Um dos mais poéticos filmes que já vi. E isso não apenas se relaciona com as reflexões que o filme se propõe a fazer, mas com o modo como cada elemento fílmico está ali como um verso de uma poesia. A razão de aspecto, a fotografia baseada em luz natural, a narração quase literária, os enquadramentos cuidadosamente construídos, as atuações singelas e introspectivas, tudo contribui para essa sensação de delicadeza e profundidade emocional.
Um filme a ser sentido e cuidado, com o mesmo carinho que o protagonista dessa pérola merece.
Amo musicais, e Wicked é um exemplo do porquê sou apaixonado por esse gênero.
Tecnicamente esplêndido (tirando um CGI capenga aqui e ali), Wicked consegue dialogar com temas atuais e levantar reflexões pertinentes em uma era em que Trump volta ao poder e flertamos com o abismo do atraso.
Por outro lado, Jon M. Chu aproveita ao máximo algumas sequências, enquanto desperdiça outras com enquadramentos mais fechados, limitando a visão do público das coreografias e dos cenários. Além disso, o filme facilmente poderia ter de 10 a 15 minutos a menos, tornando-se inchado em alguns momentos (o que, no entanto, não enfraquece a trama).
As atuações das duas protagonistas são impecáveis, com destaque para o timing cômico e as nuances desenvolvidas por Grande, além da entrega dramática e emocional de Erivo. Ambas ainda sustentam vozes e performances musicais inspiradas, o que acaba empalidecendo outras cenas protagonizadas por Goldblum e Yeoh.
Wicked merece o reconhecimento que tem tido pelo cuidado aos detalhes e pela dedicação dos profissionais envolvidos. Que venha o próximo capítulo, pois estou ansioso!
Tem filmes que te fazem mal, não apenas pelas histórias contadas, mas por identificarmos que a humanidade é doente. Esse é um exemplar!
Apostando que os relatos chocantes sustentariam a projeção, os diretores, não demonstram filtrar qualquer uma daquelas histórias. Isso traz força e choca ao mesmo tempo. Abrindo feridas que não cicatrizam em uma comunidade que insiste em resistir, apesar dos esforços do colonizador em exterminá-la.
Entretanto, ainda assim nos sentimos distantes daquelas pessoas, daquela cultura. Isso acaba por minimizar alguns efeitos que o filme poderia trazer. Os diretores não conseguem interligar o que mostram em tela a quem assisti, deixando lacunas e histórias que poderiam ser melhor contadas. Ao final, embora nos sintamos chocados com atrocidades, percebemos que a abordagem foi demasiadamente rasa.
Babygirl é problemático. A começar pelo roteiro. A interação e o interesse do casal protagonista soam abruptos e preguiçosos em seus desenvolvimentos. O que acaba acontecendo igualmente na resolução final do filme, sendo demasiadamente rápida e desleixada.
Para além disso, o filme demonstra ser tão imaturo quanto a protagonista (que não consegue dialogar abertamente sobre sua vida sexual com o esposo). Ao final, a produção tenta tratar sobre a sexualidade feminina de forma rasa, artificial e estereotipada, fragilizando tudo que se propôs fazer durante a projeção.
Anora tem tudo que um bom filme deveria ter, um bom roteiro, uma montagem dinâmica (principalmente no primeiro ato), um diretor talentoso e um super elenco (obviamente, Mikey Madison está esplêndida e se entrega inteiramente ao papel). Mas não conseguiu me conquistar. Por que? Juro, não sei!
Sean Baker é um dos grandes nomes do cinema nos últimos anos, mostra que sabe o que está fazendo em todos os momentos da trama (apesar de poder excluir facilmente uns 10 minutos ali), porém não sinto que o filme sobreviverá muito mais depois desse ano. Infelizmente, embora seja um bom filme, talvez se verá superestimado futuramente.
Conclave é um filme de detalhes, o que reflete diretamente em seus fatores técnicos impecáveis: figurinos cuidadosamente feitos e pensados; trilha sonora tensa e intrigante; uma fotografia que investe em sombras e cores; direção de arte inteligente e sempre dando destaque para o vermelho (algo que tem muito significado no filme).
Ademais, temos atuações lindas, com destaque para Fiennes, que talvez entregou sua melhor performance da carreira. Notem um timbre da voz, o olhar cansado, o andar pesado, o que remete aos pesos de suas dúvidas e de suas responsabilidades.
O roteiro é bem construído, com diálogos inspirados e uma abordagem necessária sobre a masculinidade na igreja.
Sabe quando o filme não engrena? Tem uma permissão interessante, mas nunca consegue atingir o potencial que promete? Aqui temos um exemplo!
Keaton tem talento, mas o roteiro e a falta de ritmo prejudicam demais o filme. Ao final, parece que não houve conteúdo. Parecemos o protagonista, não sabemos nem o que estamos assistindo.
Uma pena! Keaton como ator tem ficado cada vez mais interessante com a idade.
Obs.: Al Pacino tem feito o mesmo personagem há anos ou é impressão minha ?
