Ok, "Vencer ou Morrer" a recém estabelecida República Francesa está cercada de inimigos externos após a Revolução e começa a recrutar soldados entre os camponeses da região da Vendéia para proteger-se. Logo, os camponeses se rebelam contra o recrutamento forçado e a legitimidade do poder republicano. Charrette (é nome de uma pessoa), um oficial da marinha francesa e cavaleiro da província da Vendéia, é aclamado general pelos próprios camponeses para liderá-los contra a República e a narrativa do filme acompanha a sua tragetória.
Bom, o filme tem 1 hora e meia de duração mas parece durar uma eternidade. Isso acontece porque ele foi planejado como um documentário mas foi convertido em um drama histórico, logo ele falha como narrativa. Existem muitas narrativas expositivas (que eu acredito ser uma reminiscência de seu planejamento como documentário) e parece pular de um momento na história para o outro. Pior, eu assisti este filme com a minha mãe e ela ficou confusa com o contexto, então o filme falhou como documentário também. Não dá o contexto da crise de legitimidade da República, a figura do rei para a religião e nem por que esses camponeses, destituídos de suas casas e de suas referências nacionais, se reuniram em torno da religião como identidade coletiva. O filme melhora depois da metade, pois entra uma trama sobre o acordo de paz entre os vendeianos (acho que é assim que se escreve) e os republicanos, aí temos uma trama e uma narrativa encadeada.
Enfim, me dói dar 2,5 estrelas, o que é abaixo da média, para este filme porque eu acho que algumas pessoas deveriam assistir. Se você for católico será apresentado a um grupo de pessoas que não são comentadas na história da igreja, e se você se interessa pela história da França poderá ver, mesmo que minimamente, o avesso da Revolução Francesa, que não foi algo utópico e libertador, mas visava também atender aos interesses de uma elite e não foi unânime. Apesar do pretexto ter o bem estar do povo (esse espantalho que a elite política diz que deseja o bem estar) marginalizou camponeses afastados dos centros de poder.
A história de Marylin Monroe é extremamente trágica. Ela é uma mulher que sonhou em fazer parte de Hollywood, e infelizmente conseguiu, porque ela pagou um alto preço em sua mente e corpo para conseguí-lo. É compreensível que uma cinebiografia desta atriz que é sim, a encarnação de Hollywood deveria estar a altura do mito marylin Monroe e da instituição cinema de Hollywood, entretando, Blondie desaba nesta ambição e é C H A T O P A R A U M C A R A M B A.
Eu quis desistir de assistir este filme nos primeiros 10 minutos. Depois aos vinte. Depois aos 40. Quando eu vi que tinha mais duas horas de filme eu me perguntei "será que eu dou conta, ou vou arregar?". Os primeiros vinte minutos que é a infância da Marylin pesa a mão no drama e em uma composição de cena onírica, deixando o filme... esquisito, desagradável. Antes fosse um flashback que indicasse a memória da personagem, mas não, se arrasta por mais 10 minutos. Depois disso, o filme ora é preto e branco, ora é colorido, ora tem uma composição monolítica que parece um monumento, mas depois parece referenciar os filmes dos anos 60 e 60, ora a montagem e as transições são modernas e descoladas, ora aparecem efeitos que parecem remeter a um drama psicológico... A tentativa de fazer um filme moderno para uma personagem clássica, ou um monumento a altura do seu mito, ou mesmo explorar a profundidade da personalidade da pessoa cinebiografada (que foi reduzida a um estereótipo de loira burra no cinema) é totalmente louvável, mas parecem que ninguem sabia se decidir o que fazer, ou como trabalhar o material disponível, e montaram um pato que faz de tudo mas nenhuma delas bem.
infelizmente, quem saiu prejudicado neste projeto foi a atriz Ana de Armas que interpreta a Marylin e, realmente, a atuação dela parece deslocada neste festival de coisas excêntricas, entretanto, ela é o ponto mais sólido do filme inteiro. A Marylin da Ana lembra muito o que a própria cinebiografada mostrou nos cinemas e entrevistas, não uma personagem com nuances e profundidade que se esperaria de um trabalho mais autoral. Entretanto a atriz faz isso tão bem e tem um carisma tão natural que é impossível desgostar da marylin que ela entrega.
Este filme é decepcionante porque começa bem. Em Slenderman - Pesadelo Sem Rosto, um grupo de amigas adolescentes resolvem fazer uma brincadeira estilo "loira do banheiro" na frente do computador para invocar Slender Man, acreditando que os meninos que elas tem uma apaixonite estão fazendo o mesmo. No dia seguinte, uma das amigas desaparece durante uma excursão, e quando as remanescentes investigam no computador dela por pistas descobrem mensagens trocadas com outras pessoas e vídeos relacionados a desaparecimentos com o envolvimento de Slender Man. A partir daí o enredo (não) se desenvolve.
As personagens são bem legais, com características, visuais e expectativas distintas. Realmente você se importa se as meninas irão achar a amiguinha desaparecida. A fotografia é fantástica: os ambientes internos são quase desprovidos de cor, obedecendo a estética estabelecidas das montagens com o Slender Man e as externas tem cores fortes. O roteiro tem momentos de brilhantismo: quando se suspeita que o Slender Man está na casa de uma das garotas, mas é o pai da menina desaparecida e aí ele é apresentado e também a condição disfuncional da família dela. Tem um momento em que, para terem a amiga de volta, as outras tem que oferecer algo que elas gostem para o Slender Man. Uma delas dá um bagulho que não sei o que é e uma das amigas pergunta "pensei que você gostava dos seus troféus" e ela responde que detesta treinar, mas ela usa essa desculpa para não procurar por uma das amigas que vem a desaparecer. Essa situação poderia ser bem explorada.... Entretanto, o filme se limita a tentar chocar com alucinações que não levam a nada e muito, muito, muito grito. Abandonei faltando 20 minutos. Enfim, um desperdício.
"As Almas que Dançam no Escuro" é um filme nacional que tem vários diferenciais entre outros filmes nacionais e um excelente argumento, que se não fosse por ele, eu não daria uma nota recomendável pois tem alguns defeitos que, embora sejam pontuais, na minha opinião, jogam contra a imersão do filme.
Neste filme, Carlos, recém viúvo, recebe a notícia de que sua filha foi encontrada morta em uma praia. Ao fazer reconhecimento do corpo, descobre que o corpo é de alguem parecida com sua filha, exceto a cor do cabelo e uma tatuagem. Partindo destas pistas, Carlos parte para investigar os últimos momentos de sua filha, convencido de que ela foi assassinada. Assim, ele entra em uma trama de investigação que mistura o sobrenatural e o thriller psicológico.
A produção deste filme é absurda de tão boa e não tem medo de ser um cinema nacional com vergonha de se deixar influenciar pelo cinema internacional. Pude perceber muitas semelhanças com filmes como Driver e Neon Demon em sua fotografia onírica, a trilha sonora incidental é composta por melodias synthwave com canções originais que lembram muito The Cure e The Smiths. Minha única crítica é que estas canções poderiam ter letras em português brasileiro. E quanto ao argumento, eu gosto muito de que ele é baseado em um realismo fantástico que é uma das pequenas jóias da nossa literatura e que tem tradição no Moacyr Scliar, Fernando Sabino e outros. As entidades e a fantasia fazem parte do mundano e os eventos fantásticos são reflexos de atitudes e sentimentos humanos que motivam esta fantasia. Nestas coisas o filme é impecável e faz tudo muito bem.
Minha crítica mais dura é contra os diálogos. São horríveis. Os diálogos que envolvem os personagens questionando a própria fé ou em embate ideológico são dramáticos e cheios de frases de efeito que deixam o diálogo carregado, forçado, chato e até mesmo ridículo. A cena que o Carlos se encontra pela primeira vez com o padre é toda assim, com frases tipo "esse deus que você carrega no peito" sem nenhum indício anterior que o personagem era alguem que questionava suas crenças e sua realidade, ou seja, era só uma pessoa comum vítima de uma tragédia aleatória. As frases do padre parecem ter sido retiradas de sermões diferentes e coladas e a conversa retorna frequentemente ao mesmo assunto. Isso se repete em outras partes do filme, não tão caricata como desta forma, mas é possível perceber o exagero em relação à outras cenas.
Outra coisa é o roteiro. A trama toda poderia ser resolvida se o personagem soubesse usar um celular ou tivesse a curiosidade de fuçar mais o celular da filha.
Enfim,sobre a melhor parte: o argumento. A revelação da trama envolvendo a filha do protagonista é uma construção muito crível sobre a vivência do luto e como lidar com as perdas, além de que as atitudes da personagem são as consequências do que observamos de crianças e jovens que não se sentem acolhidas em suas próprias casas. Em uma família que sofre a forte perda de um membro, se há a necessidade de tentar se fortalecer no luto para poder conservar a unidade e a segurança dos membros que ainda fazem parte dela.
