O caráter político da narrativa, ao trazer como pano de fundo a situação dos direitos humanos e dos presos políticos no Irã, sustenta o filme; a relevância reside nesse fato.
Desde o ponto de vista da experiência cinematográfica, da experiência de quem assiste, há a sensação de que se sabe a intenção do diretor e que o resultado das cenas poderia ser melhor. As cenas que poderiam ser instigantes são mornas; aquelas que deveriam ser incômodas ficam muito mais na intenção que nos efeitos reais.
Permanece, é claro, o argumento principal, o mote do filme: que tanto os torturadores (o braço armado do regime) quanto os rebeldes (os presos políticos) são vítimas de um sistema político que destroi a todos, mesmo que nas diferentes posições.
Penso que Jafar Panahi poderia ter feito cenas muito mais bem cuidadas, que estivessem à altura da questão que ele aborda.
O desfecho parecia um tanto óbvio, e as cenas finais foram pouquíssimo criativas. Isso não retira o peso político da obra, apenas reflete os limites que a abordagem de tais questões têm para aqueles que estão imersos nelas.
A passagem para o sobrenatural é um grande empobrecimento, o roteiro sofre com a simplificação e pobreza de sustentação, o fantástico parece um certo passe de mágica. A experiência não é um erro total pois a direção de arte, os enquadramentos e os cuidados estéticos arrefecem a sensação de perda total. O cuidado estético com cada cena, ainda salva o filme
Quer fazer passar ações e situações absolutamente improváveis, na maior parte dos casos impossíveis...
Mostra aquela gratuidade rasa de filmes que acham que histórias se constroem assim... Sem sustentação nenhuma, verossimilhança zero.
Talvez as cenas finais que colocam em questão o espírito e os limites da vingança, um momento curtíssimo e an passant no filme, estrelado por Michael Stuhlbarg... Seja o mínimo aproveitável
A masculinidade tem a ver com uma crueza agreste. A afetividade masculina tem lugar, ideal, na vivência com uma mulher. Quando longe do encontro com o feminino, onde existe, onde se expressa a afetividade masculina?
A busca por companhia de uma mulher pode levar um homem a viver completamente imerso em parceira e em conflito com outros homens?
Ter uma mulher, ou colocar-se na posição de reconquistá-la, de enfrentar os inimigos, os obstáculos e os impendimentos de tê-la junto a si, pode levar os homens a viver em torno de homens, fazendo "coisas de homem" ? Qual papel do vínculo afetivo e amoroso da masculinidade no encontro com o feminino?
Oeste Outra Vez parece nos fornecer algumas sugestões: O laço com a mulher é sem dúvida um vínculo afetivo, mas sobretudo, um lugar moral ligado ao papel e a honra masculina. Um encaixe e um enquadramento social, funcional... A afetividade masculina ganha lugar na sociabilidade masculina. Em tons profundamente agrestes, a sociabilidade masculina é quase sempre alcoolica, agressiva, tosca, permeada por disputas, por distâncias... Longe do seu lugar de direito a afetividade masculina percorre um trajeto árido. Ferido pela separação e sem espaço para acolhimento e afeto, lugares do encontro com o feminino, o homem parece um ser errante, alijado de seu funcionamento social. Envolto pelo abandono, frágil e tosco, longe do completamento com o feminino, resta ao abandonado entregar-se a sociabilidade violenta, e talvez por isso, um tanto forte e categórica, que homens têm entre si. Talvez sempre haja uma linguagem não dita entre eles, um código que se ativa quando estão reunidos, fazendo "coisas de homem".
Pareceu que os esteriótipos e o tom caricato prejudicaram muito as atuações. A superficialidade é embalada pela ideia de que as vivências LGBTs são essencialmente espalhafatosas e superficiais. Poucas cenas são interessantes, eu destacaria o trecho final da viagem de ônibus e alguns momentos da competição
Eis que Woody Allen nos surpreende ao lançar mão, de um recurso de luz e cores que ambienta a atmosfera psicológica das personagens. A película alterna tons solares alaranjados e luminosos para os momentos de encantamento e paixão na costa de Coney Island, assim como, tons azuis e esmaecidos para as cenas de descontentamento e frustração. Assistimos no desenrolar da trama a essa constante alternância dos momentos de felicidade e decadência em cenas brilhantemente escritas. O texto, os enquandramentos a luz e as cores... compõem um verdadeiro deslumbre. De fato, um belíssimo filme, um tanto triste... Que na história de Ginny, nos mostra que o oscilar da vida como oscilar de uma roda gigante, pode ser um tanto lento e que estar por cima, pode ser um forte e idealizado desejo, que ocorre poucas vezes, de maneira fugaz... Terrível não? mas um tanto cru e real... RECOMENDADÍSSIMO...
