The Substance é uma experiência cinematográfica que mistura ficção científica, terror psicológico e uma crítica afiada às dinâmicas de poder dentro de ambientes corporativos e científicos. O filme é uma viagem intensa que nos desafia a encarar os perigos da ganância e da obsessão pelo controle. Demi Moore rouba a cena com uma performance poderosa. Sua personagem é fria, calculista e incrivelmente carismática, representando perfeitamente alguém que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Margaret Qualley, por outro lado, entrega uma atuação mais introspectiva, carregada de nuances, enquanto sua personagem luta para manter sua integridade em meio à manipulação e aos perigos crescentes. A dinâmica entre as duas é um dos pontos altos do filme. Há uma tensão constante nos diálogos e nos gestos, que refletem a diferença entre duas gerações de mulheres navegando em um mundo dominado por hierarquias e egos. A diretora traz um olhar visualmente marcante para The Substance. O filme é estilisticamente ousado, com cenas que alternam entre o realismo sombrio e momentos quase surreais, especialmente nas sequências que envolvem a substância em si. Essas cenas são acompanhadas por uma trilha sonora inquietante, que amplifica a sensação de desconforto. A diretora também usa o espaço físico de forma brilhante. Laboratórios estéreis, salas de reunião opressivas e corredores claustrofóbicos se tornam extensões do estado emocional dos personagens, reforçando o tom de paranoia e isolamento. O filme vai além da ficção científica ao abordar questões contemporâneas como ética na ciência, exploração corporativa e as relações de poder entre mulheres em diferentes posições de influência. Ele provoca reflexões sobre o preço que estamos dispostos a pagar em nome do progresso, mas também sobre as dinâmicas de controle e submissão em ambientes de alta pressão. Além disso, The Substance faz uma crítica velada ao culto da produtividade e à ideia de que o avanço tecnológico pode justificar qualquer sacrifício. É um filme que não apenas entretém, mas desafia o público a pensar sobre as implicações das escolhas humanas. Com uma narrativa que mistura suspense e crítica social, o filme não é apenas uma história sobre uma descoberta científica - é uma análise profunda sobre as fraquezas humanas diante do poder e da ambição. Ao final, The Substance deixa uma sensação inquietante, como se estivéssemos apenas começando a compreender o verdadeiro custo das escolhas que fazemos em nome do progresso. É um filme que merece ser visto e debatido.
The Six Triple Eight é um filme que transcende sua narrativa histórica para explorar temas de perseverança, identidade e invisibilidade dentro de uma sociedade marcada pela segregação racial e de gênero. A história é contada com um equilíbrio entre o peso histórico e a intimidade pessoal. O elenco entrega performances profundamente comoventes; cada atriz traz uma camada única às suas personagens, humanizando a história coletiva do batalhão ao explorar as histórias individuais de cada mulher. Um ponto forte do roteiro é como ele aborda as motivações e medos de cada personagem sem cair em clichês. Há um equilíbrio cuidadoso entre o coletivo e o individual, permitindo que o público se conecte com as experiências universais dessas mulheres - mesmo que o contexto histórico seja distante. O filme não apenas celebra a superação, mas também questiona o que significa ser lembrado. Há uma crítica implícita ao apagamento histórico, evidenciado pelo fato de que o batalhão só recebeu reconhecimento oficial décadas depois de sua atuação. Essa discussão sobre memória histórica e a luta por um espaço na narrativa oficial é, talvez, a contribuição mais poderosa do filme. Visualmente, o filme é bem executado, com uma cinematografia que captura tanto a dureza do ambiente de guerra quanto a intimidade das relações interpessoais. Se há uma crítica técnica, talvez seja a forma como certos momentos parecem apressados em busca de um clímax emocional. Isso, no entanto, não diminui a força geral da narrativa. Acho que The Six Triple Eight é mais do que um filme sobre guerra; é uma celebração da força feminina e uma denúncia contra a invisibilidade histórica. Ele serve como um lembrete de que a história é escrita não apenas pelos vitoriosos, mas também por aqueles que lutaram para serem vistos e ouvidos.
Poor Things é uma obra que é, ao mesmo tempo, uma celebração do absurdo e uma reflexão profunda sobre autonomia e transformação. O filme oferece uma experiência sensorial que mistura o grotesco e o sublime. Emma Stone entrega uma performance magnética, alternando entre ingenuidade e ousadia com uma fluidez que reflete a essência metamórfica de sua personagem. É uma interpretação que vai além do mero experimentalismo e nos conecta emocionalmente com uma personagem que, apesar de suas origens fantásticas, é profundamente humana. Visualmente, Poor Things é um espetáculo. A direção de arte e o design de produção criam um mundo onírico que parece saído de um pesadelo vitoriano misturado com delírios steampunk. As cores vibrantes contrastam com a morbidez dos cenários, reforçando a dualidade que permeia toda a narrativa: vida e morte, liberdade e controle, desejo e repulsa. O roteiro é afiado e repleto de humor negro, mas é na direção ousada que o filme encontra sua força, o diretor não tem tem medo de abraçar o estranho, e sua câmera capta a vulnerabilidade e a força de Bella com uma intimidade que raramente vemos em histórias tão absurdas. Talvez o maior triunfo de Poor Things seja sua recusa em oferecer respostas fáceis. É um filme que exige do espectador uma disposição para o desconforto e para a contemplação. Ao final, fica claro que Bella não é apenas um personagem; ela é um manifesto sobre a possibilidade de criar uma nova vida para si mesma, livre das amarras da tradição e do julgamento. O diretor nos desafia a enxergar além do óbvio, e Poor Things se consagra como uma obra inovadora e impactante. É uma ode à liberdade, com todas as suas complexidades e contradições, e um lembrete de que a humanidade, em toda a sua estranheza, ainda é digna de celebração.
