Meu programa de humor favorito junto com as temporadas de Key and Peele. Amo quem consegue transformar as piores situações possíveis em crítica social usando o humor. Isso é talento puríssimo! Paulo Gustavo é um dos melhores comediantes que eu já vi. Eu amo a Nossa Sra dos Absurdos. A criatividade desse homem não tinha limite! Que falta ele faz! Ainda bem que a gente pode reassistir sempre que quisermos pra matar a saudade. Nota mil!
Assisto pra matar a saudade do Paulo Gustavo. Alguns personagens não fazem a menor diferença na trama, mas ele sempre me faz rir. Em Vai Que Cola ele também carregava as temporadas nas costas. Depois o pessoal ganhou carisma e rendeu também. Mas aqui só o Paulo mesmo. As séries de hoje em dia realmente não são tão boas como as de antigamente (Toma Lá Dá Cá).
Um filme sobre autossabotagem! Essas pessoas simplesmente são inimigas da estabilidade dentro dos relacionamentos. [Spoilers] Sempre que a coisa tá começando a dar certo, eles começam a cavar a cova do relacionamento até ele morrer. Confessar algo de forma tranquila ou como ato de arrependimento, ok, mas aqui, os personagens fazem isso de forma forçada, é o que falei da autossabotagem, pra quê querer detalhes de algo que vai ferir tão fortemente? Péssimo. Esse tipo de controle é punitivo. A Alice apesar de tudo, é a mais estável ali. Sinto que ela tem muitos problemas psicológicos, feridas do passado, mas mesmo assim tenta se manter forte no meio de tudo o que acontece na dinâmica dos relacionamentos conturbados entre os quatro. Narcisismo, controle, frieza, infidelidade, mentiras, acabam virando coisas comuns na rotina deles. Coisas que eu considero pesadíssimas e que não deveriam passar nem perto das pessoas. Todo mundo se diminuindo e se desdobrando em partes pra caber no mundo do outro, e quando consegue, começa a construir alguma intimidade, simplesmente destrói a relação e sai fora com qualquer desculpa que encontra. A Alice usa nome falso desde o início, mas parando pra pensar em tudo que a personagem já passou, acaba sendo aceitável, pois foi pra se proteger. E sair do jeito que ela saiu, sem inventar desculpas quaisquer, mandando a real na cara do outro, requer muita coragem. É a minha atuação favorita no filme, há uma entrega genuína por parte da Natalie em todas as cenas, são marcantes. Gosto de como estão montadas de forma desordenada passando pra gente essa sensação de bagunça que é reflexo do que o enredo conta. Tá tudo sempre bagunçado, a Alice sempre com visuais e cabelos diferentes, em busca de uma identidade nova, tentando se encaixar em algo que faça sentido. Com certeza a maior cena é a do Clube, ela como stripper, que é uma profissão de vulnerabilidade, onde a mulher está à mercê de tantos perigos mesmo com câmeras, reagindo com estabilidade emocional a todas as tentativas do Larry de desestabilizar ela. E isso que ele faz infelizmente é muito comum, quando a gente se decepciona muito com algo tende a descontar nossas frustrações no outro, parece mais fácil do que culpabilizar a si mesmo. Todos eles parecem ter medo de relações e laços genuínos, encontram fugas em chat online, em casos passageiros, beijar estranhos sem conexão. A Anna usa o estúdio fotográfico como QG da solidão. A relação dela com todos é sempre tão confusa. Ela parece querer algo, mas ter marcas que a fere demais pra conseguir abrir espaço para que o novo a preencha. Esse triângulo amoroso entre ela, o Larry e o Dan só serve pra confundi-la ainda mais, e a dependência emocional acaba fazendo com que eles se prendam um ao outro sem amor algum. Todos nós queremos alguém, ninguém quer a solidão da falta de afeto, mas ter alguém e viver numa solidão maior do que a de solteiro, não é pior? Se sentir sozinho pelo fruto do vazio entre duas pessoas é ainda mais doloroso. Achei tão patético quando os homens ficam competindo por território e explanando a parte sexual um para o outro. É só pra ferir o ego do outro, é violência psicológica gratuita. Fiquei muito revoltada quando o Dan bate na Alice. Dá pra sentir o quanto ela suportou toda a situação entre os casais para que no final tudo desse "certo" pra todos, até que ela se dá conta de que não é aquilo que ela quer pra ela. É possível deixar de amar alguém tão rápido? Acredito que sim. O amor tem que ser leve e não inclui suportar comportamentos abusivos e narcisistas, tais como desentendimentos diários, agradar o ego do outro o tempo todo, estar sob controle emocional, submissão forçada, e o mais grave: violência doméstica. Aquele tapa foi tão egoísta, era 100% sobre a masculinidade frágil dele de não ter aguentado saber os detalhes da relação sexual dela com o Dan, detalhes que ele fez questão de implorar por. Ele faz de tudo pra que ela conte e em seguida a pune, é de uma covardia! O Dan mesmo é um dos personagens completamente sem ética moral pra querer vir exigir isso dos outros, se interessou pela Alice quando ele namorava, depois tendo algo com ela se interessou pela Anna, depois aparentemente ficou interessado no Larry (que só chegou na vida delas porque foi enganado por ele), depois ficava nesse vai e vem brigando pela Anna, que quis o Larry e como sobra e impulsionado pelo mesmo, foi atrás da Alice. Ninguém tá certo, só há egoísmo por parte de quase todos. Tudo gira em torno das vontades e desejos, nada em torno do sentido emocional verdadeiro de amar. A Alice percebe que tá sendo usada pelos dois, disputada como um troféu qualquer, coisa inclusive muito comum entre a sociedade atual ( infelizmente, 20 anos depois e o mundo é o mesmo), ela impõe limites e as pessoas não querem respeitar. No estúdio da Anna ela pede pra ser respeitada, na boate, no quarto com o Dan no final, após momentos dolorosos a personagem aprendeu a criar esses limites e a decidir sair de verdade da vida de quem não os respeitasse. Por isso, inclusive, que no final a Jane (abandonou a identidade de Alice) caminha sorrindo, ela não está triste, ela está de branco, arrumada, alegre. A pessoa que aprende a delimitar a linha que não pode ser ultrapassada nas relações afetivas (todas na vida) é uma pessoa com uma inteligência emocional absurda. Não há arrependimentos, quem estabelece limites está fazendo o maior bem que pode fazer a si mesmo na vida. Limites desrespeitados geram dano emocional, autossabotagem, depressão, ansiedade. Sair da vida de quem fere a gente é provavelmente a decisão mais dolorosa e mais prazerosa do mundo. A Liberdade é nosso bem mais precioso. Atuações impecáveis de Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts e Clive Owen. As roupas dessa época são tão retrôs, eu gosto muito, é nostálgico, principalmente os relógios e sobretudos. Tem uma frase no filme que me marcou muito: "Onde está esse amor? Eu não consigo ver, não consigo tocar, não consigo sentir." O filósofo Bauman fala muito sobre a liquidez das relações da sociedade atual, e faz muito sentido, ele diz: "O amor não é cego, simplesmente aprendeu a fechar os olhos quando necessário", o ruim é que quem definiu essa necessidade é o próprio indivíduo que diz amar, de acordo com a conveniência, quando o preço de entrega emocional sai alto demais, as pessoas jogam as outras fora (ou ficam na abusividade) como se fossem nada. O amor não é tangível, mas precisa ser percebido. O sentimento amor pode até ser algo intangível, mas o que o outro faz por nós precisa ser completamente perceptível, memorável, estável, tão leve quanto uma pena pousando lentamente diante dos nossos olhos. Essas ações do dia a dia, gestos pequenos como um café, um abraço, palavras de ânimo, vulnerabilidade, intimidade, toque (além do sexo); são coisas acessíveis, necessárias, porque elas definem a presença do outro, quem o outro está sendo na nossa vida. Aos poucos vai criando um ambiente seguro onde quem é amado abaixa a guarda e a proteção após se sentir refugiado dos traumas passados. Quando isso não acontece, o parceiro serve apenas como gatilho, causando mais sofrimento e aumentando esse trauma. O oposto de uma relação líquida é a sólida. Onde você e o parceiro criaram uma base, uma planta firme para que algo seja construído em cima e não caia com o sopro de ventos ou tempestades, coisa que ninguém quis fazer pela relação ali. Apesar de sair de tudo aquilo, o filme não tem final feliz, os créditos passam enquanto o espectador digere essa coisa ruim que as relações disfuncionais deixam.
Que filme maravilhoso! Cheio de detalhes técnicos que fizeram toda a diferença no resultado. Eu amei demais a forma como o Daniel Roher usou coisas do dia a dia que passam despercebidas para quem tem uma audição normal para demonstrar o impacto na vida de quem tem Hiperacusia. [Spoilers] A direção de fotografia é linda, câmeras desfocando o fundo e a profundidade, mantendo apenas um objeto em destaque, os barulhos isolados uns dos outros, ruídos apavorantes, agudos ensurdecedores. Fiz algumas anotações de detalhes que me marcaram e um deles definitivamente foi o contraste do macacão azul com o nome Harry H. Piano estampado naquela vibe de macacão de operário dos anos 50, contrastando fortemente com as cores usadas nas casas. Brancos, móveis amadeirados, vermelhos, laranjas, amarelos, todos na mesma paleta do aconchegante, do clássico, da riqueza dos teatros, das óperas, dos concertos. Essa briga entre essas duas cores que se contrastam no círculo cromático mostram o deslocamento do Niki ali. Um rapaz pobre, lutando para ajudar o Harry e a família, imerso em um mundo de milionários. Em um filme tão detalhista, algo assim não é colocado à toa. Ver a foto do Dustin Hoffman mais novo tocando piano é muito nostálgico já que ele é um ótimo pianista na vida real há muitos anos. O detalhe da tatuagem do peixe aparecer tantas vezes retratando essa visão de reparar só em uma coisa e esquecer o resto, o bonequinho sempre em primeiro plano. Os pianos da Yamaha estão lindíssimos, são um show à parte. O Niki possui algumas características similares ao TEA, percebi que em interações emocionais iniciais ele se sentia completamente perdido, como no abraço que a Ruthie deu, e ele não teve reação de reciprocidade alguma e também não sabia o que falar em situações comuns de interações básicas de relacionamentos que requerem mais afeto. Uma coisa interessante é observar a resposta emocional dele ao Harry e comparar com a resposta a outras pessoas. Por conhecer muito o Harry, o Niki sente-se em uma zona de confiança e segurança pra demonstrar afeto roubando pra ajudá-lo. No início as cenas inserem essa demonstração em coisas menos corporais como comer juntos, ouvir o que o Harry tem pra falar. Mas no geral o Niki é sempre mais calado, mais introspectivo, menos afetivo (até sentir segurança ou que o outro demonstre algo antes), sem intensidade de demonstração emocional, quando inclusive o relacionamento acaba, mesmo indo ao local de trabalho da Ruthie não há um pedido afetivo pra voltarem a se relacionar, etc. A sensibilidade auditiva, dificuldade ou demora em interpretar algumas emoções faciais e o hiper-foco não são características exclusivas do TEA, mas são as principais. É indiferente o personagem ter ou não. O importante é que esse tipo de filme ajuda o espectador a entender melhor como funciona o universo de quem tem, tenho um sobrinho que tem e é exatamente como no filme. A cena dele acertando tudo por ter ouvido absoluto é muito legal (decorando a senha também), eu admiro muito quem consegue identificar todas as notas e reproduzir músicas sem uma partitura. Eu amo música, então esse tipo de filme é o que eu gosto. Na trilha sonora muito Jazz de qualidade, tem Nina Simone, Herbie Hancock, Charles Mingus, conheço há muitos anos esse tipo de música. O ponto alto musical é definitivamente o Niki tocando e fiquei muito surpresa ao descobrir que o ator Leo Woodall não tocava antes do filme e aprendeu somente os trejeitos mais impactantes pra fazer a cena. Convenceu demais, a cena ficou absurdamente linda, tocante. Já não posso dizer o mesmo da Havana Rose Liu. A atuação não foi muito convincente, mas principalmente, como casal não senti química alguma entre ela e o Leo. A entrega da atriz foi muito fraca dentro do que o filme merecia. Poxa, se você está contracenando com Dustin Hoffman, você precisa se destacar pra não ser engolida. A atriz foi engolida em cena pelos outros atores, após o filme, a gente só lembra cenas que marcaram envolvendo o Niki e o Harry, não senti empolgação pelo relacionamento deles, pelo sonho dela de fluir na carreira, nada impactou, além da cena em que ela toca enquanto o Niki sofre muito com os bandidos. Mas ali o impacto é porque o Niki está se dando mal, e não pela apresentação dela em si. De qualquer forma, a montagem situação versus música clássica fica muito boa. Em O Lagosta eu gosto muito das cenas em que as pessoas correm desesperadas pela paisagem verde enquanto toca a música lentamente. É um contraste muito bom. A questão do relógio não me convenceu tanto, coincidência demais de roteiro o relógio ser logo da pessoa que ela encontraria depois da apresentação. O espectador é mais inteligente que isso, é injusto com a gente essas coincidências meio boas demais para serem verdades. Sobre a atuação do Leo Woodall, eu achei brilhante! É de uma entrega! O ator conseguiu o tempo todo me passar essa inocência no olhar, na feição. E quando ela perguntou do relógio, se era roubado, eu tinha certeza que ele não insistiria na mentira, pois o roteiro e a atuação prepararam a gente pra comprar essa bondade e doçura dele, e o enredo vendeu isso muito bem do início ao fim. A ingenuidade que o ator entregou. Não digo que foi no mesmo nível de Whiplash, que é um filme absolutamente incrível e a química entre o Miles Teller e o J.K. Simmons é impecável, mas é bom sim a ponto de ser marcante. Quem sabe se o Leo tivesse tido com a Havana a mesma química que teve com o Dustin o resultado teria sido tão bom quanto. O roteiro apesar de ser muito bom, também perde para o de Whiplash. Aquele bandido que gosta de cachorrinhos quase ganha a nossa empatia, mas ao matar o tio do parceiro dono das criptos o filme nos lembra de que são pessoas más sim. Acredito que quem mandou o relógio foi ele. Os ladrões entregaram o básico do básico, irrelevantes. Na verdade ele também roubou, e muito, mas na vibe Robin Hood. Um momento que achei triste foi quando o bandido usou a bondade do Niki contra ele, é de um golpe tão baixo. Ainda estou apaixonada pela direção de fotografia, esses takes de menos de 1 segundo como os da cafeteria com o isolamento dos sons ficou perfeito! A cena acelerada do teste ficou boa, mas não casou tanto com a proposta do resto inteiro do filme, talvez tenha sido pra retratar melhor que ele conseguiria concluir antes do tempo. No geral, o filme cativa bastante e traz um olhar mais cuidadoso para o tema abordado, o da sensibilidade auditiva e visual. Lindo!
A régua estava alta, pois gostei muito do anterior. Achei o filme bom, mas não é melhor que o de 2023. [Spoilers] Logo no início temos cenas ótimas e a atuação marcante da Greta van der Brink como Jessica. O olhar, a expressão, o andar, muita entrega. Houve também entrega por parte da Tandi Wright e do Erroll Shand que protagonizaram takes absolutamente nojentos de beijos gosmentos e sangrentos. Me lembrou aquela cena de Saltburn onde o Oli fica com a Venetia enquanto ela está no período. Não senti o Hunter Doohan no mesmo nível de atuação dos demais, a Alice e o Will não me convenceram como casal, faltou química. Gostei muito da atuação da Maude Davey como Polly Price, pois era o mais desafiador, como o espectador ia ver toda a fragilidade dela como idosa, fraca, precisando de ajuda pra tudo, sem memória. Haveria esse contraste dela possessa forte, lembrando de tudo, usando as fraquezas das pessoas contra elas. Gosto dessa dualidade, pois a gente sempre vê idosos como o elo mais fraco nesse tipo de situação onde é necessário correr pra se salvar, aqui não, as pessoas que fogem dela com medo. A equipe responsável pela maquiagem fez um trabalho incrível, porém gostaria de ter visto mais maquiagens e menos CGI. O CGI em excesso tirou um pouco da empolgação para quem consegue identificar, acaba ficando menos assustador do que poderia ter sido. Em muitos momentos no final eu senti essa falta. Gostei muito das referências no filme, uma coisa que me fez lembrar muito o primeiro é essa câmera mais intimista no chão de pertinho, do Sam Raimi nos anos 80, como se o espectador também estivesse ali se escondendo. No primeiro filme da franquia tinha muito esse tipo de ângulo. O meu favorito continua sendo o de 2013. Não fui tão impactada pelas últimas cenas do Will. O filme precisava de algo à altura das cenas da Jessica no lago e na estrada. Gostei também da referência do bicho correndo no meio do mato para chegar até a casa, é bem nostálgica. As cenas de meio corpo se arrastando me lembraram o primeiro episódio de The Walking Dead, a da corrida do Erroll em cima da mesa muito parecida com a de Bugonia. No geral, a direção de fotografia e edição foram muito bem, senti uma vibe de Invocação do mal em algumas cenas, na casa e na colorimetria. Se fosse um filme sozinho, minha nota seria maior, mas a franquia é enorme e tem muito filme bom pra competir com esse. As cenas pós créditos são ótimas, quero ver o próximo já, só me pergunto como a a Ellie estava ali se ela foi completamente triturada, mas lógica em Evil Dead pra quê, né? É engraçado. Sinto que comparando com Scream, Evil Dead se destaca muito, pois há uma evolução, mesmo após muitos filmes, a direção sempre tenta manter um certo nível de qualidade na produção. Não sinto isso nos últimos de Scream, e olha que gosto bastante. Sobre o roteiro, poderia ter mais profundidade, os personagens não são marcantes no nível dos outros filmes. Não entendi o motivo de terem citado violência doméstica e abusividade, se depois o assunto só surgiria de novo de forma superficial. Não dá tempo de cativar o espectador, aí vira uma salada de temas tratados de forma rasa, sem desenvolvimento. Além disso, o final é bem apressado, não combina com o ritmo que o filme estava tendo até então. Aguardo cenas do próximo explicando isso da Ellie ter voltado, se foi por portal de espelhos ou não. Se algum pedaço do corpo não foi triturado... só nos resta esperar!
