Regado de estereótipos e da propaganda estadunidense mais sem vergonha presente no mercado, Mayday busca estabelecer um discurso naturalmente desonesto, em que todas as nações têm seus pontos positivos e negativos, mas os Estados Unidos têm muito mais positivos do que negativos, o que justificaria sua excepcionalidade enquanto nação.
Enquanto isso, temos um Ryan Reynolds em uma persona que se profissionalizou em ser nos últimos anos, enquanto Kenneth Branagh se diverte absurdamente em sua atuação.
Ao final, o saldo é bem positivo, sendo um filme com cenas de ação competentes e uma direção inventiva.
Um filme que aquece o coração, não apenas por revivermos personagens que tanto amamos, mas por ser um filme inventivo e verdadeiramente bom enquanto obra.
Sabe quando gastamos todo o orçamento com o elenco e não resta muito recurso para pagar roteiristas e um diretor? Esse é o exemplo perfeito! Ao final, temos um suspense genérico, sem ritmo e desinteressante.
Não posso negar que amo filmes em que seres humanos tentam desesperadamente sobreviver a dinossauros famintos. Da mesma forma, não tenho como ignorar que produções com essa proposta ultimamente insistem em me decepcionar. Isso me leva a O Fim da Rua, que me surpreendeu com uma direção competente, evitando sustos fáceis e construindo a tensão com paciência e dedicação.
Porém, o roteiro, tão inventivo em sua premissa, entrega-se a soluções que enfraquecem a trama, sem conseguir se sustentar em uma lógica mínima dentro daquele universo. Assim, saímos da sessão com questões problemáticas. Os atos do filho mais novo, Brian, no segundo ato, são incoerentes com a personalidade medrosa e psicologicamente frágil que lhe foi atribuída. Somado a isso, a decisão de Audrey de seguir o irmão sem buscar o apoio dos pais torna-se ainda mais incoerente, tendo em vista que ela havia se apresentado como uma personagem madura e racional durante o primeiro ato. (Aqui vou ignorar Greg enfrentando um dinossauro de toneladas armado apenas com uma marreta.) Por fim, a estrutura de final feliz se recusa a discutir questões minimamente éticas envolvendo os atos de Denise. Ao retornar para antes dos acontecimentos, ela salva o marido e alguns vizinhos, inclusive um com quem mantinha certa rivalidade. No entanto, deixa sua própria versão e a de seus filhos naquele tempo serem transportadas para o passado, algo que provavelmente os leva à morte. Isso fica evidente quando constatamos a existência de duas versões de Jeannette. Em outras palavras, Denise rouba o marido de sua versão do passado enquanto a deixa morrer junto com os filhos. Essa atitude não possui coerência com a construção da personagem ao longo de toda a história, o que evidencia uma enorme preguiça dos roteiristas em entregar um final feliz sem que houvesse qualquer reflexão adequada sobre o destino dos personagens que haviam sido desenvolvidos até aquele momento.
O Fim da Rua, embora competente em diversos aspectos, é intelectualmente desonesto na discussão que propõe, o que fragiliza sobremaneira o resultado final.
Homem-Aranha é o que mais se aproxima da realidade para mim. E, obviamente, aqui não considero, para a análise, as características fantasiosas de suas histórias, mas sim sua humanidade. Ele tem problemas de uma pessoa normal: uma situação financeira apertada, um relacionamento nem sempre estável, amigos, subempregos etc. Esses pontos sempre me aproximaram do personagem, principalmente nos filmes de Sam Raimi.
Nos filmes posteriores, estrelados por Andrew Garfield e Tom Holland, acabei não sentindo a mesma humanidade que tanto me cativou anteriormente. Enquanto Garfield emprestou seu talento a dois fracos exemplares, Holland estrelou filmes que divertiam moderadamente (sobretudo o terceiro), mas que facilmente se tornavam esquecíveis ao final das sessões.