Jurado nº 2 é um estudo meticuloso sobre dilemas morais, culpa e o peso das escolhas individuais dentro do sistema jurídico. Clint Eastwood, aos 94 anos, demonstra mais uma vez seu domínio como contador de histórias, entregando uma obra contida, mas carregada de tensão. A câmera de Eastwood, conhecida por seu estilo direto e sem ornamentos, captura a dualidade moral do protagonista, interpretado por Nicholas Hoult, com uma sobriedade que amplifica o impacto emocional da narrativa. Sua performance é um dos pilares do filme. Hoult transmite uma angústia interna de um homem dividido entre confessar ou permitir que outro indivíduo pague por um erro que pode ter sido seu. Cada olhar e gesto de Justin revela camadas de culpa, medo e autopreservação, evocando empatia mesmo quando suas ações desafiam o senso de justiça do espectador. Eastwood conduz o filme com uma economia narrativa que valoriza os silêncios e as nuances, deixando espaço para o público interpretar as motivações dos personagens. Sua abordagem evita julgamentos simplistas e expõe as complexidades do sistema de justiça, um tema que ele frequentemente explora em sua filmografia.
O dilema de Justin em Jurado nº 2 ressoa profundamente com os debates morais apresentados por Michael Sandel em seu livro “Justiça: O Que é Fazer a Coisa Certa?”. O livro propõe uma análise das escolhas éticas em cenários que frequentemente colocam o bem individual em conflito com o bem coletivo. No filme, Justin é confrontado com uma decisão clássica do utilitarismo: confessar, colocando em risco sua liberdade, ou permanecer em silêncio, protegendo a si mesmo às custas de outra vida. Sandel explora situações teóricas como o dilema do trem, onde a escolha entre salvar uma vida ou várias exige decisões difíceis, e assistindo ao filme, não pude deixar notar que Justin é uma versão humanizada desse dilema: ele deve decidir entre a honestidade moral e a autopreservação. A diferença crucial é que, enquanto o livro de Sandel frequentemente lida com questões hipotéticas, o filme de Eastwood apresenta essas questões no contexto de um ser humano falível e suas consequências tangíveis.
Clint Eastwood entrega, possivelmente, uma de suas últimas grandes obras, demonstrando uma maturidade artística que reflete décadas de reflexão sobre a natureza humana. Jurado nº 2 é um convite para ponderar as intricadas questões de moralidade e justiça, tanto no tribunal quanto na vida cotidiana. É um filme que, como o livro de Sandel, nos desafia a reconsiderar o que significa realmente “fazer a coisa certa”.
O Banqueiro começa forte, e há muita diversão no início, na parte que narra quando os três parceiros contornam as restrições raciais de 1954. No entanto, quando o filme muda para um território mais sério na segunda metade, quando os parceiros assumem a compra de um banco em uma pequena cidade no Texas, a vibração lúdica do filme tem que ceder. E isso acontece, em grande parte, mas a mudança não é tão suave, e isso faz com que pareça dois filmes diferentes. Além disso, retornar ao estilo de filme da primeira metade, perto do final, pareceu particularmente estranho.
Atuações impecáveis de Jackson, Hoult e Mackie. A carga de atuação dramática mais pesada recai sobre Mackie, e seu forte desempenho muitas vezes eleva o filme acima de suas armadilhas convencionais e agarra o coração de quem assiste, com um apelo emocionante e inspirador.
O Banqueiro tem suas falhas, mas merece crédito por apresentar essa história verdadeira não contada de empreendedores negros e pelo bom trabalho de seu elenco talentoso.
Narrativamente falando, as roteiristas são cuidadosas em não apenas construir tensão, mas em construir a consciência de que Therese e Carol estão tendo duas experiências totalmente diferentes, uma de finalmente passar a viver como quem ela é, a outra de não ter certeza de quem ela é; elas estão se encontrando ao mesmo tempo, e atraídas pela tranquilidade de uma e pelo mal-estar da outra.
Carol é - pela atuação de Rooney Mara e pela direção cuidadosa - o filme mais catártico de 2015.
Há um ritmo com o qual Where The Crawdads Sing flui, que faz com que a experiência se assemelhe a estarmos lendo um livro. As molduras são macias como o papel, o cenário evoca a penumbra das páginas de um livro perdido e os mínimos detalhes são escritos com longos traços largos. Mas os quadros não tremem quando giram. O roteiro deste filme tem o ritmo certo e medido para contar uma história bastante direta que é ajudada por belas cenas de uma vida solitária em um pântano. O filme é recheado de metáforas textuais e visuais e subversão.
Where the Crawdads Sing combina elementos de uma história de amadurecimento não convencional com um mistério de assassinato. O filme é especialmente eficaz na forma como desenvolve os pântanos da Carolina do Norte em um personagem tão vital quanto qualquer um dos humanos. A composição de muitas dessas cenas com seus tons claros e efervescentes e sombras mais escuras, ecoa como o tom dramático do filme conforme muda e se mistura. As sequências de flashback detalhando a tenacidade e o isolamento de Kya estão entre as mais atraentes do filme.
Os processos judiciais são menos interessantes, parecendo na maioria das vezes como trechos de um romance de baixa renda. Essas cenas são tratadas em grande parte como uma reflexão tardia e, embora haja uma espécie de revelação, é superficial e não muito satisfatória. Embora eu não vá tão longe a ponto de afirmar que as cenas de amadurecimento são únicas, o material do tribunal parece menos elaborado.
Where the Crawdads Sing não é isento de falhas, mas atrai o espectador para seu tempo e lugar específicos e oferece uma fuga envolvente de duas horas para a vida de um indivíduo memorável. Mais filmes hoje poderiam aprender com essa abordagem "antiquada".
