Chegou aquela época do ano que a gente larga todas as análises técnicas e se delicia com um bom filme de natal de roteiro previsível, personagens bobinhos e fotografia belíssima. E esse não deixa de ser diferente e entrega tudo ao que se propõe em um drama natalino: surpresas e um final feliz pro casal protagonista. Um filme pra ser assistido numa tarde de sábado com a família sem pretensão alguma.
De todas as maravilhas que o cinema pode nos proporcionar, a maior delas é a de retratar um período histórico que algum país passou e que deixa marcas até hoje. Ainda estou aqui faz jus ao seu nome, e trás o sentimento de todos que sobreviveram aos horrores do período da Ditadura Militar no Brasil, essas pessoas existem e resistem através dos anos e dos acontecimentos que fazem ser o que somos enquanto produto de uma sociedade. Fernanda Torres está em sua melhor forma, e assim como sua mãe, creio que o Oscar é pequeno perto da sua grandiosidade. Nossa história tá aí para ser estudada e nunca mais repetida. Que alegria poder ver o cinema nacional se reinventando e mostrando todo seu potencial.
Tentar entender a importância desse filme para o Brasil é uma tarefa extremamente difícil, pois a obra se apresenta de uma forma tão visceral que ficamos literalmente sem palavras. Trazer o relato de um médico sanitarista sobre a contenção do HIV dentro de um presídio, num país que tem o SUS como modelo de sistema de saúde é de uma maestria tremenda. Babenco trouxe na direção de forma espetacular ambientações de dentro do presídio que são reais e agoniantes, as histórias paralelas são um espetáculo a parte e faz percebermos o quanto do Brasil tem no próprio Brasil. A discussão dos direitos humanos é revogada no terceiro ato quando vemos a brutalidade que foi a invasão pra contenção da rebelião e que vitimou tantas vidas. Forte, cru e visceral. Você não vê Carandiru e esquece depois, ele fica na sua memória pra sempre e isso é o mais importante.
É interessante pensar que para assistir esse filme você deva assumir um lado da história contada: ou você faz parte da classe dominante, que vive rodeado de privilégios desde o nascimento e nem percebe porque se tornou muito cômodo viver num país onde suas vontades sempre foram atendidas, ou você (assim como eu) pertence a classe oprimida, que resistiu e resiste desde sempre numa sociedade que espera que seu comportamento seja baseado num caráter de resignação e constante entrega sem receber muito em troca. Outro ponto interessante é perceber como a educação funciona como instrumento de libertação e que esse fato vai de encontro diretamente com o pensamento de que "quem vem debaixo nunca vai conseguir subir". E é nesse contexto que o filme narra a história da empregada doméstica que deixou a filha pra trás para tentar uma vida melhor na "cidade grande", passou quase quinze anos servindo os patrões brancos, e ao receber a filha pra fazer o vestibular passou por diversas situações que nem sempre a faziam entender o contexto que estava inserida. Sua filha Jéssica é a exata definição do que a elite tanto teme: o pobre com consciência crítica e que quer vencer na base dos estudos. A diretora aqui conseguiu com maestria mostrar a realidade de diversos brasileiros que são filhos de políticas públicas e travam uma batalha todos os dias para poder conseguir ter um futuro melhor. Um deleite aos olhos do social.
Primeiramente, há de se considerar a ousadia de fazer filmes de terror brasileiros, não porque sejam ruins, mas sim pela falta de público que é tão acostumada com produções internacionais. Aqui podemos perceber quão boa foi a direção em conseguir nos conectar com a época, as ambientações e a realidade das enchentes no Rio de Janeiro. Marjorie Estiano é nosso patrimônio cultural, que atriz, que entrega, literalmente tudo que ela faz é bem feito. Em se tratando da história, sinto que poderiam ter aprofundado mais, mostrado mais as consequências do que os personagens estavam buscando, acabou que no final tudo ficou um tanto superficial. Mas essas questões não tiram o mérito do produto final. O cinema brasileiro vive!