E acaba sendo uma grata surpresa que este novo filme do herói aracnídeo foque tanto nessa humanidade, em seus dilemas e em seu emocional, tornando essa empreitada sólida e diferente dos exemplares plastificados e frágeis dos filmes que vinham sendo construídos pela Marvel nos últimos anos.
Isso não significa que o filme não tenha suas lacunas. Alguns efeitos duvidosos, furos de roteiro e aquele universo compartilhado, que está cada vez mais confuso, estão todos lá. Entretanto, temos Holland inspirado, uma Sadie Sink interessantíssima, boas sequências de ação e uma direção competente. Tudo isso já é suficiente para deixar um calor gostoso no coração.
Voltei a sair feliz de um filme do Amigo da Vizinhança.
Demorei para conseguir escrever aqui sobre A Odisseia. Isso porque, quando saí do cinema, tinha plena ciência de que ainda não havia digerido o filme como ele merecia. Nesses dias após assisti-lo, percebi como a obra é realmente grandiosa, não apenas por sua escala épica, mas pelos temas a que se propõe.
Nolan transforma Odisseu em um homem arrependido e envergonhado por tudo o que fez em Troia, a ponto de ter ido contra tudo aquilo que pregou ao longo da vida. O personagem passa a enxergar tudo o que lhe acontece como parte de uma penitência por seus pecados. É como se tudo o que lhe é tirado fosse justo por tudo o que ele próprio tirou durante a guerra.
Odisseu não estava preso no mar, em sua viagem de volta para casa. Estava preso em sua própria consciência, em seus traumas e em sua vergonha.
Algo que me incomoda muito é quando personagens merecem muito mais do que os filmes proporcionam. E aqui não é diferente. Kara é uma protagonista interessante, com uma intérprete competente, mas reside em um filme sem personalidade, com um roteiro formulaico e um vilão genérico e tosco. Ao final, não é apenas uma decepção, mas um desperdício.
Spielberg é um gênio e se diverte absurdamente ao pensar em cada detalhe para contar sua história. Pena que o roteiro apresente fragilidades que tornam o ritmo irregular, ao mesmo tempo em que levanta discussões sem jamais desenvolvê-las de forma satisfatória. Ao final, o saldo é positivo, entregando cinema de ótima qualidade, com a inegável assinatura de um grande diretor.
Mesmo que não tenha a mesma força dos três primeiros filmes, viver esta nova aventura é como reencontrar velhos amigos que, embora distantes, nunca perdem seu valor em nossas vidas. É sempre bom rever Woody, Buzz, Jessie e Bala no Alvo.
Eu gosto do primeiro filme. E isso torna ainda mais triste quando presenciamos uma segunda parte que se aproxima de um jogo de mundo aberto genérico, cujo roteiro busca colocar os protagonistas em uma espécie de missões que têm o objetivo quase integral de colocá-los em situações perigosas, esquecendo-se de desenvolver sua história. Enquanto isso, os personagens secundários se assemelham a NPCs que servem apenas para ajudar o trio principal ou para morrer.
Buscando não se levar a sério, ao mesmo tempo em que pontua cada página do roteiro com alguma piada no intuito, muitas vezes, de esconder suas fragilidades, Mestres do Universo acerta ao se assumir brega e galhofa (nos melhores sentidos dessas palavras), mas se esquece de que o filme deveria sobreviver para além da nostalgia.
Frágil em tudo o que se propõe a fazer, a ponto de desenvolver reflexões que se julgam progressistas, mas que, ao final, recaem em uma clara falta de maturidade, proliferando acidentalmente (será?) visões que acabam se revelando patriarcais e machistas em sua própria coerência.
Quando deixamos nossos monstros tomarem conta de nossas vidas para que nos sintamos mais confortáveis com nossos conflitos internos e dilemas, facilmente aceitamos ficar presos em labirintos de memórias deformadas e claramente esvaziadas.