Sou uma cria dos anos 80 que cresceu sobre rumores de como seria uma guerra nuclear e filmes inspirados no tema. Não assisti este na época, nem seu filme irmão, O Dia Seguinte, que também assisti uma década depois e teve o tom de curiosidade de uma época passada. Threads (Catástrofe Nuclear) já é outra coisa, é diferente de tudo o que foi feito na época e é atemporal. Classifico este filme como um documentário, com uma linha ficcional com alguns arcos de personagens que guiam descrição dos efeitos de uma possível guerra nuclear em que esta narrativa é usada como exemplo. É um filme difícil de assistir, também por esta escolha de linguagem, em que se tem narrativas em OFF, uma trama narrativa com função de encadear o progresso de uma guerra nuclear e seus efeitos, cortados por vários painéis que descrevem os efeitos da guerra e situam o espectador no espaço e no tempo. Uma coisa que é única é que o filme expõe também os efeitos a longo prazo, abrangendo um pouco mais de uma década das trocas atômicas. Ao contrário de Day After, que termina em um gesto de calor humano, Threads é um filme sem esperança desde seu início, com uma guerra nuclear planejada quase na surdina sem o conhecimento franco das consequências pelos cidadãos, com orientações de proteção completamente ineficazes dadas pelo Estado, burocratas completamente ineficientes tentando fazer funcionar um governo inútil, forças de segurança atacando civis que conseguiram sobreviver e a eventual regressão e desaparecimento da humanidade. Em minha opinião, é o filme definitivo sobre as consequẽncias da Guerra Nuclear e particularmente interessante se assistir lado a lado com Day After ao comparar as consequências mostradas e as propostas (ineficientes) de sobrevivência a um conflito de tamanha consequẽncia.
Melhor que o primeiro, pelos argumentos que eu direi em seguida, mas eu deixo um aviso parecido com o que eu deixei na primeira parte de "Rebel Moon": Se você gostou do primeiro Rebel Moon, você irá gostar de "A Marcadora de Cicatrizes", mas se você não gostou, não será este filme que fará o anterior ser melhor. Em "A Marcadora de Cicatrizes" os heróis que foram reunidos em "A Menina do Fogo" se encontram no Farm World (ref. de Warhammer 40K porque este é um filme de Warhammer 40K) para estabelecerem uma resistência contra o Mundo Mãe. E daí é tiro, porrada e bomba. A segunda parte preenche um sério problema da primeira a respeito das motivações dos personagens. Neste se conhece o passado deles, suas histórias que os motivam a lutar contra o Mundo-Mãe e o estabelecimento de uma camaradagem durante a calmaria que antecede a tempestade, no caso, a chegada do destróier estelar. Isso é um quarto do filme, a partir daí, Zeca Snyder voa alto naquilo que ele melhor sabe fazer: slow motion, tiro de raio laser para todo lado, visual massa-véio dos personagens e equipamentos, mulher porradeira, homão bombado, bromance HxH e bromance HxM (porque o Zeca está ousado). É um enorme filme de uma batalha só, e se você gosta de batalha, pode se acomodar na poltrona e assistir o espetáculo em estase. O ponto negativo é que a relação dos personagens poderia ser melhor estabelecida se houvesse um roteirista que soubesse explorar melhor o momento dos personagens convivendo entre si no Farm World. Ou seja, em suma (para dar ênfase), "A Marcadora de Cicatrizes" é bom porque não é um filme em que se deva contar uma história, é um climax espetacular em que se deve resolver as tramas estabelecidas na primeira parte da história. E isto é um elogio pontual à "A Marcadora de Cicatrizes" mas é uma crítica ao storytelling de Rebel Moon como um todo. Embora o que o filme mostra seja o suficiente para abrandar o incômodo deixado na primeira parte, ainda assim não os deixam tão únicos quanto os seus visuais. Isso me faz questionar que Rebel Moon parte 1 e 2 poderiam ser um filme só, inclusive porquê, embora "A Marcadora de Cicatrizes" dê margem para uma nova fase da história, o arco narrativo estabelecido no primeiro filme se completa no segundo. Eu gosto do Snyder porque acho ele um diretor e produtor que ousa ser original em uma indústria que é mais do mesmo, porém ele sempre erra por querer o "mais". As vezes, menos é mais. Se Rebel Moon fosse breve e auto-contido, seria melhor como filme e nem por isso seu universo seria menor. Dou como exemplo o Star Wars original que era simples e auto-contido e apenas o tempo e um conjunto de outros trabalhos posteriores o transformou em um épico moderno.
Neste filme, Tyrion Lannister trabalha de Tyrion Lannister em uma biblioteca tentando manter as coisas em ordem no Porto Real... ops, em uma cidade abandonada aonde todos morreram vitimados por alguma catástrofe apocalíptica desconhecida. Aí um belo dia ele encontra com uma garota chamada Grace, vítima de um acidente de carro, que é a única pessoa viva com quem ele se depara depois do apocalipse. Então, se desenvolve uma relação de proximidade e confiança entre estes dois estranhos em meio ao fim do mundo.
Não desrecomendarei este filme. "Agora Estamos Sozinhos" é um filme com uma estética absurdamente bonita, com uma produção impecável e contando com as atuações de Peter Dinklage que dispensa apresentações, Elle Fanning que também dispensa apresentações e mais tarde Charlotte Gainsbourg entra no filme também. Os dois primeiros terços do filme é atuação pura quando se estabelece a relação entre os dois personagens. O terço final é uma reviravolta, alegadamente impactante. O defeito do filme é que a reviravolta não é convincente e o roteiro não estabelece um ponto de conflito entre Elle e Peter, então o filme todo parece uma história sobre duas pessoas fazendo coisas no apocalipse e com uma reviravolta mirabolante quando o drama entre os persoangens seria muito mais satisfatório sem nenhuma trama utópica.
Não é um filme ruim, mas depende se você gosta de ver o copo meio cheio ou vazio. É um filme que eu recomendaria para os fãs de Peter Dinklage ou Elle Fanning que gostariam de apreciar suas atuações ou estejam maratonando filmes com os dois atores. Mas se você estiver procurando uma diversão pós-apocaliptica para passar o tempo, neste caso existem filmes que você poderá assistir com mais satisfação.
Direto ao ponto: se você gosta do Zack Snyder, você vai amar este filme. Se você não gosta do Zack Snyder, não será Rebel Moon que fará você gostar dele. Rebel Moon é exatamente o que te disseram: é Star Wars dirigido por Zack Snyder (embora eu ache que tem mais elementos de Warhammer 40.000), mas o filme vai mais fundo em sua inspiração e vai direto à fonte que Star Wars bebeu: Os Sete Samurai. O império romano espacial aporta um destróier em um planeta idílico que poderia ser o Condado, então um oficial nazista demanda grãos para suprir a tribulação do destróier em sua missão de caçar rebeldes nos pontos mais distantes do império. Aí uma mulher com um passado misterioso parte em uma missão para reunir um grupo de rebeldes para defender o planeta idílico. Os filmes do Zack Snyder primam pelo visual e este não é exceção. Rebel Moon desvela para você um universo vasto e cheio de possibilidades: tem uma cidade que lembra o Japão feudal, depois tem uma cidade cyberpunk, um planeta alienígena que parece saído de um sonho, a própria vila da heroína que lembra uma vila nórdica e um rancho de cowboys. Aqui a famigerada câmera lenta do Snyder faz sentido. A história dá a entender que a heroína é f***, então ao mesmo tempo que ela desvia de um disparo de laser, ela também dispara sua arma em meio a um tiroteio caótico. E também tem toque da vuvuzela na trilha sonora agora acompanhado do grito da Mulher Maravilha. Eu admiro o fato que o Zack Snyder realmente banca o seu estilo de cinema apesar das crítica mas, na minha percepção, não ficou tão pesado em Rebel Moon. O ponto fraco do filme é o roteiro, que poderia ser melhor, e o desenvolvimento de personagem, que deixou muito a desejar. O filme seria enriquecido se muitas das informações expostas, como o passado da heroína, fosse mostrado em ação e não apenas relatado em diálogos ou exposto em flashbacks. O desenvolvimento dos personagens realmente é ruim. Como foi escrito em uma das críticas anteriores, os personagens simplesmente se acumulam. Suas motivações e características individuais não são mostradas por meio de interações entre si ou nas cenas de ação. O caso gritante é o do Tarzan. Ele é um dos primeiros a ser recrutado, fica o filme inteiro sem abrir a boca, aí no final do dia ele chega pra outro personagem que acabou de entrar faz nem 20 minutos no filme e fala algo tipo "eu sei como você se sente". Sabe como? O cara lê mente, por acaso? Mas eu gostei muito de Rebel Moon. É muito legal poder se entreter com um espetáculo visual que te arrebata para outros mundos durante o Natal e eu realmente espero que esta franquia prospere pois fiquei curioso para conhecer as possibilidades que Rebel Moon pode apresentar.
"Top Gun: Maverick" é uma propaganda militar estadunidense disfarçada de filme com bandeiras listradas por toda parte, um protagonista branco cis gênero heterossexual, padrões corporais irreais, bromance e fetiche por armas em formato fálico.
"Mad God" é uma viagem, e toda viagem é desafiadora. As qualidades deste filme são igualmente seu atrativo e suas fontes de crítica negativa: o grotesco, as imagens poéticas e as sugestões que acompanham as situações que desenvolvem uma trama conceitual. Mas é inegavelmente uma obra de arte.
