“A Última Casa” é um filme de ficção apocalíptica, um dos subgêneros mais legais de se assistir. O início do fim do mundo é muito bem feito, como um bom filme do gênero precisa ser: já nos captura de início.
As passagens de tempo são boas, as atuações são legais (embora a dublagem esteja ruim), e a construção, os cenários e tudo ao redor são bem feitos. Apesar da curta duração, o filme se arrasta um pouquinho, principalmente por conta da repetição de ideias.
Soluções do tipo “eureka” aparecem demais, e o princípio cinematográfico da Arma de Chekhov é quase obrigatório a cada cinco minutos antes de cada “eureka”. É preciso de bastante suspensão de descrença, principalmente no ato final, que é a parte mais fraca.
Ainda assim, é divertido e entretém. Não está entre os piores do gênero, mas está longe dos melhores.
“Sobrenatural: Agora Entre Nós” é surpreendentemente divertido, e isso é muito bom. Não vi nenhum filme da franquia, admito — este é o meu primeiro. Esperava a história clássica de assombração, cheia de sustinhos, mas encontrei quase um filme da Marvel, porém com uma mitologia e regras próprias.
E é interessante. Como disse, é divertido, entretém. Não é de fato assustador, mas nem precisa ser. As atuações são legais e, apesar de a direção não ter muita criatividade, é competente. As maquiagens são muito boas, e o filme é cheio de vilões bregas e caricatos, típicos de filmes de terror.
Gostei bastante, não como um filme de terror, mas quase como um filme de herói — embora as cenas de dentista sejam bem aflitivas. Acho que o filme encontra o tom certo de gore, mas poderia ter explorado um pouco mais seu lado cômico.
Temos aqui uma heroína combatendo vilões do além. Ótimo entretenimento, nada mais.
“Odisseia” é o filme do ano, disso não restam dúvidas. Sua grandeza e seu valor de produção são gigantescos, com recordes de público e sucesso de crítica, colocando Nolan, de fato, entre os grandes nomes da história da indústria.
Seu novo longa, adaptando o clássico poema de Homero — ao que tudo indica —, é uma jornada completa, com efeitos práticos e especiais (sim, apesar de poucos, eles existem) impecáveis, uma edição magnífica, fotografia e direção brilhantes, sem medo de esconder nada: planos abertos, câmeras na mão, fotografia volátil, escura, triste, feliz, sóbria, alucinante, além de ótimas atuações.
Sua condução é impecável. É longo o suficiente para adaptar uma história que cunhou o termo “odisseia”, mas não enjoa, não tem barriga e não sentimos o tempo passar.
Outro detalhe técnico que salta aos olhos — talvez o mais evidente — é a edição e mixagem de som, que são extraordinárias e assustadoras. Sentimos a cadeira tremer, ficamos molhados nas ondas do Mediterrâneo, e o grito do Ciclope é assustador. Esses detalhes são excelentes.
A trilha sonora também merece destaque, sempre surgindo em um misto de sentimentos: a calma que tranquiliza, mas que, no final, nos levanta e emociona. Ela guia o filme como uma vírgula sonora.
O elenco, em geral, parece não conversar entre si. Falta química entre alguns personagens, como se não tivesse havido testes de elenco. Individualmente, porém, todos estão bem, principalmente Matt Damon, que entrega uma de suas atuações mais maduras.
É preciso de uma lupa para apontar os defeitos. Apesar de eles existirem, como no ato final, por exemplo, que é o único trecho demasiadamente estendido e um pouco ilógico, nada disso é suficiente para nos fazer sequer olhar o relógio do celular no cinema — principalmente para quem assistiu em IMAX.
“Evil Dead” ganha pela baixa expectativa — e como é bom ver filmes assim, com um fiapo de história que até tenta ser profunda, mas não consegue, personagens medianos e atuações canastronas. Embora a final girl da vez mande bem, o filme entrega muito gore, sangue e o clássico terrir (embora o toque de humor esteja mais recatado aqui).
“Evil Dead” é exatamente o que queremos que ele seja, e essa promessa ele cumpre com exatidão.
“Moana” é uma grata surpresa. Pode ser por culpa da minha baixíssima expectativa, esperando mais uma adaptação preguiçosa e mesquinha da Disney para o live-action. Porém, vi um filme bem dirigido, bem atuado, com boas coreografias e músicas, além de um roteiro convincente. É clichê, mas é o que esperávamos, e The Rock faz um personagem muito divertido.
Não vi a animação para julgar a fidelidade, mas achei o longa divertido. Embora o custo do projeto não justifica o que vemos em tela.
