista de seus dias tortos e de mundo em colapso à sua volta, ela narra a sua vida, como estivesse no ultimo sopro, no ultimo trago. Sua voz, instável e pessimista, nos guia com linguagem de usuária que encanta, quase como se injetasse suas drogas diretamente em nossos ouvidos. Esperta feito uma raposa, mas vazia feito uma sacola plástica de lixeiras, Rue é um anjo caído dos céus de fumaça, para pedras na terra. Quando tenta levantar, desaba feito uma estrela cadente, arrastando a família presa na corrente tóxica de sua calda.
Euforia, Euphoria: psicopatologia, sensações, sentimentos, transtornos, condição médica, uso de substancias, droga... Euphoria (1ª Temporada).
Baseada na minissérie israelense de mesmo nome, a versão "Euphoria" de Sam Levinson, escancara um mundo que a gente vê e finge desver. O diretor mostra a rotina rotina social de uma cidade pequena, mas que pode ser qualquer capita, onde de forma nua, crua e desvairada, apresenta personagens que são a pluralidade de uma geração adolescentes gringos de hoje. Nesse abismo social ele funde a beleza à dor, com uma montagem não-linear e planos-sequência vertiginosos, que deixam a estética brilhante virar um sintoma, simulando no raciocínio perdido e fragmentado de Rue, uma poesia descritiva, suja, viciante e perigosa.
As imagens correm na tela como as drogas correm em suas veias. o mundo de Rue, é a realidade dos usuários de drogas, que acham que vivem como espíritos em céus de purpurina. Que quando cai, a realidade entorta; a câmera gira 360º, o teto vira chão e o horizonte se desaveza ao som da trilha sonora de Labrinth que explode num coral gospel distorcido — um grito musical que beira o desespero, a absoluta irrealidade, onde seu corpo se arrasta no mundo como uma possessão, como uma nóia.
Nesse mundo hell, junto dela vive Jules (Hunter Schafer), garota trans, perdida, solitária, apaixonada, mas viva. Ela brilha, mas seu brilho não vem do sol, vem do glitter espalhado no seu rosto. Quando ela surge, ela ilumina as cenas como um globo de espelhos em uma festa vazia; festa de luz dolorosa, que explode como uma supernova, e morre em buraco negro, quando ela se depara com ela mesma. A obra de Levinson, apresenta Hunter Schafer com uma maestria bela rara: sua identidade de gênero é diluída com perfeição na trama, sem panfletar, existindo apenas com a força colorida e visceral de sua personagem.
Jules é o contrário visual de Rue, um espelho dos avessos, uma alma gêmea decepada — ambas habitando o mesmo vazio existencial. A direção utiliza a psicologia das cores como uma armadilha. Como uma droga lisérgica projetada na tela, em imagens que saltam na nossa direção, nos sequestrando pra dentro dessas festas frenéticas que elas habitam. Num vórtice poético, onde os figurinos e as maquiagens de glitter funcionam como armaduras de guerra, que mascara a tragédia iminente. No fim, todos se fodem e voltam pros seus abismos sem vida. A beleza técnica da série é o que torna esse desastre college suportável; não é culpa apenas dos pais — embora quase todos sejam medíocres — é o sistema que moeu esses sonhos e entregou os restos em alta definição.
Enquanto Rue e Jules são o coração quase que em AVC da série, o clã Jacobs é o seu esgoto. Cal Jacobs (Eric Dane), o patriarca que vive a farsa da família perfeita, ele é o arquétipo do sistema que apodreceu: um pai bosta que usa o privilégio para esconder desejos em quartos de motel, enquanto destrói a própria casa. Seu filho, Nate (Jacob Elordi), é o subproduto desse lixo, carregando a masculinidade tóxica como uma granada sem pino. Nate é um estandarte da beleza, da força e do desejo, ele é o símbolo do patriarcado, uma imagem honrosa que é criada para a gloria familiar, mas isso é casca. Por dentro ele é um jovem sem moral, caráter, e masculinidade de homem, que prefere ser temido a ser amado, ter uma aparência do que conteúdo. Seu fracasso moral, é o resultado do cemitério familiar seu, mas que não justifica que esse cadáver de sua criação, seja a régua e a bússola de sua vida.
E entre o lixo e o luxo desse esgoto cheio de cores, orbita Maddy Perez (Alexa Demie). Ela é a personificação da "garota que quer ser" em um mundo de aparências. Maddy usa sua estética impecável e seu olhar cortante como uma armadura de grife, escondendo uma carência que a faz aceitar o inaceitável. Ela e Nate formam um ecossistema de abuso e paixão plástica, um amor volúvel, um soft porn college que os nutre e alimenta, mas que depois se consome em fome sem fim. A autoconfiança dela não é sua força, mas uma aparência covarde, usada apenas como performance cara pra mascarar o medo de não ser ninguém sem os olhos dos outros sobre si.
Nas bordas desse inferno, Cassie (Sydney Sweeney) é uma boneca inflável de luxo, uma garota consumida por uma busca desesperada por validação, enquanto sua irmã Lexi (Maude Apatow) observa o desastre da plateia, transformando a dor alheia no seu próprio palco. E no meio do caos, Kat (Barbie Ferreira), a garota gorda que transforma sua imagem em mercadoria para fugir da rejeição, perdendo-se entre o empoderamento e a depravação. Todo nessa "Euphoria" são sombras sexualizadas brincando com armas carregadas de desejos, sonhos e ilusão num umbral de sujeira e glitter.
Homens, mulheres, adolescentes, héteros, gays e trans. Amigos, namorados, amantes, ficantes. Casa, colégio, motel, bar, festa, rua. Cocaína, maconha, heroína, crack, ecstasy, LSD, anfetaminas, inalantes, opiáceos e álcool. A 1ª temporada de Euphoria apresenta a juventude e a sociedade contemporânea como uma força que devorou o próprio mundo. O caráter dessa obra dá medo, pois escancara a nossa incapacidade de mudar o abismo em que vivemos. Mas mudar para quê? O mal virou foda e o bem agora se cancela. Todos amam, todos adoram, todos querem. Como tirar o osso da boca do cachorro? Não se dá joias aos porcos. O que é podre agora tornou-se belo. O abismo parece ser o lar justo para quem eles são.
Sam Levinson apresenta a série exatamente como a definição da palavra sugere: "um estado de bem-estar exagerado e artificial que precede a queda". Ele não filma apenas uma série; ele filma um diagnóstico onde a alegria é um surto e a dor é o padrão. O título reflete essa dualidade cruel: a euforia é tanto o brilho fugaz da luz quanto o caminho sem volta para as trevas.
Sexo, pornografia, estupro, pedofilia, bebidas, drogas, tráfico, violência, palavrões, Rue, descreve seu mundo finito, sua vida toxica de sonho e alucinação. As desventuras dela pela trama, junto com Jules, Cassie, Lexi, Kat, Nate, Fezco (RIP Angus Cloud), sua irmã Gia (Storm Reid), são destruídos pela ferocidade da juventude, da geração Z, que não mede consequências em viver aquilo que sonham pra ela.
No final todos os caminhos de Rue, se fecham. Sua vida cai, seu mundo se acaba e seu fracasso é quase capital. O balé da nóia do desfecho, beira a queda dos anjos invertida em corpos amontoados em ciranda, um vórtice de carne, suor e cantos gospel, em honra ao inferno entorpecente que recebe mais um viciado.
Se a primeira temporada de "Big Little Lies" era sobre um segredo, a segunda é sobre o peso esmagador da mentira. A série, que terminou com a união das cinco protagonistas em uma praia após a morte de Perry, substitui o alívio do desfecho pelo gosto amargo da areia e da agonia de quem tenta sobreviver a ela.
Mary Louise (Meryl Streep), a mãe de Perry, entra na trama como uma detetive emocional. Usando uma metodologia passivo-agressiva, ela busca desestabilizar Celeste (Nicole Kidman) e as outras mulheres. Mary Louise representa a negação absoluta; para ela, é impossível que seu "filho perfeito" fosse um monstro. Sua manipulação é sutil: ela não apoia a ex-nora, mas a investiga, aproveitando-se da fragilidade de uma mulher que, apesar de ter sido agredida, ainda amava o marido pelo seu "Lado A" — o de pai amoroso e parceiro magnético. Esse ciclo de dependência, onde paixão e violência se misturam, é o que torna o trauma de Celeste tão profundo.
Enquanto a sogra aplicava pequenas doses de veneno para tentar tomar a guarda dos netos, a diretora Andrea Arnold — que substituiu com maestria o saudoso Jean-Marc Vallée — deu força igual às subtramas das agora "Cinco de Monterey". O grupo transformou a amizade em um núcleo de resistência feminina.
Renata Klein (Laura Dern): De quase vilã a símbolo de resiliência. Renata precisa lidar com a falência causada pelas falcatruas do marido, entregando um dos momentos mais catárticos da série ao destruir o "templo" de brinquedos dele.
Madeline Mackenzie (Reese Witherspoon): Vê seu casamento ruir após uma traição vir à tona. Ed (Adam Scott), o marido que parecia perfeito, precisa lidar com a vergonha de ser o último a saber do adultério, revelando que até as bases mais fortes de Monterey escondem ressentimentos obscuros. Como diz o ditado: "todo castigo para o corpo é pouco".
Jane Chapman (Shailene Woodley): Tenta reconstruir sua vida afetiva após o trauma do estupro, enquanto Mary Louise se infiltra como uma víbora em sua rotina, tentando reivindicar o neto. Para Jane, a cura não é rápida como uma picada de pernilongo; é um processo lento de se sentir viva novamente.
Bonnie Carlson (Zoë Kravitz): É a alma dramática da temporada. A pacifista do grupo agora carrega o horror da culpa. A chegada de sua mãe traz lembranças amargas de abusos na infância, revelando que o empurrão em Perry foi, na verdade, uma projeção de toda uma vida de repressão.
A direção de Arnold mantém o DNA visual de Vallée, utilizando a lente crua e claustrofóbica para filmar a alma das personagens. A ponte de Monterey continua sendo o portal hipnótico: atravessá-la é como mergulhar em um sonho embaçado onde passado e presente se colidem.
O ápice ocorre no tribunal, quando Celeste recupera sua força como advogada e mãe, destruindo a máscara de Mary Louise ao exibir as evidências brutas da violência de Perry. É a libertação final.
A série encerra com uma emoção genuina, com as cinco amigas subindo as escadas da delegacia, provando que "a mentira as uniu, mas a verdade as libertará". Enquanto o segredo existisse, Perry continuaria vivo entre elas; ao confessarem, elas finalmente o enterram de vez.
Uma noite de gala, quatro amigas e um assassinato numa escola primária. Baseado no aclamado livro de Liane Moriarty e levado pras telas pra HBO por Jean-Marc Vallée, "Big Little Lies" nos leva para a luxuosa e gelada cidade litorânea de Monterey, Califórnia, pra desvendar a morte e um misterioso assassino.
Quem morreu? Quem matou? O mistério da trama, não é apenas sobre o assassino, mas também de quem foi a vítima. Começa com os depoimentos dos outros pais da escola, como num coro grego de fofoqueiros, eles narram os eventos com julgamentos preconceitosos, invejosos e interesseiros, enquanto nós vemos a verdade nua e crua sendo descascada nas telas. A narrativa volta no tempo pra nos mostrar os meses que antecederam o crime, focando na vida de quatro mulheres:
Madeline (Reese Witherspoon), uma força vibrante da natureza. Energética e engraçada, ela lida com o ressentimento de ver o ex-marido com uma mulher mais jovem e "zen".
Celeste (Nicole Kidman), a imagem da perfeição. Rica, linda e casada com um homem fodão. Mas, por trás das portas fechadas, ela vive um relacionamento abusivo e extremamente violento.
Jane (Shailene Woodley), a novata da cidade. Uma mãe solteira, jovem e misteriosa que carrega um trauma terrível de uma agressão no passado e tenta eaconder e proteger seu filho, Ziggy.
Bonnie (Zoë Kravitz), a zen, a jovem instrutora de ioga, que parece estar fora da bolha de estresse e vaidade de Monterey, mas ela apenas parece. Observadora e silenciosa, ela é a única que percebe que algo está errado entre Celeste e o marido.
Vallée, faz você esquecer da história principal com subtramas nervosas de mulheres ricas, que vivem os dramas e emoções da vida de favela.
Para o mundo, Celeste e Perry, são o casal perfeito, mas na intimidade, o marido é um agressor volátil. A violência misturada a paixão, faz você observar um drama complexo onde a negação faz a personagem se iludir e justificar a violência do marido, tentando convencer a si mesma (e a terapeuta) de que ela também tem culpa.
Jane mudou-se para Monterey pra fugir e ao mesmo tempo, encontrar o homem que a estuprou anos atrás, resultando na gravidez de Ziggy. O trauma dela e como ela se sente em meio a mulheres ricas, afeta sua vida e de seu filho, fazendo se sentir estranha e inferior a elas e ganhando um alvo nas costas por ela ser pobre.
Madeline é a fofoqueia mor, lingua afiada, raciocínio rápido, ela age como uma líder nata, tomando a frente de tudo, acertando muito, mas trocando os pés pelas mãos quase sempre. Ela sofre com uma especie de sensação de obsolescência, vendo sua filha mais velha se distanciando e tendo sua identidade de mãe ameaçada pela nova esposa de seu ex-marido, a Bonnie (Zoë Kravitz). P.S. Madeline carrega a culpa de uma traição no casamento antigo, que sempre que pode, volta a assobrar sua relação atual.
O roteiro é brilhante porque interliga os dramas de de cada personagem de forma invisível até o último episódio. O bullying na escola gera a guerra entre as mães, que traz à tona o passado de Jane, a relação desgastada de Madeline com seu marido, com o ex, com Bonnie e com sua filha. O colapso de tudo é incrível. Quando o assassino e a vítima, finalmente são revelados, a sequência mostra que o assassinato não é um ato vil de vilania gratuita, mas um ato de sobrevivência.
Jean-Marc Vallée, impõe um ritmo quase hipnótico na sua direção. A montagem que ele usa, mostra sons de ondas, imagens embaçadas, em flashbacks rápidos que dão a sensação de que estamos dentro da cabeça confusa, ansiosa e atormentada das personagens.
A linha do tempo é um vórtice caótico de dramas fortes, onde passado, presente e futuro se colidem em momentos de dor, alegria, raiva e paixão, mas sempre com a morte pariando tudo do início ao fim, com a imagem da ponte, sempre sendo atravessada com carros, que parecem levar quem assiste, não para só um lugar físicoda história, mas para as memórias secretas das personagens.
"Big Little Lies", desconstrói o mito de homem, mulher e família perfeita. A cidade, os personagens e seus atos, ficam sob pressão constante, que explodem nos momentos finais, fazendo até que inimigas habitais, se unam contra um perigo comum e ainda pior:
"o homem/esse tipo". - monstro, covarde e abusador.
"...E Clarisse está trancada no banheiro, E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete Deitada no canto, seus tornozelos sangram... E a dor é menor do que parece. Quando ela se corta ela se esquece. Que é impossível ter da vida calma e força..."
A "Clarisse", do Renato Russo, é um retrato turvo, mas sincero de Camille em "Objetos Cortantes". Camille Preaker (Amy Adams), ė uma jornalista que precisa retornar à sua cidade natal, Wind Gap, para cobrir o assassinato de duas adolescentes. Mas esse crime brutal é quase um pano de fundo para o verdadeiro horror que ela vive de reencontrar a mãe obsessiva, Adora e a meia‑irmã adolescente, Amma. Precisando assim, reviver os traumas antigos, que deram nome na sua pele.
Sem amor se mãe, indiferença do pai, e uma mistura de adoração e raiva da irmã, Camille tenta desvendar os crimes, mas a medida que descobre algo, seu passado cai sobre ela, como uma avalanche de dor. Os traumas da infância perseguem Camille, como um fantasma, uma obsessão, mas como um alerta, que os demônios que ela tenta encontrar, são pequenos, se comparados com os seus.
A automutilação não é um desejo de morrer, mas uma tentativa desesperada de se sentir viva, de tentar controlar a dor. Cada cicatriz no corpo dela é uma e uma memória viva, um grito escrito na navalha, uma tatoo de carne e sangue que descreve a dor muda que ela vivia dentro de sua casa e de si mesma.
O passado e o presente, se fundiam com alucinações onde a realidade se perdia, e uma psicopatia era quase vivida. Os assassinatos deixaram de ser o foco da trama; o grito interno de Camille passou a ser o protagonista da trama. Tinha uma tragédia na sua infância, a morte da irmã era cono se fosse a sua. Marian, parecia um fantasma, uma obsessão, mas era Camille que parecia uma assombração em sua própria vida.
Ela não vivia, ela se arrastava pela vida, o jornalismo era uma vitrine quebrada que ela usava pra sobreviver as suas dores. A aberração de suas mutilações, era quase que uma droga, "Quando ela se corta ela se esquece". É degradante e penoso, assistir a forma que ela encontrou de esquecer seus traumas e suas dores. O alcoolismo não é nada perto das marcas que ela faz na sua pele.
A mãe, Adora (Patricia Clarkson), é uma incógnita negativa. Você não sabe se ela está doente ou se ela é ruim mesmo. A apatia e o asco, que ela sente por Camille é tão doentio, quanto o cuidado que ela tem por Amma (Eliza Scanlen), sua protegida filha, que trancada dentro de casa, tinha uma casinha no quatro para brincar.
A brutalidade dos assassinatos, contrasta com o clima bucólico e calmo do interior, reforsanso o medo que dá em admirar para lugares belos, sem saber os perigos que eles escondem, como escorpiões nas almofadas de seda. A aparência de cidadezinha conservadora, esconde uma sociedade que vive pra manter isso, custe o que cuatae. Seus véus, são como mortalhas que só quem é de fora que enxerga.
A cidade está aprisionada a tradições doentias, da mesma forma que Camille está presa aos traumas da infância. Ambas estão apodrecendo por dentro enquanto tentam manter as aparências. A atmosfera Pesada do Missouri, é sentida não pelo calor, mas pela sensação de claustrofobia e suor, onde tudo parece pegajoso e escondido, me fazendo crer que o a cidade fica dentro de um cemitério.
A investigação corre em meio ao embates com a mãe, a misteriosa inércia do pai, a dualidade de sentimentos da irmã, flashbacks, pressão da polícia e a estranha paixão por Richard Melina (Chris Messina), um detetive que investigava o caso. Estranha, porque a forma que Camille se relaciona sexualmente, é algo perto da doença.
Para Camille, o toque físico é um conflito: ela quer ser amada, mas tem pavor que alguém leia as palavras em seu corpo e descubra quem ela realmente é. Isso serve para mascarar o vazio que ela sente por ela é pela vida. As palavras em seu corpo revelavam uma história dolorosa, onde cada narca é um capitulo em sua memória. Mas na relação existe uma vergonha profunda, uma necessidade de ser vista por alguém que não a julgue. Mas isso é impossível. O corpo dela todo marcado é um horror. Chega a ser torturante só de olhar.
Led Zeppelin é um escudo, um rugido pro seu trauma, o som da banda representa o caos interno de Camille. Quando ela coloca os fones de ouvido ou liga o som do carro, ela está criando uma barreira entre ela e o mundo sufocante de Wind Gap.
In My Time of Dying, Thank You, What Is and What Should Never Be, The Rain Song, Going to California, Babe I'm Gonna Leave You, I Can’t Quit You Baby, I'm Gonna Crawl, Lemon Song, In the EveEvening.
As músicas são quase como uma vacina, pra o que ela sentia. Elas são um personagem, não são um enfeite. É uma forma que Camille usa para processar o passado e não se perder no presente. As canções servem para fundir suas memórias com a realidade, mostrando que ela nunca saiu verdadeiramente de Wind Gap.
"Don't Tell Mama"
O final é um dos maiores porradas no estômago da TV nos últimos anos.
Amma era o monstro criado pelo sufocamento de Adora. Enquanto Camille internalizou a dor se cortando, Amma externalizou a dor matando outras meninas para manter a atenção total sobre si.
