Vendo as reviews aqui e a média de notas eu fico embasbacado como as pessoas perderam a capacidade de apreciar uma personagem complexa. Confesso que os dois primeiros episódios não me pegaram. Achei bem mais ou menos e convoluto. Mas a partir do terceiro, a série encontra seu eixo e vai bem firme nele até o desfecho ousado da temporada. Uma protagonista complexa (ainda mais complexa que o próprio Tony Stark, que do segundo filme dele pra frente vira uma caricatura da complexidade que colocaram no primeiro). Excelentes cenas de ação, ótimos efeitos, suspense bem construído, boas atuações. Minha maior reclamação é que o Anthony Ramos é bom ator, mas o Red Hood dele não me convenceu não rs.
Confesso que estou tendo dificuldades de dar uma nota pra esse aqui. Especialmente agora que trabalho com cinema, eu tenho tido muito mais dificuldade de julgar a qualidade de um filme, especialmente um filme nacional de baixo orçamento, feito com financiamento via incentivo a partir de critérios técnicos que aprendemos a avaliar com base no cinema hollywoodiano.
Dito isso, tive muita dificuldade de me engajar com a construção narrativa, tanto no roteiro, quanto na direção, especialmente em termos de ritmo. Mas eu gosto MUITO da história por baixo do formato e gosto muito das atuações do Bukassa Kabengele, do Allan Jacinto Santana e da Elisa Lucinda, sempre maravilhosa. Eu gosto da história que o filme quer contar e fiquei o tempo todo pensando em jeitos de como essa mesma história poderia ser contada de um modo mais engajante.
O sentimento que eu tenho é a vontade de ser bem rico, pegar esse filme e a equipe dele e juntos, fazermos uma nova versão.
Não é o primeiro, achei que é um filme mais convoluto, menos redondinho, os personagens têm menos tempo pra respirar enquanto personagens. O plot do mistério até que é legal e me intrigou, mas talvez ele seja complexo demais pra proposta do filme.
Porém, eu me diverti muito assim mesmo. Gostei dos plot twists (mesmo que alguns fossem um pouco mais previsíveis que no primeiro filme), gostei da TEMÁTICA que foi expandida aqui para outras questões que têm a ver com a temática do primeiro filme, mas explorando outros aspectos até mais sociais — e eu diria que, apesar de não tão bem amarradinha à história, as analogias aqui são menos complicadas rs.
No fim, o filme ainda tem um coração emocional muito bem estabelecido e o acréscimo do Ke como Gary Da'Snake é um deleite.
O primeiro terço (talvez a primeira metade) do filme é um primor. Eu me incomodei muito com o uso do CGI (que a princípio achei que não tinha justificativa, pois ficaria mais convincente usar os atores mesmo, mas acho que usaram com o propósito de causar estranheza mesmo e pra ter o impacto daquela UMA cena mais pro final). Ainda assim, o primeiro terço do filme me deixou muito satisfeito com uma linguagem extremamente brasileira de horror que funcionou bastante. Até mesmo depois que entendemos pra onde vai a história e ela começa a entrar num território mais familiar ao horror hollywoodiano, ainda tem bastante fôlego. Depois, porém, a originalidade perde a força ao assumir de vez esses elementos clássicos do terror de assombração.
Ao meu ver, o saldo é positivo. O conceito não é só legal no papel, ele é bem utilizado no filme. Surra muito filmeco de terror hollywoodiano.
Estranhamente, esse filme me lembrou um pouco "Bela Vingança" (Promising Young Woman), no sentido de que ele insinua o tempo todo ser um filme de suspense, mas subverte as expectativas e troca de gênero o tempo todo também. O filme, em muitos momentos, lembra uma novela, é uma trama de novela. MUITO bem atuado, claro, levanta temas muito interessantes sem nunca esfregar nada na cara. Ele desafia o tempo inteiro (especialmente no final) o público, como se dissesse: "E aí, vai julgar?". Eu confesso que queria ter gostado um pouco mais. Às vezes, quando um filme não entrega o que eu esperava dele, ele entrega algo melhor, esse aqui não sei se me fez esquecer da ideia que eu tinha dele antes. Mas isso é pessoal. Acho que a execução da proposta foi boa.
Olha, era melhor terem feito um terceiro filme com a Melissa Barrera e a Jenna Ortega, viu...
É um filme cheio de ótimos momentos, mortes criativas e mais brutais do que costumavam ser. Mas o Kevin Williamson talvez tenha desejado compensar todo o sangue que ele não pôde colocar no 2 e no 3 e se empolgou um pouco demais. Várias das cenas interessantes foram estragadas por uma estética que deixou as cenas mais próximas de Rua do Medo (onde isso funciona, pq é outra vibe) do que da franquia Scream — o 4, o 5 e o 6 tiveram mortes bem brutais sem parecer slasher B.
Outra coisa em que ele se empolgou foi tentar aprofundar demais o drama. Essa franquia não é pra isso. Sempre teve ótimos momentos dramáticos, o suficiente pra gente se importar com os personagens, mas nunca foram gastos os primeiros 30 minutos de filme nisso. E o drama é interessante, eu gostei, mas aí ele erra no tom. Fica dramático demais, metalinguístico e bem humorado (como a franquia sempre foi) de menos. As homenagens aos originais não são metalinguísticas o suficiente e parecem apenas referências pra tentar ganhar os fãs, mas não ganham pq não tem carisma pra isso — o que é triste, pq é minha característica preferida da franquia. E aí fica muuuito parecendo uma auto-indulgência chata do Kevin. Os pouquíssimos comentários sociais que o filme faz não são refletidos no enredo central, o que é também um desvio muito forte da essência da franquia. O humor acaba ficando fora de lugar também, quando aparece, quebrando clima e não funcionando pq o resto da narrativa não está tão brega assim.
O time de adolescentes não tem metade do carisma que os adolescentes introduzidos no 5 tinham, e eles deixaram o/a que tinha mais personalidade ser o/a primeiro/a a morrer. Mindy e Chad, que foram personagens ótimos nos dois anteriores, foram completamente desperdiçados e até desrespeitados aqui, era melhor não terem trazido de volta.
E isso tudo culmina com A PIOR revelação e motivação de Ghostface da franquia DE LONGE. Enquanto eu assistia eu criei algumas teorias que eram meio porcas, mas que, se bem trabalhadas, funcionariam MUITO melhor do que o que foi.
Enfim, como eu disse, tem algumas sequências muito boas (que infelizmente não constroem o mesmo nível de tensão dos anteriores) e um plot twist no meio do filme que achei muito bom, mas o conjunto da obra...
Tereza é um aviso e um conselho. Um aviso do que podemos fazer uns com os outros, de como conseguimos, enquanto sociedade, dispensar seres humanos como se fossem objetos que não possuem serventia. Um conselho para que não deixemos que nos descartem, por qualquer motivo que seja. Gabriel Mascaro captura o aviso e o conselho com uma mistura entre delicadeza e pungência e, junto com Denise Weinberg, nos entrega um dilema que parece simples a princípio — se conformar ou correr atrás do sonho —, mas se transforma em algo muito mais profundo: às vezes precisamos escolher entre o sonho e a liberdade.
