Mariana Cruz
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Últimas opiniões enviadas

Mariana Cruz
4 meses atrás

É quase impossível, mas esse filme fez parecer que o Michael Jackson é meio desinteressante e limitado. A intenção era construir magia, mas toda a condução é superficial, chapada e repetitiva. As cenas finais te prendem na cadeira do cinema apenas esperando os minutos passarem, porque novidade não virá. Muito limitado quanto à criatividade de direção: todas as performances ao vivo seguem um mesmo roteiro. Se fosse para assistir ao Michael se apresentando apenas, seria melhor assistir apenas ao Michael se apresentando.

editado
Mariana Cruz
10 meses atrás

Esse crime me tocou muito profundamente na época, pelo fato de eu ter 11 anos de idade e pensar que, talvez, pudesse ser eu numa situação similar. A Eloá e a Nayara eram meninas como eu. Lembro de acompanhar com uma angústia tremenda, como se aquela resolução de alguma forma salvasse todas nós.

Me chocou ver, agora adulta, o quanto o Lindemberg foi romantizado. A sociedade e a imprensa acreditavam que de fato se tratava de um crime de amor, como se fosse um desvio, um pisão na bola. Realmente, muito se sabia do criminoso — sua personalidade, seus antecedentes, suas emoções —, enquanto as verdadeiras vítimas eram tidas apenas como um detalhe no meio de todo o espetáculo. Infelizmente houve esse desfecho pavoroso, mas ao menos novas diretrizes foram elaboradas para a cobertura de casos assim, tanto da mídia, quanto da polícia.

Penso que documentários true crime têm essa função: não assistimos por sadismo, mas para analisar a sociedade e as posturas da época, a fim de questionar a maneira como seguimos tratando casos parecidos atualmente. Dezessete anos se passaram; o crime já parece distante e são perceptíveis mudanças culturais na sociedade quanto a relacionamentos, crimes "passionais" e feminicídio, mas, infelizmente, sabemos que ainda existirão muitas Eloás mundo afora.

Mariana Cruz
10 meses atrás

A série funciona tão estranhamente bem porque nos conecta aos personagens de uma maneira que não gostaríamos. Imagine: e se eu tivesse feito isso?

Uma interpretação rasa pode levar a acreditar em romantização dos criminosos quando suas inseguranças são exploradas, atrelando a isso um lado "humanizado" dos detentos. Fato é, goste ou não, que esses indivíduos são, sim, humanos e nunca o deixaram de ser — mas representam um lado da humanidade que detestamos e que procuramos negar a todo custo. Humanidade, afinal, não é sinônimo de bondade ou de empatia.

A reconstituição dos crimes da Elize e do casal Nardoni evidenciam esse dilema. Aparentemente indivíduos normais, sem antecedentes criminais, mas que, diante de condições extremas, deixaram o seu lado humano mais perverso tomar controle da situação. Esses casos são intrigantes porque não se trata de pessoas historicamente violentas, inseridas em contextos intrinsecamente violentos. É algo que, muitas vezes, não se espera — assim como não esperamos que parentes próximos ou nós mesmos sejamos pessoas ruins —, mas que acontece. Como lidar com isso? É difícil aceitar que o mal está nos outros, mas também pode estar na gente.

Devaneios a parte, de forma alguma estou defendendo os crimes/criminosos. Não há qualquer dúvida de que tudo isso é lamentável e repugnante, sobretudo quando pensamos nas vítimas. Aliás, parte dessa "conexão" se perde quando pensamos nas decisões tomadas após o crime. Até certo ponto, conseguimos imaginar (e não concordar) a fúria existente em alguém a ponto de assassinar o próprio marido, mas a decisão de picotá-lo e descartar seus restos mortais em malas de viagem já é um passo além. Porém, é inegável não sentir "medo" de que algo parecido possa acontecer em nossa história. O ser humano é capaz de tudo, inclusive nós mesmos.

Pra mim, esse é o ponto alto da série. Como instrumento artístico, nos provoca e nos incomoda, seja pelo o que vemos, seja pelo o que imaginamos.

  • Filmow 1 semana atrás

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