Mais fraca das cinco, tá aí um uso ruim do conceito de slow burn que a série aperfeiçoou nos outros quatro anos, gostei demais dos primeiros quatro episódios, devagarinho na medida certa e construindo a tensão aos poucos, foi no quinto em que dois personagens principais se encontram e no episódio seguinte onde um desses personagens se despede que eu percebi o problema que ia assolar o resto da temporada, o movimento lento não estava construindo nada.
Festival de laços sem nós, literalmente nada se entrelaçou, alguns plots vieram e foram finalizados nessa temporada, como o do Pasha e dos grãos, mas nenhum se mostrou tão interessante a ponto de carregar a temporada. De resto foi plot atrás de plot que era ligeiro e talvez trouxesse alguma coisa, e nunca mais dava as caras, voltando ou não no último ano é um erro gigantesco fazer isso na TV, porque se voltar não vai ficar coeso, se não voltar só vai me fazer desgostar do quinto ano mais ainda.
Foi uma temporada de reafirmação do que vimos na anterior e de transição para o último ano da série, agora, era mesmo necessário? Foi o melhor que os roteiristas conseguiram pensar para aproveitar os últimos dois anos? Renovava por uma temporada só se as ideias estavam tão escassas. Entendo a decisão de seguir uma linha mais voltada para a família que a espionagem, o meu problema é quando as histórias ficam se postergando infinitamente, sendo que nós já vimos as mesmas no ano passado, fica ai meu desapontamento com o excesso de Paige (mais no início), que era um dos raros casos onde uma série conseguia tornar um núcleo envolvendo os filhos dos personagens principais interessante.
Acho que a única parte em que houve um avanço demorado foi a trama do Henry, que acabou parecendo uma desculpa para não mostrar o ator no último ano e evitar críticas de que o roteiro esquece de sua existência. De resto, Stan está infeliz no trabalho e vai continuar, Phillip está infeliz no trabalho e vai continuar, Elizabeth está infeliz no trabalho e vai continuar, Paige (sabe lutar) está infeliz com a vida e vai continuar, Martha encontrou a vocação de mãe em 2 minutos no último episódio depois de passar outros 6 minutos em um outro episódio insatisfeita (esse foi o desenvolvimento em 13 episódios), Gabriel vazou para ficar perambulando pela Rússia, o filho do Phillip foi o maior desperdício de história que eu já presenciei na TV, a namorada do Stan depois de 13 episódios continua em cima do muro, a história do Oleg dá círculos e sofre do mesmo problema da Nina no ano passado, ele simplesmente está longe demais do centro da história, acompanhar um bom personagem se tornou chato.
No mais, atuações continuam incríveis, a temporada conseguiu algumas cenas memoráveis envolvendo o casal principal, a edição foi horrenda no geral (algo que eu havia notado na quarta temporada), chegando no ápice de falta de qualidade no penúltimo episódio (ou antepenúltimo, posso estar me confundido) onde tinham cenas em múltiplos núcleos cada uma com duração de 3 minutos e cortadas, depois de 5 segundos de silêncio e encaradas, por telas negras anticlimáticas (aquilo não é transição para comercial), literalmente isso acontecendo por 50 minutos, assim de fato não dá para desenvolver nada. Mas independente desses problemas, ainda continuo amando acompanhar P&E, mesmo quando não acontece nada demais.
Eu odeio quando as pessoas avaliam os shows antes deles acabarem, mas dessa vez vou abrir uma exceção e ser um dos odiados. Pode acabar com um episódio de 1 hora onde o Lindelof explica o finale de lost que ainda irá merecer as cinco estrelas e o favorito.
Fui sabendo pouco sobre (quase nada) e sai bem mais chocado do que esperava, eu tenho um fraco para esses filmes de gênero meio esquisitos que não aceitam rédeas para contar histórias (tipo The Neon Demon), daí relevei alguns pontos fracos: o ritmo é um tanto estranho, acelerando e desacelerando o plot sem muita coesão, e tem muita cena feita exclusivamente para chocar, reafirmando o status quo de revirar os olhos que diz "olha, você está vendo um filme um pouco mais esquisitinho e edgy do que os outros".
No mais, o longa é corajoso sim, não vai a ponto do exagero de filmes B, mas não é sucinto demais como eu estava esperando. Me diverti bastante durante sua curta duração e estarei esperando por outro trabalho dessa diretora, tomara que se mostre versátil em projetos futuros. Achei o estilo dela de roteiro bem parecido com o do Lanthimos e de direção com o Cronenberg, uma bela mistura!
edit: trilha sonora fabulosa, parece ter sugado um pouco de Laranja Mecânica.
Por favor não tome isso como qualquer coisa a mais que apenas minha opinião (de quem nunca fez um curta que nem ti apesar de planejar), e pro lado pessoal. Gostei do tema escolhido e da ideia visual que você tentou abordar, e a atriz tá longe de ser ruim (característica da maioria dos curtas menores). Minha primeira reclamação é em relação ao tom do curta e do jeito você usou a câmera, eu optaria por algo bem mais incisivo e desconfortável, põe a câmera na cara da personagem (tipo no pôster do brasileiro O Invasor), usa planos mais fechados (tem alguns bem bons durante, mas são minorias), mexe a câmera para lá e para cá na hora de cortar (primeira cena), desfoque de vez enquanto, estoure o som às vezes, deixe intenso e memorável. Torne gráfico! Tenta fazer vômito (ou então não mostra o vaso vazio de cima), lágrimas, catarro, sangue em partes pequenas (na beirada das unhas de tanto morder), foque na compulsão e na sujeira da caricatura de um sujeito ansioso.
Não gostei muito do final também, novamente optaria por algo mais pessimista e desconfortável, mas daí eu to tentando interferir demais na sua visão. De todas essas coisas o que eu menos gostei foi a música, dava para melhorar bastante aí, foi onde mais senti falta da intensidade, mexe no volume, usa música noise e samples de várias coisas do dia a dia (Freesound), na primeira cena dava para ter pego algo mais onírico talvez, um jazz meio Lynch, mas novamente, mexa no volume, crie uma ascensão na cena com suporte do som.