"Dor de cabeça, enjoo e vontade de morrer" * balança a cabeça compreensiva e séria * "Tu tá de ressaca!"
Sim, eu demorei a ver essa obra. Quem me conhece sabe que assisto quando estou na vibe rs. E como eu fui no cinema assistir "O Agente Secreto" eu finalmente entrei na vibe. Tem tanta coisa que eu gostaria de dizer sobre "Bacurau" mas não sei por onde começar e não quero transformar um comentário de redinha de filme em uma análise. Vou ter que plagiar um comentário que li aqui: talvez seja a coisa mais antropofágica desde que Oswald de Andrade propôs o Movimento Antropofágico nos anos 20.
Para nós, só existe o que sabemos que existiu. Eu achei que nesse aqui o Kleber deixaria de lado o surrealismo que sempre me pega de surpresa nos filmes dele. Mas não deixou. Aqui ele constroi uma espécie crua e realista de fábula, usando tijolos de realidade e sonho. E ele não se importa com convenções narrativas criadas para engajar o espectador na sala de cinema. Ele manda a estrutura clássica pras cucuias e constroi uma peça exemplar do que chamamos de "forma e conteúdo". O que a história quer contar é também o jeito que ele escolheu narrá-la. Por isso, eu entendo total as razões de muita gente pra não curtir o filme tanto assim. Ele acontece mais no subtexto do que no texto. Pra alguns isso é ruim, pra mim é uma qualidade. Além disso, você tem que estar disposto a aceitar o que ele te ofereceu, e o que ele está te oferecendo não é o típico thriller político hollywoodiano. Ele está oferecendo uma narrativa audiovisual que, sim, possui um suspense tímido e sorrateiro que quando aparece, aparece e se mostra com qualidade (uma cena de puro suspense com uma trilha de baião é tudo que meu coração cinéfilo brasileiro pediu sim)... Mas no fim, a tensão está no fundo do mar, como o Tubarão do Spielberg, que está na capa do filme, mas demora a aparecer. Sabemos todas as peças do quebra-cabeça, entendemos o que está em jogo, mas o caldeirão ferve lento. E não só ferve lento, mas não é água. É leite. E leite quando a fervura começa a subir, você precisa desligar se quiser tomá-lo. Eu vou confessar que, já que ele criou essa história, eu preferia que ele tivesse abraçado a gente ao invés de nos dar o soco. Mas o soco foi bem dado. E não, este não é um filme sobre a Ditadura Militar. Sim, ela é central na trama. Sim, o filme tem muito a dizer sobre ela. Mas este é um filme sobre memória. Não só memórias políticas, mas também as memórias pessoais, dos momentos de cotidiano, da cultura, das histórias que nos constroem como povo. No fim das contas, quando se trata de sobrevivência da nossa humanidade, o prédio de um cinema é tão importante quanto um centro de saúde.
PS.: eu sei que muita gente não gostou, e até entendo... real... mas só de pirraça, prefiro enaltecer.
Eu queria ver esse aqui antes de assistir “Malês” do Antônio Pitanga. Vim aqui e ler as reviews me deixou pensando que existe uma falta de misericórdia bruta com projetos de baixo orçamento, geralmente de pessoas que nunca tiveram que trabalhar num filme. Há também uma falta de percepção visual muito grande.
Belisario e Jeferson conseguem uma proeza enorme aqui. Eles se utilizam de técnicas de uma arte mais antiga que o cinema – o teatro, no caso – para criar uma narrativa rica, que seja esteticamente agradável e ao mesmo tempo conte a história. Acho triste que as pessoas não saibam apreciar uma boa COMPOSIÇÃO. Existem filmes de Hollywood com orçamentos exorbitantes e design de produção caro que não tem a riqueza de composição de cena, incluindo aspectos de iluminação, que Revolta dos Malês tem. A escolha de ser uma história onde o rosto dos negros está em evidência e os brancos são apenas silhuetas interrompendo a luz foi genial e uma decisão que só foi possível graças à linguagem escolhida. Os cenários teatrais são perceptíveis mas achei o jogo de luz e sombra bem feito o suficiente. Meu cenário favorito é o das reuniões dos malês, onde há uma janela cuja grade se reflete na parede, com um padrão que tem a forma do símbolo adinkra da excelência e da autenticidade. Eu não sei como foi assistir em formato de série, mas imagino que parte do ritmo que eu estranhei venha do fato de que foi inicialmente pensada como uma web série e não como um longa. Vi gente criticando o texto, e, acho que apesar de haver espaço para melhorias, achei bem ótimo. Eu gosto das escolhas narrativas também. Temos uma personagem muito complexa como protagonista. Ela não é uma heroína romantizada. Ela é humana. Através dessa história específica, que deixa, na verdade, a revolta do título como pano de fundo, temos vislumbres muito importantes das complexidades sócio-culturais do período.
Eu estava pronto pra dar 3/3.5 estrelas pra esse aqui, porém os minutos finais me fizeram aumentar minha nota e não só por conta do desfecho em si, mas de como esse desfecho costura as temáticas levantadas que, a princípio me pareciam confusas e eu não sabia em que direção iriam — o erotismo característico desse tempo me fez colocar várias vírgulas enquanto eu assistia e temer pelo desfecho, porém fui surpreendido positivamente. É importante lembrar que este é daqueles filmes nossos, bem nossos mesmo, que a gente precisa se adaptar à linguagem do contexto histórico e sócio-cultural do filme pra de fato enxergá-lo como é. Feito isso, ao saber as condições que se filmava o chamado Cinema da Boca ou Boca do Lixo, eu fiquei embasbacado com o que o Jean Garrett conseguiu criar aqui. Ele consegue aproveitar todos os espaços e o que eles oferecem para criar tomadas e enquadramentos impressionantes, câmeras dinâmicas que tornam o filme uma experiência visual interessantíssima.
A vida real é composta por interpretações. Nosso cérebro interpreta, a partir de nossas vivências, vocabulário, limitações e capacidades fisiológicas tudo o que vemos e ouvimos. Em tudo o que a vida projeta em nós, nós projetamos de volta nosso olhar. Muito dessa interpretação ocorre involuntariamente. A vida real não nos conta o que ela é, nem como ela funciona e quais são as linguagens que ela usa. Cada ambiente, situação, lugar, sociedade e cultura possuem as próprias regras, então navegamos pela vida sem conseguir prever de fato o que ela projetará em nós, e projetamos nela de volta aquilo que temos para projetar. Mas quando nos colocamos diante de uma obra de qualquer arte que seja, sabemos, em maior ou menor escala, que estamos diante de algo que precisa ser interpretado e que possui uma linguagem específica.