Falsos boatos acabam com a reputação das pessoas e mancham a vida delas pra sempre. [Spoilers] Atuação impecável do Mads Mikkelsen, que entregou uma vulnerabilidade e sensibilidade em cena. O personagem conseguiu imprimir esse pavor e medo de ser julgado no espectador, ao mesmo tempo em que a direção e enredo do Vinterberg nos colocam no papel do julgador muitas vezes. Mesmo sabendo da injustiça que estava sendo feita, nos perguntamos várias vezes se ele era inocente mesmo e procuramos outros culpados durante o filme. Essa necessidade de apontar alguém para o abate é o que faz pessoas inocentes sofrerem linchamento público em situações que ainda estão em processo na Justiça. A comunidade se junta e cria um júri coletivo na rua e decreta o que vai ser da vida (ou morte) da pessoa. É necessário ter muita cautela em situações como essa, nosso raciocínio moral lógico versus o emocional entra em atrito constante. Temas delicados geram revolta imediata na população quando divulgados pela mídia. Essa sensação de impunidade e proteção do Estado reverbera nos cidadãos que agem com independência. Esse filme me lembra muito o episódio White Bear de Black Mirror, porque o esquema de punição é o mesmo. Ainda nem havia investigação adequada e a comunidade já estava punindo o Lucas e a família dele, agredindo, matando o cachorro, espalhando o boato como dado verdadeiro (e nem era). Em Black Mirror o processo é outro, mas a semelhança é em como as pessoas assistem a tudo, sem interferir em nada (no sentido de parar a punição coletiva), essa coisa de fazer justiça com as próprias mãos acaba transformando as pessoas em seres tão cruéis quanto quem tá sendo acusado justamente ou injustamente (falando com imparcialidade sobre o filme, pois minha opinião é super radical com relação a pessoas que encostam em crianças, eu não tenho pena). É compreensível certo comportamento da população em lugares onde a justiça é lenta e a sensação é de impunidade eterna, ainda mais em países onde o Estado tem toda uma estrutura que protege abusadores, pedófilos, traficantes de pessoas, entre outros criminosos. Em BM a Victória é culpada, mas sem memória e sem saber o que fez, ela é torturada diariamente pela população como se punir os outros fosse um espetáculo divertido, quando na verdade transforma quem pune em uma espécie de pessoa tão cruel quanto (no sentido de cometer crimes, obviamente o nível do crime dela é muito pior). As pessoas vão condenar aquela pessoa pra sempre, seja ela culpada como a personagem de BM ou inocente como o Lucas em The Hunt. O final escancara isso, a sensação de segurança pra quem conseguiu provar a própria inocência continua nula. Onde a pessoa estiver, vai receber olhares estranhos, vai sentir a rejeição no ar, não vai ter a família incluída em quase nada e sempre vai ter alguém perseguindo online ou presencialmente. No caso de quem cometeu algum crime não tão grave, essa sensação de opressão ainda vai criar uma barreira impedindo a pessoa de se ressocializar e se reabilitar. Um bom exemplo disso está no filme Steve, alguns jovens nem querem mais mudar porque a sociedade já definiu que eles são delinquentes e sem solução, então alguns abraçam esse destino definido pela sociedade. A pessoa simplesmente aceita de vez aquela identidade que todo mundo impôs pra ela por falta de forças pra lutar contra (não é o caso do Lucas, porque ele realmente é inocente, mas é importante abordar esse outro lado, que acaba sendo uma consequência a longo prazo). Até o último segundo que pôde o Lucas se esforçou contra esse rótulo que foi imposto a ele, mas na última cena fica nítido que tudo o que ele fez durante o enredo inteiro não valeu de nada e que esse título injusto não vai sair da vida dele nunca. Sobre o roteiro, é brilhante! Mas sinto que as cenas de nudez total se fossem retiradas não fariam a menor diferença na trama, não agregam em nada. O roteiro acerta muito em mostrar diferentes perspectivas de julgadores. As pessoas eram extremamente unidas e depois em poucas horas já crucificaram o Lucas sem nem ter certeza de nada. Outra coisa que o roteiro destrincha muito bem, o fato de que crianças mentem. Há uma tendência natural de acharmos que crianças não mentem sobre temas sérios, mas a verdade é que a criança tem um nível de agreeableness altíssimo. Logo, diante de qualquer frase terminada em "foi isso que aconteceu?", a maioria das crianças vai responder que sim sem nem analisar o que foi, pois crianças não têm maturidade de pensamento formada, não fazem ideia das consequências das mentiras que contam na vida do outro. O interrogatório foi feito de forma inadequada, o correto seria deixar a criança falar, ao invés de colocar palavras na boca da criança. Sobre a falsa acusação, a criança deve ter tido algum background ligado a esse tema pesado, pois dificilmente coisas graves sairiam da boca de uma criança sem que ela tenha visto ou ouvido algo semelhante, por isso todo cuidado é pouco quando os envolvidos são da idade delas. Trabalhar com crianças por si só já é um desafio, crianças tem um imaginário enorme e fértil, mas muitas são puras e não mentem. O importante é analisar a situação com cautela e abrir uma investigação. Lembrando que como eu citei, alguns lugares não colaboram, o que acaba "justificando" a iniciativa popular de querer ver algo sendo feito para parar aquilo. No Brasil, por exemplo, fazer justiça com as próprias mãos é crime previsto em lei. O artigo 345 chamado de "Exercício arbitrário das próprias razões" e a sentença está relacionada ao crime cometido (homicídio, por exemplo), então na ânsia de ser um juiz protetor, a comunidade acaba cometendo crimes também. E com isso, qual a diferença entre ela e o criminoso? Que realmente cometeu o crime ou não. Francis Bacon tem uma frase que se encaixa perfeitamente aqui, "A vingança é uma forma de justiça selvagem. Quanto mais a natureza humana corre em direção a ela, mais a lei deve eliminá-la". Nietzsche também disse que quando a gente luta com monstros devemos ter cautela pra não virarmos um, porque se olharmos muito para um abismo, ele vai olhar de volta pra gente. Essa obsessão por justiça vai consumindo e acabando com a pessoa, pessoas "de bem" matam cachorros, agridem pessoas e maltratam inocentes e suas famílias? Fica o questionamento. O filme passa essa vibe de opressão com as cores da edição e a paleta de roupas, ambientação e objetos é toda pálida do início ao fim das acusações contrastando com a alegria inicial na floresta e no lago. Os lugares são fechados e claustrofóbicos em certos momentos aumentando essa agonia em quem está assistindo. Lugares em que a gente conhece como seguros: igreja, mercado, casa própria, a escolinha, acabam se tornando extremamente opressivos conforme tudo acontece. Ótima direção de fotografia da Charlotte Bruss. As cenas filmadas bem de perto são um acerto enorme. O final do filme é bem frio, um soco no estômago, não tem alegria e nem vingança como na maioria dos filmes, deixado assim pra provocar a gente, propositadamente. Mesmo com todo o esforço do protagonista pra fazer tudo certinho, a mentira, assim como na vida real, não tem freio. Um papel comprovando inocência não é o bastante pra limpar totalmente uma má reputação. Os créditos passam deixando esse desconforto, não há final feliz.
Isso é muito nostálgico! Eu era babá e amiga de duas crianças que são minhas amigas até hoje. A gente assistia todos os dias. Sei todas as músicas e frases até hoje! Hahahahh
Provavelmente a minha favorita do anime. Depois de tanta enrolação finalmente o Kazuya começa a se comunicar de forma mais direta e enfrentar seu medo e vergonha (também conhecido aqui como covardia), o personagem está um pouco mais maduro e encara a realidade da situação. Depois de toda a confusão da viagem que forçou ele a contar (provavelmente não teria contado nunca) sobre os sentimentos para todo mundo, as coisas se encaminham para um relacionamento "começar". Quanto será que esse menino gastou com esse namoro online? Não parece muito compatível com o que ele ganhou de salário durante as 5 temporadas kkkkkkkk. Acho que o Kazuya foi forçado pelas situações da morte da vó da Chizuru, do lançamento do filme, de tomar as rédeas das situações com ela; a amadurecer. Pra quem assiste, o anime melhora muito com isso. Senti uma diferença enorme do oitavo episódio até o último dessa temporada. Foram muito bons, gostei demais do enredo. Os gráficos estão muito bonitos e os momentos estilo chibi são meus favoritos, foram muito engraçados. Chibis deixam o anime mais leve e usar nos momentos de desespero do personagem lidando com a paixão foi um acerto tão grande, ele rolando pelo chão e pela cama quase todo dia, foi divertido demais. As trocas de mensagens passando na tela foi outro acerto, a gente se sente inserido como se estivesse ali também, lendo tudo. Outra coisa que gosto desde as temporadas anteriores é essa coisa do sombreamento no rosto e remoção de background quando os personagens estão pensando. Enriquece demais os gráficos. Voltando aos últimos episódios, o personagem do Kazuya conseguiu conquistar completamente o espectador, ganhou empatia. Superior às anteriores, vale um 3,8 de 5. Mas não chega a um 4, por conta do início da temporada, que seguiu cheio de fillers. Para quem está maratonando as 5 temporadas de uma vez, acaba ficando muito cansativo e saturado. Senti que desenvolveram também o emocional da Chizuru, ela era mais fria e não se expressava tanto além dos momentos de aluguel, aqui a gente percebe que ela usa uma casca emocional e que na verdade é super frágil (apesar de ser forte ao tentar enfrentar a morte da vó sozinha), há uma abertura para deixar o outro entrar. Btw achei bem apelativo alguns eps. Esse estúdio é maravilhoso, espero que lancem mais coisas com esse gráfico.
Incomoda bastante a enrolação. Demora bastante para dar alguns passos de desenvolvimento do personagem principal com relação ao que haviam induzido a gente na temporada anterior. Me incomoda bastante o tanto que a temporada fica normalizando traições em coisas que claramente não é aceitável. Novamente o mundo de todo mundo gira em torno das decisões do Kazuya, que por sua vez, não toma decisão convicta alguma sobre nada, mesmo sabendo que tudo o que ele mais quer já está decidido internamente faz tempo. No final da temporada dá uma melhorada, mas falta muito pra ser empolgante. O Kazu constantemente nega o que sente, sabendo que se ele falasse a verdade, a coisa se resolveria tão rápido. Alguns animes enrolam (eu que sou fã de Naruto que o diga), mas esse aqui consegue ganhar. Pelo menos nos outros animes há muitos personagens e os fillers compensam por nãi vermos sempre a mesma coisa em loop. Aqui é um loop da mesma coisa do começo ao fim. Mas dá pra assistir. Os gráficos estão lindos demais.
Maravilhosa! Mesmo com as mudanças referentes à adaptação, fluiu bem e entregou muito. As paisagens são de encher os olhos, direção impecável! [Spoilers] Ótima performance de Sam Claflin, eu já gostava muito da atuação dele desde Me Before You, que exigiu muito, pois era um personagem sem os movimentos do corpo, em Love, Rosie e Jogos Vorazes também foi super bem. Aqui, a atuação é mais contida, o ritmo dos personagens é mais calmo do que na versão do Caviezel. Com o passar dos episódios a gente se acostuma com o desenvolvimento menos exagerado das expressões. Gosto muito da versão de 2002, assisto com minha mãe desde que foi lançada pelo menos uma vez por ano, então tenho um carinho muito grande pela obra e sempre dá um medo de estragarem com adaptações ruins (se é que é possível arruinar uma história tão linda). A versão de 2024 também me agradou bastante. É muito difícil interpretar personagens que já são consagrados em lançamentos anteriores, e por isso o mérito é total do Sam, o personagem carrega essa vingança que à primeira vista parece sutil, pois ele está sempre falando e gesticulando com muita classe, mesmo quando faz (manda fazer) coisas terríveis, mas no fundo está sim tomado por ira, principalmente aqui, onde a série foca quase nada na relação dele com a Mercedes (embora tudo o que faz é justamente por amá-la), fãs do casal se decepcionaram, minha mãe por exemplo ficou chateada quando no final ela pega na mão dele e os créditos aparecem. Pra mim, não prejudicou em nada a mensagem, ficou muito claro o que aconteceu em seguida. Outra coisa que decepcionou a mamãe foi que não houve o momento em que ela conta sobre o Albert, como no de 2002. Novamente, ficou muito óbvio que eles tiveram todo o tempo do mundo pra conversar. Eu entendo que possa ser algo cultural a questão da expressividade, mas em certos momentos me incomodou alguns atores não esboçarem expressões mais convincentes, como em algumas cenas do Harry Taurasi como Fernand, desde o início quando o personagem ainda era pobre até o momento em que ficou rico, a diferença entre ele e o Guy Pearce é gritante, o do Guy é muito mais irritante, chato, invejoso, há muito mais em cena, o vilão tem presença e destaque, o Harry aqui é engolido quando tá interagindo com o Blake ou o Sam. Blake Ritson esteve ótimo em cena como Danglars, foi uma surpresa boa, não lembro de tê-lo visto em outros trabalhos. Sempre digo, quando você sente vontade de pular na tela irritado com um personagem, é porque a atuação foi muito boa. Ana Girardot foi uma Mercedes convincente (e linda) mas a da Dagmara em 2002 me cativou mais, talvez por ter tido mais interações românticas com o Edmond. Mikkel Boe foi melhor Villefort do que o James Frain em 2002, até porque com 8 capítulos a série teve muito mais tempo pra focar nas histórias individuais dos três vilões. Gostaria de ter visto o Albert e a Mercedes com mais tempo de tela. O Riondino entregou um Jacopo muito querido, mas senti falta do Luis Guzmán que é muito carismático e engraçado, um dos meus personagens favoritos. Nicolas Maupas não entregou tanto quanto o Henry Cavill no papel de Albert, a diferença é completamente perceptível, transpareceu certa inexperiência em algumas cenas, mas não prejudicou a obra. Amo os momentos filosóficos entre o Edmond e o Abade que foi interpretado impecavelmente pelo Jeremy Irons, as cenas na prisão são o ponto forte da série, por ser exatamente onde é formada toda a camada social do Edmond, todo o processo dele migrando de ser alguém analfabeto para alguém extremamente culto sobre todo e qualquer assunto. A série tem um tom mais dramático e sério, apesar de um ou outro momento engraçado. O enredo é muito bom e a direção não falha em nada, alguns personagens são desnecessários no geral, mas o fato de estarem presentes agrada quem leu o livro. O Caviezel e o Sam Claflin pra mim estão no mesmo nível, pois cada personagem pediu uma entrega diferente e os dois deram tudo de si. Estou completamente apaixonada pelos lugares da França e da Itália que aparecem na série, a melhor parte é que não há nenhum episódio em que o espectador não tenha contato com construções lindíssimas em pontos turísticos. As cenas do porto em Malta são maravilhosas. A direção de figurino brilhou tanto, fui pesquisar e descobri que a figurinista é alemã, a Ursula Patzak. Fizeram 800 figurinos de época, deve ter dado um trabalho enorme, essas roupas do século XIX são cheias de camadas, fazer um look já dá trabalho, imagine 800. Os vestidos são cheios de detalhes e espartilhos, passam essa vibe europa meio gótica, combinando com a vibe artística dos casarões e palácios. E os sobretudos masculinos se destacam ainda mais do que as roupas femininas. O bege do Jacopo e o preto do Conde são muito bonitos. O Danglars usa umas composições impecáveis meio old goth e que eu, mesmo sendo mulher usaria 100% rsrs. Ambientação e cenografia também, as porcelanas usadas nas cenas são lindas e exatamente como as da época eram, dá pra perceber que há muito estudo de época envolvido. Vou pesquisar mais obras do Bille August e do Nicola Serra para assistir. Produção maravilhosa! Roteiro muito bom considerando a liberdade da adaptação de fugir do óbvio (normalmente me incomoda essas alterações, mas aqui não). A última cena fechou tudo com chave de ouro! Amo esse livro e até agora a maioria das adaptações fizeram um trabalho perfeito respeitando a obra!