Call Me By Your Name é sobre viver o momento e capturar esse momento. Trata-se de usar a tela do filme para transmitir ao público os sentimentos internos dos personagens. É um filme curto em diálogo e longo em emoção. Uma história de primeiro amor: impossível, efêmero e apaixonante. Trata-se de cruzar limiares, rejeitar convenções sociais e permitir que o coração domine a mente.
Cada cena transborda de um simbolismo exuberante. Tudo na tela fervilha de vida e é capturado em um calor tão potente que quase se pode sentir a brisa escorrendo do quadro irresistível. A beleza de Call Me By Your Name é sua energia crua, vulnerável, apaixonada e desinibida. O filme não coloca rótulos nos relacionamentos, nem define sua história como um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. O olhar atento do diretor vê o amor como amor e nada mais.
Saltburn é um completo escândalo cinematográfico, incrivelmente bizarro e sombrio de uma forma extremamente específica.
O que percebi é que Oliver atende às “necessidades” mais básicas de cada um dos membros da família. Felix tinha um complexo de salvador, o que se refletia nas asas de sua fantasia da festa de aniversário. Haviam os “acenos” verbais, muitas vezes escolhendo alguém menos afortunado para ajudar e eventualmente se cansar deles. Então Oliver e sua trágica história de fundo apresentaram uma oportunidade para Felix “salvá-lo”. Venetia tinha transtorno alimentar e dismorfia corporal, então quando Oliver fez sua “coisa de vampiro”, foi, para Venetia, a aceitação final de seu corpo. Já Elspeth, ela precisava de alguém que assinasse seus ataques verbais ignorantes e suas teorias e crenças sem instrução, e Oliver era quem estava lá para concordar. Finalmente, Farleigh, que precisava de alguém abaixo dele para que ele não se sentisse como a forma de vida mais indecorosa em Saltburn.
Notei outro pequeno detalhe, e é de longe a minha cena favorita. Oliver está perfeitamente composto e barbeado quando estão no almoço após a morte de Felix, e disposto a desempenhar o papel que Elspeth e Sir James querem, enquanto Farleigh está "feio", com o cabelo desgrenhado e com a barba parecendo restolho. Ele está desesperado para falar sobre o que aconteceu e compartilhar o luto de sua maneira norte americana moderna; e neste momento, ele é verdadeiramente incompatível com o resto da família, então é expulso para sempre. Na verdade, quanto mais penso nisso, percebo que até mesmo Elspeth e Sir James têm rachaduras em suas fachadas com uma reação mais emocional do que Oliver. Ele é o assassino, então isso não o choca, mas em algum nível também é como se sua compostura e distanciamento o tornasse mais adequado para esse ideal de aristocracia inglesa clássica.
E só para finalizar, se Oliver é simbolizado pelo minotauro, na cena do labirinto, talvez as asas de Felix sejam um aceno para Ícaro. Ícaro voou muito perto do sol e caiu no chão. Felix se tornou muito próximo de Oliver e toda sua família caiu.
Eu amei o filme por sua estética, bem como por seu excelente elenco. Mas especialmente pelo desempenho magistral de Barry Keoghan, que para mim carregou esse filme com uma mão magistral; ele é assustador, maquiavélico, louco, um verdadeiro psicopata! Adoro papéis desconfortáveis em que o ator sai de sua zona de conforto.
Saltburn é, com certeza, o melhor filme que eu assisti nos últimos anos.
Só Tarantino conseguiu criar uma mistura tão selvagem de cultura - uma variedade de ingredientes originários de faroeste, escravidão histórica, rap moderno, uma montagem de atores dos anos 60 e 70 e um casal de protagonistas que deveriam ser os distantes antepassados dos heróis da Blaxploitation - e torná-lo não só digerível, mas, na verdade, bem delicioso. Há um prazer inegável que surge ao ver Tarantino manipular a dinamite de suas ideias.
Esse filme é uma evocação magistral de tempo, lugar, caráter, escolhas morais, certezas imorais, natureza humana e destino. É também, na fotografia, na edição e na música, surpreendentemente belo, duro e solitário. O filme demonstra como os sentimentos humanos comuns são lamentáveis em face da injustiça implacável. O filme também ama alguns de seus personagens, e tem pena deles, e tem um ouvido para o diálogo não como é falado, mas como é sonhado. Muitas das cenas são tão perfeitamente construídas que você quer que elas simplesmente continuem, e ainda assim elas criam uma sucção emocional levando você para a próxima. Outro filme que fez eu me sentir assim foi "Fargo". Fazer um desses filmes é um milagre. Aqui está outro!
Certamente "O Leitor", por todas suas cenas eróticas envolvendo Kate Winslet, apresenta um difícil desafio de marketing. A estrutura não-linear e animada imposta pelo roteirista e a direção rígida e concentrada fazem desse drama um filme envolvente.
Um bom entretenimento; uma imagem de ficção científica executada num estilo limpo e conciso com uma narrativa tão lógica quanto imprevisível, mas apesar de revelar os circuitos da Ava, é o tipo notável de filme que é muito mais dependente de idéias do que efeitos.
Cinematograficamente belo! Como se espera de um filme de Tarantino, "Os Oito Odiados" é um banho de sangue bem-humorado em sua depravação. É na sua maioria bem atuado, com um mistério envolvente e não convencional - por isso se pode desculpar os excessos Tarantinos. Um ótimo entretenimento. Vale a pena seu tempo.
Eddie Redmayne faz um trabalho muito bom como Colin, mas a cena é totalmente roubada dele de várias maneiras pelos outros atores; Michelle Williams conseguiu capturar bem a vulnerabilidade e inocência de Marilyn e Branagh é tremendo como Olivier: um papel que ele nasceu para interpretar.