“Dia D” é um misto de sentimentos. Para todos que gostam de ufologia, é uma obra perspicaz, que traz consigo diversas teorias, ocorrências e referências a casos e situações famosas envolvendo alienígenas — até colocando “lenha na fogueira” em alguns momentos. Nesse aspecto, a obra é ótima, e nem chega a ser necessariamente um filme de alienígenas como eu esperava — o que é positivo, pois me surpreendeu.
Mas os elogios acabam por aí. É mais crível acreditar nos alienígenas e em seus artefatos do que nas cenas de ação ilógicas e quase cômicas. Os efeitos visuais extravagantes dão um ar meio trash em alguns momentos. As atuações são boas, mas a direção nem tanto — especialmente considerando que estamos falando de Spielberg, o que naturalmente eleva as expectativas, ainda mais quando colocamos “Spielberg” e “alienígenas” na mesma frase.
Acho que o longa tem muitos acertos de roteiro, mas peca na execução.
“Toy Story 5” é o filme que não sabíamos que precisávamos. Com personagens mais maduros e voltado a uma nova geração, o quinto capítulo da aclamada franquia é melhor que seu antecessor.
Apesar de trazer um debate já batido — sobre a influência das telas nas crianças —, o filme consegue abordar o tema de forma fenomenal, explorando maturidade, criatividade, transição de épocas e apresentando um desfecho muito bem trabalhado sobre amizade. Além disso, evita vilanizar as telas, tratando-as como um elemento importante — não exclusivo, mas útil.
Tudo parece muito bem construído. Os personagens clássicos estão presentes, muitos apenas observando o mundo de canto, abrindo espaço para novos — e muito bons — personagens, criando conexões com o passado e fechando pontas narrativas.
É um bom filme, com a já excelente animação da franquia, perfeito tanto para crianças quanto para adultos.
“The Backrooms” é um tornado de criatividade e originalidade em um segmento de filmes de terror que ainda estava tentando se encontrar. Com uma direção de arte muito autoral, clima claustrofóbico e tenso, um roteiro funcional e boas atuações, o longa — que adapta as histórias de terror oriundas do 4chan — é uma grata surpresa. Não esperava nada e saí do cinema impressionado.
O filme soube tratar algo muito importante em um terror/suspense: a angústia e o medo, e não apenas o susto transitório. A tensão é construída, e a sensação de desconforto é crescente. Esse “horror linear”, como muitos vêm chamando.
Gosto muito de suas analogias, de suas meias explicações e do fato de tudo ficar em aberto — gostaria muito de uma continuação. O diretor estreante — e criador das histórias — Kane Parsons manda muito bem. Claro que há a tutela da A24, um ótimo estúdio famoso por dar liberdade criativa aos seus realizadores.
Além disso, a fotografia amarelada e suja é muito eficaz, a maquiagem está excelente e, embora alguns poucos efeitos — pouquíssimos mesmo — pareçam estranhos (com uma “cara de IA”), isso é apenas um detalhe dentro de um conjunto muito sólido.
O ato final, apesar de contar com uma ótima cena de perseguição, me tirou um pouco da tensão construída anteriormente, mas nada que prejudique de forma significativa.
Obsessão é talvez o filme de terror mais falado do ano — ao menos até aqui —, enaltecido, prestigiado e celebrado como uma grande obra. Porém, talvez por conta dessa alta expectativa criada, vi apenas um bom filme de terror, com boas atuações, uma história interessante e uma simplicidade extremamente funcional, nada além disso.
As cenas “assustadoras” não me impactaram, e a narrativa, apesar de boa, não surpreende. É um típico filme de terror da Blumhouse, que me lembra outros longas, como “Corrente do Mal”, que, por sinal, é um filme melhor.
Ainda assim, como um todo, o longa funciona bem. A dupla de protagonistas manda muito bem, e a direção é bastante acertada — nada além disso.