É um filme espetacular, mas deveria ser uma série, afinal são 24 cantos. [Spoilers] Os diálogos simplificados em excesso tiraram um pouco do brilhantismo do enredo. Entendo que foi proposital para atingir o público e vender mais bilheteria, mas prejudica a obra num geral. O filme não representou Odisseu no nível que o personagem merecia. Esse é o tipo de obra que quando adaptada, quem deseja produzir adequa-se à magnificência da arte, não o contrário, que é reduzi-la pra caber num roteiro apressado. Na adaptação, a obra perdeu parte da beleza do encanto e da poesia que ultrapassou tantas gerações, nesses 2800 anos. Esse é definitivamente o papel da carreira do Matt Damon, o ator se entregou tanto, e deu pra sentir, amo papéis em que o personagem está em várias fases, pois dá pra explorar todos os níveis de expressões do ator. É inegável que o Matt deu tudo de si e brilhou em cada momento que teve. Robert Pattinson se saiu muito bem, combinou muito com o Antinous, divertido, traíra, um caos. Mas confesso que eu esperava muito mais, por conta do marketing que fizeram por aí. O Elliot Page brilhou demais como Sinon, eu achei muito especial ele receber um papel de destaque representando a diversidade da comunidade dele. Senti uma crescente do Tom Holland, de cara não convenceu muito, atuação bem morna no primeiro ato, mas depois quando Telêmaco saiu em busca do pai foi melhorando e conseguiu se recuperar a tempo de entregar uma ótima performance nos momentos finais quando eles se reencontram. O papel da Anne como Penélope, foi um dos únicos que senti que teve respiro e tempo suficiente de tela, entregou tudo que a personagem pedia e ainda teve uma química enorme com Matt Damon em cena. A Zendaya me lembrou muito o papel dela em Duna como Chani, não sei se é porque as roupas e cenários quando editados nesse tipo de coloração me lembram a mesma ambientação, mas me remeteu muito à personagem dela de lá. Adoro ela e sei que é uma ótima atriz, pois já a vi em papéis que exigiam mais entrega, mas aqui senti mais do mesmo, até o jeito de olhar e se expressar ficou igualzinho, de qualquer forma, o visual da Atena ficou ótimo. Um dos meus momentos favoritos do filme com certeza foi o da feiticeira Circe transformando as pessoas em animais, não tem jeito, a Samantha Morton definitivamente merece todo o holofote que vem recebendo depois do lançamento. A atuação dela engoliu a dos outros atores em cena. Acho que foi uma das únicas que realmente trouxe o tom que a obra original pedia, teve pouco tempo de tela e aproveitou cada segundo. Também gostei bastante da cena do ciclope, e fica muito evidente o detalhismo e cuidado do Nolan, preferindo usar uma marionete para que as cenas ficassem super realistas, deu certo e ficou impactante. Uma cena que realmente me chateou por ter sido curta foi a das sereias, eu tinha muita expectativa com essa parte, eu esperava que o filme tivesse se aprofundado nos mitos envolvendo elas, pois são super aclamados pelo público, teria ficado incrível. Mas não, a cena foi apresentada de longe e super apressada, não deu tempo pra nada, não houve conexão do espectador com o momento. O pouco que vi nos filmes cenas de sereias eu gostei tanto, lembro que se destacaram a de Lighthouse e as de Piratas do Caribe. Embora no livro seja totalmente diferente, é mais sobre atrair com conhecimento do que com a beleza, mas combinava muito com Odisseu por ser alguém que amava a sabedoria e o conhecimento, era o tipo de armadilha em que ele se enfiaria. É uma parte épica dos livros e merecia mais, eu acabei esperando que fosse uma cena maior porque a Circe até reforça com eles que elas eram perigosas e que quem ouvia o canto delas nunca mais voltava pra casa. Um dos momentos mais tensos que deveria vir logo em seguida foi super rápido, perdeu completamente a graça de acompanhar, o estreito de Cila e Caribdes nem teve destaque algum, nem deu pra ver o corpo direito. Apesar de toda a correria e alguns diálogos serem sem profundidade alguma, o filme ficou muito bom, as paisagens são lindas e imagino o trabalho que deu levar todo o elenco e materiais cenográficos e equipamentos de produção para todos esses lugares do mundo, o Nolan sempre sabe o que faz, os 800 milhões de bilheteria respondem por si só. As cenas do cavalo em Tróia são muito bem produzidas e passam aquela sensação de agonia do início ao fim. Fico feliz de ver tanta gente que nem conhecia a obra, buscando comprar e ler Homero. Ótima direção de ambientação, sonografia, edição, coloração e figurino. Uma obra-prima!
Por enquanto é minha temporada favorita do anime. Gostei dos episódios, o personagem se abre um pouco mais e começa a questionar as próprias emoções. Foi muito menos apelativa que as anteriores, o que é bom. O fluxo de personagens aumentou, saiu das mesmice. Gostei dos últimos episódios. Meu problema com esse anime é a enrolação e a naturalidade com que as pessoas não falam. 80% dos problemas seriam resolvidos se eles falassem o que estão pensando. Mas entendo que se falassem o anime só duraria 1 episódio. O Kasu é babaca. Não importa a motivação de alguém, se esse alguém não consegue terminar com o outro msm gostando de outra pessoa, cendendo aos caprichos e chatagens, é babaca sim. No geral, não sei como essa mentira foi tão longe kkkkkk ô povo mentiroso. Eu acho muito engraçado quando aparece ele com qualquer menina em um encontro e o povo na rua "nossa, que gatinha" "que sorte dele", tipo... a gente sabe que no Japão a cultura do dia a dia é a pessoa ser super tradicional e respeitosa, zero chances de uma cena dessa acontecer. Claro que os animes de lá claramente são o contrário do que essa cultura prega. Tô pegando um ranço da Ruka. Que menina chata! Kasu é muito covarde, o cara deixa as pessoas decidirem o destino dele, é muito irritante. Muitos episódios fillers, mas a temporada superou as outras.
Não melhorou muito da primeira temporada pra essa, mas pelo menos o cara tem uma mínima motivação agora. Os gráficos são ótimos, mas o enredo ainda não é tão bom.
Completamente clichê? Sim! Mas é clichê do bom. É leve (depende do ponto de vista, já que tem bastante cena de nudez), tem personalidade, pois aborda assuntos bem pesados que a maioria das séries nessa pegada simplesmente ignora. [Spoilers] Não é pornografia gratuita, com o desenrolar da série os assuntos mais complexos ganham espaço e os personagens que pareciam completamente fúteis ganham camadas mais profundas. Abordar assuntos como abuso sexual, violência doméstica, confusão emocional, falta de comunicação adequada e pressão familiar foi um acerto enorme da série. Ao mesmo tempo, sinto que a falta de experiência de alguns atores acaba impactando na entrega. Algumas atuações são tão sem sintonia com a expressão pedida. Maneirismos são sempre bem-vindos na construção da identidade de um personagem, mas em exagero prejudicam a cena. Senti muito isso na atuação do Belmont Cameli, em certos momentos soou completamente artificial, aconteceu com a Ella Bright, mas numa proporção bem menor. Nada que prejudique a série. O casal Hannah e Garrett funciona, mas nas cenas dos beijos por exemplo, são completamente engolidos pelos atores Stephen Kalyn e Mika Abdalla quando o assunto é a química entregue por Allie e Dean. Me peguei em alguns momentos mais curiosa pra saber o que acontecia com eles do que com o próprio casal principal, embora também havia química entre eles. Joshua Heuston entregou o que a série pediu, fazer carão e cantar. Quando as músicas foram apresentadas pareceram bem fracas, mas esse é exatamente o ponto, a gente está tão acostumado com aquela coisa artificial do compositor amador na cena parecer perfeito, cheio de efeitos e mixagens em excesso, que até estranha quando vê essa entrega ser mais natural de propósito, então foi algo bom (tem mixagem, mas é mais limpa). O casal principal não segue o padrão de sempre, a mulher supermodelo muito magra cheia de procedimentos e o homem sem traço algum por conta do botox exagerado (como a aparência por exemplo do Charlie Evans, que é mais padronizada), o Belmont não, é uma beleza mais natural, apesar do ator ter um corpo atlético e 1,85 de altura. Apesar de não aparecer muito, o Steve Howey se saiu muito bem, senti aquele pavor de que algo estava errado desde o primeiro momento da atuação dele como o pai, mérito do ator. No geral, única coisa que mais me incomoda nesse tipo de série é a direção não confiar na capacidade do espectador de decifrar as coisas. Aquele tipo de cena onde aparece um refrigerante e alguém diz "olha, um refri", é completamente desnecessária. O espectador reconhece um refrigerante numa cena, não precisa ditar isso. A gente volta àquilo da produção ser feita pra quem está no celular assistir enquanto digita. Pra quem assiste prestando atenção, acaba se tornando incômodo. Antônio Cipriano entrega o que o personagem Logan pede, como não exagera nos maneirismos, gera uma empatia maior na gente do que o Belmont (a Julia Sarah Stone está a cara da Taylor Momsen como Jules). A história do Garrett por si só já gera empatia no espectador, então mesmo com os maneirismos o personagem é abraçado pelo público. As cenas de sexo aqui são mais bem feitas do que em Euphoria por exemplo, que as joga de forma completamente gratuita, sem justificativas. Aqui são momentos de intimidade ou descobertas dos personagens, tudo se encaixa. Gostei muito nas cenas finais, da tela dividida enquanto tocava Fade. A edição, coloração e contraste usados na série são bons, combina com essa vibe moderna escolar. A Ella Bright está belíssima. Trilha sonora maravilhosa!!! O uso do blur (embaçamento) em excesso na série incomoda um pouco em alguns momentos, em que, de longe, o rosto e cabelo da pessoa se misturam com o embaçamento do plano de fundo e viram uma coisa só, quem não mexe com edição, provavelmente nem vai notar. No geral é uma série muito boa, quando comparada com a levada de séries do mesmo tema e época, hoje em dia faz falta séries divertidas e despretensiosas com amores clichês, nos anos 90 havia uma cartela bem maior do nicho. Hoje há tentativas de reprodução dessas séries e filmes, mas a maioria é horrível. A série se sobressai por arriscar e acertar. Não li o livro, mas vi que muita gente achou a adaptação ótima!
Completamente dilacerador! Que história (real) triste! O enredo é alinhado com o objetivo do filme que é passar a mensagem crua e bruta, sem dó nem piedade de quem está assistindo. Fica aquele gosto amargo ao desligar a TV, e você nunca mais vai poder desconsiderar isso. Impossível querer seguir em frente sem levar em consideração que nesse momento em que escrevo isso uma pessoa está sendo traficada em algum lugar no mundo e outras estão em trabalho escravo ou prostituição forçada. Andei pesquisando e fiquei mais triste ao constatar que o número citado no final do filme aumentou, quando o filme foi lançado, o tráfico de pessoas movimentava 150 bilhões por ano, segundo o último relatório da OIT (2024), o número já havia saltado para 236 bilhões de dólares por ano. Isso explica completamente a questão de ser tão burocrático lutar contra esse tipo de crime. Tudo que traz tanto lucro, carrega dedos e mãos de integrantes de entidades que deveriam proteger as pessoas. Ninguém lucra tanto sem a ajuda de policiais corruptos, políticos, órgãos governamentais federais, estaduais e locais. Não é só sobre a menina que é levada voluntariamente por um pai inocente até uma agência de talentos e modelos, mas também sobre as que desaparecem na calçada de casa, levadas por pessoas muito bem remuneradas para esse tipo de "caçada". Esse lucro não subiu 37% à toa. Há mais e mais colaboração desses órgãos que são facilitadores do crime. Saber que os EUA são o país que mais consome esse tipo de exploração é ainda mais triste. Acha mesmo que um país grande como esse não teria condições de combater e exterminar esse tipo de crime, se quisesse? Policiais como o Tim são 1 em 1 milhão (e olhe lá). A corrupção está espalhada aos montes no Estado. Muitos desses órgãos também são consumidores da exploração dessas crianças e adultos. Todos já vimos reportagens nos noticiários sobre políticos que visitam ilhas com crianças exploradas. Vimos no Brasil (como em Marajó), vimos nos EUA (em casos como o do Epstein), algumas poucas pessoas foram presas e nada mais, o dinheiro do tráfico aumentando e esse povo do colarinho branco solto por aí comprando crianças como quem compra pão numa padaria. Tudo isso é muito triste, e pior, pouco noticiado. A mídia não dá a devida atenção que esse assunto merece. O relatório global sobre escravidão moderna estima que 50 milhões de pessoas estão em situação de escravidão e mais de 27 milhões fazendo trabalho forçado e sendo exploradas sexualmente. É um número enorme. Os dados mostram que 1 pessoa é vítima de tráfico humano a cada 30 segundos no mundo, 2 pessoas são traficadas na fronteira por minuto e 1 criança é vendida para exploradores a cada 2 minutos. São dados assustadores! É um negócio rápido e que acontece o tempo todo. No fim do dia sabe-se lá onde essas 720 crianças vão estar. Enquanto isso, a gente seguindo a vida preocupado com o que foi ou deixou de ser assunto no entretenimento hoje. Criador de conteúdo divulgando casas de apostas enquanto poderia dar visibilidade para causas como essa. É vergonhoso! Ser adulto não livra ninguém de nada, 42% a 46% das vítimas são mulheres (adultas), se somarmos às crianças do sexo feminino o número chega entre 60% e 65%. É muito lamentável! Você sai pra viajar para a Europa e ninguém nunca mais te vê. Mas você continua viva e dopada em algum lugar do mundo sofrendo abusos íntimos ininterruptos. Alguns filmes que eu lembro ter assistido recentemente que retratam o assunto são Taken (Busca Implacável) e Amber Alert (história real). Tem também Extraction, O Vazio de Lilith, Turistas e Sem Saída. Cada um do seu jeito e gênero expondo o assunto de forma nada sutil. Me incomoda que em alguns sempre apareça no final o herói americano salvando o mundo, ora, acabamos de ler nos créditos do filme que os EUA são os que mais exploram essas pessoas. A finalidade é levar pra lá. Soa meio hipócrita! (Não no caso real de Som da Liberdade, mas no geral). O norte-americano entra no cinema, assiste, sai com a consciência aliviada porque está com a filha bem e sã na cadeira ao lado, enquanto o pai latino ou europeu não dorme há anos porque teve a filha raptada e levada como objeto pelos criminosos patrocinados por eles. Soa injusto! Sinto falta de filmes mais realistas no tema, que terminem deixando aquela sensação horrível que incomoda todo mundo e tira o sono por dias (embora esse faça isso). Em Som da Liberdade ele busca a Rocio, mas na mesma ilha milhares de pessoas ainda continuam traficadas, é a dor da realidade. Não tem como encerrar o filme feliz com ela sendo salva, e a Maria, e a Bruna, e a Lucia, e todas as outras? Quem vai salvar? Ótima direção, ótimas atuações do Jim Caviezel e do Bill Camp, vale ressaltar que em alguns momentos o Jim exagerou, eu diria que no terceiro ato, às vezes menos é mais. Ótima edição, coloração, trilha sonora e ambientação!