Ainda assim, quando a obra é grandiosa, quando ela consegue capturar muito do que é a vida real, ela projeta muito e muito é projetado nela. Então, quando assisto uma obra gigantesca como "Rio, Zona Norte", eu projeto muitas coisas nela. Eu projeto o que eu sei sobre as tensões raciais e sociais que permeiam a vida de um habitante de periferia. Eu projeto o que sei sobre a vida de um sambista de favela que precisava sobreviver nos anos 50. Eu projeto o que eu sei sobra apropriação cultural e exploração da indústria do talento do artista, especialmente o artista negro. Eu projeto a condescendência que enxergo na branquitude privilegiada que admira a arte feita pelo negro. Eu projeto um filme que assisti no natal retrasado, "A Felicidade Não Se Compra" (It's a Wonderful Life) e o contraste brutal entre George Bailey (Jimmy Stewart) e Espírito da Luz (Grande Otelo). Dois personagens gigantes, interpretados por atores gigantes, numa jornada em que tudo começa a ruir em sua vida num efeito dominó trágico. Mas as diferenças entre eles — de país, continente, educação, raça... — colocam caminhos muito diferentes de escolha diante deles. Eu projeto a perspicácia de um personagem ingênuo e que tem o coração puro sendo jogado pra lá e pra cá pelas forças do acaso ou da estrutura social que jogam contra ele, e ainda assim, em seus momentos de desânimo, é o samba que lhe salva. Eu projeto também o que assisti em "Rio, 40 Graus", do mesmo autor, e enxergo como "Rio, Zona Norte" é ao mesmo tempo uma síntese e uma antítese do filme anterior. Quase todos os elementos de carga social e simbólica sobre o Rio de Janeiro e suas camadas sociais são as mesmas nos dois filmes. Mas Zona Norte coloca uma lente de aumento e desloca um pouco para o lado o que Nelson Pereira gostaria de contar.
Terminei minhas projeções com lágrimas nos olhos e coração dilacerado, com um sorriso no rosto. O samba é remédio e lenitivo irresistível, e por isso tantos o amam e tantos o odeiam. Por isso tantos o rejeitam e tantos se apropriam dele sem de fato entender de onde ele vem. Nos olhos de Grande Otelo, eu projetei uma longa história carregada de dor transformada em samba.
Assisti esse na hora do almoço com meus pais hoje, que estavam procurando algo pra ver e amam cachorros.
E olha... Não importa o que a crítica especializada diga, ninguém vai conseguir me convencer que esse filme é ruim.
Eu acho sim que ele poderia ser mais curto e economizar em várias tomadas de Benji andando pela floresta. Pra quem curte aventuras humanas (mesmo as que são com animais rs) talvez ele pareça chato, um documentário da NatGeo só que sem a dublagem humana. MAS, o filme tem uma narrativa, Benji tem personalidade e inteligência, um objetivo a cumprir e, como um bom herói, faz vários sacrifícios em nome de salvar crias que nem são dele. O filme ainda ousa bastante com a perda de um personagem e com um final sugerido.
Alcançar isso num filme de 1987, sem CGI, apenas com animais de verdade, truques de câmera e edição, quase sem personagens humanos, sem diálogo, sem dublagem para os animais e ainda assim canalizar uma narrativa é sim ABSOLUTE CINEMA. Cinema é justamente conseguir contar uma história ousada com tudo o que se tem. Se eu disser que assistiria de novo, estaria mentindo. É um formato que tem suas limitações para um público adulto sim, mas eu fiquei impressionadíssimo com o que foi alcançado.
E começamos a temporada cinematográfica de 2026 com chave de ouro.
Queria agradecer ao meu eu de 11 anos atrás que assistiu "Roma, Cidade Aberta" e se abriu pra uma experiência cinematográfica que ainda lhe era estranha e soube apreciar a brutalidade da realidade apresentada por um filme que não estava preocupado em criar dramas de entretenimento para além do drama que a vida — especialmente uma vida balançada por uma guerra — em si já apresenta.
Esse agradecimento tem tudo a ver com a influência do neorrealismo italiano sobre a obra de Nelson Pereira dos Santos, que ia fazer um filme chamado "Cidade Maravilhosa" falando sobre o carnaval. Imagino que ele fosse fazer algo parecido com o que o diretor francês Marcel Camus mais tarde faria com "Orfeu Negro". Mas então ele olhou para a realidade e entregou um dos filmes mais importantes da história do cinema.
E que filme! Eu não costumo ser cativado logo de cara por histórias de cotidiano, mas "Rio, 40 graus" já me cativa com seus personagens logo nos primeiros minutos e me intriga com seus vários núcleos. Meu eu cinéfilo que gosta de roteiros mirabolantes ficou esperando uma reviravolta absurda que ia explodir minha mente. Mas a conexão entre os núcleos não veio nesse formato. Ela veio com uma sutileza contraditória que conecta todas as histórias como a vida real conecta tudo. Há muito no dito e no não dito. A direção, cinematografia e edição absurda do filme são sofisticadíssimas, mas não são apenas escolhas estéticas, elas costuram essas histórias com uma linha luminosa que denuncia uma estrutura social que, infelizmente, mesmo 70 anos depois, ainda se faz de pé.
Apesar de ser o mais sério, menos “”””divertido””””, o mais arrastado e com o plot mais convoluto e inflado dos três mistérios Knives Out - fazendo inclusive com que vários membros do elenco pareçam mais cameos de luxo do que personagens em si - tem três coisas que me fazem dar uma boa nota pra esse filme:
1) é o filme mais bem filmado, bem fotografado e iluminado dos três. E não só num sentido de beleza estética, mas na forma com que a cinematografia conduz a narrativa;
2) tem minhas atuações preferidas dos três filmes também. É um crime Glenn Close ainda não ter um Oscar, essa mulher é um absurdo. Josh Brolin entregou muito, especialmente nos sermões e Josh O’Connor criou um personagem bem sensível;
3) a temática. Os dois filmes anteriores possuem temas legais, mas são tratados apenas a partir da sátira, aqui Johnson ousou cavar mais profundo na psiquê dos seus personagens e na temática da fé - e conseguiu denunciar os horrores da instrumentalização da religião e como ela pode transformar pessoas em monstros, ao mesmo tempo que soube respeitar a fé de quem encontra na espiritualidade um caminho para ser uma pessoa melhor.
Desgraça pouca é bobagem. Mas como a branquitude gosta de desgraça, né!? A reflexão sobre a religiosidade que leva crentes a fazerem atrocidades me lembra muito o livro de Juízes na Bíblia. Mas estava reparando a diferença entre o livro de Juízes e esse filme… me peguei pensando no quanto esse tipo de história coloca a culpa na natureza humana corrupta e em decisões individuais que afetam o ambiente próximo como um grande recurso narrativo, mas ainda assim falham em denunciar os males estruturais. Juízes entende o aspecto coletivo e estrutural das desgraças de um jeito que essas narrativas estadunidenses pouco conseguem arranhar a superfície. Dito isso, um baita conto southern gothic com ótimas atuações.
O filme de terror mais crente que vi nos últimos tempos kakakak
Eu real considero "O Telefone Preto" um filme subestimado. Por mais que ele tenha ganhado uma continuação e muita gente goste dele, eu sinto que ele não é apreciado o suficiente em sua originalidade, o jeito que ele possui coração e desenvolve bem seus personagens, e as sutilezas do roteiro que eu sei que nem todo mundo pega, mas que monta um excelente quebra-cabeças. Justamente por curtir tanto, fiquei com medo de fazerem uma continuação e estragarem tudo.