Ao olhar apenas para a sinopse pode se ter uma sensação de que o filme tem uma história monótona. Mas é aí que entra a maestria da direção do Kleber Mendonça Filho e sua capacidade de contar uma história linear e suas diversas intermediações, além de mostrar situações cotidianas de identificação para qualquer brasileiro. Como se não fosse suficiente, ainda temos Sônia Braga de protagonista, creio que uma das poucas com capacidade pra defender uma protagonista tão cheia de verdades e particularidades, que abrilhanta a história com sua atuação visceral. Vale muito a pena ver todos os filmes do diretor, e nem é exagero.
A obra trás cenários da chamada Cidade Baixa em Salvador na Bahia e retrata um triângulo amoroso entre dois melhores amigos e uma prostituta que ambos encontram pelas estradas do interior. Ela, em busca de uma vida melhor. Eles, buscando formas de ganhar dinheiro. Sendo assim, nascem sentimentos diversos que vão guiar a história dos personagens. A direção aqui fez um trabalho muito bem feito e conseguiu criar uma atmosfera bem específica. O elenco não preciso nem dizer, Wagner Moura e Lázaro Ramos são o suprassumo da atuação nacional. Alice Braga como sempre merece todo destaque também.
Falar de Bacurau é falar de movimentos que fazem o Brasil ser o que é como referência de comunidade e também de arte. Os cenários, os personagens, os movimentos que permeiam a história principal gritam a todos que quiserem ouvir: ISSO AQUI É O NOSSO PAÍS. A mistura de elementos do sertão com um enredo de tecnologia foi o ponto alto, mostrando que as diferenças entre esses dois mundos vão além de qualquer comparação previamente definida. Outro ponto a se considerar foi o quanto a supremacia branca é enraizada no nosso território e faz com que alguns achem que são superiores e podem até matar em nome do poder. É um filme para ver e mexer na ferida do apagão sócio-histórico que as pequenas comunidades do interior do sertão tanto sofrem. Afinal, quem nasce em Bacurau é o que? É gente!
Trazendo conceitos que extrapolam nosso entendimento de humanidade, 2001: Uma Odisseia no Espaço faz jus a sua fama e se mostra ser um dos melhores filmes de todos os tempos. Levando em consideração o ano que foi lançado, tudo na obra mostra a imensidão da genialidade do diretor. O roteiro é uma obra prima a parte, os visuais são de tirar o fôlego (sem exagero) e a conexão entre a cena inicial e a cena final nos faz refletir por horas e horas, sem conseguirmos chegar a uma conclusão palpável, porque é justamente essa a proposta: tentar entender a complexidade da vida humana na terra, nosso inconsciente coletivo, nossa humanidade e tudo o que faz sermos quem somos. Afinal de contas, o que somos?
Macunaíma é uma obra que deve ser analisada não só do ponto de vista do cinema dos anos 60, mas também como uma ode ao livro lançado durante do Modernismo Brasileiro que deu origem ao filme. Ao falarmos de Modernismo, percebemos características como a inovação estética que utiliza de uma narração não linear para mostrar inovações práticas, rompendo assim com o clássico e tradicional que era apresentado a época, também mostra uma forte tendência a identidade nacional que é refletida na cultura popular apresentada, e por fim humor e ironia através de sátiras. O elenco é um patrimônio cultural a parte. Há quem diga que felizmente o cinema nacional melhorou e esse não é um bom exemplo do nosso acervo;não discordo, mas também não deixo de enaltecer nosso potencial para criação de histórias atemporais e identitárias.
Clássico dos anos 60, do terror e de toda uma geração que bebeu da fonte e aprendeu a fazer e desenvolver um bom terror psicológico. O clima de opressão que vai se formando em torno da vida da protagonista chega a ser palpável, e paralelo a isso o ódio que vai tomando conta do espectador com o marido da mesma. Os efeitos são o ponto alto se formos pensar na época em que foi lançado, as atuações muito boas e a direção que consegue prender sua atenção aos mínimos detalhes tem um ponto especial nessa análise. Merece todo o reconhecimento que tem, é uma obra que todos os fãs do gênero precisam experimentar.