Genérico! Como pode alguém desrespeitar uma das melhores obras literárias já escritas? O livro Animal Farm do George Orwell foi escrito com o objetivo de trazer impacto, não é à toa que mudou a minha vida, eu claramente sou uma antes e outra depois de ter lido, aprendi a me posicionar e notei a importância de me manifestar, de observar, de opinar, de cobrar, de querer uma sociedade mais igualitária mesmo sabendo que praticamente não existe, uma vez que o ser humano é corrupto. Também aprendi meu lugar na sociedade enquanto cidadã pensante. [Spoilers] Um filme com piadinhas e momentos de descontração sem sentido algum, desfocando completamente da mensagem principal não representa a obra e o autor em NADA! Não há impacto em momento algum, e em poucos momentos sérios como o da despedida do Boxer não cativam a gente completamente como deveriam, pois o sacrifício deveria ser algo cruel e pesado representando a maldade do sistema. Há um vazio assistindo ao filme, um gosto de "cadê o básico?", não entregaram nem o mínimo. Não achei as dublagens boas (assisti em inglês). Faltou aquele soco no estômago que esse tipo de adaptação dá. O final sem nexo algum, o famoso "tudo deu certo e foram felizes pra sempre". Adivinha? George Orwell acertou e na sociedade atual ninguém está feliz. O final era pra ser brutal e cruel, não esperançoso. As pessoas trabalham dia e noite pra ter o prato principal na mesa, e algumas nem isso têm. As pessoas morrem em nome da revolução, em prol do que acreditam, lutando por uma sociedade melhor. Políticos perseguem civis à luz do dia. Não senti que cada personagem representou bem o seu papel a ponto de o espectador que não leu o livro entender a missão de cada um ali, quando o Snowball é traído pelos colegas, o filme não enfatizou como deveria, e era algo importante. A fazenda não passou a sensação de opressão e escravidão que deveria ter passado. O correto é sair de um filme desse questionando o sistema todo, reconhecendo quem dos personagens é a gente e trabalhando em cima da ideia de lutar por um mundo melhor. O livro faz nascer nos leitores pensamentos revolucionários. A animação não serve pra crianças, que não entenderiam nem 30%, e nem para adultos que aguardavam a adaptação, pois é vazia e sem respeito aos personagens originais. Nomes de peso fazem parte do elenco e mesmo assim é um desastre. Vi algumas entrevistas do diretor após assistir e é basicamente ele tentando justificar o fiasco. Ele diz que queria muito fazer, pois lia o livro quando era mais novo, e isso é o que mais me pega negativamente, como pode alguém que admira tanto o Orwell pisar tanto na obra dele? Fica aí o questionamento. Direção de cor não é boa, parece feliz demais ao invés de passar o tom opressivo, roteiro péssimo, produção também. Foi difícil acompanhar até o final. O totalitarismo no livro não é piada, pessoas morreram e morrem todos os dias vítimas desse tipo de regime. Transformaram a denúncia que a obra fez em diversão descartável e nada memorável. O filme parece ter sido feito pra ser um produto, que é o contrário do que exatamente deveria criticar. O George Orwell não tinha medo de escancarar as coisas de forma crua e direta, e essa é justamente sua essência e legado. Nota zero.
Esse filme me lembrou "I don't wanna miss a thing" do Aerosmith. A dependência emocional foi tão bem representada! Que crítica incrível! Direção de fotografia e iluminação impecáveis! Edição maravilhosa, gostei da coloração amarelada contrastando com magenta. Ambientação e figurinos bem Indie, assim como a trilha sonora, que inclui até Current Joys que eu ouço há tantos anos. Tudo aqui flui e nada é por acaso, todos os pequenos detalhes fazem diferença no enredo. [Spoilers] O roteiro prova que até mesmo o amor, que é algo considerado bom e e basicamente a essência que move o mundo, em doses erradas aterroriza a alma de qualquer um. O filme traz temas fortíssimos como dificuldade em lidar com a rejeição, dependência emocional, narcisismo e desespero por validação. A verdade é que todo mundo quer ser amado, mas lidar com o amor é como jogar na loteria, você ganha tudo ou perde tudo, na maioria das vezes é a saúde mental. Quem precisa de objeto encantado dos desejos quando se tem dopamina? Lidar com o efeito dopamínico da paixão no cérebro é uma das coisas mais difíceis do mundo, não é à toa que comparam cientificamente com o efeito do uso de drogas. O ser humano deveria vir com um aviso de "Cuidado: amar causa dependência e danos colaterais". É importante reforçar que muita gente entra saudável em relacionamentos que terminam em um ponto de drenagem emocional que acaba com os dois envolvidos. O adoecido adoece o outro aos poucos. Narcisistas tratam as pessoas bem e de repente começam com a indiferença, a pessoa se vê em uma situação mental de vínculo traumático onde há a maior dificuldade de se afastar, a dependência emocional age como um imã adoecendo o apaixonado que já não consegue se ver em uma vida sem o outro e serve de suprimento para o narcisista que não consegue viver sem arrancar isso da vítima, sempre prometendo que vai mudar, mas nunca muda ou libera o outro, a não ser que seja na fase de descarte. O Baron não consegue lidar com a rejeição e deseja que ela o ame muito, mas ao receber todo esse amor percebe que ele não queria ser a pessoa mais amada do mundo, mas sim amava a ideia de ser a pessoa mais amada do mundo. Por várias vezes teve a oportunidade de liberar ela, no sentido contar para os amigos e pedir ajuda. Mas a validação de ter alguém disponível 24 horas por dia acabava falando mais forte (no início). O amor é uma ideia, não é algo real, como as pessoas administram os sentimentos diante da ideia de amar que é real. Na maioria das vezes as pessoas confundem paixão com amor. O amor é leve, é estável e recíproco. A idealização dele é pesada, amarga e trágica, porque carrega uma ligação não genuína, é apenas dopamina descarregada pelo cérebro através da expectativa gerada pelo desejo de ser validado. Os que conseguem administrar a dopamina migram para a estabilidade de ter algo que valha a pena e seja duradouro (talvez). Mas por que mesmo quando algo foi bom dói quando termina? É porque a ideia de ser validado se vai e a pessoa volta a lidar com a solidão e o desespero de viver sem algo a mais que "faça a vida ter sentido". Uma coisa muito importante é que o enredo traz a dinâmica do briga e fica bem, o clássico dos relacionamentos abusivos. A pessoa grita, sobe o tom de voz, e em seguida pede desculpas, o casal se relaciona e no outro dia tudo de novo, o ciclo vai se repetindo e os níveis de maus-tratos vão piorando. Há casos em que o parceiro construiu essa insegurança e a pessoa age por defesa e medo do abandono, principalmente as que citei que eram saudáveis antes de conhecer a pessoa. Mas na maior parte das vezes o abusivo age de caso pensado e tem noção do que está fazendo. A vítima se afunda interpretando um personagem irreconhecível, destoando da realidade de quem se é, perdida em fragmentos, momentos intercalados de si e do que o outro fez de si. Porque lembremos que a Nikki não fez essa escolha, o Baron pensando apenas em si mesmo, a fez por ambos. Lá no fundo, em seu interior, a Nikki ainda estava e gritava desesperadamente para sair dessa dinâmica abusiva, mas não conseguia, porque o controle disso está quase sempre na mão do narcisista, que mesmo diante do que todo mundo percebia sempre respondia que na relação estava tudo bem. Na cena em que ele come a carne de gato, me veio à mente que se a gente entra em algo após uma situação de vulnerabilidade como tentativa de escape, ela sempre vai estar ali, aquele gosto amargo e sem vida daquilo não é curado com um relacionamento, e sim com a terapia. No terceiro ato há tentativas de ambas as partes saírem do relacionamento, a Nikki deseja mais morrer do que estar nisso, e ele se mata, pois a morte parece a escolha mais feliz do que uma vida infeliz e depressiva, abusiva e violenta ao lado de alguém. Na vida real, muita gente não aguenta mais essa dinâmica de maus-tratos e acaba tirando a própria vida, muitas Nikkis (mulheres que após tanta violência psicológica, verbal ou física preferiram morrer), outras Nikkis com a entidade (pessoas que tiraram a vida do parceiro ou parceira por ciúme obsessivo) e muitos Barons (já vimos casos até do homem que matou a família toda e se matou em seguida), sem ferramentas para lidar com o "amor", o ser humano é apenas um peão descartável num jogo que libera dopamina barata e escraviza os envolvidos. Acho a última cena importantíssima, a Nikki consegue sair de tudo isso, mas... como lidar com a vida após o terror de um relacionamento abusivo? Você fica sem rumo, sem saber por onde começar, com o emocional em frangalhos e com a mente toda danificada. Haja antidepressivo e terapia. A trama me lembrou Together que retratou também a dependência emocional. As atuações de Michael Johnston e da Inde Navarrette estão impecáveis. A cena da mesa do restaurante, da noite de trívia e definitivamente aquela em que ela sorri enquanto faz xixi nas calças são os destaques pra mim. Já o Michael, entrega muito nas expressões, sem precisar falar nada. Há uma ótima química em cena entre os dois. O espectador sai do filme com essa consciência de tentar tratar das emoções ao gostar de alguém de forma mais equilibrada, mais pé no chão, com espaço e individualidade. Com a certeza de que a má administração do amor gera caos e sofrimento para todos que estão ao redor. Direção esplêndida de Curry Barker. Nota máxima e com certeza entrou para o meu top de filmes favoritos nessa vibe de terror.
É divertido, mas não memorável. Não vai ser o pior e nem o melhor anime da vida de alguém. As motivações são bem brochantes, com o tempo o enredo melhora. Muita coisa fútil e enrolação, na maior parte do tempo é machista e hipersexualiza a mulher, que tem tudo da própria vida girando em torno do Kazu sem justificativa alguma. Alguns comentários ridículos como se todas as mulheres tivessem que ter corpos padrões. Os gráficos estão lindos. É que existem animes bons no nível Attack on Titan, a régua anda alta.
Um filme sobre amor, amizade, esperança e recomeços. Que jeito lindo de representar o processo de superação do luto. Foi uma ótima surpresa! Não prometeu nada e entregou muito. Confesso que achei que seria mais um romance clichê chato, a indústria cinematográfica não tem entregado muitos romances bons ultimamente. [Spoiler] Gostei muito que o foco aqui foi nos laços de amor, e não na objetificação do amor romântico em si, há muito mais momentos da protagonista sozinha, em família ou lidando com as adversidades das perdas do que com o par dela em cena, o que não prejudicou em nada o enredo, pelo contrário. Há um estranhamento no tom do filme, a parte da cozinha do Chef não acrescenta tanto ao roteiro, mas acaba fazendo sentido no terceiro ato. É que destoa um pouco da empatia que o luto que a Jill tá enfrentando causa na gente, essa compaixão sentida pelo espectador acaba sendo atropelada pelo contraste das cenas na confeitaria inicialmente. O filme aborda temas como machismo, sexismo, invasão de privacidade e bullying, vale lembrar que ouvir as conversas da caixa postal de alguém é completamente sem noção e não deve ser romantizado jamais, é bom que o roteiro coloca a Jill infeliz ao perceber que o Wes fez isso. Satiriza os participantes de programas como o Masterchef que saem achando que são o próprio Gordon, vale lembrar que em cozinha profissional desses restaurantes caros de SP o que mais tem é gente humilhando funcionário nesse nível, promovendo homens, e mulheres há anos na mesma função secundária. Foi um acerto enorme do roteiro focar na Izzy, tudo gira em torno dela no enredo, mas não fica forçado, até porque foi outro acerto da produção ter escolhido quase 2 horas de duração, tempo suficiente para contar a história sem pressa, sem interrupções, sem deixar pontas soltas. Amei a referência a The Notebook, que é meu filme favorito de romance, citando a frase icônica "If you're a bird, I'm a bird", que o Noah fala para a Allie, peguei assim que ela disse. O mais legal aqui é que ela fala isso para a irmã e não para um cara, mas no final ela inclui ele como um pássaro também. O filme retrata o amor de irmãos, o amor-próprio que a Jill vai encontrando aos poucos, o amor de amigos que o Wes encontra na Breeda e no Andy e o amor romântico, que às vezes nasce mesmo sem você nunca ter visto o rosto de alguém. Acho que amar é sobre isso, sobre vibrar na mesma sintonia que alguém, independentemente de qual seja seu laço com essa pessoa. Sobre a Breeda e o Andy, faltou um pouco de entrega nas atuações do Harry Shum Jr. e da Leah McKendrick, apareceram pouco, mas a química não estava tão presente, os atores pareciam desorganizados na cena em que falavam juntos, as primeiras falas muito artificiais. Zoey Deutch entregou muito do início ao fim, alegria, tristeza, revolta, paixão e uma pitadinha de loucura. Tudo que o roteiro pediu ela entregou com muita naturalidade e zero quietude. O Nick Robinson como Wes é aquela coisa: qualquer ator poderia fazer, não é um papel que exige tanta entrega, acho que o roteiro só precisava mesmo de um rostinho bonito que entregasse o básico, e que bom que o filme não foi tanto sobre ele. De qualquer forma o casal "convenceu" (teve química, mas não foi memorável), ele atua bem, mas, por exemplo, se destacou muito mais em Maid do que aqui, aqui é zona de conforto, lá ele fazia um cara abusivo e agressivo, que exigia muito mais dele. É um romance dos bons, mil vezes melhor do que Office Romance lançado recentemente com a JLo, que falhou miseravelmente em entregar até mesmo o básico. Nick Offerman, como sempre, pegando papéis em que a gente vai odiar o personagem, coitado. Tanis Dolman não me convenceu nas cenas do hospital, foi engolida pela Zoey. Destaque para a Alice Comer que fez a Jill criança. Trilha sonora maravilhosa com curadoria da Este da banda Haim, ficou muito boa. No geral, é um filme que dá pra ver em família sem constrangimentos, e todos vão sair querendo abraçar a protagonista, se identificando com muita coisa. Reforçando: ouvir mensagens e seguir alguém logo depois é crime de stalker, é importante não confundir roteiro com vida real. O roteiro ficou aguardando alguém gravar desde 2019 eu relevei, as pessoas normais não levavam a tecnologia tão para esse lado de perigo como hoje, mas em 2026 todos nós sabemos que a tecnologia tem suas armadilhas, tipo um doido ver suas coisas nas redes sociais e começar a te seguir. O roteiro abordou o tema quando ela se chateia, mas faltou ser um pouco mais enfático e rígido quanto a isso. Afinal, stalkear alguém assim, se infiltrando na vida da pessoa após invadir a privacidade é crime.
A mensagem desse filme é muito boa, pena que as atuações não são as melhores. Sempre indico ele para quem tem filho pequeno, para que tudo que a verdadeira Amber passou não tenha sido em vão. O Amber Alert existe e avisa aos pais quando há atividade incomum ali na localidade. É importantíssimo porque ajuda a salvar vidas. Só porque as pessoas andam por aí em suas redes sociais fingindo que não existem sequestros, abusos, pedofilia, tráfico humano, entre outras coisas horríveis no mundo, não faz com que não existam. Esse filme é de utilidade pública. Sinto que fico mais e mais desconfiada com o tempo, eu sempre observo tudo ao meu redor, principalmente se os meus sobrinhos estiverem por perto, olho com atenção quem tá olhando pra eles, até mesmo gente de "confiança" que está sempre por ali. Atenção redobrada nunca é demais, as crianças são as mais visadas no antro das maldades humanas. Aqui o cinema exerce sua função de comunicador informante, se cada pai que assistir ficar um pouquinho mais atento, o objetivo do filme terá sido concluído com sucesso. O Tyler James Williams é um ator talentoso, mas aqui não entregou muito, a direção não soube trazer o melhor dele à tona. Hayden Panettiere não me convenceu em nada, acho que a vibe toda dela não se encaixou muito bem com o que o personagem pedia. Não houve química entre o elenco. O espectador assiste ao filme tenso e preso à tela pelo fato de o tema ser algo que mexe muito com qualquer um, e não porque as atuações estão brilhando. Afinal, ninguém quer ter o filho sequestrado jamais. É um filme que soca o estômago, ainda mais quando há milhares de artigos jornalísticos na vida real sobre crianças engaioladas e traficadas nas mesmas condições. É um conteúdo pesado, mas necessário para quem quer estar sempre atento e prevenido.
220 Volts (2ª Temporada)
4.5 9Mesmo nível de qualidade da primeira! Impecável!
220 Volts (1ª Temporada)
4.4 31Meu programa de humor favorito junto com as temporadas de Key and Peele. Amo quem consegue transformar as piores situações possíveis em crítica social usando o humor. Isso é talento puríssimo! Paulo Gustavo é um dos melhores comediantes que eu já vi. Eu amo a Nossa Sra dos Absurdos. A criatividade desse homem não tinha limite! Que falta ele faz! Ainda bem que a gente pode reassistir sempre que quisermos pra matar a saudade. Nota mil!
A Vila (1ª Temporada)
2.8 7 Assista AgoraAssisto pra matar a saudade do Paulo Gustavo. Alguns personagens não fazem a menor diferença na trama, mas ele sempre me faz rir. Em Vai Que Cola ele também carregava as temporadas nas costas. Depois o pessoal ganhou carisma e rendeu também. Mas aqui só o Paulo mesmo. As séries de hoje em dia realmente não são tão boas como as de antigamente (Toma Lá Dá Cá).