"Mad God" abre com uma alegoria à Torre de Babel e deus condena a humanidade. Em seguida um personagem vestindo capote e máscara de gás desce do céu em uma batisfera para o que seria este mundo condenado. A partir deste personagem explorando este cenário que a trama de "Mad God" desenvolve semelhante ao tour de Dante pelo Inferno na Divina Comédia.
Dizer mais além desta sinopse seria impor minha própria interpretação, o ideal é que você assista por si mesmo, mas o que se segue são esquetes envolvendo monstros bizarros que habitam nesta ruína de mundo dominado por crueldade e apatia. A narrativa visual é brilhante, o tempo todo há jogos de percepção ( ora o personagem é um gigante entre anões, ora ele se rasteja entre seres gigantes) e há narrativas dentro de narrativas. É uma obra prima técnica, narrativa e visual, cheio de detalhes em seus cenários e sutilezas que convidam a assistir mais de uma vez para ver novos elementos e interpretações.
Eu fui tapeado. E talvez você possa sentir o mesmo ao assistir "Sangue de Pelicano". O filme inicia como um drama de uma tratadora de cavalos que adota uma criança com um passado muito sofrido, muito punk mesmo. Em casa, ela começa a agir de forma violenta, criminosa, assassina; e daí vemos o drama da mulher em insistir em resgatar aquela criança através de muitas metáforas com a criação de cavalos e com o tal pelicano do título, que dá o sangue de seu peito para os filhos. E tem uma cena no filme que é literalmente isso. Mas aí, faltando 20 minutos para o filme acabar, o roteiro dá um cavalo de pau e de repetente você está assistindo a um filme de exorcismo com ritual pagão, estilo Midsommar. Para ser honesto, muitos elementos envolvidos nesta parte já estavam estabelecidos no filme, mas em nenhum momento os abordava de forma sobrenatural. Na conclusão do filme, se o que ocorreu com os personagens é de caráter sobrenatural ou psicológico, fica em aberto; porém este jogo de percepções ocorre tarde demais e a reviravolta não convence. A impressão é que se assistiu a dois filmes diferentes. Longe que "Sangue de Pelicano" é um filme ruim. A produção é caprichada, os atores são bons e bem dirigidos e a trama é encadeada de maneira envolvente, mas a impressão que a reviravolta deixa é que não souberam como resolver o drama dos personagens. Coloquei 3 estrelas (a média) porque eu não desrecomendo "Sangue de Pelicano", mas depende do expectador enxergar se este copo é meio cheio ou meio vazio. Eu só acho que o filme deveria se chamar "Sangue de Cavalo" porque a conclusão traiu a proposta que está em seu título.
O livro "O Diário de Anne Frank" eh muito difícil de ser adaptado. Se passa em um so ambiente de confinamento no qual o foco da narradora esta nas pequenas coisas, na interação entre as pessoas no "anexo secreto" e, por ela estar voltada para si mesma, muitas vezes eh repetitivo em algumas questões. Mas que de longe não deixa de ser uma viagem fascinante na mente de uma moca obrigada a amadurecer em uma época tao difícil.
Tendo isto em mente eh possível compreender porque a critica sobre a adaptação "O Diário de Anne Frank" eh tao dura. Primeiramente esta adaptação se trata de uma animação japonesa e senso estético do oriente eh bem diferente do nosso no ocidente. A animação foca no contemplativo, as dificuldades da vida familiar dentro do anexo também eh mostrada, mas de uma forma sutil nos diálogos e em contextos específicos. Assim, para um publico ocidental um filme de pouco mais de uma hora e meia parece enfadonho e arrastado, por outro lado visualmente e tecnicamente o filme eh um deslumbre: a paisagem do lado de fora do anexo, a passagem do tempo vista nos pássaros, as arvores e a predominância da trilha musical, são a atracão desta animação que a torna unica entre todas as adaptações do "Diário de Anne Frank".
O filme pode ter errado em não ter definido um arco narrativo para seus personagens para apresentar ao espectador uma narrativa mais consistente do que apenas a passagem do tempo dentro do confinamento, desta forma o filme seria mais bem recebido. Então, se você não leu o livro da Anne Frank e deseja conhecer a historia, eu recomendaria outras produções que fazem de forma satisfatória. Porem, se você for um fã do primor técnico da animação japonesa, ou já conhece sobre a Anne Frank mas deseja conhecer uma visão diferente fora do nosso hemisfério, eu recomendo este "O Diário de Anne Frank" pois apesar de suas falhas eh um filme que se destaca entre todos os demais.
A quarta temporada é muito melhor que a terceira em vários aspectos. A série retorna à origem do Karate Kid aprofundando a relação entre os personagens para no final tudo se resolver em um grande campeonato de karate. Isto também aconteceu na primeira temporada, a inovação desta é a evolução dos personagens, seus momentos refletem no resultado final da competição e também a resignificação de suas convicções resultando em conciliações.
Também há uma volta a origem do que diferenciou a série Cobra Kai de Karate Kid: a espiral de violência. A primeira temporada chama a atenção por mostrar as consequências das ações dos filmes na perspectiva dos vencidos, e como essas ações do passado se refletem no presente e em uma nova geração. Na quarta temporada vemos os veteranos da série Cobra Kai servindo de tutores para uma geração de garotos mais novos e como os exemplos que eles tiveram de seus sensei afetam esses tutores.
Eu realmente não entendo quem reclama dessa temporada ser "galhofa" ou "não se levar a sério" pois parece que estão assistindo uma série diferente do que eu vi. Crianças lutando de forma espetacular que não seria condizente com a realidade de um treino de artes marciais ou situações melodramáticas em festas de adolescente não são inéditas na série, vimos isso desde a primeira temporada em que esses clichês das séries e filmes dos anos 80, seja nas cores e na estética, brigas inconsequentes, entre outros exageros e incoerências. A série parece ter abraçado mais esta estética, que não vejo como um demérito, apenas sinto falta da sutileza com que era tratada a questão da espiral de violência ofuscada por um excesso de drama
Cara, eu acho que meio que vou defender este filme. Um garoto ganha em um sorteio da empresa aonde ele trabalha uma "Alpha", um modelo de robô doméstico. Este tipo de robô é equipado com um sentimento de culpa para que a estimule a se aperfeiçoar caso falhe em realizar um pedido de seu(s) dono(s). A mãe, que tem aversão a tecnologia, rejeita o presente; o pai ordena que a robô faça coisas que não lhe foram ensinadas para fazer, o garoto a trata como um eletrodoméstico e a caçula é a única que a trata com dignidade. Logo a Alpha sente-se frustrada em falhar em sua função única de contentar seus donos, e logo dá muita m*.
Nesta sinopse já mostra uma abordagem original do tema do robô servidor que adquire autoconsciência, os sentimentos da Alpha programados de forma intencional e motivados para um único um objetivo, a ruptura da relação homem-máquina está na impossibilidade da aliança entre as duas partes pela impossibilidade de realização das vontades de ambas as partes em vez de uma relação de dominação e submissão. Mas o roteiro decide se resolver como um filme slasher e desrespeitando até as próprias regras. Por exemplo, como medida de segurança as Alphas não sabem utilizar instrumentos que podem ser utilizados como armas, ao menos que sejam ensinadas a usar, mas elas usam utensílios como armas e até mesmo armas de verdade sem o filme mostrar em nenhum momento alguem que as tenha ensinado a usar. O filme tem baixo orçamento, mas a produção fez o que pode com o dinheiro. A maquiagem da Alpha é bem artificial e até mesmo assustador, mas faz sentido pois é uma máquina feita para imitar um ser humano. E fotografia tem planos bem compostos as vezes. Se eu fosse indicar este filme por uma cena, eu diria que a parte em que a Alpha e o garoto fazem headbang é imperdível, no mais, indico para quem tem um tempo livro e não tem medo de encarar um filme trash, ou se você tem um gosto mais voltado para o duvidoso, como eu.
O título já diz para o quê o filme veio: é briga de mina com cabelo na cara. Em "O Chamado vs O Grito" duas alunas tem contato com a fita amaldiçoada de Sadako e a forma que encontram para se livrar da maldição é contrariando a maldição de Hayako, de modo que as duas cabeludas briguem e sirvam de "antivírus" contra a outra. A ideia é ingênua para dizer o mínimo, mas os japoneses são tão caprichosos que até as coisas ruins que eles fazem tem algo de bom para ser aproveitado. Primeiro é que este é um filme que pertence mais à franquia O Chamado do que O Grito, em minha opinião, porque a trama envolvendo a maldição de Sadako cobre a maior parte da metragem do filme. A trama avança no tempo, em uma realidade mais próxima da nossa em que as fitas VHS estão obsoletas, a internet ocupa o espaço deixado pelos videocassetes no audiovisual e imagina como seria maldição de Sadako neste período. A segunda coisa é que a trama aborda uma das questões de como seria possível vencer a maldição de Sadako, envolvendo a cultura japonesa de coletividade versus individualidade; sem no entanto contrariar o que difere as produções sobrenaturais orientais e ocidentais: os espíritos são uma realidade e é impossível separá-los do convívio dos vivos. De pontos negativos é que este filme não tem a mesma gravidade que os outros filmes de suas respectivas franquias, o que frustrará muitos fãs (este é um filme de entretenimento); e por falar nisso os fãs de O Grito poderão ficar ainda mais frustrados que a trama envolvendo Hayako converge para trama principal apenas no ato final do roteiro, em nenhum momento a co-protagonista interage com a protagonista durante a trama, exceto na conclusão. Enfim, ainda assim o filme possui boas cenas de suspense bem construídas e sustos realmente criativos. Vale a pena assistir para passar o tempo.