“Michel” causou desconfiança deste o inicio, não é para menos, biografias sempre são dificeis, sempre existe o questionamento, qual periodo da vida do artista escolher? aqui o escolhido foi do inicio, deste os jacksons five ao seu encerramento, ainda tem muitas historia para ser contado em uma continuação, mas o que vimos foi, uma bela e fidedigna atuação de Jaafar Jackson como michel jackson, belos e acredito que originais figurinos, um elenco de apoio maginifico e um roteiro que - espertamente - se apoio na bela obra musical de michel que em momentos em que a obra começa a entrar em ostracismo, vem e levantam o publico, diversas são s canções, inclusive com muitos clipes dentro do proprio filme, o que ajuda na sua qualidade, é uma muleta funcional e muito bem utilizada, pois se analisarmos com uma lupa critica os problemas começam a aparecer, mas quando a musica entra esquecemos, e assim a narrativa anda, escondendo seus problemas e sendo uma biografia funcional - talvez não fidedigna- divertida e empolgante, poderia ser melhor considerando o que foi michel jackson? póderia, mas poderia ser muito pior. 8/10
Minha Meia-Irmã Feia é um dos filmes de terror mais originais do ano — apesar de estar inserido em uma história clássica. Trazer o ponto de vista da irmã da Cinderela é extremamente criativo, ainda mais com um bom toque de gore, com cenas que mantêm o espectador atento, de olhos abertos.
Apesar de algumas cenas um pouco mais indiscretas do que deveriam, o filme é um prato cheio de criatividade e mais um exemplo de produções que voltam a beber dos clássicos do body horror dos anos 70/80.
O filme investe na aflição e no absurdo, não no medo puro em si, trazendo críticas à pressão estética, que acabam não sendo tão aprofundadas. O figurino está ótimo, assim como a maquiagem e o cabelo; a direção é acertada e há boas atuações. Os problemas narrativos e de edição acabam sendo relevados.
Um filme sobre traumas e cicatrizes irreversíveis, com uma direção clássica, fotografia fria e uma trilha que vai pautando o penhasco de sentimentos abordados em tela, que se distinguem entre raiva, luto, arrependimento e, principalmente, sobre o impacto eterno que a infância causa ao resto da vida.
As atuações são espetaculares. Clint Eastwood estava em uma montanha-russa de criatividade e produtividade e é responsável por um longa marcante, cheio de simbolismos e metáforas.
Acho que o roteiro, às vezes, pesa a mão em alguns diálogos de seus personagens, e também que o filme poderia ter sido encerrado um pouco antes, na tomada do carro — isso conversaria melhor com tudo que a obra traz de reflexão.
Mario é divertido, um filme feito para levar crianças ao cinema em um domingo. Não vai além disso, mas cumpre bem o seu papel. Sua animação, apesar de genérica, é boa. O enredo é esquecível, mas seu objetivo é cumprido com eficiência.
“Hamlet” é um dos filmes mais surpreendentes do ano para mim, pois eu não esperava muita coisa. Inspirado em um livro fictício, o filme narra — como o subtítulo em português já sugere — a vida antes de Hamlet, o clássico personagem de Shakespeare.
O ponto de vista aqui não é o de Shakespeare, mas sim o de sua esposa, mãe de seus três filhos, construída com uma personalidade tridimensional e um sentimentalismo brutal, trazidos graças à maravilhosa interpretação de Jessie Buckley.
O filme conta com três atos bem definidos: o primeiro é mais longo e explicativo; o segundo funciona como um respiro que se enche para desaguar no terceiro, que, apesar de curto, é muito bonito e traz escolhas narrativas bastante acertadas.
“Hamlet” é um filme sobre luto e amor puro, que, além disso, apresenta uma ótima trilha sonora, excelente ambientação e figurino, além de uma fotografia melancólica que brinca com o espectador em vários momentos. No geral, se revela uma grande surpresa e uma ótima obra.
O filme que “roubou” o Oscar do Brasil apresenta uma verdade crua e é justo. Não chego a afirmar que seja uma obra maior — e, na verdade, nem acredito que seja —, porém sua qualidade narrativa é superior, apesar de ser mais simples e enxuta.
A obra retrata os caminhos de uma família após a morte da mãe, cujo núcleo principal é formado por duas filhas e seu pai — já divorciado da falecida —, que mantém uma relação de abandono com as filhas. É uma história natural e humana, sobre arte, reparação, arrependimento, herança e família.
Trata-se de uma narrativa fria, mas sincera, que tem como principal sustentação as interpretações do elenco, todos em atuações espetaculares. O trio principal é magnífico, e os atores parecem se perder nas dúvidas de seus próprios personagens. A trilha sonora singela e a fotografia em tons frios de azul ajudam a compor essa atmosfera sóbria, melancólica e, ao mesmo tempo, amorosa.
“A Noiva” é um colapso narrativo — uma tentativa de *Bonnie e Clyde* moderno? Talvez. O filme tem sua parte divertida e inventiva, mas, na minha opinião, há diversas escolhas ruins de roteiro, como, por exemplo, Mary Shelley narrando em off e participando da narrativa. Não gosto desse elemento: além de não funcionar, chega a ofender a obra original e a própria autora.
