O reporter de guerra sempre fica entre no limite entre o documental e o sensacionalismo e Renaud parece bem sincero ao querer mostrar o sofrimento de uma perspectiva imparcial, deixando o julgamento a cargo do expectador (o fato de ser autista deve ter ajudado); aliás pode até parecer apelativo as imagens dele morto, mas como falou seu irmão Craig, era o que ele mostraria igualmente.
Para mim teve uma conotação bastante pessoal, já que meu irmão e eu tivemos que tomar a mesma decisão sobre o meu pai (já em coma, completamente inconsciente e sem chances de retorno); aliás, há um bom tempo já avisei à minha família que é o que quero pra mim, no momento em que tudo o resta é sofrimento, deixar a existência é o melhor a porvir.
Um verso de uma música da banda Titãs ficou reverberando na minha cabeça, "miséria, miséria, em qualquer canto"; não sei como conseguem sorrir ou talvez nós que desaprendemos a sorrir com coisas simples.
Mais um estudo estético (que parece ter influenciado o movimento "dark" dos anos 80) do que um enredo cinematográfico, esse sonho filmado tem grandes ideias, embora a simbologia só possa ser explicada mesmo por quem a construiu.
Eu ouço música clássica desde os 8 anos de idade, dentro de uma familia que não tinha costume de ouvir esse gênero musical, de fato, não ouviam nunca; há um bom tempo os ouvintes deste tipo de música vem decrescendo, mas aparentemente chegamos a um ponto onde ela vai começar a desaparecer por completo e por isso que fiquei emocionando ao assistir esse relato de alguém completamente entregue à Música, e como ela faz questão de deixar claro o tempo todo, entregue a cargo de um instrumento que é um operário da orquestra, enquanto os astros reluzem lá na frente.
Bela alegoria que faz contraponto entre a primavera idílica e o tédio do cotidiano, com a figura apalermada de um marido ausente e infantil contra o homem idealizado por uma mulher. Tem uma descrição de "tesão" absolutamente tênue na conversa de Henriette com sua mãe um dos seus pontos mais poéticos, além das imagens de campo e lembranças tão comuns aos livros de Proust, captados aqui com maestria por Renoir, lembrando que é uma obra que nunca foi completada, por isso há alguns lapsos.
Documentário-manifesto de Buñuel, partidário do republicanismo espanhol que lutava contra as forças conservadoras de Franco, que mostra a miséria da forma mais direta possível, aliada do sofrimento e da morte [a cena da criança morrendo lentamente e resignadamente "está parada ali há 3 dias" é particularmente chocante].
Mais um manifesto surrealista do que um enredo cinematográfico propriamente dito (embora nem haja definição perfeita do que seria um "enredo cinematográfico"), com suas séries oníricas, bem ao gosto da época, então embriagada pelos conceitos freudianos. Aparentemente é uma obra sobre os desejos e a culpa carregada por esses desejos.
PS- apesar da cena do corte do olho ser a mais conhecida (aliás, uma das mais conhecidas da história do Cinema), para mim a imagem mais impactante é o da descida da cruz, na parte final.
Não é dos melhores filmes de Keaton, mas tem duas grandes ideias: a do filme dentro do filme e as fantásticas sincronias da perseguição final, imitadas e citadas exaustivamente pelo Cinema.
Talvez a mais monstruosa personificação de um marido opressor (mesmo que na época o cuidado odontológico não era prioridade, o diretor faz questão de closes na pavorosa dentição de Monsieur Beudet, aumentando o asco em relação ao mesmo). O sofrimento da Sra Beudet ainda piora com o seu plano sendo compreendido ao contrário pelo marido.
Poucas legendas e imagens oníricas, podem deixar o filme inintelegível para muita gente
Mesmo que graficamente seja bastante violento (Mickey é um verdadeiro sádico torturando animais a seu bel-prazer), desculpa-se pois era o humor dos desenhos animados da época, o filme tem invenções que mostram todo o potencial do que viria a se tornar Walt Disney. Há um detalhe bastante interessante: no momento em que o Bafo de Onça está mascando o tabaco, antes da primeira cuspida ela dá uma leve olhada para o lado, esse detalhe remete diretamente a um análogo no clássico soviético "Encouraçado Potemkim"
Toda a sutileza nipônica a serviço de uma mensagem fortíssima: a passagem de tempo a que todos nós estamos submetidos. Afinal, estamos sozinhos, mas acompanhados por uma infinidade de memórias.
O demônio parece uma espécie de Clovis Bornay anfetaminado e a mulher estar acometida de Dança de São Vito. Mas, são coisas do início do descobrimento do 'filme em movimento'.
As cores parecem ter servido de inspiração para o bem mais tardio Technicolor.