Não desanime, do que valem apenas críticas positivas? Minha visão é mais ou menos o clipe dessa música: https://www.youtube.com/watch?v=y2cQvZPX3OY
Primeira metade da sétima temporada tava bem boa salvo alguns momentos, mas essa segunda metade cagou tudo em literalmente todos episódios, um pior que o outro e hoje a noite irá acontecer alguma coisa interessante para manter nossa curiosidade até a 8ª temporada. Comigo não, estou saindo desse trem assim que o próximo episódio acabar, vamos ver quanto tempo vou durar com os quadrinhos.
Engraçado como essa obra quebrou minha mania de apenas dar 5 para filmes que falassem comigo num nível pessoal, apenas diferindo nisso pros que eu acabo dando 4,5. Acontece que esse longa noir, mesmo sem ter ressoado profundamente com minhas visões de mundo, acabou sendo um dos poucos filmes perfeitos que eu já vi, por isso ficou impossível não dar 5 e favoritar.
Não achei crível, e numa história em que a motivação dos personagens é o que move a trama esse problema se acentua. São as coisas pequenas que acontecem durante o longa que me tiraram totalmente de qualquer imersão que o diretor tentou nos colocar para discutir boas maneiras, masculinidade e Hobbes ("o homem é o lobo do homem").
E acredito que tal problema esteja no roteiro, talvez prejudicado ainda mais pelo tempo que passou. Não dá para simpatizar com o David e a personagem da Amy é pura e simplesmente mal escrita, o meu ponto é de que não tem nada para eu me segurar e escalar o pensamento, a trama inicial é sem graça pelos motivos anteriores. Chegou no nível de que até a cena final me pareceu tosca, resultante de uma série de coincidências idiotas e pior de tudo, me lembrou de O Quarto do Pânico.
Esse velho é maravilhoso, que filme pesado e agoniante! Sem dúvidas um dos melhores roteiros (quiçá melhor) que o Scorsese dirigiu e escreveu, além de ser corajoso. Não vejo um diretor desse naipe fazendo não só um filme sobre suas histórias de paixão mas também tratando o catolicismo fora do papel vilanesco em pleno século XXI, um dos clichês do nosso tempo (lembrando que Spotlight ganhou o Oscar do ano passado).
Não tem nada mais pesado que uma pessoa ser despida de seu eu mais interior, ainda mais quando ele é revestido de uma carga de fé tão grande, o padre Rodriguez não é só uma pessoa indiferente a vida sendo forçado a ter uma opinião, é muito pior que isso, para mim o pior dos crimes possíveis. A mensagem é datada e meio piegas do modo que é retratada no fim? Talvez, acredito depender inteiramente do seu grau de apego com esse longa, comigo a história transcendeu a simbologia cristã.
Um tanto de gente saiu elogiando as partes do filme apesar de não irem de cara com o tema, para mim é exatamente o contrário, o argumento que vimos deixa a obra inteira, e foi o que mais me abalou e levantou questões. O resto é maravilhoso também, mas não é por conta das boas atuações ou fotografia que acredito terem atrasado esse projeto em anos, não fujam do cerne da questão! O argumento necessita ser olhado e pensado independente dos seus gostos individuais.
Se você chegou até aqui e não viu o filme ainda, se entregue de cabeça sem medo, independente de suas crenças. É triste ter que afirmar isso para minha opinião valer para algum de vocês (vou abrir uma exceção para essa obra prima), mas a pessoa que escreve essa review não poderia estar mais longe do cristianismo e da fé em Deus, só que desgostar desse filme por causa disso é simplesmente um pecado cinematográfico.
Entendi pelos comentários que boa parte do filme vem da atmosfera criada pelas atuações e fotografia, mas não consegui sentir nenhuma das duas como sendo espetacular. Transições entre épocas acompanhadas da troca de atores me tiraram bastante de sentir qualquer empatia com os dilemas do principal, e da situação com sua mãe, que ao meu ver são os pontos chave do roteiro. Foi tudo rápido demais, o longa iria ganhar muito com umas 3 horas de duração, pelo menos.
Assisti Barry Lyndon novamente ontem e independente da sua vontade, dá para ver que o Kubrick não liga se você está achando lento demais, é um filme que queima bem devagar, mas que no fim você sente por aqueles personagens como seus entes. Acredito que isso tenha faltado para eu não "renegar" a obra prima que tantos estão dizendo ter visto (não duvido), por conta dos razões primárias acima. Longe de ser um filme ruim (totalmente fora de questão), mas é um daqueles casos que o hype atrapalha mais que ajuda.
Quando você entende que a catástrofe é a chegada da esquizofrenia no personagem do Michael Shannon o longa ganha uma outra cara. Temos um final otimista mas não feliz, a tsunami de problemas está chegando na família, mas agora eles se entendem e estão juntos, vide a acenada de cabeça.
Além de todas suas alucinações decorrentes da doença na verdade estarem denunciando a chegada dela, de uma forma indireta através de símbolos de tempestades e fim de mundo, simbologia mais sólida que concreto, muito bem construída.
Não acho errado quem quer acreditar que aquilo no final de fato aconteceu, cada um com sua visão, todo mundo tem direito de piorar um ótimo filme. Que assim terminaria com uma mensagem "Poxa, que pena! Não é que malucos profetas de fim do mundo (que alucinam constantemente) estão certos de vez em quando, é tudo uma questão de tempo, melhor sorte em outra vida Michael Shannon!".
Sensível, intimista, história que voa baixo mas tem um impacto enorme, não se fazem mais dramas nesse naipe. Filme concreto em todas outras características cinematográficas e as pitadas de humor são fabulosas.
De fato, você irá ficar decepcionado se for querendo explicações diretas, resquícios de teorias que expliquem o que aconteceu, uma narrativa simples ou diálogos expositivos. A Field in England é um experimento magnífico de um "neo acid western", me fazendo pensar numa união de The Seventh Seal com El Topo.
Adorei o setup de Guerra Civil no século 17 para fazer um estudo de personagem, e não falar da guerra de um jeito épico e megalomaníaco. Fechamos com 5 personagens ao longo de uma estranha uma hora e meia falando de tesouro, diabo, cogumelos, psicodelia e morte. É verdade, você tem que estar no clima para aproveitar bem tal obra, mas dá para gostar apenas da história sem ficar chovendo no molhado em relação as grandiosas fotografia e trilha sonora, e eu vou te mostrar isso hoje porque estou com bastante tempo. Sem frescuras que muitos podem me acusar, até porque é bem fácil eu vir falar que o filme é para ser sentido e não entendido, ou que só gosta quem vai no clima e até quem assiste sobre o efeito de cogumelos.