Ainda assim, é inegável que há uma ótima ambientação, boa maquiagem e figurino. Algumas atuações são interessantes, mas todas tendem ao caricato. O monstro Frankenstein está mais fiel do que na versão de Del Toro — embora este seja um filme bem inferior.
No fim, é um filme divertido, com suas virtudes de produção, mas bastante esquecível.
“Sonhos de Trem” é um dos filmes mais intimistas, pessoais e profundos que vi nos últimos tempos. Simples, com a melhor fotografia do ano, utiliza um filtro azul, repleto de paisagens e luzes naturais, captando um clima único — além de contar com uma atuação de seu protagonista que me fez questionar por que ele não foi indicado ao Oscar.
É um filme que fala sobre o nascimento, a vida e a morte de um homem comum, tentando se encontrar, carregando traumas e inseguranças permanentes em sua alma. Vivendo no fim da era do Velho Oeste e entrando no mundo moderno, ele atravessa uma vida inteira, e o final poético dialoga com sua luta para entender o mundo ao seu redor.
É uma obra triste, melancólica e, ao mesmo tempo, alegre e única. Robert, o protagonista, é uma alma que transita pelas décadas sem grandes aspirações, apenas carregando o amor e o luto. Em alguns momentos, o filme flerta com rumos diferentes para Robert, mas, no fundo — tal como na vida real —, coisas surpreendentes nem sempre acontecem.
“Sonhos de Trem” é um belíssimo filme. Não li o livro que o inspirou, mas sua narrativa é tão genuína que o coloca entre os meus favoritos do ano.
“A Viagem de Chihiro” é um filme único, começando pela animação tão humana, com movimentos naturais, limpos e detalhados, que causam uma imersão instantânea. Entramos junto de Chihiro nesse mundo sobrenatural, que se desdobra em uma narrativa madura sobre culpa, afirmação e recomeço, com críticas secundárias geniais ao consumismo e à poluição.
O filme aborda esses temas com uma beleza que o torna, talvez, a principal animação deste século. Seus personagens, embora alguns sejam caricatos, se sobressaem à mesmice com narrativas dúbias sobre ganância, perdão e humildade.
Agente Secreto é o filme brasileiro do ano, e é quase uma “vira-lata” dizer que ele parece uma obra experimental vinda de algum país da Europa — ainda que carregue muito calor e uma fotografia quente. O filme fala sobre memória e linhagem, com uma cronologia que, à primeira vista, é confusa, mas vai ganhando forma, como uma memória.
Engrandecido por um elenco de apoio repleto de personagens secundários espetaculares e por uma boa atuação de Wagner Moura — não digna de Oscar —, o longa brilha. Apesar da edição sempre chamativa, o filme pesa um pouco com o decorrer do tempo; há pequenas barrigas que, no entanto, não desmontam a obra como um todo, que se distingue muito bem em vários atos, com uma ambientação fenomenal e um design de produção único e autoral.
Agente Secreto toma diversas decisões criativas ao longo de sua narrativa que podem incomodar: uma morte não mostrada, o curta do “pé assassino”, o ato final, entre outras. De fato, algumas não funcionam tão bem sem contexto, e o filme talvez seja “brasileiro demais” para o Oscar — mas isso apenas o engrandece.
Castelo Animado parece ser fruto de uma arte já quase morta, com um traço que salta da tela e uma animação fluida, com cores fortes e detalhes marcantes — visualmente impecável. Seus personagens reagem a esse mundo com uma naturalidade e integração perfeitas.
O enredo de "Castelo Animado" fala muito sobre autoestima, aceitação e amor, tendo como pano de fundo a guerra e a destruição. Apesar de alguns detalhes da história ficarem em aberto e serem um pouco dúbios, nada chega, de fato, a impactar negativamente a experiência do telespectador.
Os atos finais sofrem de certa premeditação, mas, novamente, o espetáculo visual supera o texto e seus percalços, compondo uma obra atemporal.
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A Última Casa
3.5 1,2K“A Última Casa” é um filme de ficção apocalíptica, um dos subgêneros mais legais de se assistir. O início do fim do mundo é muito bem feito, como um bom filme do gênero precisa ser: já nos captura de início.
As passagens de tempo são boas, as atuações são legais (embora a dublagem esteja ruim), e a construção, os cenários e tudo ao redor são bem feitos. Apesar da curta duração, o filme se arrasta um pouquinho, principalmente por conta da repetição de ideias.