Alguns diretores facilmente me causam ansiedade para ver seus filmes: Martin Scorsese, Hayao Miyazaki, Jordan Peele, Park Chan-wook, Bong Joon-ho, Kleber Mendonça Filho e, obviamente, Spike Lee. E Highest 2 Lowest, embora não seja excepcional, mais uma vez demonstra por que é tão bom ver novas obras deste último.
Spike Lee demonstra ser um verdadeiro artista com a câmera na mão, produzindo uma obra com subtextos políticos importantes e bem definidos, ao mesmo tempo que nos brinda com um filme tenso, com ótimas atuações e uma trilha sonora inspirada.
Mesmo com um terceiro ato enfraquecido por um embate no metrô, Highest 2 Lowest é um dos grandes filmes de 2025.
Um dos mais poéticos filmes que já vi. E isso não apenas se relaciona com as reflexões que o filme se propõe a fazer, mas com o modo como cada elemento fílmico está ali como um verso de uma poesia. A razão de aspecto, a fotografia baseada em luz natural, a narração quase literária, os enquadramentos cuidadosamente construídos, as atuações singelas e introspectivas, tudo contribui para essa sensação de delicadeza e profundidade emocional.
Um filme a ser sentido e cuidado, com o mesmo carinho que o protagonista dessa pérola merece.
Amo musicais, e Wicked é um exemplo do porquê sou apaixonado por esse gênero.
Tecnicamente esplêndido (tirando um CGI capenga aqui e ali), Wicked consegue dialogar com temas atuais e levantar reflexões pertinentes em uma era em que Trump volta ao poder e flertamos com o abismo do atraso.
Por outro lado, Jon M. Chu aproveita ao máximo algumas sequências, enquanto desperdiça outras com enquadramentos mais fechados, limitando a visão do público das coreografias e dos cenários. Além disso, o filme facilmente poderia ter de 10 a 15 minutos a menos, tornando-se inchado em alguns momentos (o que, no entanto, não enfraquece a trama).
As atuações das duas protagonistas são impecáveis, com destaque para o timing cômico e as nuances desenvolvidas por Grande, além da entrega dramática e emocional de Erivo. Ambas ainda sustentam vozes e performances musicais inspiradas, o que acaba empalidecendo outras cenas protagonizadas por Goldblum e Yeoh.
Wicked merece o reconhecimento que tem tido pelo cuidado aos detalhes e pela dedicação dos profissionais envolvidos. Que venha o próximo capítulo, pois estou ansioso!
Tem filmes que te fazem mal, não apenas pelas histórias contadas, mas por identificarmos que a humanidade é doente. Esse é um exemplar!
Apostando que os relatos chocantes sustentariam a projeção, os diretores, não demonstram filtrar qualquer uma daquelas histórias. Isso traz força e choca ao mesmo tempo. Abrindo feridas que não cicatrizam em uma comunidade que insiste em resistir, apesar dos esforços do colonizador em exterminá-la.
Entretanto, ainda assim nos sentimos distantes daquelas pessoas, daquela cultura. Isso acaba por minimizar alguns efeitos que o filme poderia trazer. Os diretores não conseguem interligar o que mostram em tela a quem assisti, deixando lacunas e histórias que poderiam ser melhor contadas. Ao final, embora nos sintamos chocados com atrocidades, percebemos que a abordagem foi demasiadamente rasa.
Babygirl é problemático. A começar pelo roteiro. A interação e o interesse do casal protagonista soam abruptos e preguiçosos em seus desenvolvimentos. O que acaba acontecendo igualmente na resolução final do filme, sendo demasiadamente rápida e desleixada.
Para além disso, o filme demonstra ser tão imaturo quanto a protagonista (que não consegue dialogar abertamente sobre sua vida sexual com o esposo). Ao final, a produção tenta tratar sobre a sexualidade feminina de forma rasa, artificial e estereotipada, fragilizando tudo que se propôs fazer durante a projeção.