O longa não possui, como já era de se esperar, uma história fechada. Há sim uma ideia coesa e bem arquitetada, mas isso não é colocado de forma sequencial. Em muitos aspectos o filme é um documento de seu tempo, um instantâneo que tentava agrupar as principais ideologias em conflito no país e entender a atuação de cada grupo que as apoiavam, gerando diversas situações, questionamentos sobre a prisão de alguns cidadãos, críticas à censura que se estabeleceu nos meios de comunicação e exames metalinguísticos da própria ação dos cineastas e outros intelectuais nesse momento da História. Uma oportunidade rara, complexa, experimental e necessária para cinéfilos e interessados em História e Política.
Um verdadeiro trabalho de ficção-científica. Foge dos padrões que costumamos ver e enfatiza muito mais o lado psicológico do homem. O filme mais que cumpre seu papel, trazendo à vida as experiências do personagem e nos transportando para dentro delas, ao mesmo tempo que nossa mente se enche de indagações. Trata-se de um filme para se deixar absorver, para viajarmos junto do protagonista, para contemplar e se desgastar pelas suas fortes imagens que, certamente, surtirão diferentes efeitos sobre cada espectador. Acima de tudo, uma obra obrigatória para qualquer apreciador da ficção-científica.
Apesar de suas inadequações da retratação da escravidão (isso para usar um eufemismo, claro), ainda é um excelente filme romântico, com temática forte para a época e, de certa forma, mesmo para os cínicos dias de hoje. É um fruto de seu tempo e a “obra hollywoodiana” por excelência, se é que essa classificação pode ser feita. No mínimo, merece a compreensão de todos os cinéfilos de que é um tipo de obra que os ventos que a fizeram não sopram mais.
Perturbador e intimista, o filme procura abordar o psicológico de seu protagonista, demonstrando como a maturidade decorrente da passagem dos anos, altera a percepção do mundo das pessoas. Com uma premissa instigante, a obra desliza muito pontualmente, deixando, ainda, com uma percepção positiva de seu todo e, sobretudo, de sua mensagem. Sangue Francês ainda consegue cativar suas audiências. Um filme com nítidos deslizes, mas que consegue ser potente de qualquer forma, especialmente para quem deseja ter uma maior compreensão da ideologia seguida por tal grupo. Sobretudo, porém, uma história de redenção e de como qualquer pessoa pode se aprimorar, por piores que tenham sido seus erros no passado.
Um terror surrealista que faz o espectador mergulhar diretamente na cabeça do protagonista, nos tirando do lugar comum, criando um nítido desconforto que atua em grau crescente ao longo de seus curtos 89 minutos. Simplesmente entender Eraserhead está fora de questão. É um filme para ser sentido, vivenciado. De todos os aspectos do longa, aquele que talvez mais nos cause forte sensação de claustrofobia é o seu desenho de som. Constantes efeitos sonoros, que parecem ter sido tirados de um ambiente industrial, preenchem as cenas e trazem à tona a loucura do que vemos em tela. Discreto a priori, essa sonoridade nos afeta pouco a pouco, fazendo nos ansiar pelo seu término, ao mesmo tempo que ajudam a compor esse cenário distorcido, que mais uma vez retomam a ideia de que tudo se trata de um imaginário de Spencer. Há um grande vazio no filme, muito bem representado pela ausência de personagens e de diálogos. A constante repetição desses sons ocupam esse vazio e, quando acabam, notamos que o aparente silêncio que testemunhávamos era, de fato, um grande barulho contínuo. Eraserhead está longe de ser um filme fácil de ser assistido, mas isso não tira nem um pouco o fascínio que podemos ter por ele. Trata-se de um mergulho no mundo dos sonhos e dos pesadelos, uma experiência verdadeiramente surreal que dificilmente pode ser imitada. Mais uma vez, Eraserhead precisa ser sentido e não simplesmente assistido. Repugnante e fascinante!
A trilha sonora por si só conta toda a trama. Ver esse filme é sempre uma experiência fantástica, pois o jogo de luz e sombras e o design de produção é algo que só mesmo o expressionismo alemão conseguiu produzir. A fotografia de Fritz Arno Wagner com o uso generoso de sombras é icônica por si só; um trabalho que aterroriza pelo que não mostra, pelo que apenas se deixa entrever. É um filme que transfixa o espectador - cinéfilo ou não - e apresenta um mundo particular, altamente criativo e que funciona bem em obras de horror (gênero tão mal trabalhado hoje em dia). Nosferatu é, sem tirar nem pôr, uma adaptação de Drácula. Está tudo lá e, arrisco a dizer, de maneira mais fiel à obra de Bram Stoker do que em qualquer outro filme. Uma jóia cinematográfica!