Amo os jogos do Sonic. Lembra minha infância e isso traz uma nostalgia gostosa. Apesar disso, nunca senti grande empatia pelos dois primeiros filmes. Achava que eram despretensiosos e divertidinhos, facilmente esquecíveis.
Hoje eu tinha que estudar e tentar avançar na minha dissertação de mestrado. Porém, sem paciência, fui ao cinema para buscar algo leve e decidi ver Sonic 3. Que decisão maravilhosa! Mesmo com um roteiro frágil, cheio de diálogos expositivos, temos pontos que se sobressaem, que tornam a experiência muito bacana para crianças e adultos.
Piadas e referências inteligentes da cultura pop, Jim Carrey insano (ponto alto do filme) e um final de arrepiar, fazem com que esse terceiro capítulo seja uma grata surpresa.
Não imaginava, mas estou ansioso para o novo filme já.
Mais uma vez temos a prova que o cinema brasileiro é muito bom. Um roteiro minimalista, cheio de nuances e cuidados. Uma direção inteligente em cada abordagem. Atuações fortes e sinceras. Uma trilha sonora intimista que remete angústias e esperanças por justiça.
Ainda estou aqui demonstra que defender ditadura não é política, mas falta de caráter.
Obs.: Fernanda Montenegro, com pouquíssimos minutos em tela, não fala uma palavra e merecia todas as premiações de melhor atriz coadjuvante do ano.
Tem suas qualidades e devemos reconhecer. Porém, igualmente não podemos ignorar o fato que tudo ali parece reciclado.
Visualmente deslumbrante, Moana tem um charme e um empoderamento feminino importante e muito bem vindo. Sobretudo, a partir do momento que se quebra a concepção de princesa, elevando a protagonista a um patamar novo na Disney. (Entenderão ao final do filme).
As músicas, apesar de legais, empalidecem quando comparadas às do anterior. Além disso, o roteiro não demonstra inventividade, sempre deixando um gosto de que tudo que estamos vendo já foi tentado, ou no anterior ou em outras obras.
De qualquer maneira, não deixa de ser um filme divertido, com personagens cativantes.
O filme não pretende ser melhor do que o antecessor, pedindo apenas que seja apreciado e que o espectador nesse processo se divirta. E isso não é difícil.
Com uma direção ágil, diálogos inspirados, um elenco afiado, O Auto da Compadecida 2 acerta em seu tom fabulesco e nostálgico. Porém, falha em construir uma história original, deixando lacunas e soando inacabado em alguns momentos. Buscando sustento quase que inteiramente na relação de seus protagonistas, o filme peca em uma mixagem de som frágil que diversas vezes parece descasada com o que se vê na tela.
Ao final, fica claro que esse segundo capítulo sou repetido e dificilmente sobreviveria caso o anterior não fosse um clássico do cinema nacional.
Apesar disso, o saldo é positivo, já que foi tão bom reencontrar personagens tão queridos.
Em algum momento nos 40 anos que antecederam o lançamento de Megalópolis, Coppola se perdeu na história que queria contar. O que acabou vindo a luz acaba sendo confuso, auto indulgente e sem alma. Não que não tenha qualidades, pois o filme possui várias, como a ambição temática e a construção das discussões que se propõe, que mesmo pouco desenvolvidas na maior parte do tempo, sempre demonstram ser atuais e pertinentes.
Saber, porém, que o orçamento da obra foi equiparado a blockbusters assusta quando notamos um CGI frágil, que constantemente te joga para fora da narrativa. Coppola é um diretor incrível, mas aqui ele escorrega nos excessos. Quatro décadas provavelmente foi tempo demais para pensar essa história.
Ter alguém integralmente dependente de você para sobreviver é, para dizer o mínimo, assustador. Não existem manuais existentes que possam tornar essa jornada menos complexa. Aqueles se preparam para essa tarefa podem se sentir prontos ao obtê-la, porém com o tempo perceberão que não se trata de algo sempre lindo e incrível (imagine para aqueles que não se veem preparados). A jornada muitas vezes vai ser regada por lágrimas, erros, exaustão e medos. Não obstante isso, ao final, as memórias e o processo no qual o pai e a mãe passarão sempre se resumirá a um amor incondicional, capaz de transformar e construir coisas incríveis no caminho. Robô selvagem reconhece que ser mãe (pai?) é uma tarefa desafiadora até para quem se mostra mais adequado ao desafio. E ao final de tudo, a recompensa é que todo e qualquer sacrifício é pouco para ver aquele pequeno ser concretizar seus sonhos e realizar façanhas que para muitos eram impossíveis. O que vem com a maternidade/paternidade é visto tardiamente, em alguns casos, o que não diminui a beleza e a nobreza de tudo que norteia. essa função. Acho que eu precisava desse filme, para lembrar que tenho uma das melhores coisas para um ser humano: ser pai.
