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A história se situa no fictício município de Bole-Bole, na zona canavieira de Pernambuco, que passa por um plebiscito para a mudança do nome. O movimento é encabeçado por duas facções: os tradicionalistas, liderados pelo coronel Zico Rosado, pelo Professor Aristóbulo e pelo farmacêutico Seu Cazuza, que usam argumentos históricos para manter o nome atual, Bole-Bole; e os mudancistas, liderados pelo coronel Tibério Vilar, pela idealista Zélia Vilar e pelo vereador João Gibão - este último irmão do prefeito Lua Viana -, que alegam vergonha do nome, querendo mudá-lo para Saramandaia. Mas o que chama a atenção na cidade são as características exóticas de alguns personagens da história: o professor Aristóbulo Camargo, que vira lobisomem nas noites de lua cheia; Marcina, que provoca incêndios onde toca e queimaduras em quem toca; João Gibão, que esconde em sua corcunda um belo par de asas; Encolheu, que prevê o tempo com dores ósseas; Dona Redonda, que não consegue parar de comer; Zico Rosado, que põe formigas pelo nariz; Vitória, que se derrete de gotas de orvalho, Seu Cazuza, que põe o coração pela boca, Tibério, que criou raízes de tanto ficar sentado, Dona Pupu, que guarda a cabeça do marido morto em uma redoma de vidro, entre outras "diferencices."
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Assisti Saramandaia (2013) de Dias Gomes na TV Globo. Foi uma brilhante adaptação de Ricardo Linhares da antiga Saramandaia. Direção geral de Fabrício Mamberti e Denise Saraceni. Eu amo realismo fantástico, e Saramandaia foi incrível. Belíssimo cenário, cores, figurinos, elenco, interpretações, ideias. E foi difícil ficar acordada para ver, ainda mais em dias de jogos. Eu tinha que ficar vendo outras programações e zapeando para ver quando começava. Um dia inclusive teve prorrogações no jogo e Saramandaia não apareceu. Mas era tão incrível, que valeu todos os sacrifícios. Saramandaia falou de preconceitos, liberdade e respeito. Com linguagem própria, a maioria tinha "diferencices", como João Gibão que tinha a "corcundice", mas que na verdade eram asas. Sua noiva Marcina, tinha calores, ficava vermelha e soltava fumaça quando se apaixonava. Era virgem porque não tinha conseguido namorar ninguém porque os queimava. João Gibão foi interpretado brilhantemente por Sérgio Guizé. Marcina por Chandelly Braz. Linda a personagem da mãe do João Gibão interpretada pela Renata Sorrah. A tolerância dessa mãe, a forma de ajudar o filho a superar as suas "diferencices" foi contagiante. Que lindo o amor do Seu Encolheu e Dona Redonda. Vera Holtz e Matheus Nachtergaele arrasaram, o cachorrinho Pingo deles também. Foi muito triste a festa de 25 anos de casamento, onde ninguém apareceu, nem os melhores amigos. A filha foi interpretada por Thaís Melchior que contracenava com André Bankoff. A trama da Dona Redonda foi ampliada e surgiu então a irmã gêmea da Dona Redonda. As roupas modernas, de menina, eram ótimas. Eu amei todos os figurinos de Gogoia Sampaio. Os cenários eram de May Martins, Fernando Schmidt e Claydiney Barino.Os efeitos especiais também eram muitos. E iluminação de William Gavião e Alexandre Reigada era belíssima.Obra de arte! Gabriel Braga Nunes estava ótimo como Aristóbolo e Débora Bloch como a Risoleta. A cidade toda sabia que ele era Lobisomem, mas ele era discreto, no dia que saiu do armário, todos passaram a evitá-lo. Os diálogos eram ótimos. O padre, interpretado brilhantemente por Maurício Tizumba, foi excomungado por ter casado um Lobisomem. Dona Paradeira, uma parteira preconceituosa, foi interpretada pela ótima Ana Beatriz Nogueira. Seu marido que punha o coração pela boca por Marcos Palmeira. Todos os casais eram apaixonantes, até mesmo os dos vilões. Lindinho o romance de Stela e Tiago. Adoro a Laura Neiva, tenho aprendido a gostar da interpretação de Pedro Tergolina. Muito bem escrito o conflito da personagem Laura Rosado. Ela tinha uma paixão fulminante pelo malvado Carlito Prata, mas se esforçava pra retomar o relacionamento com o Dr. Rochinha. Ela foi interpretada muito bem por Lívia de Bueno. O Carlito pelo Marcos Pasquim. E o doutor pelo André Frateschi. Eu adorei esse personagem, ele era fascinado pelas "mudancices" de Saramandaia. Achava lindas as asas do João Gibão, e emoção do ator quando as viu foi linda. Ele era fascinado pelas raízes do personagem do Tarcísio Meira. Como eu me emocionava com o casal Dona Pupu e Belisário. Que amor lindo! Ele só uma cabeça e ela sempre moderna, estimulando o amor do filho com a Risoleta. Os dois foram interpretados por Luiz Henrique Nogueira e Aracy Balabanian. Muito bonitinha a trama da Dora interpretada pela carismática Carolina Bezerra e sua amiga Camila Lucciola. Os casais principais foram interpretados por Lília Cabral e José Mayer e Leandra Leal e Fernando Belo. Adoro a atriz Ilva Niño que fez a braço direito da Vitória. Adorava a turma da barbearia: Zéu Britto, André Abujamra e sua esposa Georgiana Góes. Estava muito bem Val Perre que interpretou o capanga do Zico Rosado. Gostava também do delegado que fez voto de castidade interpretado muito bem por Theodoro Cochrane. Adorei rever a bela Angela Figueiredo. E a braço direito da personagem dela foi interpretada por outra bela atriz, Dja Martins. E sim, Fernanda Montenegro arrasou como a Dona Candinha e suas galinhas imaginárias. Eram lindas as cenas dela com Laura Neiva e Tarcísio Meira. A sintonia das duas nas cenas era linda! Já estou com saudades de Saramandaia.
Mesmo com os tropeços, "Saramandaia" encanta e sai de cena com sensação de dever cumprido
Depois de "O Astro" e "Gabriela", mais uma remake das onze: "Saramandaia", adaptação da clássica obra de Dias Gomes exibida em 1976. A trama reescrita por Ricardo Linhares apresentou um primeiro capítulo promissor e extremamente apropriado para o atual momento do país, afinal, era a época em que o Brasil era dominado pelas manifestações populares e a novela apresentou na sua estreia justamente a revolta do grupo saramandista contra os mandos e desmandos de Zico Rosado (José Mayer).
Ainda sim, a boa impressão não conseguiu se sustentar nos demais capítulos. O realismo fantástico, um dos grandes atrativos do remake, ficou deixado de lado e o autor parecia que estava 'poupando' as esquisitices dos personagens para somente explorá-las mais para o final do folhetim. Ricardo preferiu focar primeiramente no romance proibido de Zico com Vitória (Lília Cabral) e na guerra das famílias Rosado e Vilar. E o resultado foi entediante.
José Mayer e Lilia Cabral tiveram muita presença, mesmo assim o par não empolgava na química e não demorou muito para as idas e vindas caírem na repetição. Já a briga das famílias soava ultrapassada e cansativa em uma novela contemporânea, além de ter deixado a história estagnada durante várias semanas. O telespectador podia se dar ao luxo de ignorar inúmeros capítulos sem a preocupação de perder alguma cena importante.
Agora, o reencontro de Tibério (Tarcísio Meira) e Candinha (Fernanda Montenegro) foi um prenúncio de que nem tudo estava perdido. A emocionante cena protagonizada pelos veteranos deu esperanças em relação ao futuro da novela: boas cenas e interessantes conflitos estavam por vir. E de fato vieram.
O remake encontrou seu rumo quando João Gibão (Sérgio Guizé) mostrou suas asas para Marcina (Chandelly Braz) e saiu voando pela cidade em uma sequência que primou pelo capricho.
A explosão da Dona Redonda (Vera Holtz) foi o momento mais aguardado e não decepcionou. A atriz deu um show de atuação e a tecnologia trabalhou a favor, resultando em uma união perfeita. A transformação de Candinha e Tibério em uma só árvore também entrou para a lista de cenas memoráveis do remake e da própria teledramaturgia. Já a hora em que João mostra suas asas para que Zélia (Leandra Leal) não se desespere com seu bebê alado,
, como na cena onde a população se revolta contra o casamento de um 'lobisomem' com uma mulher (Aristóbulo e Risoleta), por exemplo -----
É necessário também elogiar a tensa sequência em que Zico tenta matar Risoleta (Deborah Bloch), e é atacado por Professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes) que se transforma lobisomem para defender sua amada. E o retorno de Vera Holtz foi espetacular. Dona Bitela era tão gorda quanto sua irmã gêmea Redonda, agora apresentou uma personalidade totalmente distinta. Mais um trabalho impecável da atriz que conseguiu diferenciá-las com competência.