Trazendo todo a expectativa do primeiro filme, Joker: Folie à Deux estreou dividindo opiniões. Muitos reproduzem o esterótipo de ódio a musicais e desqualificam a obra, e muitos reclamaram da má condução da história. Mas uma coisa é certa, o filme não é nenhuma obra prima, porém também não é horrível do jeito que estão espalhando. Seguindo um roteiro previsível para a história de Arthur Fleck, talvez o principal erro seja a forma como o mesmo foi apresentado:inconsistente e desconexo, e muitas vezes repetitivo. Faltou profundidade nos detalhes complexos, na ligação do protagonista com seu interesse amoroso, que de tão doentio, esperava-se uma loucura mais sombria. Enfim, faltou todo o drama apresentado no primeiro filme. Em se tratando de interesse amoroso, a Harlley Quinn que nos foi prometida no trailer ficou em dívida com o público, poderiam e deveriam explorar mais ainda o talento da Lady Gaga, que tinha potencial para nos apresentar uma personagem fria, psicologicamente complexa e literalmente obcecada pelo Joker. O fato de ser um drama com pegada de musical muito me agrada, porém as cenas musicais ficaram perdidas e parecia que tinham sido jogadas aleatoriamente, fazendo com que o público não sentisse tanta emoção nas cenas finais. O ponto alto foram as atuações que não deixaram a desejar, a direção que tentou de toas as formas trazer uma identidade visual parecida com o primeiro filme, e a trilha sonora de excelente qualidade, com especial menção as de Cantando na Chuva, considerado por muitos o melhor musical de todos os tempos. Por fim, repito que não é um filme ruim, só não é um filme memorável, mas com potencial de ser inocentado pelo tempo e de permanecer pra sempre na memória dos fãs e dos artistas que participaram da construção.
De todas as histórias com situações do cotidiano que já vi do Woody, essa sem dúvidas é a minha favorita, talvez pela atuação visceral e trágica da Cate Blanchett ou pelo roteiro mais íntimo. Por falar na protagonista, aqui a atriz entrega mais um de muitos trabalhos espetaculares, e o seu Oscar de Melhor Atriz na época foi mais que merecido. Em relação a história, o fato de mostrar momentos de antes e depois da ascensão e queda de Jasmine junto com os acontecimentos que justificam as duas situações, foi bem construído e passou ao telespectador a sensação de estar junto com a personagem aprendendo inclusive a mexer no computador e querer voltar pra faculdade de antropologia. A cena final deixa um gostinho amargo de que nada daquilo se resolveu ou algum dia vai.
sobre os ares de Barcelona, envolto numa aura de arte, sexo e vinho, o filme trás uma história de amor que se desenrola com um ponto central e suas três divergências (duas amigas que vão a cidade para buscar inspiração artística e uma ex esposa explosiva); aqui costumo dizer que apesar de ser um enredo simples para o allen, é o filme onde ele mais explora as profundidades nos diálogos e não deixa no ar aquele gostinho de superficialidade que tanto reclamam; a direção aqui é belíssima, os cenários são de tirar o fôlego, a arte é explorada e dá pra sentir na pele aquele desejo por consumi-la enquanto toma uma bela taça de vinho e flerta com o javier bardem.
Minority Report: A Nova Lei
3.7 764 Assista AgoraAtualizando a lista com os Melhores do Século XXI pela NYT: 94º lugar.
A Pior Pessoa do Mundo
4.0 703 Assista AgoraAtualizando a lista com os Melhores do Século XXI pela NYT: 95º lugar.
Pantera Negra
4.2 2,3K Assista AgoraAtualizando a lista com os Melhores do Século XXI pela NYT: 96º lugar.
Gravidade
3.9 5,0K Assista AgoraAtualizando a lista com os Melhores do Século XXI pela NYT: 97º lugar.
O Homem-Urso
4.0 158 Assista AgoraAtualizando a lista com os Melhores do Século XXI pela NYT: 98º lugar.
Memórias de um Assassino
4.1 410Atualizando a lista com os Melhores do Século XXI pela NYT: 99º lugar.
Superbad: É Hoje
3.6 1,3K Assista AgoraAtualizando a lista com os Melhores do Século XXI pela NYT: 100º lugar.