É verdade que isso aqui não é a explicação do filme apesar de que alguns podem interpretar de tal jeito, bom, não vou me preocupar com isso visto que isso é o que eu tirei do longa metragem. A história é bem simples, como disse antes não passa de um estudo de personagem, realizado num cenário inusitado para mim: uma Guerra Civil no século XVII. E tudo parte daí, num mundo onde ciência, religião e magia vivem lado a lado, ainda mais quando temos a oportunidade de acompanhar um microcosmo desse mundo, onde tais características ficam ainda mais evidentes.
Apesar de não parecer muito claro no início, giramos em torno da figura de Whitehead, que deserta da batalha através de uma cerca viva com mais 3 companheiros, deixando uma trilha de indiferença (nas palavras do filme) para trás. Eles escapam como se fossem 4 estudantes matando aula para ir aproveitar a vida num lugar melhor, nesse caso a cervejaria. E quanto mais eles adentram o campo, as coisas ficam mais esquisitas, e é nesse lugar que começamos a aprender sobre as peculiaridades de cada um dos personagens.
Cutler que é o personagem que parecer ter unido esse improvável grupo logo mostra-se um sujeito com segundas intenções ao fazer os outros 3 puxarem uma corda, no primeiro momento explícito que o filme abraça a estranheza. Acho que dá para vermos de dois jeitos a sequência que nos apresenta o novo personagem, ele é um mago/alquimista sendo puxado de outro mundo/dimensão para onde o grupo inicialmente estava, ou então (a minha alternativa preferida), as forças envolvidas ali eram muito mais fortes que os homens, por isso eles que foram puxados para tal dimensão estranha em que o alquimista se encontrava.
Nessa nova situação o filme apresenta seu novo plot, naquele campo há um tesouro e o mago sabe que Whitehead tem os poderes necessários para encontrá-lo, O'Neil é representado pela ganância e enganação sendo referenciado de vez em quando como Diabo. Acho uma leitura plausível apesar de não concordar inteiramente, assim como a de que eles foram parar num purgatório, onde as pessoas não morrem e agem de modo esquisito. O outro pulo de fé que o filme te obriga nesse ponto é a de que Whitehead tem capacidades que vão além dessa nossa compreensão, representados por aquelas cenas em que ele vê um corpo negro no céu, que eu não faço ideia do que seja, mas algo me diz que a tal da astrologia deles não é nada como a baboseira que temos aqui.
Daí temos a primeira grande cena do filme ao meu ver, toda cena da cabana até o fim da correria atrás do tesouro é impressionante e antecipa a natureza psicodélica da segunda grande cena. Depois disso a história se desenrola um pouco diferente mas linear de uma certa maneira, o tesouro era uma mentira e as pessoas envolvidas na caça estão hostis. Você já deve ter antecipado a minha segunda cena favorita, a viagem de cogumelos é bem imersiva e um tanto assustadora. Temos o duelo final e os três personagens do lado de Whitehead saem mudados, o cara que traia a mulher e denunciou a posição de seus até então amigos se sacrifica no fim, o outro que só ligava para o próprio pescoço aprende a gostar de outras pessoas, e finalmente Whitehead, que era covarde mas conseguiu dar um fim em O'Neil.
Fiquei um tanto impressionado com o final enigmático, o personagem simplesmente volta para o outro lado da cerca viva e todos os personagens estão lá junto da guerra apesar da mudança em Whitehead. Minha primeira reação foi a de que aquilo tudo tinha sido uma viagem de cogumelos indo para o lado errado por conta de traumas durante a guerra, talvez ele tenha apenas desmaiado do outro lado da cerca. Depois achei que aquelas folhas de papel e pedras eram apenas para demonstrar que aquilo era sobre a vida de um cara que escrevia histórias sobre ocultismo na época de guerra, como forma de escapismo, alimentado pela força alucinógena dos cogumelos. Finalmente cheguei a conclusão que tudo aquilo de fato aconteceu, o personagem voltou mudado daquela experiência. Agora, por que a história foi centrada nele, o que aqueles papéis e pedras realmente nos contam e porque parece que o universo mudava do outro lado da cerca viva são perguntas que ficaram comigo.
Eu recomendo dar uma lida na entrevista com o diretor no site do gizmodo.
Para mais insights em filmes fora do mainstream visite meu blog, talvez eu escreva uma crítica sobre isso em breve, link no meu perfil.
Voltem a ser uma série sobre mistérios e casos, não sobre as peculiaridades de cada personagem para agradar os fãs e continuar com um seriado que virou fanfic desde seu terceiro ano.
ps: e parem de ficar provocando aparições do moriarty, siga em frente desse buraco negro que estamos desde o 2x03.
Vá ver pela bela composição de imagem, pelas ideias malucas completamente rascunhadas através do meio fílmico e somente dele, pela explosão de cores, criatividade e cenas memoráveis. Não porque milhares de cinéfilos metidos a poetas comentam abaixo e acima de mim usando palavras que deixariam os poetas parnasianos orgulhosos, dizendo ter achado um sentido profundo, mudado a vida, chocado por tamanha sensibilidade e tentando parecer mais inteligente que você. É uma viagem tão boa como a de Enter the Void e você deve aproveitar como tal, além dos milhares de simbolismos bem construidos para deixar a audiência pensando e falhando na tentativa de desvendá-los. Meu único problema é com o ritmo do terceiro ato, mas acho que o bom final me fez esquecer, no mais ótima experiência suportada por uma fan base insuportável.
ps: dava para fazer um trecho extra do filme em que mostram vários jovens chorando e tendo espasmos para aquelas pinturas de bunda para fazer uma autocrítica bacaninha.
ps2: essa busca por esclarecimento que tantos disseram ter sentido vai até contra o fim do filme, que diz para abandonarmos a montanha sagrada, o filme, literalmente.
Personagens interessantes e bem construidos no roteiro, transplantados para a telona perfeitamente por meio de ótimos atores. Nunca vi um filme com tantas personalidades marcantes e conflituosas ao mesmo tempo, o que serve bastante para ambientar no clima de confusão que é a guerra, com seus milhares de personagens e mártires.
