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Últimas opiniões enviadas

  • Vinicius Gandolfi

    Apesar de todos os clichês do gênero "Raya e O Último Dragão" se mostra uma surpresa imensamente positiva da Disney. Todos os ingredientes para um blockbuster de animação que a empresa costuma entregar anualmente estavam lá: personagens bonitinhos e engraçadinhos, muito humor, uma jornada que irá definir o papel da heroína titular nesse universo, a figura paterna que molda o caráter da protagonista e ela o perde ainda na infância e uma escolha temática de personagens e ambientação mais diversificadas para corresponder aos padrões atuais (e também garantir uma boa arredação do público asiático, é claro).

    O longo emprega até mesmo uso de artíficios vindos dos grandes blockbusters de ação, aventura e super-heróis, como a busca por relíquias extremamente poderosas (no lugar de Joias do Infinito ou Caixas Maternas temos as Joias do Dragão), um background secular para a trama (tal como o visto na história da Terra Média), os vários povos diferentes que formam Kumandra (ecoando as cinco tribos de Wakanda), cenas de lutas coreografadas (saem os sabres de luz de cena para voltar para o clássico duelo de espadas) e um cenário distópico e pós-apocalíptico (assim como o presenciado por Max Rockatansky).

    Mas então o que realmente vale e chama atenção nesse Raya e o Último Dragão? É justamente a forma como a narrativa conduz uma premissa já batida de uma maneira que envolve, emociona, faz rir e se encantar em perfeita consonância e na medida certa. Raya não possuí poderes mágicos como Elsa e Moana e por conta disso a personagem tem o trabalho em dobro para nos comprar por seu carisma e força de vontade de fazer aquilo que é certo. o que ela faz magistralmente, adicionando ainda inteligência e coração. As mensagens passadas sobre inocência, comunhão, esperança e conquista também são mutio bem-vindas, principalmente em tempos cabulosos como esses em que vivemos.

    Como não poderia de deixar de ser também vindo da empresa do Micky Mouse, o filme é um primor técnico. Os gráficos estão belíssimos, os cenários dos reinos de Kumandra estão estonteantes aliados à uma estética lúdica e a trilha sonora está SENSACIONAL, com partituras muito bem escolhida. Assisti na versão dublada brasileira, então não pude apreciar o trabalho da dublagem originaL. Porém, se Kelly Marie Tran, Awkwafina, Izaac Wang, Gemma Chan e companhia estão sendo extremamente elogiados por suas habilidades vocais, pode ter certeza que a dublagem nacional também está impecável.

    Além disso, por mais que seja uma tarefa praticamente impossível conciliar as necessidades de um filme hollywoodiano com orçamento milionário e ao mesmo tempo respeitar os costumes, tradições e cultura do sudeste asiático, o filme chega muito mais perto de acertar essa tentativa do que o desastroso live-action de Mulan para com com a cultura chinesa. Ao criar um mundo fantástico e imaginário, a produção possibilita homenagear a cultura de tais países e ainda sim incluir elementos próprios que irão agradar o público ocidental. Uma decisão acertada, com toda certeza.

    No final, a única coisa que destoa do resto do longa são suas passagens por vezes muitas rápidas que acabam colocando muito menos peso e senso de urgência nas aventuras de Raya e companhia. Mas não é uma coisa que chegue a estragar a experiência sensorial que é acompanhar os caminhos percorridos pelas terras de Kumandra!

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  • Vinicius Gandolfi

    Consegui curtir a série ao longo de seus dez episódios, algo que estava com certo receio devido às várias críticas mistas que haviam saído e por seu cancelamento precoce. De um modo geral, o saldo é bom/muito bom, levando-se em conta os pontos positivos e negativos, que se mostram bem divididos entre si.

    Realmente, o maior problema de "City of Angels" foi se vender como um spin-off de "Penny Dreadful" e podemos observar isso tanto por um viés comercial quanto estético. Por mais que não forneça nenhuma ligação com a série-mãe, o fato de ser um spin-off já afasta novos espectadores que não assistiram a "Penny Dreadful" original. Por sua vez, os fãs já estabelecidos acabam recebendo uma série que não lembra a atmosfera sombria dos cantos obscuros de uma Londres em final do século XIX habitada por icônicos personagens da literatura britânica à favor de um panfletarismo político seguindo as recentes polêmicas envolvendo o governo de Donald Trump e sua conturbada relação com imigrantes mexicanos. Poderíamos até analisá-la como uma série própria, mas apenas por ter'Penny Dreadful" em seu título e tentar lembrar certos aspectos dela, as comparações com a série original são inevitáveis.

