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"Uma batalha após a outra" funciona muito mais como um comentário sobre o contexto político americano atual do que como uma discussão sobre a revolução. Mas achei seu tom, até um pouco cínico, sintomático do nosso tempo: ele tira sarro de todos os "extremos", os nazistas e os ideologicamente indefinidos revolucionários de esquerda, ao ponto de quase produzir uma indefensável equivalência entre ambos, mesmo que busque discursivamente condenar os nazi e se alinhar, hesitante, com os revolucionários. Achei isto sintomático da nossa falta de imaginação política pós-moderna que tende a se agarrar no escapismo e não consegue vislumbrar alternativas mesmo quando o presente se mostra inaceitável – é por isso que os revolucionários falam de uma revolução sem conteúdo e sem projeto, se definem muito mais pela negativa (são anti-fascistas, antirracistas, lutam contra a política anti-imigrantes), não pelo viés propositivo (são socialistas? Se sim, de que tipo? Qual seu projeto?). Parece ecoar todas as ondas de protestos anti-capitalistas mundiais dos últimos 20 ou 30 anos, protestos que identificam o que deve ser mudado, mas que têm dificuldade em definir um projeto de sociedade e buscá-lo. Por tudo isso, o final ecoa a frase famosa do Fisher/Jameson/Zizek: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo; o revolucionário Bob termina o filme aprendendo a tirar selfies num iphone, enquanto a filha sai pra brincar de revolucionária com os amigos.
Apesar de todas as minhas considerações negativas, eu gostei do tom nada romantizado e até paródico com que se trata os "revolucionários" ao estilo dos anos 1970, faço minha confissão de também olhar pra eles com certa distância irônica, com certo cinismo infelizmente pós-moderno que compartilho com muitos da minha geração e que precisa ser superado. Mas é fato que o PTA quase perde a mão nesse tom. Além disso, o filme também me pareceu um pouco longo demais em alguns momentos. Gostei muito das atuações, especialmente do Sean Penn e do Benicio del Toro, mas também da Chase Infiniti. Amei a cena da perseguição no deserto. Linda!
[visto pelo Prime Vídeo em 13 Jan, 2026]
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Tá aceita amizade, Lucas! Bons filmes para nós! ;-)
Oi, Lukas, obrigado pela curtida da minha lista de filmes sobre História do Brasil e espero que você tenha gostado dela. Abraços.
NO TOPOOOO :*
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A arte nos devora, mastiga, mastiga, engole, regurgita, mastiga mais, mastiga mais, nos metaboliza, caga tudo no solo e ali cresce uma árvore linda cheia de frutos. Mas, primeiro, ela mastiga tudo, a carne, o tempo e o espaço.
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[🏴☠️ 26 Jan, 2026]