Talvez esse seja o roteiro que aborda a Loucura de maneira mais relativista dentre os longas do gênero. A ideia de entregar uma reviravolta pouco depois do começo do filme me pareceu um acerto. Isso instaura uma certa tensão na atmosfera da trama. O texto me pareceu o ponto alto do filme, muito bem escrito especialmente para um tema tão estigmatizado. O fim do filme me pareceu em alguma medida previsível, ainda que não por completo de certa forma muito foi mostrado indiretamente, o que me apresentou ao mistério final. Imagino que elementos mais ambíguos e portanto menos propositivos, elevariam a experiência com o longa.
Este belíssimo filme é um tratado sobre a solidão. Na economia do filme assistimos a duas formas de solidão. Em uma forma clássica Judi Dench encarna a faceta densa e caraterística. Vive sozinha entregue a si-mesma como uma professora distante, severa e pouco acessível. A forma moderna é encarnada por Cate Blanchet uma mulher que tenta encontrar prazer e significado em uma vida na qual marido, família e filhos não são suficientes. É do encontro entre a solidão como constituinte (Dench) e a solidão como potência (Blanchet) que se desenrolam os memoráveis acontecimentos desta trama. As atuações de Cate e Judi são metáforas da trajetória trágica que pode ocorrer na busca em banir a sensação de sentir-se só. Recomendadíssimo!!!
O filme traduz de maneira metafórica o que algumas tradições chamam de "reencarnação". O roteiro teria ganhado muito se as gravações tivessem sido melhores exploradas. Elas poderiam ser base para o mistério do filme.No entanto, assistimos a uma "resolução" na qual as mortes seriam sucessivas e "atenderiam" a determinados objetivos, como que em um ciclos, no quais se busca cumprir uma missão. Tal sentido me pareceu essencialmente metafísico, para não dizer religioso. Essa linha de interpretação que vê a vida como um destino ético-metafísico é extremamente cansativa e óbvia. A vida como uma busca constante e ininterrupta por acertos e aprendizado, não seria um caminho em direção a evolução do espírito ou alma. Em uma existência concebida desta maneira estaríamos condenados a um pesadelo de repetições que pressuporiam a vida como essencialmente e suficientemente ético-metafísica. Não há um sentido prévio na vida. O Único sentido possível é aquele que encontramos na experiência real de estar vivo
Uau! Extremamente bem filmado, este longa consegue desenvolver muito bem o argumento. Nas primeiras cenas somos capturados pelo que se passa com Sybil, todas as cenas são construídas de maneira tão consistente que a trama flui de maneira a manter o expectador preso e atento ao que se passa. Extremamente bem filmado e concebido, este filme é um daqueles raros acertos do cinema baseado em histórias de vida. RECOMENDADÍSSIMO
Foi Apenas um Acidente
3.8 192 Assista AgoraO caráter político da narrativa, ao trazer como pano de fundo a situação dos direitos humanos e dos presos políticos no Irã, sustenta o filme; a relevância reside nesse fato.
Desde o ponto de vista da experiência cinematográfica, da experiência de quem assiste, há a sensação de que se sabe a intenção do diretor e que o resultado das cenas poderia ser melhor. As cenas que poderiam ser instigantes são mornas; aquelas que deveriam ser incômodas ficam muito mais na intenção que nos efeitos reais.
Permanece, é claro, o argumento principal, o mote do filme: que tanto os torturadores (o braço armado do regime) quanto os rebeldes (os presos políticos) são vítimas de um sistema político que destroi a todos, mesmo que nas diferentes posições.
Penso que Jafar Panahi poderia ter feito cenas muito mais bem cuidadas, que estivessem à altura da questão que ele aborda.
O desfecho parecia um tanto óbvio, e as cenas finais foram pouquíssimo criativas. Isso não retira o peso político da obra, apenas reflete os limites que a abordagem de tais questões têm para aqueles que estão imersos nelas.
O Aroma da Pitanga
1Deu até... Tremedeira nas pernas!