Ah, a guerra! Deve ser um dos temas mais explorados na história do cinema, o que a gente ainda não viu? Cenas de ação imersivas de Saving Private Ryan, mensagens anti-guerra feitas de modo diferente em The Thin Red Line, Apocalypse Now, Platoon e Casualties of War, mas esse aqui tem algo a mais.
Acredito que faça parte do senso comum de qualquer pessoa estudada do século XXI como e porque a guerra ocorre, todo mundo sabe das politicagens, o impacto econômico, criação de mártires e revoluções locais a fim de atingir os grandes interesses que são causas e até efeitos colaterais dos conflitos. Porém, creio nunca ter visto tal ideia tão bem colocada na grande telona, e qual jeito melhor de transmitir isso que por um épico de quase 4 horas?
Lawrence of Arabia faz justamente isso, traz a tona um assunto que já é de conhecimento geral de maneira magistral, o que acredito ser até mais difícil que tratar um tabu ou algo desconhecido pelo público. E isso é "só" para falar do enredo e atores, pois não quero ser prolixo aqui, enaltecendo a trilha sonora e fotografia que falam por si só e por meio das milhões de vozes que assistiram o longa.
Outra coisa que notei foi o cuidado com as transições, elas funcionam como a orquestra que ouvimos durante o filme, sincronizadas e ritmadas com a história, trazendo rimas visuais incríveis. Além de, me atrevo a dizer, uma atmosfera de Nova Hollywood. Por mais que seja um épico clássico Hollywoodiano, e que o movimento em questão tenha chegado aos ouvidos de todos com Bonnie e Clyde apenas 5 anos mais tarde. O último grande épico que lembro de ter visto foi o Ben-Hur de 59, e por mais que ambos tenham essa fotografia amarelo-ouro em comum, o jeito que eles tratam seus objetos narrativos é um tanto diferente.
Ben-Hur tem todos os méritos cinematográficos e técnicos que eu poderia esperar de tal produção, além de um ótimo roteiro, mas ainda consigo sentir algumas amarras que entoam "Estamos apenas adaptando algo, isso é um filme", que é algo não sentido tanto aqui. Lawrence é mais visceral, mais incisivo e brutal, com uma pegada bem mais autoral, da qual eu apenas ovaciono. E o fato dos criadores terem escolhido tomar liberdades em relação a história original para criar um argumento e passar uma mensagem só aumenta o prestígio do filme, não é só uma adaptação, mas sim uma ideia transmitida e apoiada nas bases de um acontecimento um tanto interessante, e por essas e outras que considero Lawrence of Arabia uma das melhores coisas produzidas pela sétima arte.
É uma longa entrevista sobre a carreira do De Palma, tipo vários trechos de DVD reunidos em que o criador comenta sobre o filme, é massa para ter uma ideia sobre como a geração da nova Hollywood foi se desmantelando aos poucos por socar ponta de faca que é o sistema de blockbusters. Mas só isso mesmo, e para quem é fã de uns filmes mais esquecidos do diretor é sempre legal ver os comentários dele.
Interessante o modo que Korine filma e traz o paralelo entre o que a juventude de hoje vê como uma viagem espiritual (quão raso, ferrado é) e que aquela realidade existe na vida inteira para personagens do James Franco e Gucci Mane. Estes nascem e morrem nela, aqueles experienciam festas loucas que não trazem consequências e ideais de "thug life" por uns dias, para depois voltarem para suas vidinhas suburbanas e calmas.
Podia ter sido melhor, com menos piadas (quiçá nenhuma) e mais psicodelia, no mais, o melhor da Marvel desde Iron Man. Boas atuações, uma rara boa história de origem e certeiro na maioria dos quesitos técnicos, infelizmente a trilha sonora novamente ficou de lado apesar do Michael Giacchino no comando.
Acredito piamente que as cenas de luta vão ficar para história dos efeitos especiais, vale o ingresso só por causa delas.
Netflix me enganou por dois episódios que eles tinham americanizado uma boa série britânica e consequentemente estragando seu legado, ledo engano. Aquele primeiro episódio com a crítica facinha e superficial sobre redes socias foi de doer, principalmente porque deve ser o episódio com maior número de compartilhamentos nas próprias que o epi crítica, devido ao seu caráter de "metáforas literais" que é bem popular e fácil de fazer memes sobre. O segundo também foi igualmente desesperador, uma ideia bacana (da tecnologia não da história) muito mal escrita, arrastada, chata, com um final super clichê para quem viu mais de um filme que brinca com o conceito de realidade, sem dúvida o pior momento do show até aqui (bem pior que o do waldo).
As coisas começaram a melhorar no terceiro episódio, alcançando o ápice de qualidade na história da série no quarto (leia-se ápice como qualidade de white christmas), e felizmente ultrapassando-o no sexto episódio. Não vou nem falar que é digno de cinema porque ultimamente os papeis estão invertendo, mas aí está a crítica real as redes sociais que o "Black Mirror de raiz" iria trazer aos telespectadores. Parece que a Netflix brincou no primeiro episódio "olha o que qualquer outra emissora iria fazer com sua série" para no fim mandar um "olha o que eu fiz com sua série".
Mais atual que NUNCA, Black Mirror surpreende de novo.
The Americans (5ª Temporada)
4.1 41Mais fraca das cinco, tá aí um uso ruim do conceito de slow burn que a série aperfeiçoou nos outros quatro anos, gostei demais dos primeiros quatro episódios, devagarinho na medida certa e construindo a tensão aos poucos, foi no quinto em que dois personagens principais se encontram e no episódio seguinte onde um desses personagens se despede que eu percebi o problema que ia assolar o resto da temporada, o movimento lento não estava construindo nada.
Festival de laços sem nós, literalmente nada se entrelaçou, alguns plots vieram e foram finalizados nessa temporada, como o do Pasha e dos grãos, mas nenhum se mostrou tão interessante a ponto de carregar a temporada. De resto foi plot atrás de plot que era ligeiro e talvez trouxesse alguma coisa, e nunca mais dava as caras, voltando ou não no último ano é um erro gigantesco fazer isso na TV, porque se voltar não vai ficar coeso, se não voltar só vai me fazer desgostar do quinto ano mais ainda.