Toma Lá, Dá Cá (1ª Temporada)
4.1 273Humor de qualidade. Essas séries de comédia dos anos 2000 são muito boas. Dou muita risada!
Closer: Perto Demais
3.9 3,3K Assista AgoraUm filme sobre autossabotagem! Essas pessoas simplesmente são inimigas da estabilidade dentro dos relacionamentos. [Spoilers] Sempre que a coisa tá começando a dar certo, eles começam a cavar a cova do relacionamento até ele morrer. Confessar algo de forma tranquila ou como ato de arrependimento, ok, mas aqui, os personagens fazem isso de forma forçada, é o que falei da autossabotagem, pra quê querer detalhes de algo que vai ferir tão fortemente? Péssimo. Esse tipo de controle é punitivo. A Alice apesar de tudo, é a mais estável ali. Sinto que ela tem muitos problemas psicológicos, feridas do passado, mas mesmo assim tenta se manter forte no meio de tudo o que acontece na dinâmica dos relacionamentos conturbados entre os quatro. Narcisismo, controle, frieza, infidelidade, mentiras, acabam virando coisas comuns na rotina deles. Coisas que eu considero pesadíssimas e que não deveriam passar nem perto das pessoas. Todo mundo se diminuindo e se desdobrando em partes pra caber no mundo do outro, e quando consegue, começa a construir alguma intimidade, simplesmente destrói a relação e sai fora com qualquer desculpa que encontra. A Alice usa nome falso desde o início, mas parando pra pensar em tudo que a personagem já passou, acaba sendo aceitável, pois foi pra se proteger. E sair do jeito que ela saiu, sem inventar desculpas quaisquer, mandando a real na cara do outro, requer muita coragem. É a minha atuação favorita no filme, há uma entrega genuína por parte da Natalie em todas as cenas, são marcantes. Gosto de como estão montadas de forma desordenada passando pra gente essa sensação de bagunça que é reflexo do que o enredo conta. Tá tudo sempre bagunçado, a Alice sempre com visuais e cabelos diferentes, em busca de uma identidade nova, tentando se encaixar em algo que faça sentido. Com certeza a maior cena é a do Clube, ela como stripper, que é uma profissão de vulnerabilidade, onde a mulher está à mercê de tantos perigos mesmo com câmeras, reagindo com estabilidade emocional a todas as tentativas do Larry de desestabilizar ela. E isso que ele faz infelizmente é muito comum, quando a gente se decepciona muito com algo tende a descontar nossas frustrações no outro, parece mais fácil do que culpabilizar a si mesmo. Todos eles parecem ter medo de relações e laços genuínos, encontram fugas em chat online, em casos passageiros, beijar estranhos sem conexão. A Anna usa o estúdio fotográfico como QG da solidão. A relação dela com todos é sempre tão confusa. Ela parece querer algo, mas ter marcas que a fere demais pra conseguir abrir espaço para que o novo a preencha. Esse triângulo amoroso entre ela, o Larry e o Dan só serve pra confundi-la ainda mais, e a dependência emocional acaba fazendo com que eles se prendam um ao outro sem amor algum. Todos nós queremos alguém, ninguém quer a solidão da falta de afeto, mas ter alguém e viver numa solidão maior do que a de solteiro, não é pior? Se sentir sozinho pelo fruto do vazio entre duas pessoas é ainda mais doloroso. Achei tão patético quando os homens ficam competindo por território e explanando a parte sexual um para o outro. É só pra ferir o ego do outro, é violência psicológica gratuita. Fiquei muito revoltada quando o Dan bate na Alice. Dá pra sentir o quanto ela suportou toda a situação entre os casais para que no final tudo desse "certo" pra todos, até que ela se dá conta de que não é aquilo que ela quer pra ela. É possível deixar de amar alguém tão rápido? Acredito que sim. O amor tem que ser leve e não inclui suportar comportamentos abusivos e narcisistas, tais como desentendimentos diários, agradar o ego do outro o tempo todo, estar sob controle emocional, submissão forçada, e o mais grave: violência doméstica. Aquele tapa foi tão egoísta, era 100% sobre a masculinidade frágil dele de não ter aguentado saber os detalhes da relação sexual dela com o Dan, detalhes que ele fez questão de implorar por. Ele faz de tudo pra que ela conte e em seguida a pune, é de uma covardia! O Dan mesmo é um dos personagens completamente sem ética moral pra querer vir exigir isso dos outros, se interessou pela Alice quando ele namorava, depois tendo algo com ela se interessou pela Anna, depois aparentemente ficou interessado no Larry (que só chegou na vida delas porque foi enganado por ele), depois ficava nesse vai e vem brigando pela Anna, que quis o Larry e como sobra e impulsionado pelo mesmo, foi atrás da Alice. Ninguém tá certo, só há egoísmo por parte de quase todos. Tudo gira em torno das vontades e desejos, nada em torno do sentido emocional verdadeiro de amar. A Alice percebe que tá sendo usada pelos dois, disputada como um troféu qualquer, coisa inclusive muito comum entre a sociedade atual ( infelizmente, 20 anos depois e o mundo é o mesmo), ela impõe limites e as pessoas não querem respeitar. No estúdio da Anna ela pede pra ser respeitada, na boate, no quarto com o Dan no final, após momentos dolorosos a personagem aprendeu a criar esses limites e a decidir sair de verdade da vida de quem não os respeitasse. Por isso, inclusive, que no final a Jane (abandonou a identidade de Alice) caminha sorrindo, ela não está triste, ela está de branco, arrumada, alegre. A pessoa que aprende a delimitar a linha que não pode ser ultrapassada nas relações afetivas (todas na vida) é uma pessoa com uma inteligência emocional absurda. Não há arrependimentos, quem estabelece limites está fazendo o maior bem que pode fazer a si mesmo na vida. Limites desrespeitados geram dano emocional, autossabotagem, depressão, ansiedade. Sair da vida de quem fere a gente é provavelmente a decisão mais dolorosa e mais prazerosa do mundo. A Liberdade é nosso bem mais precioso. Atuações impecáveis de Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts e Clive Owen. As roupas dessa época são tão retrôs, eu gosto muito, é nostálgico, principalmente os relógios e sobretudos. Tem uma frase no filme que me marcou muito: "Onde está esse amor? Eu não consigo ver, não consigo tocar, não consigo sentir." O filósofo Bauman fala muito sobre a liquidez das relações da sociedade atual, e faz muito sentido, ele diz: "O amor não é cego, simplesmente aprendeu a fechar os olhos quando necessário", o ruim é que quem definiu essa necessidade é o próprio indivíduo que diz amar, de acordo com a conveniência, quando o preço de entrega emocional sai alto demais, as pessoas jogam as outras fora (ou ficam na abusividade) como se fossem nada. O amor não é tangível, mas precisa ser percebido. O sentimento amor pode até ser algo intangível, mas o que o outro faz por nós precisa ser completamente perceptível, memorável, estável, tão leve quanto uma pena pousando lentamente diante dos nossos olhos. Essas ações do dia a dia, gestos pequenos como um café, um abraço, palavras de ânimo, vulnerabilidade, intimidade, toque (além do sexo); são coisas acessíveis, necessárias, porque elas definem a presença do outro, quem o outro está sendo na nossa vida. Aos poucos vai criando um ambiente seguro onde quem é amado abaixa a guarda e a proteção após se sentir refugiado dos traumas passados. Quando isso não acontece, o parceiro serve apenas como gatilho, causando mais sofrimento e aumentando esse trauma. O oposto de uma relação líquida é a sólida. Onde você e o parceiro criaram uma base, uma planta firme para que algo seja construído em cima e não caia com o sopro de ventos ou tempestades, coisa que ninguém quis fazer pela relação ali. Apesar de sair de tudo aquilo, o filme não tem final feliz, os créditos passam enquanto o espectador digere essa coisa ruim que as relações disfuncionais deixam.
O Afinador
3.5 40 Assista AgoraQue filme maravilhoso! Cheio de detalhes técnicos que fizeram toda a diferença no resultado. Eu amei demais a forma como o Daniel Roher usou coisas do dia a dia que passam despercebidas para quem tem uma audição normal para demonstrar o impacto na vida de quem tem Hiperacusia. [Spoilers] A direção de fotografia é linda, câmeras desfocando o fundo e a profundidade, mantendo apenas um objeto em destaque, os barulhos isolados uns dos outros, ruídos apavorantes, agudos ensurdecedores. Fiz algumas anotações de detalhes que me marcaram e um deles definitivamente foi o contraste do macacão azul com o nome Harry H. Piano estampado naquela vibe de macacão de operário dos anos 50, contrastando fortemente com as cores usadas nas casas. Brancos, móveis amadeirados, vermelhos, laranjas, amarelos, todos na mesma paleta do aconchegante, do clássico, da riqueza dos teatros, das óperas, dos concertos. Essa briga entre essas duas cores que se contrastam no círculo cromático mostram o deslocamento do Niki ali. Um rapaz pobre, lutando para ajudar o Harry e a família, imerso em um mundo de milionários. Em um filme tão detalhista, algo assim não é colocado à toa. Ver a foto do Dustin Hoffman mais novo tocando piano é muito nostálgico já que ele é um ótimo pianista na vida real há muitos anos. O detalhe da tatuagem do peixe aparecer tantas vezes retratando essa visão de reparar só em uma coisa e esquecer o resto, o bonequinho sempre em primeiro plano. Os pianos da Yamaha estão lindíssimos, são um show à parte. O Niki possui algumas características similares ao TEA, percebi que em interações emocionais iniciais ele se sentia completamente perdido, como no abraço que a Ruthie deu, e ele não teve reação de reciprocidade alguma e também não sabia o que falar em situações comuns de interações básicas de relacionamentos que requerem mais afeto. Uma coisa interessante é observar a resposta emocional dele ao Harry e comparar com a resposta a outras pessoas. Por conhecer muito o Harry, o Niki sente-se em uma zona de confiança e segurança pra demonstrar afeto roubando pra ajudá-lo. No início as cenas inserem essa demonstração em coisas menos corporais como comer juntos, ouvir o que o Harry tem pra falar. Mas no geral o Niki é sempre mais calado, mais introspectivo, menos afetivo (até sentir segurança ou que o outro demonstre algo antes), sem intensidade de demonstração emocional, quando inclusive o relacionamento acaba, mesmo indo ao local de trabalho da Ruthie não há um pedido afetivo pra voltarem a se relacionar, etc. A sensibilidade auditiva, dificuldade ou demora em interpretar algumas emoções faciais e o hiper-foco não são características exclusivas do TEA, mas são as principais. É indiferente o personagem ter ou não. O importante é que esse tipo de filme ajuda o espectador a entender melhor como funciona o universo de quem tem, tenho um sobrinho que tem e é exatamente como no filme. A cena dele acertando tudo por ter ouvido absoluto é muito legal (decorando a senha também), eu admiro muito quem consegue identificar todas as notas e reproduzir músicas sem uma partitura. Eu amo música, então esse tipo de filme é o que eu gosto. Na trilha sonora muito Jazz de qualidade, tem Nina Simone, Herbie Hancock, Charles Mingus, conheço há muitos anos esse tipo de música. O ponto alto musical é definitivamente o Niki tocando e fiquei muito surpresa ao descobrir que o ator Leo Woodall não tocava antes do filme e aprendeu somente os trejeitos mais impactantes pra fazer a cena. Convenceu demais, a cena ficou absurdamente linda, tocante. Já não posso dizer o mesmo da Havana Rose Liu. A atuação não foi muito convincente, mas principalmente, como casal não senti química alguma entre ela e o Leo. A entrega da atriz foi muito fraca dentro do que o filme merecia. Poxa, se você está contracenando com Dustin Hoffman, você precisa se destacar pra não ser engolida. A atriz foi engolida em cena pelos outros atores, após o filme, a gente só lembra cenas que marcaram envolvendo o Niki e o Harry, não senti empolgação pelo relacionamento deles, pelo sonho dela de fluir na carreira, nada impactou, além da cena em que ela toca enquanto o Niki sofre muito com os bandidos. Mas ali o impacto é porque o Niki está se dando mal, e não pela apresentação dela em si. De qualquer forma, a montagem situação versus música clássica fica muito boa. Em O Lagosta eu gosto muito das cenas em que as pessoas correm desesperadas pela paisagem verde enquanto toca a música lentamente. É um contraste muito bom. A questão do relógio não me convenceu tanto, coincidência demais de roteiro o relógio ser logo da pessoa que ela encontraria depois da apresentação. O espectador é mais inteligente que isso, é injusto com a gente essas coincidências meio boas demais para serem verdades. Sobre a atuação do Leo Woodall, eu achei brilhante! É de uma entrega! O ator conseguiu o tempo todo me passar essa inocência no olhar, na feição. E quando ela perguntou do relógio, se era roubado, eu tinha certeza que ele não insistiria na mentira, pois o roteiro e a atuação prepararam a gente pra comprar essa bondade e doçura dele, e o enredo vendeu isso muito bem do início ao fim. A ingenuidade que o ator entregou. Não digo que foi no mesmo nível de Whiplash, que é um filme absolutamente incrível e a química entre o Miles Teller e o J.K. Simmons é impecável, mas é bom sim a ponto de ser marcante. Quem sabe se o Leo tivesse tido com a Havana a mesma química que teve com o Dustin o resultado teria sido tão bom quanto. O roteiro apesar de ser muito bom, também perde para o de Whiplash. Aquele bandido que gosta de cachorrinhos quase ganha a nossa empatia, mas ao matar o tio do parceiro dono das criptos o filme nos lembra de que são pessoas más sim. Acredito que quem mandou o relógio foi ele. Os ladrões entregaram o básico do básico, irrelevantes. Na verdade ele também roubou, e muito, mas na vibe Robin Hood. Um momento que achei triste foi quando o bandido usou a bondade do Niki contra ele, é de um golpe tão baixo. Ainda estou apaixonada pela direção de fotografia, esses takes de menos de 1 segundo como os da cafeteria com o isolamento dos sons ficou perfeito! A cena acelerada do teste ficou boa, mas não casou tanto com a proposta do resto inteiro do filme, talvez tenha sido pra retratar melhor que ele conseguiria concluir antes do tempo. No geral, o filme cativa bastante e traz um olhar mais cuidadoso para o tema abordado, o da sensibilidade auditiva e visual. Lindo!
A Morte do Demônio: Em Chamas
3.2 281 Assista AgoraA régua estava alta, pois gostei muito do anterior. Achei o filme bom, mas não é melhor que o de 2023. [Spoilers] Logo no início temos cenas ótimas e a atuação marcante da Greta van der Brink como Jessica. O olhar, a expressão, o andar, muita entrega. Houve também entrega por parte da Tandi Wright e do Erroll Shand que protagonizaram takes absolutamente nojentos de beijos gosmentos e sangrentos. Me lembrou aquela cena de Saltburn onde o Oli fica com a Venetia enquanto ela está no período. Não senti o Hunter Doohan no mesmo nível de atuação dos demais, a Alice e o Will não me convenceram como casal, faltou química. Gostei muito da atuação da Maude Davey como Polly Price, pois era o mais desafiador, como o espectador ia ver toda a fragilidade dela como idosa, fraca, precisando de ajuda pra tudo, sem memória. Haveria esse contraste dela possessa forte, lembrando de tudo, usando as fraquezas das pessoas contra elas. Gosto dessa dualidade, pois a gente sempre vê idosos como o elo mais fraco nesse tipo de situação onde é necessário correr pra se salvar, aqui não, as pessoas que fogem dela com medo. A equipe responsável pela maquiagem fez um trabalho incrível, porém gostaria de ter visto mais maquiagens e menos CGI. O CGI em excesso tirou um pouco da empolgação para quem consegue identificar, acaba ficando menos assustador do que poderia ter sido. Em muitos momentos no final eu senti essa falta. Gostei muito das referências no filme, uma coisa que me fez lembrar muito o primeiro é essa câmera mais intimista no chão de pertinho, do Sam Raimi nos anos 80, como se o espectador também estivesse ali se escondendo. No primeiro filme da franquia tinha muito esse tipo de ângulo. O meu favorito continua sendo o de 2013. Não fui tão impactada pelas últimas cenas do Will. O filme precisava de algo à altura das cenas da Jessica no lago e na estrada. Gostei também da referência do bicho correndo no meio do mato para chegar até a casa, é bem nostálgica. As cenas de meio corpo se arrastando me lembraram o primeiro episódio de The Walking Dead, a da corrida do Erroll em cima da mesa muito parecida com a de Bugonia. No geral, a direção de fotografia e edição foram muito bem, senti uma vibe de Invocação do mal em algumas cenas, na casa e na colorimetria. Se fosse um filme sozinho, minha nota seria maior, mas a franquia é enorme e tem muito filme bom pra competir com esse. As cenas pós créditos são ótimas, quero ver o próximo já, só me pergunto como a a Ellie estava ali se ela foi completamente triturada, mas lógica em Evil Dead pra quê, né? É engraçado. Sinto que comparando com Scream, Evil Dead se destaca muito, pois há uma evolução, mesmo após muitos filmes, a direção sempre tenta manter um certo nível de qualidade na produção. Não sinto isso nos últimos de Scream, e olha que gosto bastante. Sobre o roteiro, poderia ter mais profundidade, os personagens não são marcantes no nível dos outros filmes. Não entendi o motivo de terem citado violência doméstica e abusividade, se depois o assunto só surgiria de novo de forma superficial. Não dá tempo de cativar o espectador, aí vira uma salada de temas tratados de forma rasa, sem desenvolvimento. Além disso, o final é bem apressado, não combina com o ritmo que o filme estava tendo até então. Aguardo cenas do próximo explicando isso da Ellie ter voltado, se foi por portal de espelhos ou não. Se algum pedaço do corpo não foi triturado... só nos resta esperar!