A humanidade evolui? Nossa tecnologia é tão avançada que está nos substituindo; nossa medicina se desenvolveu a ponto de curarmos ou prevermos doenças que não imaginávamos no passado, embora a saúde seja seletiva para os que podem mantê-la; nossa capacidade de matar se tornou tão elaborada que as guerras nem sempre geram valas, pois aqueles que anteriormente iriam habitá-las simplesmente são destroçados a ponto de pouco sobrar de seus corpos para um enterro. Garland, em meio a tantas imagens que demonstram a barbarie humana, questiona-se como a reflexão em torno delas não evita que acontecimentos semelhantes voltem a acontecer. Falhamos! E falhamos tanto que em 2024 estamos em meio a tantos conflitos e a massificação da morte que nos questionamos se realmente evoluímos. Em certo ponto compreendemos como a fotógrafa vivida por Dunst se tornou anestesiada por tanta desgraça.
Em determinado momento, Hirayama, personagem vivido por Kōji Yakusho, diz à sua sobrinha que "o mundo é formado por muitos mundos, alguns estão conectados e outros não". Essa frase expressa bem como podemos observar nossas vidas e a vida daqueles que nos rodeiam. Cada um é um mundo. Em alguns casos, acontecem coisas extraordinárias, empregos incríveis, famílias perfeitas. Em outros, tudo é comum. Nada de incrível acontece. Entretanto, há beleza de qualquer forma nesse comum, nesse normal. Você pode se sentir completo em um emprego onde se lava banheiros. Pode ver beleza em observar árvores durante o almoço. Pode se sentir bem lendo seus livros usados.
Podemos ter uma bela vida, com rotinas que nos tornam inteiros, mesmo que muitas vezes outros não entendam.
O mundo não precisa de celulares cheios de funções que pouco sabemos usar, ou carros modernos, ou conexões familiares artificiais. O mundo precisa de humanidade, conexões sinceras, músicas cheias de significado, rotinas repletas de simplicidade e beleza. E Wim Wenders entende bem isso.
J. A. Bayona possui uma filmografia curta, mas interessante. Gosto muito de "O Orfanato" e "O Impossível". Enquanto isso, o seu "Jurassic World: Reino Ameaçado", embora tenha problemas inegáveis, é eficiente em suas propostas.
E aqui, Bayona concebe seu melhor filme, maduro, humano e uma verdadeira carta de amor e compreensão para aqueles que sobreviveram à tragédia que o originou.
Ao final, estamos dentro dos destroços, compartilhando o calor, o sofrimento e a camaradagem existente entre aqueles indivíduos. Somos cúmplices de seu sofrimento e de suas decisões mais complexas. Bayona demonstra uma maturidade admirável ao jogar luz sobre as pessoas, mantendo sua câmera focada em seus rostos e distante dos aspectos polêmicos do ocorrido.
Há algum tempo, aprendi que em um relacionamento a dois sempre haverão três verdades: uma para cada um dos parceiros e a última, a verdade em sua integridade. Aquelas verdades que dominam a visão de seus donos são perspectivas, cheias de vícios, mágoas, expectativas frustradas e sentimentos dos mais variados. Enquanto isso, a verdade em sua completude não é vista, pois ela estará presa sempre entre as quatro paredes de um lar. Ela está perdida e encarcerada ali. E ao final de um relacionamento (seja ele um divórcio ou mesmo a morte), sempre restará a ambiguidade de perspectivas, sejam elas positivas ou negativas.
Anatomia de uma Queda busca justamente nessa discussão construir uma projeção cuja trama, baseada em um tribunal, busca encontrar uma verdade em sua integridade. Trata-se de um suicídio? Ou seria uma queda acidental? Ou a esposa, em um ato de descontrole, assassinou seu companheiro?
E a condução humana e talentosa da diretora Justine Triet faz com que a resposta seja instigante, mas desnecessária. Não há o que saber ali, pois nunca se terá a verdade completa. Um relacionamento, seja ele na vida ou na morte, sempre estará envolto das ambiguidades dos envolvidos. A unicidade de cada cônjuge.
Pena que ao final, mesmo que em parte, a diretora tenha buscado amenizar essa dúvida colocando a perspectiva do filho com deficiência visual (a justiça?) para de alguma forma resolver o caso. Não que a ambiguidade se esvaia, pois ela ainda causa dúvidas, mas apenas para dar conforto ao expectador. Não precisávamos saber qual estava certo ou errado. Se houve ou não assassinato. Pois um relacionamento é isso, verdades que muitas vezes morrem entre quatro paredes
Zona de Interesse é um processo de tortura guiado sobretudo pelo som. Todo bom realizador sabe que a imaginação do expectador é mil vezes mais potente do que qualquer imagem que ele possa construir em sua obra. E aqui o diretor Jonathan Glazer demonstra uma habilidade absurda em deixar que nós construamos em nossas mentes as atrocidade de Auschwitz.
Glazer constrói planos longos, com diálogos inspirados, ao mesmo tempo em que é auxiliado por uma mixagem e edição de som soberbos. Assim, Zona de Interesse busca o desconforto em um cotidiano aparentemente prosaico de uma família, cujos pais são psicopatas completamente perturbados mentais, os quais não mostram desconforto algum com o que acontece além do muro de sua propriedade.
Zona de Interesse é mais uma obra que demonstra como o cinema é incrível, porém, em paralelo, lembra-nos como a humanidade deu errado há muito tempo.