Anora tem tudo que um bom filme deveria ter, um bom roteiro, uma montagem dinâmica (principalmente no primeiro ato), um diretor talentoso e um super elenco (obviamente, Mikey Madison está esplêndida e se entrega inteiramente ao papel). Mas não conseguiu me conquistar. Por que? Juro, não sei!
Sean Baker é um dos grandes nomes do cinema nos últimos anos, mostra que sabe o que está fazendo em todos os momentos da trama (apesar de poder excluir facilmente uns 10 minutos ali), porém não sinto que o filme sobreviverá muito mais depois desse ano. Infelizmente, embora seja um bom filme, talvez se verá superestimado futuramente.
Conclave é um filme de detalhes, o que reflete diretamente em seus fatores técnicos impecáveis: figurinos cuidadosamente feitos e pensados; trilha sonora tensa e intrigante; uma fotografia que investe em sombras e cores; direção de arte inteligente e sempre dando destaque para o vermelho (algo que tem muito significado no filme).
Ademais, temos atuações lindas, com destaque para Fiennes, que talvez entregou sua melhor performance da carreira. Notem um timbre da voz, o olhar cansado, o andar pesado, o que remete aos pesos de suas dúvidas e de suas responsabilidades.
O roteiro é bem construído, com diálogos inspirados e uma abordagem necessária sobre a masculinidade na igreja.
Sabe quando o filme não engrena? Tem uma permissão interessante, mas nunca consegue atingir o potencial que promete? Aqui temos um exemplo!
Keaton tem talento, mas o roteiro e a falta de ritmo prejudicam demais o filme. Ao final, parece que não houve conteúdo. Parecemos o protagonista, não sabemos nem o que estamos assistindo.
Uma pena! Keaton como ator tem ficado cada vez mais interessante com a idade.
Obs.: Al Pacino tem feito o mesmo personagem há anos ou é impressão minha ?
Amo os jogos do Sonic. Lembra minha infância e isso traz uma nostalgia gostosa. Apesar disso, nunca senti grande empatia pelos dois primeiros filmes. Achava que eram despretensiosos e divertidinhos, facilmente esquecíveis.
Hoje eu tinha que estudar e tentar avançar na minha dissertação de mestrado. Porém, sem paciência, fui ao cinema para buscar algo leve e decidi ver Sonic 3. Que decisão maravilhosa! Mesmo com um roteiro frágil, cheio de diálogos expositivos, temos pontos que se sobressaem, que tornam a experiência muito bacana para crianças e adultos.
Piadas e referências inteligentes da cultura pop, Jim Carrey insano (ponto alto do filme) e um final de arrepiar, fazem com que esse terceiro capítulo seja uma grata surpresa.
Não imaginava, mas estou ansioso para o novo filme já.
Mais uma vez temos a prova que o cinema brasileiro é muito bom. Um roteiro minimalista, cheio de nuances e cuidados. Uma direção inteligente em cada abordagem. Atuações fortes e sinceras. Uma trilha sonora intimista que remete angústias e esperanças por justiça.
Ainda estou aqui demonstra que defender ditadura não é política, mas falta de caráter.
Obs.: Fernanda Montenegro, com pouquíssimos minutos em tela, não fala uma palavra e merecia todas as premiações de melhor atriz coadjuvante do ano.
Mayday
3.3 48 Assista AgoraRegado de estereótipos e da propaganda estadunidense mais sem vergonha presente no mercado, Mayday busca estabelecer um discurso naturalmente desonesto, em que todas as nações têm seus pontos positivos e negativos, mas os Estados Unidos têm muito mais positivos do que negativos, o que justificaria sua excepcionalidade enquanto nação.
Enquanto isso, temos um Ryan Reynolds em uma persona que se profissionalizou em ser nos últimos anos, enquanto Kenneth Branagh se diverte absurdamente em sua atuação.
Ao final, o saldo é bem positivo, sendo um filme com cenas de ação competentes e uma direção inventiva.