Na minha opinião não está no nível do primeiro, mas acho que Derrickson e C. Robert Cargill fizeram um ótimo trabalho de expansão de universo e uma continuação dramática que serviu aos personagens. Não parece uma continuação pela continuação, apenas, é um filme que de fato lida com as consequências e a mitologia do primeiro. E, assim como o primeiro, baseado no conto do Joe Hill, é uma história bastante Stephen King, este aqui claramente puxa inspiração de outras histórias do King como "O Iluminado" e "Louca Obsessão". Eu acho que o filme sofre de alguns problemas de ritmo. Dava pra compactar mais o ato final e tornar o filme um pouco menor e mais dinâmico. Acho que a resolução também ficou um pouco "Ghostbusters" demais pro meu gosto, cruzando um pouco a linha pro brega. Ainda assim, tive uma experiência divertida, é uma sequência que respeita o predecessor e eu amei passar mais tempo com esses dois personagens incríveis que são a Gwen e o Finn. Eu veria de boas mais histórias com eles se fossem bem escritas.
Queria ter visto esse filme antes do remake — no caso "Midsommar", nunca vi o remake com Nicolas Cage kakaka. Queria também não ter ido ao filme já sabendo o final. Nem lembro como peguei o spoiler, mas como é um filme antigo, foi inevitável. Ainda assim, achei a construção ótima, criativa e, apesar do que acontece, o filme está carregado de críticas a todo tipo de religiosidade controladora, especialmente o tipo de cristianismo preconceituoso e colonizador que o protagonista carrega.
confissão cinéfila: eu sempre tive preguiça de assistir a esse filme pq eu sempre tenho preguiça de ver esse filme pq eu sabia que era um found footage (um subgênero que sempre fico com um pouco de preguiça de ver — embora tenha gostado muito de quase todos os filmes que vi rs) e tb pq eu meio que já tinha visto a cena final inúmeras vezes.
mas chegou o dia de assistir e é incrível tentar se colocar no lugar das pessoas em 1999 vendo esse filme no cinema e tentando entender o que tava acontecendo. o desespero, o desconhecido, o estar perdido, o não entender de fato o que está acontecendo, o sentimento sombrio de que não vai dar pra sair daquela situação... tudo isso acrescenta atmosfera ao estilo de filmagens encontradas do filme.
é um verdadeiro sucesso do formato e, embora não seja o pioneiro, como muitos acreditam, certamente é o que o popularizou e nos gerou outras pérolas incríveis do horror found footage (meu preferido dos que assisti sendo o japonês "Noroi").
Esse filme foi feito com 1 milhão de dólares. É um orçamento bem baixo e acho que fizeram um excelente trabalho com um orçamento desses. Dito isso, acho que, usando os mesmos truques e recursos que eles usaram, dava pra ter construído uma narrativa um tico mais atmosférica, que colocasse o filme definitivamente no campo do terror cósmico. O conceito é ótimo, o mistério é bom, eu acho a solução interessante e ele possui ideias ótimas. Mas senti falta de ritmo e do senso de pavor que esse conceito poderia provocar. Algum trabalho de roteiro e algumas escolhas de coloração e direção já ajustariam o filme pra pelo menos mais meia estrela pra mim. Sinto também, e aqui é algo caro tb de conseguir, que uma trilha sonora mais atmosférica e um design de som melhor teria ajudado muitooo aqui. Mas de novo: trabalhando com cinema eu percebi o quanto é fácil falar. Na hora de fazer, especialmente com orçamento apertado, o nível de controle sobre o produto final é mínimo.
Esse é o tipo de filme do qual eu gostaria de ver remakes com mais orçamento.
Eu tô há dois meses ou mais assistindo apenas terror. Estava com medo de não curtir a experiência de assistir "Meu ódio será tua herança" (que eu acho um baita título, tá?), uma vez que não estou na vibe de faroeste. Mas quanto mais penso no filme, mais gosto dele. Não é o tipo de história que me pega, mas é o tipo de história que eu admiro. Tendo discutido sobre, inclusive, com gente que tem repertório logo depois de assistir, ampliou ainda mais minha visão a respeito. As camadas de comentário social, a ousadia de muito do filme ser falado em espanhol, se passar no México e ter pessoas não brancas de verdade interpretando os personagens não brancos, as rimas visuais, a cinematografia, as cenas excelentes de ação... tem MUITA coisa aqui pra ser apreciada. Filmaço!
Como um conhecido comentou, este é o filme que ele poderia ser. Não dava pra ele ser muito mais do que isso. E eu acho que ele faz um trabalho excelente em ser mais do que o conto, que li ontem antes de dormir. Todos os elementos do conto estão aqui. Ainda assim, a história é transportada para o século 21 e adaptada para trazer outras temáticas tímidas e um ponto de vista diferente que entende que adaptar uma obra literária para o cinema exige entender a mídia e o cinema. Minha teoria é que o Richard Stanley assistiu "Aniquilação" do Alex Garland,baseado no livro de Jeff VanderMeer (que ainda tô pra ler) e entendeu como adaptar o conto de 1927 de Lovecraft (que quase certeza foi a influência pra VanderMeer) para o cinema.
É um filme BONITO e todo mundo sabe que tenho fraco por filmes bonitos. Ele não tem as melhores qualidades técnicas em todos os departamentos e, as composições são as mais simples possíveis. Mas o trabalho de cor e direção de arte é FENOMENAL. Eu gosto muito das atuações, incluindo o que Nic Cage faz aqui. Acho que o filme possui um sucesso tremendo em criar uma atmosfera que mistura encantamento e medo, o que é algo muito difícil de alcançar. E constroi o incômodo da descida à loucura de forma muito eficiente no meio de paisagens tão belas. Stanley pegou aqui tudo o que ele aprendeu com histórias lovecraftianas anteriores — de "The Thing" do Carpenter a "Annihilation" do Garland — e seguiu a cartilha direitinho.
Pra quem curte horror cósmico, acho sim que vale a pena assistir, afinal, obras com essa pegada ainda são raras de se ver por aí.
Sim, tô assistindo em 2025. [28/10/2025] Não há o que dizer. Tudo o que eu disser já foi dito. Mas queria comentar que John Carpenter reizinho que não matou os personagens negros no início do filme. E, ecoando a resenha do prof. William Mur, não tem mulheres pq senão o filme seria mais curto, pois elas teriam resolvido mais rápido. Cinema absoluto.
Coração de Ferro
2.5 100 Assista AgoraVendo as reviews aqui e a média de notas eu fico embasbacado como as pessoas perderam a capacidade de apreciar uma personagem complexa.
Confesso que os dois primeiros episódios não me pegaram. Achei bem mais ou menos e convoluto. Mas a partir do terceiro, a série encontra seu eixo e vai bem firme nele até o desfecho ousado da temporada.
Uma protagonista complexa (ainda mais complexa que o próprio Tony Stark, que do segundo filme dele pra frente vira uma caricatura da complexidade que colocaram no primeiro).
Excelentes cenas de ação, ótimos efeitos, suspense bem construído, boas atuações.
Minha maior reclamação é que o Anthony Ramos é bom ator, mas o Red Hood dele não me convenceu não rs.
Atrás da Sombra
2.6 8Confesso que estou tendo dificuldades de dar uma nota pra esse aqui.
