Últimas opiniões enviadas
Quando assisti pela primeira vez tive raiva de Summer, mas observando direito, a história é contada apenas pelo ponto de vista de Tom, então, as razões de Summer estar insatisfeita com o relacionamento, as quais ele nunca conseguiu enxergar, são desconhecidas. Mas, a verdade é que nem sempre ser um cara legal e uma boa pessoa é o bastante para conquistar alguém.
Logo no começo do filme, na apresentação dos personagens, é mostrado que Tom acredita que só será feliz quando encontrar o amor verdadeiro e quando conheceu Summer já estava determinado a acreditar que ela é a pessoa que ele sempre procurou, mesmo antes de conhecê-la bem. Essa vontade em acreditar só o fez conseguir enxergar o lado bom das coisas à medida que o relacionamento avançava e acho que a partir do momento que ela o diz “eu nunca contei isso a ninguém” é quando ele se entrega totalmente.
O interessante nesse filme é a forma como são mostradas as sensações de Tom nas várias fases que ele passa, seja dançando de alegria, na paranoia gerada pela incerteza no começo ou gritando no ônibus. Além disso, existem detalhes bem legais como a cena dele jogando xadrez fazendo referência ao filme “O Sétimo Selo” para mostrar um momento existencialista.
No final, acho que o filme mostra que apesar dos efeitos devastadores de relacionamentos frustrados, vivencia-los mantêm as pessoas a buscar outras formas de serem felizes através de mudanças do estilo de vida e procurando fazer aquilo que realmente gostam e proporcionam prazer em fazer.
Refn nesse filme procura falar muito sem realmente dizer muitas coisas, o ritmo é extremamente lento e é repleto de cenas inexplicáveis embutidas com referências ao cristianismo, as cruzadas, a filosofia e a mitologia nórdica. Confesso que só consegui terminar o filme porque ele tem uma duração relativamente curta, até porque só vai ficando mais difícil de assistir com o passar do tempo. Eu não entendo como esse filme foi tão aclamado pela crítica e Só Deus Perdoa foi duramente criticado e ainda questiono se, após o fracasso de Medo X e a falência da produtora, Refn tivesse se arriscado com esse projeto, ao invés de ter realizado Pusher 2, ele teria salvado sua carreira, até porque, acho que a maioria das pessoas só assistem Valhalla Rising depois de assistirem os filmes que consagraram sua carreira como Drive e Bronson.
O segundo filme da trilogia Pusher também é ambientado no submundo do crime, focando em Tonny, que conhecemos no primeiro filme como o amigo bobão de Frank. Esta sequência reforça sua caracterização de low life, que se mete com outras figuras do crime, mas que acaba se protegendo contra retaliações mais severas por ser filho de um chefe do crime influente.
O filme retrata o desprezo que Tonny enfrenta de todos ao seu redor. Desde prostitutas zombando de suas fragilidades até parceiros de crime que o tratam com desdém. O único respeito que possui é o nome tatuado em sua cabeça.
O protagonista parece ter se tornado insensível às constantes humilhações, mas o pior é sua relação com o pai, de quem Tonny busca desesperadamente aprovação, recebendo apenas desprezo em troca e não parecendo perder as esperanças de ter uma nova oportunidade de o agradar.
Gosto muito do diálogo de abertura que o detento passa a mensagem de domine o seu medo. Acho que implicitamente vai servir como catalisador para a jornada de autodescoberta de Tonny e no final o faz tomar as ações realizadas, adicionando profundidade à sua evolução ao longo do filme.