Porque nem todo filme de alienígena tem que se passar no espaço. James Cameron mostra em O Segredo do Abismo os predicados que o fizeram o que ele foi nos anos 90. A trama é inspirada em outras obras do gênero, principalmente o clima claustrofóbico de Alien O Oitavo Passageiro, Contatos Imediatos e até mesmo 2001. A grande sacada do roteiro foi transportar a ficção científica para o oceano, que é tão inexplorado quanto nosso sistema solar e evolve tecnologia tão complexa quanto a espacial em sua exploração. O Segredo do Abismo tem uma história longa, de mais de duas horas que podem ser divididas em três arcos, praticamente se transformando em filmes diferentes; indo da trama militar para o thriller de sobrevivência e a ficção científica. Assistí-lo requer algum grau de comprometimento seja qual tipo de espectador que você for. Se desejar ação ininterrupta, ou for mais exigente, obviamente as mais de duas horas de O Segredo do Abismo não irá cativá-lo, porém agradará quem desejar assistir um thriller pois James Cameron apresenta o predicado de um bom contador de histórias. O filme também entrega a recompensa em seu desfecho. As criaturas do abismo são belíssimas até hoje e não lembro de ter encontrado em outra obra de ficção científca criaturas semelhantes. É difícil imaginar que O Segredo do Abismo foi um filme ainda dos anos 90, pois seus efeitos estavam quase 10 anos a frente.
Melhor filme de história em quadrinhos que não veio de uma história em quadrinhos! Até Darkman, Sam Raimi vinha dos filmes B de terror, como o maravilhoso Evil Dead. Naquele momento dizem que ele não conseguiu a direção de Batman (o de Tim Burton), outros dizem que foi do filme do Sombra, mas o que é certo é que Sam Raimi queria fazer um filme de super herói e então criou seu próprio, mas sem renegar o gênero que o trouxe até ali, os filmes B. Darkman é um personagem inspirado nos quadrinhos pulp como O Sombra e em filmes como O Fantasma da Ópera, é um personagem dramático que tem um monstro interior, injustiçado, que busca vingança e ama uma mocinha. Darkman é um filme muito honesto, com coração e feito com carinho. Apesar da produção não ser uma das maiores o dinheiro foi muito bem investido na maquiagem (que é o que move o filme). A tela verde é óbvia quando aparece, mas a cena é tão bem composta que o conjunto tem uma beleza plástica. E por falar nisso, várias transições e quadros parecem ter saído de uma história em quadrinhos, com diálogos caricatos condizentes com suas fontes de inspiração. Apesar de Darkman ter sido esquecido e virado uma curiosidade na filmografia de Sam Raimi, que se tornou um diretor de primeiro escalão com seu trabalho nos filmes do Homem Aranha, Darkman diverte com uma trama interessante e ágil, o personagem tem personalidade e apelo, e os geeks adorarão reconhecer as influências dos quadrinhos pulp em toda a composição do filme.
Assistir uma sequencia de um filme que é otimo, Exterminio 1, causa um enorme ceticismo, principalmente quando eu ouço que a sequencia do meu filme de zumbi favorito é "ótimo". E Extermínio 2 é ótimo mesmo, tanto como sequencia quanto também poderia ser um filme isolado. A música "in a house in a heartbeat" que toca na cena inicial funciona como elo entre os dois filmes, estabelecendo também a questão no ato final do filme anterior: quando é que o ser humano se torna irreconhecível e se torna um animal raivoso? Esta questão é retomada na transição para a segunda parte do filme, quando acontece uma reviravolta e o filme entrega a ação que a maioria dos espectadores querem ver. Além deste tema, Exterminio 2 também conserva a identidade visual do primeiro filme, o abandono, a humanidade em seu crepúsculo e principalmente as cenas que os objetos abandonados, memoriais improvisados e riscos nas paredes parecem contar uma história por si.
A franquia Xtro é um dos meus guilty pleasures. Particularmente Xtro 3 é uma picaretagem com elementos de Alien e Predador, mas o que o diferencia é a humanização do monstro que até então era algo bem diferente de outros filmes de ficção científica, é o que fez o filme ficar na minha memória desde aquela época gostosa que passava Cine Trash a tarde e o Cinema em Casa tentava competir passando uns trash bem bacana como Xtro 3
Vampiras é sobre... duas vampiras, que aparentemente vivem em uma eterna adolescência. Alicia Silverstone interpreta o estereótipo que a faz famosa, da patricinha superficial em seus primeiros minutos e muitas situações parecem ter saido de uma comédia adolescente dos anos 90, mas o filme tem mais do que isso para oferecer. A personagem de Alicia, Goldie, tem mais profundidade do que aparenta, acumulando experiências de vários séculos, não está satisfeita em como vive sua não vida. O filme apresenta questões que normalmente não figuram neste tipo de comédia, como a própria experiência acumulada que eu citei, passagem do tempo, a finitude, o desvario de uma existencia inconsequente. O roteiro não é tão óbvio e nem todo mundo tem final feliz. Mas ainda assim é um filme pueril, se você por acaso deseja ver essas questões em cena, já foi melhor trabalhada em outros filmes de vampiro; mas é um filme que agrada aquele que deseja uma boa diversão e passar o tempo com um entretenimento que apresenta também algo edificante. Destaque para Malcolm MacDowell e Sigourney Weaver que estão se divertindo com seus papeis.
Na minha crítica de "Mestre dos Brinquedos 3" eu escrevi algo mais ou menos assim, que não dá pra errar um filme que mistura bonecos assassinos e nazistas. Então, "O Criador do Boneco Robert" conseguiu não só mudar a minha ideia como também macular a boa lembrança que eu tenho de "Mestre dos Brinquedos 3". Então, se vc por acaso gostou da sinopse de "O Criador...", esqueça este e vá assistir "Mestre dos Brinquedos 3"
Brother.... (respira fundo). Enfim, o filme começa com uma montagem maneira de imagens antigas indígenas e tal.... Aì fazem um enquadramento artístico em uma placa de estrada (que é o título do filme) que o fotógrafo aprendeu na faculdade de cinema e quer usar pra mostrar pra todo mundo que sabe fazer. Aí depois tem uma cena de um tiozão num carro importado, mas com um péssimo gosto pra se vestir, com camiseta e bermudão, que estaciona numa P casa chique. Aí ele pega cartas, abre as cartas junto com uma loira, vê fotos cheias de buracos branco e eles ficam assim
-Uaaaaau...... -Uaaaaaau..... -São orbes...... (aí vc pensa "que P de orbe é esse) Aí eles ficam de novo -Uaaaaau......
Isso tudo durou 10 minutos e desisti de assistir. Fiz isso para você economizar 10 minutos da sua vida
"Intruders" é um filme nostálgico para quem cresceu nos anos 90. Passava no canal do homem do aviãozinho de papel, sempre anunciado com alarde pelo nome em inglês "Intruders" e era exibido as noites dos finais de semana em duas partes. Se você deseja conhecer o que foi o fenômeno da ufologia, que precedeu Arquivo X nos anos 90, este é um dos filmes que você deverá assistir ("Fogo no Céu" é outro que recomendo). O filme conta o drama de uma mãe que sofre com alucinações e consequências de correntes de encontros com alienígenas, quando então seu filho passa a sofrer com os mesmos sintomas. A trama desenvolve para outros personagens e é bastante rico em narrativas paralelas. Como uma série feita para ser exibida na televisão, "Intruders" tem uma linguagem visual que poderia ser considerada fora de moda hoje em dia em que estamos acostumados com a qualidade de produções da HBO e Netflix, mas quando o tom de mistério assume a narrativa na segunda metade, dá um salto á altura. Além disso, a produção tem duas horas e quarenta de rodagem o que pode afastar alguns espectadores mais casuais, porém os efeitos especiais são recompensadores. São nos efeitos práticos e nas maquiagens que a produção brilha e as criaturas, os híbridos, que eram o chamariz nas propagandas de tarde da noite do SBT, são icônicos e assombrou a noite de muitas crianças dos anos 90.
Vencer Ou Morrer
2.6 5Ok, "Vencer ou Morrer" a recém estabelecida República Francesa está cercada de inimigos externos após a Revolução e começa a recrutar soldados entre os camponeses da região da Vendéia para proteger-se. Logo, os camponeses se rebelam contra o recrutamento forçado e a legitimidade do poder republicano. Charrette (é nome de uma pessoa), um oficial da marinha francesa e cavaleiro da província da Vendéia, é aclamado general pelos próprios camponeses para liderá-los contra a República e a narrativa do filme acompanha a sua tragetória.