Especialmente agora que trabalho com cinema, eu tenho tido muito mais dificuldade de julgar a qualidade de um filme, especialmente um filme nacional de baixo orçamento, feito com financiamento via incentivo a partir de critérios técnicos que aprendemos a avaliar com base no cinema hollywoodiano.
Dito isso, tive muita dificuldade de me engajar com a construção narrativa, tanto no roteiro, quanto na direção, especialmente em termos de ritmo. Mas eu gosto MUITO da história por baixo do formato e gosto muito das atuações do Bukassa Kabengele, do Allan Jacinto Santana e da Elisa Lucinda, sempre maravilhosa. Eu gosto da história que o filme quer contar e fiquei o tempo todo pensando em jeitos de como essa mesma história poderia ser contada de um modo mais engajante.
O sentimento que eu tenho é a vontade de ser bem rico, pegar esse filme e a equipe dele e juntos, fazermos uma nova versão.
[31-03-26]
Zootopia 2
3.7 163Não é o primeiro, achei que é um filme mais convoluto, menos redondinho, os personagens têm menos tempo pra respirar enquanto personagens. O plot do mistério até que é legal e me intrigou, mas talvez ele seja complexo demais pra proposta do filme.
Porém, eu me diverti muito assim mesmo. Gostei dos plot twists (mesmo que alguns fossem um pouco mais previsíveis que no primeiro filme), gostei da TEMÁTICA que foi expandida aqui para outras questões que têm a ver com a temática do primeiro filme, mas explorando outros aspectos até mais sociais — e eu diria que, apesar de não tão bem amarradinha à história, as analogias aqui são menos complicadas rs.
No fim, o filme ainda tem um coração emocional muito bem estabelecido e o acréscimo do Ke como Gary Da'Snake é um deleite.
[29-03-26]
Morto Não Fala
3.4 398O primeiro terço (talvez a primeira metade) do filme é um primor.
Eu me incomodei muito com o uso do CGI (que a princípio achei que não tinha justificativa, pois ficaria mais convincente usar os atores mesmo, mas acho que usaram com o propósito de causar estranheza mesmo e pra ter o impacto daquela UMA cena mais pro final).
Ainda assim, o primeiro terço do filme me deixou muito satisfeito com uma linguagem extremamente brasileira de horror que funcionou bastante. Até mesmo depois que entendemos pra onde vai a história e ela começa a entrar num território mais familiar ao horror hollywoodiano, ainda tem bastante fôlego.
Depois, porém, a originalidade perde a força ao assumir de vez esses elementos clássicos do terror de assombração.
Ao meu ver, o saldo é positivo. O conceito não é só legal no papel, ele é bem utilizado no filme. Surra muito filmeco de terror hollywoodiano.
[22-03-26]
A Vilã das Nove
3.2 29 Assista AgoraEstranhamente, esse filme me lembrou um pouco "Bela Vingança" (Promising Young Woman), no sentido de que ele insinua o tempo todo ser um filme de suspense, mas subverte as expectativas e troca de gênero o tempo todo também.
O filme, em muitos momentos, lembra uma novela, é uma trama de novela. MUITO bem atuado, claro, levanta temas muito interessantes sem nunca esfregar nada na cara.
Ele desafia o tempo inteiro (especialmente no final) o público, como se dissesse: "E aí, vai julgar?".
Eu confesso que queria ter gostado um pouco mais. Às vezes, quando um filme não entrega o que eu esperava dele, ele entrega algo melhor, esse aqui não sei se me fez esquecer da ideia que eu tinha dele antes.
Mas isso é pessoal. Acho que a execução da proposta foi boa.
[21-03-2026]
Pânico 7
2.7 352 Assista AgoraOlha, era melhor terem feito um terceiro filme com a Melissa Barrera e a Jenna Ortega, viu...
É um filme cheio de ótimos momentos, mortes criativas e mais brutais do que costumavam ser. Mas o Kevin Williamson talvez tenha desejado compensar todo o sangue que ele não pôde colocar no 2 e no 3 e se empolgou um pouco demais. Várias das cenas interessantes foram estragadas por uma estética que deixou as cenas mais próximas de Rua do Medo (onde isso funciona, pq é outra vibe) do que da franquia Scream — o 4, o 5 e o 6 tiveram mortes bem brutais sem parecer slasher B.
Outra coisa em que ele se empolgou foi tentar aprofundar demais o drama. Essa franquia não é pra isso. Sempre teve ótimos momentos dramáticos, o suficiente pra gente se importar com os personagens, mas nunca foram gastos os primeiros 30 minutos de filme nisso. E o drama é interessante, eu gostei, mas aí ele erra no tom. Fica dramático demais, metalinguístico e bem humorado (como a franquia sempre foi) de menos. As homenagens aos originais não são metalinguísticas o suficiente e parecem apenas referências pra tentar ganhar os fãs, mas não ganham pq não tem carisma pra isso — o que é triste, pq é minha característica preferida da franquia. E aí fica muuuito parecendo uma auto-indulgência chata do Kevin. Os pouquíssimos comentários sociais que o filme faz não são refletidos no enredo central, o que é também um desvio muito forte da essência da franquia.
O humor acaba ficando fora de lugar também, quando aparece, quebrando clima e não funcionando pq o resto da narrativa não está tão brega assim.
O time de adolescentes não tem metade do carisma que os adolescentes introduzidos no 5 tinham, e eles deixaram o/a que tinha mais personalidade ser o/a primeiro/a a morrer. Mindy e Chad, que foram personagens ótimos nos dois anteriores, foram completamente desperdiçados e até desrespeitados aqui, era melhor não terem trazido de volta.
E isso tudo culmina com A PIOR revelação e motivação de Ghostface da franquia DE LONGE. Enquanto eu assistia eu criei algumas teorias que eram meio porcas, mas que, se bem trabalhadas, funcionariam MUITO melhor do que o que foi.
Enfim, como eu disse, tem algumas sequências muito boas (que infelizmente não constroem o mesmo nível de tensão dos anteriores) e um plot twist no meio do filme que achei muito bom, mas o conjunto da obra...
Triste.
[18-03-26]
O Último Azul
3.7 209 Assista AgoraTereza é um aviso e um conselho.
Um aviso do que podemos fazer uns com os outros, de como conseguimos, enquanto sociedade, dispensar seres humanos como se fossem objetos que não possuem serventia.
Um conselho para que não deixemos que nos descartem, por qualquer motivo que seja.
Gabriel Mascaro captura o aviso e o conselho com uma mistura entre delicadeza e pungência e, junto com Denise Weinberg, nos entrega um dilema que parece simples a princípio — se conformar ou correr atrás do sonho —, mas se transforma em algo muito mais profundo: às vezes precisamos escolher entre o sonho e a liberdade.
[25-02-2026]
Bacurau
4.3 2,8K Assista Agora"Dor de cabeça, enjoo e vontade de morrer"
* balança a cabeça compreensiva e séria *
"Tu tá de ressaca!"
Sim, eu demorei a ver essa obra. Quem me conhece sabe que assisto quando estou na vibe rs. E como eu fui no cinema assistir "O Agente Secreto" eu finalmente entrei na vibe.
Tem tanta coisa que eu gostaria de dizer sobre "Bacurau" mas não sei por onde começar e não quero transformar um comentário de redinha de filme em uma análise.