Difícil julgá-lo com os olhos de hoje, acostumados ao rigor técnico do cinema industrial (um personagem dá uma ajuda para ser amarrado, um dos funcionários do trem é claramente um boneco de pano, o ato de morrer é quase cômico de tão exagerado, há uma cena musical completamente fora do contexto...). Mas são coisas de um mundo diferente e de um cinema ainda mais diferente do de hoje.
O que mais me chamou a atenção é de que como o tema violência já desde cedo é tão familiar ao cinema norte-americano.
Passando ao filme uma amálgama de espetáculo circense, teatro vaudeville e ópera-bufa, cria a narrativa linear do cinema e sobretudo explora todo o universo fantástico que somente o 'quadro em movimento' poderia proporcionar.
É bom e muito criativo, mas exagerado o culto em torno dele. Há furos na teoria e Seu Jorge (que havia arrasado em "Cidade de Deus") está em uma atuação forçada e nada espontânea.
Um filme difícil de definir, não dá nem para escrever se é uma obra-prima ou apenas um manifesto que apenas duas pessoas entenderam: Dali e Buñuel. Eu gostei pela narrativa onírica e pelo manisfesto surrealista, mas aposto que o que eu entendi, não era aquilo que os autores queriam dizer.
Apesar do desfecho óbvio, é tão rico em detalhes e passa uma mensagem tão forte sobre a dominação do meio sobre o indivíduo, que é irrelevante que utilize de um final esperado. Muito bom.
Aquilo que a Disney sempre fez com maestria: adaptar um conto clássico, utilizando-se de música clássica, no caso aqui, de um dos belíssimos Quarteto para Cordas do Borodin.
Armado com uma Câmera: Vida e Morte de Brent Renaud
3.4 30 Assista AgoraO reporter de guerra sempre fica entre no limite entre o documental e o sensacionalismo e Renaud parece bem sincero ao querer mostrar o sofrimento de uma perspectiva imparcial, deixando o julgamento a cargo do expectador (o fato de ser autista deve ter ajudado); aliás pode até parecer apelativo as imagens dele morto, mas como falou seu irmão Craig, era o que ele mostraria igualmente.
Extremis
3.8 107 Assista AgoraPara mim teve uma conotação bastante pessoal, já que meu irmão e eu tivemos que tomar a mesma decisão sobre o meu pai (já em coma, completamente inconsciente e sem chances de retorno); aliás, há um bom tempo já avisei à minha família que é o que quero pra mim, no momento em que tudo o resta é sofrimento, deixar a existência é o melhor a porvir.
Três Canções para Benazir
3.2 50 Assista AgoraUm verso de uma música da banda Titãs ficou reverberando na minha cabeça, "miséria, miséria, em qualquer canto"; não sei como conseguem sorrir ou talvez nós que desaprendemos a sorrir com coisas simples.
Quartos Vazios
3.7 38 Assista AgoraAbsurdamente dolorido, (ainda mais para quem tem filhos), não resisti em dar um grande abraço à minha filha quando terminou.
A Batalha de San Pietro
3.3 19 Assista AgoraDocumento histórico, que apesar de muito bem encenado e editado, acabou envelhecendo mal, mas vale por seu registro
Tramas do Entardecer
4.4 100Mais um estudo estético (que parece ter influenciado o movimento "dark" dos anos 80) do que um enredo cinematográfico, esse sonho filmado tem grandes ideias, embora a simbologia só possa ser explicada mesmo por quem a construiu.
A Única Mulher na Orquestra
3.3 38 Assista AgoraEu ouço música clássica desde os 8 anos de idade, dentro de uma familia que não tinha costume de ouvir esse gênero musical, de fato, não ouviam nunca; há um bom tempo os ouvintes deste tipo de música vem decrescendo, mas aparentemente chegamos a um ponto onde ela vai começar a desaparecer por completo e por isso que fiquei emocionando ao assistir esse relato de alguém completamente entregue à Música, e como ela faz questão de deixar claro o tempo todo, entregue a cargo de um instrumento que é um operário da orquestra, enquanto os astros reluzem lá na frente.
Um Dia no Campo
3.8 25Bela alegoria que faz contraponto entre a primavera idílica e o tédio do cotidiano, com a figura apalermada de um marido ausente e infantil contra o homem idealizado por uma mulher. Tem uma descrição de "tesão" absolutamente tênue na conversa de Henriette com sua mãe um dos seus pontos mais poéticos, além das imagens de campo e lembranças tão comuns aos livros de Proust, captados aqui com maestria por Renoir, lembrando que é uma obra que nunca foi completada, por isso há alguns lapsos.
Terra Sem Pão
4.0 48Documentário-manifesto de Buñuel, partidário do republicanismo espanhol que lutava contra as forças conservadoras de Franco, que mostra a miséria da forma mais direta possível, aliada do sofrimento e da morte [a cena da criança morrendo lentamente e resignadamente "está parada ali há 3 dias" é particularmente chocante].