Bom, o filme tem 1 hora e meia de duração mas parece durar uma eternidade. Isso acontece porque ele foi planejado como um documentário mas foi convertido em um drama histórico, logo ele falha como narrativa. Existem muitas narrativas expositivas (que eu acredito ser uma reminiscência de seu planejamento como documentário) e parece pular de um momento na história para o outro. Pior, eu assisti este filme com a minha mãe e ela ficou confusa com o contexto, então o filme falhou como documentário também. Não dá o contexto da crise de legitimidade da República, a figura do rei para a religião e nem por que esses camponeses, destituídos de suas casas e de suas referências nacionais, se reuniram em torno da religião como identidade coletiva. O filme melhora depois da metade, pois entra uma trama sobre o acordo de paz entre os vendeianos (acho que é assim que se escreve) e os republicanos, aí temos uma trama e uma narrativa encadeada.
Enfim, me dói dar 2,5 estrelas, o que é abaixo da média, para este filme porque eu acho que algumas pessoas deveriam assistir. Se você for católico será apresentado a um grupo de pessoas que não são comentadas na história da igreja, e se você se interessa pela história da França poderá ver, mesmo que minimamente, o avesso da Revolução Francesa, que não foi algo utópico e libertador, mas visava também atender aos interesses de uma elite e não foi unânime. Apesar do pretexto ter o bem estar do povo (esse espantalho que a elite política diz que deseja o bem estar) marginalizou camponeses afastados dos centros de poder.
Blonde
2.6 450 Assista AgoraA história de Marylin Monroe é extremamente trágica. Ela é uma mulher que sonhou em fazer parte de Hollywood, e infelizmente conseguiu, porque ela pagou um alto preço em sua mente e corpo para conseguí-lo. É compreensível que uma cinebiografia desta atriz que é sim, a encarnação de Hollywood deveria estar a altura do mito marylin Monroe e da instituição cinema de Hollywood, entretando, Blondie desaba nesta ambição e é C H A T O P A R A U M C A R A M B A.
Eu quis desistir de assistir este filme nos primeiros 10 minutos. Depois aos vinte. Depois aos 40. Quando eu vi que tinha mais duas horas de filme eu me perguntei "será que eu dou conta, ou vou arregar?". Os primeiros vinte minutos que é a infância da Marylin pesa a mão no drama e em uma composição de cena onírica, deixando o filme... esquisito, desagradável. Antes fosse um flashback que indicasse a memória da personagem, mas não, se arrasta por mais 10 minutos. Depois disso, o filme ora é preto e branco, ora é colorido, ora tem uma composição monolítica que parece um monumento, mas depois parece referenciar os filmes dos anos 60 e 60, ora a montagem e as transições são modernas e descoladas, ora aparecem efeitos que parecem remeter a um drama psicológico... A tentativa de fazer um filme moderno para uma personagem clássica, ou um monumento a altura do seu mito, ou mesmo explorar a profundidade da personalidade da pessoa cinebiografada (que foi reduzida a um estereótipo de loira burra no cinema) é totalmente louvável, mas parecem que ninguem sabia se decidir o que fazer, ou como trabalhar o material disponível, e montaram um pato que faz de tudo mas nenhuma delas bem.
infelizmente, quem saiu prejudicado neste projeto foi a atriz Ana de Armas que interpreta a Marylin e, realmente, a atuação dela parece deslocada neste festival de coisas excêntricas, entretanto, ela é o ponto mais sólido do filme inteiro. A Marylin da Ana lembra muito o que a própria cinebiografada mostrou nos cinemas e entrevistas, não uma personagem com nuances e profundidade que se esperaria de um trabalho mais autoral. Entretanto a atriz faz isso tão bem e tem um carisma tão natural que é impossível desgostar da marylin que ela entrega.
Slender Man: Pesadelo Sem Rosto
1.5 476 Assista AgoraEste filme é decepcionante porque começa bem. Em Slenderman - Pesadelo Sem Rosto, um grupo de amigas adolescentes resolvem fazer uma brincadeira estilo "loira do banheiro" na frente do computador para invocar Slender Man, acreditando que os meninos que elas tem uma apaixonite estão fazendo o mesmo. No dia seguinte, uma das amigas desaparece durante uma excursão, e quando as remanescentes investigam no computador dela por pistas descobrem mensagens trocadas com outras pessoas e vídeos relacionados a desaparecimentos com o envolvimento de Slender Man. A partir daí o enredo (não) se desenvolve.
As personagens são bem legais, com características, visuais e expectativas distintas. Realmente você se importa se as meninas irão achar a amiguinha desaparecida. A fotografia é fantástica: os ambientes internos são quase desprovidos de cor, obedecendo a estética estabelecidas das montagens com o Slender Man e as externas tem cores fortes. O roteiro tem momentos de brilhantismo: quando se suspeita que o Slender Man está na casa de uma das garotas, mas é o pai da menina desaparecida e aí ele é apresentado e também a condição disfuncional da família dela. Tem um momento em que, para terem a amiga de volta, as outras tem que oferecer algo que elas gostem para o Slender Man. Uma delas dá um bagulho que não sei o que é e uma das amigas pergunta "pensei que você gostava dos seus troféus" e ela responde que detesta treinar, mas ela usa essa desculpa para não procurar por uma das amigas que vem a desaparecer. Essa situação poderia ser bem explorada.... Entretanto, o filme se limita a tentar chocar com alucinações que não levam a nada e muito, muito, muito grito. Abandonei faltando 20 minutos. Enfim, um desperdício.
As Almas que Dançam no Escuro
2.6 16"As Almas que Dançam no Escuro" é um filme nacional que tem vários diferenciais entre outros filmes nacionais e um excelente argumento, que se não fosse por ele, eu não daria uma nota recomendável pois tem alguns defeitos que, embora sejam pontuais, na minha opinião, jogam contra a imersão do filme.
Neste filme, Carlos, recém viúvo, recebe a notícia de que sua filha foi encontrada morta em uma praia. Ao fazer reconhecimento do corpo, descobre que o corpo é de alguem parecida com sua filha, exceto a cor do cabelo e uma tatuagem. Partindo destas pistas, Carlos parte para investigar os últimos momentos de sua filha, convencido de que ela foi assassinada. Assim, ele entra em uma trama de investigação que mistura o sobrenatural e o thriller psicológico.
A produção deste filme é absurda de tão boa e não tem medo de ser um cinema nacional com vergonha de se deixar influenciar pelo cinema internacional. Pude perceber muitas semelhanças com filmes como Driver e Neon Demon em sua fotografia onírica, a trilha sonora incidental é composta por melodias synthwave com canções originais que lembram muito The Cure e The Smiths. Minha única crítica é que estas canções poderiam ter letras em português brasileiro. E quanto ao argumento, eu gosto muito de que ele é baseado em um realismo fantástico que é uma das pequenas jóias da nossa literatura e que tem tradição no Moacyr Scliar, Fernando Sabino e outros. As entidades e a fantasia fazem parte do mundano e os eventos fantásticos são reflexos de atitudes e sentimentos humanos que motivam esta fantasia. Nestas coisas o filme é impecável e faz tudo muito bem.
Minha crítica mais dura é contra os diálogos. São horríveis. Os diálogos que envolvem os personagens questionando a própria fé ou em embate ideológico são dramáticos e cheios de frases de efeito que deixam o diálogo carregado, forçado, chato e até mesmo ridículo. A cena que o Carlos se encontra pela primeira vez com o padre é toda assim, com frases tipo "esse deus que você carrega no peito" sem nenhum indício anterior que o personagem era alguem que questionava suas crenças e sua realidade, ou seja, era só uma pessoa comum vítima de uma tragédia aleatória. As frases do padre parecem ter sido retiradas de sermões diferentes e coladas e a conversa retorna frequentemente ao mesmo assunto. Isso se repete em outras partes do filme, não tão caricata como desta forma, mas é possível perceber o exagero em relação à outras cenas.
Outra coisa é o roteiro. A trama toda poderia ser resolvida se o personagem soubesse usar um celular ou tivesse a curiosidade de fuçar mais o celular da filha.
Enfim,sobre a melhor parte: o argumento. A revelação da trama envolvendo a filha do protagonista é uma construção muito crível sobre a vivência do luto e como lidar com as perdas, além de que as atitudes da personagem são as consequências do que observamos de crianças e jovens que não se sentem acolhidas em suas próprias casas. Em uma família que sofre a forte perda de um membro, se há a necessidade de tentar se fortalecer no luto para poder conservar a unidade e a segurança dos membros que ainda fazem parte dela.
Os Trapalhões na Guerra dos Planetas
2.8 63Por que choras, Jon Fraveau?