Vou ter que plagiar um comentário que li aqui: talvez seja a coisa mais antropofágica desde que Oswald de Andrade propôs o Movimento Antropofágico nos anos 20.
[22-02-26]
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraPara nós, só existe o que sabemos que existiu.
Eu achei que nesse aqui o Kleber deixaria de lado o surrealismo que sempre me pega de surpresa nos filmes dele. Mas não deixou.
Aqui ele constroi uma espécie crua e realista de fábula, usando tijolos de realidade e sonho. E ele não se importa com convenções narrativas criadas para engajar o espectador na sala de cinema. Ele manda a estrutura clássica pras cucuias e constroi uma peça exemplar do que chamamos de "forma e conteúdo".
O que a história quer contar é também o jeito que ele escolheu narrá-la.
Por isso, eu entendo total as razões de muita gente pra não curtir o filme tanto assim. Ele acontece mais no subtexto do que no texto. Pra alguns isso é ruim, pra mim é uma qualidade. Além disso, você tem que estar disposto a aceitar o que ele te ofereceu, e o que ele está te oferecendo não é o típico thriller político hollywoodiano.
Ele está oferecendo uma narrativa audiovisual que, sim, possui um suspense tímido e sorrateiro que quando aparece, aparece e se mostra com qualidade (uma cena de puro suspense com uma trilha de baião é tudo que meu coração cinéfilo brasileiro pediu sim)... Mas no fim, a tensão está no fundo do mar, como o Tubarão do Spielberg, que está na capa do filme, mas demora a aparecer. Sabemos todas as peças do quebra-cabeça, entendemos o que está em jogo, mas o caldeirão ferve lento.
E não só ferve lento, mas não é água. É leite. E leite quando a fervura começa a subir, você precisa desligar se quiser tomá-lo.
Eu vou confessar que, já que ele criou essa história, eu preferia que ele tivesse abraçado a gente ao invés de nos dar o soco.
Mas o soco foi bem dado.
E não, este não é um filme sobre a Ditadura Militar.
Sim, ela é central na trama. Sim, o filme tem muito a dizer sobre ela.
Mas este é um filme sobre memória. Não só memórias políticas, mas também as memórias pessoais, dos momentos de cotidiano, da cultura, das histórias que nos constroem como povo.
No fim das contas, quando se trata de sobrevivência da nossa humanidade, o prédio de um cinema é tão importante quanto um centro de saúde.
PS.: eu sei que muita gente não gostou, e até entendo... real... mas só de pirraça, prefiro enaltecer.
[16-02-2026]
Revolta dos Malês
3.1 3Eu queria ver esse aqui antes de assistir “Malês” do Antônio Pitanga. Vim aqui e ler as reviews me deixou pensando que existe uma falta de misericórdia bruta com projetos de baixo orçamento, geralmente de pessoas que nunca tiveram que trabalhar num filme. Há também uma falta de percepção visual muito grande.
Belisario e Jeferson conseguem uma proeza enorme aqui. Eles se utilizam de técnicas de uma arte mais antiga que o cinema – o teatro, no caso – para criar uma narrativa rica, que seja esteticamente agradável e ao mesmo tempo conte a história. Acho triste que as pessoas não saibam apreciar uma boa COMPOSIÇÃO. Existem filmes de Hollywood com orçamentos exorbitantes e design de produção caro que não tem a riqueza de composição de cena, incluindo aspectos de iluminação, que Revolta dos Malês tem. A escolha de ser uma história onde o rosto dos negros está em evidência e os brancos são apenas silhuetas interrompendo a luz foi genial e uma decisão que só foi possível graças à linguagem escolhida. Os cenários teatrais são perceptíveis mas achei o jogo de luz e sombra bem feito o suficiente. Meu cenário favorito é o das reuniões dos malês, onde há uma janela cuja grade se reflete na parede, com um padrão que tem a forma do símbolo adinkra da excelência e da autenticidade. Eu não sei como foi assistir em formato de série, mas imagino que parte do ritmo que eu estranhei venha do fato de que foi inicialmente pensada como uma web série e não como um longa. Vi gente criticando o texto, e, acho que apesar de haver espaço para melhorias, achei bem ótimo. Eu gosto das escolhas narrativas também. Temos uma personagem muito complexa como protagonista. Ela não é uma heroína romantizada. Ela é humana.
Através dessa história específica, que deixa, na verdade, a revolta do título como pano de fundo, temos vislumbres muito importantes das complexidades sócio-culturais do período.
Eu sempre anseio por ver mais do Jefferson De.
[20-01-2026]
Excitação
3.6 39Eu estava pronto pra dar 3/3.5 estrelas pra esse aqui, porém os minutos finais me fizeram aumentar minha nota e não só por conta do desfecho em si, mas de como esse desfecho costura as temáticas levantadas que, a princípio me pareciam confusas e eu não sabia em que direção iriam — o erotismo característico desse tempo me fez colocar várias vírgulas enquanto eu assistia e temer pelo desfecho, porém fui surpreendido positivamente.
É importante lembrar que este é daqueles filmes nossos, bem nossos mesmo, que a gente precisa se adaptar à linguagem do contexto histórico e sócio-cultural do filme pra de fato enxergá-lo como é.
Feito isso, ao saber as condições que se filmava o chamado Cinema da Boca ou Boca do Lixo, eu fiquei embasbacado com o que o Jean Garrett conseguiu criar aqui. Ele consegue aproveitar todos os espaços e o que eles oferecem para criar tomadas e enquadramentos impressionantes, câmeras dinâmicas que tornam o filme uma experiência visual interessantíssima.
[14-01-2026]
Rio, Zona Norte
4.2 70A vida real é composta por interpretações.
Nosso cérebro interpreta, a partir de nossas vivências, vocabulário, limitações e capacidades fisiológicas tudo o que vemos e ouvimos. Em tudo o que a vida projeta em nós, nós projetamos de volta nosso olhar.
Muito dessa interpretação ocorre involuntariamente. A vida real não nos conta o que ela é, nem como ela funciona e quais são as linguagens que ela usa. Cada ambiente, situação, lugar, sociedade e cultura possuem as próprias regras, então navegamos pela vida sem conseguir prever de fato o que ela projetará em nós, e projetamos nela de volta aquilo que temos para projetar. Mas quando nos colocamos diante de uma obra de qualquer arte que seja, sabemos, em maior ou menor escala, que estamos diante de algo que precisa ser interpretado e que possui uma linguagem específica.