Foi uma temporada de reafirmação do que vimos na anterior e de transição para o último ano da série, agora, era mesmo necessário? Foi o melhor que os roteiristas conseguiram pensar para aproveitar os últimos dois anos? Renovava por uma temporada só se as ideias estavam tão escassas. Entendo a decisão de seguir uma linha mais voltada para a família que a espionagem, o meu problema é quando as histórias ficam se postergando infinitamente, sendo que nós já vimos as mesmas no ano passado, fica ai meu desapontamento com o excesso de Paige (mais no início), que era um dos raros casos onde uma série conseguia tornar um núcleo envolvendo os filhos dos personagens principais interessante.
Acho que a única parte em que houve um avanço demorado foi a trama do Henry, que acabou parecendo uma desculpa para não mostrar o ator no último ano e evitar críticas de que o roteiro esquece de sua existência. De resto, Stan está infeliz no trabalho e vai continuar, Phillip está infeliz no trabalho e vai continuar, Elizabeth está infeliz no trabalho e vai continuar, Paige (sabe lutar) está infeliz com a vida e vai continuar, Martha encontrou a vocação de mãe em 2 minutos no último episódio depois de passar outros 6 minutos em um outro episódio insatisfeita (esse foi o desenvolvimento em 13 episódios), Gabriel vazou para ficar perambulando pela Rússia, o filho do Phillip foi o maior desperdício de história que eu já presenciei na TV, a namorada do Stan depois de 13 episódios continua em cima do muro, a história do Oleg dá círculos e sofre do mesmo problema da Nina no ano passado, ele simplesmente está longe demais do centro da história, acompanhar um bom personagem se tornou chato.
No mais, atuações continuam incríveis, a temporada conseguiu algumas cenas memoráveis envolvendo o casal principal, a edição foi horrenda no geral (algo que eu havia notado na quarta temporada), chegando no ápice de falta de qualidade no penúltimo episódio (ou antepenúltimo, posso estar me confundido) onde tinham cenas em múltiplos núcleos cada uma com duração de 3 minutos e cortadas, depois de 5 segundos de silêncio e encaradas, por telas negras anticlimáticas (aquilo não é transição para comercial), literalmente isso acontecendo por 50 minutos, assim de fato não dá para desenvolver nada. Mas independente desses problemas, ainda continuo amando acompanhar P&E, mesmo quando não acontece nada demais.
The Leftovers (3ª Temporada)
4.5 442 Assista AgoraEu odeio quando as pessoas avaliam os shows antes deles acabarem, mas dessa vez vou abrir uma exceção e ser um dos odiados. Pode acabar com um episódio de 1 hora onde o Lindelof explica o finale de lost que ainda irá merecer as cinco estrelas e o favorito.
Grave
3.4 1,1KFui sabendo pouco sobre (quase nada) e sai bem mais chocado do que esperava, eu tenho um fraco para esses filmes de gênero meio esquisitos que não aceitam rédeas para contar histórias (tipo The Neon Demon), daí relevei alguns pontos fracos: o ritmo é um tanto estranho, acelerando e desacelerando o plot sem muita coesão, e tem muita cena feita exclusivamente para chocar, reafirmando o status quo de revirar os olhos que diz "olha, você está vendo um filme um pouco mais esquisitinho e edgy do que os outros".
No mais, o longa é corajoso sim, não vai a ponto do exagero de filmes B, mas não é sucinto demais como eu estava esperando. Me diverti bastante durante sua curta duração e estarei esperando por outro trabalho dessa diretora, tomara que se mostre versátil em projetos futuros. Achei o estilo dela de roteiro bem parecido com o do Lanthimos e de direção com o Cronenberg, uma bela mistura!
edit: trilha sonora fabulosa, parece ter sugado um pouco de Laranja Mecânica.
Ansiedade
3.4 13Por favor não tome isso como qualquer coisa a mais que apenas minha opinião (de quem nunca fez um curta que nem ti apesar de planejar), e pro lado pessoal. Gostei do tema escolhido e da ideia visual que você tentou abordar, e a atriz tá longe de ser ruim (característica da maioria dos curtas menores). Minha primeira reclamação é em relação ao tom do curta e do jeito você usou a câmera, eu optaria por algo bem mais incisivo e desconfortável, põe a câmera na cara da personagem (tipo no pôster do brasileiro O Invasor), usa planos mais fechados (tem alguns bem bons durante, mas são minorias), mexe a câmera para lá e para cá na hora de cortar (primeira cena), desfoque de vez enquanto, estoure o som às vezes, deixe intenso e memorável. Torne gráfico! Tenta fazer vômito (ou então não mostra o vaso vazio de cima), lágrimas, catarro, sangue em partes pequenas (na beirada das unhas de tanto morder), foque na compulsão e na sujeira da caricatura de um sujeito ansioso.
Não gostei muito do final também, novamente optaria por algo mais pessimista e desconfortável, mas daí eu to tentando interferir demais na sua visão. De todas essas coisas o que eu menos gostei foi a música, dava para melhorar bastante aí, foi onde mais senti falta da intensidade, mexe no volume, usa música noise e samples de várias coisas do dia a dia (Freesound), na primeira cena dava para ter pego algo mais onírico talvez, um jazz meio Lynch, mas novamente, mexa no volume, crie uma ascensão na cena com suporte do som.
Não desanime, do que valem apenas críticas positivas? Minha visão é mais ou menos o clipe dessa música: https://www.youtube.com/watch?v=y2cQvZPX3OY
The Walking Dead (7ª Temporada)
3.6 916 Assista AgoraPrimeira metade da sétima temporada tava bem boa salvo alguns momentos, mas essa segunda metade cagou tudo em literalmente todos episódios, um pior que o outro e hoje a noite irá acontecer alguma coisa interessante para manter nossa curiosidade até a 8ª temporada. Comigo não, estou saindo desse trem assim que o próximo episódio acabar, vamos ver quanto tempo vou durar com os quadrinhos.
O Terceiro Homem
4.2 189 Assista AgoraEngraçado como essa obra quebrou minha mania de apenas dar 5 para filmes que falassem comigo num nível pessoal, apenas diferindo nisso pros que eu acabo dando 4,5. Acontece que esse longa noir, mesmo sem ter ressoado profundamente com minhas visões de mundo, acabou sendo um dos poucos filmes perfeitos que eu já vi, por isso ficou impossível não dar 5 e favoritar.
