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Esse crime me tocou muito profundamente na época, pelo fato de eu ter 11 anos de idade e pensar que, talvez, pudesse ser eu numa situação similar. A Eloá e a Nayara eram meninas como eu. Lembro de acompanhar com uma angústia tremenda, como se aquela resolução de alguma forma salvasse todas nós.
Me chocou ver, agora adulta, o quanto o Lindemberg foi romantizado. A sociedade e a imprensa acreditavam que de fato se tratava de um crime de amor, como se fosse um desvio, um pisão na bola. Realmente, muito se sabia do criminoso — sua personalidade, seus antecedentes, suas emoções —, enquanto as verdadeiras vítimas eram tidas apenas como um detalhe no meio de todo o espetáculo. Infelizmente houve esse desfecho pavoroso, mas ao menos novas diretrizes foram elaboradas para a cobertura de casos assim, tanto da mídia, quanto da polícia.
Penso que documentários true crime têm essa função: não assistimos por sadismo, mas para analisar a sociedade e as posturas da época, a fim de questionar a maneira como seguimos tratando casos parecidos atualmente. Dezessete anos se passaram; o crime já parece distante e são perceptíveis mudanças culturais na sociedade quanto a relacionamentos, crimes "passionais" e feminicídio, mas, infelizmente, sabemos que ainda existirão muitas Eloás mundo afora.
A série funciona tão estranhamente bem porque nos conecta aos personagens de uma maneira que não gostaríamos. Imagine: e se eu tivesse feito isso?
Uma interpretação rasa pode levar a acreditar em romantização dos criminosos quando suas inseguranças são exploradas, atrelando a isso um lado "humanizado" dos detentos. Fato é, goste ou não, que esses indivíduos são, sim, humanos e nunca o deixaram de ser — mas representam um lado da humanidade que detestamos e que procuramos negar a todo custo. Humanidade, afinal, não é sinônimo de bondade ou de empatia.
A reconstituição dos crimes da Elize e do casal Nardoni evidenciam esse dilema. Aparentemente indivíduos normais, sem antecedentes criminais, mas que, diante de condições extremas, deixaram o seu lado humano mais perverso tomar controle da situação. Esses casos são intrigantes porque não se trata de pessoas historicamente violentas, inseridas em contextos intrinsecamente violentos. É algo que, muitas vezes, não se espera — assim como não esperamos que parentes próximos ou nós mesmos sejamos pessoas ruins —, mas que acontece. Como lidar com isso? É difícil aceitar que o mal está nos outros, mas também pode estar na gente.
Devaneios a parte, de forma alguma estou defendendo os crimes/criminosos. Não há qualquer dúvida de que tudo isso é lamentável e repugnante, sobretudo quando pensamos nas vítimas. Aliás, parte dessa "conexão" se perde quando pensamos nas decisões tomadas após o crime. Até certo ponto, conseguimos imaginar (e não concordar) a fúria existente em alguém a ponto de assassinar o próprio marido, mas a decisão de picotá-lo e descartar seus restos mortais em malas de viagem já é um passo além. Porém, é inegável não sentir "medo" de que algo parecido possa acontecer em nossa história. O ser humano é capaz de tudo, inclusive nós mesmos.
Pra mim, esse é o ponto alto da série. Como instrumento artístico, nos provoca e nos incomoda, seja pelo o que vemos, seja pelo o que imaginamos.
É quase impossível, mas esse filme fez parecer que o Michael Jackson é meio desinteressante e limitado. A intenção era construir magia, mas toda a condução é superficial, chapada e repetitiva. As cenas finais te prendem na cadeira do cinema apenas esperando os minutos passarem, porque novidade não virá. Muito limitado quanto à criatividade de direção: todas as performances ao vivo seguem um mesmo roteiro. Se fosse para assistir ao Michael se apresentando apenas, seria melhor assistir apenas ao Michael se apresentando.