Aliás, o elenco do remake foi primoroso. Tarcísio Meira e Fernanda Montenegro fizeram um encantador casal; Sérgio Guizé e Chandelly Braz mostraram que terão vida longa na carreira; Deborah Bloch, José Mayer, Lília Cabral e Mateus Nachtergaele brilharam em todas as cenas e Aracy Balabanian fez uma adorável Dona Pupu, enquanto que Luiz Henrique Nogueira conseguiu marcar presença mesmo só sendo a 'cabeça' do Belisário. Já Ana Beatriz Nogueira interpretou magnificamente sua preconceituosa Maria Aparadeira, fazendo uma boa parceria com Vera Holtz e Georgiana Góes (Fifi). Pedro Tergolina (Tiago) e Laura Neiva (Stela) convenceram e fizeram bonito em meio a tantos atores veteranos. André Frateschi (Dr. Rochinha) foi outro bom nome do time.
Marcos Palmeira (Cazuza), Gabriel Braga Nunes (Aristóbulo), Marcos Pasquim (Carlito) e Leandra Leal não comprometeram, e também não conseguiram se sobressair. Lívia de Bueno (Laura) foi uma grata revelação da série "Oscar Freire 279", do Multishow, agora extrapolou na cara de sofrimento de sua personagem, embora não tenha errado sozinha: a direção também contribuiu para o excesso de tintas, uma vez que perdeu a mão na maquiagem dela ---- a palidez e as olheiras, ainda que propositais, ficaram exageradas. E mesmo com o elenco ter sido enxuto, não conseguiram valorizar Renata Sorrah. A grande atriz apareceu bem menos do que merecia e não teve oportunidade de mostrar seu conhecido talento.
O último capítulo da novela foi excelente.
A cena de Zico atirando (com o efeito clássico de câmera lenta também usado em "Belíssima" com a vilã Bia Falcão) em João Gibão, mas acertando Marcina, foi tensa e emocionante. O momento em que João Gibão mostra suas asas para todos na cidade e volta no tempo (claramente inspirada no Superman) também foi ótimo, embora a situação tenha ficado forçada até mesmo dentro do contexto dos absurdos da história. O desfecho do casal Zico e Vitória foi fantástico. José Mayer e Lilia Cabral protagonizaram uma sequência magistral e encerraram suas respectivas participações em grande estilo: com o casal se beijando enquanto a casa do vilão desabava sobre suas cabeças. Trágico e ousado. O autor investiu pesado na criatividade em cima do fim da até então preconceituosa Maria Aparadeira, que desistiu de se envergonhar da família e assumiu suas origens (é filha da Mulher Barbada e do anão malabarista). Já Dona Pupu ficou com seu Belisário (agora com o corpo junto da cabeça) e Gibão terminou feliz ao lado de Marcina, recebendo a notícia do nascimento de novos bebês alados, iniciando uma nova geração 'mudancista'. Aliás, o capítulo encerrou com o clássico voo de João pela cidade ao som de 'Pavão Misterioso'
Com direção de Denise Saraceni e Fabrício Mamberti, "Saramandaia" fechou seu ciclo em meio a erros e acertos, incluindo o divertido linguajar 'saramandista' na lista de boas surpresas: afinal, foi divertido ouvir os personagens proferindo palavras inexistentes ----- vide desmorreu, aconchegamento bulinatório, admirância, apressamento, desaforenta, desengordar, deverasmente, desmudar, mexericância, entre tantas outras ----- e que lembravam o vocabulário do clássico Odorico Paraguaçu (de "O Bem Amado", do mesmo Dias Gomes).
Os pontos altos da reta final conseguiram deixar o remake de Ricardo Linhares com uma imagem geral positiva, embora tenha se perdido no desenvolvimento da história nos primeiros meses. Com os claros tropeços, a novela das onze ---- que terminou com uma média geral de 15 pontos, menor que a alcançada pelas duas tramas anteriores ("O Astro": 19 e "Gabriela": 18) ---- proporcionou boas cenas para o telespectador, conseguiu (ainda que tardiamente) amenizar seus equívocos e saiu de cena com sensação de dever cumprido.
Uma história bem diferente e divertida
Ótima novela!
Tem alguns tropeços na reta final mas mesmo assim vale conferir :)
Com um ótimo elenco, figurinos e cenários caprichados, a trama genial de Dias Gomes foi bem adaptada para as questões atuais...corrupção, intolerância, preconceito, liberdade...uma novela muito especial!