A Caça
4.2 2,1K Assista AgoraFalsos boatos acabam com a reputação das pessoas e mancham a vida delas pra sempre. [Spoilers] Atuação impecável do Mads Mikkelsen, que entregou uma vulnerabilidade e sensibilidade em cena. O personagem conseguiu imprimir esse pavor e medo de ser julgado no espectador, ao mesmo tempo em que a direção e enredo do Vinterberg nos colocam no papel do julgador muitas vezes. Mesmo sabendo da injustiça que estava sendo feita, nos perguntamos várias vezes se ele era inocente mesmo e procuramos outros culpados durante o filme. Essa necessidade de apontar alguém para o abate é o que faz pessoas inocentes sofrerem linchamento público em situações que ainda estão em processo na Justiça. A comunidade se junta e cria um júri coletivo na rua e decreta o que vai ser da vida (ou morte) da pessoa. É necessário ter muita cautela em situações como essa, nosso raciocínio moral lógico versus o emocional entra em atrito constante. Temas delicados geram revolta imediata na população quando divulgados pela mídia. Essa sensação de impunidade e proteção do Estado reverbera nos cidadãos que agem com independência. Esse filme me lembra muito o episódio White Bear de Black Mirror, porque o esquema de punição é o mesmo. Ainda nem havia investigação adequada e a comunidade já estava punindo o Lucas e a família dele, agredindo, matando o cachorro, espalhando o boato como dado verdadeiro (e nem era). Em Black Mirror o processo é outro, mas a semelhança é em como as pessoas assistem a tudo, sem interferir em nada (no sentido de parar a punição coletiva), essa coisa de fazer justiça com as próprias mãos acaba transformando as pessoas em seres tão cruéis quanto quem tá sendo acusado justamente ou injustamente (falando com imparcialidade sobre o filme, pois minha opinião é super radical com relação a pessoas que encostam em crianças, eu não tenho pena). É compreensível certo comportamento da população em lugares onde a justiça é lenta e a sensação é de impunidade eterna, ainda mais em países onde o Estado tem toda uma estrutura que protege abusadores, pedófilos, traficantes de pessoas, entre outros criminosos. Em BM a Victória é culpada, mas sem memória e sem saber o que fez, ela é torturada diariamente pela população como se punir os outros fosse um espetáculo divertido, quando na verdade transforma quem pune em uma espécie de pessoa tão cruel quanto (no sentido de cometer crimes, obviamente o nível do crime dela é muito pior). As pessoas vão condenar aquela pessoa pra sempre, seja ela culpada como a personagem de BM ou inocente como o Lucas em The Hunt. O final escancara isso, a sensação de segurança pra quem conseguiu provar a própria inocência continua nula. Onde a pessoa estiver, vai receber olhares estranhos, vai sentir a rejeição no ar, não vai ter a família incluída em quase nada e sempre vai ter alguém perseguindo online ou presencialmente. No caso de quem cometeu algum crime não tão grave, essa sensação de opressão ainda vai criar uma barreira impedindo a pessoa de se ressocializar e se reabilitar. Um bom exemplo disso está no filme Steve, alguns jovens nem querem mais mudar porque a sociedade já definiu que eles são delinquentes e sem solução, então alguns abraçam esse destino definido pela sociedade. A pessoa simplesmente aceita de vez aquela identidade que todo mundo impôs pra ela por falta de forças pra lutar contra (não é o caso do Lucas, porque ele realmente é inocente, mas é importante abordar esse outro lado, que acaba sendo uma consequência a longo prazo). Até o último segundo que pôde o Lucas se esforçou contra esse rótulo que foi imposto a ele, mas na última cena fica nítido que tudo o que ele fez durante o enredo inteiro não valeu de nada e que esse título injusto não vai sair da vida dele nunca. Sobre o roteiro, é brilhante! Mas sinto que as cenas de nudez total se fossem retiradas não fariam a menor diferença na trama, não agregam em nada. O roteiro acerta muito em mostrar diferentes perspectivas de julgadores. As pessoas eram extremamente unidas e depois em poucas horas já crucificaram o Lucas sem nem ter certeza de nada. Outra coisa que o roteiro destrincha muito bem, o fato de que crianças mentem. Há uma tendência natural de acharmos que crianças não mentem sobre temas sérios, mas a verdade é que a criança tem um nível de agreeableness altíssimo. Logo, diante de qualquer frase terminada em "foi isso que aconteceu?", a maioria das crianças vai responder que sim sem nem analisar o que foi, pois crianças não têm maturidade de pensamento formada, não fazem ideia das consequências das mentiras que contam na vida do outro. O interrogatório foi feito de forma inadequada, o correto seria deixar a criança falar, ao invés de colocar palavras na boca da criança. Sobre a falsa acusação, a criança deve ter tido algum background ligado a esse tema pesado, pois dificilmente coisas graves sairiam da boca de uma criança sem que ela tenha visto ou ouvido algo semelhante, por isso todo cuidado é pouco quando os envolvidos são da idade delas. Trabalhar com crianças por si só já é um desafio, crianças tem um imaginário enorme e fértil, mas muitas são puras e não mentem. O importante é analisar a situação com cautela e abrir uma investigação. Lembrando que como eu citei, alguns lugares não colaboram, o que acaba "justificando" a iniciativa popular de querer ver algo sendo feito para parar aquilo. No Brasil, por exemplo, fazer justiça com as próprias mãos é crime previsto em lei. O artigo 345 chamado de "Exercício arbitrário das próprias razões" e a sentença está relacionada ao crime cometido (homicídio, por exemplo), então na ânsia de ser um juiz protetor, a comunidade acaba cometendo crimes também. E com isso, qual a diferença entre ela e o criminoso? Que realmente cometeu o crime ou não. Francis Bacon tem uma frase que se encaixa perfeitamente aqui, "A vingança é uma forma de justiça selvagem. Quanto mais a natureza humana corre em direção a ela, mais a lei deve eliminá-la". Nietzsche também disse que quando a gente luta com monstros devemos ter cautela pra não virarmos um, porque se olharmos muito para um abismo, ele vai olhar de volta pra gente. Essa obsessão por justiça vai consumindo e acabando com a pessoa, pessoas "de bem" matam cachorros, agridem pessoas e maltratam inocentes e suas famílias? Fica o questionamento. O filme passa essa vibe de opressão com as cores da edição e a paleta de roupas, ambientação e objetos é toda pálida do início ao fim das acusações contrastando com a alegria inicial na floresta e no lago. Os lugares são fechados e claustrofóbicos em certos momentos aumentando essa agonia em quem está assistindo. Lugares em que a gente conhece como seguros: igreja, mercado, casa própria, a escolinha, acabam se tornando extremamente opressivos conforme tudo acontece. Ótima direção de fotografia da Charlotte Bruss. As cenas filmadas bem de perto são um acerto enorme. O final do filme é bem frio, um soco no estômago, não tem alegria e nem vingança como na maioria dos filmes, deixado assim pra provocar a gente, propositadamente. Mesmo com todo o esforço do protagonista pra fazer tudo certinho, a mentira, assim como na vida real, não tem freio. Um papel comprovando inocência não é o bastante pra limpar totalmente uma má reputação. Os créditos passam deixando esse desconforto, não há final feliz.
Scooby Doo, Cadê Você! (1ª Temporada)
4.1 90 Assista AgoraUm dos meus desenhos favoritos da vida.
Três Espiãs Demais! (1ª Temporada)
3.9 120 Assista AgoraEu amava muito quando era criança. Vi todas as temporadas. Gosto até hoje porque eu sempre gostei muito de Charlie's Angels, o clássico.
Historinhas de Dragões
4.0 28Isso é muito nostálgico! Eu era babá e amiga de duas crianças que são minhas amigas até hoje. A gente assistia todos os dias. Sei todas as músicas e frases até hoje! Hahahahh
Kanojo, Okarishimasu (5ª Temporada)
2.9 1 Assista AgoraProvavelmente a minha favorita do anime. Depois de tanta enrolação finalmente o Kazuya começa a se comunicar de forma mais direta e enfrentar seu medo e vergonha (também conhecido aqui como covardia), o personagem está um pouco mais maduro e encara a realidade da situação. Depois de toda a confusão da viagem que forçou ele a contar (provavelmente não teria contado nunca) sobre os sentimentos para todo mundo, as coisas se encaminham para um relacionamento "começar". Quanto será que esse menino gastou com esse namoro online? Não parece muito compatível com o que ele ganhou de salário durante as 5 temporadas kkkkkkkk. Acho que o Kazuya foi forçado pelas situações da morte da vó da Chizuru, do lançamento do filme, de tomar as rédeas das situações com ela; a amadurecer. Pra quem assiste, o anime melhora muito com isso. Senti uma diferença enorme do oitavo episódio até o último dessa temporada. Foram muito bons, gostei demais do enredo. Os gráficos estão muito bonitos e os momentos estilo chibi são meus favoritos, foram muito engraçados. Chibis deixam o anime mais leve e usar nos momentos de desespero do personagem lidando com a paixão foi um acerto tão grande, ele rolando pelo chão e pela cama quase todo dia, foi divertido demais. As trocas de mensagens passando na tela foi outro acerto, a gente se sente inserido como se estivesse ali também, lendo tudo. Outra coisa que gosto desde as temporadas anteriores é essa coisa do sombreamento no rosto e remoção de background quando os personagens estão pensando. Enriquece demais os gráficos. Voltando aos últimos episódios, o personagem do Kazuya conseguiu conquistar completamente o espectador, ganhou empatia. Superior às anteriores, vale um 3,8 de 5. Mas não chega a um 4, por conta do início da temporada, que seguiu cheio de fillers. Para quem está maratonando as 5 temporadas de uma vez, acaba ficando muito cansativo e saturado. Senti que desenvolveram também o emocional da Chizuru, ela era mais fria e não se expressava tanto além dos momentos de aluguel, aqui a gente percebe que ela usa uma casca emocional e que na verdade é super frágil (apesar de ser forte ao tentar enfrentar a morte da vó sozinha), há uma abertura para deixar o outro entrar. Btw achei bem apelativo alguns eps. Esse estúdio é maravilhoso, espero que lancem mais coisas com esse gráfico.
Kanojo, Okarishimasu (4ª Temporada)
3.0 2 Assista AgoraIncomoda bastante a enrolação. Demora bastante para dar alguns passos de desenvolvimento do personagem principal com relação ao que haviam induzido a gente na temporada anterior. Me incomoda bastante o tanto que a temporada fica normalizando traições em coisas que claramente não é aceitável. Novamente o mundo de todo mundo gira em torno das decisões do Kazuya, que por sua vez, não toma decisão convicta alguma sobre nada, mesmo sabendo que tudo o que ele mais quer já está decidido internamente faz tempo. No final da temporada dá uma melhorada, mas falta muito pra ser empolgante. O Kazu constantemente nega o que sente, sabendo que se ele falasse a verdade, a coisa se resolveria tão rápido. Alguns animes enrolam (eu que sou fã de Naruto que o diga), mas esse aqui consegue ganhar. Pelo menos nos outros animes há muitos personagens e os fillers compensam por nãi vermos sempre a mesma coisa em loop. Aqui é um loop da mesma coisa do começo ao fim. Mas dá pra assistir. Os gráficos estão lindos demais.
O Conde de Monte Cristo
3.7 15 Assista AgoraMaravilhosa! Mesmo com as mudanças referentes à adaptação, fluiu bem e entregou muito. As paisagens são de encher os olhos, direção impecável! [Spoilers] Ótima performance de Sam Claflin, eu já gostava muito da atuação dele desde Me Before You, que exigiu muito, pois era um personagem sem os movimentos do corpo, em Love, Rosie e Jogos Vorazes também foi super bem. Aqui, a atuação é mais contida, o ritmo dos personagens é mais calmo do que na versão do Caviezel. Com o passar dos episódios a gente se acostuma com o desenvolvimento menos exagerado das expressões. Gosto muito da versão de 2002, assisto com minha mãe desde que foi lançada pelo menos uma vez por ano, então tenho um carinho muito grande pela obra e sempre dá um medo de estragarem com adaptações ruins (se é que é possível arruinar uma história tão linda). A versão de 2024 também me agradou bastante. É muito difícil interpretar personagens que já são consagrados em lançamentos anteriores, e por isso o mérito é total do Sam, o personagem carrega essa vingança que à primeira vista parece sutil, pois ele está sempre falando e gesticulando com muita classe, mesmo quando faz (manda fazer) coisas terríveis, mas no fundo está sim tomado por ira, principalmente aqui, onde a série foca quase nada na relação dele com a Mercedes (embora tudo o que faz é justamente por amá-la), fãs do casal se decepcionaram, minha mãe por exemplo ficou chateada quando no final ela pega na mão dele e os créditos aparecem. Pra mim, não prejudicou em nada a mensagem, ficou muito claro o que aconteceu em seguida. Outra coisa que decepcionou a mamãe foi que não houve o momento em que ela conta sobre o Albert, como no de 2002. Novamente, ficou muito óbvio que eles tiveram todo o tempo do mundo pra conversar. Eu entendo que possa ser algo cultural a questão da expressividade, mas em certos momentos me incomodou alguns atores não esboçarem expressões mais convincentes, como em algumas cenas do Harry Taurasi como Fernand, desde o início quando o personagem ainda era pobre até o momento em que ficou rico, a diferença entre ele e o Guy Pearce é gritante, o do Guy é muito mais irritante, chato, invejoso, há muito mais em cena, o vilão tem presença e destaque, o Harry aqui é engolido quando tá interagindo com o Blake ou o Sam. Blake Ritson esteve ótimo em cena como Danglars, foi uma surpresa boa, não lembro de tê-lo visto em outros trabalhos. Sempre digo, quando você sente vontade de pular na tela irritado com um personagem, é porque a atuação foi muito boa. Ana Girardot foi uma Mercedes convincente (e linda) mas a da Dagmara em 2002 me cativou mais, talvez por ter tido mais interações românticas com o Edmond. Mikkel Boe foi melhor Villefort do que o James Frain em 2002, até porque com 8 capítulos a série teve muito mais tempo pra focar nas histórias individuais dos três vilões. Gostaria de ter visto o Albert e a Mercedes com mais tempo de tela. O Riondino entregou um Jacopo muito querido, mas senti falta do Luis Guzmán que é muito carismático e engraçado, um dos meus personagens favoritos. Nicolas Maupas não entregou tanto quanto o Henry Cavill no papel de Albert, a diferença é completamente perceptível, transpareceu certa inexperiência em algumas cenas, mas não prejudicou a obra. Amo os momentos filosóficos entre o Edmond e o Abade que foi interpretado impecavelmente pelo Jeremy Irons, as cenas na prisão são o ponto forte da série, por ser exatamente onde é formada toda a camada social do Edmond, todo o processo dele migrando de ser alguém analfabeto para alguém extremamente culto sobre todo e qualquer assunto. A série tem um tom mais dramático e sério, apesar de um ou outro momento engraçado. O enredo é muito bom e a direção não falha em nada, alguns personagens são desnecessários no geral, mas o fato de estarem presentes agrada quem leu o livro. O Caviezel e o Sam Claflin pra mim estão no mesmo nível, pois cada personagem pediu uma entrega diferente e os dois deram tudo de si. Estou completamente apaixonada pelos lugares da França e da Itália que aparecem na série, a melhor parte é que não há nenhum episódio em que o espectador não tenha contato com construções lindíssimas em pontos turísticos. As cenas do porto em Malta são maravilhosas. A direção de figurino brilhou tanto, fui pesquisar e descobri que a figurinista é alemã, a Ursula Patzak. Fizeram 800 figurinos de época, deve ter dado um trabalho enorme, essas roupas do século XIX são cheias de camadas, fazer um look já dá trabalho, imagine 800. Os vestidos são cheios de detalhes e espartilhos, passam essa vibe europa meio gótica, combinando com a vibe artística dos casarões e palácios. E os sobretudos masculinos se destacam ainda mais do que as roupas femininas. O bege do Jacopo e o preto do Conde são muito bonitos. O Danglars usa umas composições impecáveis meio old goth e que eu, mesmo sendo mulher usaria 100% rsrs. Ambientação e cenografia também, as porcelanas usadas nas cenas são lindas e exatamente como as da época eram, dá pra perceber que há muito estudo de época envolvido. Vou pesquisar mais obras do Bille August e do Nicola Serra para assistir. Produção maravilhosa! Roteiro muito bom considerando a liberdade da adaptação de fugir do óbvio (normalmente me incomoda essas alterações, mas aqui não). A última cena fechou tudo com chave de ouro! Amo esse livro e até agora a maioria das adaptações fizeram um trabalho perfeito respeitando a obra!
