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Rio de Janeiro, 1968. Quando tinha 18 anos Carolina (Débora Falabella) conhece o grande amor da sua vida, Luís Cláudio (Rodrigo Santoro), seu primeiro e único namorado, com quem se casa. Quando ela tinha 55 anos, com os quatro filhos já crescidos, eles pretendem vender o apartamento em que vivem, morar num apart-hotel e viajar. Por ele a viagem dos sonhos seria Cuba, mas ela sempre quis conhecer Paris. No decorrer da venda do imóvel acontecem pequenos conflitos, pois Carolina (Marieta Severo) passa a crer que o amor que tinham um pelo outro acabara e propõe a Luís (Antônio Fagundes) terminarem o casamento. Ele, por sua vez, retruca dizendo que é mais uma discussão passageira. O imóvel é vendido. Os dois pegam o elevador do prédio e, antes de cada um ir para um canto, Luís insiste que deveriam viajar e entrega a Carolina uma passagem aérea, que ela não dá importância. Ela vai tomar um banho e então começa um grande momento de reflexão, no qual "se encontra" com a jovem Carolina, ou seja, ela mesma, e começa a pensar como teria sido sua vida se, no dia que Luís a pediu em casamento, ela tivesse dito não. Através de um confronto e diálogo com a jovem que foi aos 18 anos, ela revive os sonhos do passado e as possibilidades de ter seguido outros rumos e conhecido outros amores. Na maturidade Carolina viverá plenamente o privilégio de rever a sua própria história e se reencontrar no que foi, no que não foi e no que poderia ter sido, ao lado ou longe do grande amor de sua vida.
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IMPRIMATUR - visto no cinema em 2004:
A produção acerta na escolha do elenco, ainda que a dinâmica entre os personagens não funcione perfeitamente. Contudo, a obra peca pela superficialidade, assemelhando-se a uma estrutura de telenovela.
Avaliação em nota: 6.0
filmes brasileiros dessa época pareciam novela...
REVENDO: Continuo gostando do filme
28.08.2025
E ainda dizem que obras brasileiras são ruins. O filme é uma prova da sofisticação do cinema brasileiro no início da Retomada e reafirma o valor das nossas produções ao equilibrar o apelo popular com uma narrativa técnica impecável e profundamente emocional.
O grande triunfo da obra está na forma sensacional como mistura o tempo. A transição entre o passado e o presente não ocorre de maneira linear ou convencional; as diferentes versões da protagonista coexistem na tela, dialogando e confrontando suas escolhas. Esse recurso transforma a memória em algo vivo e palpável, fugindo do clichê do flashback comum.
Além disso, o filme brilha pelo uso inteligente da metalinguagem. Ao permitir que a personagem "reescreva" sua própria vida diante dos olhos do espectador, a obra reflete sobre o próprio ato de narrar e sobre como somos, simultaneamente, autores e espectadores de nossas histórias, trazendo uma reflexão universal sobre o tempo e o arrependimento. É uma obra simples, direta ao ponto, divertida e comovente. Menção especial às atuações de todo o elenco que está afiado no texto rápido que o filme carrega.
18.11.2004