Os filmes do Tarantino coexistem, e o próprio Pulp Fiction vem com premissas de probabilidade, mutualismo, etc. Os detalhes provam a teoria de que seriam basicamente dois roteiros dentro de um só, algo como duas histórias, ou dois cursos dentro de um mesmo, ligado justamente à proposta inicial e geral do filme: a contraditória analogia do enredo intrincado do filme com o nome Pulp Fiction, provindo das revistas de ficção superficial e de má qualidade presentes na cultura americana.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraThe Substance é uma experiência cinematográfica que mistura ficção científica, terror psicológico e uma crítica afiada às dinâmicas de poder dentro de ambientes corporativos e científicos. O filme é uma viagem intensa que nos desafia a encarar os perigos da ganância e da obsessão pelo controle. Demi Moore rouba a cena com uma performance poderosa. Sua personagem é fria, calculista e incrivelmente carismática, representando perfeitamente alguém que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Margaret Qualley, por outro lado, entrega uma atuação mais introspectiva, carregada de nuances, enquanto sua personagem luta para manter sua integridade em meio à manipulação e aos perigos crescentes. A dinâmica entre as duas é um dos pontos altos do filme. Há uma tensão constante nos diálogos e nos gestos, que refletem a diferença entre duas gerações de mulheres navegando em um mundo dominado por hierarquias e egos. A diretora traz um olhar visualmente marcante para The Substance. O filme é estilisticamente ousado, com cenas que alternam entre o realismo sombrio e momentos quase surreais, especialmente nas sequências que envolvem a substância em si. Essas cenas são acompanhadas por uma trilha sonora inquietante, que amplifica a sensação de desconforto. A diretora também usa o espaço físico de forma brilhante. Laboratórios estéreis, salas de reunião opressivas e corredores claustrofóbicos se tornam extensões do estado emocional dos personagens, reforçando o tom de paranoia e isolamento. O filme vai além da ficção científica ao abordar questões contemporâneas como ética na ciência, exploração corporativa e as relações de poder entre mulheres em diferentes posições de influência. Ele provoca reflexões sobre o preço que estamos dispostos a pagar em nome do progresso, mas também sobre as dinâmicas de controle e submissão em ambientes de alta pressão. Além disso, The Substance faz uma crítica velada ao culto da produtividade e à ideia de que o avanço tecnológico pode justificar qualquer sacrifício. É um filme que não apenas entretém, mas desafia o público a pensar sobre as implicações das escolhas humanas. Com uma narrativa que mistura suspense e crítica social, o filme não é apenas uma história sobre uma descoberta científica - é uma análise profunda sobre as fraquezas humanas diante do poder e da ambição. Ao final, The Substance deixa uma sensação inquietante, como se estivéssemos apenas começando a compreender o verdadeiro custo das escolhas que fazemos em nome do progresso. É um filme que merece ser visto e debatido.
Batalhão 6888
3.7 118The Six Triple Eight é um filme que transcende sua narrativa histórica para explorar temas de perseverança, identidade e invisibilidade dentro de uma sociedade marcada pela segregação racial e de gênero. A história é contada com um equilíbrio entre o peso histórico e a intimidade pessoal. O elenco entrega performances profundamente comoventes; cada atriz traz uma camada única às suas personagens, humanizando a história coletiva do batalhão ao explorar as histórias individuais de cada mulher. Um ponto forte do roteiro é como ele aborda as motivações e medos de cada personagem sem cair em clichês. Há um equilíbrio cuidadoso entre o coletivo e o individual, permitindo que o público se conecte com as experiências universais dessas mulheres - mesmo que o contexto histórico seja distante. O filme não apenas celebra a superação, mas também questiona o que significa ser lembrado. Há uma crítica implícita ao apagamento histórico, evidenciado pelo fato de que o batalhão só recebeu reconhecimento oficial décadas depois de sua atuação. Essa discussão sobre memória histórica e a luta por um espaço na narrativa oficial é, talvez, a contribuição mais poderosa do filme. Visualmente, o filme é bem executado, com uma cinematografia que captura tanto a dureza do ambiente de guerra quanto a intimidade das relações interpessoais. Se há uma crítica técnica, talvez seja a forma como certos momentos parecem apressados em busca de um clímax emocional. Isso, no entanto, não diminui a força geral da narrativa. Acho que The Six Triple Eight é mais do que um filme sobre guerra; é uma celebração da força feminina e uma denúncia contra a invisibilidade histórica. Ele serve como um lembrete de que a história é escrita não apenas pelos vitoriosos, mas também por aqueles que lutaram para serem vistos e ouvidos.
É um filme necessário!
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraPoor Things é uma obra que é, ao mesmo tempo, uma celebração do absurdo e uma reflexão profunda sobre autonomia e transformação. O filme oferece uma experiência sensorial que mistura o grotesco e o sublime. Emma Stone entrega uma performance magnética, alternando entre ingenuidade e ousadia com uma fluidez que reflete a essência metamórfica de sua personagem. É uma interpretação que vai além do mero experimentalismo e nos conecta emocionalmente com uma personagem que, apesar de suas origens fantásticas, é profundamente humana. Visualmente, Poor Things é um espetáculo. A direção de arte e o design de produção criam um mundo onírico que parece saído de um pesadelo vitoriano misturado com delírios steampunk. As cores vibrantes contrastam com a morbidez dos cenários, reforçando a dualidade que permeia toda a narrativa: vida e morte, liberdade e controle, desejo e repulsa. O roteiro é afiado e repleto de humor negro, mas é na direção ousada que o filme encontra sua força, o diretor não tem tem medo de abraçar o estranho, e sua câmera capta a vulnerabilidade e a força de Bella com uma intimidade que raramente vemos em histórias tão absurdas. Talvez o maior triunfo de Poor Things seja sua recusa em oferecer respostas fáceis. É um filme que exige do espectador uma disposição para o desconforto e para a contemplação. Ao final, fica claro que Bella não é apenas um personagem; ela é um manifesto sobre a possibilidade de criar uma nova vida para si mesma, livre das amarras da tradição e do julgamento. O diretor nos desafia a enxergar além do óbvio, e Poor Things se consagra como uma obra inovadora e impactante. É uma ode à liberdade, com todas as suas complexidades e contradições, e um lembrete de que a humanidade, em toda a sua estranheza, ainda é digna de celebração.
Jurado Nº 2
3.6 460 Assista AgoraJurado nº 2 é um estudo meticuloso sobre dilemas morais, culpa e o peso das escolhas individuais dentro do sistema jurídico. Clint Eastwood, aos 94 anos, demonstra mais uma vez seu domínio como contador de histórias, entregando uma obra contida, mas carregada de tensão. A câmera de Eastwood, conhecida por seu estilo direto e sem ornamentos, captura a dualidade moral do protagonista, interpretado por Nicholas Hoult, com uma sobriedade que amplifica o impacto emocional da narrativa. Sua performance é um dos pilares do filme. Hoult transmite uma angústia interna de um homem dividido entre confessar ou permitir que outro indivíduo pague por um erro que pode ter sido seu. Cada olhar e gesto de Justin revela camadas de culpa, medo e autopreservação, evocando empatia mesmo quando suas ações desafiam o senso de justiça do espectador. Eastwood conduz o filme com uma economia narrativa que valoriza os silêncios e as nuances, deixando espaço para o público interpretar as motivações dos personagens. Sua abordagem evita julgamentos simplistas e expõe as complexidades do sistema de justiça, um tema que ele frequentemente explora em sua filmografia.