A Odisseia
4.2 583É um filme espetacular, mas deveria ser uma série, afinal são 24 cantos. [Spoilers] Os diálogos simplificados em excesso tiraram um pouco do brilhantismo do enredo. Entendo que foi proposital para atingir o público e vender mais bilheteria, mas prejudica a obra num geral. O filme não representou Odisseu no nível que o personagem merecia. Esse é o tipo de obra que quando adaptada, quem deseja produzir adequa-se à magnificência da arte, não o contrário, que é reduzi-la pra caber num roteiro apressado. Na adaptação, a obra perdeu parte da beleza do encanto e da poesia que ultrapassou tantas gerações, nesses 2800 anos. Esse é definitivamente o papel da carreira do Matt Damon, o ator se entregou tanto, e deu pra sentir, amo papéis em que o personagem está em várias fases, pois dá pra explorar todos os níveis de expressões do ator. É inegável que o Matt deu tudo de si e brilhou em cada momento que teve. Robert Pattinson se saiu muito bem, combinou muito com o Antinous, divertido, traíra, um caos. Mas confesso que eu esperava muito mais, por conta do marketing que fizeram por aí. O Elliot Page brilhou demais como Sinon, eu achei muito especial ele receber um papel de destaque representando a diversidade da comunidade dele. Senti uma crescente do Tom Holland, de cara não convenceu muito, atuação bem morna no primeiro ato, mas depois quando Telêmaco saiu em busca do pai foi melhorando e conseguiu se recuperar a tempo de entregar uma ótima performance nos momentos finais quando eles se reencontram. O papel da Anne como Penélope, foi um dos únicos que senti que teve respiro e tempo suficiente de tela, entregou tudo que a personagem pedia e ainda teve uma química enorme com Matt Damon em cena. A Zendaya me lembrou muito o papel dela em Duna como Chani, não sei se é porque as roupas e cenários quando editados nesse tipo de coloração me lembram a mesma ambientação, mas me remeteu muito à personagem dela de lá. Adoro ela e sei que é uma ótima atriz, pois já a vi em papéis que exigiam mais entrega, mas aqui senti mais do mesmo, até o jeito de olhar e se expressar ficou igualzinho, de qualquer forma, o visual da Atena ficou ótimo. Um dos meus momentos favoritos do filme com certeza foi o da feiticeira Circe transformando as pessoas em animais, não tem jeito, a Samantha Morton definitivamente merece todo o holofote que vem recebendo depois do lançamento. A atuação dela engoliu a dos outros atores em cena. Acho que foi uma das únicas que realmente trouxe o tom que a obra original pedia, teve pouco tempo de tela e aproveitou cada segundo. Também gostei bastante da cena do ciclope, e fica muito evidente o detalhismo e cuidado do Nolan, preferindo usar uma marionete para que as cenas ficassem super realistas, deu certo e ficou impactante. Uma cena que realmente me chateou por ter sido curta foi a das sereias, eu tinha muita expectativa com essa parte, eu esperava que o filme tivesse se aprofundado nos mitos envolvendo elas, pois são super aclamados pelo público, teria ficado incrível. Mas não, a cena foi apresentada de longe e super apressada, não deu tempo pra nada, não houve conexão do espectador com o momento. O pouco que vi nos filmes cenas de sereias eu gostei tanto, lembro que se destacaram a de Lighthouse e as de Piratas do Caribe. Embora no livro seja totalmente diferente, é mais sobre atrair com conhecimento do que com a beleza, mas combinava muito com Odisseu por ser alguém que amava a sabedoria e o conhecimento, era o tipo de armadilha em que ele se enfiaria. É uma parte épica dos livros e merecia mais, eu acabei esperando que fosse uma cena maior porque a Circe até reforça com eles que elas eram perigosas e que quem ouvia o canto delas nunca mais voltava pra casa. Um dos momentos mais tensos que deveria vir logo em seguida foi super rápido, perdeu completamente a graça de acompanhar, o estreito de Cila e Caribdes nem teve destaque algum, nem deu pra ver o corpo direito. Apesar de toda a correria e alguns diálogos serem sem profundidade alguma, o filme ficou muito bom, as paisagens são lindas e imagino o trabalho que deu levar todo o elenco e materiais cenográficos e equipamentos de produção para todos esses lugares do mundo, o Nolan sempre sabe o que faz, os 800 milhões de bilheteria respondem por si só. As cenas do cavalo em Tróia são muito bem produzidas e passam aquela sensação de agonia do início ao fim. Fico feliz de ver tanta gente que nem conhecia a obra, buscando comprar e ler Homero. Ótima direção de ambientação, sonografia, edição, coloração e figurino. Uma obra-prima!
Kanojo, Okarishimasu (3ª Temporada)
3.1 7 Assista AgoraPor enquanto é minha temporada favorita do anime. Gostei dos episódios, o personagem se abre um pouco mais e começa a questionar as próprias emoções. Foi muito menos apelativa que as anteriores, o que é bom. O fluxo de personagens aumentou, saiu das mesmice. Gostei dos últimos episódios. Meu problema com esse anime é a enrolação e a naturalidade com que as pessoas não falam. 80% dos problemas seriam resolvidos se eles falassem o que estão pensando. Mas entendo que se falassem o anime só duraria 1 episódio. O Kasu é babaca. Não importa a motivação de alguém, se esse alguém não consegue terminar com o outro msm gostando de outra pessoa, cendendo aos caprichos e chatagens, é babaca sim. No geral, não sei como essa mentira foi tão longe kkkkkk ô povo mentiroso. Eu acho muito engraçado quando aparece ele com qualquer menina em um encontro e o povo na rua "nossa, que gatinha" "que sorte dele", tipo... a gente sabe que no Japão a cultura do dia a dia é a pessoa ser super tradicional e respeitosa, zero chances de uma cena dessa acontecer. Claro que os animes de lá claramente são o contrário do que essa cultura prega. Tô pegando um ranço da Ruka. Que menina chata! Kasu é muito covarde, o cara deixa as pessoas decidirem o destino dele, é muito irritante. Muitos episódios fillers, mas a temporada superou as outras.
Kanojo, Okarishimasu (2ª Temporada)
3.5 5 Assista AgoraNão melhorou muito da primeira temporada pra essa, mas pelo menos o cara tem uma mínima motivação agora. Os gráficos são ótimos, mas o enredo ainda não é tão bom.
Off Campus: Amores Improváveis (1ª Temporada)
4.0 89 Assista AgoraCompletamente clichê? Sim! Mas é clichê do bom. É leve (depende do ponto de vista, já que tem bastante cena de nudez), tem personalidade, pois aborda assuntos bem pesados que a maioria das séries nessa pegada simplesmente ignora. [Spoilers] Não é pornografia gratuita, com o desenrolar da série os assuntos mais complexos ganham espaço e os personagens que pareciam completamente fúteis ganham camadas mais profundas. Abordar assuntos como abuso sexual, violência doméstica, confusão emocional, falta de comunicação adequada e pressão familiar foi um acerto enorme da série. Ao mesmo tempo, sinto que a falta de experiência de alguns atores acaba impactando na entrega. Algumas atuações são tão sem sintonia com a expressão pedida. Maneirismos são sempre bem-vindos na construção da identidade de um personagem, mas em exagero prejudicam a cena. Senti muito isso na atuação do Belmont Cameli, em certos momentos soou completamente artificial, aconteceu com a Ella Bright, mas numa proporção bem menor. Nada que prejudique a série. O casal Hannah e Garrett funciona, mas nas cenas dos beijos por exemplo, são completamente engolidos pelos atores Stephen Kalyn e Mika Abdalla quando o assunto é a química entregue por Allie e Dean. Me peguei em alguns momentos mais curiosa pra saber o que acontecia com eles do que com o próprio casal principal, embora também havia química entre eles. Joshua Heuston entregou o que a série pediu, fazer carão e cantar. Quando as músicas foram apresentadas pareceram bem fracas, mas esse é exatamente o ponto, a gente está tão acostumado com aquela coisa artificial do compositor amador na cena parecer perfeito, cheio de efeitos e mixagens em excesso, que até estranha quando vê essa entrega ser mais natural de propósito, então foi algo bom (tem mixagem, mas é mais limpa). O casal principal não segue o padrão de sempre, a mulher supermodelo muito magra cheia de procedimentos e o homem sem traço algum por conta do botox exagerado (como a aparência por exemplo do Charlie Evans, que é mais padronizada), o Belmont não, é uma beleza mais natural, apesar do ator ter um corpo atlético e 1,85 de altura. Apesar de não aparecer muito, o Steve Howey se saiu muito bem, senti aquele pavor de que algo estava errado desde o primeiro momento da atuação dele como o pai, mérito do ator. No geral, única coisa que mais me incomoda nesse tipo de série é a direção não confiar na capacidade do espectador de decifrar as coisas. Aquele tipo de cena onde aparece um refrigerante e alguém diz "olha, um refri", é completamente desnecessária. O espectador reconhece um refrigerante numa cena, não precisa ditar isso. A gente volta àquilo da produção ser feita pra quem está no celular assistir enquanto digita. Pra quem assiste prestando atenção, acaba se tornando incômodo. Antônio Cipriano entrega o que o personagem Logan pede, como não exagera nos maneirismos, gera uma empatia maior na gente do que o Belmont (a Julia Sarah Stone está a cara da Taylor Momsen como Jules). A história do Garrett por si só já gera empatia no espectador, então mesmo com os maneirismos o personagem é abraçado pelo público. As cenas de sexo aqui são mais bem feitas do que em Euphoria por exemplo, que as joga de forma completamente gratuita, sem justificativas. Aqui são momentos de intimidade ou descobertas dos personagens, tudo se encaixa. Gostei muito nas cenas finais, da tela dividida enquanto tocava Fade. A edição, coloração e contraste usados na série são bons, combina com essa vibe moderna escolar. A Ella Bright está belíssima. Trilha sonora maravilhosa!!! O uso do blur (embaçamento) em excesso na série incomoda um pouco em alguns momentos, em que, de longe, o rosto e cabelo da pessoa se misturam com o embaçamento do plano de fundo e viram uma coisa só, quem não mexe com edição, provavelmente nem vai notar. No geral é uma série muito boa, quando comparada com a levada de séries do mesmo tema e época, hoje em dia faz falta séries divertidas e despretensiosas com amores clichês, nos anos 90 havia uma cartela bem maior do nicho. Hoje há tentativas de reprodução dessas séries e filmes, mas a maioria é horrível. A série se sobressai por arriscar e acertar. Não li o livro, mas vi que muita gente achou a adaptação ótima!
Som da Liberdade
3.8 510 Assista AgoraCompletamente dilacerador! Que história (real) triste! O enredo é alinhado com o objetivo do filme que é passar a mensagem crua e bruta, sem dó nem piedade de quem está assistindo. Fica aquele gosto amargo ao desligar a TV, e você nunca mais vai poder desconsiderar isso. Impossível querer seguir em frente sem levar em consideração que nesse momento em que escrevo isso uma pessoa está sendo traficada em algum lugar no mundo e outras estão em trabalho escravo ou prostituição forçada. Andei pesquisando e fiquei mais triste ao constatar que o número citado no final do filme aumentou, quando o filme foi lançado, o tráfico de pessoas movimentava 150 bilhões por ano, segundo o último relatório da OIT (2024), o número já havia saltado para 236 bilhões de dólares por ano. Isso explica completamente a questão de ser tão burocrático lutar contra esse tipo de crime. Tudo que traz tanto lucro, carrega dedos e mãos de integrantes de entidades que deveriam proteger as pessoas. Ninguém lucra tanto sem a ajuda de policiais corruptos, políticos, órgãos governamentais federais, estaduais e locais. Não é só sobre a menina que é levada voluntariamente por um pai inocente até uma agência de talentos e modelos, mas também sobre as que desaparecem na calçada de casa, levadas por pessoas muito bem remuneradas para esse tipo de "caçada". Esse lucro não subiu 37% à toa. Há mais e mais colaboração desses órgãos que são facilitadores do crime. Saber que os EUA são o país que mais consome esse tipo de exploração é ainda mais triste. Acha mesmo que um país grande como esse não teria condições de combater e exterminar esse tipo de crime, se quisesse? Policiais como o Tim são 1 em 1 milhão (e olhe lá). A corrupção está espalhada aos montes no Estado. Muitos desses órgãos também são consumidores da exploração dessas crianças e adultos. Todos já vimos reportagens nos noticiários sobre políticos que visitam ilhas com crianças exploradas. Vimos no Brasil (como em Marajó), vimos nos EUA (em casos como o do Epstein), algumas poucas pessoas foram presas e nada mais, o dinheiro do tráfico aumentando e esse povo do colarinho branco solto por aí comprando crianças como quem compra pão numa padaria. Tudo isso é muito triste, e pior, pouco noticiado. A mídia não dá a devida atenção que esse assunto merece. O relatório global sobre escravidão moderna estima que 50 milhões de pessoas estão em situação de escravidão e mais de 27 milhões fazendo trabalho forçado e sendo exploradas sexualmente. É um número enorme. Os dados mostram que 1 pessoa é vítima de tráfico humano a cada 30 segundos no mundo, 2 pessoas são traficadas na fronteira por minuto e 1 criança é vendida para exploradores a cada 2 minutos. São dados assustadores! É um negócio rápido e que acontece o tempo todo. No fim do dia sabe-se lá onde essas 720 crianças vão estar. Enquanto isso, a gente seguindo a vida preocupado com o que foi ou deixou de ser assunto no entretenimento hoje. Criador de conteúdo divulgando casas de apostas enquanto poderia dar visibilidade para causas como essa. É vergonhoso! Ser adulto não livra ninguém de nada, 42% a 46% das vítimas são mulheres (adultas), se somarmos às crianças do sexo feminino o número chega entre 60% e 65%. É muito lamentável! Você sai pra viajar para a Europa e ninguém nunca mais te vê. Mas você continua viva e dopada em algum lugar do mundo sofrendo abusos íntimos ininterruptos. Alguns filmes que eu lembro ter assistido recentemente que retratam o assunto são Taken (Busca Implacável) e Amber Alert (história real). Tem também Extraction, O Vazio de Lilith, Turistas e Sem Saída. Cada um do seu jeito e gênero expondo o assunto de forma nada sutil. Me incomoda que em alguns sempre apareça no final o herói americano salvando o mundo, ora, acabamos de ler nos créditos do filme que os EUA são os que mais exploram essas pessoas. A finalidade é levar pra lá. Soa meio hipócrita! (Não no caso real de Som da Liberdade, mas no geral). O norte-americano entra no cinema, assiste, sai com a consciência aliviada porque está com a filha bem e sã na cadeira ao lado, enquanto o pai latino ou europeu não dorme há anos porque teve a filha raptada e levada como objeto pelos criminosos patrocinados por eles. Soa injusto! Sinto falta de filmes mais realistas no tema, que terminem deixando aquela sensação horrível que incomoda todo mundo e tira o sono por dias (embora esse faça isso). Em Som da Liberdade ele busca a Rocio, mas na mesma ilha milhares de pessoas ainda continuam traficadas, é a dor da realidade. Não tem como encerrar o filme feliz com ela sendo salva, e a Maria, e a Bruna, e a Lucia, e todas as outras? Quem vai salvar? Ótima direção, ótimas atuações do Jim Caviezel e do Bill Camp, vale ressaltar que em alguns momentos o Jim exagerou, eu diria que no terceiro ato, às vezes menos é mais. Ótima edição, coloração, trilha sonora e ambientação!
