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Um filme que me surpreendeu pela ousadia, qualidade e pelo TERROR. Aviso prévio: Se você quiser sofrer jumpscares baratos de um cinema preguiçoso, não veja o filme. Sou muito, mas muito chato com a qualidade dos filmes de terror que pecam pela história, excesso de violência gratuita e superficialidade das personagens, algo que não ocorre nessa longa.
Temos aqui um retrato de uma família aparentemente comum: Pai cético, mãe neurótico, filho distante e filha estranha. Pela primeira metade do filme vemos os acontecimentos com um ponto de vista mesclado entre Charlie (filha) e Steve (pai), que pintam os quadros com ceticismo e incompreensão. Entretanto, mais a frente adotamos o ponto de vista de Annie (mãe) e Peter (filho), onde a insanidade e as dúvidas quanto a natureza de sua realidade são postos à prova.
O filme tende a nos fazer questionar a real essência do terror: Seria tudo fruto de doenças mentais? Fanatismo religioso? Trabalho demoníaco? Tudo isso e mais um pouco?
As cenas são carregadas de simbolismos que necessitam de conhecimento prévio para serem completamente compreendidas (leitores do Grimório que o digam), o que por si só já é indício de um cinema um pouco mais exigente com seu telespectador.
A violência e a crueza beiram entre explícito e o implícito, carregando ainda mais o filme de tensão e ansiedade, deixando-nos nas mãos dos atores que carregam seus dramas e medos de forma visceral, crível e angustiante. (A cena de Peter e Charlie no carro após o acidente me deixou boquiaberto, senti o peso do medo e da abrupta situação que o rapaz se inseriu).
O enredo a todo momento nos dá indícios do que estaria a acontecer: Charlie decapitando um pombo (sua trágica morte), construindo bonecos (como o ídolo na casa, que por sinal, tinha a sua cabeça), os sonhos envolvendo o fogo (morte de Steve), o Grimório (Paimon sendo invocado pelo culto satânico).
Além de tudo isso, o filme ainda brinca com algumas referências interessantes que podem ter sido propositais: Charles (cujo nome Charlie é uma variação) foi um rei inglês que morreu decapitado, assim como Pedro (Peter) foi, segundo a história, crucificado de ponta a cabeça, ou seja, em uma cruz oposta à que vemos, geralmente usada para sinalizar cultos satânicos. A presença das moscas me remete a Belzebu, o senhor das moscas, outro demônio de maior grau assim como Paimon, assim como a cena final é uma referência ao nascimento de Cristo na manjedoura.
Por fim, vi o filme no cinema na data de hoje e não perdi o interesse no mesmo em nenhum momento. Os instantes mais tensos me deixaram grudados na poltrona e com aquela sensação de desconforto que não sentia desde "A Bruxa".
Uma pequena surpresa responsável por reacender meu desejo pelo terror psicológico no cinema.
A fotografia bela, a trilha sonora que assim como o roteiro te causa inquietação e incômodo casam perfeitamente com as interpretações dos atores, todas excelentes.
O filme é lentamente construído em cima de relações que, apesar de não serem ruins (à primeira vista) são no mínimo estranhas e perturbadoras.
Quando a amizade entre o jovem que perdera o pai e o cirurgião responsável por isso (apesar de haver toda uma séria discussão entre quem seria de fato o responsável) revela sua verdadeira faceta, todo o tom de esquisitice incômoda do filme toma tons mais escuros.
Assim como Agamenon fora cobrado pela deusa a sacrificar uma de suas três filhas para possibilitar uma demanda contra Troia, o estimado cirurgião deve sacrificar um de seus filhos para parar uma espécie de maldição que assola sua família. Entretanto, agora é o pobre mortal que demanda o sacrifio para o deus entre os homens, aquele que brinca com a vida e a morte foi pego em uma troça de mal gosto.
O embate entre o científico vs sobrenatural toma conta e somos postos na mesma situação que o patriarca, sem nenhum controle de seu destino, com sua crença e razão questionadas e uma decisão a ser tomada.
A frieza com que todos lidam é perturbadora. A mãe instiga o marido a matar um dos filhos porque eles ainda poderiam ter outro caso quisessem enquanto os irmãos disputam a atenção dos pais afim de ganharem o seu favor no momento da escolha.
Diferente de Agamenon, que encotrou um cervo para substituir a filha durante o sacrifício, o pai dessa trama teve que fazer do filho sua peça a ser sacrificada.
Um longa que discute desde a responsabilidade médica até a lei de balanceamento do universo "eu perdi alguém, você também deve perder, só assim o universo estará balanceado novamente". Fora dos moldes tradicionais do cinema e uma boa surpresa pra aqueles que como eu estão decepcionados com os filmes do gênero.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Magina.
Você tem excelentes comentários sobre os filmes.
Simplesmente a melhor experiência cinematográfica que já tive. Cinema calado (não ousei abrir um Doritos para não interromper ninguém), pessoas aos prantos e o melhor: Máximo respeito pelo artista homenageado.
Recomendo IMAX, não se arrependerão.