O dilema de Justin em Jurado nº 2 ressoa profundamente com os debates morais apresentados por Michael Sandel em seu livro “Justiça: O Que é Fazer a Coisa Certa?”. O livro propõe uma análise das escolhas éticas em cenários que frequentemente colocam o bem individual em conflito com o bem coletivo. No filme, Justin é confrontado com uma decisão clássica do utilitarismo: confessar, colocando em risco sua liberdade, ou permanecer em silêncio, protegendo a si mesmo às custas de outra vida. Sandel explora situações teóricas como o dilema do trem, onde a escolha entre salvar uma vida ou várias exige decisões difíceis, e assistindo ao filme, não pude deixar notar que Justin é uma versão humanizada desse dilema: ele deve decidir entre a honestidade moral e a autopreservação. A diferença crucial é que, enquanto o livro de Sandel frequentemente lida com questões hipotéticas, o filme de Eastwood apresenta essas questões no contexto de um ser humano falível e suas consequências tangíveis.
Clint Eastwood entrega, possivelmente, uma de suas últimas grandes obras, demonstrando uma maturidade artística que reflete décadas de reflexão sobre a natureza humana. Jurado nº 2 é um convite para ponderar as intricadas questões de moralidade e justiça, tanto no tribunal quanto na vida cotidiana. É um filme que, como o livro de Sandel, nos desafia a reconsiderar o que significa realmente “fazer a coisa certa”.
O Banqueiro
3.8 84 Assista AgoraO Banqueiro começa forte, e há muita diversão no início, na parte que narra quando os três parceiros contornam as restrições raciais de 1954. No entanto, quando o filme muda para um território mais sério na segunda metade, quando os parceiros assumem a compra de um banco em uma pequena cidade no Texas, a vibração lúdica do filme tem que ceder. E isso acontece, em grande parte, mas a mudança não é tão suave, e isso faz com que pareça dois filmes diferentes. Além disso, retornar ao estilo de filme da primeira metade, perto do final, pareceu particularmente estranho.
Atuações impecáveis de Jackson, Hoult e Mackie. A carga de atuação dramática mais pesada recai sobre Mackie, e seu forte desempenho muitas vezes eleva o filme acima de suas armadilhas convencionais e agarra o coração de quem assiste, com um apelo emocionante e inspirador.
O Banqueiro tem suas falhas, mas merece crédito por apresentar essa história verdadeira não contada de empreendedores negros e pelo bom trabalho de seu elenco talentoso.
Carol
3.9 1,5K Assista AgoraNarrativamente falando, as roteiristas são cuidadosas em não apenas construir tensão, mas em construir a consciência de que Therese e Carol estão tendo duas experiências totalmente diferentes, uma de finalmente passar a viver como quem ela é, a outra de não ter certeza de quem ela é; elas estão se encontrando ao mesmo tempo, e atraídas pela tranquilidade de uma e pelo mal-estar da outra.
Carol é - pela atuação de Rooney Mara e pela direção cuidadosa - o filme mais catártico de 2015.
Um Lugar Bem Longe Daqui
3.8 443 Assista AgoraHá um ritmo com o qual Where The Crawdads Sing flui, que faz com que a experiência se assemelhe a estarmos lendo um livro. As molduras são macias como o papel, o cenário evoca a penumbra das páginas de um livro perdido e os mínimos detalhes são escritos com longos traços largos. Mas os quadros não tremem quando giram. O roteiro deste filme tem o ritmo certo e medido para contar uma história bastante direta que é ajudada por belas cenas de uma vida solitária em um pântano. O filme é recheado de metáforas textuais e visuais e subversão.
Where the Crawdads Sing combina elementos de uma história de amadurecimento não convencional com um mistério de assassinato. O filme é especialmente eficaz na forma como desenvolve os pântanos da Carolina do Norte em um personagem tão vital quanto qualquer um dos humanos. A composição de muitas dessas cenas com seus tons claros e efervescentes e sombras mais escuras, ecoa como o tom dramático do filme conforme muda e se mistura. As sequências de flashback detalhando a tenacidade e o isolamento de Kya estão entre as mais atraentes do filme.
Os processos judiciais são menos interessantes, parecendo na maioria das vezes como trechos de um romance de baixa renda. Essas cenas são tratadas em grande parte como uma reflexão tardia e, embora haja uma espécie de revelação, é superficial e não muito satisfatória. Embora eu não vá tão longe a ponto de afirmar que as cenas de amadurecimento são únicas, o material do tribunal parece menos elaborado.
Where the Crawdads Sing não é isento de falhas, mas atrai o espectador para seu tempo e lugar específicos e oferece uma fuga envolvente de duas horas para a vida de um indivíduo memorável. Mais filmes hoje poderiam aprender com essa abordagem "antiquada".
Me Chame Pelo Seu Nome
4.1 2,6KCall Me By Your Name é sobre viver o momento e capturar esse momento. Trata-se de usar a tela do filme para transmitir ao público os sentimentos internos dos personagens. É um filme curto em diálogo e longo em emoção. Uma história de primeiro amor: impossível, efêmero e apaixonante. Trata-se de cruzar limiares, rejeitar convenções sociais e permitir que o coração domine a mente.
