Odiado em sua época, Lynch permaneceu fiel até o fim no acreditava. Nunca fez questão de satisfazer o público, muito ao menos se render a ele.
Apesar deu ter gostado o filme perde um bom tempo de tela em uma narrativa vil. Parece um grande prólogo, para começar só depois de 30 minutos.
Nesse longa, Lynch está - bem - mais Lynch. Das diversas formas de se interpretar sobre o que é o trauma da Laura Palmer, eu não sou tão adepto do mal visto apenas como entidade literal. O que me faz "desgostar" dessa abordagem é que dilui as diversas formas de interpretar o BOB e o trauma da Laura Palmer.
Para mim, toda ficção serve para fazer alusões do nosso mundo real, em paralelo como ele é. O Bob como uma resposta ao trauma da Laura faz mais sentido para mim, quando isso surge como uma resposta aos seus abusos sofridos pelo próprio pai. Ela "desvincula" sua figura paterna como uma resposta a esse trauma. Tanto é que por mais que os atos sejam praticados pelo Leland, é o Bob que sempre leva a culpa. Ao seguirmos a narrativa pela Laura, o seu pai nunca é "vilão" ele também é uma vítima da entidade. Tudo para fugir da destino fatídico de ser abusada pelo próprio pai, ao criar seu próprio monstro externo.
E evidente que depois de todo esse processo de autodestruição da Laura que hipersexualiza seu estilo de vida e abuso de drogas, gera um terreno fértil para Bob "entrar" e a possuí-la (aqui já encarado como a própria depressão)
O mais genial e lindo desse final é que apesar da Laura morrer, ela vence, e vence nas diferentes versões. Seja o Bob um demônio, trauma ou depressão, Laura não cede a possessão, e não se torna o monstro que tanto a atormentou.
Para começar: sim, eu li o livro. A diferença primordial é que eu entendo que existem diversas formas de adaptar uma obra além da "literal" transposição para tela, como muito têm se cobrado aqui por parte do público. Essa requisição de fidelidade, pra mim é apenas birra de fã chato, afinal temos diversas e inúmeras versões do Morro dos Ventos Uivantes, de diferentes propostas, que vão de séries de televisão até adaptações de cinema japonesas. Além disso, o marketing forçado dos atores principais serviu como um publicidade "negativa" gerando o Hate-watching por parte do público.
Não estou nem aí para o marketing, ele não faz parte do filme. Malmente vejo trailers. E segundo: absolutamente nenhum filme tem o dever de me satisfazer, ser o que eu espero, ou principalmente: me fazer avaliá-lo pelo que ele poderia ser.
Se removermos esses principais fatores de hate ao marketing, adaptação fiel, e baboseiras e falatórios sobre a obra principal, removeremos a esmagadora maioria das críticas. E pasme: dos principais críticos com visibilidade e alcance no Brasil.
Após esse disclaimer com a incompetência dos profissionais, confesso que esperava bem mais inventividade do que realmente teve.
Isso porque o filme adota a postura de adaptação de releitura da obra, ou seja, manteremos a essência da obra original. E essa essência foi respeitada aqui? Ao meu ver? Sim. A história de amor de duas pessoas que nunca conseguiram ficar juntas.
E quanto as modificações da obra original? Fiquem à vontade de revisitar o livro, ele estará sempre lá inalterado. Gosto bastante, mas ele pouco interessa nesse momento.
O amor dos dois que no livro fica apenas em elipse, devido talvez limitações de censura ao seu tempo, aqui é explicitado em tela para todos sentirem visualmente essa transposição. E para mim, parece real.
Por outro lado, a dissonância musical criada pela diretora combina perfeitamente com a plasticidade dos figurinos e fotografia após o casamento da Cathy. E isso conversa perfeitamente com nossa geração ao mostrar essa felicidade artificial provocada pelo bens de consumo. Tudo ali parece extravagante, mas irremediavelmente falso. Falso como a vida da Cathy foi após sua escolha fatídica em deixar Heathcliff.
Em paralelo vemos como a escuridão toma conta do Morro dos Ventos Uivantes e como isso é contado pela imagem que contrasta os dois mundos de apenas 8 quilômetros de distância.
E após a irremediável perda do Heathcliff- essa distância parece ser infindável.
Trier adquiriu uma grande repercussão no ocidente, após o lançamento de "A Pior Pessoa do Mundo" de 2021, trazendo os grandes holofotes direcionados para seu futuro projeto.
E inclusive um dos meus filmes favoritos do seu ano de lançamento. Já Valor Sentimental, estreou em Cannes em em 2025. E só foi lançado no Brasil praticamente em 2026.
É notável que foram meses de espera para o público brasileiro ter acesso ao filme, ainda mais, com toda ansiedade e marketing da crítica que "ovacionava" o filme. Desde Youtubers até a publico de festivais.
Valor Sentimental é "meu tipo" de filme. Narrativa simples, drama interpessoais e conflitos existencialistas. Parecia um prato cheio. Tudo indicava esmero.
Talvez justifique o meu completo desprazer no gosto insosso que ficou em minha boca depois de consumi-lo.
O que me aparenta é simulacro Bergmaniano de baixa qualidade.
> Simpatizamos mais com seu pai do que com o drama de quem deveríamos sentir, porque mesmo com espaço que é dado a personagem principal não consegui conectar minimamente com a dor dela
>O pouco monólogo que me fez sentir 1/10 do que senti em "Sonata de Outono' nem foi da personagem principal e mal teve grande impacto na trama
>Após duas horas de filme a personagem de possui anos de dor com o pai ignora tudo porque ele quase morre (virou santo), e é suficiente pra ela fazer o filme
> a personagem da Elle Fanning é praticamente inútil, só está lá para passar o bastão para filha do diretor
>Não sentimos nem mesmo a dualidade que deveria existir entre ficar divido entre o carisma do pai e dor de sua filha
> Uma crise existencial fraquíssima, que parece um Bergman para crianças
Para mim, aqui , Josh Safdie se concretiza como cineasta do Frenesi. Verdadeiramente, consegue cativar você através da imagem em fluidez nesse estado de agitação/perturbação magnético que te leva junto rente ao fluxo.