"Muito dos maiores demônios que nosso mundo conheceu, foram criados dentro de suas próprias casas".
Olha minha gente videogamezeira e povo do filmow que aguenta meus comentários, eu não quero ser o selvagem da resenha, mas puta que pariu. Que merda foi essa? Essa 2ª temporada de "The Last of Us", foi mais que um chute nos tomates da gente. Foi uma mordida de zumbi crepúsculo na bunda!
Matar o herói da história, com toda a trama foda de pai traumatizado e filha ranheta, pra substituir tudo por uma vingança de casal lésbico? Sério mano, esse povo woke, deve ter virado zumbi ou ter sido picado por algum mosquito chikungunya da vida.
Se essa desgraça fosse igual ou melhor que a temporada anterior, beleza! Palmas pro talento e criatividade! Mas essa sequência é pra esquecer, e fazer de conta que a história de Joel e Abby, acabou no final da 1ª temporada e que os dois viveram feliz para sempre naquele apocalípse infeliz, até que o fungo cordyceps os separe.
A trama é muito arrastada, forçada e com clichê fora de órbita, dando o protagonismo da história pra uma personagem que não foi feita pra ter esse holofotes todo. Foi como eu estivesse assistindo um filme do Batman com o Robin, e visse o Homem Morcego, sendo morto na história para dar lugar pro Menino Prodígio.
Eu não conheci o jogo, mas perguntei pra uns amigos que eram fãs, e eles me falaram que no Playstation, esse jogo foi uma decepção global. E que ainda na série, eles mudaram muita coisa. Hãã? Então o ditado "Não há nada de ruim que não possa ficar pior", virou lei? Pegar uma história que não é boa, e fazer que ela fique mais ruim, era incapacidade, burrice, catarse geral no estúdio? E agora virou norma?
Tem cenas e momentos de muita ação, tiroteio, mas depois que o Joel é assassinado, fica um buraco na história, e que depois que vira um abismo do inferno, quando a Ellie tenta preenchê-lo. Fora também o lance dos doidos dos Serafitas e Lobos (WLF), que ficam numa briga besta e sem noção de religião e exercício, coisa de Mad Max, mas de baixo clero.
A ideologia woke assalta a trama de vez, e toma as rédeas da ações, fazendo o sabe fazer nos filmes de hoje. Homens quando não são estupradores, são um bando de pamonha que serve as mulheres. E elas por sua vez, ganham super abilidades e super força, sem que você consiga entender como. E com a absurda evolução marcial e atomica da Ellie, nas cenas de luta.
Nas cenas de tensão da jornada de vingança de Elliee sua amiga, vemos uma tagarelice sem fim em lugares perigosos, onde um peido alto e ardido, leva qualquer Jason Stanton a morte. E o papo que rola entre elas é melhor nem comentar...
Nos últimos episódios, tem gravidez, eu te amo, lutas forçadas, um pamonha morto, sorte ridícula e um desfecho que sinceramente em respeito a tudo que foi feito na temporada anterior, eu gostaria que terminasse ali mesmo, do jeito que está e sem final. Tipo: apaga a luz e vai embora.
P.S. Essa sequência de "The Last of Us", não parece uma série da HBO, mas sim coisa da Netflix.
"The Last of Us", um dos maiores jogos de PlayStation de todos os tempos, ganha uma série foda na HBO, que agrada tsnto os videogamezeiros, quanto os serinéfilos de plantão.
Eu não joguei "The Last of Us" e, aliás, joguei poucos games de PlayStation na vida. Mas é muito bom quando se ouve uma coisa dessas, pois sabemos que diretores e produtores de cinema, muitas vezes, pouco se importam com o trabalho original. Eles só querem uma nova ideia pra mudar quase tudo e vir com aquela lorota, falando que cinema é diferente, que é preciso mudar as coisas, blá‑blá‑blá, pra depois dizer que a obra é deles. E, claro, ganhar rios de dinheiro.
A série acompanha Joel (Pedro Pascal), um homem traumatizado pela perda da filha no dia do surto, que é encarregado de escoltar Ellie (Bella Ramsey), uma adolescente imune ao fungo cordyceps, através de uma América devastada. Em um clima de filme e série de zumbi, eles cruzam zonas de quarentena militares, cidades em ruínas e comunidades isoladas, enquanto a relação entre os dois evolui de obrigação fria para um vínculo quase pai‑e‑filha.
Pai herói, garota ranheta, monstros, perigos, caos e destruição. "The Last of Us" acerta em cheio na história e usa esses clichês de forma inteligente e emocional, com uma produção impressionante que faz qualquer fã do gênero babar igual zumbi.
O episódio inicial mostra o colapso social, com o início da infecção e a perda de Sarah, filha de Joel, que fica traumatizado por anos. Num mundo caótico e dominado por uma guerra civil, ele aceita levar Ellie até um grupo de rebeldes chamado "Vagalumes", que tenta criar uma vacina.
Depois, a série vira uma jornada incrível em um mundo apocalíptico, que lembra filmes como "Eu Sou a Lenda", com o Will Smith, "Aniquilação", com a Natalie Portman, e "Os Invasores de Corpos", do Philip Kaufman, clássico com o Donald Sutherland. Ao longo do caminho, a dupla se conhece melhor e estabelece um sentimento que é a alma da série. Os episódios apresentam momentos marcantes, que fazem a gente esquecer, por alguns instantes, as dificuldades e os horrores do mundo perdido em que eles vivem, e até da missão que carregam.
Nos episódios finais, o bicho pega feio! Depois de passarem por uma comunidade onde Tommy, irmão de Joel, vive, Ellie é capturada por um grupo de canibais liderados por um pastor maluco, que obriga a garota a tirar a açougueira que existe de dentro dela. A coisa fica braba. Quando eles finalmente encontram os Vagalumes, Joel descobre que a cura implica na morte de Ellie. Sem pensar duas vezes, ele decide massacrar o grupo todo pra resgatá‑la, metendo o louco e afirmando depois que não havia outra opção.
Como eu disse lá em cima, eu não conhecia o jogo e gostei demais de "The Last of Us".
Visualmente a série é incrível. Produção impecável, cenários detalhados, maquiagem de infectados impressionante e uma fotografia que alterna entre a brutalidade cinza das cidades e uma natureza cheia de cores, que mostra ela retomando pra si os espaços que eram dos humanos.
Pedro Pascal e Bella Ramsey sustentam a série com interpretações opostas, transmitindo dureza e vulnerabilidade, violência e ternura, sem depender de grandes cenas cheias de discurso. HBO acerta em cheio. Com um pouco de cérebro, talento e boa vontade, grandes livros e games podem, sim, virar séries e filmes à altura das obras originais.
Os impérios mudam, o homem não. Seja no passado onde o tempo se esqueceu, nos perturbadores dias presentes ou num futuro a milhões de anos-luz; na Terra ou na borda do nosso universo, uma verdade permanece intacta: 'O ser humano é escravo de suas próprias paixões'.
'Duna: A Profecia' é uma série de ficção científica que é um espelho da nossa própria história. Um thriller político e psicológico que mostra que, mesmo entre estrelas e naves imensas, os impérios galácticos são construídos sobre os mesmos alicerces das paixões dos impérios da Terra.
As sagradas paixões humanas — orgulho e vaidade, os pecados favoritos presentes em textos bíblicos — ainda são a pedra angular que rege planetas e galáxias nesse império brutal criado nos clássicos livros por Frank Herbert. A adaptação de Denis Villeneuve para o cinema foi algo grandioso, e a HBO mantém o nível com uma série digna, honesta e muito bem realizada.
Diferente de produções que tentam higienizar o futuro, a série mergulha em uma estética brutalista e opressora. Aqui, o cenário não é um enfeite; ele é um personagem que esmaga os indivíduos que vivem nele. A história, situada 10 mil anos antes da saga de Paul Atreides, foca na fundação da ordem das Bene Gesserit, mas o que vemos é um venenoso jogo de xadrez humano.
O que separa os homens das crianças, ao comparar com outras séries, é como a história tratou essas mulheres. Se fosse em outra produção por aí, teriam transformado as irmãs em heroínas de ação 'marvoletes' genéricas. Aqui, elas são verdadeiras bruxas: mulheres frias e calculistas, as engenheiras do caos, do destino e da morte. Ver Valya Harkonnen operando nas sombras não é sobre poder físico; é sobre a crueldade da paciência em forma humana. Elas tratam o Império como um laboratório e as linhagens reais como gado.
A figura perturbadora de Desmond Hart é a imagem do caos. Ele é o contraponto do controle gélido das Bene Gesserit, sendo literalmente o fogo do inferno contra elas. Hart traz o elemento do desconhecido, o fator humano — ou algo sobre-humano — que ninguém consegue prever. O mistério sobre suas verdadeiras intenções e a influência quase hipnótica que exerce sobre o Imperador transformam o clima da série.
Ele não é o vilão clichê de explosões; é o parasita que se infiltra no sistema, um homem que carrega um segredo vindo das areias de Arrakis que desafia até a lógica da Irmandade. Sua presença é o lembrete constante de que, por mais que se tente calcular o futuro, o caos sempre encontra uma brecha para construir uma nova ordem.
O elenco entrega o peso que a história exige, com atuações que mostram a autoridade de quem carrega o destino da humanidade nas mãos. A produção é impecável, respeitando o visual limpo, árido e místico que Villeneuve estabeleceu.
A 1ª temporada de 'Duna: A Profecia' é um suspense psicológico, uma trama palaciana com personagens que inspiram e assombram nosso mundo com suas ilusões mundanas de poder. As armas parecem as mesmas, mas o veneno delas está nos diálogos e na 'Voz', que são ferramentas de opressão, controle e maldade.
A série mostra que, no universo de Duna, não existe a honra de um cavaleiro branco com o brilho de um sabre de luz e palavras bonitas. Ela apresenta um mundo medieval futurista, rústico, cruel e injusto, que domina um universo que não é um mar de estrelas, mas um caos de dor e escuridão.
A série é uma obra madura que respeita o espectador, mas, embora seja excelente, o cinema ainda é o trono de Duna."
Enquanto o "Alien, o Oitavo Passageiro" de 1979 e o recente "Alien: Romulus", mergulham em um futuro pessimista, opressor e sujo "Alien: Earth" parece que se passa num parque da Disney em Orlando. A estética clean, colorida e higienizada, joga você para dentro de um capitulo perdido do "Divergente" e de franquias adolescentes, do que no universo visceral de Ridley Scott. Ao trocar o óleo de máquina e a escuridão por cenários modernos e brilhantes, a direção removeu o elemento primordial da franquia: o medo do desconhecido em um mundo que já não tem esperança.
O que fizeram com a série não foi uma modernização, foi uma profanação. Parece que os roteiristas, diretores e produtores olharam para o legado de terror, suor e desespero do filme de 1979 e decidiram que o público atual é frágil demais para isso. O resultado é uma obra covarde, feita sob medida para a geração Nutella que nunca sentiu o peso de um futuro opressivo e que está acostumada com heróis da Marvel de CGI e dramas adolescentes de shopping center.
Trocaram a sobrevivência bruta e desesperada, por uma trama infantil, num futuro feliz, só faltando ter uma margarina na mesa do café da manhã, com pão quentinho. É um comercial de sabonete, higiênico, clean, com crianças vivendo em corpos de adultos.
Eu ainda estou tentando aceitar, assimilar, entender e decifrar, qual foi a lógica desse roteiro. Trocar o futuro cyber punk apocalíptico do gênero, por uma estética genérica de streamings da vida, mostra que esse povo jamais não entendia o que eles estavam produzindo.
É constrangedor falar, é vergonhoso até de imaginar, mas o que o Peter Pan, tem haver com a franquia. Serio, como que o Peter Pan, Wendy e os Garotos Perdidos conseguiram servir de inspiração para a historia e personagens da série?
Ao misturar a mitologia do Alien com as metáforas infantis do Peter Pan, a série comete um crime mortal. Transformaram o terror cósmico, o slasher de espaço, que fez todo mundo se sentir insignificante e com medo, numa historinha de ninar pra adolescente com medo de escuro. Isso foi a castração da criatura mais letal da ficção científica da história do cinema
Isso é um insulto pra quem conhece a força de uma Tenente Ripley ao ver o DNA da franquia ser diluído nessa estética de plástico, transformando o pesadelo industrial do filme do Ridley Scott, em uma fábula colorida sem alma e sem perigo.
O elenco fraco e infantilizado, parece ter sido criado na bandeja do Mac Donald's. Saem os operários brutos e os fuzileiros navais traumatizados, entram jovens sem expressão, com rostos de capa de revista que não transmitem um pingo de desespero. A série trocou a sobrevivência visceral por um elenco que parece estar mais preocupados em representar gêneros, raça e cultura, do que ser qualquer coisa com medo de ter uma criatura explodindo no peito.
A Wendy (Sydney Chandler) é o maior exemplo dessa infantilização. Por ser uma híbrida/meta-humana com cérebro de adulta e corpo/atitude de jovem, ela vira quase uma super-heroína, lembrando muito os X-Men em cena do que um filme do Alien. Isso mata o terror, porque no Alien, o medo vinha da vulnerabilidade humana, e a protagonista é especial, o Xenomorfo deixa de ser uma ameaça absoluta pra eles.
A série ignora o DNA anticapitalista da franquia. O pedadelo de firma "Weyland-Yutani", que deveria ser a vilã corporativa definitiva, aqui parece uma startup de bem-estar, do Vale do Cilicio. Onde está a escravidão humana, a miséria cyber, o medo do futuro e o visual apocalíptico? Eles transformaram uma distopia de pesadelo em uma utopia colorida e vazia.
"Alien Earth", é o parasita que ninguém pediu, nasceu de uma ideia preguiçosa, alimentou-se do nome de um gigante e entregou uma carcaça oca que não serve nem para ser esquecida! É a destruição da franquia, que vende sua alma pra alegrar uma nova geração que não sabe o que era um metiolate na ferida, quando mais o sangue ácido do bicho.
É quase que um mundo da Barbie, onde o Xenomorfo é um pet correndo no pe dela. A 2ª temporada vai ser baseada em que? "Alice no País das Maravilhas? "Branca de Neve? Depois disso, tudo pode acontecer.
P.S. A Disneyficação e a Marvelização dos filmes, destruiu a ficção científica no cinema.
"Os monstros mais perigosos são aqueles que nascem dentro das próprias casas, vivem como aves feridas no abraço da família e bebem no seio da mãe, mais que todos."
"Pinguim", mostra o submundo podre de Gotham, apresentando um dos maiores inimigos do Homem Morcego, numa abordagem totalmente nova e distantes dos filmes e séries do cinema e televisão. A série acompanha a ascensão de Oswald Cobblepot, o Pinguim, no submundo de Gotham após a morte de Carmine Falcone. Oz é como é conhecido, é um ex-motorista da máfia, que virou um figurão da cidade, após os eventos do filme "The Batman", do Matt Reeves.
Com uma abordagem de Família Soprano, o Pinguim é desossado nessa série mostrando a atividade de um homem maléfico, inteligente e ardiloso, que se aproveita da queda de um rei, para tomar a coroa para si. Com Colin Farrell vivendo o personagem, a trama destaca a complexidade do vilão, explorando seus medos, e suas inseguranças na busca sangrenta pelo poder.
A história começa logo após o final do "The Batman", mostrando o caos que esta Gotham, inundada e com um vácuo ocupado pela máfia. É aí que o coxo Oz Cobb, agarra a chance de deixar de ser apenas o capanga para tentar virar o dono da cidade. Mas no caminho manco dele está Sofia Falcone, vivida pela Cristin Milioti, que acaba de sair do odioso hospício de Arkham e entra numa guerra psicológica e violenta contra o Pinguim, com cenas de tirar o fôlego.
Colin Farrell dá vida a um psicopata capaz de fazer qualquer coisa pra conseguir o que quer. O homem ruim que ele apresenta, constrata com a Sofia Facone, uma mulher com um passado que é um verdadeiro desespero, que acabou fazendo dela uma vilã fatal e fria, sendo pedra venenosa no pé deformado de Oz.
Cristin Milioti, roubou a cena, tendo um protagonismo inesperado, dividido a trama junto de Farrell. As dores e as tragédia do passado, junto com as ardilosas decisões da família, jogaram a personagem pra uma aspiral de traições, crimes e morte. A subtrama dela ganha toma o protagonismo do Pinguim, com cenas de pura máfia italiana, mas com um veneno de Roma, e suas tramas palacianas.
A atmosfera de terra arrasada, ultrapassa a Sin City do filme do Reeves, transformando a cidade quase num campo de guerra. Sem Batman e comissário Gordon, a Gotham é da máfia, fazendo da ascensão de Oz, um dos momentos mais marcantes que a DC, já teve nos últimos tempos.
Gotham parece uma cidade de verdade, como Nova York ou Chicago nos anos 70, transforma muitos momentos da trama, num retrato vivo dos dias de hoje. A captação de Victor Aguilar (Rhenzy Feliz) pelo Pinguim, mostra o tráfico pegando suas crias pro trabalho, a relação de Victor com Oz, beira quase a de um pai bandido, para um filho da rua. Lembrou muita história de adolescentes que caíram pro crime, por causa de uma roubo beata, se comparar o que Victor se transformou depois.
As manipulações do Pinguim, são o ponto alto da série, que leva a trama perto da loucura, onde a sorte bate de frente com a inteligência. Os flashbacks do Oz e da Sofia, são foda! Um é ruim até o osso desde pequeno, a outra foi traída e transformada num mal necessário para sua própria família.
A HBO, não brinca na produção, a série é impecável, a cenografia do filme do Reeve, é mantida sem perder nada do clima genial construído. A fotografia, é toda direção de arte fizeram o que poucos filmes do Batman, não conseguiram. Mas o que chama a atenção é a maquiagem do Colin Farrell pra viver o personagem.
As sequências finais são foda! A vingança de Sofia, o plano do Oz, as traições, as mortes e o desfecho, fizeram de "Pinguim", uma das grandes séries que eu assisti nos últimos tempos.
Filmes do Batman, são sempre um acontecimento no cinema, e esse "The Batman", foi um dos maiores!
Matt Reeves o filme traz um tom mais sério, sombrio e investigativo para o universo do personagem. O Robert Pattinson interpreta um Batman mais jovem, em início de carreira, que comete erros, mas que precisa lidandar com a podridão de Gotham.
A Gotham desse filme é que verdadeira Cidade das Sombras, um lugar onde a chuva nunca termina, que vive uma noite quase eterna, parecendo que nunca amanhece. Um mundo opressor e corrompido, onde o mal reina em cada esquina. Sendo com pessimismo, um noir de moderno, que lembra os filmes policiais da velha Hollywood, onde um herói sem capa precisa decifrar enigmas para pegar um assassino.
O mistério envolve o Charada, com uma atmosfera quase doentia de mistério. O lado detetivesco do herói é mostrado de forma magnifica! Esqueça o brilho de outros filmes, o Batman de Robert Pattinson é melancólico, traumatizado, não dorme, vive para a vingança e está sempre com o olhar pesado. Ele quase não parece como o Bruce Wayne "rico", ele é o um Bruce Wayne jovem, abandonado, vivendo o Homem Morcego o tempo todo.
O elenco inclui Zoë Kravitz como Mulher-Gato, Jeffrey Wright como Comissário Gordon, Colin Farrell como o Pinguim e o Charada como Paul Dano. Todos com suas personalidades mutiladas e corroídas por Gotham, que como um personagem vivo, devora à todos como um demônio disfarçado de cidade.
A trilha sonora é poderosa, o tema central ganha forma nas cenas de ação como um tiro ba noite. A fotografia é uma mortalha jogada nos nossos olhos, mostrando um cenário de sonho ruim e pesadelo, com cores escuras reinando, mas com o vermelho sangue, o mais próximo da luz que o filme mostra.
Como em todo filme do Batman, o carro continua sendo um dos pontos altos. Aqui ele não é um tanque de guerra tecnológico, mas sim um "Muscle Car" envenenado, barulhento e assustador. A cena da perseguição com o Pinguim é foda.