A Revolução dos Bichos
2.1 18Genérico! Como pode alguém desrespeitar uma das melhores obras literárias já escritas? O livro Animal Farm do George Orwell foi escrito com o objetivo de trazer impacto, não é à toa que mudou a minha vida, eu claramente sou uma antes e outra depois de ter lido, aprendi a me posicionar e notei a importância de me manifestar, de observar, de opinar, de cobrar, de querer uma sociedade mais igualitária mesmo sabendo que praticamente não existe, uma vez que o ser humano é corrupto. Também aprendi meu lugar na sociedade enquanto cidadã pensante. [Spoilers] Um filme com piadinhas e momentos de descontração sem sentido algum, desfocando completamente da mensagem principal não representa a obra e o autor em NADA! Não há impacto em momento algum, e em poucos momentos sérios como o da despedida do Boxer não cativam a gente completamente como deveriam, pois o sacrifício deveria ser algo cruel e pesado representando a maldade do sistema. Há um vazio assistindo ao filme, um gosto de "cadê o básico?", não entregaram nem o mínimo. Não achei as dublagens boas (assisti em inglês). Faltou aquele soco no estômago que esse tipo de adaptação dá. O final sem nexo algum, o famoso "tudo deu certo e foram felizes pra sempre". Adivinha? George Orwell acertou e na sociedade atual ninguém está feliz. O final era pra ser brutal e cruel, não esperançoso. As pessoas trabalham dia e noite pra ter o prato principal na mesa, e algumas nem isso têm. As pessoas morrem em nome da revolução, em prol do que acreditam, lutando por uma sociedade melhor. Políticos perseguem civis à luz do dia. Não senti que cada personagem representou bem o seu papel a ponto de o espectador que não leu o livro entender a missão de cada um ali, quando o Snowball é traído pelos colegas, o filme não enfatizou como deveria, e era algo importante. A fazenda não passou a sensação de opressão e escravidão que deveria ter passado. O correto é sair de um filme desse questionando o sistema todo, reconhecendo quem dos personagens é a gente e trabalhando em cima da ideia de lutar por um mundo melhor. O livro faz nascer nos leitores pensamentos revolucionários. A animação não serve pra crianças, que não entenderiam nem 30%, e nem para adultos que aguardavam a adaptação, pois é vazia e sem respeito aos personagens originais. Nomes de peso fazem parte do elenco e mesmo assim é um desastre. Vi algumas entrevistas do diretor após assistir e é basicamente ele tentando justificar o fiasco. Ele diz que queria muito fazer, pois lia o livro quando era mais novo, e isso é o que mais me pega negativamente, como pode alguém que admira tanto o Orwell pisar tanto na obra dele? Fica aí o questionamento. Direção de cor não é boa, parece feliz demais ao invés de passar o tom opressivo, roteiro péssimo, produção também. Foi difícil acompanhar até o final. O totalitarismo no livro não é piada, pessoas morreram e morrem todos os dias vítimas desse tipo de regime. Transformaram a denúncia que a obra fez em diversão descartável e nada memorável. O filme parece ter sido feito pra ser um produto, que é o contrário do que exatamente deveria criticar. O George Orwell não tinha medo de escancarar as coisas de forma crua e direta, e essa é justamente sua essência e legado. Nota zero.
Obsessão
3.9 932 Assista AgoraEsse filme me lembrou "I don't wanna miss a thing" do Aerosmith. A dependência emocional foi tão bem representada! Que crítica incrível! Direção de fotografia e iluminação impecáveis! Edição maravilhosa, gostei da coloração amarelada contrastando com magenta. Ambientação e figurinos bem Indie, assim como a trilha sonora, que inclui até Current Joys que eu ouço há tantos anos. Tudo aqui flui e nada é por acaso, todos os pequenos detalhes fazem diferença no enredo. [Spoilers] O roteiro prova que até mesmo o amor, que é algo considerado bom e e basicamente a essência que move o mundo, em doses erradas aterroriza a alma de qualquer um. O filme traz temas fortíssimos como dificuldade em lidar com a rejeição, dependência emocional, narcisismo e desespero por validação. A verdade é que todo mundo quer ser amado, mas lidar com o amor é como jogar na loteria, você ganha tudo ou perde tudo, na maioria das vezes é a saúde mental. Quem precisa de objeto encantado dos desejos quando se tem dopamina? Lidar com o efeito dopamínico da paixão no cérebro é uma das coisas mais difíceis do mundo, não é à toa que comparam cientificamente com o efeito do uso de drogas. O ser humano deveria vir com um aviso de "Cuidado: amar causa dependência e danos colaterais". É importante reforçar que muita gente entra saudável em relacionamentos que terminam em um ponto de drenagem emocional que acaba com os dois envolvidos. O adoecido adoece o outro aos poucos. Narcisistas tratam as pessoas bem e de repente começam com a indiferença, a pessoa se vê em uma situação mental de vínculo traumático onde há a maior dificuldade de se afastar, a dependência emocional age como um imã adoecendo o apaixonado que já não consegue se ver em uma vida sem o outro e serve de suprimento para o narcisista que não consegue viver sem arrancar isso da vítima, sempre prometendo que vai mudar, mas nunca muda ou libera o outro, a não ser que seja na fase de descarte. O Baron não consegue lidar com a rejeição e deseja que ela o ame muito, mas ao receber todo esse amor percebe que ele não queria ser a pessoa mais amada do mundo, mas sim amava a ideia de ser a pessoa mais amada do mundo. Por várias vezes teve a oportunidade de liberar ela, no sentido contar para os amigos e pedir ajuda. Mas a validação de ter alguém disponível 24 horas por dia acabava falando mais forte (no início). O amor é uma ideia, não é algo real, como as pessoas administram os sentimentos diante da ideia de amar que é real. Na maioria das vezes as pessoas confundem paixão com amor. O amor é leve, é estável e recíproco. A idealização dele é pesada, amarga e trágica, porque carrega uma ligação não genuína, é apenas dopamina descarregada pelo cérebro através da expectativa gerada pelo desejo de ser validado. Os que conseguem administrar a dopamina migram para a estabilidade de ter algo que valha a pena e seja duradouro (talvez). Mas por que mesmo quando algo foi bom dói quando termina? É porque a ideia de ser validado se vai e a pessoa volta a lidar com a solidão e o desespero de viver sem algo a mais que "faça a vida ter sentido". Uma coisa muito importante é que o enredo traz a dinâmica do briga e fica bem, o clássico dos relacionamentos abusivos. A pessoa grita, sobe o tom de voz, e em seguida pede desculpas, o casal se relaciona e no outro dia tudo de novo, o ciclo vai se repetindo e os níveis de maus-tratos vão piorando. Há casos em que o parceiro construiu essa insegurança e a pessoa age por defesa e medo do abandono, principalmente as que citei que eram saudáveis antes de conhecer a pessoa. Mas na maior parte das vezes o abusivo age de caso pensado e tem noção do que está fazendo. A vítima se afunda interpretando um personagem irreconhecível, destoando da realidade de quem se é, perdida em fragmentos, momentos intercalados de si e do que o outro fez de si. Porque lembremos que a Nikki não fez essa escolha, o Baron pensando apenas em si mesmo, a fez por ambos. Lá no fundo, em seu interior, a Nikki ainda estava e gritava desesperadamente para sair dessa dinâmica abusiva, mas não conseguia, porque o controle disso está quase sempre na mão do narcisista, que mesmo diante do que todo mundo percebia sempre respondia que na relação estava tudo bem. Na cena em que ele come a carne de gato, me veio à mente que se a gente entra em algo após uma situação de vulnerabilidade como tentativa de escape, ela sempre vai estar ali, aquele gosto amargo e sem vida daquilo não é curado com um relacionamento, e sim com a terapia. No terceiro ato há tentativas de ambas as partes saírem do relacionamento, a Nikki deseja mais morrer do que estar nisso, e ele se mata, pois a morte parece a escolha mais feliz do que uma vida infeliz e depressiva, abusiva e violenta ao lado de alguém. Na vida real, muita gente não aguenta mais essa dinâmica de maus-tratos e acaba tirando a própria vida, muitas Nikkis (mulheres que após tanta violência psicológica, verbal ou física preferiram morrer), outras Nikkis com a entidade (pessoas que tiraram a vida do parceiro ou parceira por ciúme obsessivo) e muitos Barons (já vimos casos até do homem que matou a família toda e se matou em seguida), sem ferramentas para lidar com o "amor", o ser humano é apenas um peão descartável num jogo que libera dopamina barata e escraviza os envolvidos. Acho a última cena importantíssima, a Nikki consegue sair de tudo isso, mas... como lidar com a vida após o terror de um relacionamento abusivo? Você fica sem rumo, sem saber por onde começar, com o emocional em frangalhos e com a mente toda danificada. Haja antidepressivo e terapia. A trama me lembrou Together que retratou também a dependência emocional. As atuações de Michael Johnston e da Inde Navarrette estão impecáveis. A cena da mesa do restaurante, da noite de trívia e definitivamente aquela em que ela sorri enquanto faz xixi nas calças são os destaques pra mim. Já o Michael, entrega muito nas expressões, sem precisar falar nada. Há uma ótima química em cena entre os dois. O espectador sai do filme com essa consciência de tentar tratar das emoções ao gostar de alguém de forma mais equilibrada, mais pé no chão, com espaço e individualidade. Com a certeza de que a má administração do amor gera caos e sofrimento para todos que estão ao redor. Direção esplêndida de Curry Barker. Nota máxima e com certeza entrou para o meu top de filmes favoritos nessa vibe de terror.
Kanojo, Okarishimasu (1ª Temporada)
3.6 11 Assista AgoraÉ divertido, mas não memorável. Não vai ser o pior e nem o melhor anime da vida de alguém. As motivações são bem brochantes, com o tempo o enredo melhora. Muita coisa fútil e enrolação, na maior parte do tempo é machista e hipersexualiza a mulher, que tem tudo da própria vida girando em torno do Kazu sem justificativa alguma. Alguns comentários ridículos como se todas as mulheres tivessem que ter corpos padrões. Os gráficos estão lindos. É que existem animes bons no nível Attack on Titan, a régua anda alta.
Mensagens para Isabelle
3.7 137 Assista AgoraUm filme sobre amor, amizade, esperança e recomeços. Que jeito lindo de representar o processo de superação do luto. Foi uma ótima surpresa! Não prometeu nada e entregou muito. Confesso que achei que seria mais um romance clichê chato, a indústria cinematográfica não tem entregado muitos romances bons ultimamente. [Spoiler] Gostei muito que o foco aqui foi nos laços de amor, e não na objetificação do amor romântico em si, há muito mais momentos da protagonista sozinha, em família ou lidando com as adversidades das perdas do que com o par dela em cena, o que não prejudicou em nada o enredo, pelo contrário. Há um estranhamento no tom do filme, a parte da cozinha do Chef não acrescenta tanto ao roteiro, mas acaba fazendo sentido no terceiro ato. É que destoa um pouco da empatia que o luto que a Jill tá enfrentando causa na gente, essa compaixão sentida pelo espectador acaba sendo atropelada pelo contraste das cenas na confeitaria inicialmente. O filme aborda temas como machismo, sexismo, invasão de privacidade e bullying, vale lembrar que ouvir as conversas da caixa postal de alguém é completamente sem noção e não deve ser romantizado jamais, é bom que o roteiro coloca a Jill infeliz ao perceber que o Wes fez isso. Satiriza os participantes de programas como o Masterchef que saem achando que são o próprio Gordon, vale lembrar que em cozinha profissional desses restaurantes caros de SP o que mais tem é gente humilhando funcionário nesse nível, promovendo homens, e mulheres há anos na mesma função secundária. Foi um acerto enorme do roteiro focar na Izzy, tudo gira em torno dela no enredo, mas não fica forçado, até porque foi outro acerto da produção ter escolhido quase 2 horas de duração, tempo suficiente para contar a história sem pressa, sem interrupções, sem deixar pontas soltas. Amei a referência a The Notebook, que é meu filme favorito de romance, citando a frase icônica "If you're a bird, I'm a bird", que o Noah fala para a Allie, peguei assim que ela disse. O mais legal aqui é que ela fala isso para a irmã e não para um cara, mas no final ela inclui ele como um pássaro também. O filme retrata o amor de irmãos, o amor-próprio que a Jill vai encontrando aos poucos, o amor de amigos que o Wes encontra na Breeda e no Andy e o amor romântico, que às vezes nasce mesmo sem você nunca ter visto o rosto de alguém. Acho que amar é sobre isso, sobre vibrar na mesma sintonia que alguém, independentemente de qual seja seu laço com essa pessoa. Sobre a Breeda e o Andy, faltou um pouco de entrega nas atuações do Harry Shum Jr. e da Leah McKendrick, apareceram pouco, mas a química não estava tão presente, os atores pareciam desorganizados na cena em que falavam juntos, as primeiras falas muito artificiais. Zoey Deutch entregou muito do início ao fim, alegria, tristeza, revolta, paixão e uma pitadinha de loucura. Tudo que o roteiro pediu ela entregou com muita naturalidade e zero quietude. O Nick Robinson como Wes é aquela coisa: qualquer ator poderia fazer, não é um papel que exige tanta entrega, acho que o roteiro só precisava mesmo de um rostinho bonito que entregasse o básico, e que bom que o filme não foi tanto sobre ele. De qualquer forma o casal "convenceu" (teve química, mas não foi memorável), ele atua bem, mas, por exemplo, se destacou muito mais em Maid do que aqui, aqui é zona de conforto, lá ele fazia um cara abusivo e agressivo, que exigia muito mais dele. É um romance dos bons, mil vezes melhor do que Office Romance lançado recentemente com a JLo, que falhou miseravelmente em entregar até mesmo o básico. Nick Offerman, como sempre, pegando papéis em que a gente vai odiar o personagem, coitado. Tanis Dolman não me convenceu nas cenas do hospital, foi engolida pela Zoey. Destaque para a Alice Comer que fez a Jill criança. Trilha sonora maravilhosa com curadoria da Este da banda Haim, ficou muito boa. No geral, é um filme que dá pra ver em família sem constrangimentos, e todos vão sair querendo abraçar a protagonista, se identificando com muita coisa. Reforçando: ouvir mensagens e seguir alguém logo depois é crime de stalker, é importante não confundir roteiro com vida real. O roteiro ficou aguardando alguém gravar desde 2019 eu relevei, as pessoas normais não levavam a tecnologia tão para esse lado de perigo como hoje, mas em 2026 todos nós sabemos que a tecnologia tem suas armadilhas, tipo um doido ver suas coisas nas redes sociais e começar a te seguir. O roteiro abordou o tema quando ela se chateia, mas faltou ser um pouco mais enfático e rígido quanto a isso. Afinal, stalkear alguém assim, se infiltrando na vida da pessoa após invadir a privacidade é crime.
Alerta Âmbar
3.0 38A mensagem desse filme é muito boa, pena que as atuações não são as melhores. Sempre indico ele para quem tem filho pequeno, para que tudo que a verdadeira Amber passou não tenha sido em vão. O Amber Alert existe e avisa aos pais quando há atividade incomum ali na localidade. É importantíssimo porque ajuda a salvar vidas. Só porque as pessoas andam por aí em suas redes sociais fingindo que não existem sequestros, abusos, pedofilia, tráfico humano, entre outras coisas horríveis no mundo, não faz com que não existam. Esse filme é de utilidade pública. Sinto que fico mais e mais desconfiada com o tempo, eu sempre observo tudo ao meu redor, principalmente se os meus sobrinhos estiverem por perto, olho com atenção quem tá olhando pra eles, até mesmo gente de "confiança" que está sempre por ali. Atenção redobrada nunca é demais, as crianças são as mais visadas no antro das maldades humanas. Aqui o cinema exerce sua função de comunicador informante, se cada pai que assistir ficar um pouquinho mais atento, o objetivo do filme terá sido concluído com sucesso. O Tyler James Williams é um ator talentoso, mas aqui não entregou muito, a direção não soube trazer o melhor dele à tona. Hayden Panettiere não me convenceu em nada, acho que a vibe toda dela não se encaixou muito bem com o que o personagem pedia. Não houve química entre o elenco. O espectador assiste ao filme tenso e preso à tela pelo fato de o tema ser algo que mexe muito com qualquer um, e não porque as atuações estão brilhando. Afinal, ninguém quer ter o filho sequestrado jamais. É um filme que soca o estômago, ainda mais quando há milhares de artigos jornalísticos na vida real sobre crianças engaioladas e traficadas nas mesmas condições. É um conteúdo pesado, mas necessário para quem quer estar sempre atento e prevenido.