Bradley Cooper é talentoso. E devo confessar que estou ansioso para seus próximos projetos atrás das câmeras. Isso quer dizer que “Maestro” é um filme excelente? Não! É um filme correto, estéreo, cujo roteiro o torna frágil. Porém, Cooper é um diretor talentoso, construindo sequências belíssimas e cenas que evocam emoções profundas e dolorosas.
Naturalmente, “Maestro” empalidece em meio a um ano tão bom para o cinema. O que não tira méritos para diversos pontos da obra, como as belíssimas atuações, sobretudo de Carey Mulligan, a alma do filme e uma atriz que tem se tornado cada vez mais interessante com a idade.
Acredito que faltou ousadia dos roteiristas (dentre eles o próprio Cooper) para construir um filme mais interessante e emocionalmente complexo, características como as que vemos na personagem de Mulligan.
O mundo é um lugar muito ruim para se viver, em muitos casos. Muito disso se deve aos seus principais habitantes. O ser humano é violento, cruel, perturbado e contraditório. Porém, o homem é o culpado de boa parte desses pontos.
Pobres criaturas, neste sentido, acabam levantando discussões relevantes de forma alegórica, com o intuito de refletir sobre o papel da mulher em uma sociedade em que o homem busca controlá-la de alguma forma: sua vida, seu modo de se portar, seus pensamentos e sua sexualidade, por exemplo.
Yorgos Lanthimos constrói uma fábula que incomoda, instiga e diverte, demonstrando como o homem é frágil e inseguro, buscando disfarçar sua natureza tosca por meio do controle e autoritarismo sobre o sexo oposto.
E é interessante observar como muitos desses homens (sejam figuras paternas ou amorosas) tentam obter poder sobre a mulher em algum ponto durante a projeção. Esses seres acabam se tornando cada vez mais inseguros, conforme uma mulher defende sua liberdade e desenvolve conhecimento, o qual claramente ofusca um intelecto fraco e rasteiro das figuras masculinas presentes no filme.
E não é surpresa que muitas dessas criaturas se revelem grotescas em seu caráter ou em sua imagem durante a projeção, enquanto a personagem principal evolui, ao compreender melhor a sociedade, a vida e sua própria sexualidade, valorizando sua liberdade e suas escolhas, sem ter a necessidade de qualquer figura masculina para que isso se concretize. Bella sabe o que quer e não precisa de ninguém para lhe ajudar com isso.
Considero Miyazaki, ao lado de Scorsese, os melhores diretores ainda vivos. Esse meu ponto de vista reflete-se nas obras que lançaram no ano de 2023. Tocantes em suas próprias formas, "Assassinos das Luas das Flores" e este belíssimo "O Menino e a Garça" serão consideradas obras-primas com o tempo.
Em certo momento, já para o final da projeção, peguei-me pensando como me sentirei órfão quando a morte acometer esses dois grandes cineastas. Rapidamente veio-me uma profunda tristeza em saber que não poderei mais ter aquela expectativa de ser brindado com mais uma obra desses realizadores. O consolo viria apenas nas constantes revisitações que faço às suas filmografias, as quais são irrepreensíveis, porém sempre vou sentir que gostaria de ter mais tempo para vivenciar novas histórias.
"E O Menino e a Garça" é exatamente sobre a perda precoce de pessoas que amamos e como a dor do luto ressignifica nosso tempo e espaço no mundo. Não existem respostas fáceis aqui, mas uma maturidade absurda para compreender como a perda nos transforma e nos molda. Miyazaki demonstra que algumas coisas são inevitáveis em nossas vidas. Não há como mudar ou voltar no tempo para que não sintamos dores tão profundas, mas podemos evoluir e compreender onde é o nosso lugar na vida. As perdas não significam o fim, mas apenas uma curva no meio do caminho, na qual carregaremos lembranças, abraços ou mesmo livros com suas dedicatórias repletas de amor.
Rustin, sem dúvida, merecia um filme melhor. Uma direção sem criatividade e burocrática de Wolfe, além do roteiro que prioriza a teatralidade, torna a obra arrastada e sem qualquer ritmo.
Para piorar, o momento mais aguardado do filme, que seria a Marcha, foi filmado com uma preguiça absurda, transformando-se em uma verdadeira decepção.
Em mãos de um diretor menos talentoso, Gran Turismo provavelmente se tornaria mais um filme genérico, com um roteiro repleto de clichês. Porém, Neill Blomkamp consegue nos brindar com uma direção segura e criativa, entregando-nos sequências de corrida tensas e bem coreografadas. Uma surpresa, sem dúvida!
Sonhos de Trem
3.7 344 Assista AgoraUm dos mais poéticos filmes que já vi. E isso não apenas se relaciona com as reflexões que o filme se propõe a fazer, mas com o modo como cada elemento fílmico está ali como um verso de uma poesia. A razão de aspecto, a fotografia baseada em luz natural, a narração quase literária, os enquadramentos cuidadosamente construídos, as atuações singelas e introspectivas, tudo contribui para essa sensação de delicadeza e profundidade emocional.
Um filme a ser sentido e cuidado, com o mesmo carinho que o protagonista dessa pérola merece.