Catástrofe Nuclear
3.7 51Sou uma cria dos anos 80 que cresceu sobre rumores de como seria uma guerra nuclear e filmes inspirados no tema. Não assisti este na época, nem seu filme irmão, O Dia Seguinte, que também assisti uma década depois e teve o tom de curiosidade de uma época passada. Threads (Catástrofe Nuclear) já é outra coisa, é diferente de tudo o que foi feito na época e é atemporal. Classifico este filme como um documentário, com uma linha ficcional com alguns arcos de personagens que guiam descrição dos efeitos de uma possível guerra nuclear em que esta narrativa é usada como exemplo. É um filme difícil de assistir, também por esta escolha de linguagem, em que se tem narrativas em OFF, uma trama narrativa com função de encadear o progresso de uma guerra nuclear e seus efeitos, cortados por vários painéis que descrevem os efeitos da guerra e situam o espectador no espaço e no tempo. Uma coisa que é única é que o filme expõe também os efeitos a longo prazo, abrangendo um pouco mais de uma década das trocas atômicas. Ao contrário de Day After, que termina em um gesto de calor humano, Threads é um filme sem esperança desde seu início, com uma guerra nuclear planejada quase na surdina sem o conhecimento franco das consequências pelos cidadãos, com orientações de proteção completamente ineficazes dadas pelo Estado, burocratas completamente ineficientes tentando fazer funcionar um governo inútil, forças de segurança atacando civis que conseguiram sobreviver e a eventual regressão e desaparecimento da humanidade. Em minha opinião, é o filme definitivo sobre as consequẽncias da Guerra Nuclear e particularmente interessante se assistir lado a lado com Day After ao comparar as consequências mostradas e as propostas (ineficientes) de sobrevivência a um conflito de tamanha consequẽncia.
Rebel Moon - Parte 2: A Marcadora de Cicatrizes
2.6 144 Assista AgoraMelhor que o primeiro, pelos argumentos que eu direi em seguida, mas eu deixo um aviso parecido com o que eu deixei na primeira parte de "Rebel Moon": Se você gostou do primeiro Rebel Moon, você irá gostar de "A Marcadora de Cicatrizes", mas se você não gostou, não será este filme que fará o anterior ser melhor. Em "A Marcadora de Cicatrizes" os heróis que foram reunidos em "A Menina do Fogo" se encontram no Farm World (ref. de Warhammer 40K porque este é um filme de Warhammer 40K) para estabelecerem uma resistência contra o Mundo Mãe. E daí é tiro, porrada e bomba. A segunda parte preenche um sério problema da primeira a respeito das motivações dos personagens. Neste se conhece o passado deles, suas histórias que os motivam a lutar contra o Mundo-Mãe e o estabelecimento de uma camaradagem durante a calmaria que antecede a tempestade, no caso, a chegada do destróier estelar. Isso é um quarto do filme, a partir daí, Zeca Snyder voa alto naquilo que ele melhor sabe fazer: slow motion, tiro de raio laser para todo lado, visual massa-véio dos personagens e equipamentos, mulher porradeira, homão bombado, bromance HxH e bromance HxM (porque o Zeca está ousado). É um enorme filme de uma batalha só, e se você gosta de batalha, pode se acomodar na poltrona e assistir o espetáculo em estase. O ponto negativo é que a relação dos personagens poderia ser melhor estabelecida se houvesse um roteirista que soubesse explorar melhor o momento dos personagens convivendo entre si no Farm World. Ou seja, em suma (para dar ênfase), "A Marcadora de Cicatrizes" é bom porque não é um filme em que se deva contar uma história, é um climax espetacular em que se deve resolver as tramas estabelecidas na primeira parte da história. E isto é um elogio pontual à "A Marcadora de Cicatrizes" mas é uma crítica ao storytelling de Rebel Moon como um todo. Embora o que o filme mostra seja o suficiente para abrandar o incômodo deixado na primeira parte, ainda assim não os deixam tão únicos quanto os seus visuais. Isso me faz questionar que Rebel Moon parte 1 e 2 poderiam ser um filme só, inclusive porquê, embora "A Marcadora de Cicatrizes" dê margem para uma nova fase da história, o arco narrativo estabelecido no primeiro filme se completa no segundo. Eu gosto do Snyder porque acho ele um diretor e produtor que ousa ser original em uma indústria que é mais do mesmo, porém ele sempre erra por querer o "mais". As vezes, menos é mais. Se Rebel Moon fosse breve e auto-contido, seria melhor como filme e nem por isso seu universo seria menor. Dou como exemplo o Star Wars original que era simples e auto-contido e apenas o tempo e um conjunto de outros trabalhos posteriores o transformou em um épico moderno.
Agora Estamos Sozinhos
2.7 133Neste filme, Tyrion Lannister trabalha de Tyrion Lannister em uma biblioteca tentando manter as coisas em ordem no Porto Real... ops, em uma cidade abandonada aonde todos morreram vitimados por alguma catástrofe apocalíptica desconhecida. Aí um belo dia ele encontra com uma garota chamada Grace, vítima de um acidente de carro, que é a única pessoa viva com quem ele se depara depois do apocalipse. Então, se desenvolve uma relação de proximidade e confiança entre estes dois estranhos em meio ao fim do mundo.
Não desrecomendarei este filme. "Agora Estamos Sozinhos" é um filme com uma estética absurdamente bonita, com uma produção impecável e contando com as atuações de Peter Dinklage que dispensa apresentações, Elle Fanning que também dispensa apresentações e mais tarde Charlotte Gainsbourg entra no filme também. Os dois primeiros terços do filme é atuação pura quando se estabelece a relação entre os dois personagens. O terço final é uma reviravolta, alegadamente impactante. O defeito do filme é que a reviravolta não é convincente e o roteiro não estabelece um ponto de conflito entre Elle e Peter, então o filme todo parece uma história sobre duas pessoas fazendo coisas no apocalipse e com uma reviravolta mirabolante quando o drama entre os persoangens seria muito mais satisfatório sem nenhuma trama utópica.
Não é um filme ruim, mas depende se você gosta de ver o copo meio cheio ou vazio. É um filme que eu recomendaria para os fãs de Peter Dinklage ou Elle Fanning que gostariam de apreciar suas atuações ou estejam maratonando filmes com os dois atores. Mas se você estiver procurando uma diversão pós-apocaliptica para passar o tempo, neste caso existem filmes que você poderá assistir com mais satisfação.
Rebel Moon - Parte 1: A Menina do Fogo
2.6 328 Assista AgoraDireto ao ponto: se você gosta do Zack Snyder, você vai amar este filme. Se você não gosta do Zack Snyder, não será Rebel Moon que fará você gostar dele. Rebel Moon é exatamente o que te disseram: é Star Wars dirigido por Zack Snyder (embora eu ache que tem mais elementos de Warhammer 40.000), mas o filme vai mais fundo em sua inspiração e vai direto à fonte que Star Wars bebeu: Os Sete Samurai. O império romano espacial aporta um destróier em um planeta idílico que poderia ser o Condado, então um oficial nazista demanda grãos para suprir a tribulação do destróier em sua missão de caçar rebeldes nos pontos mais distantes do império. Aí uma mulher com um passado misterioso parte em uma missão para reunir um grupo de rebeldes para defender o planeta idílico. Os filmes do Zack Snyder primam pelo visual e este não é exceção. Rebel Moon desvela para você um universo vasto e cheio de possibilidades: tem uma cidade que lembra o Japão feudal, depois tem uma cidade cyberpunk, um planeta alienígena que parece saído de um sonho, a própria vila da heroína que lembra uma vila nórdica e um rancho de cowboys. Aqui a famigerada câmera lenta do Snyder faz sentido. A história dá a entender que a heroína é f***, então ao mesmo tempo que ela desvia de um disparo de laser, ela também dispara sua arma em meio a um tiroteio caótico. E também tem toque da vuvuzela na trilha sonora agora acompanhado do grito da Mulher Maravilha. Eu admiro o fato que o Zack Snyder realmente banca o seu estilo de cinema apesar das crítica mas, na minha percepção, não ficou tão pesado em Rebel Moon. O ponto fraco do filme é o roteiro, que poderia ser melhor, e o desenvolvimento de personagem, que deixou muito a desejar. O filme seria enriquecido se muitas das informações expostas, como o passado da heroína, fosse mostrado em ação e não apenas relatado em diálogos ou exposto em flashbacks. O desenvolvimento dos personagens realmente é ruim. Como foi escrito em uma das críticas anteriores, os personagens simplesmente se acumulam. Suas motivações e características individuais não são mostradas por meio de interações entre si ou nas cenas de ação. O caso gritante é o do Tarzan. Ele é um dos primeiros a ser recrutado, fica o filme inteiro sem abrir a boca, aí no final do dia ele chega pra outro personagem que acabou de entrar faz nem 20 minutos no filme e fala algo tipo "eu sei como você se sente". Sabe como? O cara lê mente, por acaso? Mas eu gostei muito de Rebel Moon. É muito legal poder se entreter com um espetáculo visual que te arrebata para outros mundos durante o Natal e eu realmente espero que esta franquia prospere pois fiquei curioso para conhecer as possibilidades que Rebel Moon pode apresentar.
Top Gun: Maverick
4.1 1,1K"Top Gun: Maverick" é uma propaganda militar estadunidense disfarçada de filme com bandeiras listradas por toda parte, um protagonista branco cis gênero heterossexual, padrões corporais irreais, bromance e fetiche por armas em formato fálico.
VEREDITO: Obra prima. 10/10
Mad God
3.6 48 Assista Agora"Mad God" é uma viagem, e toda viagem é desafiadora. As qualidades deste filme são igualmente seu atrativo e suas fontes de crítica negativa: o grotesco, as imagens poéticas e as sugestões que acompanham as situações que desenvolvem uma trama conceitual. Mas é inegavelmente uma obra de arte.