Sob o Domínio do Medo
3.8 284Não achei crível, e numa história em que a motivação dos personagens é o que move a trama esse problema se acentua. São as coisas pequenas que acontecem durante o longa que me tiraram totalmente de qualquer imersão que o diretor tentou nos colocar para discutir boas maneiras, masculinidade e Hobbes ("o homem é o lobo do homem").
E acredito que tal problema esteja no roteiro, talvez prejudicado ainda mais pelo tempo que passou. Não dá para simpatizar com o David e a personagem da Amy é pura e simplesmente mal escrita, o meu ponto é de que não tem nada para eu me segurar e escalar o pensamento, a trama inicial é sem graça pelos motivos anteriores. Chegou no nível de que até a cena final me pareceu tosca, resultante de uma série de coincidências idiotas e pior de tudo, me lembrou de O Quarto do Pânico.
Nada a Declarar
4.4 38É tipo Clube da Luta, os fãs adoram pelos motivos errados. A ironia tá lá para ser interpretada, mas se não olhar para ela continua bom.
Silêncio
3.8 594 Assista AgoraEsse velho é maravilhoso, que filme pesado e agoniante! Sem dúvidas um dos melhores roteiros (quiçá melhor) que o Scorsese dirigiu e escreveu, além de ser corajoso. Não vejo um diretor desse naipe fazendo não só um filme sobre suas histórias de paixão mas também tratando o catolicismo fora do papel vilanesco em pleno século XXI, um dos clichês do nosso tempo (lembrando que Spotlight ganhou o Oscar do ano passado).
Não tem nada mais pesado que uma pessoa ser despida de seu eu mais interior, ainda mais quando ele é revestido de uma carga de fé tão grande, o padre Rodriguez não é só uma pessoa indiferente a vida sendo forçado a ter uma opinião, é muito pior que isso, para mim o pior dos crimes possíveis. A mensagem é datada e meio piegas do modo que é retratada no fim? Talvez, acredito depender inteiramente do seu grau de apego com esse longa, comigo a história transcendeu a simbologia cristã.
Um tanto de gente saiu elogiando as partes do filme apesar de não irem de cara com o tema, para mim é exatamente o contrário, o argumento que vimos deixa a obra inteira, e foi o que mais me abalou e levantou questões. O resto é maravilhoso também, mas não é por conta das boas atuações ou fotografia que acredito terem atrasado esse projeto em anos, não fujam do cerne da questão! O argumento necessita ser olhado e pensado independente dos seus gostos individuais.
Se você chegou até aqui e não viu o filme ainda, se entregue de cabeça sem medo, independente de suas crenças. É triste ter que afirmar isso para minha opinião valer para algum de vocês (vou abrir uma exceção para essa obra prima), mas a pessoa que escreve essa review não poderia estar mais longe do cristianismo e da fé em Deus, só que desgostar desse filme por causa disso é simplesmente um pecado cinematográfico.
Moonlight: Sob a Luz do Luar
4.1 2,4K Assista AgoraEntendi pelos comentários que boa parte do filme vem da atmosfera criada pelas atuações e fotografia, mas não consegui sentir nenhuma das duas como sendo espetacular. Transições entre épocas acompanhadas da troca de atores me tiraram bastante de sentir qualquer empatia com os dilemas do principal, e da situação com sua mãe, que ao meu ver são os pontos chave do roteiro. Foi tudo rápido demais, o longa iria ganhar muito com umas 3 horas de duração, pelo menos.
Assisti Barry Lyndon novamente ontem e independente da sua vontade, dá para ver que o Kubrick não liga se você está achando lento demais, é um filme que queima bem devagar, mas que no fim você sente por aqueles personagens como seus entes. Acredito que isso tenha faltado para eu não "renegar" a obra prima que tantos estão dizendo ter visto (não duvido), por conta dos razões primárias acima. Longe de ser um filme ruim (totalmente fora de questão), mas é um daqueles casos que o hype atrapalha mais que ajuda.
O Abrigo
3.6 719 Assista AgoraAssim que o filme acerta umas engrenagens o resulto é fantástico.
Quando você entende que a catástrofe é a chegada da esquizofrenia no personagem do Michael Shannon o longa ganha uma outra cara. Temos um final otimista mas não feliz, a tsunami de problemas está chegando na família, mas agora eles se entendem e estão juntos, vide a acenada de cabeça.
Além de todas suas alucinações decorrentes da doença na verdade estarem denunciando a chegada dela, de uma forma indireta através de símbolos de tempestades e fim de mundo, simbologia mais sólida que concreto, muito bem construída.
Não acho errado quem quer acreditar que aquilo no final de fato aconteceu, cada um com sua visão, todo mundo tem direito de piorar um ótimo filme. Que assim terminaria com uma mensagem "Poxa, que pena! Não é que malucos profetas de fim do mundo (que alucinam constantemente) estão certos de vez em quando, é tudo uma questão de tempo, melhor sorte em outra vida Michael Shannon!".
Manchester à Beira-Mar
3.8 1,4K Assista AgoraSensível, intimista, história que voa baixo mas tem um impacto enorme, não se fazem mais dramas nesse naipe. Filme concreto em todas outras características cinematográficas e as pitadas de humor são fabulosas.
A Field in England
3.2 30De fato, você irá ficar decepcionado se for querendo explicações diretas, resquícios de teorias que expliquem o que aconteceu, uma narrativa simples ou diálogos expositivos. A Field in England é um experimento magnífico de um "neo acid western", me fazendo pensar numa união de The Seventh Seal com El Topo.
Adorei o setup de Guerra Civil no século 17 para fazer um estudo de personagem, e não falar da guerra de um jeito épico e megalomaníaco. Fechamos com 5 personagens ao longo de uma estranha uma hora e meia falando de tesouro, diabo, cogumelos, psicodelia e morte. É verdade, você tem que estar no clima para aproveitar bem tal obra, mas dá para gostar apenas da história sem ficar chovendo no molhado em relação as grandiosas fotografia e trilha sonora, e eu vou te mostrar isso hoje porque estou com bastante tempo. Sem frescuras que muitos podem me acusar, até porque é bem fácil eu vir falar que o filme é para ser sentido e não entendido, ou que só gosta quem vai no clima e até quem assiste sobre o efeito de cogumelos.