Soluções do tipo “eureka” aparecem demais, e o princípio cinematográfico da Arma de Chekhov é quase obrigatório a cada cinco minutos antes de cada “eureka”. É preciso de bastante suspensão de descrença, principalmente no ato final, que é a parte mais fraca.
Ainda assim, é divertido e entretém. Não está entre os piores do gênero, mas está longe dos melhores.
6,5/10
Sobrenatural: Agora Entre Nós
3.0 97 Assista Agora“Sobrenatural: Agora Entre Nós” é surpreendentemente divertido, e isso é muito bom. Não vi nenhum filme da franquia, admito — este é o meu primeiro. Esperava a história clássica de assombração, cheia de sustinhos, mas encontrei quase um filme da Marvel, porém com uma mitologia e regras próprias.
E é interessante. Como disse, é divertido, entretém. Não é de fato assustador, mas nem precisa ser. As atuações são legais e, apesar de a direção não ter muita criatividade, é competente. As maquiagens são muito boas, e o filme é cheio de vilões bregas e caricatos, típicos de filmes de terror.
Gostei bastante, não como um filme de terror, mas quase como um filme de herói — embora as cenas de dentista sejam bem aflitivas. Acho que o filme encontra o tom certo de gore, mas poderia ter explorado um pouco mais seu lado cômico.
Temos aqui uma heroína combatendo vilões do além. Ótimo entretenimento, nada mais.
A Odisseia
4.2 600“Odisseia” é o filme do ano, disso não restam dúvidas. Sua grandeza e seu valor de produção são gigantescos, com recordes de público e sucesso de crítica, colocando Nolan, de fato, entre os grandes nomes da história da indústria.
Seu novo longa, adaptando o clássico poema de Homero — ao que tudo indica —, é uma jornada completa, com efeitos práticos e especiais (sim, apesar de poucos, eles existem) impecáveis, uma edição magnífica, fotografia e direção brilhantes, sem medo de esconder nada: planos abertos, câmeras na mão, fotografia volátil, escura, triste, feliz, sóbria, alucinante, além de ótimas atuações.
Sua condução é impecável. É longo o suficiente para adaptar uma história que cunhou o termo “odisseia”, mas não enjoa, não tem barriga e não sentimos o tempo passar.
Outro detalhe técnico que salta aos olhos — talvez o mais evidente — é a edição e mixagem de som, que são extraordinárias e assustadoras. Sentimos a cadeira tremer, ficamos molhados nas ondas do Mediterrâneo, e o grito do Ciclope é assustador. Esses detalhes são excelentes.
A trilha sonora também merece destaque, sempre surgindo em um misto de sentimentos: a calma que tranquiliza, mas que, no final, nos levanta e emociona. Ela guia o filme como uma vírgula sonora.
O elenco, em geral, parece não conversar entre si. Falta química entre alguns personagens, como se não tivesse havido testes de elenco. Individualmente, porém, todos estão bem, principalmente Matt Damon, que entrega uma de suas atuações mais maduras.
É preciso de uma lupa para apontar os defeitos. Apesar de eles existirem, como no ato final, por exemplo, que é o único trecho demasiadamente estendido e um pouco ilógico, nada disso é suficiente para nos fazer sequer olhar o relógio do celular no cinema — principalmente para quem assistiu em IMAX.
9,5/10
A Morte do Demônio: Em Chamas
3.1 320 Assista Agora“Evil Dead” ganha pela baixa expectativa — e como é bom ver filmes assim, com um fiapo de história que até tenta ser profunda, mas não consegue, personagens medianos e atuações canastronas. Embora a final girl da vez mande bem, o filme entrega muito gore, sangue e o clássico terrir (embora o toque de humor esteja mais recatado aqui).
“Evil Dead” é exatamente o que queremos que ele seja, e essa promessa ele cumpre com exatidão.
7/10
Moana
3.2 31“Moana” é uma grata surpresa. Pode ser por culpa da minha baixíssima expectativa, esperando mais uma adaptação preguiçosa e mesquinha da Disney para o live-action. Porém, vi um filme bem dirigido, bem atuado, com boas coreografias e músicas, além de um roteiro convincente. É clichê, mas é o que esperávamos, e The Rock faz um personagem muito divertido.
Não vi a animação para julgar a fidelidade, mas achei o longa divertido. Embora o custo do projeto não justifica o que vemos em tela.