Ainda assim, quando a obra é grandiosa, quando ela consegue capturar muito do que é a vida real, ela projeta muito e muito é projetado nela. Então, quando assisto uma obra gigantesca como "Rio, Zona Norte", eu projeto muitas coisas nela. Eu projeto o que eu sei sobre as tensões raciais e sociais que permeiam a vida de um habitante de periferia. Eu projeto o que sei sobre a vida de um sambista de favela que precisava sobreviver nos anos 50. Eu projeto o que eu sei sobra apropriação cultural e exploração da indústria do talento do artista, especialmente o artista negro. Eu projeto a condescendência que enxergo na branquitude privilegiada que admira a arte feita pelo negro. Eu projeto um filme que assisti no natal retrasado, "A Felicidade Não Se Compra" (It's a Wonderful Life) e o contraste brutal entre George Bailey (Jimmy Stewart) e Espírito da Luz (Grande Otelo). Dois personagens gigantes, interpretados por atores gigantes, numa jornada em que tudo começa a ruir em sua vida num efeito dominó trágico. Mas as diferenças entre eles — de país, continente, educação, raça... — colocam caminhos muito diferentes de escolha diante deles. Eu projeto a perspicácia de um personagem ingênuo e que tem o coração puro sendo jogado pra lá e pra cá pelas forças do acaso ou da estrutura social que jogam contra ele, e ainda assim, em seus momentos de desânimo, é o samba que lhe salva. Eu projeto também o que assisti em "Rio, 40 Graus", do mesmo autor, e enxergo como "Rio, Zona Norte" é ao mesmo tempo uma síntese e uma antítese do filme anterior. Quase todos os elementos de carga social e simbólica sobre o Rio de Janeiro e suas camadas sociais são as mesmas nos dois filmes. Mas Zona Norte coloca uma lente de aumento e desloca um pouco para o lado o que Nelson Pereira gostaria de contar.
Terminei minhas projeções com lágrimas nos olhos e coração dilacerado, com um sorriso no rosto. O samba é remédio e lenitivo irresistível, e por isso tantos o amam e tantos o odeiam. Por isso tantos o rejeitam e tantos se apropriam dele sem de fato entender de onde ele vem. Nos olhos de Grande Otelo, eu projetei uma longa história carregada de dor transformada em samba.
Uma ode e um lamento.
Benji: Um Cão Desafia a Selva
3.3 24 Assista AgoraAssisti esse na hora do almoço com meus pais hoje, que estavam procurando algo pra ver e amam cachorros.
E olha... Não importa o que a crítica especializada diga, ninguém vai conseguir me convencer que esse filme é ruim.
Eu acho sim que ele poderia ser mais curto e economizar em várias tomadas de Benji andando pela floresta. Pra quem curte aventuras humanas (mesmo as que são com animais rs) talvez ele pareça chato, um documentário da NatGeo só que sem a dublagem humana. MAS, o filme tem uma narrativa, Benji tem personalidade e inteligência, um objetivo a cumprir e, como um bom herói, faz vários sacrifícios em nome de salvar crias que nem são dele. O filme ainda ousa bastante com a perda de um personagem e com um final sugerido.
Alcançar isso num filme de 1987, sem CGI, apenas com animais de verdade, truques de câmera e edição, quase sem personagens humanos, sem diálogo, sem dublagem para os animais e ainda assim canalizar uma narrativa é sim ABSOLUTE CINEMA. Cinema é justamente conseguir contar uma história ousada com tudo o que se tem. Se eu disser que assistiria de novo, estaria mentindo. É um formato que tem suas limitações para um público adulto sim, mas eu fiquei impressionadíssimo com o que foi alcançado.
[06/01/2026]
Rio, 40 Graus
3.9 103 Assista AgoraE começamos a temporada cinematográfica de 2026 com chave de ouro.
Queria agradecer ao meu eu de 11 anos atrás que assistiu "Roma, Cidade Aberta" e se abriu pra uma experiência cinematográfica que ainda lhe era estranha e soube apreciar a brutalidade da realidade apresentada por um filme que não estava preocupado em criar dramas de entretenimento para além do drama que a vida — especialmente uma vida balançada por uma guerra — em si já apresenta.
Esse agradecimento tem tudo a ver com a influência do neorrealismo italiano sobre a obra de Nelson Pereira dos Santos, que ia fazer um filme chamado "Cidade Maravilhosa" falando sobre o carnaval. Imagino que ele fosse fazer algo parecido com o que o diretor francês Marcel Camus mais tarde faria com "Orfeu Negro". Mas então ele olhou para a realidade e entregou um dos filmes mais importantes da história do cinema.
E que filme! Eu não costumo ser cativado logo de cara por histórias de cotidiano, mas "Rio, 40 graus" já me cativa com seus personagens logo nos primeiros minutos e me intriga com seus vários núcleos. Meu eu cinéfilo que gosta de roteiros mirabolantes ficou esperando uma reviravolta absurda que ia explodir minha mente. Mas a conexão entre os núcleos não veio nesse formato. Ela veio com uma sutileza contraditória que conecta todas as histórias como a vida real conecta tudo. Há muito no dito e no não dito. A direção, cinematografia e edição absurda do filme são sofisticadíssimas, mas não são apenas escolhas estéticas, elas costuram essas histórias com uma linha luminosa que denuncia uma estrutura social que, infelizmente, mesmo 70 anos depois, ainda se faz de pé.
[05/01/2025]
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
3.6 240 Assista AgoraApesar de ser o mais sério, menos “”””divertido””””, o mais arrastado e com o plot mais convoluto e inflado dos três mistérios Knives Out - fazendo inclusive com que vários membros do elenco pareçam mais cameos de luxo do que personagens em si - tem três coisas que me fazem dar uma boa nota pra esse filme:
1) é o filme mais bem filmado, bem fotografado e iluminado dos três. E não só num sentido de beleza estética, mas na forma com que a cinematografia conduz a narrativa;
2) tem minhas atuações preferidas dos três filmes também. É um crime Glenn Close ainda não ter um Oscar, essa mulher é um absurdo. Josh Brolin entregou muito, especialmente nos sermões e Josh O’Connor criou um personagem bem sensível;
3) a temática. Os dois filmes anteriores possuem temas legais, mas são tratados apenas a partir da sátira, aqui Johnson ousou cavar mais profundo na psiquê dos seus personagens e na temática da fé - e conseguiu denunciar os horrores da instrumentalização da religião e como ela pode transformar pessoas em monstros, ao mesmo tempo que soube respeitar a fé de quem encontra na espiritualidade um caminho para ser uma pessoa melhor.
[13/12/2025]
Ghosted: Sem Resposta
2.8 111Bem mal executadinho, mas a ideia é divertida, poderia ter rendido um filme bem melhor. Não rendeu, mas me diverti assistindo com meus pais.
[14/12/2025]
O Diabo de Cada Dia
3.8 1,1KDesgraça pouca é bobagem. Mas como a branquitude gosta de desgraça, né!?
A reflexão sobre a religiosidade que leva crentes a fazerem atrocidades me lembra muito o livro de Juízes na Bíblia. Mas estava reparando a diferença entre o livro de Juízes e esse filme… me peguei pensando no quanto esse tipo de história coloca a culpa na natureza humana corrupta e em decisões individuais que afetam o ambiente próximo como um grande recurso narrativo, mas ainda assim falham em denunciar os males estruturais. Juízes entende o aspecto coletivo e estrutural das desgraças de um jeito que essas narrativas estadunidenses pouco conseguem arranhar a superfície.
Dito isso, um baita conto southern gothic com ótimas atuações.
[02/12/2025]
O Telefone Preto 2
3.0 258 Assista AgoraO filme de terror mais crente que vi nos últimos tempos kakakak
Eu real considero "O Telefone Preto" um filme subestimado.