"Mad God" abre com uma alegoria à Torre de Babel e deus condena a humanidade. Em seguida um personagem vestindo capote e máscara de gás desce do céu em uma batisfera para o que seria este mundo condenado. A partir deste personagem explorando este cenário que a trama de "Mad God" desenvolve semelhante ao tour de Dante pelo Inferno na Divina Comédia.
Dizer mais além desta sinopse seria impor minha própria interpretação, o ideal é que você assista por si mesmo, mas o que se segue são esquetes envolvendo monstros bizarros que habitam nesta ruína de mundo dominado por crueldade e apatia. A narrativa visual é brilhante, o tempo todo há jogos de percepção ( ora o personagem é um gigante entre anões, ora ele se rasteja entre seres gigantes) e há narrativas dentro de narrativas. É uma obra prima técnica, narrativa e visual, cheio de detalhes em seus cenários e sutilezas que convidam a assistir mais de uma vez para ver novos elementos e interpretações.
Sangue de Pelicano
3.0 33 Assista AgoraEu fui tapeado. E talvez você possa sentir o mesmo ao assistir "Sangue de Pelicano". O filme inicia como um drama de uma tratadora de cavalos que adota uma criança com um passado muito sofrido, muito punk mesmo. Em casa, ela começa a agir de forma violenta, criminosa, assassina; e daí vemos o drama da mulher em insistir em resgatar aquela criança através de muitas metáforas com a criação de cavalos e com o tal pelicano do título, que dá o sangue de seu peito para os filhos. E tem uma cena no filme que é literalmente isso.
Mas aí, faltando 20 minutos para o filme acabar, o roteiro dá um cavalo de pau e de repetente você está assistindo a um filme de exorcismo com ritual pagão, estilo Midsommar. Para ser honesto, muitos elementos envolvidos nesta parte já estavam estabelecidos no filme, mas em nenhum momento os abordava de forma sobrenatural. Na conclusão do filme, se o que ocorreu com os personagens é de caráter sobrenatural ou psicológico, fica em aberto; porém este jogo de percepções ocorre tarde demais e a reviravolta não convence. A impressão é que se assistiu a dois filmes diferentes.
Longe que "Sangue de Pelicano" é um filme ruim. A produção é caprichada, os atores são bons e bem dirigidos e a trama é encadeada de maneira envolvente, mas a impressão que a reviravolta deixa é que não souberam como resolver o drama dos personagens. Coloquei 3 estrelas (a média) porque eu não desrecomendo "Sangue de Pelicano", mas depende do expectador enxergar se este copo é meio cheio ou meio vazio. Eu só acho que o filme deveria se chamar "Sangue de Cavalo" porque a conclusão traiu a proposta que está em seu título.
O Diário de Anne Frank
3.9 8O livro "O Diário de Anne Frank" eh muito difícil de ser adaptado. Se passa em um so ambiente de confinamento no qual o foco da narradora esta nas pequenas coisas, na interação entre as pessoas no "anexo secreto" e, por ela estar voltada para si mesma, muitas vezes eh repetitivo em algumas questões. Mas que de longe não deixa de ser uma viagem fascinante na mente de uma moca obrigada a amadurecer em uma época tao difícil.
Tendo isto em mente eh possível compreender porque a critica sobre a adaptação "O Diário de Anne Frank" eh tao dura. Primeiramente esta adaptação se trata de uma animação japonesa e senso estético do oriente eh bem diferente do nosso no ocidente. A animação foca no contemplativo, as dificuldades da vida familiar dentro do anexo também eh mostrada, mas de uma forma sutil nos diálogos e em contextos específicos. Assim, para um publico ocidental um filme de pouco mais de uma hora e meia parece enfadonho e arrastado, por outro lado visualmente e tecnicamente o filme eh um deslumbre: a paisagem do lado de fora do anexo, a passagem do tempo vista nos pássaros, as arvores e a predominância da trilha musical, são a atracão desta animação que a torna unica entre todas as adaptações do "Diário de Anne Frank".
O filme pode ter errado em não ter definido um arco narrativo para seus personagens para apresentar ao espectador uma narrativa mais consistente do que apenas a passagem do tempo dentro do confinamento, desta forma o filme seria mais bem recebido. Então, se você não leu o livro da Anne Frank e deseja conhecer a historia, eu recomendaria outras produções que fazem de forma satisfatória. Porem, se você for um fã do primor técnico da animação japonesa, ou já conhece sobre a Anne Frank mas deseja conhecer uma visão diferente fora do nosso hemisfério, eu recomendo este "O Diário de Anne Frank" pois apesar de suas falhas eh um filme que se destaca entre todos os demais.
Cobra Kai (4ª Temporada)
4.0 229 Assista AgoraA quarta temporada é muito melhor que a terceira em vários aspectos. A série retorna à origem do Karate Kid aprofundando a relação entre os personagens para no final tudo se resolver em um grande campeonato de karate. Isto também aconteceu na primeira temporada, a inovação desta é a evolução dos personagens, seus momentos refletem no resultado final da competição e também a resignificação de suas convicções resultando em conciliações.
Também há uma volta a origem do que diferenciou a série Cobra Kai de Karate Kid: a espiral de violência. A primeira temporada chama a atenção por mostrar as consequências das ações dos filmes na perspectiva dos vencidos, e como essas ações do passado se refletem no presente e em uma nova geração. Na quarta temporada vemos os veteranos da série Cobra Kai servindo de tutores para uma geração de garotos mais novos e como os exemplos que eles tiveram de seus sensei afetam esses tutores.
Eu realmente não entendo quem reclama dessa temporada ser "galhofa" ou "não se levar a sério" pois parece que estão assistindo uma série diferente do que eu vi. Crianças lutando de forma espetacular que não seria condizente com a realidade de um treino de artes marciais ou situações melodramáticas em festas de adolescente não são inéditas na série, vimos isso desde a primeira temporada em que esses clichês das séries e filmes dos anos 80, seja nas cores e na estética, brigas inconsequentes, entre outros exageros e incoerências. A série parece ter abraçado mais esta estética, que não vejo como um demérito, apenas sinto falta da sutileza com que era tratada a questão da espiral de violência ofuscada por um excesso de drama
Experiência Alpha
2.2 17Cara, eu acho que meio que vou defender este filme. Um garoto ganha em um sorteio da empresa aonde ele trabalha uma "Alpha", um modelo de robô doméstico. Este tipo de robô é equipado com um sentimento de culpa para que a estimule a se aperfeiçoar caso falhe em realizar um pedido de seu(s) dono(s). A mãe, que tem aversão a tecnologia, rejeita o presente; o pai ordena que a robô faça coisas que não lhe foram ensinadas para fazer, o garoto a trata como um eletrodoméstico e a caçula é a única que a trata com dignidade. Logo a Alpha sente-se frustrada em falhar em sua função única de contentar seus donos, e logo dá muita m*.
Nesta sinopse já mostra uma abordagem original do tema do robô servidor que adquire autoconsciência, os sentimentos da Alpha programados de forma intencional e motivados para um único um objetivo, a ruptura da relação homem-máquina está na impossibilidade da aliança entre as duas partes pela impossibilidade de realização das vontades de ambas as partes em vez de uma relação de dominação e submissão. Mas o roteiro decide se resolver como um filme slasher e desrespeitando até as próprias regras. Por exemplo, como medida de segurança as Alphas não sabem utilizar instrumentos que podem ser utilizados como armas, ao menos que sejam ensinadas a usar, mas elas usam utensílios como armas e até mesmo armas de verdade sem o filme mostrar em nenhum momento alguem que as tenha ensinado a usar. O filme tem baixo orçamento, mas a produção fez o que pode com o dinheiro. A maquiagem da Alpha é bem artificial e até mesmo assustador, mas faz sentido pois é uma máquina feita para imitar um ser humano. E fotografia tem planos bem compostos as vezes. Se eu fosse indicar este filme por uma cena, eu diria que a parte em que a Alpha e o garoto fazem headbang é imperdível, no mais, indico para quem tem um tempo livro e não tem medo de encarar um filme trash, ou se você tem um gosto mais voltado para o duvidoso, como eu.
O Chamado vs. O Grito
2.2 149O título já diz para o quê o filme veio: é briga de mina com cabelo na cara. Em "O Chamado vs O Grito" duas alunas tem contato com a fita amaldiçoada de Sadako e a forma que encontram para se livrar da maldição é contrariando a maldição de Hayako, de modo que as duas cabeludas briguem e sirvam de "antivírus" contra a outra. A ideia é ingênua para dizer o mínimo, mas os japoneses são tão caprichosos que até as coisas ruins que eles fazem tem algo de bom para ser aproveitado. Primeiro é que este é um filme que pertence mais à franquia O Chamado do que O Grito, em minha opinião, porque a trama envolvendo a maldição de Sadako cobre a maior parte da metragem do filme. A trama avança no tempo, em uma realidade mais próxima da nossa em que as fitas VHS estão obsoletas, a internet ocupa o espaço deixado pelos videocassetes no audiovisual e imagina como seria maldição de Sadako neste período. A segunda coisa é que a trama aborda uma das questões de como seria possível vencer a maldição de Sadako, envolvendo a cultura japonesa de coletividade versus individualidade; sem no entanto contrariar o que difere as produções sobrenaturais orientais e ocidentais: os espíritos são uma realidade e é impossível separá-los do convívio dos vivos. De pontos negativos é que este filme não tem a mesma gravidade que os outros filmes de suas respectivas franquias, o que frustrará muitos fãs (este é um filme de entretenimento); e por falar nisso os fãs de O Grito poderão ficar ainda mais frustrados que a trama envolvendo Hayako converge para trama principal apenas no ato final do roteiro, em nenhum momento a co-protagonista interage com a protagonista durante a trama, exceto na conclusão. Enfim, ainda assim o filme possui boas cenas de suspense bem construídas e sustos realmente criativos. Vale a pena assistir para passar o tempo.