F1: O Filme
3.7 440 Assista AgoraAmo os sentimentos que o cinema me faz sentir. E esse é um dos filmes que me fazem amar o cinema.
Wicked
3.9 524 Assista AgoraAmo musicais, e Wicked é um exemplo do porquê sou apaixonado por esse gênero.
Tecnicamente esplêndido (tirando um CGI capenga aqui e ali), Wicked consegue dialogar com temas atuais e levantar reflexões pertinentes em uma era em que Trump volta ao poder e flertamos com o abismo do atraso.
Por outro lado, Jon M. Chu aproveita ao máximo algumas sequências, enquanto desperdiça outras com enquadramentos mais fechados, limitando a visão do público das coreografias e dos cenários. Além disso, o filme facilmente poderia ter de 10 a 15 minutos a menos, tornando-se inchado em alguns momentos (o que, no entanto, não enfraquece a trama).
As atuações das duas protagonistas são impecáveis, com destaque para o timing cômico e as nuances desenvolvidas por Grande, além da entrega dramática e emocional de Erivo. Ambas ainda sustentam vozes e performances musicais inspiradas, o que acaba empalidecendo outras cenas protagonizadas por Goldblum e Yeoh.
Wicked merece o reconhecimento que tem tido pelo cuidado aos detalhes e pela dedicação dos profissionais envolvidos. Que venha o próximo capítulo, pois estou ansioso!
Sugarcane: Sombras de um Colégio Interno
3.6 40 Assista AgoraTem filmes que te fazem mal, não apenas pelas histórias contadas, mas por identificarmos que a humanidade é doente. Esse é um exemplar!
Apostando que os relatos chocantes sustentariam a projeção, os diretores, não demonstram filtrar qualquer uma daquelas histórias. Isso traz força e choca ao mesmo tempo. Abrindo feridas que não cicatrizam em uma comunidade que insiste em resistir, apesar dos esforços do colonizador em exterminá-la.
Entretanto, ainda assim nos sentimos distantes daquelas pessoas, daquela cultura. Isso acaba por minimizar alguns efeitos que o filme poderia trazer. Os diretores não conseguem interligar o que mostram em tela a quem assisti, deixando lacunas e histórias que poderiam ser melhor contadas. Ao final, embora nos sintamos chocados com atrocidades, percebemos que a abordagem foi demasiadamente rasa.
Uma pena!
Babygirl
2.7 491 Assista AgoraBabygirl é problemático. A começar pelo roteiro. A interação e o interesse do casal protagonista soam abruptos e preguiçosos em seus desenvolvimentos. O que acaba acontecendo igualmente na resolução final do filme, sendo demasiadamente rápida e desleixada.
Para além disso, o filme demonstra ser tão imaturo quanto a protagonista (que não consegue dialogar abertamente sobre sua vida sexual com o esposo). Ao final, a produção tenta tratar sobre a sexualidade feminina de forma rasa, artificial e estereotipada, fragilizando tudo que se propôs fazer durante a projeção.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraAnora tem tudo que um bom filme deveria ter, um bom roteiro, uma montagem dinâmica (principalmente no primeiro ato), um diretor talentoso e um super elenco (obviamente, Mikey Madison está esplêndida e se entrega inteiramente ao papel). Mas não conseguiu me conquistar. Por que? Juro, não sei!
Sean Baker é um dos grandes nomes do cinema nos últimos anos, mostra que sabe o que está fazendo em todos os momentos da trama (apesar de poder excluir facilmente uns 10 minutos ali), porém não sinto que o filme sobreviverá muito mais depois desse ano. Infelizmente, embora seja um bom filme, talvez se verá superestimado futuramente.
Conclave
3.9 829 Assista AgoraConclave é um filme de detalhes, o que reflete diretamente em seus fatores técnicos impecáveis: figurinos cuidadosamente feitos e pensados; trilha sonora tensa e intrigante; uma fotografia que investe em sombras e cores; direção de arte inteligente e sempre dando destaque para o vermelho (algo que tem muito significado no filme).
Ademais, temos atuações lindas, com destaque para Fiennes, que talvez entregou sua melhor performance da carreira. Notem um timbre da voz, o olhar cansado, o andar pesado, o que remete aos pesos de suas dúvidas e de suas responsabilidades.
O roteiro é bem construído, com diálogos inspirados e uma abordagem necessária sobre a masculinidade na igreja.
Sem dúvida, um dos melhores do ano.
Pacto de Redenção
3.5 74Sabe quando o filme não engrena? Tem uma permissão interessante, mas nunca consegue atingir o potencial que promete? Aqui temos um exemplo!
Keaton tem talento, mas o roteiro e a falta de ritmo prejudicam demais o filme. Ao final, parece que não houve conteúdo. Parecemos o protagonista, não sabemos nem o que estamos assistindo.
Uma pena! Keaton como ator tem ficado cada vez mais interessante com a idade.
Obs.: Al Pacino tem feito o mesmo personagem há anos ou é impressão minha ?
Sonic 3: O Filme
3.5 164 Assista AgoraAmo os jogos do Sonic. Lembra minha infância e isso traz uma nostalgia gostosa. Apesar disso, nunca senti grande empatia pelos dois primeiros filmes. Achava que eram despretensiosos e divertidinhos, facilmente esquecíveis.