É impossível não se sentir golpeado, depois de tudo que acontece. Desde Good Time, ele já se mostrou talentoso, mas aqui ele fixa seu nome como um dos melhores diretores da atualidade e conjuntamente com o Timothée Chalamet conseguem vender um filme com background sobre tenis de mesa, como um blockbuster que lota as salas de cinema.
Além da narrativa, uma das coisas que mais gostei, é a veracidade dos atos vs consequências do filme. Depois de tanto tempo em que fomos acostumados narrativa banal de esperar que "tudo se resolva" da forma mais banal e preguiçosa possível, aqui o Josh mostra como a vida real, não tem espaços para casualidades, muito menos pra improvisos pueris que são destroçados pela realidade.
Um dos respiros de hollywood em direção a coesão narrativa.
Depois de Avatar 2 minhas expectativas estavam baixíssimas, mas mesmo assim, James Cameron parece não aprender com os erros de Avatar 2 e sacrifica toda narrativa em detrimento da qualidade técnica de Avatar 3. Não parece um filme, parece um parque de diversões de um diretor que testa até onde a tecnologia pode ir. Um teste de render de um programa novo que mostra a sua capacidade de processamento. A trama? Pouco importa. O que importa mesmo são as cores, nível de detalhamento das cenas, e o quão fica bonito no telão.
Construção da história da vilã? Nao existe. Ela não acrescenta nada a trama, mesmo sendo a imagem que vende o filme. Solução lógica? Nenhuma. As coisas apenas acontecem sem grandes explicações. Todo cuidado de roteiro ficou em Avatar 1. E vamos reproduzir o mesmo vilão e a mesma resolução do filme 1. Nao fez sentido? É poder de Eywa. Precisa de uma solução narrativa? É o poder de Eywa novamente.
Falta tanta identidade que esse filme nem parece uma continuação e sim uma expansão (dlc) do filme 2.
Não é cabível aceitar tal nível de descuido em um filme com esse orçamento e que trata a gente como um espectador sem o mínimo de senso crítico, enchendo os bolsos com nosso dinheiro através de uma trama patética.
Avatar 3 é um chocalho infantil colorido: diverte uma criança com suas cores e sons, mas que na mão de qualquer pessoa se questione pra que serve aquilo, facilmente perde a graça e é deixado de lado no esquecimento.
>Simplesmente jogue fora a melhor personagem da franquia desde da Ripley e a mate offscreen
>Coloque um robô que cresce cabelo igual um náufrago e enlouqueceu pique Kurtz em Apocalypse Now, mas que não dá continuidade ao clima que terminou os personagens em Prometheus
>Coloque uma protagonista genérica e clichê com a mesma motivação da que vc matou offscreen, mas que dessa vez não tenha carga dramática nenhuma e muito menos carisma
>Praticamente não dê continuidade nenhuma da trama que você começou a criar no filme anterior e coloque um Alien em CGI medíocre pra satisfazer o público que quer ver o Alien matar personagens aleatórios sem uma mínima profundidade e importância
>Coloque umas metáforas na trama pra não parecer extremamente raso, mas não aprofunde em nada
> Não empolgue nem mesmo nas cenas de ação e tenha uma no final que poderia ser de qualquer filme genérico de um diretor genérico, de uma fotografia genérica, com enredo genérico que copia a fórmula do original
>Seja o pior filme desde Alien 3 utilizando o diretor do original e um orçamento infinitamente maior
Tirando o fato desse filme não ter respeito nenhum pelo ponto alto da franquia que foi Aliens de 1986 e desmerecer completamente toda trajetória do segundo filme, há um filme bom no meio desse caos.
Sabendo de todo background que foi a produção desse filme e como ele deve ter sido frustrante pro Fincher, havia, de fato, um potencial muito forte para o terceiro filme da franquia.
Principalmente se levarmos em consideração todo esse terror teocrático que a franquia foi inserida aqui: uma criatura "divina" que persegue os condenados da sociedade. Ripley, no entanto, ai cair naquele sistema prisional, parece tão estrangeira quanto o próprio alien que está à espreita. Uma mulher ao meio de prisioneiros homens que fizeram voto de castidade.
O problema em si, é que esses aspectos não são desenvolvidos e sim apenas "pincelados" na narrativa, fruto da interferência do estúdio. Já o CGI envelheceu muito mal, e faz com que a criatura perca toda aquela imponência que possuía nos outros filmes.
O personagem mais interessante é do Charles Dance, nosso eterno Tywin Lannister, que morre precipitadamente e que poderia ter sido muito abordado da trama.
No fim, Alien 3 possuía um potencial pra ser um filme tão bom quanto o segundo, mas se perdeu nas influência narrativas do estúdio, nos roteiros refeitos e na falta de um direção autoral.
Confesso que é segundo filme do Cimino que eu tive contato, e, de fato, ele constrói personagens de forma excepcional.
Tanto Deer Hunter quanto Year of the Dragon, ambos os personagens são extremamente humanos. Aqui o conflito pessoal do protagonista é o ingrediente principal da trama em si.
O que considero "falho" no Year of the Dragon para registrá-lo como um filme mediano é o quão desinteressante são os "acontecimentos" do filme. Para mim tudo além o desenvolvimento dos personagens é indiferente.
O romance dos protagonistas me parece até patológico, principalmente porque muitas vezes o Stanley é abertamente racista. Mas não me entendam mal, personagens dissonantes podem sim se interessar reciprocamente. Mas para mim um "enemy to lovers" parece longe demais ao recompensar o protagonista racista branco de um filme estadunidense.
Já a parte de thriller policial não empolga em momento nenhum. E mesmo com os pequenos clímaxes, nunca funcionam ao ponto do filme empolgar ou emocionar com que está ocorrendo. A verdade é que é irrelevante e funciona apenas para justificar a construção do personagem. Seria essencial que o filme funcionasse em ambas as tramas, e para mim ele só é efetivo (e muito) em sua parte dramática.
No final, o personagem termina vendo o quão irrelevante foi sua "jornada", apesar de toda destruição que deixou pelo caminho. Mas que traz uma redenção não merecida a um personagem deplorável que destruiu tudo ao seu redor.