É verdade que isso aqui não é a explicação do filme apesar de que alguns podem interpretar de tal jeito, bom, não vou me preocupar com isso visto que isso é o que eu tirei do longa metragem. A história é bem simples, como disse antes não passa de um estudo de personagem, realizado num cenário inusitado para mim: uma Guerra Civil no século XVII. E tudo parte daí, num mundo onde ciência, religião e magia vivem lado a lado, ainda mais quando temos a oportunidade de acompanhar um microcosmo desse mundo, onde tais características ficam ainda mais evidentes.
Apesar de não parecer muito claro no início, giramos em torno da figura de Whitehead, que deserta da batalha através de uma cerca viva com mais 3 companheiros, deixando uma trilha de indiferença (nas palavras do filme) para trás. Eles escapam como se fossem 4 estudantes matando aula para ir aproveitar a vida num lugar melhor, nesse caso a cervejaria. E quanto mais eles adentram o campo, as coisas ficam mais esquisitas, e é nesse lugar que começamos a aprender sobre as peculiaridades de cada um dos personagens.
Cutler que é o personagem que parecer ter unido esse improvável grupo logo mostra-se um sujeito com segundas intenções ao fazer os outros 3 puxarem uma corda, no primeiro momento explícito que o filme abraça a estranheza. Acho que dá para vermos de dois jeitos a sequência que nos apresenta o novo personagem, ele é um mago/alquimista sendo puxado de outro mundo/dimensão para onde o grupo inicialmente estava, ou então (a minha alternativa preferida), as forças envolvidas ali eram muito mais fortes que os homens, por isso eles que foram puxados para tal dimensão estranha em que o alquimista se encontrava.
Nessa nova situação o filme apresenta seu novo plot, naquele campo há um tesouro e o mago sabe que Whitehead tem os poderes necessários para encontrá-lo, O'Neil é representado pela ganância e enganação sendo referenciado de vez em quando como Diabo. Acho uma leitura plausível apesar de não concordar inteiramente, assim como a de que eles foram parar num purgatório, onde as pessoas não morrem e agem de modo esquisito. O outro pulo de fé que o filme te obriga nesse ponto é a de que Whitehead tem capacidades que vão além dessa nossa compreensão, representados por aquelas cenas em que ele vê um corpo negro no céu, que eu não faço ideia do que seja, mas algo me diz que a tal da astrologia deles não é nada como a baboseira que temos aqui.
Daí temos a primeira grande cena do filme ao meu ver, toda cena da cabana até o fim da correria atrás do tesouro é impressionante e antecipa a natureza psicodélica da segunda grande cena. Depois disso a história se desenrola um pouco diferente mas linear de uma certa maneira, o tesouro era uma mentira e as pessoas envolvidas na caça estão hostis. Você já deve ter antecipado a minha segunda cena favorita, a viagem de cogumelos é bem imersiva e um tanto assustadora. Temos o duelo final e os três personagens do lado de Whitehead saem mudados, o cara que traia a mulher e denunciou a posição de seus até então amigos se sacrifica no fim, o outro que só ligava para o próprio pescoço aprende a gostar de outras pessoas, e finalmente Whitehead, que era covarde mas conseguiu dar um fim em O'Neil.
Fiquei um tanto impressionado com o final enigmático, o personagem simplesmente volta para o outro lado da cerca viva e todos os personagens estão lá junto da guerra apesar da mudança em Whitehead. Minha primeira reação foi a de que aquilo tudo tinha sido uma viagem de cogumelos indo para o lado errado por conta de traumas durante a guerra, talvez ele tenha apenas desmaiado do outro lado da cerca. Depois achei que aquelas folhas de papel e pedras eram apenas para demonstrar que aquilo era sobre a vida de um cara que escrevia histórias sobre ocultismo na época de guerra, como forma de escapismo, alimentado pela força alucinógena dos cogumelos. Finalmente cheguei a conclusão que tudo aquilo de fato aconteceu, o personagem voltou mudado daquela experiência. Agora, por que a história foi centrada nele, o que aqueles papéis e pedras realmente nos contam e porque parece que o universo mudava do outro lado da cerca viva são perguntas que ficaram comigo.
Eu recomendo dar uma lida na entrevista com o diretor no site do gizmodo.
Para mais insights em filmes fora do mainstream visite meu blog, talvez eu escreva uma crítica sobre isso em breve, link no meu perfil.
Sherlock (4ª Temporada)
4.2 329 Assista AgoraVoltem a ser uma série sobre mistérios e casos, não sobre as peculiaridades de cada personagem para agradar os fãs e continuar com um seriado que virou fanfic desde seu terceiro ano.
ps: e parem de ficar provocando aparições do moriarty, siga em frente desse buraco negro que estamos desde o 2x03.
A Montanha Sagrada
4.3 481 Assista AgoraVá ver pela bela composição de imagem, pelas ideias malucas completamente rascunhadas através do meio fílmico e somente dele, pela explosão de cores, criatividade e cenas memoráveis. Não porque milhares de cinéfilos metidos a poetas comentam abaixo e acima de mim usando palavras que deixariam os poetas parnasianos orgulhosos, dizendo ter achado um sentido profundo, mudado a vida, chocado por tamanha sensibilidade e tentando parecer mais inteligente que você. É uma viagem tão boa como a de Enter the Void e você deve aproveitar como tal, além dos milhares de simbolismos bem construidos para deixar a audiência pensando e falhando na tentativa de desvendá-los. Meu único problema é com o ritmo do terceiro ato, mas acho que o bom final me fez esquecer, no mais ótima experiência suportada por uma fan base insuportável.
ps: dava para fazer um trecho extra do filme em que mostram vários jovens chorando e tendo espasmos para aquelas pinturas de bunda para fazer uma autocrítica bacaninha.
ps2: essa busca por esclarecimento que tantos disseram ter sentido vai até contra o fim do filme, que diz para abandonarmos a montanha sagrada, o filme, literalmente.