Esqueceram de Mim
3.5 1,3K Assista Agoraatemporal
O Príncipe do Natal
3.1 182 Assista AgoraChegou aquela época do ano que a gente larga todas as análises técnicas e se delicia com um bom filme de natal de roteiro previsível, personagens bobinhos e fotografia belíssima. E esse não deixa de ser diferente e entrega tudo ao que se propõe em um drama natalino: surpresas e um final feliz pro casal protagonista. Um filme pra ser assistido numa tarde de sábado com a família sem pretensão alguma.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraDe todas as maravilhas que o cinema pode nos proporcionar, a maior delas é a de retratar um período histórico que algum país passou e que deixa marcas até hoje. Ainda estou aqui faz jus ao seu nome, e trás o sentimento de todos que sobreviveram aos horrores do período da Ditadura Militar no Brasil, essas pessoas existem e resistem através dos anos e dos acontecimentos que fazem ser o que somos enquanto produto de uma sociedade. Fernanda Torres está em sua melhor forma, e assim como sua mãe, creio que o Oscar é pequeno perto da sua grandiosidade. Nossa história tá aí para ser estudada e nunca mais repetida. Que alegria poder ver o cinema nacional se reinventando e mostrando todo seu potencial.
Carandiru
3.7 773 Assista AgoraTentar entender a importância desse filme para o Brasil é uma tarefa extremamente difícil, pois a obra se apresenta de uma forma tão visceral que ficamos literalmente sem palavras. Trazer o relato de um médico sanitarista sobre a contenção do HIV dentro de um presídio, num país que tem o SUS como modelo de sistema de saúde é de uma maestria tremenda. Babenco trouxe na direção de forma espetacular ambientações de dentro do presídio que são reais e agoniantes, as histórias paralelas são um espetáculo a parte e faz percebermos o quanto do Brasil tem no próprio Brasil. A discussão dos direitos humanos é revogada no terceiro ato quando vemos a brutalidade que foi a invasão pra contenção da rebelião e que vitimou tantas vidas. Forte, cru e visceral. Você não vê Carandiru e esquece depois, ele fica na sua memória pra sempre e isso é o mais importante.
Que Horas Ela Volta?
4.3 3,0K Assista AgoraÉ interessante pensar que para assistir esse filme você deva assumir um lado da história contada: ou você faz parte da classe dominante, que vive rodeado de privilégios desde o nascimento e nem percebe porque se tornou muito cômodo viver num país onde suas vontades sempre foram atendidas, ou você (assim como eu) pertence a classe oprimida, que resistiu e resiste desde sempre numa sociedade que espera que seu comportamento seja baseado num caráter de resignação e constante entrega sem receber muito em troca. Outro ponto interessante é perceber como a educação funciona como instrumento de libertação e que esse fato vai de encontro diretamente com o pensamento de que "quem vem debaixo nunca vai conseguir subir". E é nesse contexto que o filme narra a história da empregada doméstica que deixou a filha pra trás para tentar uma vida melhor na "cidade grande", passou quase quinze anos servindo os patrões brancos, e ao receber a filha pra fazer o vestibular passou por diversas situações que nem sempre a faziam entender o contexto que estava inserida. Sua filha Jéssica é a exata definição do que a elite tanto teme: o pobre com consciência crítica e que quer vencer na base dos estudos. A diretora aqui conseguiu com maestria mostrar a realidade de diversos brasileiros que são filhos de políticas públicas e travam uma batalha todos os dias para poder conseguir ter um futuro melhor. Um deleite aos olhos do social.
Abraço de Mãe
2.9 142 Assista AgoraPrimeiramente, há de se considerar a ousadia de fazer filmes de terror brasileiros, não porque sejam ruins, mas sim pela falta de público que é tão acostumada com produções internacionais. Aqui podemos perceber quão boa foi a direção em conseguir nos conectar com a época, as ambientações e a realidade das enchentes no Rio de Janeiro. Marjorie Estiano é nosso patrimônio cultural, que atriz, que entrega, literalmente tudo que ela faz é bem feito. Em se tratando da história, sinto que poderiam ter aprofundado mais, mostrado mais as consequências do que os personagens estavam buscando, acabou que no final tudo ficou um tanto superficial. Mas essas questões não tiram o mérito do produto final. O cinema brasileiro vive!