Há anos no meu watchlist finalmente tive a oportunidade de assistir com o relançamento no cinema.
A fotografia de Paris Texas é estonteante, tudo é filmado de maneira meticulosa e bastante caprichada. Destaque vai para além dos planos abertos do deserto.
O auge da fotografia aqui é na cena que dá vida aos posters do filme: o diálogo final dos protagonistas.
Ali naquele plano fechado, o rosto do Travis se mistura com o da sua amada, quando eles finalmente fazem a coisa mais importante, que por tantos anos negligenciaram: escutaram um ao outro.
A redenção de cada personagem é construída de forma progressiva, sentimos inclusive que o Travis no início, parece uma criança. Um ser inocente, mal consegue falar, e parece estar aprendendo a ter relações sociais.
O que para mim é o grande "erro" do filme, é no arco final o Travis "detalhar" o que deu errado na relação como se nos devesse alguma satisfação do que ocorreu entre eles.
Pra mim, é suficiente não saber o que causou tudo aquilo, assim como seu irmão disse na metade do filme "não me interessa o que ocorreu entre vocês". A verdade é que também não interessa a nós como espectadores de suas histórias o motivo de seus conflitos, ou os detalhes íntimos de cada relação.
O que de fato importa é que eles, após tantos anos, parecem terem finalmente se encontrado.
Tsai Ming-liang não é um diretor "fácil", digo porque, após anos nos acostumando com um cinema de frenesi, é estranho quando nos deparamos com obras contemplativas de planos longos e pouquíssimos diálogos.
Em Goodbye, Dragon Inn, o diretor projeta um sentimento de luto.
Por todo o filme presenciamos a vida que existe dentro daquele cinema: seus funcionários, a sala de projeção e seus banheiros. Tudo girando em torno da presença "física" e espiritual do cinema.
Sua sessão final é transmitida enquanto recebe suas almas perdidas que tem ali como ponto de encontro.
Essa história que reverte a narrativa convencional faz o cinema como protagonista. Nele é onde diferentes gerações ( ênfase para cena do senhor de idade junto a criança) se reúnem por meio da arte.
Nele não há julgamentos. Não sabemos nomes, nem as histórias de cada um ali. Só estamos lado a lado. Somo apenas a companhia do estranho da cadeira seguinte.
O triste e mágico é: o último filme acabou, e o cinema será fechado. Não veremos mais aquelas pessoas, não possuímos seus contatos. Ali era o nosso único lugar em comum. Engraçado que, provavelmente, não seríamos grandes amigos fora dali. Mas isso pouco importa. Naquele breve recorte de tempo, não estávamos sozinhos, por mais diferentes que fossemos.
No meu antigo colégio do fundamental tive a mesma sensação, tentava apenas gravar aquele momento na memória pois não conseguia gravá-lo no tempo. Tudo que senti, presenciei e vivi. Aquela velha epifania de quando você percebe seu recorte no tempo, e tenta aproveitar aquele momento pela última vez.
É poético, a morte do cinema ser televisionada, em um poema de adeus.
Agora já mais acostumado consigo aproveitar mais do que cineasta procura fazer em seus filmes. Aqui em Certo Agora, Errado Antes, vemos duas perspectivas de um mesmo fato que só o cinema consegue criar: uma outra chance.
O hiper-realismo encenado aqui nos evoca uma atmosfera que não parece uma viagem no tempo, onírico ou imaginativo. Ambas as histórias são “reais”, ambas “aconteceram”, elas coexistem. Tudo ali sentido por nós quanto espectadores, no plano metafísico vivenciamos a "materialidade" de um casal irreal, e optamos por aceitar uma das histórias.
Essas “realidades” presenciamos paradoxalmente a partir de nosso ponto de vista mundano, como certo ou errado, já que fora da arte não podem coexistir, mas que aqui possuímos a oportunidade de vivenciar a dicotomia de um "e se".
E eles por final, mesmo não sendo “eternos” de toda maneira, deram "certo" é um momento que fora eternizado diante de nós, marcados pela narrativa fria com seus tons cinzas de vida real.
É até mesmo redundante, ovacionar Bergman com todo o emaranhado de adjetivos atribuídos a ele ao quatro cantos da internet, mas às vezes é necessário se permitir ser pleonástico.
Não por necessidade de outrem, mas sim por algo íntimo. Tão íntimo quantos os filmes dele.
Adstrito a sensação de desesperança que cerca seus filmes mais influentes como "O Sétimo Selo" ou "Luz de Inverno", neste também está presente a sua "fórmula' mais visceral e "bergiana" possível.
A Liv Ullmann carrega o olhar pueril e sufocante de uma infância quebrada; faltante. Os planos nos mostram os desencontros dos olhares maternos, de uma filha que admira a silhueta de alguém que ela pensou existir.
E ainda no final vemos de forma sutil o Bergman criticar o cristianismo. Que ao contrário do que pregam; algumas coisas não podem ter perdão.
A trilha-sonora não vai sair da minha cabeça nunca mais. O que mais gosto dessa era do cinema chinês é abordagem humanista e sutil das relações humanas. Em momento algum, Vicky é julgada por suas escolhas. Não temos aqui a visão moralista que estamos acostumados. Ela partilha do sentimento universal de estar perdida em uma fase da vida, e o pior: presa em uma etapa que não consegue escapar.
Os planos da fotografia são longos e cíclicos, assim como a vida da Vicky. Nada aparece avançar. Em tudo permeia o marasmo da existência.
Por vim vale ressaltar que o voice over é tão leve que parece uma poesia nos ouvidos, e a analogia de um relacionamento abusivo com um boneco de neve é linda.
Quando as coisas boas aparecem , as ruins nunca parecem ter existido.
Tsai Ming-liang dita o ritmo do filme de forma magistral, abordando de forma sutil, com um enredo simples, mas cheio de camadas.
O tema central do filme é claramente a modernidade e como ele influencia todos os personagens da trama principal. Deus Neon, nada mais é que o novo Deus do Modernismo, a frenesi de um mundo "moderno", mas sem relações sólidas, onde tudo é transformado em consumo.
O personagem Ah Tze tem seu apartamento sempre cheio, ao mesmo tempo que está sempre vazio, da mesma forma que cidade está lotada, mas todos os personagens estão sozinhos.