A Incrível História de Henry Sugar
3.6 178Como contar uma boa estória de forma rápida e divertida; fantástico.
Um Cão Andaluz
4.1 709 Assista AgoraMais um manifesto surrealista do que um enredo cinematográfico propriamente dito (embora nem haja definição perfeita do que seria um "enredo cinematográfico"), com suas séries oníricas, bem ao gosto da época, então embriagada pelos conceitos freudianos. Aparentemente é uma obra sobre os desejos e a culpa carregada por esses desejos.
PS- apesar da cena do corte do olho ser a mais conhecida (aliás, uma das mais conhecidas da história do Cinema), para mim a imagem mais impactante é o da descida da cruz, na parte final.
Sherlock Holmes, Jr.
3.5 1Não é dos melhores filmes de Keaton, mas tem duas grandes ideias: a do filme dentro do filme e as fantásticas sincronias da perseguição final, imitadas e citadas exaustivamente pelo Cinema.
A Sorridente Madame Beudet
3.5 37Talvez a mais monstruosa personificação de um marido opressor (mesmo que na época o cuidado odontológico não era prioridade, o diretor faz questão de closes na pavorosa dentição de Monsieur Beudet, aumentando o asco em relação ao mesmo). O sofrimento da Sra Beudet ainda piora com o seu plano sendo compreendido ao contrário pelo marido.
Poucas legendas e imagens oníricas, podem deixar o filme inintelegível para muita gente
O Vapor Willie
3.9 81 Assista AgoraMesmo que graficamente seja bastante violento (Mickey é um verdadeiro sádico torturando animais a seu bel-prazer), desculpa-se pois era o humor dos desenhos animados da época, o filme tem invenções que mostram todo o potencial do que viria a se tornar Walt Disney.
Há um detalhe bastante interessante: no momento em que o Bafo de Onça está mascando o tabaco, antes da primeira cuspida ela dá uma leve olhada para o lado, esse detalhe remete diretamente a um análogo no clássico soviético "Encouraçado Potemkim"
A Casa de Pequenos Cubinhos
4.5 772Toda a sutileza nipônica a serviço de uma mensagem fortíssima: a passagem de tempo a que todos nós estamos submetidos. Afinal, estamos sozinhos, mas acompanhados por uma infinidade de memórias.
Haggard's She: The Pillar of Fire
3.6 12O demônio parece uma espécie de Clovis Bornay anfetaminado e a mulher estar acometida de Dança de São Vito. Mas, são coisas do início do descobrimento do 'filme em movimento'.
As cores parecem ter servido de inspiração para o bem mais tardio Technicolor.
O Grande Roubo do Trem
3.8 191Difícil julgá-lo com os olhos de hoje, acostumados ao rigor técnico do cinema industrial (um personagem dá uma ajuda para ser amarrado, um dos funcionários do trem é claramente um boneco de pano, o ato de morrer é quase cômico de tão exagerado, há uma cena musical completamente fora do contexto...). Mas são coisas de um mundo diferente e de um cinema ainda mais diferente do de hoje.
O que mais me chamou a atenção é de que como o tema violência já desde cedo é tão familiar ao cinema norte-americano.
Viagem à Lua
4.4 877 Assista AgoraPassando ao filme uma amálgama de espetáculo circense, teatro vaudeville e ópera-bufa, cria a narrativa linear do cinema e sobretudo explora todo o universo fantástico que somente o 'quadro em movimento' poderia proporcionar.
O Código Tarantino
4.4 713É bom e muito criativo, mas exagerado o culto em torno dele. Há furos na teoria e Seu Jorge (que havia arrasado em "Cidade de Deus") está em uma atuação forçada e nada espontânea.
Um Cão Andaluz
4.1 709 Assista AgoraUm filme difícil de definir, não dá nem para escrever se é uma obra-prima ou apenas um manifesto que apenas duas pessoas entenderam: Dali e Buñuel. Eu gostei pela narrativa onírica e pelo manisfesto surrealista, mas aposto que o que eu entendi, não era aquilo que os autores queriam dizer.
Alarme
3.7 232Menos é mais
Maestro
3.7 10Apesar do desfecho óbvio, é tão rico em detalhes e passa uma mensagem tão forte sobre a dominação do meio sobre o indivíduo, que é irrelevante que utilize de um final esperado.
Muito bom.
A Pequena Vendedora de Fósforos
4.2 504Aquilo que a Disney sempre fez com maestria: adaptar um conto clássico, utilizando-se de música clássica, no caso aqui, de um dos belíssimos Quarteto para Cordas do Borodin.
Quase Abduzido
4.0 156A Pixar sempre impressiona. seja pela qualidade do seu CGI como também pela excelente mixagem de som, além da diversão de suas estórias.