O desfecho para mim, continua sendo um dos pontos fracos do filme, por causa da inundação da cidade. Mas isso é coisa minha, acho que o roteiro poderia ter explorado outras possibilidades do que essa mostrada.
"The Batman" do Matt Reeves, envelheceu muito bem! A adaptação é foda, o diretor constrói uma atmosfera que superou minhas expectativas. A Gotham City, é a quase que a Sin City do Frank Miller, e a história, poderia ser escrita paras as duas. A atmosfera de medo é pulsante, o trabalho de fotografia, cenários e direção de arte, joga a gente para um pesadelo vivo.
A roupa do Batman, o carro, a caverna e a mansão, mostram quase que um mundo do Sandman. Robert Pattinson abandona de vez o brilho vampiresco do passado, mostrando uma performance marcante, junto de um elenco que virou os personagens dos avessos, com atuações incríveis!
Gostei muito de ter revisto! Tomara que esse Batman do Matt Reeves, tenha um espaço paralelo nesse universo zuado do James Gunn. Perder isso, seria o fim da DC.
Se você achava que Derry era perigosa nos anos 80, "Bem-Vindos a Derry" te leva de volta aos anos 60 para mostrar que o buraco é muito mais embaixo. Se no começo nós achávamos que Pennywise era apenas um palhaço assustando crianças, "Welcome to Derry" mostra que estamos lidando com um ser cósmico destruidor de mundos e que adora se divertir fazendo isso.
A série consegue resgatar aquele terror visceral do primeiro filme, com uma estética visual muito mais orgânica e notavelmente assustadora. Esqueça o CG mais fantasioso do "It: Capítulo 2", aqui o terror é sujo, o sangue parece real e a atmosfera de Derry são sombrias e densas.
A ambientação dos anos 60 traz um ar de inocência perdida em meio ao caos das várias revoluções da época, situação que combina perfeitamente com a crueldade do palhaço, mostrando que a Coisa e Derry são um organismo só. A cidade nos anos 60, com todos aqueles conflitos reais, faz o palhaço parecer ainda mais perigoso, porque usa a maldade humana como tempero, contra eles mesmos.
Derry é uma ferida aberta com pus, e Pennywise é quase como uma infecção nela. Ele não aparece só para dar sustos, ele se infiltra nas feridas da cidade. O horror humano, com o preconceito racial, a violência policial e a presença militar, são tão perturbadores quanto o palhaço. Mostrando que em Derry, o mal não está só no bueiro, mas sim na luz do dia e nos olhares de cada vizinho.
O "Clube dos Perdedores" dos anos 80, se chamava antes de "Clube da Aviação", por causa do forte apelo de conflitos da época, onde os heróis que exitiam eram os reservistas ou militares da época. Enquanto o grupo dos anos 80 tinha aquele espírito de aventura de Sessão da Tarde, a turma de "Bem-Vindos a Derry" carrega as cicatrizes de uma época muito mais brutal e pesada. O drama deles não é só crescer e se jogar no mundo, como foi a turma dos anos 80, vinte anos atrás, essa turma nova mostrava que sobreviver a um sistema que já os odeia pode ser um vilão muito maior do que esse palhaço cósmico.
Lilly (Clara Stack), Will (Blake Cameron James), Rich (Arian S. Cartaya), Ronnie (Amanda Christine) e Marge (Matilda Lawler), são o novo grupo de jovens que tentam sobreviver aos ataques do monstro do espaço e do monstros da terra. "Bem-Vindos a Derry", não perdoa seus personagens minris, é impressionante a forma que a história constrói cada um, sem pena de precisar matar eles se precisar.
Mas não é só da turma dos Perdedores do passado que a série se concentra. Os personagens adultos têm um destaque quase maior que a molecada. O grupo dos militares são a força motriz por trás dos adolescentes. A série traz um peso histórico muito grande através dos personagens negros em Derry.
Leroy (Jovan Adepo) e Charlotte Hanlon (Taylour Paige), país do Will, ganham um protagonismos real e palpável, mostrando a luta contra o preconceito racial em meio ao caos das mortes e dos misteriosos desaparecimentos na cidade. Com presença e atuações marcantes em momentos de ação e aquele terror genuíno que particularmente eu adoro na franquia.
Bill Skarsgård se diverte com seu Pennywise, ele não só espande o personagem, como também apresenta um lado muito mais sádico como em nenhum dos filmes. Aqui ele se lambuza de alegria, fazendo o mal e devorando as crianças com gosto. Bill Skarsgård parece ter ligado o modo "mestre de cerimônias do caos". Ele não está apenas caçando, ele está se divertindo com a desgraça alheia de um jeito quase artístico.
A Alegria Maligna que o ator dei ao Pennywise, trouxe um brilho no olho que não víamos antes. Ele ri das tentativas de defesa do grupo e dos personagens que conhecem sua existência. É uma alegria sádica, como se ele estivesse saboreando o drama pesado dos anos 60 com suas crises e lutas sociais. Para ele o sofrimento do racismo, a perda, a dor, é como um tempero a mais, num banquete que se tornou um luxo.
Nos episódios finais, quando o cerco se fecha, as cenas se tornam alarmantes, com uma situação que explode a bolha dos grupos. Pennywise mostra quem ele é realmente, e o tamanho do seu poder. O sangue começa a jorrar de forma mais orgânica e visceral, o monstro parece se alimentar da própria atmosfera de desespero que ele criou, não pupando nada a sua frente.
Ele não dá apenas o susto, Pennywise humilha os personagens. Ele brinca com sua identidade, em flashbacks impressionantes, e durante sua missão alimentícia, ele ainda buscauma forma a mais de alarmar as pessoas. Skarsgård conseguiu mostrar que nos anos 60, o Pennywise era somente o dono da rua. Ele era um ser cósmico exilado por algum deus Lovecraftiano, e que caiu numa cidade certa, numa Sodoma americana, sem anjo para destruir, mas com um demônio para os punir.
Derry não é o mundo do Pennywise, mas apenas o prato dele. O final tem uma escala monumental, mas com um desfecho de quatro paredes, num lugar onde o futuro encontra o passado.
Série fantástica! Stephen King deve estar orgulhoso.
O primeiro filme foi sobre o despertar do medo, mas agora "It: Capítulo 2", é uma ficção com o peso do trauma na vida adulta. Andy Muschietti volta para fechar o caixão da obra do Stephen King, com uma filme que escala o horror do bueiro para níveis cósmicos, com um pouco de fantasia, mas sem perder a essência do oitentismo da época.
Finalmente eu fiz as pazes com essa sequência, a revelação de que o Pennywise não era apenas um monstro de terror, mas uma entidade extraterrestre, foi descepicionante pra mim. Porque quando assisti eu esqueci completamente que "It - A Coisa", é mais um filme adaptado do Stephen King, que é um escritor que mistura terror e ficção como ninguém.
O "It" do King, tem duas fases, mas é um livro só. E Andy Muschietti foi tão foda, que conseguiu divir o livro em dois filmes distintos. O primeiro é um terror puro, desses que vira clássico Instantâneo. Já essa sequência, a ficção toma a frente por causa da revelação bombástica sobre o temido palhaço Pennywise. Coisa absurda para mim e pra muita gente na época. Porque no cinema quando você revela a origem de um monstro, o monstro acaba. E foi isso que aconteceu para mim quando assisti pela primeira vez.
Com sabedoria cinéfila, e uns papos com alguns fãs do escritor, eu entendi que It, a coisa, o palhaço, o Pennywise, por mais que seja um dos personagens mais demoníacos e marcantes dos filmes de terror em todos os tempos, ele sempre foi um alienígena! Isso não é foda? Andy Muschietti, guardou plot como poucos diretores de cinema e fez dois filmes geniais, respeitando a obra original, que provocou emoções diferentes nos dois filme: Amor no primeiro e ódio Jason no segundo.
"It: Capítulo 2" mergulha fundo na mitologia do livro do King, que é bem mais viajado aqui do que o primeiro filme. O Ritual de Chüd, confunde, mas ele é a base do filme, sendo a parte mais controversa da história, porque ele mergulha no Xamanismo, em vez de ficar no mar negro do terror que a gente adora nadar nos filmes.
Na trama após 27 anos dos eventos do primeiro filme, agora adultos, os personagens retornam à cidade de Derry para cumprir a promessa de enfrentar o temido palhaço Pennywise mais uma vez, após ele ressurgir. Mike Hanlon ficou em Derry esses 27 anos estudando a origem da Coisa. Ele descobriu que o povo indígena Shokopiwah já enfrentavam a entidade séculos atrás.
Quem sai de Derry esquece o que acontece, por isso, quando Mike liga para os amigos, eles sentem um terror físico, mas não lembram do palhaço e nem dos horrores que viveram. Mike mete o loco nos amigos para participar do Ritual de Chüd. E para vencer uma entidade que não é física, você não pode usar armas comuns. O ritual exige que cada "Perdedor" recupere um objeto de memória do passado. Isso obriga cada personagem a reviver seu trauma de infância sozinho antes da batalha final.
As cenas são sensacionais, Andy Muschietti recria momentos de terror e fantasia, com o uso inteligente de CGI, muito bem feitos, mas sem abandonar o horror corporal, e os cenários físicos, que dão aquele charme de filme raiz em muitas cenas, coisa que faz toda diferença. O filme tem cenas icônicas como a do restaurante chinês, da sala dos espelhos, dos vários flashbacks, mas a da velha monstro foi a melhor.
O elenco adulto é um otimo! Ver Jessica Chastain e James McAvoy dando continuidade à Beverly e ao Bill é impressionante, Bill Hader (Richie), traz um alívio cômico que esconde uma dor profunda, mostrando que mesmo 27 anos depois, ele e nem seus amigos realmente saíram de Derry. Mike (Isaiah Mustafa) aparentava ter bem mais a idade que tinha, ele negão raiz oitentista, aparencia simples e séria dos pais de família.
James Ransone na pele do hipocondríaco Eddy, parece ser o pai de sua versão adolescente que foi vivia por Jack Dylan Grazer. James Ransone e Jack Dylan Grazer, são um só! Isso é raro e absurdo num filme. E Jay Ryan, vivendo o adulto Ben, foi uma das coisas mais impressionantes do filme. De gordo trolado, á Reinaldo Gianecchini. Agora Bill Skarsgård, dispensa comentários, Bill é o Pennywise.
O confronto final é uma batalha do capeta! Eles vão para velha casa decrépit e abandonada na rua Neibolt, onde tem o antigo poço que leva para o local onde o extraterrestre dorme. O ritual Chüd começa, mas dá ruim, o bicho pega, é uma correria loca, Pennywise fica alucinado, o Perdedores Desesperados.
O final é emocionante, o amor a amizade e sacrifício, provam ser as únicas armas capazes de enfrentar aquela entidade milenar. E ensina que pra vencer os "Pennywise" da vida real, não precisa lutar com ele fisicamente. Ė preciso antes diminuí-lo, tirarando primeiro o poder que o medo tem sobre nós. Depois pode descer a bota...
Esqueça o palhaço engraçadinho, Pennywise de 2017 é uma entidade do mais puro sadismo e de um medo real. Eu perdi as contas das vezes que assisti esse filme, e cada vez que assisto me impressiono mais.
A direção de Andy Muschietti, capiturou o medo e a fantasia, de forma alucinante. Ele transformou o Pennywise em algo que se alimenta não só de carne, mas de traumas. O filme mostra que pra uma criança, um pai abusivo ou a culpa pela morte de um irmão são muito mais assustadores do que um monstro debaixo da cama. O Pennywise, o palhaço, é apenas o catalisador que coloca essas feridas para fora.
Bill Skarsgård, está visceral! Sua atuação hipnotiza! Aquele olhar desalinhado e a baba escorrendo não são apenas efeitos, é uma entrega física que dá medo de verdade. A forma debochada e sarcástica, junto com a violência extrema dele assassinando crianças, de forma fria, maldosa e descontrolada, foi uma coisa que não se via no cinema.
O Clube dos Perdedores é a alma do filme! Você sente o peso da amizade o amor deles. É o tipo de filme que te faz torcer para que os personagens não cresçam, porque a união deles é a única coisa que o mal de Derry não consegue quebrar. Só quem viveu os anos 80 sabe disso.
O filme tem cenas fantásticas! O banheiro da Beverly, jorrando sangue! Quandi aquele sangue jorra no rosto dela sujando as paredes e o teto inteiro, traz uma sensação de sujeira e realidade que no CGI nunca consegue replicar com a mesma textura. Aquilo tudo era vivi e dava pra ver a angústia e o desespero da personagem.
A cena dos slides, aquilo foi um dos maiores sustos que eu tive numa sala de cinema na minha vida! Ele aparecendo do nada nas fotos já dava medo, mas qua do pulou pra fora da tela, eu quase voei na sala! E a produção da cena com efeitos práticos, fez toda diferença! Se fosse no CGI, perderia todo impacto e intensidade.
E claro, o terror que eles passaram dentro da casa! Ali a fantasia tomou conta das cenas, com sequências geniais! As três portas, são clássicas! Como não lembras das "Portas dos Desesperados", do programa do Sérgio Malandro? E depois teve briga, separação, o que levou ao subito sequestro da Beverly que foi uma angústia dolorosa se se ver!
A luta contra o Pennywise no fim, foi alucinante! Amor amizade sacrifício! Uma das formulas mágicas dos anos 80, que funcionaram como nunca! A luta deles contra o palhaço é fantástica! Tudo deu errado, mas deu certo! Sorte, amizade, raça e resiliência! O Clube dos Perdedores são pica.
"It: A Coisa" é um clássicos mais marcantes do terror nos últimos tempos! Dirigido de forma brilhante por Andy Muschietti e com uma performance única de Bill Skarsgård, o filme é uma marco no gênero, superando a amada série dos anos 90, estrelado por Tim Curry. Andy Muschietti e Bill Skarsgård, transformaram o Pennywise, em uma espécie de Freddy Krueger, mas agindo em alucinações e pro desespero de todos, no mundo real.
Não li o livro, mas achei genial o trabalho realizado no cinema. A história é incrível, os personagens são inesquecíveis e as cenas estão tatuadas na minha mente!
Assisti várias vezes, quase flutuei e ainda fico esperto quando passo por um bueiro durante as chuvas...
Esperei anos, baixei a série, cacei legendas na Internet, depois assinei a Netflix, tive que aturar as partes picotadas. E no fim, depois da segunda parte da última temporada, no capítulo de ano novo, cadê o impacto? O desfecho de "Stranger Things", nao só descepciona, mas deixa um gosto de peida na boca, iguais as produções da Marvel, deixaram nos últimos anos.
Como é possível que o embate final entre Eleven e Vecna, que foi preparado desde a primeira temporada, tenha durado apenas 8 minutos? Foi tudo muito rápido, muito fácil e sem peso. Cadê aquele terror psicológico? Cadê os ataques mentais que tira o fôlego de quem assiste? A esperada luta final, virou apenas uma troca de raios e gente sendo jogada na parede.
Onde estava o exército do Vecna? O bicho controlava o Mundo Invertido inteiro, mas na hora H, cadê os Demogorgons? Cadê os monstros protegendo o mestre? Ficou parecendo que ele esqueceu as chaves do exército em casa. Enquanto isso, o resto do grupo ficou lá, atirando ao léu, servindo de cenário para uma luta preguiçosa que tentou esconder a falta de criatividade com efeitos visuais genéricos.
E a Millie Bobby Brown, com aquela massa corrida no rosto? Pra que? Ela tinha a mesma expressão pra tudo! Isso atrapalhou demais sua atuação, que ficou literalmente artificial. Culpa dela ou dos Duffers? Foi bom ver o Will (Noah Schnapp) voltar a ter mais protagonismo, foi tanta atenção que eu até estranhei. Sadie Sink, depois de emocionar o planeta com sua Max, na luta contra Vecna (Jamie Campbell Bower), no mundo Invertido, com a "Running Up That Hill (A Deal With God)", da Kate Bush, sendo eternizada como hino, ressurge de forma muito aquém do que eu imaginava.
E Nancy (Natalia Dyer), de novo força a com sua veia Rambo pra atirar, manda bala em tudo. Os outros personagens meio que cumprem seus papéis, como Dustin (Gaten Matarazzo) mas sem o peso dramático da 4ª Temporada. E não é querendo ser papa defunto, mas ninguém morre. Eu esperava um rio de lágrimas, mas o que vi foi um mar de pipocas.
A cena final com a Eleven não é ruim. Mas poderia ser muito mais planejada e trabalhada. Aquele CGI do fim e também da temporada toda, parece que foi pra cortar gastos. De resto, são detalhes bons, outros forçados, mas Derek com seu "Vai tomar na Peida", foi um absurdo kkkk... Foi o momento mais marcante da temporada e da série toda.
"Stranger Things" fez história, é uma das maiores séries se todos os tempos. Um verdadeiro marco na cultura pop dos últimos anos. Um fenômeno, que teve momentos incríveis, momentos épicos e momentos que eu não gostei tanto. Mas que vai deixar muitas saudades.
Ficção/terror, transformado em ação/comédia, com momentos de cantoria. É meus amigos, as coisas estão difíceis...
Os anos 90 transformaram o cinema de terror e misterio dos anos 80, em filmes de ação e violência. Eu nunca gostei disso, mas a cultura, o cinema e a adolescência minha e de muita gente não seriam as mesmas sem obras como "Cemitério Maldito 2", "Hellraiser II: Renascido do Inferno", "A Noite dos Demônios II", Exterminador do Futuro 2", "Brinquedo Assassino 2".
E sobreviveria sem alguns desse, mas a alma da década de noventa, dos filmes de ação e violência eram isso, eles pulsavam fortes nos cinemas e nas locadoras. Era a grande mudança de geração, a mudança da cultura, a mudança de identidade que sempre ocorre no mundo. As transformações que aconteciam numa década, foi sendo diminuida pela metade, e hoje a cada dois anos ou menos tudo parece mudar.
O que ocorre aqui com "M3gan", me lembrou o que aconteceu essas obra-prima do terror oitentistas, que acabaram virarando filmes de ação. Deu certo, alguns filmes citados acima, provam isso. Hoje isso é mais uma fórmula usada pela indústria, dentro das muitas usadas no cinema. Mas infelizmente, essa mudança não tem nada haver mais com cultura e identidade de uma geração.
"O que fez "M3gan 2.0" mudar de gênero é a mudança de faixa etária. Um filme sem restrições de idade, leva muito mais público para as salas de cinema do que uma temerosa sequênciade terror. E o filme anterior? A trama do primeiro? O público que curtiu? Já sabe...
"M3gan 2.0", dirigido por Gerard Johnstone, é um entretenimento barato, genérico e fácil. É mais uma sequência caça niqueis que o estúdio apresenta para o púbico, aproveitando a boa repercussão que o primeiro filme teve no cinema.
O terror e a ficção, deram lugar para ação e comédia, onde muitos clichês de filme de robô estão na trama, que acaba tirando o frágil interesse na história que ela construída no filme passado. Tudo é muito fácil, raso, mal pensado. A ideia do Gerard Johnstone, foi fazer de M3gan uma robô de filmes de ação, mais nada.
Os personagens voltam, outros surgem, a trama de robô malvado que caçava a protagonista no filme anterior, mas que agora fica bonzinho, vem forte e não precisa citar de onde isso veio.
A produção é fraca, a história é dessas de refugo, os efeitos são básicos, o CGI beira a sci-fis baratos dos anos 2000, o elenco tem atrações medíocres. Mas o filme cumpre seu papel higiênico de entreter e distrair que assiste. Tem muita luta, tiros, explosões e corre corre, entre a Lu Patinadora T-800 X a Barbie T-1000.
Futuro distópico, pessimista e apocalíptico. Mundo sem vida, controlado, vigiado, sem liberdade, sem maternidade. "A Avaliação", apresenta uma realidade perdida, cínica e sufocante, onde o desejo de ser pai ou mãe não é mais um direito, mas um privilégio que é concedido pelo Estado.
O filme conta o drama de Mia (Elizabeth Olsen) e Aaryan (Himesh Patel), um casal que vive em uma sociedade isolada e "perfeita", enquanto o resto do mundo (Velho Mundo) vive em colapso ambiental e social. Onde querem ter um filho, acaba sendo uma verdadeira luta, contra a auditoria feita pelo estado.