No final, o que parece transbordar é um fio de esperança, quando todos se tornam rebeldes, e rejeitam a podridão daquele mundo que parece atrativo e colorido, mas é falso.
O filme que enterrou a franquia do Homem-Aranha por interferências do estúdio. A responsabilidade dessa bomba foi da Sony, no entanto, há pontos positivos sim.
Pra mim as lutas desse daqui são as melhores dos 3, principalmente, coreografia. O conflito amoroso de Peter, MJ e Harry pra mim é ponto alto do filme. Temos a redenção do personagem do Harry e a luta final quando ele chega é ótima com o encerramento de seu arco narrativo. Antes do Venom aparecer vemos que sim: o Peter apresenta traços de se tornar um herói egocêntrico depois de ter sido um nerd rejeitado a vida toda e sim isso é muito mais real e provável de acontecer do que muitos acham, e nem precisaria de um simbionte pra isso.
Só que a partir de certo ponto do filme tudo desanda.
Não sei como fizeram um emo park tão ridículo como aquele, ali bastaria a atuação do Tobey Maguire, um olhar de um bom ator bastaria pra ver a mudança de perspectiva. Toda sutileza do filme vai por água abaixo nesses momentos. A escolha do Casting pra Eddie Brock como Topher Grace foi péssimom, um ator bem canastrão num filme colossal de bilheteria. E partir de determinado momento o diretor parece não saber o que fazer com uma das exigências do estúdio que foi Gwen Stacy, e coloca ela em cada cena deplorável. Situações com coincidências narrativas ridículas e preguiçosas. Além da formação do Venom que por mais fiel que seja ao quadrinhos foi feita de uma forma bem preguiçosa.
É o pior de tudo, o crime contra a franquia: Retcom do Homem de Areia. Tocar em uma questão cânone e que já tinha ficado perfeita antes. Deplorável, triste e digna de raiva.
No fim, é sobre abstrair esses absurdos ridículos que o estúdio fez o Sam Raimi passar, e que ainda queria repetir num filme 4.
Definitivamente, era um filme que PRECISAVA de uma versão do diretor.
Documentário bem aquém da qualidade que eu esperava sobre um ator tão importante. Principalmente na direção e escolha das músicas. Mas recomendaria pra qualquer fã dele.
Bertolucci sempre foi polêmico por misturar sexualidade e política em suas histórias; aqui é evidente o encontro do marxismo no divã da psicanálise, e aqui, todo o público se deita junto.
A Revolução Estudantil de 1968 é o plano de fundo pra contextualizar a realidade que os jovens protagonistas vivem, ou melhor, permanecem inertes a todos os acontecimentos históricos ao seu redor. É evidente tanto no título, quanto nos personagens, a prática de idealização constante sem nenhuma aplicação prática. Matthew é um jovem que "fugiu" da Guerra do Vietnã e que aparenta carregar um culpa pela "covardia". Já o casal de gêmeos, por mais que façam participações em algumas manifestações, passam a maior parte do tempo idealizando a vida por meio do cinema, livros e libertinagem.
O relacionamento dos gêmeos é claramente abusivo em muitas camadas. Principalmente da dependência da Isabelle por Theo. Ambos parecem fazer parte da mesma pessoa, mas é doentio a maneira como se relacionam. Isabelle nunca conheceu o mundo lá fora, não teve sua vivências, e Theo parecia controlar tudo. A casa deles é claramente tornada claustrofóbica e suja propositalmente pelo diretor.
Um contraponto muito bom são as referências aos filmes clássicos, tanto do cinema francês quanto ao cinema estadunidense.
O filme pode ser visto como uma crítica a esquerda progressista idealizadora, que desconhece a realidade de seu próprio povo, mas sabem todas as frases do seu pensador favorito. Se acham moralmente superiores a seus adversários, e idealizam uma história que nunca viveram.
No final, porém, quando tudo parece estar perdido, os protagonistas finalmente saem as ruas para embarcarem no destino que tanto liam, mas nunca haviam proposto a realizar.
É impossível não estar envolvido na frenesi da partida mesmo sem ter nunca pisado em uma quadra de basquete. Aqui temos um foco maior no background do personagem do Ryouta Miyagi, deixando um pouco de lado os gritos eufóricos de Sakuragi (que até fazem falta) pra dar uma visão mais intimista ao personagem.
Quem não acompanhou o anime/mangá consegue se envolver tranquilamente, apesar de não entender perfeitamente algumas nuances da trama: os passes trocados por Ryouta e Sakuragi, e principalmente, aquele batida da mão final emociona qualquer um que acompanhou esse time, e que ainda sonha em ver a obra adaptada em sua totalidade.
Apesar deu não ser grande fã da Hannah Arendt, é impossível não traçar um paralelo com o conceito da Banalidade do Mal. Esse filme é a plena personificação da crueldade como burocracia.
O terror aqui não é mostrado, é sempre na sutileza, e consegue ser tão pesado quanto qualquer filme violentamente explícito. O aterrorizante é o quão dentro da normalidade uma família consegue ser feliz, enquanto vidas são destroçadas ao lado de sua casa sem afetar em nada suas relações, e pior: com o desejo de permanecer naquele lugar.
Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer
3.9 296 Assista AgoraOdiado em sua época, Lynch permaneceu fiel até o fim no acreditava. Nunca fez questão de satisfazer o público, muito ao menos se render a ele.
Apesar deu ter gostado o filme perde um bom tempo de tela em uma narrativa vil. Parece um grande prólogo, para começar só depois de 30 minutos.
Nesse longa, Lynch está - bem - mais Lynch. Das diversas formas de se interpretar sobre o que é o trauma da Laura Palmer, eu não sou tão adepto do mal visto apenas como entidade literal. O que me faz "desgostar" dessa abordagem é que dilui as diversas formas de interpretar o BOB e o trauma da Laura Palmer.