Hoje eu tinha que estudar e tentar avançar na minha dissertação de mestrado. Porém, sem paciência, fui ao cinema para buscar algo leve e decidi ver Sonic 3. Que decisão maravilhosa! Mesmo com um roteiro frágil, cheio de diálogos expositivos, temos pontos que se sobressaem, que tornam a experiência muito bacana para crianças e adultos.
Piadas e referências inteligentes da cultura pop, Jim Carrey insano (ponto alto do filme) e um final de arrepiar, fazem com que esse terceiro capítulo seja uma grata surpresa.
Não imaginava, mas estou ansioso para o novo filme já.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraMais uma vez temos a prova que o cinema brasileiro é muito bom. Um roteiro minimalista, cheio de nuances e cuidados. Uma direção inteligente em cada abordagem. Atuações fortes e sinceras. Uma trilha sonora intimista que remete angústias e esperanças por justiça.
Ainda estou aqui demonstra que defender ditadura não é política, mas falta de caráter.
Obs.: Fernanda Montenegro, com pouquíssimos minutos em tela, não fala uma palavra e merecia todas as premiações de melhor atriz coadjuvante do ano.
Moana 2
3.2 184 Assista AgoraTem suas qualidades e devemos reconhecer. Porém, igualmente não podemos ignorar o fato que tudo ali parece reciclado.
Visualmente deslumbrante, Moana tem um charme e um empoderamento feminino importante e muito bem vindo. Sobretudo, a partir do momento que se quebra a concepção de princesa, elevando a protagonista a um patamar novo na Disney. (Entenderão ao final do filme).
As músicas, apesar de legais, empalidecem quando comparadas às do anterior. Além disso, o roteiro não demonstra inventividade, sempre deixando um gosto de que tudo que estamos vendo já foi tentado, ou no anterior ou em outras obras.
De qualquer maneira, não deixa de ser um filme divertido, com personagens cativantes.
O Auto da Compadecida 2
3.0 444 Assista AgoraO filme não pretende ser melhor do que o antecessor, pedindo apenas que seja apreciado e que o espectador nesse processo se divirta. E isso não é difícil.
Com uma direção ágil, diálogos inspirados, um elenco afiado, O Auto da Compadecida 2 acerta em seu tom fabulesco e nostálgico. Porém, falha em construir uma história original, deixando lacunas e soando inacabado em alguns momentos. Buscando sustento quase que inteiramente na relação de seus protagonistas, o filme peca em uma mixagem de som frágil que diversas vezes parece descasada com o que se vê na tela.
Ao final, fica claro que esse segundo capítulo sou repetido e dificilmente sobreviveria caso o anterior não fosse um clássico do cinema nacional.
Apesar disso, o saldo é positivo, já que foi tão bom reencontrar personagens tão queridos.
Megalópolis
2.5 163 Assista AgoraEm algum momento nos 40 anos que antecederam o lançamento de Megalópolis, Coppola se perdeu na história que queria contar. O que acabou vindo a luz acaba sendo confuso, auto indulgente e sem alma. Não que não tenha qualidades, pois o filme possui várias, como a ambição temática e a construção das discussões que se propõe, que mesmo pouco desenvolvidas na maior parte do tempo, sempre demonstram ser atuais e pertinentes.
Saber, porém, que o orçamento da obra foi equiparado a blockbusters assusta quando notamos um CGI frágil, que constantemente te joga para fora da narrativa. Coppola é um diretor incrível, mas aqui ele escorrega nos excessos. Quatro décadas provavelmente foi tempo demais para pensar essa história.
Robô Selvagem
4.3 561Ter alguém integralmente dependente de você para sobreviver é, para dizer o mínimo, assustador. Não existem manuais existentes que possam tornar essa jornada menos complexa.
Aqueles se preparam para essa tarefa podem se sentir prontos ao obtê-la, porém com o tempo perceberão que não se trata de algo sempre lindo e incrível (imagine para aqueles que não se veem preparados). A jornada muitas vezes vai ser regada por lágrimas, erros, exaustão e medos. Não obstante isso, ao final, as memórias e o processo no qual o pai e a mãe passarão sempre se resumirá a um amor incondicional, capaz de transformar e construir coisas incríveis no caminho.
Robô selvagem reconhece que ser mãe (pai?) é uma tarefa desafiadora até para quem se mostra mais adequado ao desafio. E ao final de tudo, a recompensa é que todo e qualquer sacrifício é pouco para ver aquele pequeno ser concretizar seus sonhos e realizar façanhas que para muitos eram impossíveis. O que vem com a maternidade/paternidade é visto tardiamente, em alguns casos, o que não diminui a beleza e a nobreza de tudo que norteia. essa função.
Acho que eu precisava desse filme, para lembrar que tenho uma das melhores coisas para um ser humano: ser pai.
Guerra Civil
3.5 649 Assista AgoraA humanidade evolui?