Alicia Vikander vive Virginia, a avaliadora, uma mulher fria, hipnotizante e bizarra, que se muda para a casa deles e começa a agir como uma criança, sendo ela uma criança de 30 anos. Testando e avaliando, a paciência, a moral e a mentalidade do casal em situações insuportáveis que beiram a loucura.
Cuba, Coreia do Norte, Venezuela. Todas do Futuro! Onde as instituições públicas são governadas pelo Estado, pelo partido. Você não tem direito a nada, não pode ter opinião, come inseto, tem salário universal.
"Fahrenheit 451", "Brazil - O Filme", "1984", são várias as referências. Fleur Fortuné, nos leva para esse Mundo perdido, um mundo que é uma prisão aberta, um parque de animais que aparentam estarem soltos, mas que na verdade vivem presos num zoológico, onde as jaulas estão primeiras em suas mentes.
Aaryan e Mia, querem ter um filho, mas precisam passar pela avaliação de absurda de Virgínia, que impõe regras e situações que tiram toda intimidade deles de dentro de sua própria casa, dando lugar a um domínio lento e amargo, com métodos que só os Campos de Extermínio da Segunda Guerra Mundial, e os regimes comunistas nos países que a gente está se saco cheio de lembrar, fazem com o povo.
Esse pano de fundo da trama é trágico, mas a vida pessoal (ou o que resta) dos personagens, são o coração da história. A fragilidade de Mia, com um passado tráfico, vira uma ferida aberta na trama, junto os traumas de Aaryan. A presença de Virgínia, com seus jogos de psicológicos levam o casal ao limite. Mas não são apenas as regras do Estado que são colocadas, o filme de Fleur Fortuné, mostra que não importa o cabresto ideológico, o ser humano sempre vai dar um jeitinho de continuar sendo ser humano.
Alicia Vikander devora a personagem, que apresenta sérios problemas, que são disfarçado pela criança que ela interpreta, oprimindo o casal de todas as formas e obrigando eles a segurem as regras, sob pena serem reprovados. Elizabeth Olsen, vira dos avessos com sua Mia, a atriz consegue passar as dores de uma mulher fragilizada pelo passado, e temerosa com o futuro, que foi lançado toda felicidade numa criança que poderia vir aos mundo.
Himesh Patel, vive um homem afundado no trabalho, que independente de se revela ser a cura dos problemas das personagens, acaba não ganhando espaço na trama, que se prende ao furacão Virginia em sua própria casa.
O filme é nervoso, dramático, com memórias tristes de passado, mas as ações da Virginia, levam a gente a perder as estribeiras com a personagem, suas obrigações e sua malícia.
O final é amargo, com uma revelação que lembra os filmes do leste europeu, que fala da desgraça das lembranças da Cortina de Ferro que a URSS impunha aos países que ela dominava.
"Apenas apanhei, na beira-mar Um Saturn SL 1994 pra estação lunar"
Sarah (Margot Robbie) e David (Colin Farrell), dois estranhos que se conhecem num casamento, tem suas vidas entrelaçadas depois que entram num carro antigo que tem o poder de viajar através do tempo e do espaço, para momentos determinantes de suas vidas.
Com um GPS mágico que lembra o painel luminoso de publicidade do filme "L.A. Story" de 1991, estrelado por Steve Martin e Sarah Jessica Parker, "A Grande Viagem Da Sua Vida" me fez esquecer um pouco da mesmice do cinema de hoje, com uma história que você coloca o cérebro no bolso e entra no carro com eles.
"Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"? Sim um pouco. O filme de Kogonada me levou embora, sem esforço e sem explicar nada. Você acompanha os personagens que no início tem uma conexão tímida, ser transformados pela viagem ao passado, onde eles observam e revivem momentos marcantes de suas vidas.
Abandono, morte, arrependimento, reconhecimento, perdão, valorização, amor-próprio. A trama mostra a transformação dos personagens de forma cômica, com cenas dramática, mas sem perder o humor. O filme não tem grandes atuação, Margot Robbie e Collin Farrel, preenchem o longa com sua presença, mas deixando pra trama, com seu GPS, suas portas no meio do nada e suas revelações, serem os protagonistas da história.
A produção é muito boa, a gente viaja o filme todo com Sarah e David, que tem aquele feeling nos dois, mas fuga de um, medo de outro, que só na viagem, com as revelações e confrontos com o passado, eles são curados.
Adorei! Sou suspeito para falar desse tipo de filme. Curto bastante esse tipo de ficção, que nos dias de hoje perdem espaço pra filmes precisam explicar suas mensagem de forma mais clara e linear. Acho que a grande viagem da vida de qualquer pessoa, se não tiver mistério e se não fugir um pouco da realidade, perde a graça.
Star Wars, Episódio III: A Vingança dos Sith
4.1 1,2KAte hoje eu não me conformo. Quando eu assisito eu fico numa tensão absurda, com as emoções saltando da pele, torcendo até o fim pro Anakin, não passar pro lado negro da força. Mas não tem jeito, a queda é inevitável. Ele era o escolhido.
"Episódio III: A Vingança dos Sith", foi o filme derradeiro da saga, aquela história de origem de vilão, que ninguém quer contar, e poucos ainda tem capacidade e talento pra fazer. Mas George Lucas é um Jedi, e não teve medo de contar como foi a queda do maior vilão da história do cinema.
A história é tensa, a tensão crescente entre o Chanceler Palpatine e o Conselho Jedi, fica com uma aura tenebrosa, na medida as ações de Palpaine lembram vários personagens históricos, que se esconderam na nobreza para poder dominar e destruir seus inimigos.
Acho que o elo que ele tem com Anakin, é algo pegajoso que demonstram interesses, não só do Chanceler, mas do jovem que tem sua mente e seu coração dominado pelo Lord Sithi. Eu sempre achei que o Darth Vader, nasceu quando Anakin massacrou o povo do deserto que sequestrou, torturou e matou sua mãe. Ele só precisava de um empurrão.
O plano foi perfeito, Darth Sidious aproveitou a frafilidade que o jovem sobre a perda, sobre a morte. A relação secreta e proibida dele com Padmé, só revelavam suas fraquezas, que pra um Jedi, eram determinantes pra sua queda ou sua ascensão. E vale dizer tambem que Padmé, que ja foi rainha de Nabu e agora ocupa o cargo de Senadora da República, nunca deveria ter aceitado esse tipo de relação com Anakin. O medo da proibição so alimentou o lado negro dos dois.
A agonia que ainda me dá que quando Anakin vai ao encontro do Mestre Windu para impedi-lo de matar Palpatine, chega ser infantil. A cena é monstruosa, o desespero de Anakin em perder a forma de salvar sua esposa, estava escrito nos seus olhos. Minha pergunta é: "Será que o Lord Sidious estava se fingindo de morto, para que o Anakin traísse os Jedis?".
E enquanto isso Obi-Wan Kenobi, vai atrás do General Grievous, com lutas fantasticas, igual a inesquecível batalha do início. Mestre Yoda, os Wookiees, Chewbacca, Clones, até a ordem 666. Foi foda. George Lucas, foi um mestre Jedi na construção da história, mantendo várias camadas de ação e drama, com uma produção magnífica e com efeitos de CGI fantásticos, feitos ainda com muita paixão.
A descoberta de Obi-Wan Kenobi sobre as ações tenebrosas se seu pupilo e a sede de Vingança que se apoderou dele, foi algo que eu nao esperava. Acho que mais um pouco, Obi-Wan cairia junto com Anakin, por causa do ódio que ele sentiu dele. A luta dos dois é apoteótica! Mustafar era a materialização do inferno, onde Obi-Wan desceu pra consumar sua vingança.
O pau torou kkkk...
Morte de Padmé, nascimento de Léia e Luke, e o renascimento Darth Vader, foi um dos momentos mais marcantes que eu ja assisti na minha vida no cinema, e um marco nos filmes de ficção científica. Eu lembro que o silêncio reinava no cinema, as emoções eram muitas, e até hoje pra mim isso permanece.
"Episódio III: A Vingança dos Sith", é um filme que eu nunca quis que existisse. Ver um messias cair, um vilão nascer, herois morrerem e um império ascender, é muito pra cabeça, algo fora de série pra um fã da franquia, que desde que passou numa tarde de domingo na antiga TV Manchete anos 80, jamais resolveu crescer, deixando viva a pra sempre a criança jedi dentro de si.
Star Wars não tem explicação. É uma coisa que está no seu DNA ou nos Midi-chlorian de quem as tem.
Star Wars, Episódio II: Ataque dos Clones
3.7 794 Assista AgoraDurante anos foi meu filme da década de ficção cientifica! Assisti de bobeira num dia mágico de cinema, depois de pegar o Homem Aranha o Raimi. Os dois filmes estavam saindo de cartaz naquele dia.
Foi meu primeiro Star Wars na telona. E a emoção desse dia, eu carrego até hoje. A vinheta da 20th Century Fox, Lucas Filmes, o silencio eterno, até o Bamm!! Eu já estava entregue. Lembro que na época eu não queria uma trilogia nova, ainda mais depois do fiasco do "Episódio I", com Jar Jar Binks, que eu não gosto nem de lembrar.
Anakin Skywalker (Hayden Christensen), Padmé Amidala (Natalie Portman) e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), vivem uma história cheia de aventura, ação e romance, com um humor na medida certa, numa conspiração crescente sobre separatistas, guerra civil com o Lord Sidious, tocando o terror nas escondidas.
O filme tem cenas apoteóticas de ação, onde a sequência da perseguição de carros na República, com o Anakin e o Kenobi trepados nas naves, caindo e se jogando, formam emoções que eu não esqueço na telona, a luta do Kenobi contra o Jango Fett no planeta apagado do mapa e depois no espaço, formam de tirar o folego. Tudo com um belíssimo trabalho de CGI, que apesar de bem batido, ainda surpreende pela capacidade técnica e talento pra imaginar as cenas. A imagem das cidades cheia de luzes, e dos asteroides no espaço, impressionam até hoje.
Mas o filme tem no planeta Geonosis, suas cenas mais famosas. Se já não bastasse o namorico até que besta entre Anakin e Amidala, com rebeldia dela, paixão cega dele, fora aquela cena terrível da perda da mãe, teve sua trama levada pra pra um lugar onde a saga espacial se decidiu. Conspiradores, fabrica de dróides, planos secretos e a magnifica participação do Christopher Lee vivendo o Conde Dookan, levou eu, e os fãs da franquia ao delírio total!
A luta naquela arena (chupada dos livros do John Carter), foi uma das maiores cenas de ação de toda franquia e uma das coisas mais incríveis que eu já assisti num filme de ficção. Obi-Wan, Anakin e Amidala, entregues a morte, lutando contra monstros, androides e de repente, os passos do Mestre Windu (Samuel L. Jackson), invadem a arena, junto dos clones, começando uma batalha do capeta nunca vista antes na franquia, que na época eu achava que só perdia pro "Império Contra Ataca", mas hoje, confesso que nostalgia da trilogia clássica esmaga qualquer façanha, mesmo que fantástica, em supera-la.
No cinema essa sequência foi inacreditável, que se estendeu ainda pra uma guerra em solo planetário, mas o filme ainda guardava pro final, uma luta aguardada e inesperada. Obi-Wan e Anakin, contra Conde Dookan, numa luta selvagem e covarde, mas a sala de cinema veio a baixo quando surge de mansinho um tal de Mestre Ioda, e a luta dos dois é algo que foge de qualquer expectativa. Sensacional! Eu jamais esperei essa cena, e até hoje ela me surpreende.
"Episódio II: Ataque dos Clones" é o melhor filme depois de "Uma Nova Esperança" e o "Império Contra Ataca". George Lucas estava iluminado e conseguiu passar pro cinema o que ele tinha imaginado numa época, onde os recursos técnicos ainda não existiam. A visão desse diretor é bárbara, o talento pra essa saga se prova nesse filme que não tem fim, e o resultado é um clássico do cinema que não pode ser esquecido. Eu perdi a conta das vezes que já assisti, mas naquela tarde de cinema no inicio dos anos 2000, ainda não terminou em mim.
Fallout (2ª Temporada)
3.6 95Se a 1ª temporada de "Fallout" foi a descoberta brutal de um novo mundo, a 2ª é um passeio em suas ruínas. A série continua impressionando com os trabalhos de fotografia, design de produção e pelo cuidado estético que, por vezes, se perdem na própria perfeição, mas faltou algo na história que provocasse aquele estouro em cena, aquelas coisas que marcam o coração de quem assiste.
A narrativa caminha em banho-maria durante a maior parte dos episódios, guardando toda a sua força para uma explosão final que, embora espetacular, deixa um gosto de "quero mais", não pela excelência apresentada, mas pelo tempo que se levou para chegar lá. É uma obra longe de ser ruim, mas que sofre do mal da "sequência de transição", onde a técnica brilha mais do que a coragem de arriscar algo genial no roteiro.
A 2ª temporada de "Fallout" procura expandir seu mundo apocalíptico com uma coerência justa e louvável, mas acaba deixando a desejar demais, esquecendo de enriquecer a trama e seus personagens. A decadente New Vegas parece ser a Terra Prometida da série, porém nos episódios acaba sendo apenas mais um "bom" capítulo antes do fim.
A verdadeira guerra civil deixa de ser por sobrevivência, revelando-se ser por controle de todos, com a trama mostrando o velho cenário de pós-apocalipse onde o ser humano cria novos deuses apenas para ter alguém a quem culpar quando tudo colapsa novamente. Os personagens cresceram, mas permanecem presos a emoções pequenas, quase sem drama, mas com aquele bom humor que é a cara das produções de hoje.
Lucy MacLean (Ella Purnell) não é mais a boneca de porcelana do Cofre. Sua transição para uma sobrevivente real de mundo zumbi é o ponto alto dela na trama. Ela começa a entender que ser boa num mundo do capeta não é virtude, é sentença capital. A violência, a brutalidade, é o mal necessário para se ter e chegar a qualquer lugar.
O Necrótico (Cooper Howard) continua impiedoso, imoral, ruim e traidor, sendo o fio maldito que conduz toda a trama, mas sendo menos pistoleiro e mais um contador de histórias. Ele é o único que lembra do gosto do mundo antes das bombas, mas com um peso nas memórias que tornam suas ações trágicas e carregadas de drama.
Maximus (Aaron Moten) vive agora num terreno perigoso. O herói que queria a armadura agora tem que lidar com o peso de que o poder não traz a justiça que ele almejava, apenas uma nova forma de tirania que o faz confrontar seus paradigmas, fazendo crer que todos os heróis, se não morreram de overdose, morreram nas explosões.
A produção manteve o nível técnico incrível da temporada anterior, desta vez com a fotografia um pouco mais saturada, mais suja, do que na temporada passada. A direção de arte consegue equilibrar o deserto de Mad Max com aquele visual anos 50 da Las Vegas clássica, tentando, no desespero, fingir que a civilização ainda existe. É um cenário de fim de festa permanente, com a morte e o apocalipse dando play em algum momento.
Enfim, a 2ª temporada de "Fallout" não é uma série sobre salvar o mundo, mas sobre assistir um mundo se definhando enquanto se mantêm as aparências. Na 1ª parte, eu me perguntava qual foi a causa desse apocalipse; agora, aqui, eu vejo que esse apocalipse nunca terminou; ele mudou de formato, trocando a radiação por guerra de facções quase impossíveis de se imaginar. Fazendo com que as lembranças dos dias antigos sejam apenas lembranças que servem para tornar o presente ainda mais insuportável.
Fallout (1ª Temporada)
4.1 343 Assista AgoraTem Alguns Spoilers...
De um lado, o azul e amarelo vibrante do Cofre (Vault), onde tudo parece uma propaganda de margarina dos anos 50. Do outro, a superfície cinza, marrom e cruel, onde a vida não vale uma tampinha de Nuka-Cola. Pós apocalipse, faroeste, mundo medieval, anos dourados. Como eu não conhecia "Fallout"?
Adaptado da famosa série da franquia de videogames, a 1ªtemporada de "Fallout", se passa num mundo destruído. A matrix otimista e colorida de um sonhado anos 50 futurista, foi derretida por bombas atômicas, deixando para trás uma humanidade miserável que se rasteja entre a nostalgia de um passado que nunca existiu e a violência de um futuro sem esperança.
A história se desenrola em um futuro devastado por uma misteriosa guerra nuclear, onde a civilização foi quase completamente destruída. E os sobreviventes de diferentes origens, se encontram em um ambiente envenenado e perigoso dominado por facções, disputas e um passado que foi esquecido.
Com a direção principal de Jonathan Nolan e Lisa Joy, a série amplificou a mil, a noção que eu tinha sobre o retro futurismo dos anos 50, com uma estética visual impressionante, combinando elementos de sci-fi, com um mundo medieval, pistoleiros, num tom sombrio e satírico, onde o extremo inocente dos anos dourados é devorado por uma hecatombe global, que jogo o mundo no banco do passageiro dos filmes do Mad Max.
A produção da Amazon MGM, Bethesda e Game Studios é rica em detalhes, capturando a essência dos jogos, dando vida à vida a um mundo vibrante, mas terrivelmente desolador. A série nos envolve com personagens icônicos como Necrótico (Walton Goggins), Lucy MacLean (Ella Purnell) e Maximus (Aaron Moten). Sobreviventes que vivem realidades diferentes, mas que acabam se trombando, não pelo acaso, mas por consequências terríveis de um passado que vai se revelando lentamente.
Lucy é a inocência pura, fruto da cultura empacotada dos anos 50, sua bondade as vezes se mistura a uma burrice angustiante, que num mundo apocalíptico, é fatal. Mas sua honra e caráter, criou uma bravura nata, coisa que deixou de existir na Sodoma destruída que virou os EUA. Ela representa a ingenuidade de uma época, acreditando nas "Regras de Ouro" do Cofre 33. Quando seu pai Hank (Kyle MacLachlan) é sequestrado pela líder de superfície Moldaver (Sarita Choudhury), ela sai para o mundo achando que pode resolver tudo com educação e diplomacia. O choque de realidade dela faz disso o motor da série.
Maximus, foi o soldado humilhado, que virou escudeiro, que depois cavaleiro, até que o destino o fez herói. A crença medieval de sua Irmandade do Aço, parece ser o fim da humanidade, mas também o seu recomeço, um rebut amargo e cruel, assim como em todas civilizações. Ele vive sob a ética e leis de sua irmandade, mas acaba descobrindo de forma quase fatal, que o poder corrompe, tanto quanto a radiação do planeta.
Agora a imagem máxima de "Fallout" é do Necrótico, um homem, vivo-morto, quase um zumbi, que atravessou eras. Cooper Howard, cowboy de TV, viu seu mundo desaparecer durante a crise, vendo sua esposa fazer parte de algo terrível que ajudou a causar a por fim ao seu mundo e o mundo de todos. O resultado de sua aparência é ainda um mistério, mas durante a série muita coisa é mostrada. Cruel, sem bondade, amor, alma e espirito, ele é pistoleiro o solitário e imortal, aqueles que vemos sendo contratos nos filmes de faroeste. Ele é a ponte entre o passado glorioso e o presente podre, sua habilidade é absurda e junto com sua condição de quase zumbi e armas futuristas, Necrótico vira quase um demônio.
Sobrevivência, moralidade em tempos de crise e as consequências da guerra, o contraste entre a vida antes da catástrofe e a realidade brutal do mundo pós-apocalíptico é um dos focos centrais da trama, mostrando de forma alarmante a fragilidade da civilização com seus interesses degenerados, que antecedem a fatídica destruição da civilização (a reunião das corporações me lembrou a reunião na ONU em 2014, com os representantes dos EUA, Inglaterra, Austrália, China, Japão, Brasil e outros, sobre um tal de Covid. Com simulações sobre o alcance do vírus, mortes, vacinas e quais países estariam na frente de tudo. Estava tudo em PDF no site da ONU pra todo mundo ler. Hoje, já sabe.)