Para mim, toda ficção serve para fazer alusões do nosso mundo real, em paralelo como ele é. O Bob como uma resposta ao trauma da Laura faz mais sentido para mim, quando isso surge como uma resposta aos seus abusos sofridos pelo próprio pai. Ela "desvincula" sua figura paterna como uma resposta a esse trauma. Tanto é que por mais que os atos sejam praticados pelo Leland, é o Bob que sempre leva a culpa. Ao seguirmos a narrativa pela Laura, o seu pai nunca é "vilão" ele também é uma vítima da entidade. Tudo para fugir da destino fatídico de ser abusada pelo próprio pai, ao criar seu próprio monstro externo.
E evidente que depois de todo esse processo de autodestruição da Laura que hipersexualiza seu estilo de vida e abuso de drogas, gera um terreno fértil para Bob "entrar" e a possuí-la (aqui já encarado como a própria depressão)
O mais genial e lindo desse final é que apesar da Laura morrer, ela vence, e vence nas diferentes versões. Seja o Bob um demônio, trauma ou depressão, Laura não cede a possessão, e não se torna o monstro que tanto a atormentou.
O Morro dos Ventos Uivantes
3.0 155 Assista AgoraPara começar: sim, eu li o livro. A diferença primordial é que eu entendo que existem diversas formas de adaptar uma obra além da "literal" transposição para tela, como muito têm se cobrado aqui por parte do público. Essa requisição de fidelidade, pra mim é apenas birra de fã chato, afinal temos diversas e inúmeras versões do Morro dos Ventos Uivantes, de diferentes propostas, que vão de séries de televisão até adaptações de cinema japonesas. Além disso, o marketing forçado dos atores principais serviu como um publicidade "negativa" gerando o Hate-watching por parte do público.
Não estou nem aí para o marketing, ele não faz parte do filme. Malmente vejo trailers. E segundo: absolutamente nenhum filme tem o dever de me satisfazer, ser o que eu espero, ou principalmente: me fazer avaliá-lo pelo que ele poderia ser.
Se removermos esses principais fatores de hate ao marketing, adaptação fiel, e baboseiras e falatórios sobre a obra principal, removeremos a esmagadora maioria das críticas. E pasme: dos principais críticos com visibilidade e alcance no Brasil.
Após esse disclaimer com a incompetência dos profissionais, confesso que esperava bem mais inventividade do que realmente teve.
Isso porque o filme adota a postura de adaptação de releitura da obra, ou seja, manteremos a essência da obra original. E essa essência foi respeitada aqui? Ao meu ver? Sim. A história de amor de duas pessoas que nunca conseguiram ficar juntas.
E quanto as modificações da obra original? Fiquem à vontade de revisitar o livro, ele estará sempre lá inalterado. Gosto bastante, mas ele pouco interessa nesse momento.
O amor dos dois que no livro fica apenas em elipse, devido talvez limitações de censura ao seu tempo, aqui é explicitado em tela para todos sentirem visualmente essa transposição. E para mim, parece real.
Por outro lado, a dissonância musical criada pela diretora combina perfeitamente com a plasticidade dos figurinos e fotografia após o casamento da Cathy. E isso conversa perfeitamente com nossa geração ao mostrar essa felicidade artificial provocada pelo bens de consumo. Tudo ali parece extravagante, mas irremediavelmente falso. Falso como a vida da Cathy foi após sua escolha fatídica em deixar Heathcliff.
Em paralelo vemos como a escuridão toma conta do Morro dos Ventos Uivantes e como isso é contado pela imagem que contrasta os dois mundos de apenas 8 quilômetros de distância.
E após a irremediável perda do Heathcliff- essa distância parece ser infindável.
Valor Sentimental
3.9 364 Assista AgoraBergman para crianças
Trier adquiriu uma grande repercussão no ocidente, após o lançamento de "A Pior Pessoa do Mundo" de 2021, trazendo os grandes holofotes direcionados para seu futuro projeto.
E inclusive um dos meus filmes favoritos do seu ano de lançamento. Já Valor Sentimental, estreou em Cannes em em 2025. E só foi lançado no Brasil praticamente em 2026.
É notável que foram meses de espera para o público brasileiro ter acesso ao filme, ainda mais, com toda ansiedade e marketing da crítica que "ovacionava" o filme. Desde Youtubers até a publico de festivais.
Valor Sentimental é "meu tipo" de filme. Narrativa simples, drama interpessoais e conflitos existencialistas. Parecia um prato cheio. Tudo indicava esmero.
Talvez justifique o meu completo desprazer no gosto insosso que ficou em minha boca depois de consumi-lo.
O que me aparenta é simulacro Bergmaniano de baixa qualidade.
> Simpatizamos mais com seu pai do que com o drama de quem deveríamos sentir, porque mesmo com espaço que é dado a personagem principal não consegui conectar minimamente com a dor dela
>O pouco monólogo que me fez sentir 1/10 do que senti em "Sonata de Outono' nem foi da personagem principal e mal teve grande impacto na trama
>Após duas horas de filme a personagem de possui anos de dor com o pai ignora tudo porque ele quase morre (virou santo), e é suficiente pra ela fazer o filme
> a personagem da Elle Fanning é praticamente inútil, só está lá para passar o bastão para filha do diretor
>Não sentimos nem mesmo a dualidade que deveria existir entre ficar divido entre o carisma do pai e dor de sua filha
> Uma crise existencial fraquíssima, que parece um Bergman para crianças
Marty Supreme
3.7 314 Assista AgoraPara mim, aqui , Josh Safdie se concretiza como cineasta do Frenesi. Verdadeiramente, consegue cativar você através da imagem em fluidez nesse estado de agitação/perturbação magnético que te leva junto rente ao fluxo.
É impossível não se sentir golpeado, depois de tudo que acontece. Desde Good Time, ele já se mostrou talentoso, mas aqui ele fixa seu nome como um dos melhores diretores da atualidade e conjuntamente com o Timothée Chalamet conseguem vender um filme com background sobre tenis de mesa, como um blockbuster que lota as salas de cinema.
Além da narrativa, uma das coisas que mais gostei, é a veracidade dos atos vs consequências do filme. Depois de tanto tempo em que fomos acostumados narrativa banal de esperar que "tudo se resolva" da forma mais banal e preguiçosa possível, aqui o Josh mostra como a vida real, não tem espaços para casualidades, muito menos pra improvisos pueris
que são destroçados pela realidade.