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraAo olhar apenas para a sinopse pode se ter uma sensação de que o filme tem uma história monótona. Mas é aí que entra a maestria da direção do Kleber Mendonça Filho e sua capacidade de contar uma história linear e suas diversas intermediações, além de mostrar situações cotidianas de identificação para qualquer brasileiro. Como se não fosse suficiente, ainda temos Sônia Braga de protagonista, creio que uma das poucas com capacidade pra defender uma protagonista tão cheia de verdades e particularidades, que abrilhanta a história com sua atuação visceral. Vale muito a pena ver todos os filmes do diretor, e nem é exagero.
Cidade Baixa
3.4 377 Assista AgoraA obra trás cenários da chamada Cidade Baixa em Salvador na Bahia e retrata um triângulo amoroso entre dois melhores amigos e uma prostituta que ambos encontram pelas estradas do interior. Ela, em busca de uma vida melhor. Eles, buscando formas de ganhar dinheiro. Sendo assim, nascem sentimentos diversos que vão guiar a história dos personagens. A direção aqui fez um trabalho muito bem feito e conseguiu criar uma atmosfera bem específica. O elenco não preciso nem dizer, Wagner Moura e Lázaro Ramos são o suprassumo da atuação nacional. Alice Braga como sempre merece todo destaque também.
Bacurau
4.3 2,8K Assista AgoraFalar de Bacurau é falar de movimentos que fazem o Brasil ser o que é como referência de comunidade e também de arte. Os cenários, os personagens, os movimentos que permeiam a história principal gritam a todos que quiserem ouvir: ISSO AQUI É O NOSSO PAÍS. A mistura de elementos do sertão com um enredo de tecnologia foi o ponto alto, mostrando que as diferenças entre esses dois mundos vão além de qualquer comparação previamente definida. Outro ponto a se considerar foi o quanto a supremacia branca é enraizada no nosso território e faz com que alguns achem que são superiores e podem até matar em nome do poder. É um filme para ver e mexer na ferida do apagão sócio-histórico que as pequenas comunidades do interior do sertão tanto sofrem. Afinal, quem nasce em Bacurau é o que? É gente!
2001: Uma Odisseia no Espaço
4.2 2,4K Assista AgoraTrazendo conceitos que extrapolam nosso entendimento de humanidade, 2001: Uma Odisseia no Espaço faz jus a sua fama e se mostra ser um dos melhores filmes de todos os tempos. Levando em consideração o ano que foi lançado, tudo na obra mostra a imensidão da genialidade do diretor. O roteiro é uma obra prima a parte, os visuais são de tirar o fôlego (sem exagero) e a conexão entre a cena inicial e a cena final nos faz refletir por horas e horas, sem conseguirmos chegar a uma conclusão palpável, porque é justamente essa a proposta: tentar entender a complexidade da vida humana na terra, nosso inconsciente coletivo, nossa humanidade e tudo o que faz sermos quem somos. Afinal de contas, o que somos?
Macunaíma
3.3 287197/366
Macunaíma é uma obra que deve ser analisada não só do ponto de vista do cinema dos anos 60, mas também como uma ode ao livro lançado durante do Modernismo Brasileiro que deu origem ao filme. Ao falarmos de Modernismo, percebemos características como a inovação estética que utiliza de uma narração não linear para mostrar inovações práticas, rompendo assim com o clássico e tradicional que era apresentado a época, também mostra uma forte tendência a identidade nacional que é refletida na cultura popular apresentada, e por fim humor e ironia através de sátiras. O elenco é um patrimônio cultural a parte. Há quem diga que felizmente o cinema nacional melhorou e esse não é um bom exemplo do nosso acervo;não discordo, mas também não deixo de enaltecer nosso potencial para criação de histórias atemporais e identitárias.