Coyote vs. Acme
3.8 72Um filme que aquece o coração, não apenas por revivermos personagens que tanto amamos, mas por ser um filme inventivo e verdadeiramente bom enquanto obra.
O Homem que Sussurra
3.0 153 Assista AgoraSabe quando gastamos todo o orçamento com o elenco e não resta muito recurso para pagar roteiristas e um diretor? Esse é o exemplo perfeito! Ao final, temos um suspense genérico, sem ritmo e desinteressante.
O Fim da Rua
3.2 146Não posso negar que amo filmes em que seres humanos tentam desesperadamente sobreviver a dinossauros famintos. Da mesma forma, não tenho como ignorar que produções com essa proposta ultimamente insistem em me decepcionar. Isso me leva a O Fim da Rua, que me surpreendeu com uma direção competente, evitando sustos fáceis e construindo a tensão com paciência e dedicação.
Porém, o roteiro, tão inventivo em sua premissa, entrega-se a soluções que enfraquecem a trama, sem conseguir se sustentar em uma lógica mínima dentro daquele universo. Assim, saímos da sessão com questões problemáticas. Os atos do filho mais novo, Brian, no segundo ato, são incoerentes com a personalidade medrosa e psicologicamente frágil que lhe foi atribuída. Somado a isso, a decisão de Audrey de seguir o irmão sem buscar o apoio dos pais torna-se ainda mais incoerente, tendo em vista que ela havia se apresentado como uma personagem madura e racional durante o primeiro ato. (Aqui vou ignorar Greg enfrentando um dinossauro de toneladas armado apenas com uma marreta.)
Por fim, a estrutura de final feliz se recusa a discutir questões minimamente éticas envolvendo os atos de Denise. Ao retornar para antes dos acontecimentos, ela salva o marido e alguns vizinhos, inclusive um com quem mantinha certa rivalidade. No entanto, deixa sua própria versão e a de seus filhos naquele tempo serem transportadas para o passado, algo que provavelmente os leva à morte. Isso fica evidente quando constatamos a existência de duas versões de Jeannette.
Em outras palavras, Denise rouba o marido de sua versão do passado enquanto a deixa morrer junto com os filhos. Essa atitude não possui coerência com a construção da personagem ao longo de toda a história, o que evidencia uma enorme preguiça dos roteiristas em entregar um final feliz sem que houvesse qualquer reflexão adequada sobre o destino dos personagens que haviam sido desenvolvidos até aquele momento.
O Fim da Rua, embora competente em diversos aspectos, é intelectualmente desonesto na discussão que propõe, o que fragiliza sobremaneira o resultado final.
Homem-Aranha: Um Novo Dia
4.0 384Homem-Aranha é o que mais se aproxima da realidade para mim. E, obviamente, aqui não considero, para a análise, as características fantasiosas de suas histórias, mas sim sua humanidade. Ele tem problemas de uma pessoa normal: uma situação financeira apertada, um relacionamento nem sempre estável, amigos, subempregos etc. Esses pontos sempre me aproximaram do personagem, principalmente nos filmes de Sam Raimi.
Nos filmes posteriores, estrelados por Andrew Garfield e Tom Holland, acabei não sentindo a mesma humanidade que tanto me cativou anteriormente. Enquanto Garfield emprestou seu talento a dois fracos exemplares, Holland estrelou filmes que divertiam moderadamente (sobretudo o terceiro), mas que facilmente se tornavam esquecíveis ao final das sessões.
E acaba sendo uma grata surpresa que este novo filme do herói aracnídeo foque tanto nessa humanidade, em seus dilemas e em seu emocional, tornando essa empreitada sólida e diferente dos exemplares plastificados e frágeis dos filmes que vinham sendo construídos pela Marvel nos últimos anos.