Um dos respiros de hollywood em direção a coesão narrativa.
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 269 Assista AgoraDepois de Avatar 2 minhas expectativas estavam baixíssimas, mas mesmo assim, James Cameron parece não aprender com os erros de Avatar 2 e sacrifica toda narrativa em detrimento da qualidade técnica de Avatar 3. Não parece um filme, parece um parque de diversões de um diretor que testa até onde a tecnologia pode ir. Um teste de render de um programa novo que mostra a sua capacidade de processamento. A trama? Pouco importa. O que importa mesmo são as cores, nível de detalhamento das cenas, e o quão fica bonito no telão.
Construção da história da vilã? Nao existe. Ela não acrescenta nada a trama, mesmo sendo a imagem que vende o filme. Solução lógica? Nenhuma. As coisas apenas acontecem sem grandes explicações. Todo cuidado de roteiro ficou em Avatar 1. E vamos reproduzir o mesmo vilão e a mesma resolução do filme 1. Nao fez sentido? É poder de Eywa. Precisa de uma solução narrativa? É o poder de Eywa novamente.
Falta tanta identidade que esse filme nem parece uma continuação e sim uma expansão (dlc) do filme 2.
Não é cabível aceitar tal nível de descuido em um filme com esse orçamento e que trata a gente como um espectador sem o mínimo de senso crítico, enchendo os bolsos com nosso dinheiro através de uma trama patética.
Avatar 3 é um chocalho infantil colorido: diverte uma criança com suas cores e sons, mas que na mão de qualquer pessoa se questione pra que serve aquilo, facilmente perde a graça e é deixado de lado no esquecimento.
Bugonia
3.6 426 Assista AgoraBaseado em fatos reais segundo o site Brasil Paralelo
Alien: Covenant
3.0 1,3K Assista Agora>Simplesmente jogue fora a melhor personagem da franquia desde da Ripley e a mate offscreen
>Coloque um robô que cresce cabelo igual um náufrago e enlouqueceu pique Kurtz em Apocalypse Now, mas que não dá continuidade ao clima que terminou os personagens em Prometheus
>Coloque uma protagonista genérica e clichê com a mesma motivação da que vc matou offscreen, mas que dessa vez não tenha carga dramática nenhuma e muito menos carisma
>Praticamente não dê continuidade nenhuma da trama que você começou a criar no filme anterior e coloque um Alien em CGI medíocre pra satisfazer o público que quer ver o Alien matar personagens aleatórios sem uma mínima profundidade e importância
>Coloque umas metáforas na trama pra não parecer extremamente raso, mas não aprofunde em nada
> Não empolgue nem mesmo nas cenas de ação e tenha uma no final que poderia ser de qualquer filme genérico de um diretor genérico, de uma fotografia genérica, com enredo genérico que copia a fórmula do original
>Seja o pior filme desde Alien 3 utilizando o diretor do original e um orçamento infinitamente maior
Alien 3
3.2 582 Assista AgoraTirando o fato desse filme não ter respeito nenhum pelo ponto alto da franquia que foi Aliens de 1986 e desmerecer completamente toda trajetória do segundo filme, há um filme bom no meio desse caos.
Sabendo de todo background que foi a produção desse filme e como ele deve ter sido frustrante pro Fincher, havia, de fato, um potencial muito forte para o terceiro filme da franquia.
Principalmente se levarmos em consideração todo esse terror teocrático que a franquia foi inserida aqui: uma criatura "divina" que persegue os condenados da sociedade. Ripley, no entanto, ai cair naquele sistema prisional, parece tão estrangeira quanto o próprio alien que está à espreita. Uma mulher ao meio de prisioneiros homens que fizeram voto de castidade.
O problema em si, é que esses aspectos não são desenvolvidos e sim apenas "pincelados" na narrativa, fruto da interferência do estúdio. Já o CGI envelheceu muito mal, e faz com que a criatura perca toda aquela imponência que possuía nos outros filmes.
O personagem mais interessante é do Charles Dance, nosso eterno Tywin Lannister, que morre precipitadamente e que poderia ter sido muito abordado da trama.
No fim, Alien 3 possuía um potencial pra ser um filme tão bom quanto o segundo, mas se perdeu nas influência narrativas do estúdio, nos roteiros refeitos e na falta de um direção autoral.
O Ano do Dragão
3.5 60 Assista AgoraConfesso que é segundo filme do Cimino que eu tive contato, e, de fato, ele constrói personagens de forma excepcional.
Tanto Deer Hunter quanto Year of the Dragon, ambos os personagens são extremamente humanos. Aqui o conflito pessoal do protagonista é o ingrediente principal da trama em si.
O que considero "falho" no Year of the Dragon para registrá-lo como um filme mediano é o quão desinteressante são os "acontecimentos" do filme. Para mim tudo além o desenvolvimento dos personagens é indiferente.
O romance dos protagonistas me parece até patológico, principalmente porque muitas vezes o Stanley é abertamente racista.
Mas não me entendam mal, personagens dissonantes podem sim se interessar reciprocamente. Mas para mim um "enemy to lovers" parece longe demais ao recompensar o protagonista racista branco de um filme estadunidense.
Já a parte de thriller policial não empolga em momento nenhum. E mesmo com os pequenos clímaxes, nunca funcionam ao ponto do filme empolgar ou emocionar com que está ocorrendo. A verdade é que é irrelevante e funciona apenas para justificar a construção do personagem. Seria essencial que o filme funcionasse em ambas as tramas, e para mim ele só é efetivo (e muito) em sua parte dramática.
No final, o personagem termina vendo o quão irrelevante foi sua "jornada", apesar de toda destruição que deixou pelo caminho. Mas que traz uma redenção não merecida a um personagem deplorável que destruiu tudo ao seu redor.
Paris, Texas
4.3 757 Assista AgoraHá anos no meu watchlist finalmente tive a oportunidade de assistir com o relançamento no cinema.
A fotografia de Paris Texas é estonteante, tudo é filmado de maneira meticulosa e bastante caprichada. Destaque vai para além dos planos abertos do deserto.
O auge da fotografia aqui é na cena que dá vida aos posters do filme: o diálogo final dos protagonistas.