O Bebê de Rosemary
3.9 2,0K Assista Agora194/366
Clássico dos anos 60, do terror e de toda uma geração que bebeu da fonte e aprendeu a fazer e desenvolver um bom terror psicológico. O clima de opressão que vai se formando em torno da vida da protagonista chega a ser palpável, e paralelo a isso o ódio que vai tomando conta do espectador com o marido da mesma. Os efeitos são o ponto alto se formos pensar na época em que foi lançado, as atuações muito boas e a direção que consegue prender sua atenção aos mínimos detalhes tem um ponto especial nessa análise. Merece todo o reconhecimento que tem, é uma obra que todos os fãs do gênero precisam experimentar.
Coringa: Delírio a Dois
2.5 925 Assista AgoraTrazendo todo a expectativa do primeiro filme, Joker: Folie à Deux estreou dividindo opiniões. Muitos reproduzem o esterótipo de ódio a musicais e desqualificam a obra, e muitos reclamaram da má condução da história. Mas uma coisa é certa, o filme não é nenhuma obra prima, porém também não é horrível do jeito que estão espalhando.
Seguindo um roteiro previsível para a história de Arthur Fleck, talvez o principal erro seja a forma como o mesmo foi apresentado:inconsistente e desconexo, e muitas vezes repetitivo. Faltou profundidade nos detalhes complexos, na ligação do protagonista com seu interesse amoroso, que de tão doentio, esperava-se uma loucura mais sombria. Enfim, faltou todo o drama apresentado no primeiro filme.
Em se tratando de interesse amoroso, a Harlley Quinn que nos foi prometida no trailer ficou em dívida com o público, poderiam e deveriam explorar mais ainda o talento da Lady Gaga, que tinha potencial para nos apresentar uma personagem fria, psicologicamente complexa e literalmente obcecada pelo Joker. O fato de ser um drama com pegada de musical muito me agrada, porém as cenas musicais ficaram perdidas e parecia que tinham sido jogadas aleatoriamente, fazendo com que o público não sentisse tanta emoção nas cenas finais.
O ponto alto foram as atuações que não deixaram a desejar, a direção que tentou de toas as formas trazer uma identidade visual parecida com o primeiro filme, e a trilha sonora de excelente qualidade, com especial menção as de Cantando na Chuva, considerado por muitos o melhor musical de todos os tempos. Por fim, repito que não é um filme ruim, só não é um filme memorável, mas com potencial de ser inocentado pelo tempo e de permanecer pra sempre na memória dos fãs e dos artistas que participaram da construção.
Blue Jasmine
3.7 1,7K Assista Agora173/366
De todas as histórias com situações do cotidiano que já vi do Woody, essa sem dúvidas é a minha favorita, talvez pela atuação visceral e trágica da Cate Blanchett ou pelo roteiro mais íntimo. Por falar na protagonista, aqui a atriz entrega mais um de muitos trabalhos espetaculares, e o seu Oscar de Melhor Atriz na época foi mais que merecido. Em relação a história, o fato de mostrar momentos de antes e depois da ascensão e queda de Jasmine junto com os acontecimentos que justificam as duas situações, foi bem construído e passou ao telespectador a sensação de estar junto com a personagem aprendendo inclusive a mexer no computador e querer voltar pra faculdade de antropologia. A cena final deixa um gostinho amargo de que nada daquilo se resolveu ou algum dia vai.
Vicky Cristina Barcelona
3.8 2,2K Assista Agora172/366
sobre os ares de Barcelona, envolto numa aura de arte, sexo e vinho, o filme trás uma história de amor que se desenrola com um ponto central e suas três divergências (duas amigas que vão a cidade para buscar inspiração artística e uma ex esposa explosiva); aqui costumo dizer que apesar de ser um enredo simples para o allen, é o filme onde ele mais explora as profundidades nos diálogos e não deixa no ar aquele gostinho de superficialidade que tanto reclamam; a direção aqui é belíssima, os cenários são de tirar o fôlego, a arte é explorada e dá pra sentir na pele aquele desejo por consumi-la enquanto toma uma bela taça de vinho e flerta com o javier bardem.
Pânico VI
3.5 853 Assista Agora171/366
(revisto)
O Mal Que Nos Habita
3.5 810 Assista Agora170/366
(revisto)