Isso não significa que o filme não tenha suas lacunas. Alguns efeitos duvidosos, furos de roteiro e aquele universo compartilhado, que está cada vez mais confuso, estão todos lá. Entretanto, temos Holland inspirado, uma Sadie Sink interessantíssima, boas sequências de ação e uma direção competente. Tudo isso já é suficiente para deixar um calor gostoso no coração.
Voltei a sair feliz de um filme do Amigo da Vizinhança.
A Odisseia
4.2 580Demorei para conseguir escrever aqui sobre A Odisseia. Isso porque, quando saí do cinema, tinha plena ciência de que ainda não havia digerido o filme como ele merecia. Nesses dias após assisti-lo, percebi como a obra é realmente grandiosa, não apenas por sua escala épica, mas pelos temas a que se propõe.
Nolan transforma Odisseu em um homem arrependido e envergonhado por tudo o que fez em Troia, a ponto de ter ido contra tudo aquilo que pregou ao longo da vida. O personagem passa a enxergar tudo o que lhe acontece como parte de uma penitência por seus pecados. É como se tudo o que lhe é tirado fosse justo por tudo o que ele próprio tirou durante a guerra.
Odisseu não estava preso no mar, em sua viagem de volta para casa. Estava preso em sua própria consciência, em seus traumas e em sua vergonha.
Supergirl
2.8 255 Assista AgoraAlgo que me incomoda muito é quando personagens merecem muito mais do que os filmes proporcionam. E aqui não é diferente. Kara é uma protagonista interessante, com uma intérprete competente, mas reside em um filme sem personalidade, com um roteiro formulaico e um vilão genérico e tosco. Ao final, não é apenas uma decepção, mas um desperdício.
Dia D
3.0 541 Assista AgoraSpielberg é um gênio e se diverte absurdamente ao pensar em cada detalhe para contar sua história. Pena que o roteiro apresente fragilidades que tornam o ritmo irregular, ao mesmo tempo em que levanta discussões sem jamais desenvolvê-las de forma satisfatória.
Ao final, o saldo é positivo, entregando cinema de ótima qualidade, com a inegável assinatura de um grande diretor.
Toy Story 5
3.9 183Mesmo que não tenha a mesma força dos três primeiros filmes, viver esta nova aventura é como reencontrar velhos amigos que, embora distantes, nunca perdem seu valor em nossas vidas. É sempre bom rever Woody, Buzz, Jessie e Bala no Alvo.
Destruição Final 2
2.4 120 Assista AgoraEu gosto do primeiro filme. E isso torna ainda mais triste quando presenciamos uma segunda parte que se aproxima de um jogo de mundo aberto genérico, cujo roteiro busca colocar os protagonistas em uma espécie de missões que têm o objetivo quase integral de colocá-los em situações perigosas, esquecendo-se de desenvolver sua história. Enquanto isso, os personagens secundários se assemelham a NPCs que servem apenas para ajudar o trio principal ou para morrer.
É um desastre? Não! Mas não precisava existir.
Mestres do Universo
3.2 456 Assista AgoraBuscando não se levar a sério, ao mesmo tempo em que pontua cada página do roteiro com alguma piada no intuito, muitas vezes, de esconder suas fragilidades, Mestres do Universo acerta ao se assumir brega e galhofa (nos melhores sentidos dessas palavras), mas se esquece de que o filme deveria sobreviver para além da nostalgia.
Primeiro as Damas
3.0 74 Assista AgoraFrágil em tudo o que se propõe a fazer, a ponto de desenvolver reflexões que se julgam progressistas, mas que, ao final, recaem em uma clara falta de maturidade, proliferando acidentalmente (será?) visões que acabam se revelando patriarcais e machistas em sua própria coerência.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 454 Assista AgoraQuando deixamos nossos monstros tomarem conta de nossas vidas para que nos sintamos mais confortáveis com nossos conflitos internos e dilemas, facilmente aceitamos ficar presos em labirintos de memórias deformadas e claramente esvaziadas.