    Entre seus primeiros erros se encontra a inexistência de uma abertura, que é substituída por um mero cartão de título. A abertura da série anterior era praticamente um show à parte de tão bem-feita e bela que era. Em seguida, se de início cause estranhamento, o novo contexto histórico, uma Los Angeles pré-Segunda Guerra Mundial em meio às suas lutas raciais, se mostra muito bem-vindo. Porém, a forma como o drama é conduzido, que vemos logo na ceba de abertura da season premiere, já desanima qualquer fã raiz da série original. "Penny Dreadful" era um show que contava muito com a interpretação e até mesmo a subjetividade de seu público para ser brilhante. Era também uma obra bastante poética, com muitas passagens sendo praticamente uma poesia metaforseada em som e imagens. Sendo assim, era difícil de se encontrar algo parecido com "Penny Dreadful" na televisão.

    Já em "City of Angels" o que temos é uma narrativa permeada por clichês, que encontramos aos montes por aí. Temos o mocinho que sofreu uma tragédia na infância que lhe tirou um membro parental e agora é marcado para ser um grande salvador de um mal que assola a cidade dos anjos. Além disso, ele é um detetive iniciante que se vê com um parceiro muito mais velho e experiente do que ele. Talvez esse contraste entre as duas atmosferas tenha sido proposital pelo show se passar em solo americano, onde há um público mais interessado em tramas mais simples que não exigem muito do espectador, deixando para trás a complexidade vista na maior parte da televisão britânica. Além disso, "Penny Dreadful" tinha uma ótima abordagem pssicossexual de se contar suas histórias, uma das melhores que podemos encontrar. Já em "City of Angels", o sexo parece muito mais gratuito, sendo colocado arbitrariamente. Ainda nesse viés, as cenas de horror esplêndidas encontradas outrora são substituídas por cenas muito fracas que trazem à tona os péssimos e demasiantes jumpscares e climas de tensão falsos dos filmes de terror atuais.

    Por outro lado, entre seus pontos positivos destaco as atuações da dupla de protagonistas. A versatilidade de Natalie Dorman está FANTÁSTICA, a atriz transita muito bem entre seus quatro papéis na trama, indo habilmente da forma original do demônio Magda até suas personas, que incluem a mãe assustada Elsa Bransom, a gângster Rio e a calculista secretária Alex Malone. Observei aqui alguns a comparando com Eva Green, o que acho injusto, pois as duas personagens são completamente diferentes. Enquanto isso, depois de entregar mais do mesmo em seus trabalhos anteriores, Daniel Zovatto apresenta aqui provavelmente a melhor perfomance de sua carreira até agora (mesmo que a escolha do ator, que é costa-riquenho e não mexicano, seja questionável), com um Tiago Vega angustiado e em conflito com sua identidade entre ser um detetive de Los Angeles e ser um cidadão latino, Por fim, destaque também para Michael Gladis e os veteranos Nathan Lane, Amy Madigan, Rory Kinnear e Christine Estabrook. Pena a participação de Patti LuPone ser tão curta =(

    De um modo geral, a trilha sonora da série está muito boa. Por mais que as composições inesquecíveis de Abel Korzeniowski façam falta, John Paesano honra muito bem seu legado, com a montagem do úlltimo episódio com a canção Arrorro Mi Niño sendo magnífica, ecoando diretamente a season finale da série original com o coral cantando "O Come, O Come, Emmanuel". O trabalho de produção e cenografia também está muito caprichado como era de se esperar, se levarmos em conta termos sido transporados anteriormente para a majestosa Londres Vitoriana. A Cidade dos Anjos de final da década de 1930 é extremamente viva e recebe um tratamento especial, por vezes até mesmo relembrando a saudosa "Agent Carter".

    Por fim, o roteiro amarra bem de forma dinâmica (embora por vezes caia em inconveniências narrativas.) vários pontos que faziam parte dessa Los Angeles pré-Segunda Guerra Mundial, com a presença do nazifacismo em solo americano, os programas radiofônicos evangelistas, o preconceito e a discriminação institucionalizados no departamento de polícia e demais órgãos públicos e principalmente os emabates raciais entre latino-americanos em solo estadunidense. Além disso, tudo progride de uma forma bastante rápida, conforme os episódios vão passando, a história realmente anda, o que era uma problemática que por vezes se deparamos na série original.

    No entanto, como já foi apontado em alguns comentários anteriores, a série tem pouca diversidade mexicana em sua equipe de produção, principalmente roteiristas e diretores, o que acaba sendo o ponto de partida para esteriótipos e alguns deslizes delicados, como é o caso da posição que Rio ocupa perante os mexicanos

    .Apesar de tudo, a série não merecia o fim abrupto que teve e deveria ter uma nova chance para corrigir seus erros em uma futura segunda temporada. Uma pena que ela se apresenta apenas como o enterro de vez de nossa amada "Penny Dreadful".

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