Por mais que ele tenha ganhado uma continuação e muita gente goste dele, eu sinto que ele não é apreciado o suficiente em sua originalidade, o jeito que ele possui coração e desenvolve bem seus personagens, e as sutilezas do roteiro que eu sei que nem todo mundo pega, mas que monta um excelente quebra-cabeças.
Justamente por curtir tanto, fiquei com medo de fazerem uma continuação e estragarem tudo.
Na minha opinião não está no nível do primeiro, mas acho que Derrickson e C. Robert Cargill fizeram um ótimo trabalho de expansão de universo e uma continuação dramática que serviu aos personagens. Não parece uma continuação pela continuação, apenas, é um filme que de fato lida com as consequências e a mitologia do primeiro.
E, assim como o primeiro, baseado no conto do Joe Hill, é uma história bastante Stephen King, este aqui claramente puxa inspiração de outras histórias do King como "O Iluminado" e "Louca Obsessão".
Eu acho que o filme sofre de alguns problemas de ritmo. Dava pra compactar mais o ato final e tornar o filme um pouco menor e mais dinâmico. Acho que a resolução também ficou um pouco "Ghostbusters" demais pro meu gosto, cruzando um pouco a linha pro brega. Ainda assim, tive uma experiência divertida, é uma sequência que respeita o predecessor e eu amei passar mais tempo com esses dois personagens incríveis que são a Gwen e o Finn. Eu veria de boas mais histórias com eles se fossem bem escritas.
[04/11/2025]
O Homem de Palha
4.0 534 Assista AgoraQueria ter visto esse filme antes do remake — no caso "Midsommar", nunca vi o remake com Nicolas Cage kakaka.
Queria também não ter ido ao filme já sabendo o final. Nem lembro como peguei o spoiler, mas como é um filme antigo, foi inevitável.
Ainda assim, achei a construção ótima, criativa e, apesar do que acontece, o filme está carregado de críticas a todo tipo de religiosidade controladora, especialmente o tipo de cristianismo preconceituoso e colonizador que o protagonista carrega.
[02/11/2025]
A Bruxa de Blair
3.1 1,7Kconfissão cinéfila: eu sempre tive preguiça de assistir a esse filme pq eu sempre tenho preguiça de ver esse filme pq eu sabia que era um found footage (um subgênero que sempre fico com um pouco de preguiça de ver — embora tenha gostado muito de quase todos os filmes que vi rs) e tb pq eu meio que já tinha visto a cena final inúmeras vezes.
mas chegou o dia de assistir e é incrível tentar se colocar no lugar das pessoas em 1999 vendo esse filme no cinema e tentando entender o que tava acontecendo. o desespero, o desconhecido, o estar perdido, o não entender de fato o que está acontecendo, o sentimento sombrio de que não vai dar pra sair daquela situação... tudo isso acrescenta atmosfera ao estilo de filmagens encontradas do filme.
é um verdadeiro sucesso do formato e, embora não seja o pioneiro, como muitos acreditam, certamente é o que o popularizou e nos gerou outras pérolas incríveis do horror found footage (meu preferido dos que assisti sendo o japonês "Noroi").
[02/11/2025]
O Culto
3.2 213Esse filme foi feito com 1 milhão de dólares. É um orçamento bem baixo e acho que fizeram um excelente trabalho com um orçamento desses.
Dito isso, acho que, usando os mesmos truques e recursos que eles usaram, dava pra ter construído uma narrativa um tico mais atmosférica, que colocasse o filme definitivamente no campo do terror cósmico. O conceito é ótimo, o mistério é bom, eu acho a solução interessante e ele possui ideias ótimas. Mas senti falta de ritmo e do senso de pavor que esse conceito poderia provocar. Algum trabalho de roteiro e algumas escolhas de coloração e direção já ajustariam o filme pra pelo menos mais meia estrela pra mim. Sinto também, e aqui é algo caro tb de conseguir, que uma trilha sonora mais atmosférica e um design de som melhor teria ajudado muitooo aqui. Mas de novo: trabalhando com cinema eu percebi o quanto é fácil falar. Na hora de fazer, especialmente com orçamento apertado, o nível de controle sobre o produto final é mínimo.
Esse é o tipo de filme do qual eu gostaria de ver remakes com mais orçamento.
[01/11/2025]
Meu Ódio Será Sua Herança
4.1 214 Assista AgoraEu tô há dois meses ou mais assistindo apenas terror.
Estava com medo de não curtir a experiência de assistir "Meu ódio será tua herança" (que eu acho um baita título, tá?), uma vez que não estou na vibe de faroeste.
Mas quanto mais penso no filme, mais gosto dele.
Não é o tipo de história que me pega, mas é o tipo de história que eu admiro. Tendo discutido sobre, inclusive, com gente que tem repertório logo depois de assistir, ampliou ainda mais minha visão a respeito.
As camadas de comentário social, a ousadia de muito do filme ser falado em espanhol, se passar no México e ter pessoas não brancas de verdade interpretando os personagens não brancos, as rimas visuais, a cinematografia, as cenas excelentes de ação... tem MUITA coisa aqui pra ser apreciada.
Filmaço!
[30/10/2025]
A Cor que Caiu do Espaço
3.1 362 Assista AgoraComo um conhecido comentou, este é o filme que ele poderia ser.
Não dava pra ele ser muito mais do que isso. E eu acho que ele faz um trabalho excelente em ser mais do que o conto, que li ontem antes de dormir.
Todos os elementos do conto estão aqui. Ainda assim, a história é transportada para o século 21 e adaptada para trazer outras temáticas tímidas e um ponto de vista diferente que entende que adaptar uma obra literária para o cinema exige entender a mídia e o cinema.
Minha teoria é que o Richard Stanley assistiu "Aniquilação" do Alex Garland,baseado no livro de Jeff VanderMeer (que ainda tô pra ler) e entendeu como adaptar o conto de 1927 de Lovecraft (que quase certeza foi a influência pra VanderMeer) para o cinema.
É um filme BONITO e todo mundo sabe que tenho fraco por filmes bonitos. Ele não tem as melhores qualidades técnicas em todos os departamentos e, as composições são as mais simples possíveis. Mas o trabalho de cor e direção de arte é FENOMENAL. Eu gosto muito das atuações, incluindo o que Nic Cage faz aqui. Acho que o filme possui um sucesso tremendo em criar uma atmosfera que mistura encantamento e medo, o que é algo muito difícil de alcançar. E constroi o incômodo da descida à loucura de forma muito eficiente no meio de paisagens tão belas. Stanley pegou aqui tudo o que ele aprendeu com histórias lovecraftianas anteriores — de "The Thing" do Carpenter a "Annihilation" do Garland — e seguiu a cartilha direitinho.
Pra quem curte horror cósmico, acho sim que vale a pena assistir, afinal, obras com essa pegada ainda são raras de se ver por aí.
[28/10/2025]
O Enigma de Outro Mundo
4.0 1,0K Assista AgoraSim, tô assistindo em 2025. [28/10/2025]
Não há o que dizer. Tudo o que eu disser já foi dito.
Mas queria comentar que John Carpenter reizinho que não matou os personagens negros no início do filme. E, ecoando a resenha do prof. William Mur, não tem mulheres pq senão o filme seria mais curto, pois elas teriam resolvido mais rápido.
Cinema absoluto.