Luta de Classes
2.8 72 Assista AgoraAlguns diretores facilmente me causam ansiedade para ver seus filmes: Martin Scorsese, Hayao Miyazaki, Jordan Peele, Park Chan-wook, Bong Joon-ho, Kleber Mendonça Filho e, obviamente, Spike Lee. E Highest 2 Lowest, embora não seja excepcional, mais uma vez demonstra por que é tão bom ver novas obras deste último.
Spike Lee demonstra ser um verdadeiro artista com a câmera na mão, produzindo uma obra com subtextos políticos importantes e bem definidos, ao mesmo tempo que nos brinda com um filme tenso, com ótimas atuações e uma trilha sonora inspirada.
Mesmo com um terceiro ato enfraquecido por um embate no metrô, Highest 2 Lowest é um dos grandes filmes de 2025.
Sonhos de Trem
3.7 361 Assista AgoraUm dos mais poéticos filmes que já vi. E isso não apenas se relaciona com as reflexões que o filme se propõe a fazer, mas com o modo como cada elemento fílmico está ali como um verso de uma poesia. A razão de aspecto, a fotografia baseada em luz natural, a narração quase literária, os enquadramentos cuidadosamente construídos, as atuações singelas e introspectivas, tudo contribui para essa sensação de delicadeza e profundidade emocional.
Um filme a ser sentido e cuidado, com o mesmo carinho que o protagonista dessa pérola merece.
F1: O Filme
3.7 452 Assista AgoraAmo os sentimentos que o cinema me faz sentir. E esse é um dos filmes que me fazem amar o cinema.
Wicked
3.9 527 Assista AgoraAmo musicais, e Wicked é um exemplo do porquê sou apaixonado por esse gênero.
Tecnicamente esplêndido (tirando um CGI capenga aqui e ali), Wicked consegue dialogar com temas atuais e levantar reflexões pertinentes em uma era em que Trump volta ao poder e flertamos com o abismo do atraso.
Por outro lado, Jon M. Chu aproveita ao máximo algumas sequências, enquanto desperdiça outras com enquadramentos mais fechados, limitando a visão do público das coreografias e dos cenários. Além disso, o filme facilmente poderia ter de 10 a 15 minutos a menos, tornando-se inchado em alguns momentos (o que, no entanto, não enfraquece a trama).
As atuações das duas protagonistas são impecáveis, com destaque para o timing cômico e as nuances desenvolvidas por Grande, além da entrega dramática e emocional de Erivo. Ambas ainda sustentam vozes e performances musicais inspiradas, o que acaba empalidecendo outras cenas protagonizadas por Goldblum e Yeoh.
Wicked merece o reconhecimento que tem tido pelo cuidado aos detalhes e pela dedicação dos profissionais envolvidos. Que venha o próximo capítulo, pois estou ansioso!
Sugarcane: Sombras de um Colégio Interno
3.6 41 Assista AgoraTem filmes que te fazem mal, não apenas pelas histórias contadas, mas por identificarmos que a humanidade é doente. Esse é um exemplar!
Apostando que os relatos chocantes sustentariam a projeção, os diretores, não demonstram filtrar qualquer uma daquelas histórias. Isso traz força e choca ao mesmo tempo. Abrindo feridas que não cicatrizam em uma comunidade que insiste em resistir, apesar dos esforços do colonizador em exterminá-la.
Entretanto, ainda assim nos sentimos distantes daquelas pessoas, daquela cultura. Isso acaba por minimizar alguns efeitos que o filme poderia trazer. Os diretores não conseguem interligar o que mostram em tela a quem assisti, deixando lacunas e histórias que poderiam ser melhor contadas. Ao final, embora nos sintamos chocados com atrocidades, percebemos que a abordagem foi demasiadamente rasa.
Uma pena!
Babygirl
2.7 494 Assista AgoraBabygirl é problemático. A começar pelo roteiro. A interação e o interesse do casal protagonista soam abruptos e preguiçosos em seus desenvolvimentos. O que acaba acontecendo igualmente na resolução final do filme, sendo demasiadamente rápida e desleixada.