Cada cena transborda de um simbolismo exuberante. Tudo na tela fervilha de vida e é capturado em um calor tão potente que quase se pode sentir a brisa escorrendo do quadro irresistível. A beleza de Call Me By Your Name é sua energia crua, vulnerável, apaixonada e desinibida. O filme não coloca rótulos nos relacionamentos, nem define sua história como um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. O olhar atento do diretor vê o amor como amor e nada mais.
Saltburn
3.5 931Saltburn é um completo escândalo cinematográfico, incrivelmente bizarro e sombrio de uma forma extremamente específica.
O que percebi é que Oliver atende às “necessidades” mais básicas de cada um dos membros da família. Felix tinha um complexo de salvador, o que se refletia nas asas de sua fantasia da festa de aniversário. Haviam os “acenos” verbais, muitas vezes escolhendo alguém menos afortunado para ajudar e eventualmente se cansar deles. Então Oliver e sua trágica história de fundo apresentaram uma oportunidade para Felix “salvá-lo”. Venetia tinha transtorno alimentar e dismorfia corporal, então quando Oliver fez sua “coisa de vampiro”, foi, para Venetia, a aceitação final de seu corpo. Já Elspeth, ela precisava de alguém que assinasse seus ataques verbais ignorantes e suas teorias e crenças sem instrução, e Oliver era quem estava lá para concordar. Finalmente, Farleigh, que precisava de alguém abaixo dele para que ele não se sentisse como a forma de vida mais indecorosa em Saltburn.
Notei outro pequeno detalhe, e é de longe a minha cena favorita. Oliver está perfeitamente composto e barbeado quando estão no almoço após a morte de Felix, e disposto a desempenhar o papel que Elspeth e Sir James querem, enquanto Farleigh está "feio", com o cabelo desgrenhado e com a barba parecendo restolho. Ele está desesperado para falar sobre o que aconteceu e compartilhar o luto de sua maneira norte americana moderna; e neste momento, ele é verdadeiramente incompatível com o resto da família, então é expulso para sempre. Na verdade, quanto mais penso nisso, percebo que até mesmo Elspeth e Sir James têm rachaduras em suas fachadas com uma reação mais emocional do que Oliver. Ele é o assassino, então isso não o choca, mas em algum nível também é como se sua compostura e distanciamento o tornasse mais adequado para esse ideal de aristocracia inglesa clássica.
E só para finalizar, se Oliver é simbolizado pelo minotauro, na cena do labirinto, talvez as asas de Felix sejam um aceno para Ícaro. Ícaro voou muito perto do sol e caiu no chão. Felix se tornou muito próximo de Oliver e toda sua família caiu.
Eu amei o filme por sua estética, bem como por seu excelente elenco. Mas especialmente pelo desempenho magistral de Barry Keoghan, que para mim carregou esse filme com uma mão magistral; ele é assustador, maquiavélico, louco, um verdadeiro psicopata! Adoro papéis desconfortáveis em que o ator sai de sua zona de conforto.
Saltburn é, com certeza, o melhor filme que eu assisti nos últimos anos.
Django Livre
4.4 5,8KSó Tarantino conseguiu criar uma mistura tão selvagem de cultura - uma variedade de ingredientes originários de faroeste, escravidão histórica, rap moderno, uma montagem de atores dos anos 60 e 70 e um casal de protagonistas que deveriam ser os distantes antepassados dos heróis da Blaxploitation - e torná-lo não só digerível, mas, na verdade, bem delicioso. Há um prazer inegável que surge ao ver Tarantino manipular a dinamite de suas ideias.
Ela
4.2 5,8K Assista AgoraUm romance triste, engraçado e silenciosamente alarmante.
Onde os Fracos Não Têm Vez
4.1 2,4K Assista AgoraEsse filme é uma evocação magistral de tempo, lugar, caráter, escolhas morais, certezas imorais, natureza humana e destino. É também, na fotografia, na edição e na música, surpreendentemente belo, duro e solitário. O filme demonstra como os sentimentos humanos comuns são lamentáveis em face da injustiça implacável. O filme também ama alguns de seus personagens, e tem pena deles, e tem um ouvido para o diálogo não como é falado, mas como é sonhado. Muitas das cenas são tão perfeitamente construídas que você quer que elas simplesmente continuem, e ainda assim elas criam uma sucção emocional levando você para a próxima. Outro filme que fez eu me sentir assim foi "Fargo". Fazer um desses filmes é um milagre. Aqui está outro!
O Leitor
4.1 1,8K Assista AgoraCertamente "O Leitor", por todas suas cenas eróticas envolvendo Kate Winslet, apresenta um difícil desafio de marketing. A estrutura não-linear e animada imposta pelo roteirista e a direção rígida e concentrada fazem desse drama um filme envolvente.
Ex Machina: Instinto Artificial
3.9 2,0K Assista AgoraUm bom entretenimento; uma imagem de ficção científica executada num estilo limpo e conciso com uma narrativa tão lógica quanto imprevisível, mas apesar de revelar os circuitos da Ava, é o tipo notável de filme que é muito mais dependente de idéias do que efeitos.
Os Oito Odiados
4.1 2,5K Assista AgoraCinematograficamente belo! Como se espera de um filme de Tarantino, "Os Oito Odiados" é um banho de sangue bem-humorado em sua depravação. É na sua maioria bem atuado, com um mistério envolvente e não convencional - por isso se pode desculpar os excessos Tarantinos. Um ótimo entretenimento. Vale a pena seu tempo.
Sete Dias com Marilyn
3.7 1,7K Assista AgoraEddie Redmayne faz um trabalho muito bom como Colin, mas a cena é totalmente roubada dele de várias maneiras pelos outros atores; Michelle Williams conseguiu capturar bem a vulnerabilidade e inocência de Marilyn e Branagh é tremendo como Olivier: um papel que ele nasceu para interpretar.