Eu nem acredito
O Morro dos Ventos Uivantes
2.9 184 Assista AgoraA beleza salvará o Mundo!!!
Divino Amor
3.3 244Quem nasce sem nome, cresce sem medo!
O Telefone Preto 2
3.0 272 Assista AgoraA passagem para o sobrenatural é um grande empobrecimento, o roteiro sofre com a simplificação e pobreza de sustentação, o fantástico parece um certo passe de mágica. A experiência não é um erro total pois a direção de arte, os enquadramentos e os cuidados estéticos arrefecem a sensação de perda total. O cuidado estético com cada cena, ainda salva o filme
Os Enforcados
3.7 71 Assista AgoraIrandhir Santos e Leandra leal é um encontro lendário...
Um filmaço!!!
Operação Vingança
3.2 96 Assista AgoraNão convence... A trama é demasiado forçada
Quer fazer passar ações e situações absolutamente improváveis, na maior parte dos casos impossíveis...
Mostra aquela gratuidade rasa de filmes que acham que histórias se constroem assim...
Sem sustentação nenhuma, verossimilhança zero.
Talvez as cenas finais que colocam em questão o espírito e os limites da vingança, um momento curtíssimo e an passant no filme, estrelado por Michael Stuhlbarg... Seja o mínimo aproveitável
Oeste Outra Vez
3.7 101 Assista AgoraA masculinidade tem a ver com uma crueza agreste.
A afetividade masculina tem lugar, ideal, na vivência com uma mulher.
Quando longe do encontro com o feminino, onde existe, onde se expressa a afetividade masculina?
A busca por companhia de uma mulher pode levar um homem a viver completamente imerso em parceira e em conflito com outros homens?
Ter uma mulher, ou colocar-se na posição de reconquistá-la, de enfrentar os inimigos, os obstáculos e os impendimentos de tê-la junto a si, pode levar os homens a viver em torno de homens, fazendo "coisas de homem" ?
Qual papel do vínculo afetivo e amoroso da masculinidade no encontro com o feminino?
Oeste Outra Vez parece nos fornecer algumas sugestões:
O laço com a mulher é sem dúvida um vínculo afetivo, mas sobretudo, um lugar moral ligado ao papel e a honra masculina. Um encaixe e um enquadramento social, funcional...
A afetividade masculina ganha lugar na sociabilidade masculina. Em tons profundamente agrestes, a sociabilidade masculina é quase sempre alcoolica, agressiva, tosca, permeada por disputas, por distâncias...
Longe do seu lugar de direito a afetividade masculina percorre um trajeto árido.
Ferido pela separação e sem espaço para acolhimento e afeto, lugares do encontro com o feminino, o homem parece um ser errante, alijado de seu funcionamento social.
Envolto pelo abandono, frágil e tosco, longe do completamento com o feminino, resta ao abandonado entregar-se a sociabilidade violenta, e talvez por isso, um tanto forte e categórica, que homens têm entre si.
Talvez sempre haja uma linguagem não dita entre eles, um código que se ativa quando estão reunidos, fazendo "coisas de homem".
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraEnquanto o filme retrata a história de personagens no contexto de segregação racial, segue muito bem!
A virada para o fantástico, no entanto, é pouquíssimo cuidadosa, me pareceu gratuita e sem cuidados.
Realmente muito difícil curtir o filme quando os elementos fantásticos surgem naquele clube de blues.
A construção das personagens é bem interessante e parece sucumbir à necessidade da chegada do fantástico aterrorizante.
O fantástico, aterrorizante ou não, só faz sentido dentro de um encadeamento de elementos de sustentação que lhe confiram verossimilhança.
O filme simplesmente se perde quando aqueles seres aparecem...
Os Camarões Brilhantes
3.4 18 Assista AgoraPareceu que os esteriótipos e o tom caricato prejudicaram muito as atuações.
A superficialidade é embalada pela ideia de que as vivências LGBTs são essencialmente espalhafatosas e superficiais.
Poucas cenas são interessantes, eu destacaria o trecho final da viagem de ônibus e alguns momentos da competição
A Meia-Irmã Feia
3.8 433 Assista AgoraÉ assim que se faz um conto de Fadas...
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraGrande Jesuíta! Bravo!!!
Você Não Estará Só
3.6 138 Assista AgoraBrilhante!!!
Um Contratempo
4.2 2,0KIsso é que é Mistério...