6/10
Dia D
3.0 564 Assista Agora“Dia D” é um misto de sentimentos. Para todos que gostam de ufologia, é uma obra perspicaz, que traz consigo diversas teorias, ocorrências e referências a casos e situações famosas envolvendo alienígenas — até colocando “lenha na fogueira” em alguns momentos. Nesse aspecto, a obra é ótima, e nem chega a ser necessariamente um filme de alienígenas como eu esperava — o que é positivo, pois me surpreendeu.
Mas os elogios acabam por aí. É mais crível acreditar nos alienígenas e em seus artefatos do que nas cenas de ação ilógicas e quase cômicas. Os efeitos visuais extravagantes dão um ar meio trash em alguns momentos. As atuações são boas, mas a direção nem tanto — especialmente considerando que estamos falando de Spielberg, o que naturalmente eleva as expectativas, ainda mais quando colocamos “Spielberg” e “alienígenas” na mesma frase.
Acho que o longa tem muitos acertos de roteiro, mas peca na execução.
7/10
Toy Story 5
3.9 257 Assista Agora“Toy Story 5” é o filme que não sabíamos que precisávamos. Com personagens mais maduros e voltado a uma nova geração, o quinto capítulo da aclamada franquia é melhor que seu antecessor.
Apesar de trazer um debate já batido — sobre a influência das telas nas crianças —, o filme consegue abordar o tema de forma fenomenal, explorando maturidade, criatividade, transição de épocas e apresentando um desfecho muito bem trabalhado sobre amizade. Além disso, evita vilanizar as telas, tratando-as como um elemento importante — não exclusivo, mas útil.
Tudo parece muito bem construído. Os personagens clássicos estão presentes, muitos apenas observando o mundo de canto, abrindo espaço para novos — e muito bons — personagens, criando conexões com o passado e fechando pontas narrativas.
É um bom filme, com a já excelente animação da franquia, perfeito tanto para crianças quanto para adultos.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 479 Assista Agora“The Backrooms” é um tornado de criatividade e originalidade em um segmento de filmes de terror que ainda estava tentando se encontrar. Com uma direção de arte muito autoral, clima claustrofóbico e tenso, um roteiro funcional e boas atuações, o longa — que adapta as histórias de terror oriundas do 4chan — é uma grata surpresa. Não esperava nada e saí do cinema impressionado.
O filme soube tratar algo muito importante em um terror/suspense: a angústia e o medo, e não apenas o susto transitório. A tensão é construída, e a sensação de desconforto é crescente. Esse “horror linear”, como muitos vêm chamando.
Gosto muito de suas analogias, de suas meias explicações e do fato de tudo ficar em aberto — gostaria muito de uma continuação. O diretor estreante — e criador das histórias — Kane Parsons manda muito bem. Claro que há a tutela da A24, um ótimo estúdio famoso por dar liberdade criativa aos seus realizadores.
Além disso, a fotografia amarelada e suja é muito eficaz, a maquiagem está excelente e, embora alguns poucos efeitos — pouquíssimos mesmo — pareçam estranhos (com uma “cara de IA”), isso é apenas um detalhe dentro de um conjunto muito sólido.
O ato final, apesar de contar com uma ótima cena de perseguição, me tirou um pouco da tensão construída anteriormente, mas nada que prejudique de forma significativa.
Obsessão
3.9 974 Assista AgoraObsessão é talvez o filme de terror mais falado do ano — ao menos até aqui —, enaltecido, prestigiado e celebrado como uma grande obra. Porém, talvez por conta dessa alta expectativa criada, vi apenas um bom filme de terror, com boas atuações, uma história interessante e uma simplicidade extremamente funcional, nada além disso.
As cenas “assustadoras” não me impactaram, e a narrativa, apesar de boa, não surpreende. É um típico filme de terror da Blumhouse, que me lembra outros longas, como “Corrente do Mal”, que, por sinal, é um filme melhor.
Ainda assim, como um todo, o longa funciona bem. A dupla de protagonistas manda muito bem, e a direção é bastante acertada — nada além disso.