Ali naquele plano fechado, o rosto do Travis se mistura com o da sua amada, quando eles finalmente fazem a coisa mais importante, que por tantos anos negligenciaram: escutaram um ao outro.
A redenção de cada personagem é construída de forma progressiva, sentimos inclusive que o Travis no início, parece uma criança. Um ser inocente, mal consegue falar, e parece estar aprendendo a ter relações sociais.
O que para mim é o grande "erro" do filme, é no arco final o Travis "detalhar" o que deu errado na relação como se nos devesse alguma satisfação do que ocorreu entre eles.
Pra mim, é suficiente não saber o que causou tudo aquilo, assim como seu irmão disse na metade do filme "não me interessa o que ocorreu entre vocês". A verdade é que também não interessa a nós como espectadores de suas histórias o motivo de seus conflitos, ou os detalhes íntimos de cada relação.
O que de fato importa é que eles, após tantos anos, parecem terem finalmente se encontrado.
Adeus, Dragon Inn
3.7 47A Morte do Cinema.
Tsai Ming-liang não é um diretor "fácil", digo porque, após anos nos acostumando com um cinema de frenesi, é estranho quando nos deparamos com obras contemplativas de planos longos e pouquíssimos diálogos.
Em Goodbye, Dragon Inn, o diretor projeta um sentimento de luto.
Por todo o filme presenciamos a vida que existe dentro daquele cinema: seus funcionários, a sala de projeção e seus banheiros. Tudo girando em torno da presença "física" e espiritual do cinema.
Sua sessão final é transmitida enquanto recebe suas almas perdidas que tem ali como ponto de encontro.
Essa história que reverte a narrativa convencional faz o cinema como protagonista. Nele é onde diferentes gerações ( ênfase para cena do senhor de idade junto a criança) se reúnem por meio da arte.
Nele não há julgamentos. Não sabemos nomes, nem as histórias de cada um ali. Só estamos lado a lado. Somo apenas a companhia do estranho da cadeira seguinte.
O triste e mágico é: o último filme acabou, e o cinema será fechado. Não veremos mais aquelas pessoas, não possuímos seus contatos. Ali era o nosso único lugar em comum. Engraçado que, provavelmente, não seríamos grandes amigos fora dali. Mas isso pouco importa. Naquele breve recorte de tempo, não estávamos sozinhos, por mais diferentes que fossemos.
No meu antigo colégio do fundamental tive a mesma sensação, tentava apenas gravar aquele momento na memória pois não conseguia gravá-lo no tempo. Tudo que senti, presenciei e vivi. Aquela velha epifania de quando você percebe seu recorte no tempo, e tenta aproveitar aquele momento pela última vez.
É poético, a morte do cinema ser televisionada, em um poema de adeus.
Certo Agora, Errado Antes
3.8 53 Assista AgoraSimulacro da realidade, Hong Sang-soo foi um dos diretores que eu estranhei de primeiro plano.
Agora já mais acostumado consigo aproveitar mais do que cineasta procura fazer em seus filmes. Aqui em Certo Agora, Errado Antes, vemos duas perspectivas de um mesmo fato que só o cinema consegue criar: uma outra chance.
O hiper-realismo encenado aqui nos evoca uma atmosfera que não parece uma viagem no tempo, onírico ou imaginativo. Ambas as histórias são “reais”, ambas “aconteceram”, elas coexistem. Tudo ali sentido por nós quanto espectadores, no plano metafísico vivenciamos a "materialidade" de um casal irreal, e optamos por aceitar uma das histórias.
Essas “realidades” presenciamos paradoxalmente a partir de nosso ponto de vista mundano, como certo ou errado, já que fora da arte não podem coexistir, mas que aqui possuímos a oportunidade de vivenciar a dicotomia de um "e se".
E eles por final, mesmo não sendo “eternos” de toda maneira, deram "certo" é um momento que fora eternizado diante de nós, marcados pela narrativa fria com seus tons cinzas de vida real.
Rashomon
4.4 313 Assista AgoraOuvi dizer que o demônio vive aqui em Rashomon
Fugindo com medo da ferocidade dos homens.
Sonata de Outono
4.5 498É até mesmo redundante, ovacionar Bergman com todo o emaranhado de adjetivos atribuídos a ele ao quatro cantos da internet, mas às vezes é necessário se permitir ser pleonástico.
Não por necessidade de outrem, mas sim por algo íntimo. Tão íntimo quantos os filmes dele.
Adstrito a sensação de desesperança que cerca seus filmes mais influentes como "O Sétimo Selo" ou "Luz de Inverno", neste também está presente a sua "fórmula' mais visceral e "bergiana" possível.
A Liv Ullmann carrega o olhar pueril e sufocante de uma infância quebrada; faltante. Os planos nos mostram os desencontros dos olhares maternos, de uma filha que admira a silhueta de alguém que ela pensou existir.
E ainda no final vemos de forma sutil o Bergman criticar o cristianismo. Que ao contrário do que pregam; algumas coisas não podem ter perdão.
Não mais.
Millennium Mambo
3.9 52A trilha-sonora não vai sair da minha cabeça nunca mais. O que mais gosto dessa era do cinema chinês é abordagem humanista e sutil das relações humanas. Em momento algum, Vicky é julgada por suas escolhas. Não temos aqui a visão moralista que estamos acostumados. Ela partilha do sentimento universal de estar perdida em uma fase da vida, e o pior: presa em uma etapa que não consegue escapar.
Os planos da fotografia são longos e cíclicos, assim como a vida da Vicky. Nada aparece avançar. Em tudo permeia o marasmo da existência.
Por vim vale ressaltar que o voice over é tão leve que parece uma poesia nos ouvidos, e a analogia de um relacionamento abusivo com um boneco de neve é linda.
Quando as coisas boas aparecem , as ruins nunca parecem ter existido.
Rebeldes do Deus Neón
4.0 47Tsai Ming-liang dita o ritmo do filme de forma magistral, abordando de forma sutil, com um enredo simples, mas cheio de camadas.
O tema central do filme é claramente a modernidade e como ele influencia todos os personagens da trama principal. Deus Neon, nada mais é que o novo Deus do Modernismo, a frenesi de um mundo "moderno", mas sem relações sólidas, onde tudo é transformado em consumo.