O Segredo do Abismo
3.7 271 Assista AgoraPorque nem todo filme de alienígena tem que se passar no espaço. James Cameron mostra em O Segredo do Abismo os predicados que o fizeram o que ele foi nos anos 90. A trama é inspirada em outras obras do gênero, principalmente o clima claustrofóbico de Alien O Oitavo Passageiro, Contatos Imediatos e até mesmo 2001. A grande sacada do roteiro foi transportar a ficção científica para o oceano, que é tão inexplorado quanto nosso sistema solar e evolve tecnologia tão complexa quanto a espacial em sua exploração. O Segredo do Abismo tem uma história longa, de mais de duas horas que podem ser divididas em três arcos, praticamente se transformando em filmes diferentes; indo da trama militar para o thriller de sobrevivência e a ficção científica. Assistí-lo requer algum grau de comprometimento seja qual tipo de espectador que você for. Se desejar ação ininterrupta, ou for mais exigente, obviamente as mais de duas horas de O Segredo do Abismo não irá cativá-lo, porém agradará quem desejar assistir um thriller pois James Cameron apresenta o predicado de um bom contador de histórias. O filme também entrega a recompensa em seu desfecho. As criaturas do abismo são belíssimas até hoje e não lembro de ter encontrado em outra obra de ficção científca criaturas semelhantes. É difícil imaginar que O Segredo do Abismo foi um filme ainda dos anos 90, pois seus efeitos estavam quase 10 anos a frente.
Darkman: Vingança Sem Rosto
3.3 201 Assista AgoraMelhor filme de história em quadrinhos que não veio de uma história em quadrinhos! Até Darkman, Sam Raimi vinha dos filmes B de terror, como o maravilhoso Evil Dead. Naquele momento dizem que ele não conseguiu a direção de Batman (o de Tim Burton), outros dizem que foi do filme do Sombra, mas o que é certo é que Sam Raimi queria fazer um filme de super herói e então criou seu próprio, mas sem renegar o gênero que o trouxe até ali, os filmes B. Darkman é um personagem inspirado nos quadrinhos pulp como O Sombra e em filmes como O Fantasma da Ópera, é um personagem dramático que tem um monstro interior, injustiçado, que busca vingança e ama uma mocinha. Darkman é um filme muito honesto, com coração e feito com carinho. Apesar da produção não ser uma das maiores o dinheiro foi muito bem investido na maquiagem (que é o que move o filme). A tela verde é óbvia quando aparece, mas a cena é tão bem composta que o conjunto tem uma beleza plástica. E por falar nisso, várias transições e quadros parecem ter saído de uma história em quadrinhos, com diálogos caricatos condizentes com suas fontes de inspiração. Apesar de Darkman ter sido esquecido e virado uma curiosidade na filmografia de Sam Raimi, que se tornou um diretor de primeiro escalão com seu trabalho nos filmes do Homem Aranha, Darkman diverte com uma trama interessante e ágil, o personagem tem personalidade e apelo, e os geeks adorarão reconhecer as influências dos quadrinhos pulp em toda a composição do filme.
Extermínio 2
3.4 745Assistir uma sequencia de um filme que é otimo, Exterminio 1, causa um enorme ceticismo, principalmente quando eu ouço que a sequencia do meu filme de zumbi favorito é "ótimo". E Extermínio 2 é ótimo mesmo, tanto como sequencia quanto também poderia ser um filme isolado. A música "in a house in a heartbeat" que toca na cena inicial funciona como elo entre os dois filmes, estabelecendo também a questão no ato final do filme anterior: quando é que o ser humano se torna irreconhecível e se torna um animal raivoso? Esta questão é retomada na transição para a segunda parte do filme, quando acontece uma reviravolta e o filme entrega a ação que a maioria dos espectadores querem ver. Além deste tema, Exterminio 2 também conserva a identidade visual do primeiro filme, o abandono, a humanidade em seu crepúsculo e principalmente as cenas que os objetos abandonados, memoriais improvisados e riscos nas paredes parecem contar uma história por si.
Xtro: 3 O Massacre
2.5 26A franquia Xtro é um dos meus guilty pleasures. Particularmente Xtro 3 é uma picaretagem com elementos de Alien e Predador, mas o que o diferencia é a humanização do monstro que até então era algo bem diferente de outros filmes de ficção científica, é o que fez o filme ficar na minha memória desde aquela época gostosa que passava Cine Trash a tarde e o Cinema em Casa tentava competir passando uns trash bem bacana como Xtro 3
Vampiras
2.6 207Vampiras é sobre... duas vampiras, que aparentemente vivem em uma eterna adolescência. Alicia Silverstone interpreta o estereótipo que a faz famosa, da patricinha superficial em seus primeiros minutos e muitas situações parecem ter saido de uma comédia adolescente dos anos 90, mas o filme tem mais do que isso para oferecer. A personagem de Alicia, Goldie, tem mais profundidade do que aparenta, acumulando experiências de vários séculos, não está satisfeita em como vive sua não vida. O filme apresenta questões que normalmente não figuram neste tipo de comédia, como a própria experiência acumulada que eu citei, passagem do tempo, a finitude, o desvario de uma existencia inconsequente. O roteiro não é tão óbvio e nem todo mundo tem final feliz. Mas ainda assim é um filme pueril, se você por acaso deseja ver essas questões em cena, já foi melhor trabalhada em outros filmes de vampiro; mas é um filme que agrada aquele que deseja uma boa diversão e passar o tempo com um entretenimento que apresenta também algo edificante. Destaque para Malcolm MacDowell e Sigourney Weaver que estão se divertindo com seus papeis.
O Criador do Boneco Robert
1.8 23Na minha crítica de "Mestre dos Brinquedos 3" eu escrevi algo mais ou menos assim, que não dá pra errar um filme que mistura bonecos assassinos e nazistas. Então, "O Criador do Boneco Robert" conseguiu não só mudar a minha ideia como também macular a boa lembrança que eu tenho de "Mestre dos Brinquedos 3". Então, se vc por acaso gostou da sinopse de "O Criador...", esqueça este e vá assistir "Mestre dos Brinquedos 3"
Amityville: A Estrada Assombrada
1.1 15 Assista AgoraP. Q. P.
Brother.... (respira fundo). Enfim, o filme começa com uma montagem maneira de imagens antigas indígenas e tal.... Aì fazem um enquadramento artístico em uma placa de estrada (que é o título do filme) que o fotógrafo aprendeu na faculdade de cinema e quer usar pra mostrar pra todo mundo que sabe fazer. Aí depois tem uma cena de um tiozão num carro importado, mas com um péssimo gosto pra se vestir, com camiseta e bermudão, que estaciona numa P casa chique. Aí ele pega cartas, abre as cartas junto com uma loira, vê fotos cheias de buracos branco e eles ficam assim
-Uaaaaau......
-Uaaaaaau.....
-São orbes......
(aí vc pensa "que P de orbe é esse)
Aí eles ficam de novo
-Uaaaaau......
Isso tudo durou 10 minutos e desisti de assistir. Fiz isso para você economizar 10 minutos da sua vida
Intrusos
3.6 57"Intruders" é um filme nostálgico para quem cresceu nos anos 90. Passava no canal do homem do aviãozinho de papel, sempre anunciado com alarde pelo nome em inglês "Intruders" e era exibido as noites dos finais de semana em duas partes. Se você deseja conhecer o que foi o fenômeno da ufologia, que precedeu Arquivo X nos anos 90, este é um dos filmes que você deverá assistir ("Fogo no Céu" é outro que recomendo). O filme conta o drama de uma mãe que sofre com alucinações e consequências de correntes de encontros com alienígenas, quando então seu filho passa a sofrer com os mesmos sintomas. A trama desenvolve para outros personagens e é bastante rico em narrativas paralelas. Como uma série feita para ser exibida na televisão, "Intruders" tem uma linguagem visual que poderia ser considerada fora de moda hoje em dia em que estamos acostumados com a qualidade de produções da HBO e Netflix, mas quando o tom de mistério assume a narrativa na segunda metade, dá um salto á altura. Além disso, a produção tem duas horas e quarenta de rodagem o que pode afastar alguns espectadores mais casuais, porém os efeitos especiais são recompensadores. São nos efeitos práticos e nas maquiagens que a produção brilha e as criaturas, os híbridos, que eram o chamariz nas propagandas de tarde da noite do SBT, são icônicos e assombrou a noite de muitas crianças dos anos 90.