Para além disso, o filme demonstra ser tão imaturo quanto a protagonista (que não consegue dialogar abertamente sobre sua vida sexual com o esposo). Ao final, a produção tenta tratar sobre a sexualidade feminina de forma rasa, artificial e estereotipada, fragilizando tudo que se propôs fazer durante a projeção.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraAnora tem tudo que um bom filme deveria ter, um bom roteiro, uma montagem dinâmica (principalmente no primeiro ato), um diretor talentoso e um super elenco (obviamente, Mikey Madison está esplêndida e se entrega inteiramente ao papel). Mas não conseguiu me conquistar. Por que? Juro, não sei!
Sean Baker é um dos grandes nomes do cinema nos últimos anos, mostra que sabe o que está fazendo em todos os momentos da trama (apesar de poder excluir facilmente uns 10 minutos ali), porém não sinto que o filme sobreviverá muito mais depois desse ano. Infelizmente, embora seja um bom filme, talvez se verá superestimado futuramente.
Conclave
3.9 831 Assista AgoraConclave é um filme de detalhes, o que reflete diretamente em seus fatores técnicos impecáveis: figurinos cuidadosamente feitos e pensados; trilha sonora tensa e intrigante; uma fotografia que investe em sombras e cores; direção de arte inteligente e sempre dando destaque para o vermelho (algo que tem muito significado no filme).
Ademais, temos atuações lindas, com destaque para Fiennes, que talvez entregou sua melhor performance da carreira. Notem um timbre da voz, o olhar cansado, o andar pesado, o que remete aos pesos de suas dúvidas e de suas responsabilidades.
O roteiro é bem construído, com diálogos inspirados e uma abordagem necessária sobre a masculinidade na igreja.
Sem dúvida, um dos melhores do ano.
Pacto de Redenção
3.5 76Sabe quando o filme não engrena? Tem uma permissão interessante, mas nunca consegue atingir o potencial que promete? Aqui temos um exemplo!
Keaton tem talento, mas o roteiro e a falta de ritmo prejudicam demais o filme. Ao final, parece que não houve conteúdo. Parecemos o protagonista, não sabemos nem o que estamos assistindo.
Uma pena! Keaton como ator tem ficado cada vez mais interessante com a idade.
Obs.: Al Pacino tem feito o mesmo personagem há anos ou é impressão minha ?
Sonic 3: O Filme
3.5 168 Assista AgoraAmo os jogos do Sonic. Lembra minha infância e isso traz uma nostalgia gostosa. Apesar disso, nunca senti grande empatia pelos dois primeiros filmes. Achava que eram despretensiosos e divertidinhos, facilmente esquecíveis.
Hoje eu tinha que estudar e tentar avançar na minha dissertação de mestrado. Porém, sem paciência, fui ao cinema para buscar algo leve e decidi ver Sonic 3. Que decisão maravilhosa! Mesmo com um roteiro frágil, cheio de diálogos expositivos, temos pontos que se sobressaem, que tornam a experiência muito bacana para crianças e adultos.
Piadas e referências inteligentes da cultura pop, Jim Carrey insano (ponto alto do filme) e um final de arrepiar, fazem com que esse terceiro capítulo seja uma grata surpresa.
Não imaginava, mas estou ansioso para o novo filme já.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraMais uma vez temos a prova que o cinema brasileiro é muito bom. Um roteiro minimalista, cheio de nuances e cuidados. Uma direção inteligente em cada abordagem. Atuações fortes e sinceras. Uma trilha sonora intimista que remete angústias e esperanças por justiça.
Ainda estou aqui demonstra que defender ditadura não é política, mas falta de caráter.
Obs.: Fernanda Montenegro, com pouquíssimos minutos em tela, não fala uma palavra e merecia todas as premiações de melhor atriz coadjuvante do ano.