O personagem Ah Tze tem seu apartamento sempre cheio, ao mesmo tempo que está sempre vazio, da mesma forma que cidade está lotada, mas todos os personagens estão sozinhos.
No final, o que parece transbordar é um fio de esperança, quando todos se tornam rebeldes, e rejeitam a podridão daquele mundo que parece atrativo e colorido, mas é falso.
Homem-Aranha 3
3.1 1,5K Assista AgoraO filme que enterrou a franquia do Homem-Aranha por interferências do estúdio. A responsabilidade dessa bomba foi da Sony, no entanto, há pontos positivos sim.
Pra mim as lutas desse daqui são as melhores dos 3, principalmente, coreografia. O conflito amoroso de Peter, MJ e Harry pra mim é ponto alto do filme. Temos a redenção do personagem do Harry e a luta final quando ele chega é ótima com o encerramento de seu arco narrativo. Antes do Venom aparecer vemos que sim: o Peter apresenta traços de se tornar um herói egocêntrico depois de ter sido um nerd rejeitado a vida toda e sim isso é muito mais real e provável de acontecer do que muitos acham, e nem precisaria de um simbionte pra isso.
Só que a partir de certo ponto do filme tudo desanda.
Não sei como fizeram um emo park tão ridículo como aquele, ali bastaria a atuação do Tobey Maguire, um olhar de um bom ator bastaria pra ver a mudança de perspectiva. Toda sutileza do filme vai por água abaixo nesses momentos. A escolha do Casting pra Eddie Brock como Topher Grace foi péssimom, um ator bem canastrão num filme colossal de bilheteria. E partir de determinado momento o diretor parece não saber o que fazer com uma das exigências do estúdio que foi Gwen Stacy, e coloca ela em cada cena deplorável. Situações com coincidências narrativas ridículas e preguiçosas. Além da formação do Venom que por mais fiel que seja ao quadrinhos foi feita de uma forma bem preguiçosa.
É o pior de tudo, o crime contra a franquia: Retcom do Homem de Areia. Tocar em uma questão cânone e que já tinha ficado perfeita antes. Deplorável, triste e digna de raiva.
No fim, é sobre abstrair esses absurdos ridículos que o estúdio fez o Sam Raimi passar, e que ainda queria repetir num filme 4.
Definitivamente, era um filme que PRECISAVA de uma versão do diretor.
Eu Sou Heath Ledger
4.1 36Documentário bem aquém da qualidade que eu esperava sobre um ator tão importante. Principalmente na direção e escolha das músicas. Mas recomendaria pra qualquer fã dele.
Motel Destino
3.4 191 Assista AgoraNem tenho problema do com nudez, mas se eu quisesse só ver um p*rn*zao abria outro site
Love Lies Bleeding: O Amor Sangra
3.5 276 Assista AgoraQuerida, o menor dos seus problemas é o cigarro
Os Sonhadores
4.1 2,0KBertolucci sempre foi polêmico por misturar sexualidade e política em suas histórias; aqui é evidente o encontro do marxismo no divã da psicanálise, e aqui, todo o público se deita junto.
A Revolução Estudantil de 1968 é o plano de fundo pra contextualizar a realidade que os jovens protagonistas vivem, ou melhor, permanecem inertes a todos os acontecimentos históricos ao seu redor. É evidente tanto no título, quanto nos personagens, a prática de idealização constante sem nenhuma aplicação prática. Matthew é um jovem que "fugiu" da Guerra do Vietnã e que aparenta carregar um culpa pela "covardia". Já o casal de gêmeos, por mais que façam participações em algumas manifestações, passam a maior parte do tempo idealizando a vida por meio do cinema, livros e libertinagem.
O relacionamento dos gêmeos é claramente abusivo em muitas camadas. Principalmente da dependência da Isabelle por Theo. Ambos parecem fazer parte da mesma pessoa, mas é doentio a maneira como se relacionam. Isabelle nunca conheceu o mundo lá fora, não teve sua vivências, e Theo parecia controlar tudo. A casa deles é claramente tornada claustrofóbica e suja propositalmente pelo diretor.
Um contraponto muito bom são as referências aos filmes clássicos, tanto do cinema francês quanto ao cinema estadunidense.
O filme pode ser visto como uma crítica a esquerda progressista idealizadora, que desconhece a realidade de seu próprio povo, mas sabem todas as frases do seu pensador favorito. Se acham moralmente superiores a seus adversários, e idealizam uma história que nunca viveram.
No final, porém, quando tudo parece estar perdido, os protagonistas finalmente saem as ruas para embarcarem no destino que tanto liam, mas nunca haviam proposto a realizar.
Os Observadores
2.8 465 Assista AgoraA nepo baby do Shyamalan é medíocre igual o papai
The First Slam Dunk
4.3 41 Assista AgoraTakehiko Inoue é um gênio.
É impossível não estar envolvido na frenesi da partida mesmo sem ter nunca pisado em uma quadra de basquete. Aqui temos um foco maior no background do personagem do Ryouta Miyagi, deixando um pouco de lado os gritos eufóricos de Sakuragi (que até fazem falta) pra dar uma visão mais intimista ao personagem.
Quem não acompanhou o anime/mangá consegue se envolver tranquilamente, apesar de não entender perfeitamente algumas nuances da trama: os passes trocados por Ryouta e Sakuragi, e principalmente, aquele batida da mão final emociona qualquer um que acompanhou esse time, e que ainda sonha em ver a obra adaptada em sua totalidade.
Sakuragi Hamichi também é um gênio.
Zona de Interesse
3.6 694 Assista AgoraApesar deu não ser grande fã da Hannah Arendt, é impossível não traçar um paralelo com o conceito da Banalidade do Mal. Esse filme é a plena personificação da crueldade como burocracia.
O terror aqui não é mostrado, é sempre na sutileza, e consegue ser tão pesado quanto qualquer filme violentamente explícito. O aterrorizante é o quão dentro da normalidade uma família consegue ser feliz, enquanto vidas são destroçadas ao lado de sua casa sem afetar em nada suas relações, e pior: com o desejo de permanecer naquele lugar.