Nossa tecnologia é tão avançada que está nos substituindo; nossa medicina se desenvolveu a ponto de curarmos ou prevermos doenças que não imaginávamos no passado, embora a saúde seja seletiva para os que podem mantê-la; nossa capacidade de matar se tornou tão elaborada que as guerras nem sempre geram valas, pois aqueles que anteriormente iriam habitá-las simplesmente são destroçados a ponto de pouco sobrar de seus corpos para um enterro.
Garland, em meio a tantas imagens que demonstram a barbarie humana, questiona-se como a reflexão em torno delas não evita que acontecimentos semelhantes voltem a acontecer.
Falhamos! E falhamos tanto que em 2024 estamos em meio a tantos conflitos e a massificação da morte que nos questionamos se realmente evoluímos. Em certo ponto compreendemos como a fotógrafa vivida por Dunst se tornou anestesiada por tanta desgraça.
Dias Perfeitos
4.2 603 Assista AgoraEm determinado momento, Hirayama, personagem vivido por Kōji Yakusho, diz à sua sobrinha que "o mundo é formado por muitos mundos, alguns estão conectados e outros não". Essa frase expressa bem como podemos observar nossas vidas e a vida daqueles que nos rodeiam. Cada um é um mundo. Em alguns casos, acontecem coisas extraordinárias, empregos incríveis, famílias perfeitas. Em outros, tudo é comum. Nada de incrível acontece. Entretanto, há beleza de qualquer forma nesse comum, nesse normal. Você pode se sentir completo em um emprego onde se lava banheiros. Pode ver beleza em observar árvores durante o almoço. Pode se sentir bem lendo seus livros usados.
Podemos ter uma bela vida, com rotinas que nos tornam inteiros, mesmo que muitas vezes outros não entendam.
O mundo não precisa de celulares cheios de funções que pouco sabemos usar, ou carros modernos, ou conexões familiares artificiais. O mundo precisa de humanidade, conexões sinceras, músicas cheias de significado, rotinas repletas de simplicidade e beleza. E Wim Wenders entende bem isso.
A Sociedade da Neve
4.2 782 Assista AgoraJ. A. Bayona possui uma filmografia curta, mas interessante. Gosto muito de "O Orfanato" e "O Impossível". Enquanto isso, o seu "Jurassic World: Reino Ameaçado", embora tenha problemas inegáveis, é eficiente em suas propostas.
E aqui, Bayona concebe seu melhor filme, maduro, humano e uma verdadeira carta de amor e compreensão para aqueles que sobreviveram à tragédia que o originou.
Ao final, estamos dentro dos destroços, compartilhando o calor, o sofrimento e a camaradagem existente entre aqueles indivíduos. Somos cúmplices de seu sofrimento e de suas decisões mais complexas. Bayona demonstra uma maturidade admirável ao jogar luz sobre as pessoas, mantendo sua câmera focada em seus rostos e distante dos aspectos polêmicos do ocorrido.
Anatomia de uma Queda
4.0 974 Assista AgoraHá algum tempo, aprendi que em um relacionamento a dois sempre haverão três verdades: uma para cada um dos parceiros e a última, a verdade em sua integridade. Aquelas verdades que dominam a visão de seus donos são perspectivas, cheias de vícios, mágoas, expectativas frustradas e sentimentos dos mais variados. Enquanto isso, a verdade em sua completude não é vista, pois ela estará presa sempre entre as quatro paredes de um lar. Ela está perdida e encarcerada ali. E ao final de um relacionamento (seja ele um divórcio ou mesmo a morte), sempre restará a ambiguidade de perspectivas, sejam elas positivas ou negativas.
Anatomia de uma Queda busca justamente nessa discussão construir uma projeção cuja trama, baseada em um tribunal, busca encontrar uma verdade em sua integridade. Trata-se de um suicídio? Ou seria uma queda acidental? Ou a esposa, em um ato de descontrole, assassinou seu companheiro?
E a condução humana e talentosa da diretora Justine Triet faz com que a resposta seja instigante, mas desnecessária. Não há o que saber ali, pois nunca se terá a verdade completa. Um relacionamento, seja ele na vida ou na morte, sempre estará envolto das ambiguidades dos envolvidos. A unicidade de cada cônjuge.
Pena que ao final, mesmo que em parte, a diretora tenha buscado amenizar essa dúvida colocando a perspectiva do filho com deficiência visual (a justiça?) para de alguma forma resolver o caso. Não que a ambiguidade se esvaia, pois ela ainda causa dúvidas, mas apenas para dar conforto ao expectador. Não precisávamos saber qual estava certo ou errado. Se houve ou não assassinato. Pois um relacionamento é isso, verdades que muitas vezes morrem entre quatro paredes
Zona de Interesse
3.6 694 Assista AgoraZona de Interesse é um processo de tortura guiado sobretudo pelo som. Todo bom realizador sabe que a imaginação do expectador é mil vezes mais potente do que qualquer imagem que ele possa construir em sua obra. E aqui o diretor Jonathan Glazer demonstra uma habilidade absurda em deixar que nós construamos em nossas mentes as atrocidade de Auschwitz.