O Nascimento de Uma Nação
3.6 148assunto clichê abordado de maneira clichê, apesar de não ser ruim.
ps: diálogo muito mal trabalhado
Lawrence da Arábia
4.2 444 Assista AgoraPersonagens interessantes e bem construidos no roteiro, transplantados para a telona perfeitamente por meio de ótimos atores. Nunca vi um filme com tantas personalidades marcantes e conflituosas ao mesmo tempo, o que serve bastante para ambientar no clima de confusão que é a guerra, com seus milhares de personagens e mártires.
Ah, a guerra! Deve ser um dos temas mais explorados na história do cinema, o que a gente ainda não viu? Cenas de ação imersivas de Saving Private Ryan, mensagens anti-guerra feitas de modo diferente em The Thin Red Line, Apocalypse Now, Platoon e Casualties of War, mas esse aqui tem algo a mais.
Acredito que faça parte do senso comum de qualquer pessoa estudada do século XXI como e porque a guerra ocorre, todo mundo sabe das politicagens, o impacto econômico, criação de mártires e revoluções locais a fim de atingir os grandes interesses que são causas e até efeitos colaterais dos conflitos. Porém, creio nunca ter visto tal ideia tão bem colocada na grande telona, e qual jeito melhor de transmitir isso que por um épico de quase 4 horas?
Lawrence of Arabia faz justamente isso, traz a tona um assunto que já é de conhecimento geral de maneira magistral, o que acredito ser até mais difícil que tratar um tabu ou algo desconhecido pelo público. E isso é "só" para falar do enredo e atores, pois não quero ser prolixo aqui, enaltecendo a trilha sonora e fotografia que falam por si só e por meio das milhões de vozes que assistiram o longa.
Outra coisa que notei foi o cuidado com as transições, elas funcionam como a orquestra que ouvimos durante o filme, sincronizadas e ritmadas com a história, trazendo rimas visuais incríveis. Além de, me atrevo a dizer, uma atmosfera de Nova Hollywood. Por mais que seja um épico clássico Hollywoodiano, e que o movimento em questão tenha chegado aos ouvidos de todos com Bonnie e Clyde apenas 5 anos mais tarde. O último grande épico que lembro de ter visto foi o Ben-Hur de 59, e por mais que ambos tenham essa fotografia amarelo-ouro em comum, o jeito que eles tratam seus objetos narrativos é um tanto diferente.
Ben-Hur tem todos os méritos cinematográficos e técnicos que eu poderia esperar de tal produção, além de um ótimo roteiro, mas ainda consigo sentir algumas amarras que entoam "Estamos apenas adaptando algo, isso é um filme", que é algo não sentido tanto aqui. Lawrence é mais visceral, mais incisivo e brutal, com uma pegada bem mais autoral, da qual eu apenas ovaciono. E o fato dos criadores terem escolhido tomar liberdades em relação a história original para criar um argumento e passar uma mensagem só aumenta o prestígio do filme, não é só uma adaptação, mas sim uma ideia transmitida e apoiada nas bases de um acontecimento um tanto interessante, e por essas e outras que considero Lawrence of Arabia uma das melhores coisas produzidas pela sétima arte.
De Palma
3.7 28 Assista AgoraÉ uma longa entrevista sobre a carreira do De Palma, tipo vários trechos de DVD reunidos em que o criador comenta sobre o filme, é massa para ter uma ideia sobre como a geração da nova Hollywood foi se desmantelando aos poucos por socar ponta de faca que é o sistema de blockbusters. Mas só isso mesmo, e para quem é fã de uns filmes mais esquecidos do diretor é sempre legal ver os comentários dele.
Duna de Jodorowsky
4.5 147eu vivi para ver isso, ótima mensagem, ótima história, ótimas pessoas, ótimo modo de passar isso para audiência.
Festa da Salsicha
2.9 846 Assista AgoraProfundo como um adolescente de 13 anos, engraçado em momentos, principalmente no final, não estava preparado para metalinguagem.
Spring Breakers: Garotas Perigosas
2.4 2,0K Assista AgoraInteressante o modo que Korine filma e traz o paralelo entre o que a juventude de hoje vê como uma viagem espiritual (quão raso, ferrado é) e que aquela realidade existe na vida inteira para personagens do James Franco e Gucci Mane. Estes nascem e morrem nela, aqueles experienciam festas loucas que não trazem consequências e ideais de "thug life" por uns dias, para depois voltarem para suas vidinhas suburbanas e calmas.
Doutor Estranho
4.0 2,2K Assista AgoraPodia ter sido melhor, com menos piadas (quiçá nenhuma) e mais psicodelia, no mais, o melhor da Marvel desde Iron Man. Boas atuações, uma rara boa história de origem e certeiro na maioria dos quesitos técnicos, infelizmente a trilha sonora novamente ficou de lado apesar do Michael Giacchino no comando.
Acredito piamente que as cenas de luta vão ficar para história dos efeitos especiais, vale o ingresso só por causa delas.
Black Mirror (3ª Temporada)
4.5 1,3K Assista AgoraNetflix me enganou por dois episódios que eles tinham americanizado uma boa série britânica e consequentemente estragando seu legado, ledo engano. Aquele primeiro episódio com a crítica facinha e superficial sobre redes socias foi de doer, principalmente porque deve ser o episódio com maior número de compartilhamentos nas próprias que o epi crítica, devido ao seu caráter de "metáforas literais" que é bem popular e fácil de fazer memes sobre. O segundo também foi igualmente desesperador, uma ideia bacana (da tecnologia não da história) muito mal escrita, arrastada, chata, com um final super clichê para quem viu mais de um filme que brinca com o conceito de realidade, sem dúvida o pior momento do show até aqui (bem pior que o do waldo).
As coisas começaram a melhorar no terceiro episódio, alcançando o ápice de qualidade na história da série no quarto (leia-se ápice como qualidade de white christmas), e felizmente ultrapassando-o no sexto episódio. Não vou nem falar que é digno de cinema porque ultimamente os papeis estão invertendo, mas aí está a crítica real as redes sociais que o "Black Mirror de raiz" iria trazer aos telespectadores. Parece que a Netflix brincou no primeiro episódio "olha o que qualquer outra emissora iria fazer com sua série" para no fim mandar um "olha o que eu fiz com sua série".
Mais atual que NUNCA, Black Mirror surpreende de novo.
Um Cadáver para Sobreviver
3.5 926Empolgante, divertido, original e bonito.