A primeira temporada de "Fallout" é uma introdução envolvente ao universo dos jogos que mais uma vez eu não joguei (meu Deus, como eu sou ruim em games!), oferecendo uma narrativa rica, personagens complexos, numa história critica e envolvente. Combinando ação, humor, crítica social, ideologias politicas, religião que a levaram a quebra de toda civilização como foi mostradas em grandes filmes de pós apocalipse como "Planeta dos Macacos", "Mad Max" e Fuga de Nova York.
Mas algo de "O Globo de Prata" ficou escancarado para mim nessa série; o filme de Andrzej Zulawski, está entre as obras mais conturbadas da história do cinema, por ter sido confiscada e quase toda destruída pelo regime comunista, justamente por tocar no seu câncer. A trama do diretor polonês, fala sobre um grupo de astronautas, que fogem e caem num planeta quase desabitado, onde eles acabam repetindo as mesmas barbaridades praticadas na Terra, com a guerra, religião, politica, violência e morte. Mostrando que mesmo no passado, no presente e no futuro, os valores da nossa civilização, ainda criam os mesmo problemas, provando então que o mal está acima de tudo está dentro de nós. E não fora.
Seja qual for o apocalipse, ele é apenas as consequências das loucuras e ilusões disso tudo.
Euphoria (2ª Temporada)
4.0 551Tem Alguns Spoilers...
Se a 1ª temporada de Euphoria foi o surto da droga, a segunda é a falência múltipla dos órgãos. Sam Levinson abandona o neon e mergulha num âmbar sombrio, onde Rue não é mais a cronista charmosa, mas um animal acuado em busca da próxima dose. A beleza técnica continua, mas sem o espetáculo visual, servindo para filmar o desmoronamento dos personagens, com arcos dramáticos, amorosos e violentos e uma peça de teatro que vira o tribunal dos pecados, onde todos são culpados.
A série perdeu o brilho elétrico e todo impacto visual, se transformando num cinema cheio de texturas, com cenários mais simples de estúdio, com imagens granuladas e amarelada, não parecendo mais o êxtase de uma festa, mas o registro lento de histórias que podem preencher boletim de ocorrência numa delegacia.
Se a narração da Rue, capturava a minha atenção com sua poesia de sarjeta, agora ela expressa as consequências de suas ações de forma visceral, onde ela se torna a vilã dela mesma. Os primeiros episódios cansam muito por mostrar apenas o maldito triângulo amoroso de Cassie, Nate e Maddy. A boneca inflável Cassie, se torna a personificação do desespero por ser amada, a traição com o Nate destrói a amizade com a Maddy e a transforma numa figura quase psicótica, que se esconde atrás de roupas e maquiagens perfeitas.
Desprezada, vazia e sem o seu garanhão para desfilar, Maddy descobre que sua antiga armadura de aparências agora era uma carcaça que não a protege mais de quem ela queria ser. A cena dela confrontando a Cassie é um dos ápices do sangue nos olhos da temporada. Mas o coração da temporada é o episódio 5ª, na explosão nóia de Rue, que foi a sequência mais impressionante e alarmante de toda série.
Pra quem glorifica as drogas, esse foi não um soco no estomago, mas uma verdadeira surra que se precisava levar. Enlouquecida, possuída, alucinada, violenta, covarde, fora de si. "Cadê minhas drogas mãe? Sala destruída, quarto arruinado, porta arrombada. Cadê minhas drogas mãe? Me perdoa mãe. Eu te amo. Cadê minhas drogas?" Foi um inferno.
E no meio do desespero do vicio, a introdução da traficante Laurie traz um horror gelado, mostrando que o perigo não é mais uma overdose acidental, mas as consequências do tráfico, com sua violência brutal para quem entra pros seus negócios. Coisa que deu ao arco de Fezco com a Lexi, um inesperado amor bandido, coisa quase de novela das oito, que tornou o final de assalto com tiroteio final e o trágico destino do Ashtray que fecha a temporada com o som de balas e desespero, mostrando que no mundo real, a conta sempre chega.
Ao mesmo tempo que o destino de Fezco e de seu irmão, eram traçados, Lexi deixava de ser a observadora para ser a diretora. A peça de teatro no final da temporada foi algo que não me agradou. Coloca os personagens para assistirem à própria miséria, parece impactante para os personagens, mas para quem assiste, chegou a ser até cafona. Ver esse momento em que a ficção da série confronta a realidade dos personagens dentro da tela não me impactou, na realidade me decepcionou bastante.
O desfecho teatral da peça de Lexi, a tragédia de Fezco e seu irmão, o surto da família Jacobs, com o pai soltando a franga e a paranoia de Nate, sua relação com Cassie e Maddy, renderam bons momentos. Mas essa "Euphoria" de Sam Levinson, mesmo com a nóia apocalíptica da Rue, não chega perto da apoteose visual e do roteiro marginal, da temporada anterior. Parece até que essa sequencia foi feita pra Netflix e por outro diretor, porque até os personagens ficaram desinteressantes, com arcos normais de adolescentes em crise.
No fim das contas, a 2ª temporada de "Euphoria" é o preço que se paga pelos excessos. Enquanto a Rue de Zendaya alcançava o topo da atuação mundial em meio a escombros do seu vicio, o restante da série se perdia em holofotes de um teatro igual ao que a Lexi mostrou em sua peça. Saímos do brilho do glitter para o amarelado de um filme antigo sem muita expressão, onde as dores dos personagens, não estiveram a altura de suas histórias. A mudança pra película, não foi suficiente para superar o brilho neon visceral mostrado antes. Saímos do brilho do glitter para o amarelado de um filme antigo, mas a nostalgia não foi suficiente para esconder que, quando o choque passa, o que sobra é apenas o vazio de adolescentes que, entre um tiro e uma traição, parecem ter esquecido como era sentir a verdadeira euforia de seus dias passados.
Euphoria: Fuck Anyone Who’s Not a Sea Blob
4.3 131Tem Alguns Spoilers...
Se o especial da Rue foi um café com verdades, "Fuck Anyone Who's Not a Sea Blob", da Jules, é um mergulho abstraído nas suas lembranças. É quase o oposto do anterior: se Rue foi sobre ouvir, esse da Jules é sobre ver e sentir. O especial da Rue foi o chão da realidade dura e crua; o de Jules é o oceano de seus sentimentos. No consultório de uma terapeuta, ela faz esse mergulho sem julgamentos e sem pressão. Jules despe sua armadura de glitter para revelar uma alma que não quer ser moldada pelos olhos masculinos. Ela não quer mais ser a boneca de desejos dos homens; ela quer ser ela: imensa, disforme e livre como o mar, enquanto tenta entender se o amor que sente por Rue é salvação ou apenas um novo afogamento.
Jules fala sobre querer ser como uma criatura do mar, algo sem forma definida, sem as pressões de ser feminina para o olhar dos homens. É um grito de liberdade sobre a sua própria transgeneridade. Despida de maquiagem, num rosto onde a sinceridade transborda, a água é o elemento certo para mostrar seu drama. As dores de sua relação com o mundo parecem ondas revoltas que batem nas pedras de sua alma. O close-up extremo no olho de Jules revela o espelho de seu interior, refletindo tudo o que viveu com a Rue. No divã, ela confessa que está cansada de construir sua beleza para o consumo alheio; ela quer conquistar a feminilidade para si mesma, profunda e poderosa, e não apenas ser a "bonitinha trans" feita para o sexo.
Na adolescência, o desejo explode como uma bomba, mas no caso de Jules, a explosão é atômica. Sua definição de gênero passava pela validação dos garotos, e Tyler (identidade falsa de Nate) foi o fantasma de sua louca paixão. Ela sabe que foi o Nate, sabe que tudo foi uma mentira, mas a conexão emocional foi real. A falta que ela sente daquela persona virtual é o multiplicador dos seus desejos.
Porém, o beijo de Rue quebrou todo o plano. O projeto de menina criado pra se apaixonar por meninos foi pego pelos cromossomos de jeito. A engenharia física, os hormônios e bloqueadores que ela usou para moldar seu corpo conforme o desejo masculino se curvou diante de um sentimento que não pediu permissão. Rue pôs esse plano no chão; o gênero de Jules agora servia para um prazer que ela não havia escrito. Mas com Rue, vem o trauma das drogas, revelando o passado dramático com sua mãe viciada. Jules vê na Rue o fantasma da mãe, criando um vórtice de pânico dentro dela: ela ama a Rue, mas tem pavor de se transformar na cuidadora de outra viciada pelo resto da vida.
Nas cenas finais, o episódio termina com a Rue aparecendo de surpresa na casa de Jules no Natal. É um encontro rápido, estranho e doloroso. Rue deseja um "feliz Natal" e vai embora sob a chuva, deixando Jules chorando sozinha no quarto. Naquele momento, as gotas de água na vidraça parecem mais lágrimas do que chuva, lavando por fora uma dor que continua estagnada por dentro.
"Trouble Don't Last Always" - Rue quebrada.
"Fuck Anyone Who's Not a Sea Blob" - Jules despida.
Os pilares que sustentam a ponte entre as duas temporadas, estão construídas. Um é de terra, o outro de agua. Com Rue, a verdade servida fria, numa lanchonete decadente, com o confronto com o vício, com verdades e mentiras, mas com a filosofia de Ali pra socar essa pedra. Com Jules foi um mergulho nos mares de seus traumas num divã terapêutico; a desconstrução e a reconstrução de seu genero, da feminilidade pro olhar masculino, para ser enfim a feminilidade pros olhos femininos.
Traumas, medos, dores, tragédia, violência. Sam Levinson mostra um lado mais pessoal de sua "Euphoria". Rue e Jules, revelam um pouco mais de sua faces, em episódios bem intimistas. Confesso que esse especial com a Jules, a imersão na sua história foi fluida e intensa, enquanto que com Rue, foi como tentar entrar pelo chão, denso e um pouco cansativo de se assistir. A atuação de Hunter Schafer, foi brilhante, ela se joga na personagem, como a mesma faz nas ondas do mar. O tormento que ela passa é latente, mas acaba ficando um pouco encoberto na trama que tem personagens fortes e que fizeram história na 1ª temporada.
"Fuck Anyone Who's Not a Sea Blob", mostra que o brilho nos rostos das vidas dos trans, são muitas vezes para esconder a escuridão que existe dentro deles.
Euphoria: Trouble Don't Last Always
4.3 156Tem Alguns Spoilers...
Se "Euphoria" é o barulho da festa e o brilho do glitter, "Trouble Don't Last Always" é o silêncio ensurdecedor da ressaca. Numa véspera de Natal, Rue e o Ali, tem os demônios de seus vícios postos sobre a mesa, num dialogo sincero sobre a vidas, com verdades, mentiras e lembranças, ao lado de sobras nos pratos e talheres sobre a mesa, onde os dois tentam traçar uma linha reta nas curvas tortas de suas vidas.
A temporada principal é o surto, esse especial de Natal é o diagnóstico médico dado sem anestesia. Nesse confessionário disfarçado de lanchonete, a luz fluorescente substitui o neon, Ali tira o glitter do rosto de Rue com palavras que pesam mais do que qualquer ressaca. Ele a confronta com verdades que ela tenta esconder sob o capuz de seu moletom "que a sua autodestruição não é poética, é apenas um clichê de um sistema que lucra com a sua morte".
Ali é um viciado em recuperação que já viu o fundo do poço e que quase perdeu as mãos tentando cavar, ele não aceita as desculpas poéticas de Rue. Ele descasca as camadas de mentiras dela como quem tira uma crosta de ferida, mostrando que, por trás da rebeldia adolescente, existe uma dor crônica que o sistema adora embalar para presente e vender como foda, como a força da juventude.
Sem musica frenética e cenas mirabolantes. É apenas a Rue e o Ali em uma lanchonete decadente de beira de estrada na noite de Natal. Saímos do brilho hipnótico e fomos para a luz fluorescente barata, com café frio e pão velho. É um episódio de mesa de bar, uma troca de ideias sinceras, que Sam Levinson leva pra tela, pra aprofundar o caos de Rue, expondo seu mundo cheio de sombras e dor.
Ali não é um mentor, não é pastor e nem pai de santo, ele é um viciado em recuperação que não perde seu tempo passando a mão na cabeça dela. Ele diz a ela que "o vício é uma doença degenerativa", e não esse status teen, que a cultura pop vende. Ele fala de forma pesada e sincera sobre como as corporações e o capitalismo que se apropriaram até da nossa rebeldia pra vender seus produtos. Joga na cara dela que ela não é uma revolucionária por usar drogas, mas apenas uma consumidora de um produto que a mata.
E Rue admite algo terrível: "que ela não planeja ficar limpa, e que não vê um futuro para si mesma"; provando que a "Euforia" dela não é uma busca por prazer, mas uma tentativa desesperada de silenciar seus próprios gritos internos. Com o peso da dor que aconteceu na estação de trem, assistindo a Jules: indo embora, mostrando que a paixão delas era uma forma de entorpecente.
Sob chuva e incertezas e sem um final, o episódio termina. Não há uma cura milagrosa, e nem um abraço que apague as cicatrizes. Ao som de 'Ave Maria', Rue observa a estrada pelo vidro do carro, enquanto a chuva lava o mundo lá fora, mas sem conseguir limpar o que está dentro dela. "Trouble Don't Last Always" não é sobre superação; é sobre a exaustão e o cansaço de tentar ser um humano são em um mundo que te prefere dopado.
No fim, o café esfriou, as sobras ficaram no prato, e Rue volta para a escuridão, sabendo que a única coisa mais pesada que o vício é a clareza da verdade que Ali lhe serviu naquela noite de Natal, sem Papai Noel, mas com alguém que naquele momento lhe serviu como pai.
Os diálogos são longos, o assunto é bem conhecido, os personagens são icônicos. De um lado temos alguém que conhece o caminho e do outro, uma pessoa que está perdida nele. As atuações são sinceras, Zendaya e Colman Domingo se entregam nos papeis, fazendo parecer durante quase todo episódio que eles são reais e que eles vivem os personagens.
De quem saiu do êxtase da 1ª temporada, ver esse confessionário é um balde de gelo na cabeça. Eu não esperava essa mudança súbita na protagonista. Um dia com a cabeça mais fria e sem "êxtase" eu revejo esse papo dos dois.
Euphoria (1ª Temporada)
4.3 909Rue (Zendaya) balbucia palavras como se estivesse escrevendo um epitáfio em alguma pedra na Cracolândia gringa. Cronista de seus dias tortos e de mundo em colapso à sua volta, ela narra a sua vida, como estivesse no ultimo sopro, no ultimo trago. Sua voz, instável e pessimista, nos guia com linguagem de usuária que encanta, quase como se injetasse suas drogas diretamente em nossos ouvidos. Esperta feito uma raposa, mas vazia feito uma sacola plástica de lixeiras, Rue é um anjo caído dos céus de fumaça, para pedras na terra. Quando tenta levantar, desaba feito uma estrela cadente, arrastando a família presa na corrente tóxica de sua calda.
Euforia, Euphoria: psicopatologia, sensações, sentimentos, transtornos, condição médica, uso de substancias, droga... Euphoria (1ª Temporada).
Baseada na minissérie israelense de mesmo nome, a versão "Euphoria" de Sam Levinson, escancara um mundo que a gente vê e finge desver. O diretor mostra a rotina rotina social de uma cidade pequena, mas que pode ser qualquer capita, onde de forma nua, crua e desvairada, apresenta personagens que são a pluralidade de uma geração adolescentes gringos de hoje. Nesse abismo social ele funde a beleza à dor, com uma montagem não-linear e planos-sequência vertiginosos, que deixam a estética brilhante virar um sintoma, simulando no raciocínio perdido e fragmentado de Rue, uma poesia descritiva, suja, viciante e perigosa.
As imagens correm na tela como as drogas correm em suas veias. o mundo de Rue, é a realidade dos usuários de drogas, que acham que vivem como espíritos em céus de purpurina. Que quando cai, a realidade entorta; a câmera gira 360º, o teto vira chão e o horizonte se desaveza ao som da trilha sonora de Labrinth que explode num coral gospel distorcido — um grito musical que beira o desespero, a absoluta irrealidade, onde seu corpo se arrasta no mundo como uma possessão, como uma nóia.
Nesse mundo hell, junto dela vive Jules (Hunter Schafer), garota trans, perdida, solitária, apaixonada, mas viva. Ela brilha, mas seu brilho não vem do sol, vem do glitter espalhado no seu rosto. Quando ela surge, ela ilumina as cenas como um globo de espelhos em uma festa vazia; festa de luz dolorosa, que explode como uma supernova, e morre em buraco negro, quando ela se depara com ela mesma. A obra de Levinson, apresenta Hunter Schafer com uma maestria bela rara: sua identidade de gênero é diluída com perfeição na trama, sem panfletar, existindo apenas com a força colorida e visceral de sua personagem.
Jules é o contrário visual de Rue, um espelho dos avessos, uma alma gêmea decepada — ambas habitando o mesmo vazio existencial. A direção utiliza a psicologia das cores como uma armadilha. Como uma droga lisérgica projetada na tela, em imagens que saltam na nossa direção, nos sequestrando pra dentro dessas festas frenéticas que elas habitam. Num vórtice poético, onde os figurinos e as maquiagens de glitter funcionam como armaduras de guerra, que mascara a tragédia iminente. No fim, todos se fodem e voltam pros seus abismos sem vida. A beleza técnica da série é o que torna esse desastre college suportável; não é culpa apenas dos pais — embora quase todos sejam medíocres — é o sistema que moeu esses sonhos e entregou os restos em alta definição.
Enquanto Rue e Jules são o coração quase que em AVC da série, o clã Jacobs é o seu esgoto. Cal Jacobs (Eric Dane), o patriarca que vive a farsa da família perfeita, ele é o arquétipo do sistema que apodreceu: um pai bosta que usa o privilégio para esconder desejos em quartos de motel, enquanto destrói a própria casa. Seu filho, Nate (Jacob Elordi), é o subproduto desse lixo, carregando a masculinidade tóxica como uma granada sem pino. Nate é um estandarte da beleza, da força e do desejo, ele é o símbolo do patriarcado, uma imagem honrosa que é criada para a gloria familiar, mas isso é casca. Por dentro ele é um jovem sem moral, caráter, e masculinidade de homem, que prefere ser temido a ser amado, ter uma aparência do que conteúdo. Seu fracasso moral, é o resultado do cemitério familiar seu, mas que não justifica que esse cadáver de sua criação, seja a régua e a bússola de sua vida.
E entre o lixo e o luxo desse esgoto cheio de cores, orbita Maddy Perez (Alexa Demie). Ela é a personificação da "garota que quer ser" em um mundo de aparências. Maddy usa sua estética impecável e seu olhar cortante como uma armadura de grife, escondendo uma carência que a faz aceitar o inaceitável. Ela e Nate formam um ecossistema de abuso e paixão plástica, um amor volúvel, um soft porn college que os nutre e alimenta, mas que depois se consome em fome sem fim. A autoconfiança dela não é sua força, mas uma aparência covarde, usada apenas como performance cara pra mascarar o medo de não ser ninguém sem os olhos dos outros sobre si.
Nas bordas desse inferno, Cassie (Sydney Sweeney) é uma boneca inflável de luxo, uma garota consumida por uma busca desesperada por validação, enquanto sua irmã Lexi (Maude Apatow) observa o desastre da plateia, transformando a dor alheia no seu próprio palco. E no meio do caos, Kat (Barbie Ferreira), a garota gorda que transforma sua imagem em mercadoria para fugir da rejeição, perdendo-se entre o empoderamento e a depravação. Todo nessa "Euphoria" são sombras sexualizadas brincando com armas carregadas de desejos, sonhos e ilusão num umbral de sujeira e glitter.
Homens, mulheres, adolescentes, héteros, gays e trans. Amigos, namorados, amantes, ficantes. Casa, colégio, motel, bar, festa, rua. Cocaína, maconha, heroína, crack, ecstasy, LSD, anfetaminas, inalantes, opiáceos e álcool. A 1ª temporada de Euphoria apresenta a juventude e a sociedade contemporânea como uma força que devorou o próprio mundo. O caráter dessa obra dá medo, pois escancara a nossa incapacidade de mudar o abismo em que vivemos. Mas mudar para quê? O mal virou foda e o bem agora se cancela. Todos amam, todos adoram, todos querem. Como tirar o osso da boca do cachorro? Não se dá joias aos porcos. O que é podre agora tornou-se belo. O abismo parece ser o lar justo para quem eles são.