Dor e Glória
4.2 623 Assista AgoraMal posso esperar !!!
A Favorita
3.9 1,2K Assista AgoraUau! Lanthimos se renovando em grande estilo !!!
Canastra Suja
3.8 122Uau!!! Que filme!
Minha Prima Raquel
3.0 102Esse é um remake de: "Eu te matarei, querida" de 1952 ??????
Roda Gigante
3.3 310 Assista AgoraEis que Woody Allen nos surpreende ao lançar mão, de um recurso de luz e cores que ambienta a atmosfera psicológica das personagens.
A película alterna tons solares alaranjados e luminosos para os momentos de encantamento e paixão na costa de Coney Island, assim como, tons azuis e esmaecidos para as cenas de descontentamento e frustração.
Assistimos no desenrolar da trama a essa constante alternância dos momentos de felicidade e decadência em cenas brilhantemente escritas. O texto, os enquandramentos a luz e as cores... compõem um verdadeiro deslumbre.
De fato, um belíssimo filme, um tanto triste...
Que na história de Ginny, nos mostra que o oscilar da vida como oscilar de uma roda gigante, pode ser um tanto lento e que estar por cima, pode ser um forte e idealizado desejo, que ocorre poucas vezes, de maneira fugaz...
Terrível não? mas um tanto cru e real...
RECOMENDADÍSSIMO...
Laerte-se
4.0 184Brilhante!
Refúgio do Medo
3.6 380 Assista AgoraTalvez esse seja o roteiro que aborda a Loucura de maneira mais relativista dentre os longas do gênero.
A ideia de entregar uma reviravolta pouco depois do começo do filme me pareceu um acerto. Isso instaura uma certa tensão na atmosfera da trama.
O texto me pareceu o ponto alto do filme, muito bem escrito especialmente para um tema tão estigmatizado.
O fim do filme me pareceu em alguma medida previsível, ainda que não por completo de certa forma muito foi mostrado indiretamente, o que me apresentou ao mistério final. Imagino que elementos mais ambíguos e portanto menos propositivos, elevariam a experiência com o longa.
Notas Sobre um Escândalo
4.0 555 Assista AgoraEste belíssimo filme é um tratado sobre a solidão.
Na economia do filme assistimos a duas formas de solidão.
Em uma forma clássica Judi Dench encarna a faceta densa e caraterística. Vive sozinha entregue a si-mesma como uma professora distante, severa e pouco acessível.
A forma moderna é encarnada por Cate Blanchet uma mulher que tenta encontrar prazer e significado em uma vida na qual marido, família e filhos não são suficientes.
É do encontro entre a solidão como constituinte (Dench) e a solidão como potência (Blanchet) que se desenrolam os memoráveis acontecimentos desta trama.
As atuações de Cate e Judi são metáforas da trajetória trágica que pode ocorrer na busca em banir a sensação de sentir-se só.
Recomendadíssimo!!!
A Descoberta
3.3 398 Assista AgoraO filme traduz de maneira metafórica o que algumas tradições chamam de "reencarnação". O roteiro teria ganhado muito se as gravações tivessem sido melhores exploradas. Elas poderiam ser base para o mistério do filme.No entanto, assistimos a uma "resolução" na qual as mortes seriam sucessivas e "atenderiam" a determinados objetivos, como que em um ciclos, no quais se busca cumprir uma missão.
Tal sentido me pareceu essencialmente metafísico, para não dizer religioso.
Essa linha de interpretação que vê a vida como um destino ético-metafísico é extremamente cansativa e óbvia. A vida como uma busca constante e ininterrupta por acertos e aprendizado, não seria um caminho em direção a evolução do espírito ou alma. Em uma existência concebida desta maneira estaríamos condenados a um pesadelo de repetições que pressuporiam a vida como essencialmente e suficientemente ético-metafísica.
Não há um sentido prévio na vida. O Único sentido possível é aquele que encontramos na experiência real de estar vivo
Sybil
4.3 115Uau!
Extremamente bem filmado, este longa consegue desenvolver muito bem o argumento.
Nas primeiras cenas somos capturados pelo que se passa com Sybil, todas as cenas são construídas de maneira tão consistente que a trama flui de maneira a manter o expectador preso e atento ao que se passa. Extremamente bem filmado e concebido, este filme é um daqueles raros acertos do cinema baseado em histórias de vida.
RECOMENDADÍSSIMO