Michael
3.7 543 Assista Agora“Michel” causou desconfiança deste o inicio, não é para menos, biografias sempre são dificeis, sempre existe o questionamento, qual periodo da vida do artista escolher? aqui o escolhido foi do inicio, deste os jacksons five ao seu encerramento, ainda tem muitas historia para ser contado em uma continuação, mas o que vimos foi, uma bela e fidedigna atuação de Jaafar Jackson como michel jackson, belos e acredito que originais figurinos, um elenco de apoio maginifico e um roteiro que - espertamente - se apoio na bela obra musical de michel que em momentos em que a obra começa a entrar em ostracismo, vem e levantam o publico, diversas são s canções, inclusive com muitos clipes dentro do proprio filme, o que ajuda na sua qualidade, é uma muleta funcional e muito bem utilizada, pois se analisarmos com uma lupa critica os problemas começam a aparecer, mas quando a musica entra esquecemos, e assim a narrativa anda, escondendo seus problemas e sendo uma biografia funcional - talvez não fidedigna- divertida e empolgante, poderia ser melhor considerando o que foi michel jackson? póderia, mas poderia ser muito pior. 8/10
A Meia-Irmã Feia
3.8 468 Assista AgoraMinha Meia-Irmã Feia é um dos filmes de terror mais originais do ano — apesar de estar inserido em uma história clássica. Trazer o ponto de vista da irmã da Cinderela é extremamente criativo, ainda mais com um bom toque de gore, com cenas que mantêm o espectador atento, de olhos abertos.
Apesar de algumas cenas um pouco mais indiscretas do que deveriam, o filme é um prato cheio de criatividade e mais um exemplo de produções que voltam a beber dos clássicos do body horror dos anos 70/80.
O filme investe na aflição e no absurdo, não no medo puro em si, trazendo críticas à pressão estética, que acabam não sendo tão aprofundadas. O figurino está ótimo, assim como a maquiagem e o cabelo; a direção é acertada e há boas atuações. Os problemas narrativos e de edição acabam sendo relevados.
7/10
Sobre Meninos e Lobos
4.1 1,6K Assista AgoraUm filme sobre traumas e cicatrizes irreversíveis, com uma direção clássica, fotografia fria e uma trilha que vai pautando o penhasco de sentimentos abordados em tela, que se distinguem entre raiva, luto, arrependimento e, principalmente, sobre o impacto eterno que a infância causa ao resto da vida.
As atuações são espetaculares. Clint Eastwood estava em uma montanha-russa de criatividade e produtividade e é responsável por um longa marcante, cheio de simbolismos e metáforas.
Acho que o roteiro, às vezes, pesa a mão em alguns diálogos de seus personagens, e também que o filme poderia ter sido encerrado um pouco antes, na tomada do carro — isso conversaria melhor com tudo que a obra traz de reflexão.
8/10
Super Mario Galaxy: O Filme
3.4 164 Assista AgoraMario é divertido, um filme feito para levar crianças ao cinema em um domingo. Não vai além disso, mas cumpre bem o seu papel. Sua animação, apesar de genérica, é boa. O enredo é esquecível, mas seu objetivo é cumprido com eficiência.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 491 Assista Agora“Hamlet” é um dos filmes mais surpreendentes do ano para mim, pois eu não esperava muita coisa. Inspirado em um livro fictício, o filme narra — como o subtítulo em português já sugere — a vida antes de Hamlet, o clássico personagem de Shakespeare.
O ponto de vista aqui não é o de Shakespeare, mas sim o de sua esposa, mãe de seus três filhos, construída com uma personalidade tridimensional e um sentimentalismo brutal, trazidos graças à maravilhosa interpretação de Jessie Buckley.
O filme conta com três atos bem definidos: o primeiro é mais longo e explicativo; o segundo funciona como um respiro que se enche para desaguar no terceiro, que, apesar de curto, é muito bonito e traz escolhas narrativas bastante acertadas.
“Hamlet” é um filme sobre luto e amor puro, que, além disso, apresenta uma ótima trilha sonora, excelente ambientação e figurino, além de uma fotografia melancólica que brinca com o espectador em vários momentos. No geral, se revela uma grande surpresa e uma ótima obra.
Valor Sentimental
3.9 403 Assista AgoraO filme que “roubou” o Oscar do Brasil apresenta uma verdade crua e é justo. Não chego a afirmar que seja uma obra maior — e, na verdade, nem acredito que seja —, porém sua qualidade narrativa é superior, apesar de ser mais simples e enxuta.
A obra retrata os caminhos de uma família após a morte da mãe, cujo núcleo principal é formado por duas filhas e seu pai — já divorciado da falecida —, que mantém uma relação de abandono com as filhas. É uma história natural e humana, sobre arte, reparação, arrependimento, herança e família.
Trata-se de uma narrativa fria, mas sincera, que tem como principal sustentação as interpretações do elenco, todos em atuações espetaculares. O trio principal é magnífico, e os atores parecem se perder nas dúvidas de seus próprios personagens. A trilha sonora singela e a fotografia em tons frios de azul ajudam a compor essa atmosfera sóbria, melancólica e, ao mesmo tempo, amorosa.
**8/10**
A Noiva!