O Lobo de Wall Street
4.1 3,4K Assista AgoraSe DiCaprio não ganhou um Oscar com esse filme, não sei com qual ele podeira ganhar...
Alemanha no Outono
3.8 5O longa não possui, como já era de se esperar, uma história fechada. Há sim uma ideia coesa e bem arquitetada, mas isso não é colocado de forma sequencial. Em muitos aspectos o filme é um documento de seu tempo, um instantâneo que tentava agrupar as principais ideologias em conflito no país e entender a atuação de cada grupo que as apoiavam, gerando diversas situações, questionamentos sobre a prisão de alguns cidadãos, críticas à censura que se estabeleceu nos meios de comunicação e exames metalinguísticos da própria ação dos cineastas e outros intelectuais nesse momento da História. Uma oportunidade rara, complexa, experimental e necessária para cinéfilos e interessados em História e Política.
Viagens Alucinantes
3.6 191Um verdadeiro trabalho de ficção-científica. Foge dos padrões que costumamos ver e enfatiza muito mais o lado psicológico do homem. O filme mais que cumpre seu papel, trazendo à vida as experiências do personagem e nos transportando para dentro delas, ao mesmo tempo que nossa mente se enche de indagações. Trata-se de um filme para se deixar absorver, para viajarmos junto do protagonista, para contemplar e se desgastar pelas suas fortes imagens que, certamente, surtirão diferentes efeitos sobre cada espectador. Acima de tudo, uma obra obrigatória para qualquer apreciador da ficção-científica.
...E o Vento Levou
4.3 1,4K Assista AgoraApesar de suas inadequações da retratação da escravidão (isso para usar um eufemismo, claro), ainda é um excelente filme romântico, com temática forte para a época e, de certa forma, mesmo para os cínicos dias de hoje. É um fruto de seu tempo e a “obra hollywoodiana” por excelência, se é que essa classificação pode ser feita. No mínimo, merece a compreensão de todos os cinéfilos de que é um tipo de obra que os ventos que a fizeram não sopram mais.
Sangue Francês
3.5 10Perturbador e intimista, o filme procura abordar o psicológico de seu protagonista, demonstrando como a maturidade decorrente da passagem dos anos, altera a percepção do mundo das pessoas. Com uma premissa instigante, a obra desliza muito pontualmente, deixando, ainda, com uma percepção positiva de seu todo e, sobretudo, de sua mensagem. Sangue Francês ainda consegue cativar suas audiências. Um filme com nítidos deslizes, mas que consegue ser potente de qualquer forma, especialmente para quem deseja ter uma maior compreensão da ideologia seguida por tal grupo. Sobretudo, porém, uma história de redenção e de como qualquer pessoa pode se aprimorar, por piores que tenham sido seus erros no passado.
Eraserhead
3.8 953 Assista AgoraUm terror surrealista que faz o espectador mergulhar diretamente na cabeça do protagonista, nos tirando do lugar comum, criando um nítido desconforto que atua em grau crescente ao longo de seus curtos 89 minutos. Simplesmente entender Eraserhead está fora de questão. É um filme para ser sentido, vivenciado. De todos os aspectos do longa, aquele que talvez mais nos cause forte sensação de claustrofobia é o seu desenho de som. Constantes efeitos sonoros, que parecem ter sido tirados de um ambiente industrial, preenchem as cenas e trazem à tona a loucura do que vemos em tela. Discreto a priori, essa sonoridade nos afeta pouco a pouco, fazendo nos ansiar pelo seu término, ao mesmo tempo que ajudam a compor esse cenário distorcido, que mais uma vez retomam a ideia de que tudo se trata de um imaginário de Spencer. Há um grande vazio no filme, muito bem representado pela ausência de personagens e de diálogos. A constante repetição desses sons ocupam esse vazio e, quando acabam, notamos que o aparente silêncio que testemunhávamos era, de fato, um grande barulho contínuo. Eraserhead está longe de ser um filme fácil de ser assistido, mas isso não tira nem um pouco o fascínio que podemos ter por ele. Trata-se de um mergulho no mundo dos sonhos e dos pesadelos, uma experiência verdadeiramente surreal que dificilmente pode ser imitada. Mais uma vez, Eraserhead precisa ser sentido e não simplesmente assistido. Repugnante e fascinante!
Nosferatu
4.1 676 Assista AgoraA trilha sonora por si só conta toda a trama. Ver esse filme é sempre uma experiência fantástica, pois o jogo de luz e sombras e o design de produção é algo que só mesmo o expressionismo alemão conseguiu produzir. A fotografia de Fritz Arno Wagner com o uso generoso de sombras é icônica por si só; um trabalho que aterroriza pelo que não mostra, pelo que apenas se deixa entrever. É um filme que transfixa o espectador - cinéfilo ou não - e apresenta um mundo particular, altamente criativo e que funciona bem em obras de horror (gênero tão mal trabalhado hoje em dia). Nosferatu é, sem tirar nem pôr, uma adaptação de Drácula. Está tudo lá e, arrisco a dizer, de maneira mais fiel à obra de Bram Stoker do que em qualquer outro filme. Uma jóia cinematográfica!
Pulp Fiction: Tempo de Violência
4.4 3,8K Assista AgoraOs filmes do Tarantino coexistem, e o próprio Pulp Fiction vem com premissas de probabilidade, mutualismo, etc. Os detalhes provam a teoria de que seriam basicamente dois roteiros dentro de um só, algo como duas histórias, ou dois cursos dentro de um mesmo, ligado justamente à proposta inicial e geral do filme: a contraditória analogia do enredo intrincado do filme com o nome Pulp Fiction, provindo das revistas de ficção superficial e de má qualidade presentes na cultura americana.