Glazer constrói planos longos, com diálogos inspirados, ao mesmo tempo em que é auxiliado por uma mixagem e edição de som soberbos. Assim, Zona de Interesse busca o desconforto em um cotidiano aparentemente prosaico de uma família, cujos pais são psicopatas completamente perturbados mentais, os quais não mostram desconforto algum com o que acontece além do muro de sua propriedade.
Zona de Interesse é mais uma obra que demonstra como o cinema é incrível, porém, em paralelo, lembra-nos como a humanidade deu errado há muito tempo.
Maestro
3.1 268Bradley Cooper é talentoso. E devo confessar que estou ansioso para seus próximos projetos atrás das câmeras. Isso quer dizer que “Maestro” é um filme excelente? Não! É um filme correto, estéreo, cujo roteiro o torna frágil. Porém, Cooper é um diretor talentoso, construindo sequências belíssimas e cenas que evocam emoções profundas e dolorosas.
Naturalmente, “Maestro” empalidece em meio a um ano tão bom para o cinema. O que não tira méritos para diversos pontos da obra, como as belíssimas atuações, sobretudo de Carey Mulligan, a alma do filme e uma atriz que tem se tornado cada vez mais interessante com a idade.
Acredito que faltou ousadia dos roteiristas (dentre eles o próprio Cooper) para construir um filme mais interessante e emocionalmente complexo, características como as que vemos na personagem de Mulligan.
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraO mundo é um lugar muito ruim para se viver, em muitos casos. Muito disso se deve aos seus principais habitantes. O ser humano é violento, cruel, perturbado e contraditório. Porém, o homem é o culpado de boa parte desses pontos.
Pobres criaturas, neste sentido, acabam levantando discussões relevantes de forma alegórica, com o intuito de refletir sobre o papel da mulher em uma sociedade em que o homem busca controlá-la de alguma forma: sua vida, seu modo de se portar, seus pensamentos e sua sexualidade, por exemplo.
Yorgos Lanthimos constrói uma fábula que incomoda, instiga e diverte, demonstrando como o homem é frágil e inseguro, buscando disfarçar sua natureza tosca por meio do controle e autoritarismo sobre o sexo oposto.
E é interessante observar como muitos desses homens (sejam figuras paternas ou amorosas) tentam obter poder sobre a mulher em algum ponto durante a projeção. Esses seres acabam se tornando cada vez mais inseguros, conforme uma mulher defende sua liberdade e desenvolve conhecimento, o qual claramente ofusca um intelecto fraco e rasteiro das figuras masculinas presentes no filme.
E não é surpresa que muitas dessas criaturas se revelem grotescas em seu caráter ou em sua imagem durante a projeção, enquanto a personagem principal evolui, ao compreender melhor a sociedade, a vida e sua própria sexualidade, valorizando sua liberdade e suas escolhas, sem ter a necessidade de qualquer figura masculina para que isso se concretize. Bella sabe o que quer e não precisa de ninguém para lhe ajudar com isso.
O Menino e a Garça
3.9 329Considero Miyazaki, ao lado de Scorsese, os melhores diretores ainda vivos. Esse meu ponto de vista reflete-se nas obras que lançaram no ano de 2023. Tocantes em suas próprias formas, "Assassinos das Luas das Flores" e este belíssimo "O Menino e a Garça" serão consideradas obras-primas com o tempo.
Em certo momento, já para o final da projeção, peguei-me pensando como me sentirei órfão quando a morte acometer esses dois grandes cineastas. Rapidamente veio-me uma profunda tristeza em saber que não poderei mais ter aquela expectativa de ser brindado com mais uma obra desses realizadores. O consolo viria apenas nas constantes revisitações que faço às suas filmografias, as quais são irrepreensíveis, porém sempre vou sentir que gostaria de ter mais tempo para vivenciar novas histórias.
"E O Menino e a Garça" é exatamente sobre a perda precoce de pessoas que amamos e como a dor do luto ressignifica nosso tempo e espaço no mundo. Não existem respostas fáceis aqui, mas uma maturidade absurda para compreender como a perda nos transforma e nos molda. Miyazaki demonstra que algumas coisas são inevitáveis em nossas vidas. Não há como mudar ou voltar no tempo para que não sintamos dores tão profundas, mas podemos evoluir e compreender onde é o nosso lugar na vida. As perdas não significam o fim, mas apenas uma curva no meio do caminho, na qual carregaremos lembranças, abraços ou mesmo livros com suas dedicatórias repletas de amor.
Rustin
3.3 84 Assista AgoraRustin, sem dúvida, merecia um filme melhor. Uma direção sem criatividade e burocrática de Wolfe, além do roteiro que prioriza a teatralidade, torna a obra arrastada e sem qualquer ritmo.
Para piorar, o momento mais aguardado do filme, que seria a Marcha, foi filmado com uma preguiça absurda, transformando-se em uma verdadeira decepção.
Gran Turismo: De Jogador a Corredor
3.6 226 Assista AgoraEm mãos de um diretor menos talentoso, Gran Turismo provavelmente se tornaria mais um filme genérico, com um roteiro repleto de clichês. Porém, Neill Blomkamp consegue nos brindar com uma direção segura e criativa, entregando-nos sequências de corrida tensas e bem coreografadas.
Uma surpresa, sem dúvida!