Sam Levinson apresenta a série exatamente como a definição da palavra sugere: "um estado de bem-estar exagerado e artificial que precede a queda". Ele não filma apenas uma série; ele filma um diagnóstico onde a alegria é um surto e a dor é o padrão. O título reflete essa dualidade cruel: a euforia é tanto o brilho fugaz da luz quanto o caminho sem volta para as trevas.
Sexo, pornografia, estupro, pedofilia, bebidas, drogas, tráfico, violência, palavrões, Rue, descreve seu mundo finito, sua vida toxica de sonho e alucinação. As desventuras dela pela trama, junto com Jules, Cassie, Lexi, Kat, Nate, Fezco (RIP Angus Cloud), sua irmã Gia (Storm Reid), são destruídos pela ferocidade da juventude, da geração Z, que não mede consequências em viver aquilo que sonham pra ela.
No final todos os caminhos de Rue, se fecham. Sua vida cai, seu mundo se acaba e seu fracasso é quase capital. O balé da nóia do desfecho, beira a queda dos anjos invertida em corpos amontoados em ciranda, um vórtice de carne, suor e cantos gospel, em honra ao inferno entorpecente que recebe mais um viciado.
Big Little Lies (2ª Temporada)
4.2 491Tem Alguns Spoliers...
Se a primeira temporada de "Big Little Lies" era sobre um segredo, a segunda é sobre o peso esmagador da mentira. A série, que terminou com a união das cinco protagonistas em uma praia após a morte de Perry, substitui o alívio do desfecho pelo gosto amargo da areia e da agonia de quem tenta sobreviver a ela.
Mary Louise (Meryl Streep), a mãe de Perry, entra na trama como uma detetive emocional. Usando uma metodologia passivo-agressiva, ela busca desestabilizar Celeste (Nicole Kidman) e as outras mulheres. Mary Louise representa a negação absoluta; para ela, é impossível que seu "filho perfeito" fosse um monstro. Sua manipulação é sutil: ela não apoia a ex-nora, mas a investiga, aproveitando-se da fragilidade de uma mulher que, apesar de ter sido agredida, ainda amava o marido pelo seu "Lado A" — o de pai amoroso e parceiro magnético. Esse ciclo de dependência, onde paixão e violência se misturam, é o que torna o trauma de Celeste tão profundo.
Enquanto a sogra aplicava pequenas doses de veneno para tentar tomar a guarda dos netos, a diretora Andrea Arnold — que substituiu com maestria o saudoso Jean-Marc Vallée — deu força igual às subtramas das agora "Cinco de Monterey". O grupo transformou a amizade em um núcleo de resistência feminina.
Renata Klein (Laura Dern): De quase vilã a símbolo de resiliência. Renata precisa lidar com a falência causada pelas falcatruas do marido, entregando um dos momentos mais catárticos da série ao destruir o "templo" de brinquedos dele.
Madeline Mackenzie (Reese Witherspoon): Vê seu casamento ruir após uma traição vir à tona. Ed (Adam Scott), o marido que parecia perfeito, precisa lidar com a vergonha de ser o último a saber do adultério, revelando que até as bases mais fortes de Monterey escondem ressentimentos obscuros. Como diz o ditado: "todo castigo para o corpo é pouco".
Jane Chapman (Shailene Woodley): Tenta reconstruir sua vida afetiva após o trauma do estupro, enquanto Mary Louise se infiltra como uma víbora em sua rotina, tentando reivindicar o neto. Para Jane, a cura não é rápida como uma picada de pernilongo; é um processo lento de se sentir viva novamente.
Bonnie Carlson (Zoë Kravitz): É a alma dramática da temporada. A pacifista do grupo agora carrega o horror da culpa. A chegada de sua mãe traz lembranças amargas de abusos na infância, revelando que o empurrão em Perry foi, na verdade, uma projeção de toda uma vida de repressão.
A direção de Arnold mantém o DNA visual de Vallée, utilizando a lente crua e claustrofóbica para filmar a alma das personagens. A ponte de Monterey continua sendo o portal hipnótico: atravessá-la é como mergulhar em um sonho embaçado onde passado e presente se colidem.
O ápice ocorre no tribunal, quando Celeste recupera sua força como advogada e mãe, destruindo a máscara de Mary Louise ao exibir as evidências brutas da violência de Perry. É a libertação final.
A série encerra com uma emoção genuina, com as cinco amigas subindo as escadas da delegacia, provando que "a mentira as uniu, mas a verdade as libertará". Enquanto o segredo existisse, Perry continuaria vivo entre elas; ao confessarem, elas finalmente o enterram de vez.
Big Little Lies (1ª Temporada)
4.6 1,1KTem Alguns Spoliers...
Uma noite de gala, quatro amigas e um assassinato numa escola primária. Baseado no aclamado livro de Liane Moriarty e levado pras telas pra HBO por Jean-Marc Vallée, "Big Little Lies" nos leva para a luxuosa e gelada cidade litorânea de Monterey, Califórnia, pra desvendar a morte e um misterioso assassino.
Quem morreu? Quem matou? O mistério da trama, não é apenas sobre o assassino, mas também de quem foi a vítima. Começa com os depoimentos dos outros pais da escola, como num coro grego de fofoqueiros, eles narram os eventos com julgamentos preconceitosos, invejosos e interesseiros, enquanto nós vemos a verdade nua e crua sendo descascada nas telas. A narrativa volta no tempo pra nos mostrar os meses que antecederam o crime, focando na vida de quatro mulheres:
Madeline (Reese Witherspoon), uma força vibrante da natureza. Energética e engraçada, ela lida com o ressentimento de ver o ex-marido com uma mulher mais jovem e "zen".
Celeste (Nicole Kidman), a imagem da perfeição. Rica, linda e casada com um homem fodão. Mas, por trás das portas fechadas, ela vive um relacionamento abusivo e extremamente violento.
Jane (Shailene Woodley), a novata da cidade. Uma mãe solteira, jovem e misteriosa que carrega um trauma terrível de uma agressão no passado e tenta eaconder e proteger seu filho, Ziggy.
Bonnie (Zoë Kravitz), a zen, a jovem instrutora de ioga, que parece estar fora da bolha de estresse e vaidade de Monterey, mas ela apenas parece. Observadora e silenciosa, ela é a única que percebe que algo está errado entre Celeste e o marido.
Vallée, faz você esquecer da história principal com subtramas nervosas de mulheres ricas, que vivem os dramas e emoções da vida de favela.
Para o mundo, Celeste e Perry, são o casal perfeito, mas na intimidade, o marido é um agressor volátil. A violência misturada a paixão, faz você observar um drama complexo onde a negação faz a personagem se iludir e justificar a violência do marido, tentando convencer a si mesma (e a terapeuta) de que ela também tem culpa.
Jane mudou-se para Monterey pra fugir e ao mesmo tempo, encontrar o homem que a estuprou anos atrás, resultando na gravidez de Ziggy. O trauma dela e como ela se sente em meio a mulheres ricas, afeta sua vida e de seu filho, fazendo se sentir estranha e inferior a elas e ganhando um alvo nas costas por ela ser pobre.
Madeline é a fofoqueia mor, lingua afiada, raciocínio rápido, ela age como uma líder nata, tomando a frente de tudo, acertando muito, mas trocando os pés pelas mãos quase sempre. Ela sofre com uma especie de sensação de obsolescência, vendo sua filha mais velha se distanciando e tendo sua identidade de mãe ameaçada pela nova esposa de seu ex-marido, a Bonnie (Zoë Kravitz). P.S. Madeline carrega a culpa de uma traição no casamento antigo, que sempre que pode, volta a assobrar sua relação atual.
O roteiro é brilhante porque interliga os dramas de de cada personagem de forma invisível até o último episódio. O bullying na escola gera a guerra entre as mães, que traz à tona o passado de Jane, a relação desgastada de Madeline com seu marido, com o ex, com Bonnie e com sua filha. O colapso de tudo é incrível. Quando o assassino e a vítima, finalmente são revelados, a sequência mostra que o assassinato não é um ato vil de vilania gratuita, mas um ato de sobrevivência.
Jean-Marc Vallée, impõe um ritmo quase hipnótico na sua direção. A montagem que ele usa, mostra sons de ondas, imagens embaçadas, em flashbacks rápidos que dão a sensação de que estamos dentro da cabeça confusa, ansiosa e atormentada das personagens.
A linha do tempo é um vórtice caótico de dramas fortes, onde passado, presente e futuro se colidem em momentos de dor, alegria, raiva e paixão, mas sempre com a morte pariando tudo do início ao fim, com a imagem da ponte, sempre sendo atravessada com carros, que parecem levar quem assiste, não para só um lugar físicoda história, mas para as memórias secretas das personagens.
"Big Little Lies", desconstrói o mito de homem, mulher e família perfeita. A cidade, os personagens e seus atos, ficam sob pressão constante, que explodem nos momentos finais, fazendo até que inimigas habitais, se unam contra um perigo comum e ainda pior:
"o homem/esse tipo".
- monstro, covarde e abusador.
Objetos Cortantes
4.3 873"...E Clarisse está trancada no banheiro,
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram...
E a dor é menor do que parece.
Quando ela se corta ela se esquece.
Que é impossível ter da vida calma e força..."
A "Clarisse", do Renato Russo, é um retrato turvo, mas sincero de Camille em "Objetos Cortantes". Camille Preaker (Amy Adams), ė uma jornalista que precisa retornar à sua cidade natal, Wind Gap, para cobrir o assassinato de duas adolescentes. Mas esse crime brutal é quase um pano de fundo para o verdadeiro horror que ela vive de reencontrar a mãe obsessiva, Adora e a meia‑irmã adolescente, Amma. Precisando assim, reviver os traumas antigos, que deram nome na sua pele.
Sem amor se mãe, indiferença do pai, e uma mistura de adoração e raiva da irmã, Camille tenta desvendar os crimes, mas a medida que descobre algo, seu passado cai sobre ela, como uma avalanche de dor. Os traumas da infância perseguem Camille, como um fantasma, uma obsessão, mas como um alerta, que os demônios que ela tenta encontrar, são pequenos, se comparados com os seus.
"Malvada, Errada, Conserta, Farrapa, Menina, Vaidade, Cereja, Cortante...".
A automutilação não é um desejo de morrer, mas uma tentativa desesperada de se sentir viva, de tentar controlar a dor. Cada cicatriz no corpo dela é uma e uma memória viva, um grito escrito na navalha, uma tatoo de carne e sangue que descreve a dor muda que ela vivia dentro de sua casa e de si mesma.
O passado e o presente, se fundiam com alucinações onde a realidade se perdia, e uma psicopatia era quase vivida. Os assassinatos deixaram de ser o foco da trama; o grito interno de Camille passou a ser o protagonista da trama. Tinha uma tragédia na sua infância, a morte da irmã era cono se fosse a sua. Marian, parecia um fantasma, uma obsessão, mas era Camille que parecia uma assombração em sua própria vida.
Ela não vivia, ela se arrastava pela vida, o jornalismo era uma vitrine quebrada que ela usava pra sobreviver as suas dores. A aberração de suas mutilações, era quase que uma droga, "Quando ela se corta ela se esquece". É degradante e penoso, assistir a forma que ela encontrou de esquecer seus traumas e suas dores. O alcoolismo não é nada perto das marcas que ela faz na sua pele.
A mãe, Adora (Patricia Clarkson), é uma incógnita negativa. Você não sabe se ela está doente ou se ela é ruim mesmo. A apatia e o asco, que ela sente por Camille é tão doentio, quanto o cuidado que ela tem por Amma (Eliza Scanlen), sua protegida filha, que trancada dentro de casa, tinha uma casinha no quatro para brincar.
A brutalidade dos assassinatos, contrasta com o clima bucólico e calmo do interior, reforsanso o medo que dá em admirar para lugares belos, sem saber os perigos que eles escondem, como escorpiões nas almofadas de seda. A aparência de cidadezinha conservadora, esconde uma sociedade que vive pra manter isso, custe o que cuatae. Seus véus, são como mortalhas que só quem é de fora que enxerga.
A cidade está aprisionada a tradições doentias, da mesma forma que Camille está presa aos traumas da infância. Ambas estão apodrecendo por dentro enquanto tentam manter as aparências. A atmosfera Pesada do Missouri, é sentida não pelo calor, mas pela sensação de claustrofobia e suor, onde tudo parece pegajoso e escondido, me fazendo crer que o a cidade fica dentro de um cemitério.
A investigação corre em meio ao embates com a mãe, a misteriosa inércia do pai, a dualidade de sentimentos da irmã, flashbacks, pressão da polícia e a estranha paixão por Richard Melina (Chris Messina), um detetive que investigava o caso. Estranha, porque a forma que Camille se relaciona sexualmente, é algo perto da doença.
Para Camille, o toque físico é um conflito: ela quer ser amada, mas tem pavor que alguém leia as palavras em seu corpo e descubra quem ela realmente é. Isso serve para mascarar o vazio que ela sente por ela é pela vida. As palavras em seu corpo revelavam uma história dolorosa, onde cada narca é um capitulo em sua memória. Mas na relação existe uma vergonha profunda, uma necessidade de ser vista por alguém que não a julgue. Mas isso é impossível. O corpo dela todo marcado é um horror. Chega a ser torturante só de olhar.
Led Zeppelin é um escudo, um rugido pro seu trauma, o som da banda representa o caos interno de Camille. Quando ela coloca os fones de ouvido ou liga o som do carro, ela está criando uma barreira entre ela e o mundo sufocante de Wind Gap.
In My Time of Dying, Thank You, What Is and What Should Never Be, The Rain Song, Going to California, Babe I'm Gonna Leave You, I Can’t Quit You Baby, I'm Gonna Crawl, Lemon Song, In the EveEvening.
As músicas são quase como uma vacina, pra o que ela sentia. Elas são um personagem, não são um enfeite. É uma forma que Camille usa para processar o passado e não se perder no presente. As canções servem para fundir suas memórias com a realidade, mostrando que ela nunca saiu verdadeiramente de Wind Gap.
"Don't Tell Mama"
O final é um dos maiores porradas no estômago da TV nos últimos anos.
Amma era o monstro criado pelo sufocamento de Adora. Enquanto Camille internalizou a dor se cortando, Amma externalizou a dor matando outras meninas para manter a atenção total sobre si.
"Muito dos maiores demônios que nosso mundo conheceu, foram criados dentro de suas próprias casas".
The Last of Us (2ª Temporada)
3.5 463 Assista AgoraTem Alguns Spoliers...
Olha minha gente videogamezeira e povo do filmow que aguenta meus comentários, eu não quero ser o selvagem da resenha, mas puta que pariu. Que merda foi essa? Essa 2ª temporada de "The Last of Us", foi mais que um chute nos tomates da gente. Foi uma mordida de zumbi crepúsculo na bunda!
Matar o herói da história, com toda a trama foda de pai traumatizado e filha ranheta, pra substituir tudo por uma vingança de casal lésbico? Sério mano, esse povo woke, deve ter virado zumbi ou ter sido picado por algum mosquito chikungunya da vida.
Se essa desgraça fosse igual ou melhor que a temporada anterior, beleza! Palmas pro talento e criatividade! Mas essa sequência é pra esquecer, e fazer de conta que a história de Joel e Abby, acabou no final da 1ª temporada e que os dois viveram feliz para sempre naquele apocalípse infeliz, até que o fungo cordyceps os separe.
A trama é muito arrastada, forçada e com clichê fora de órbita, dando o protagonismo da história pra uma personagem que não foi feita pra ter esse holofotes todo. Foi como eu estivesse assistindo um filme do Batman com o Robin, e visse o Homem Morcego, sendo morto na história para dar lugar pro Menino Prodígio.
Eu não conheci o jogo, mas perguntei pra uns amigos que eram fãs, e eles me falaram que no Playstation, esse jogo foi uma decepção global. E que ainda na série, eles mudaram muita coisa. Hãã? Então o ditado "Não há nada de ruim que não possa ficar pior", virou lei? Pegar uma história que não é boa, e fazer que ela fique mais ruim, era incapacidade, burrice, catarse geral no estúdio? E agora virou norma?
Tem cenas e momentos de muita ação, tiroteio, mas depois que o Joel é assassinado, fica um buraco na história, e que depois que vira um abismo do inferno, quando a Ellie tenta preenchê-lo. Fora também o lance dos doidos dos Serafitas e Lobos (WLF), que ficam numa briga besta e sem noção de religião e exercício, coisa de Mad Max, mas de baixo clero.
A ideologia woke assalta a trama de vez, e toma as rédeas da ações, fazendo o sabe fazer nos filmes de hoje. Homens quando não são estupradores, são um bando de pamonha que serve as mulheres. E elas por sua vez, ganham super abilidades e super força, sem que você consiga entender como. E com a absurda evolução marcial e atomica da Ellie, nas cenas de luta.
Nas cenas de tensão da jornada de vingança de Elliee sua amiga, vemos uma tagarelice sem fim em lugares perigosos, onde um peido alto e ardido, leva qualquer Jason Stanton a morte. E o papo que rola entre elas é melhor nem comentar...
Nos últimos episódios, tem gravidez, eu te amo, lutas forçadas, um pamonha morto, sorte ridícula e um desfecho que sinceramente em respeito a tudo que foi feito na temporada anterior, eu gostaria que terminasse ali mesmo, do jeito que está e sem final. Tipo: apaga a luz e vai embora.
P.S. Essa sequência de "The Last of Us", não parece uma série da HBO, mas sim coisa da Netflix.
The Last of Us (1ª Temporada)
4.4 1,2K"The Last of Us", um dos maiores jogos de PlayStation de todos os tempos, ganha uma série foda na HBO, que agrada tsnto os videogamezeiros, quanto os serinéfilos de plantão.
Eu não joguei "The Last of Us" e, aliás, joguei poucos games de PlayStation na vida. Mas é muito bom quando se ouve uma coisa dessas, pois sabemos que diretores e produtores de cinema, muitas vezes, pouco se importam com o trabalho original. Eles só querem uma nova ideia pra mudar quase tudo e vir com aquela lorota, falando que cinema é diferente, que é preciso mudar as coisas, blá‑blá‑blá, pra depois dizer que a obra é deles. E, claro, ganhar rios de dinheiro.
A série acompanha Joel (Pedro Pascal), um homem traumatizado pela perda da filha no dia do surto, que é encarregado de escoltar Ellie (Bella Ramsey), uma adolescente imune ao fungo cordyceps, através de uma América devastada. Em um clima de filme e série de zumbi, eles cruzam zonas de quarentena militares, cidades em ruínas e comunidades isoladas, enquanto a relação entre os dois evolui de obrigação fria para um vínculo quase pai‑e‑filha.
Pai herói, garota ranheta, monstros, perigos, caos e destruição. "The Last of Us" acerta em cheio na história e usa esses clichês de forma inteligente e emocional, com uma produção impressionante que faz qualquer fã do gênero babar igual zumbi.
O episódio inicial mostra o colapso social, com o início da infecção e a perda de Sarah, filha de Joel, que fica traumatizado por anos. Num mundo caótico e dominado por uma guerra civil, ele aceita levar Ellie até um grupo de rebeldes chamado "Vagalumes", que tenta criar uma vacina.
Depois, a série vira uma jornada incrível em um mundo apocalíptico, que lembra filmes como "Eu Sou a Lenda", com o Will Smith, "Aniquilação", com a Natalie Portman, e "Os Invasores de Corpos", do Philip Kaufman, clássico com o Donald Sutherland. Ao longo do caminho, a dupla se conhece melhor e estabelece um sentimento que é a alma da série. Os episódios apresentam momentos marcantes, que fazem a gente esquecer, por alguns instantes, as dificuldades e os horrores do mundo perdido em que eles vivem, e até da missão que carregam.
