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Após uma catástrofe que destruiu a sociedade civilizada, um casal começa uma nova vida em um abrigo. Sua missão é exterminar os seres “contaminados”, condenados a vagar como zumbis até a morte.
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Visualmente arrojado e com alguma metáfora típica do cinema novo para a luta de classes, a miséria e aporofobia (''contaminated''), mas ficou no plano das ideias e acabou todo impregnado de uma lombra narrativa hipponga (sofrível a sequência das plantas renomeadas) que nem funciona como ironia ao pacifismo flower power.
Parece que Nélson P. dos Santos resolveu brincar de Gláuber Rocha e acabou fazendo um proto-Mad Max esquisitão, com boas ideias mas terrivelmente enfadonho. É interessante algumas inversões de papéis, por exemplo o ator francês Frédéric de Pasquale fala um português perfeito (foi dublado por Paulo César Pereio) enquanto a brasileira Regina Rosenburgo fala com um carregadíssimo sotaque estrangeiro. Outra ideia insólita são os filmes projetados em fumaça.
E o filme se encerra com uma premonição sinistra: a atriz Regina Rosenburgo embarcando em um avião. Pois ela faleceu em 11 de julho de 1973 em um acidente de avião na França, alguns meses depois da estreia do filme no Festival de Cannes.
- 7/10
- bom demais ver um filme brasileiro pós-apocalíptico e de zumbis
- mas quem vai assistir apenas por conta desses gêneros pode se decepcionar, pois o principal do filme são as criticas sociais feitas pelo diretor
Tosqueira à parte, o que mais espanta neste filme é que ele é uma metáfora do contexto social e político do Brasil da época, mas cai como uma luva no Brasil atual.
Fico realmente impressionado que este filme seja tão dizimado pela crítica: o achei absolutamente genial!
tudo bem: há um problema de roteiro. Oficialmente, nos créditos, sequer há crédito neste sentido: o diretor toma um ponto de partida discursivo, via argumento autocrítico que homenageia WEEK-END À FRANCESA, de Jean-Luc Godard, mas numa perspectiva eminentemente brasileira. Era como se o autor, à margem tanto do Cinema Novo como do Cinema Marginal - mas pioneiro de ambos os movimentos - estivesse num diferente nível de percepção: para ele o retorno á narrativa era obrigatório, a autocongratulação lisérgica implicaria numa falta de comunicação com o povo - tachado de "contaminated", mas condenado à morte e não destinado à cura. Ensimesmados e desiludidos com o mundo ao redor (não obstante a abundância de beleza e de condições de sustentação vegetal),, os protagonistas divertem-se ao assassinarem outrem e destróem as ferramentas de comunicação existentes. Uma mensagem evidente do diretor, e que faz muito sentido quando a transferimos para as contradições militantes de hoje em dia. Afinal, por que as pessoas gritavam tanto por comida e água se ambas não faltavam ambientalmente? Os enquadramentos inusitados, geniais e virulentos do Dib Lufti não deixam dúvidas: há muito mais a ser alimentado quando a miséria não é apenas a do corpo. Amei, absolutamente genial e oportuno. Intemporal!
O desfecho no aeroporto internacional é um tapa adicional, uau! (WPC>)