3.0 163“A Noiva” é um colapso narrativo — uma tentativa de *Bonnie e Clyde* moderno? Talvez. O filme tem sua parte divertida e inventiva, mas, na minha opinião, há diversas escolhas ruins de roteiro, como, por exemplo, Mary Shelley narrando em off e participando da narrativa. Não gosto desse elemento: além de não funcionar, chega a ofender a obra original e a própria autora.
Ainda assim, é inegável que há uma ótima ambientação, boa maquiagem e figurino. Algumas atuações são interessantes, mas todas tendem ao caricato. O monstro Frankenstein está mais fiel do que na versão de Del Toro — embora este seja um filme bem inferior.
No fim, é um filme divertido, com suas virtudes de produção, mas bastante esquecível.
**6/10**
Sonhos de Trem
3.7 364 Assista Agora“Sonhos de Trem” é um dos filmes mais intimistas, pessoais e profundos que vi nos últimos tempos. Simples, com a melhor fotografia do ano, utiliza um filtro azul, repleto de paisagens e luzes naturais, captando um clima único — além de contar com uma atuação de seu protagonista que me fez questionar por que ele não foi indicado ao Oscar.
É um filme que fala sobre o nascimento, a vida e a morte de um homem comum, tentando se encontrar, carregando traumas e inseguranças permanentes em sua alma. Vivendo no fim da era do Velho Oeste e entrando no mundo moderno, ele atravessa uma vida inteira, e o final poético dialoga com sua luta para entender o mundo ao seu redor.
É uma obra triste, melancólica e, ao mesmo tempo, alegre e única. Robert, o protagonista, é uma alma que transita pelas décadas sem grandes aspirações, apenas carregando o amor e o luto. Em alguns momentos, o filme flerta com rumos diferentes para Robert, mas, no fundo — tal como na vida real —, coisas surpreendentes nem sempre acontecem.
“Sonhos de Trem” é um belíssimo filme. Não li o livro que o inspirou, mas sua narrativa é tão genuína que o coloca entre os meus favoritos do ano.
**10/10**
A Viagem de Chihiro
4.5 2,3K Assista Agora“A Viagem de Chihiro” é um filme único, começando pela animação tão humana, com movimentos naturais, limpos e detalhados, que causam uma imersão instantânea. Entramos junto de Chihiro nesse mundo sobrenatural, que se desdobra em uma narrativa madura sobre culpa, afirmação e recomeço, com críticas secundárias geniais ao consumismo e à poluição.
O filme aborda esses temas com uma beleza que o torna, talvez, a principal animação deste século. Seus personagens, embora alguns sejam caricatos, se sobressaem à mesmice com narrativas dúbias sobre ganância, perdão e humildade.
**9/10**
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraAgente Secreto é o filme brasileiro do ano, e é quase uma “vira-lata” dizer que ele parece uma obra experimental vinda de algum país da Europa — ainda que carregue muito calor e uma fotografia quente. O filme fala sobre memória e linhagem, com uma cronologia que, à primeira vista, é confusa, mas vai ganhando forma, como uma memória.
Engrandecido por um elenco de apoio repleto de personagens secundários espetaculares e por uma boa atuação de Wagner Moura — não digna de Oscar —, o longa brilha. Apesar da edição sempre chamativa, o filme pesa um pouco com o decorrer do tempo; há pequenas barrigas que, no entanto, não desmontam a obra como um todo, que se distingue muito bem em vários atos, com uma ambientação fenomenal e um design de produção único e autoral.
Agente Secreto toma diversas decisões criativas ao longo de sua narrativa que podem incomodar: uma morte não mostrada, o curta do “pé assassino”, o ato final, entre outras. De fato, algumas não funcionam tão bem sem contexto, e o filme talvez seja “brasileiro demais” para o Oscar — mas isso apenas o engrandece.
**8/10**
O Castelo Animado
4.4 1,3K Assista AgoraCastelo Animado parece ser fruto de uma arte já quase morta, com um traço que salta da tela e uma animação fluida, com cores fortes e detalhes marcantes — visualmente impecável. Seus personagens reagem a esse mundo com uma naturalidade e integração perfeitas.
O enredo de "Castelo Animado" fala muito sobre autoestima, aceitação e amor, tendo como pano de fundo a guerra e a destruição. Apesar de alguns detalhes da história ficarem em aberto e serem um pouco dúbios, nada chega, de fato, a impactar negativamente a experiência do telespectador.
Os atos finais sofrem de certa premeditação, mas, novamente, o espetáculo visual supera o texto e seus percalços, compondo uma obra atemporal.