Nos episódios finais, o bicho pega feio! Depois de passarem por uma comunidade onde Tommy, irmão de Joel, vive, Ellie é capturada por um grupo de canibais liderados por um pastor maluco, que obriga a garota a tirar a açougueira que existe de dentro dela. A coisa fica braba. Quando eles finalmente encontram os Vagalumes, Joel descobre que a cura implica na morte de Ellie. Sem pensar duas vezes, ele decide massacrar o grupo todo pra resgatá‑la, metendo o louco e afirmando depois que não havia outra opção.
Como eu disse lá em cima, eu não conhecia o jogo e gostei demais de "The Last of Us".
Visualmente a série é incrível. Produção impecável, cenários detalhados, maquiagem de infectados impressionante e uma fotografia que alterna entre a brutalidade cinza das cidades e uma natureza cheia de cores, que mostra ela retomando pra si os espaços que eram dos humanos.
Pedro Pascal e Bella Ramsey sustentam a série com interpretações opostas, transmitindo dureza e vulnerabilidade, violência e ternura, sem depender de grandes cenas cheias de discurso. HBO acerta em cheio. Com um pouco de cérebro, talento e boa vontade, grandes livros e games podem, sim, virar séries e filmes à altura das obras originais.
Duna: A Profecia (1ª Temporada)
3.6 73 Assista AgoraOs impérios mudam, o homem não. Seja no passado onde o tempo se esqueceu, nos perturbadores dias presentes ou num futuro a milhões de anos-luz; na Terra ou na borda do nosso universo, uma verdade permanece intacta: 'O ser humano é escravo de suas próprias paixões'.
'Duna: A Profecia' é uma série de ficção científica que é um espelho da nossa própria história. Um thriller político e psicológico que mostra que, mesmo entre estrelas e naves imensas, os impérios galácticos são construídos sobre os mesmos alicerces das paixões dos impérios da Terra.
As sagradas paixões humanas — orgulho e vaidade, os pecados favoritos presentes em textos bíblicos — ainda são a pedra angular que rege planetas e galáxias nesse império brutal criado nos clássicos livros por Frank Herbert. A adaptação de Denis Villeneuve para o cinema foi algo grandioso, e a HBO mantém o nível com uma série digna, honesta e muito bem realizada.
Diferente de produções que tentam higienizar o futuro, a série mergulha em uma estética brutalista e opressora. Aqui, o cenário não é um enfeite; ele é um personagem que esmaga os indivíduos que vivem nele. A história, situada 10 mil anos antes da saga de Paul Atreides, foca na fundação da ordem das Bene Gesserit, mas o que vemos é um venenoso jogo de xadrez humano.
O que separa os homens das crianças, ao comparar com outras séries, é como a história tratou essas mulheres. Se fosse em outra produção por aí, teriam transformado as irmãs em heroínas de ação 'marvoletes' genéricas. Aqui, elas são verdadeiras bruxas: mulheres frias e calculistas, as engenheiras do caos, do destino e da morte. Ver Valya Harkonnen operando nas sombras não é sobre poder físico; é sobre a crueldade da paciência em forma humana. Elas tratam o Império como um laboratório e as linhagens reais como gado.
A figura perturbadora de Desmond Hart é a imagem do caos. Ele é o contraponto do controle gélido das Bene Gesserit, sendo literalmente o fogo do inferno contra elas. Hart traz o elemento do desconhecido, o fator humano — ou algo sobre-humano — que ninguém consegue prever. O mistério sobre suas verdadeiras intenções e a influência quase hipnótica que exerce sobre o Imperador transformam o clima da série.
Ele não é o vilão clichê de explosões; é o parasita que se infiltra no sistema, um homem que carrega um segredo vindo das areias de Arrakis que desafia até a lógica da Irmandade. Sua presença é o lembrete constante de que, por mais que se tente calcular o futuro, o caos sempre encontra uma brecha para construir uma nova ordem.
O elenco entrega o peso que a história exige, com atuações que mostram a autoridade de quem carrega o destino da humanidade nas mãos. A produção é impecável, respeitando o visual limpo, árido e místico que Villeneuve estabeleceu.
A 1ª temporada de 'Duna: A Profecia' é um suspense psicológico, uma trama palaciana com personagens que inspiram e assombram nosso mundo com suas ilusões mundanas de poder. As armas parecem as mesmas, mas o veneno delas está nos diálogos e na 'Voz', que são ferramentas de opressão, controle e maldade.
A série mostra que, no universo de Duna, não existe a honra de um cavaleiro branco com o brilho de um sabre de luz e palavras bonitas. Ela apresenta um mundo medieval futurista, rústico, cruel e injusto, que domina um universo que não é um mar de estrelas, mas um caos de dor e escuridão.
A série é uma obra madura que respeita o espectador, mas, embora seja excelente, o cinema ainda é o trono de Duna."
Alien: Earth (1ª Temporada)
3.2 274Enquanto o "Alien, o Oitavo Passageiro" de 1979 e o recente "Alien: Romulus", mergulham em um futuro pessimista, opressor e sujo "Alien: Earth" parece que se passa num parque da Disney em Orlando. A estética clean, colorida e higienizada, joga você para dentro de um capitulo perdido do "Divergente" e de franquias adolescentes, do que no universo visceral de Ridley Scott. Ao trocar o óleo de máquina e a escuridão por cenários modernos e brilhantes, a direção removeu o elemento primordial da franquia: o medo do desconhecido em um mundo que já não tem esperança.
O que fizeram com a série não foi uma modernização, foi uma profanação. Parece que os roteiristas, diretores e produtores olharam para o legado de terror, suor e desespero do filme de 1979 e decidiram que o público atual é frágil demais para isso. O resultado é uma obra covarde, feita sob medida para a geração Nutella que nunca sentiu o peso de um futuro opressivo e que está acostumada com heróis da Marvel de CGI e dramas adolescentes de shopping center.
Trocaram a sobrevivência bruta e desesperada, por uma trama infantil, num futuro feliz, só faltando ter uma margarina na mesa do café da manhã, com pão quentinho. É um comercial de sabonete, higiênico, clean, com crianças vivendo em corpos de adultos.
Eu ainda estou tentando aceitar, assimilar, entender e decifrar, qual foi a lógica desse roteiro. Trocar o futuro cyber punk apocalíptico do gênero, por uma estética genérica de streamings da vida, mostra que esse povo jamais não entendia o que eles estavam produzindo.
É constrangedor falar, é vergonhoso até de imaginar, mas o que o Peter Pan, tem haver com a franquia. Serio, como que o Peter Pan, Wendy e os Garotos Perdidos conseguiram servir de inspiração para a historia e personagens da série?
Ao misturar a mitologia do Alien com as metáforas infantis do Peter Pan, a série comete um crime mortal. Transformaram o terror cósmico, o slasher de espaço, que fez todo mundo se sentir insignificante e com medo, numa historinha de ninar pra adolescente com medo de escuro. Isso foi a castração da criatura mais letal da ficção científica da história do cinema
Isso é um insulto pra quem conhece a força de uma Tenente Ripley ao ver o DNA da franquia ser diluído nessa estética de plástico, transformando o pesadelo industrial do filme do Ridley Scott, em uma fábula colorida sem alma e sem perigo.
O elenco fraco e infantilizado, parece ter sido criado na bandeja do Mac Donald's. Saem os operários brutos e os fuzileiros navais traumatizados, entram jovens sem expressão, com rostos de capa de revista que não transmitem um pingo de desespero. A série trocou a sobrevivência visceral por um elenco que parece estar mais preocupados em representar gêneros, raça e cultura, do que ser qualquer coisa com medo de ter uma criatura explodindo no peito.
A Wendy (Sydney Chandler) é o maior exemplo dessa infantilização. Por ser uma híbrida/meta-humana com cérebro de adulta e corpo/atitude de jovem, ela vira quase uma super-heroína, lembrando muito os X-Men em cena do que um filme do Alien. Isso mata o terror, porque no Alien, o medo vinha da vulnerabilidade humana, e a protagonista é especial, o Xenomorfo deixa de ser uma ameaça absoluta pra eles.
A série ignora o DNA anticapitalista da franquia. O pedadelo de firma "Weyland-Yutani", que deveria ser a vilã corporativa definitiva, aqui parece uma startup de bem-estar, do Vale do Cilicio. Onde está a escravidão humana, a miséria cyber, o medo do futuro e o visual apocalíptico? Eles transformaram uma distopia de pesadelo em uma utopia colorida e vazia.
"Alien Earth", é o parasita que ninguém pediu, nasceu de uma ideia preguiçosa, alimentou-se do nome de um gigante e entregou uma carcaça oca que não serve nem para ser esquecida! É a destruição da franquia, que vende sua alma pra alegrar uma nova geração que não sabe o que era um metiolate na ferida, quando mais o sangue ácido do bicho.
É quase que um mundo da Barbie, onde o Xenomorfo é um pet correndo no pe dela. A 2ª temporada vai ser baseada em que? "Alice no País das Maravilhas? "Branca de Neve? Depois disso, tudo pode acontecer.
P.S. A Disneyficação e a Marvelização dos filmes, destruiu a ficção científica no cinema.
Pinguim
4.4 292"Os monstros mais perigosos são aqueles que nascem dentro das próprias casas, vivem como aves feridas no abraço da família e bebem no seio da mãe, mais que todos."
"Pinguim", mostra o submundo podre de Gotham, apresentando um dos maiores inimigos do Homem Morcego, numa abordagem totalmente nova e distantes dos filmes e séries do cinema e televisão.
A série acompanha a ascensão de Oswald Cobblepot, o Pinguim, no submundo de Gotham após a morte de Carmine Falcone. Oz é como é conhecido, é um ex-motorista da máfia, que virou um figurão da cidade, após os eventos do filme "The Batman", do Matt Reeves.
Com uma abordagem de Família Soprano, o Pinguim é desossado nessa série mostrando a atividade de um homem maléfico, inteligente e ardiloso, que se aproveita da queda de um rei, para tomar a coroa para si. Com Colin Farrell vivendo o personagem, a trama destaca a complexidade do vilão, explorando seus medos, e suas inseguranças na busca sangrenta pelo poder.
A história começa logo após o final do "The Batman", mostrando o caos que esta Gotham, inundada e com um vácuo ocupado pela máfia. É aí que o coxo Oz Cobb, agarra a chance de deixar de ser apenas o capanga para tentar virar o dono da cidade. Mas no caminho manco dele está Sofia Falcone, vivida pela Cristin Milioti, que acaba de sair do odioso hospício de Arkham e entra numa guerra psicológica e violenta contra o Pinguim, com cenas de tirar o fôlego.
Colin Farrell dá vida a um psicopata capaz de fazer qualquer coisa pra conseguir o que quer. O homem ruim que ele apresenta, constrata com a Sofia Facone, uma mulher com um passado que é um verdadeiro desespero, que acabou fazendo dela uma vilã fatal e fria, sendo pedra venenosa no pé deformado de Oz.
Cristin Milioti, roubou a cena, tendo um protagonismo inesperado, dividido a trama junto de Farrell. As dores e as tragédia do passado, junto com as ardilosas decisões da família, jogaram a personagem pra uma aspiral de traições, crimes e morte. A subtrama dela ganha toma o protagonismo do Pinguim, com cenas de pura máfia italiana, mas com um veneno de Roma, e suas tramas palacianas.
A atmosfera de terra arrasada, ultrapassa a Sin City do filme do Reeves, transformando a cidade quase num campo de guerra. Sem Batman e comissário Gordon, a Gotham é da máfia, fazendo da ascensão de Oz, um dos momentos mais marcantes que a DC, já teve nos últimos tempos.
Gotham parece uma cidade de verdade, como Nova York ou Chicago nos anos 70, transforma muitos momentos da trama, num retrato vivo dos dias de hoje. A captação de Victor Aguilar (Rhenzy Feliz) pelo Pinguim, mostra o tráfico pegando suas crias pro trabalho, a relação de Victor com Oz, beira quase a de um pai bandido, para um filho da rua. Lembrou muita história de adolescentes que caíram pro crime, por causa de uma roubo beata, se comparar o que Victor se transformou depois.
As manipulações do Pinguim, são o ponto alto da série, que leva a trama perto da loucura, onde a sorte bate de frente com a inteligência. Os flashbacks do Oz e da Sofia, são foda! Um é ruim até o osso desde pequeno, a outra foi traída e transformada num mal necessário para sua própria família.
A HBO, não brinca na produção, a série é impecável, a cenografia do filme do Reeve, é mantida sem perder nada do clima genial construído. A fotografia, é toda direção de arte fizeram o que poucos filmes do Batman, não conseguiram. Mas o que chama a atenção é a maquiagem do Colin Farrell pra viver o personagem.
As sequências finais são foda! A vingança de Sofia, o plano do Oz, as traições, as mortes e o desfecho, fizeram de "Pinguim", uma das grandes séries que eu assisti nos últimos tempos.
Batman
4.0 1,9K Assista AgoraFilmes do Batman, são sempre um acontecimento no cinema, e esse "The Batman", foi um dos maiores!
Matt Reeves o filme traz um tom mais sério, sombrio e investigativo para o universo do personagem. O Robert Pattinson interpreta um Batman mais jovem, em início de carreira, que comete erros, mas que precisa lidandar com a podridão de Gotham.
A Gotham desse filme é que verdadeira Cidade das Sombras, um lugar onde a chuva nunca termina, que vive uma noite quase eterna, parecendo que nunca amanhece. Um mundo opressor e corrompido, onde o mal reina em cada esquina. Sendo com pessimismo, um noir de moderno, que lembra os filmes policiais da velha Hollywood, onde um herói sem capa precisa decifrar enigmas para pegar um assassino.
O mistério envolve o Charada, com uma atmosfera quase doentia de mistério. O lado detetivesco do herói é mostrado de forma magnifica! Esqueça o brilho de outros filmes, o Batman de Robert Pattinson é melancólico, traumatizado, não dorme, vive para a vingança e está sempre com o olhar pesado. Ele quase não parece como o Bruce Wayne "rico", ele é o um Bruce Wayne jovem, abandonado, vivendo o Homem Morcego o tempo todo.
O elenco inclui Zoë Kravitz como Mulher-Gato, Jeffrey Wright como Comissário Gordon, Colin Farrell como o Pinguim e o Charada como Paul Dano. Todos com suas personalidades mutiladas e corroídas por Gotham, que como um personagem vivo, devora à todos como um demônio disfarçado de cidade.
A trilha sonora é poderosa, o tema central ganha forma nas cenas de ação como um tiro ba noite. A fotografia é uma mortalha jogada nos nossos olhos, mostrando um cenário de sonho ruim e pesadelo, com cores escuras reinando, mas com o vermelho sangue, o mais próximo da luz que o filme mostra.
Como em todo filme do Batman, o carro continua sendo um dos pontos altos. Aqui ele não é um tanque de guerra tecnológico, mas sim um "Muscle Car" envenenado, barulhento e assustador. A cena da perseguição com o Pinguim é foda.
O desfecho para mim, continua sendo um dos pontos fracos do filme, por causa da inundação da cidade. Mas isso é coisa minha, acho que o roteiro poderia ter explorado outras possibilidades do que essa mostrada.
"The Batman" do Matt Reeves, envelheceu muito bem! A adaptação é foda, o diretor constrói uma atmosfera que superou minhas expectativas. A Gotham City, é a quase que a Sin City do Frank Miller, e a história, poderia ser escrita paras as duas. A atmosfera de medo é pulsante, o trabalho de fotografia, cenários e direção de arte, joga a gente para um pesadelo vivo.
A roupa do Batman, o carro, a caverna e a mansão, mostram quase que um mundo do Sandman. Robert Pattinson abandona de vez o brilho vampiresco do passado, mostrando uma performance marcante, junto de um elenco que virou os personagens dos avessos, com atuações incríveis!
Gostei muito de ter revisto! Tomara que esse Batman do Matt Reeves, tenha um espaço paralelo nesse universo zuado do James Gunn. Perder isso, seria o fim da DC.
It: Bem-Vindos a Derry (1ª Temporada)
4.1 361 Assista AgoraTem Alguns Spoliers...
Se você achava que Derry era perigosa nos anos 80, "Bem-Vindos a Derry" te leva de volta aos anos 60 para mostrar que o buraco é muito mais embaixo. Se no começo nós achávamos que Pennywise era apenas um palhaço assustando crianças, "Welcome to Derry" mostra que estamos lidando com um ser cósmico destruidor de mundos e que adora se divertir fazendo isso.
A série consegue resgatar aquele terror visceral do primeiro filme, com uma estética visual muito mais orgânica e notavelmente assustadora. Esqueça o CG mais fantasioso do "It: Capítulo 2", aqui o terror é sujo, o sangue parece real e a atmosfera de Derry são sombrias e densas.
A ambientação dos anos 60 traz um ar de inocência perdida em meio ao caos das várias revoluções da época, situação que combina perfeitamente com a crueldade do palhaço, mostrando que a Coisa e Derry são um organismo só. A cidade nos anos 60, com todos aqueles conflitos reais, faz o palhaço parecer ainda mais perigoso, porque usa a maldade humana como tempero, contra eles mesmos.
Derry é uma ferida aberta com pus, e Pennywise é quase como uma infecção nela. Ele não aparece só para dar sustos, ele se infiltra nas feridas da cidade. O horror humano, com o preconceito racial, a violência policial e a presença militar, são tão perturbadores quanto o palhaço. Mostrando que em Derry, o mal não está só no bueiro, mas sim na luz do dia e nos olhares de cada vizinho.
O "Clube dos Perdedores" dos anos 80, se chamava antes de "Clube da Aviação", por causa do forte apelo de conflitos da época, onde os heróis que exitiam eram os reservistas ou militares da época. Enquanto o grupo dos anos 80 tinha aquele espírito de aventura de Sessão da Tarde, a turma de "Bem-Vindos a Derry" carrega as cicatrizes de uma época muito mais brutal e pesada. O drama deles não é só crescer e se jogar no mundo, como foi a turma dos anos 80, vinte anos atrás, essa turma nova mostrava que sobreviver a um sistema que já os odeia pode ser um vilão muito maior do que esse palhaço cósmico.
Lilly (Clara Stack), Will (Blake Cameron James), Rich (Arian S. Cartaya), Ronnie (Amanda Christine) e Marge
(Matilda Lawler), são o novo grupo de jovens que tentam sobreviver aos ataques do monstro do espaço e do monstros da terra. "Bem-Vindos a Derry", não perdoa seus personagens minris, é impressionante a forma que a história constrói cada um, sem pena de precisar matar eles se precisar.
Mas não é só da turma dos Perdedores do passado que a série se concentra. Os personagens adultos têm um destaque quase maior que a molecada. O grupo dos militares são a força motriz por trás dos adolescentes. A série traz um peso histórico muito grande através dos personagens negros em Derry.
Leroy (Jovan Adepo) e Charlotte Hanlon (Taylour Paige), país do Will, ganham um protagonismos real e palpável, mostrando a luta contra o preconceito racial em meio ao caos das mortes e dos misteriosos desaparecimentos na cidade. Com presença e atuações marcantes em momentos de ação e aquele terror genuíno que particularmente eu adoro na franquia.
Bill Skarsgård se diverte com seu Pennywise, ele não só espande o personagem, como também apresenta um lado muito mais sádico como em nenhum dos filmes. Aqui ele se lambuza de alegria, fazendo o mal e devorando as crianças com gosto. Bill Skarsgård parece ter ligado o modo "mestre de cerimônias do caos". Ele não está apenas caçando, ele está se divertindo com a desgraça alheia de um jeito quase artístico.
A Alegria Maligna que o ator dei ao Pennywise, trouxe um brilho no olho que não víamos antes. Ele ri das tentativas de defesa do grupo e dos personagens que conhecem sua existência. É uma alegria sádica, como se ele estivesse saboreando o drama pesado dos anos 60 com suas crises e lutas sociais. Para ele o sofrimento do racismo, a perda, a dor, é como um tempero a mais, num banquete que se tornou um luxo.
Nos episódios finais, quando o cerco se fecha, as cenas se tornam alarmantes, com uma situação que explode a bolha dos grupos. Pennywise mostra quem ele é realmente, e o tamanho do seu poder. O sangue começa a jorrar de forma mais orgânica e visceral, o monstro parece se alimentar da própria atmosfera de desespero que ele criou, não pupando nada a sua frente.
