Giorgio (Mastroianni) vive com seu cão, Melampo, isolado do mundo, em uma ilha mediterrânea que fora, na II Guerra, base aérea dos alemães. A inusitada e acidental chegada de Liza (Deneuve) na ilha quebra sua rotina. Liza afeiçoa-se de Giorgio, e desiste de ir embora. Porém, quando Melampo morre, Liza pouco a pouco vai substituindo o companheiro de Giorgio. E quando ele lhe coloca uma coleira, o surrealismo da relação dos dois está apenas começando...
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um filme necessário
Drama anos 70, escrito e dirigido pelo Marco Ferreri (do excelente Storie di Ordinaria Follia). Com a musa Catherine Deneuve, Marcello Mastroianni (presença certa em filmes românticos dos anos 50/60/70) e participação do Michel Piccoli (Belle de Jour). História inusitada. O lugar tem um visual maneiro. A discussão no barco. A Liza e a fuga pra ilha. O morador da ilha e seu cachorro. A cena do pé. A ida e a volta. O acontecimento com o cachorro. A substituição. A cena da lambida. Os óculos diferenciados. "Self service". O filme é meio lento e parece não saber direito pra onde ir... Os momentos principais acontecem de forma meio brusca. O relacionamento dos protagonistas não empolga como deveria... Poderia ter sido bem melhor, mas ainda assim, acabei gostando.
''O mar trás muitas coisas.''
Também conhecido pelo titulo Liza, La Cagna é um aquecimento do que Ferreri iria fazer no ano seguinte em A Comilança. Se tratando de La Grande Bouffe, sabemos o quanto a burguesia procura sua auto destruição em forma de alegoria grotesca onde a natureza humana e um universo em desumanização criam um pacto, no caso de Liza, esta destruição é vista por um processo crescente de animalização. Ferreri não esta nem ai para os sentimentos humanos burgueses, o absurdo real é apenas um ponto de partida mas o grande problema de Liza é que ao contrario de A Comilança onde você testemunha este caos, a montagem do filme por muitas vezes não favorece em sua acidez: quando Liza já age como o cão Melampo, o filme se perde em cenas vagas que não acrescentam e vai ficando cansativo já nos seus finais. A intensidade de Ferreri continua encantando mas em Liza, a estranheza me soou lenta.
Até eu lambia a mão do Mastroianni nessa fase, que homem! (E a Deneuve é linda até hoje, né)