Ele não dá apenas o susto, Pennywise humilha os personagens. Ele brinca com sua identidade, em flashbacks impressionantes, e durante sua missão alimentícia, ele ainda buscauma forma a mais de alarmar as pessoas. Skarsgård conseguiu mostrar que nos anos 60, o Pennywise era somente o dono da rua. Ele era um ser cósmico exilado por algum deus Lovecraftiano, e que caiu numa cidade certa, numa Sodoma americana, sem anjo para destruir, mas com um demônio para os punir.
Derry não é o mundo do Pennywise, mas apenas o prato dele. O final tem uma escala monumental, mas com um desfecho de quatro paredes, num lugar onde o futuro encontra o passado.
Série fantástica! Stephen King deve estar orgulhoso.
It: Capítulo Dois
3.4 1,5KTem Alguns Spoliers...
O primeiro filme foi sobre o despertar do medo, mas agora "It: Capítulo 2", é uma ficção com o peso do trauma na vida adulta. Andy Muschietti volta para fechar o caixão da obra do Stephen King, com uma filme que escala o horror do bueiro para níveis cósmicos, com um pouco de fantasia, mas sem perder a essência do oitentismo da época.
Finalmente eu fiz as pazes com essa sequência, a revelação de que o Pennywise não era apenas um monstro de terror, mas uma entidade extraterrestre, foi descepicionante pra mim. Porque quando assisti eu esqueci completamente que "It - A Coisa", é mais um filme adaptado do Stephen King, que é um escritor que mistura terror e ficção como ninguém.
O "It" do King, tem duas fases, mas é um livro só. E Andy Muschietti foi tão foda, que conseguiu divir o livro em dois filmes distintos. O primeiro é um terror puro, desses que vira clássico Instantâneo. Já essa sequência, a ficção toma a frente por causa da revelação bombástica sobre o temido palhaço Pennywise. Coisa absurda para mim e pra muita gente na época. Porque no cinema quando você revela a origem de um monstro, o monstro acaba. E foi isso que aconteceu para mim quando assisti pela primeira vez.
Com sabedoria cinéfila, e uns papos com alguns fãs do escritor, eu entendi que It, a coisa, o palhaço, o Pennywise, por mais que seja um dos personagens mais demoníacos e marcantes dos filmes de terror em todos os tempos, ele sempre foi um alienígena! Isso não é foda? Andy Muschietti, guardou plot como poucos diretores de cinema e fez dois filmes geniais, respeitando a obra original, que provocou emoções diferentes nos dois filme: Amor no primeiro e ódio Jason no segundo.
"It: Capítulo 2" mergulha fundo na mitologia do livro do King, que é bem mais viajado aqui do que o primeiro filme. O Ritual de Chüd, confunde, mas ele é a base do filme, sendo a parte mais controversa da história, porque ele mergulha no Xamanismo, em vez de ficar no mar negro do terror que a gente adora nadar nos filmes.
Na trama após 27 anos dos eventos do primeiro filme, agora adultos, os personagens retornam à cidade de Derry para cumprir a promessa de enfrentar o temido palhaço Pennywise mais uma vez, após ele ressurgir. Mike Hanlon ficou em Derry esses 27 anos estudando a origem da Coisa. Ele descobriu que o povo indígena Shokopiwah já enfrentavam a entidade séculos atrás.
Quem sai de Derry esquece o que acontece, por isso, quando Mike liga para os amigos, eles sentem um terror físico, mas não lembram do palhaço e nem dos horrores que viveram. Mike mete o loco nos amigos para participar do Ritual de Chüd. E para vencer uma entidade que não é física, você não pode usar armas comuns. O ritual exige que cada "Perdedor" recupere um objeto de memória do passado. Isso obriga cada personagem a reviver seu trauma de infância sozinho antes da batalha final.
As cenas são sensacionais, Andy Muschietti recria momentos de terror e fantasia, com o uso inteligente de CGI, muito bem feitos, mas sem abandonar o horror corporal, e os cenários físicos, que dão aquele charme de filme raiz em muitas cenas, coisa que faz toda diferença. O filme tem cenas icônicas como a do restaurante chinês, da sala dos espelhos, dos vários flashbacks, mas a da velha monstro foi a melhor.
O elenco adulto é um otimo! Ver Jessica Chastain e James McAvoy dando continuidade à Beverly e ao Bill é impressionante, Bill Hader (Richie), traz um alívio cômico que esconde uma dor profunda, mostrando que mesmo 27 anos depois, ele e nem seus amigos realmente saíram de Derry. Mike (Isaiah Mustafa) aparentava ter bem mais a idade que tinha, ele negão raiz oitentista, aparencia simples e séria dos pais de família.
James Ransone na pele do hipocondríaco Eddy, parece ser o pai de sua versão adolescente que foi vivia por Jack Dylan Grazer. James Ransone e Jack Dylan Grazer, são um só! Isso é raro e absurdo num filme. E Jay Ryan, vivendo o adulto Ben, foi uma das coisas mais impressionantes do filme. De gordo trolado, á Reinaldo Gianecchini. Agora Bill Skarsgård, dispensa comentários, Bill é o Pennywise.
O confronto final é uma batalha do capeta! Eles vão para velha casa decrépit e abandonada na rua Neibolt, onde tem o antigo poço que leva para o local onde o extraterrestre dorme. O ritual Chüd começa, mas dá ruim, o bicho pega, é uma correria loca, Pennywise fica alucinado, o Perdedores Desesperados.
O final é emocionante, o amor a amizade e sacrifício, provam ser as únicas armas capazes de enfrentar aquela entidade milenar. E ensina que pra vencer os "Pennywise" da vida real, não precisa lutar com ele fisicamente. Ė preciso antes diminuí-lo, tirarando primeiro o poder que o medo tem sobre nós. Depois pode descer a bota...
It: A Coisa
3.9 3,0KEsqueça o palhaço engraçadinho, Pennywise de 2017 é uma entidade do mais puro sadismo e de um medo real. Eu perdi as contas das vezes que assisti esse filme, e cada vez que assisto me impressiono mais.
A direção de Andy Muschietti, capiturou o medo e a fantasia, de forma alucinante. Ele transformou o Pennywise em algo que se alimenta não só de carne, mas de traumas. O filme mostra que pra uma criança, um pai abusivo ou a culpa pela morte de um irmão são muito mais assustadores do que um monstro debaixo da cama. O Pennywise, o palhaço, é apenas o catalisador que coloca essas feridas para fora.
Bill Skarsgård, está visceral! Sua atuação hipnotiza! Aquele olhar desalinhado e a baba escorrendo não são apenas efeitos, é uma entrega física que dá medo de verdade. A forma debochada e sarcástica, junto com a violência extrema dele assassinando crianças, de forma fria, maldosa e descontrolada, foi uma coisa que não se via no cinema.
O Clube dos Perdedores é a alma do filme! Você sente o peso da amizade o amor deles. É o tipo de filme que te faz torcer para que os personagens não cresçam, porque a união deles é a única coisa que o mal de Derry não consegue quebrar. Só quem viveu os anos 80 sabe disso.
O filme tem cenas fantásticas! O banheiro da Beverly, jorrando sangue! Quandi aquele sangue jorra no rosto dela sujando as paredes e o teto inteiro, traz uma sensação de sujeira e realidade que no CGI nunca consegue replicar com a mesma textura. Aquilo tudo era vivi e dava pra ver a angústia e o desespero da personagem.
A cena dos slides, aquilo foi um dos maiores sustos que eu tive numa sala de cinema na minha vida! Ele aparecendo do nada nas fotos já dava medo, mas qua do pulou pra fora da tela, eu quase voei na sala! E a produção da cena com efeitos práticos, fez toda diferença! Se fosse no CGI, perderia todo impacto e intensidade.
E claro, o terror que eles passaram dentro da casa! Ali a fantasia tomou conta das cenas, com sequências geniais! As três portas, são clássicas! Como não lembras das "Portas dos Desesperados", do programa do Sérgio Malandro? E depois teve briga, separação, o que levou ao subito sequestro da Beverly que foi uma angústia dolorosa se se ver!
A luta contra o Pennywise no fim, foi alucinante! Amor amizade sacrifício! Uma das formulas mágicas dos anos 80, que funcionaram como nunca! A luta deles contra o palhaço é fantástica! Tudo deu errado, mas deu certo! Sorte, amizade, raça e resiliência! O Clube dos Perdedores são pica.
"It: A Coisa" é um clássicos mais marcantes do terror nos últimos tempos! Dirigido de forma brilhante por Andy Muschietti e com uma performance única de Bill Skarsgård, o filme é uma marco no gênero, superando a amada série dos anos 90, estrelado por Tim Curry. Andy Muschietti e Bill Skarsgård, transformaram o Pennywise, em uma espécie de Freddy Krueger, mas agindo em alucinações e pro desespero de todos, no mundo real.
Não li o livro, mas achei genial o trabalho realizado no cinema. A história é incrível, os personagens são inesquecíveis e as cenas estão tatuadas na minha mente!
Assisti várias vezes, quase flutuei e ainda fico esperto quando passo por um bueiro durante as chuvas...
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 508Esperei anos, baixei a série, cacei legendas na Internet, depois assinei a Netflix, tive que aturar as partes picotadas. E no fim, depois da segunda parte da última temporada, no capítulo de ano novo, cadê o impacto? O desfecho de "Stranger Things", nao só descepciona, mas deixa um gosto de peida na boca, iguais as produções da Marvel, deixaram nos últimos anos.
Como é possível que o embate final entre Eleven e Vecna, que foi preparado desde a primeira temporada, tenha durado apenas 8 minutos? Foi tudo muito rápido, muito fácil e sem peso. Cadê aquele terror psicológico? Cadê os ataques mentais que tira o fôlego de quem assiste? A esperada luta final, virou apenas uma troca de raios e gente sendo jogada na parede.
Onde estava o exército do Vecna? O bicho controlava o Mundo Invertido inteiro, mas na hora H, cadê os Demogorgons? Cadê os monstros protegendo o mestre? Ficou parecendo que ele esqueceu as chaves do exército em casa. Enquanto isso, o resto do grupo ficou lá, atirando ao léu, servindo de cenário para uma luta preguiçosa que tentou esconder a falta de criatividade com efeitos visuais genéricos.
E a Millie Bobby Brown, com aquela massa corrida no rosto? Pra que? Ela tinha a mesma expressão pra tudo! Isso atrapalhou demais sua atuação, que ficou literalmente artificial. Culpa dela ou dos Duffers? Foi bom ver o Will (Noah Schnapp) voltar a ter mais protagonismo, foi tanta atenção que eu até estranhei.
Sadie Sink, depois de emocionar o planeta com sua Max, na luta contra Vecna (Jamie Campbell Bower), no mundo Invertido, com a "Running Up That Hill (A Deal With God)", da Kate Bush, sendo eternizada como hino, ressurge de forma muito aquém do que eu imaginava.
E Nancy (Natalia Dyer), de novo força a com sua veia Rambo pra atirar, manda bala em tudo. Os outros personagens meio que cumprem seus papéis, como Dustin (Gaten Matarazzo) mas sem o peso dramático da 4ª Temporada. E não é querendo ser papa defunto, mas ninguém morre. Eu esperava um rio de lágrimas, mas o que vi foi um mar de pipocas.
A cena final com a Eleven não é ruim. Mas poderia ser muito mais planejada e trabalhada. Aquele CGI do fim e também da temporada toda, parece que foi pra cortar gastos. De resto, são detalhes bons, outros forçados, mas Derek com seu "Vai tomar na Peida", foi um absurdo kkkk... Foi o momento mais marcante da temporada e da série toda.
"Stranger Things" fez história, é uma das maiores séries se todos os tempos. Um verdadeiro marco na cultura pop dos últimos anos. Um fenômeno, que teve momentos incríveis, momentos épicos e momentos que eu não gostei tanto. Mas que vai deixar muitas saudades.
M3GAN 2.0
2.7 222Ficção/terror, transformado em ação/comédia, com momentos de cantoria. É meus amigos, as coisas estão difíceis...
Os anos 90 transformaram o cinema de terror e misterio dos anos 80, em filmes de ação e violência. Eu nunca gostei disso, mas a cultura, o cinema e a adolescência minha e de muita gente não seriam as mesmas sem obras como "Cemitério Maldito 2", "Hellraiser II: Renascido do Inferno", "A Noite dos Demônios II", Exterminador do Futuro 2", "Brinquedo Assassino 2".
E sobreviveria sem alguns desse, mas a alma da década de noventa, dos filmes de ação e violência eram isso, eles pulsavam fortes nos cinemas e nas locadoras. Era a grande mudança de geração, a mudança da cultura, a mudança de identidade que sempre ocorre no mundo. As transformações que aconteciam numa década, foi sendo diminuida pela metade, e hoje a cada dois anos ou menos tudo parece mudar.
O que ocorre aqui com "M3gan", me lembrou o que aconteceu essas obra-prima do terror oitentistas, que acabaram virarando filmes de ação. Deu certo, alguns filmes citados acima, provam isso. Hoje isso é mais uma fórmula usada pela indústria, dentro das muitas usadas no cinema. Mas infelizmente, essa mudança não tem nada haver mais com cultura e identidade de uma geração.
"O que fez "M3gan 2.0" mudar de gênero é a mudança de faixa etária. Um filme sem restrições de idade, leva muito mais público para as salas de cinema do que uma temerosa sequênciade terror. E o filme anterior? A trama do primeiro? O público que curtiu? Já sabe...
"M3gan 2.0", dirigido por Gerard Johnstone, é um entretenimento barato, genérico e fácil. É mais uma sequência caça niqueis que o estúdio apresenta para o púbico, aproveitando a boa repercussão que o primeiro filme teve no cinema.
O terror e a ficção, deram lugar para ação e comédia, onde muitos clichês de filme de robô estão na trama, que acaba tirando o frágil interesse na história que ela construída no filme passado. Tudo é muito fácil, raso, mal pensado. A ideia do Gerard Johnstone, foi fazer de M3gan uma robô de filmes de ação, mais nada.
Os personagens voltam, outros surgem, a trama de robô malvado que caçava a protagonista no filme anterior, mas que agora fica bonzinho, vem forte e não precisa citar de onde isso veio.
A produção é fraca, a história é dessas de refugo, os efeitos são básicos, o CGI beira a sci-fis baratos dos anos 2000, o elenco tem atrações medíocres. Mas o filme cumpre seu papel higiênico de entreter e distrair que assiste. Tem muita luta, tiros, explosões e corre corre, entre a Lu Patinadora T-800 X a Barbie T-1000.
Vai ter o 3.0...
A Avaliação
3.5 150 Assista AgoraFuturo distópico, pessimista e apocalíptico. Mundo sem vida, controlado, vigiado, sem liberdade, sem maternidade. "A Avaliação", apresenta uma realidade perdida, cínica e sufocante, onde o desejo de ser pai ou mãe não é mais um direito, mas um privilégio que é concedido pelo Estado.
O filme conta o drama de Mia (Elizabeth Olsen) e Aaryan (Himesh Patel), um casal que vive em uma sociedade isolada e "perfeita", enquanto o resto do mundo (Velho Mundo) vive em colapso ambiental e social. Onde querem ter um filho, acaba sendo uma verdadeira luta, contra a auditoria feita pelo estado.
Alicia Vikander vive Virginia, a avaliadora, uma mulher fria, hipnotizante e bizarra, que se muda para a casa deles e começa a agir como uma criança, sendo ela uma criança de 30 anos. Testando e avaliando, a paciência, a moral e a mentalidade do casal em situações insuportáveis que beiram a loucura.
Cuba, Coreia do Norte, Venezuela. Todas do Futuro! Onde as instituições públicas são governadas pelo Estado, pelo partido. Você não tem direito a nada, não pode ter opinião, come inseto, tem salário universal.
"Fahrenheit 451", "Brazil - O Filme", "1984", são várias as referências. Fleur Fortuné, nos leva para esse Mundo perdido, um mundo que é uma prisão aberta, um parque de animais que aparentam estarem soltos, mas que na verdade vivem presos num zoológico, onde as jaulas estão primeiras em suas mentes.
Aaryan e Mia, querem ter um filho, mas precisam passar pela avaliação de absurda de Virgínia, que impõe regras e situações que tiram toda intimidade deles de dentro de sua própria casa, dando lugar a um domínio lento e amargo, com métodos que só os Campos de Extermínio da Segunda Guerra Mundial, e os regimes comunistas nos países que a gente está se saco cheio de lembrar, fazem com o povo.
Esse pano de fundo da trama é trágico, mas a vida pessoal (ou o que resta) dos personagens, são o coração da história. A fragilidade de Mia, com um passado tráfico, vira uma ferida aberta na trama, junto os traumas de Aaryan. A presença de Virgínia, com seus jogos de psicológicos levam o casal ao limite. Mas não são apenas as regras do Estado que são colocadas, o filme de Fleur Fortuné, mostra que não importa o cabresto ideológico, o ser humano sempre vai dar um jeitinho de continuar sendo ser humano.
Alicia Vikander devora a personagem, que apresenta sérios problemas, que são disfarçado pela criança que ela interpreta, oprimindo o casal de todas as formas e obrigando eles a segurem as regras, sob pena serem reprovados. Elizabeth Olsen, vira dos avessos com sua Mia, a atriz consegue passar as dores de uma mulher fragilizada pelo passado, e temerosa com o futuro, que foi lançado toda felicidade numa criança que poderia vir aos mundo.
Himesh Patel, vive um homem afundado no trabalho, que independente de se revela ser a cura dos problemas das personagens, acaba não ganhando espaço na trama, que se prende ao furacão Virginia em sua própria casa.
O filme é nervoso, dramático, com memórias tristes de passado, mas as ações da Virginia, levam a gente a perder as estribeiras com a personagem, suas obrigações e sua malícia.
O final é amargo, com uma revelação que lembra os filmes do leste europeu, que fala da desgraça das lembranças da Cortina de Ferro que a URSS impunha aos países que ela dominava.
Grande filme! Me surpreendeu bastante!
A Grande Viagem Da Sua Vida
2.9 52 Assista Agora"Apenas apanhei, na beira-mar
Um Saturn SL 1994 pra estação lunar"
Sarah (Margot Robbie) e David (Colin Farrell), dois estranhos que se conhecem num casamento, tem suas vidas entrelaçadas depois que entram num carro antigo que tem o poder de viajar através do tempo e do espaço, para momentos determinantes de suas vidas.
Com um GPS mágico que lembra o painel luminoso de publicidade do filme "L.A. Story" de 1991, estrelado por Steve Martin e Sarah Jessica Parker, "A Grande Viagem Da Sua Vida" me fez esquecer um pouco da mesmice do cinema de hoje, com uma história que você coloca o cérebro no bolso e entra no carro com eles.
"Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"? Sim um pouco. O filme de Kogonada me levou embora, sem esforço e sem explicar nada. Você acompanha os personagens que no início tem uma conexão tímida, ser transformados pela viagem ao passado, onde eles observam e revivem momentos marcantes de suas vidas.
Abandono, morte, arrependimento, reconhecimento, perdão, valorização, amor-próprio. A trama mostra a transformação dos personagens de forma cômica, com cenas dramática, mas sem perder o humor. O filme não tem grandes atuação, Margot Robbie e Collin Farrel, preenchem o longa com sua presença, mas deixando pra trama, com seu GPS, suas portas no meio do nada e suas revelações, serem os protagonistas da história.
A produção é muito boa, a gente viaja o filme todo com Sarah e David, que tem aquele feeling nos dois, mas fuga de um, medo de outro, que só na viagem, com as revelações e confrontos com o passado, eles são curados.
Adorei! Sou suspeito para falar desse tipo de filme. Curto bastante esse tipo de ficção, que nos dias de hoje perdem espaço pra filmes precisam explicar suas mensagem de forma mais clara e linear. Acho que a grande viagem da vida de qualquer pessoa, se não tiver mistério e se não fugir um pouco da realidade, perde a graça.